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Nematoides desafiam produtividade de soja, milho e algodão e exigem manejo desde a semente

A produtividade das lavouras começa pelas raízes. E é justamente abaixo do solo que está uma das ameaças mais difíceis de identificar e controlar na agricultura brasileira: os nematoides. Presentes em praticamente todo o território nacional, eles atacam culturas como soja, milho e algodão, comprometem o desenvolvimento das plantas e podem causar perdas significativas de produtividade.
O problema costuma aparecer quando os danos já estão instalados. As plantas apresentam falhas de desenvolvimento, áreas desuniformes e reboleiras nas lavouras. Mas, segundo o gerente sênior de tratamento de sementes da BASF, Nilson Caldas, o manejo precisa começar muito antes dos primeiros sintomas aparecerem.
Nilson explica que os nematoides são vermes microscópicos que vivem no solo e se alojam nas raízes das plantas. “Acaba sugando ali o alimento da planta que ocorre pela raiz e causando uma série de danos em relação à produtividade, deixando as raízes expostas para a entrada de fungos, que também têm uma relação com algumas doenças de solo”.
Conforme ele, o problema é transversal e atinge diferentes culturas importantes para o agro brasileiro. “Ela está presente na soja, mas também ela está no milho, no algodão. Trazendo os grandes números aqui, a cada 10 safras de soja, por exemplo, o produtor perde uma safra para esse problema de nematoide”.

Diagnóstico começa no solo
A identificação dos nematoides é um dos principais desafios enfrentados pelos produtores. Como a praga fica abaixo do solo, os sintomas nem sempre são percebidos no início do desenvolvimento das plantas.
De acordo com Nilson Caldas, o primeiro passo é investir em um diagnóstico correto da área. “Existem técnicas que estão disponíveis no mercado que passam por uma análise de solo bem feita, uma coleta de solo bem feita, envio para laboratórios especializados para fazer um diagnóstico de quais são os nematoides que estão naquela área e a população”, diz em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso.
A partir desse levantamento, o produtor e a equipe técnica conseguem definir quais estratégias de manejo serão adotadas ao longo do cultivo. O executivo reforça que ignorar o problema pode ampliar ainda mais os prejuízos ao longo das safras.
“Nós costumamos falar aqui na Basf que um problema na raiz pode ser raiz de muitos problemas. É a porta aberta para entrada de doença, o aumento da população dos nematoides ao longo do tempo, porque a taxa de reprodução é altíssima”.
Ele destaca ainda que algumas espécies conseguem permanecer no sistema produtivo e afetar culturas posteriores. “Dependendo da espécie do nematoide, ela pode postergar para a cultura posterior. Quando você tem um Pratylenchus, você pode ter o problema na soja, no algodão ou mesmo no milho safrinha”.
Manejo integrado reduz impactos
O manejo preventivo aparece como uma das principais ferramentas para reduzir os impactos dos nematoides nas lavouras. Segundo Nilson, esperar os sintomas aparecerem pode comprometer boa parte do potencial produtivo.
“É muito importante começar o manejo antes, porque se você não fizer nada, você vai ser surpreendido pela presença através das raízes. Você vai detectar que a planta não está se desenvolvendo bem, vão aparecer as reboleiras”.
Entre as estratégias recomendadas estão o uso de sementes de alta qualidade e o tratamento específico de sementes. Conforme o gerente da BASF, a combinação de soluções químicas e biológicas ajuda no controle da praga. “O uso de soluções químicas e biológicas juntos potencializa esse controle para você conviver com o problema”.
O manejo também envolve planejamento do sistema produtivo e atenção às culturas implantadas na sequência da safra principal. “Você vai ter que utilizar outras técnicas, olhar, por exemplo, todo o seu sistema de cultivo, o que vai ser a cultura subsequente ali se for um caso de safrinha e você também nessa próxima cultura vai ter que usar o tratamento de semente ao seu favor”.

Solo estruturado fortalece a lavoura
Além do tratamento de sementes, práticas integradas de manejo do solo ajudam a reduzir a pressão dos nematoides nas áreas agrícolas.
Nilson cita o uso de culturas de cobertura como uma alternativa importante dentro do sistema produtivo. “O uso de cultura de cobertura, por exemplo, como a crotalária e outras culturas de cobertura pode ajudar nesse manejo”.
Segundo ele, construir um perfil de solo mais profundo e estruturado também favorece o desenvolvimento das plantas e aumenta a capacidade da lavoura de conviver com o problema.
“Sempre observando uma construção do perfil do solo em camadas mais profundas, por exemplo, 50 centímetros, 60 centímetros. Isso vai te ajudar também porque no final do dia você vai ter um solo mais estruturado”.
A nutrição equilibrada das plantas e o uso de tecnologias genéticas também entram no pacote de manejo recomendado. “Você tem também os traits nativos que ajudam no manejo dos nematoides. Então são uma série de técnicas que juntas vão ajudar o produtor a conviver com esse problema”.
Ao final, o especialista reforça que o potencial produtivo começa a ser definido abaixo da superfície. “A produtividade é construída pela raiz da planta. Começa pela raiz”.
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John Deere começará a produzir componentes eletrônicos de máquinas no Brasil

A John Deere anunciou a ampliação de sua unidade industrial de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, com a implantação de uma área dedicada à montagem de componentes eletrônicos para máquinas agrícolas e de construção.
A nova operação tem previsão de início em julho de 2027 e prevê investimento de R$ 75 milhões.
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De acordo com a companhia,o projeto é voltado exclusivamente ao mercado brasileiro e formará uma nova linha para a montagem final de módulos de controle, receptores de sinal Sistema de Posicionamento Global (GPS) de alta precisão, monitores e equipamentos de orientação utilizados nas máquinas.
Segundo a empresa, a expansão integra sua estratégia de manufatura para otimizar a cadeia de suprimentos, ampliar a eficiência logística e aproveitar a capacidade técnica da unidade de Canoas.
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Demanda aquecida no mercado de soja segura preços firmes; produtor segue retraído

O mercado brasileiro de soja voltou a registrar um dia de preços firmes, embora os produtores continuem limitando as ofertas. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a combinação de uma nova alta na Bolsa de Chicago, prêmios fortalecidos e valorização do dólar manteve a sustentação das cotações.
Silveira destaca que, apesar do cenário favorável aos preços, não houve registro de negociações em grandes volumes. Segundo ele, o produtor continua segurando a soja, restringindo a oferta disponível no mercado.
O analista observa ainda que o mercado interno segue pressionando as cotações, com compradores elevando suas ofertas para competir com os portos. Ainda assim, a disponibilidade de soja permanece limitada diante da postura dos vendedores.
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No mercado físico, os preços foram os seguintes:
- Passo Fundo (RS): subiu de R$ 141,00 para R$ 142,00
- Santa Rosa (RS): subiu de R$ 142,00 para R$ 143,00
- Cascavel (PR): manteve em R$ 136,00
- Rondonópolis (MT): manteve em R$ 130,00
- Dourados (MS): manteve em R$ 128,50
- Rio Verde (GO): desceu de R$ 132,00 para R$ 131,00
Nos portos, Paranaguá (PR) manteve a saca em R$ 147,00, enquanto Rio Grande (RS) registrou alta de R$ 147,00 para R$ 148,00.
Soja em Chicago
Os contratos futuros da soja encerraram a quinta-feira em alta na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). O avanço foi sustentado pela forte valorização do petróleo, pela boa demanda pela soja norte-americana e pelas preocupações com o clima seco em regiões produtoras dos Estados Unidos. O movimento, porém, foi limitado por realização de lucros e vendas técnicas.
As renovadas tensões no Oriente Médio impulsionaram o petróleo, que voltou a superar US$ 100 por barril em Londres após alta superior a 8%. O movimento deu sustentação adicional ao complexo da soja, especialmente devido à relação entre o óleo de soja e a produção de biodiesel.
Os exportadores privados dos Estados Unidos informaram ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a venda de 126 mil toneladas de soja para destinos não revelados, com entrega na temporada 2026/27.
Já as exportações líquidas norte-americanas referentes à safra 2025/26 somaram 56,4 mil toneladas na semana encerrada em 16 de julho. Para a temporada 2026/27, o volume alcançou 1,537 milhão de toneladas. O mercado esperava embarques entre 1,1 milhão e 2,2 milhões de toneladas, considerando as duas temporadas.
Contratos futuros de soja
Os contratos da soja para agosto fecharam com alta de 4,50 centavos de dólar, ou 0,36%, a US$ 12,37 1/2 por bushel. O vencimento novembro encerrou cotado a US$ 12,43 3/4 por bushel, avanço de 4,75 centavos, ou 0,38%.
Entre os subprodutos, o farelo para agosto caiu US$ 1,70, ou 0,51%, para US$ 329,90 por tonelada. O óleo de soja para agosto subiu 0,11 centavo, ou 0,14%, encerrando a 75,59 centavos de dólar por libra-peso.
Câmbio
O dólar comercial fechou a sessão com valorização de 0,62%, cotado a R$ 5,0838 para venda e R$ 5,0818 para compra. Ao longo do dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,0698 e a máxima de R$ 5,0923.
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Bactéria que causa doença grave em peixes é identificada pela primeira vez no Brasil

Cientistas identificaram pela primeira vez no Brasil a presença de bactérias causadoras de uma grave doença em peixes de criação destinados ao consumo humano: a columnariose. Até agora, as diferentes espécies do gênero Flavobacterium só haviam sido detectadas em criadouros da Ásia e dos Estados Unidos.
A doença impacta principalmente criações de tilápia (Oreochromis niloticus) também conhecida, comercialmente, como Saint Peter, que é uma espécie de origem africana; mas também criações de espécies nativas do Brasil, como tambaqui, pacu e pintado-da-amazônia.
Os resultados são um alerta para a necessidade de vigilância epidemiológica e desenvolvimento de vacinas. “A identificação inicial das bactérias desse gênero é feita por exame visual das colônias no microscópio”, conta Daniel de Abreu Reis Ferreira, primeiro autor do estudo.
Doença de pele
Até pouco tempo, as quatro espécies de Flavobacterium detectadas eram conhecidas como apenas uma, Flavobacterium columnare, daí o nome da doença. A columnariose causa lesões esbranquiçadas na pele e nas nadadeiras, além de necrose nas brânquias dos peixes.
“As bactérias se alimentam de células epiteliais e matam os peixes em poucos dias, especialmente as larvas e os alevinos”, explica Fabiana Pilarski, professora do Caunesp.
Pilarski é pesquisadora associada do Centro de Ciência para o Desenvolvimento Sanidade na Piscicultura, sediado no Instituto de Pesca.
Identificação
Entre as 11 cepas isoladas no estudo, seis eram da espécie Flavobacterium oreochromis, até então conhecida no Brasil por infectar apenas a tilápia, peixe mais produzido no país e no mundo. Agora, o patógeno foi detectado em amostras de peixes nativos criados para consumo: tambaqui (Colossoma macropomum), lambari (Astyanax lacustris) e pacu (Piaractus mesopotamicus).
Outro resultado foi a detecção inédita de Flavobacterium davisii em um pintado-da-amazônia (Pseudoplatystoma punctifer). “Esse caso mostra que a bactéria também pode infectar siluriformes, uma ordem de peixes distinta das que ela costuma colonizar, ampliando a possibilidade de hospedeiros para esse patógeno”, explica Ferreira.
Adaptação ao clima
As análises mostraram ainda que os patógenos até então encontrados apenas na Ásia e nos Estados Unidos estão adaptados ao clima do Brasil. Nos testes, F. davisii e F. inkyongense, outra bactéria identificada nas análises, alcançaram condições ideais para o crescimento a 28 °C, temperatura média das águas continentais brasileiras.
Outras duas espécies detectadas nas análises, F. oreochromis e F. indicum, demonstraram preferência por temperaturas mais altas, sendo que a segunda apresentou o pico de desenvolvimento a 35 °C, ou seja, pode ser favorecida pelo aquecimento das águas. Outro dado alarmante é que a 28 °C as bactérias apresentaram uma alta produção de biofilme.
“O biofilme é uma matriz protetora que permite que as bactérias se mantenham num estado de dormência quando as condições não são favoráveis, voltando a se multiplicar quando o ambiente se torna propício”, diz Pilarski.
“Daí a importância de protocolos robustos de higiene e desinfecção para prevenir a colonização dos equipamentos usados para o manejo dos peixes”, completa Ferreira.
Enquanto quase todas as espécies analisadas sofreram uma queda expressiva na formação de biofilmes a 35 °C, na F. davisii esse mecanismo de defesa permaneceu bastante ativo. Os pesquisadores observaram, porém, que sob essa temperatura a bactéria teve sua mobilidade prejudicada.
“Isso sugere uma adaptação, o que chamamos de um trade-off metabólico, em que ela perderia por um lado, se movimentando menos, mas ganharia por outro, produzindo biofilme e sobrevivendo”, explica Ferreira.
Vacinas e sal
A boa notícia é que estudos realizados por outros grupos de pesquisa mostram que bactérias do gênero Flavobacterium não suportam bem a salinidade. Com isso, adicionar sal à água poderia diminuir as chances de colonização do patógeno. No entanto, ainda são necessários novos estudos para determinar os níveis ideais de salinidade para proteger cada espécie de peixe.
Os pesquisadores agora realizam estudos genômicos com as bactérias encontradas a fim de encontrar possíveis alvos para vacinas. A ideia é desenvolver os chamados imunizantes autógenos, vacinas personalizadas para as cepas presentes em cada local de produção.
“Uma vez que a columnariose ataca sobretudo a pele, uma vacina na forma de banho com a bactéria atenuada seria ideal, beneficiando principalmente os peixes jovens. É uma fase em que o sistema imune está em formação e, por serem pequenos, os alevinos poderiam ser vacinados em grande quantidade simultaneamente”, avalia Pilarski.
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