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Soja ganha ritmo nas vendas, enquanto milho e algodão avançam com cautela em MT

A comercialização das principais commodities agrícolas de Mato Grosso apresentou comportamentos distintos em agosto. Enquanto a valorização das cotações internacionais deu impulso aos negócios de soja e algodão, o milho avançou em ritmo mais moderado, diante das incertezas sobre a próxima safra e da menor atuação das indústrias nas compras.
Na soja, a melhora dos preços em Chicago favoreceu tanto a comercialização da safra 2025/26 quanto a antecipação de negócios para o ciclo 2026/27. Os contratos futuros chegaram a superar US$ 13 por bushel, em meio às preocupações com o desenvolvimento das lavouras norte-americanas.
“O movimento contribuiu para a melhora das condições de negociação da safra 2026/27, diante da valorização dos preços no período”, aponta o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
Com o cenário externo mais favorável, a comercialização da próxima safra de soja chegou a 39,12% da produção estimada. O resultado representa avanço de 8,89 pontos percentuais em relação a julho e de 11,72 pontos percentuais na comparação com o mesmo período da safra 2025/26.
O preço médio negociado para a temporada 2026/27 fechou agosto em R$ 121,18 a saca, alta de R$ 10,01 em relação ao mês anterior.
Soja se aproxima do fim das vendas da safra atual
A comercialização da soja 2025/26 também avançou durante agosto e alcançou 96,90% da produção estimada em Mato Grosso. O índice representa crescimento de 3,84 pontos percentuais em relação a julho.
Com quase toda a produção negociada, o ciclo atual se encaminha para o encerramento das vendas. O movimento ocorre em um momento de maior atenção dos produtores às oportunidades oferecidas pelo mercado internacional.
Na safra 2026/27, por outro lado, ainda há uma parcela significativa da produção disponível para comercialização. A valorização registrada em agosto ajudou a ampliar o interesse pelos negócios antecipados.
O avanço das vendas futuras ocorre mesmo antes do início da nova temporada, mostrando que as condições de preço em Chicago tiveram impacto direto sobre a formação das cotações em Mato Grosso. Vale lembrar que o plantio da soja 2026/27 em Mato Grosso está liberado desde esta segunda-feira, 7 de setembro, e segue até o dia 7 de janeiro de 2027.

Milho avança, mas indústria reduz ritmo das compras
No milho, a comercialização da safra 2025/26 atingiu 74,63% em agosto, avanço de 10,69 pontos percentuais no mês. Apesar do crescimento, o ritmo dos negócios permaneceu gradual.
Um dos fatores que limitou uma aceleração maior foi a menor atuação das indústrias nas aquisições. Com estoques relativamente ajustados às necessidades atuais, as empresas reduziram a pressão pela recomposição das posições.
O preço médio do milho em Mato Grosso ficou em R$ 51,61 a saca. As cotações encontraram sustentação também no mercado internacional, especialmente diante de um cenário mais firme nos Estados Unidos.
A demanda aquecida pelo cereal e a perspectiva de estoques finais mais ajustados deram suporte aos preços. Ao longo de agosto, a piora nas condições das lavouras norte-americanas também aumentou as incertezas sobre o potencial produtivo da safra dos EUA.
Esse ambiente fortaleceu as cotações em Chicago e ajudou a sustentar os preços praticados em Mato Grosso, mesmo com uma atuação mais contida da indústria no mercado estadual.
Incertezas deixam vendas futuras de milho mais lentas
Para a safra 2026/27, a comercialização do milho avançou 4,60 pontos percentuais em agosto e chegou a 15,96% da produção projetada. O preço médio negociado ficou em R$ 50 por saca.
O ritmo das vendas antecipadas, porém, permanece abaixo do observado na soja. As incertezas relacionadas ao desenvolvimento das lavouras e ao potencial produtivo da próxima temporada fazem com que os produtores adotem uma postura mais cautelosa, ressalta o Imea.
A indefinição sobre o desempenho da próxima safra reduz a disposição para comprometer volumes maiores com antecedência. Dessa forma, os negócios seguem avançando, mas sem uma aceleração expressiva.
O cenário também mostra a diferença entre os mercados. Enquanto a soja encontrou suporte mais direto na valorização dos contratos futuros, o milho ainda depende de uma combinação de fatores internos e externos para ganhar maior força nas negociações.
Algodão tem vendas mais cautelosas na safra atual
A comercialização da pluma de algodão da safra 2025/26 alcançou 75,52% da produção estimada em agosto. O avanço foi de 1,52 ponto percentual em relação ao mês anterior.
Mesmo com a valorização dos preços durante o período, os negócios permaneceram mais cautelosos. Parte dos produtores, segundo o Imea, já tem volumes comprometidos em contratos firmados anteriormente e tem priorizado essas entregas.
A estratégia ocorre em meio às incertezas relacionadas à qualidade da fibra. As condições de chuva registradas durante o ciclo aumentaram a preocupação do setor quanto ao padrão da pluma que será entregue.
Diante desse cenário, a prioridade tem sido cumprir os contratos já estabelecidos antes de assumir novos compromissos comerciais. Isso ajuda a explicar o ritmo mais contido das negociações, apesar da melhora das cotações.
Valorização da pluma acelera vendas da próxima safra
Para a safra 2026/27, o comportamento foi diferente. A valorização da pluma na Bolsa de Nova York estimulou novas vendas em Mato Grosso, em um momento de preocupação dos produtores com o elevado custo de produção da próxima temporada.
A comercialização avançou 6,61 pontos percentuais em agosto, na comparação com julho, e chegou a 39,34% da produção estimada para o ciclo.
O preço médio negociado no mês foi de R$ 140,46 a arroba, alta de 8,43% em relação a julho. A melhora da remuneração contribuiu para ampliar a disposição dos produtores em fixar parte da produção antecipadamente.
Assim, soja e algodão apresentaram maior avanço nas vendas futuras durante agosto, impulsionados principalmente pela melhora das referências externas. No milho, a combinação entre incertezas produtivas e menor demanda das indústrias manteve os produtores mais seletivos.
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Boletim agrometeorológico prevê chuva no fim de semana no Rio Grande do Sul

O tempo deve voltar a ficar instável em grande parte do Rio Grande do Sul no fim de semana, segundo o Boletim Integrado Agrometeorológico 43/2026. A previsão foi divulgada pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), em parceria com a Emater/RS-Ascar e o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), nesta sexta-feira (23).
De acordo com o boletim, no sábado (24) e no domingo (25), a aproximação e a posterior passagem de um sistema de baixa pressão devem provocar novas áreas de instabilidade no estado. A previsão indica aumento da nebulosidade e ocorrência de chuva na maioria das regiões, com possibilidade de rajadas de vento pontuais.
Na segunda-feira (26), o sistema de baixa pressão começará a se afastar, com menor influência sobre o território gaúcho. Nesse cenário, a previsão é de chuva apenas na porção nordeste. Nas demais regiões, o tempo deve permanecer estável, sem chuva significativa.
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Entre terça-feira (27) e quarta-feira (28), a tendência é de estabilidade em praticamente todo o estado. Para esse período, o boletim indica ausência de chuva significativa na maior parte das regiões e leve declínio das temperaturas.
O Boletim Integrado Agrometeorológico é atualizado semanalmente e reúne informações sobre a situação de diversas culturas e criações de animais no Rio Grande do Sul.
A previsão para os próximos dias no Rio Grande do Sul indica chuva em grande parte do estado no fim de semana, concentração das precipitações no nordeste na segunda-feira (26) e tempo estável entre terça-feira (27) e quarta-feira (28), com leve queda nas temperaturas.
Fonte: agricultura.rs.gov.br
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Brasil deve importar até 10 milhões de toneladas de trigo em 2027, diz especialista

A redução da produção brasileira de trigo e a maior dependência das importações estão entre os principais desafios para o abastecimento nacional no fechamento de 2026 e ao longo de 2027. O cenário foi discutido por especialistas no último dia da 33ª edição do Congresso Internacional da Indústria do Trigo, no Rio de Janeiro (RJ).
Promovido pela Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), a programação também debateu a importância da atuação regulatória de forma estratégica no setor.
No que se refere ao cenário externo, o diretor sênior de Originação e Trading de Trigo da Bunge Alimentos, Tito Marquetti Martinho estimou que o Brasil poderá importar entre 9,5 milhões e 10 milhões de toneladas de trigo no próximo ano.
“A combinação de menor volume produzido internamente e pior qualidade do cereal amplia a dependência do mercado externo e deve colocar à prova a capacidade portuária brasileira”, analisou.
Para esse crescente abastecimento interno, a Argentina permanecerá como principal fornecedora e, no cenário global, o conflito na região do Mar Negro continua como um dos principais fatores de incerteza para o mercado
Produção nacional e abastecimento
O especialista em mercado de trigo Elcio Bento alertou para os efeitos da queda da produção brasileira sobre o abastecimento, diante da redução da oferta doméstica e da maior necessidade de importação. A produção nacional está estimada em 5,12 milhões de toneladas, recuo de 37% em relação ao período de referência apresentado, volume suficiente para atender a cerca de 36% do consumo brasileiro, exigindo mais aquisição externa.
“A disponibilidade de trigo de melhor qualidade também preocupa. Em São Paulo, a estimativa é de que apenas 70 mil a 80 mil toneladas da produção correspondam ao Tipo 1. No Paraná, onde cerca de 70% da colheita havia sido realizada no momento da análise, o volume de trigo Tipo 1 foi estimado em 500 mil a 600 mil toneladas”, ponderou.
A redução da oferta altera, de acordo com o especialista, o papel tradicional dos estados do Sul no abastecimento nacional. Nesse cenário, o Paraná passa de um excedente de 100 mil toneladas para um déficit de 1,85 milhão de toneladas. No Rio Grande do Sul, o excedente estimado em 4,07 milhões de toneladas se aproxima do equilíbrio entre oferta e demanda.
Contudo, a logística e a eficiência industrial ganham relevância na operação dos moinhos. “A logística favorecerá os moinhos bem-posicionados e preparados para receber o trigo importado. Já a moagem de trigos nacionais heterogêneos exigirá maior eficiência”, afirmou.
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Mercado global de biocontrole deve alcançar US$ 15 bilhões até 2032

O mercado global de biocontrole deve movimentar US$ 14,97 bilhões em 2032, ante US$ 9,83 bilhões estimados para 2026, com uma taxa de crescimento anual composta de 7,3%.
Os números fazem parte do novo Global Biocontrol Market Report, da consultoria DunhamTrimmer, divulgado durante a Annual Biocontrol Industry Meeting (Abim) 2026, realizada nesta semana em Basel, na Suíça.
O estudo oferece uma análise do mercado mundial, com projeções até 2032 e avaliações por região, país, cultura agrícola, categoria de produto e empresa.
De acordo com o documento, embora a indústria continue em expansão, o ritmo de crescimento vem diminuindo à medida que os mercados mais maduros avançam para uma nova etapa de desenvolvimento, marcada pela consolidação competitiva e pela necessidade de comprovar o valor econômico das tecnologias biológicas.
“Estamos entrando em uma fase em que compreender as diferenças entre os mercados, identificar onde o crescimento efetivamente ocorre e avaliar a competitividade das empresas será cada vez mais importante para a tomada de decisões na indústria de biocontrole”, afirma o presidente e sócio-fundador da DunhamTrimmer, Mark Trimmer.
A América Latina aparece como um dos principais mercados para acompanhar nesse cenário. A região movimenta aproximadamente US$ 2,74 bilhões em 2026, segundo o levantamento, o equivalente a cerca de 28% do mercado global estimado para o ano. O valor coloca a região atrás apenas dos Estados Unidos e Canadá, que somam US$ 3,08 bilhões.
A Europa aparece na sequência, com US$ 2 bilhões, enquanto a Ásia-Pacífico movimenta US$ 1,76 bilhão. A África, por sua vez, representa aproximadamente US$ 260 milhões.
Para Trimmer, a distribuição regional evidencia a importância das Américas para o desenvolvimento do setor e reforça o potencial da América Latina, onde a agricultura em larga escala favorece a incorporação de soluções biológicas aos programas de manejo de pragas e doenças.
Brasil ganha importância
O Brasil ocupa uma posição estratégica nesse contexto, impulsionado pela escala de sua produção agrícola, pela expansão do uso de insumos biológicos e pela evolução de seu ambiente regulatório.
O país também integra a análise regulatória ampliada da DunhamTrimmer, que abrange 27 mercados e examina agências, exigências de dados e procedimentos de registro.
A atualização regulatória brasileira ganha relevância em um mercado no qual as regras de registro e comercialização influenciam diretamente a velocidade de lançamento de produtos e a capacidade de expansão das empresas. A análise da DunhamTrimmer inclui também Argentina e Quênia entre os mercados contemplados pela ampliação da cobertura regulatória.
Para fabricantes, investidores e desenvolvedores de tecnologias, a combinação entre demanda agrícola, acesso ao mercado e previsibilidade regulatória constitui um dos fatores que determinam as oportunidades de crescimento.
Microbianos, bioquímicos e novas tecnologias
O levantamento divide o mercado em quatro categorias de produtos: microbianos, bioquímicos, macro-organismos e outras soluções. A análise contempla ainda cinco segmentos de uso: bioinseticidas, biofungicidas, bionematicidas, bioherbicidas e reguladores de crescimento vegetal.
Entre os fatores que moldam a indústria estão a demanda dos consumidores, o manejo da resistência, a comoditização de produtos, a consolidação empresarial e o desenvolvimento de tecnologias como inteligência artificial, interferência por RNA (RNAi), peptídeos e aplicação de precisão.
O relatório destaca que a crescente diversidade tecnológica amplia as possibilidades de desenvolvimento de soluções biológicas, mas também torna mais complexa a competição entre empresas.
Portfólio, presença internacional, capacidade de inovação e receita são alguns dos critérios considerados pela DunhamTrimmer em sua avaliação de 217 companhias, reunidas em quatro níveis de competitividade por meio do sistema Consolidated Strength Rating (CSR).
Biocontrole também pode facilitar o comércio internacional
Além das perspectivas de crescimento, o papel dos insumos biológicos na competitividade das exportações foi um dos temas abordados por Trimmer durante o painel Biocontrol as a Trade Enabler, realizado na Abim 2026.
A discussão examinou como o biocontrole pode contribuir para o comércio internacional de alimentos, especialmente diante das exigências relacionadas aos limites máximos de resíduos (LMRs) e às normas fitossanitárias dos países importadores.
Durante sua apresentação, Trimmer utilizou dados do novo relatório para contextualizar a situação atual do mercado, identificar regiões e países com oportunidades de expansão e discutir exemplos nos quais a integração de soluções biológicas aos programas de manejo ajudou a enfrentar obstáculos comerciais.
“Além de seu papel agronômico, o biocontrole pode contribuir para estratégias de produção voltadas à exportação, ajudando os produtores a administrar riscos relacionados a resíduos e às exigências dos mercados de destino”, afirma Trimmer.
O especialista também destacou a necessidade de ampliar a comprovação desses benefícios. Segundo os pontos apresentados no painel, ainda são limitados os estudos que quantificam sistematicamente as rejeições de cargas evitadas e o valor econômico gerado pela adoção dessas tecnologias.
A construção de uma base de evidências mais robusta, com dados de resíduos em produtos exportados, registros de ocorrências relacionadas a LMRs e exigências de quarentena, poderá fortalecer a avaliação dos resultados comerciais do biocontrole.
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