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Programa de subsídios à indústria de fertilizantes retorna ao Senado

O Projeto de Lei 699/2023, que institui o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert) e destina até R$ 10 bilhões em subsídios para o setor, terá suas modificações feitas pela Câmara dos Deputados votadas pelo Senado.
De autoria do senador Laércio Oliveira (PP-SE), o projeto tem a intenção de conceder isenção de tributos federais para a expansão e construção de novas fábricas de produção de nitrogenados no Brasil.
As empresas beneficiárias do Profert poderão adquirir máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos novos, além de materiais de construção para usar ou incorporar no programa sem a cobrança de PIS/Pasep, Cofins, IPI e imposto de importação.
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Entre outras alterações, o texto do Senado atribui ao Poder Executivo a definição de quais projetos serão aprovados para o Programa e limita a concessão de subsídios para R$ 1,5 bilhão anuais por cinco anos.
No texto do projeto de lei, o senador destaca que o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que usa, dependência que pode comprometer a segurança alimentar do país por conta de futuros conflitos geopolíticos envolvendo os principais fornecedores globais.
“Estamos reduzindo a taxação do setor para atrair os investimentos necessários e mitigar essa dependência, pois resolvê-la é uma necessidade estratégica para o Brasil, que tem no agronegócio um dos esteios de sua riqueza”, ressalta. Se aprovado, o Profert terá validade de 2027 a 2031.
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Safra de citros é aberta no Rio Grande do Sul em Montenegro

A 26ª Abertura Oficial da Safra Estadual de Citros foi realizada nesta sexta-feira (29), na localidade de Fortaleza, no interior de Montenegro, no Vale do Caí. O evento ocorreu na propriedade da família Kehl e reuniu produtores, técnicos, lideranças do setor e autoridades estaduais no início da colheita de 2026. A expectativa apresentada no encontro é repetir o desempenho registrado na safra de 2025.
Segundo dados apresentados durante a abertura, o Rio Grande do Sul ocupa a sexta posição nacional na produção de laranjas e a terceira na produção de bergamotas. A citricultura gaúcha soma mais de 37 mil hectares cultivados e mantém peso relevante na agricultura familiar e na economia regional.
Na safra de 2025, as laranjas lideraram em área plantada, com 22,7 mil hectares, produção de 354 mil toneladas e participação de 8.024 produtores. As bergamotas vieram na sequência, com 12,8 mil hectares e produção de 197 mil toneladas. Os limões ocuparam 1,6 mil hectares, com volume de 20 mil toneladas.
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O valor econômico da atividade também foi destacado. De acordo com as informações divulgadas no evento, o Valor Bruto da Produção da citricultura gaúcha superou R$ 1 bilhão na safra de 2024. Além da produção no campo, a cadeia movimenta comércio, serviços e processamento, com reflexos sobre emprego e renda em regiões produtoras.
Durante a cerimônia, o secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul, Márcio Madalena, afirmou que uma das prioridades do estado é impedir a entrada do greening nos pomares gaúchos. Segundo ele, a atuação envolve o Departamento de Defesa Vegetal e parceria com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater). Ainda de acordo com o secretário, mais de R$ 2 milhões serão destinados em 2026 à assistência técnica aos produtores.
O foco sanitário é um dos pontos centrais para a cadeia, porque a manutenção dos pomares sem ocorrência da doença influencia produtividade, longevidade das plantas e regularidade da oferta.
Com a colheita iniciada, o desempenho da safra dependerá do comportamento produtivo dos pomares e da manutenção das ações de defesa vegetal e assistência técnica. Não foram detalhadas, no conteúdo disponível, estimativas oficiais consolidadas para o volume total da safra de 2026.
Fonte: agricultura.rs.gov.br
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AgroBrasília destaca pesquisa, qualidade e mercado para o café brasileiro

A cafeicultura ganhou espaço na AgroBrasília 2026 com duas palestras realizadas nesta sexta-feira (22), no estande da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). As apresentações abordaram qualidade, inovação, agregação de valor e a inserção do café brasileiro em mercados especializados. À tarde, um estudo sobre a produção no Distrito Federal detalhou a concentração da área plantada e abriu discussão técnica sobre a formação de um possível terroir regional.
Na programação da manhã, a chefe de Inovação e Negócios da Embrapa Café, Renata Silva, afirmou que o café deve ser tratado como alimento em todas as etapas da cadeia. Segundo ela, práticas adequadas de manejo, pós-colheita e armazenamento influenciam diretamente a qualidade da bebida e podem reduzir riscos ligados à presença de fungos e toxinas.
A pesquisadora também destacou estratégias de agregação de valor, como fermentações controladas, valorização da origem e comercialização dentro da propriedade. Em um dos exemplos apresentados, a cafeicultura de Rondônia saiu de produtividade média de 7 sacas por hectare para cerca de 60 sacas por hectare em 20 anos, segundo dados citados pela Embrapa Café.
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Na segunda palestra, a barista Juliana Morgado, representante do Brasil no World Brewers Cup 2026, em Bruxelas, entre 25 e 27 de junho, destacou que competições internacionais ajudam a difundir a diversidade sensorial dos cafés brasileiros e podem ampliar a conexão entre produtores e consumidores. De acordo com ela, o ambiente exige domínio técnico sobre origem, processamento, composição da água e métodos de extração.
À tarde, a Universidade de Brasília (UnB) apresentou resultados do projeto de diagnóstico da qualidade química e sensorial de cafés produzidos no Distrito Federal. Segundo a pesquisadora Lívia Lacerda, os seis maiores produtores respondem por cerca de 95% da produção reportada, enquanto Paranoá, Planaltina, Sobradinho II e Gama concentram aproximadamente 85% da área plantada.
O estudo reúne análises de solo, dados climáticos, avaliações físicas, químicas e sensoriais, além de percepção do consumidor. A base técnica, segundo a pesquisa, pode orientar assistência técnica, manejo, posicionamento comercial e futuras ações para diferenciação de origem no mercado.
As próximas etapas do projeto devem aprofundar a avaliação de regiões produtoras, safras e materiais genéticos para medir com maior controle o efeito do território sobre a qualidade do café no Distrito Federal. Até a consolidação desses resultados, a discussão sobre terroir local segue em fase técnica de validação.
Fonte: embrapa.br
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Nematoides desafiam produtividade de soja, milho e algodão e exigem manejo desde a semente

A produtividade das lavouras começa pelas raízes. E é justamente abaixo do solo que está uma das ameaças mais difíceis de identificar e controlar na agricultura brasileira: os nematoides. Presentes em praticamente todo o território nacional, eles atacam culturas como soja, milho e algodão, comprometem o desenvolvimento das plantas e podem causar perdas significativas de produtividade.
O problema costuma aparecer quando os danos já estão instalados. As plantas apresentam falhas de desenvolvimento, áreas desuniformes e reboleiras nas lavouras. Mas, segundo o gerente sênior de tratamento de sementes da BASF, Nilson Caldas, o manejo precisa começar muito antes dos primeiros sintomas aparecerem.
Nilson explica que os nematoides são vermes microscópicos que vivem no solo e se alojam nas raízes das plantas. “Acaba sugando ali o alimento da planta que ocorre pela raiz e causando uma série de danos em relação à produtividade, deixando as raízes expostas para a entrada de fungos, que também têm uma relação com algumas doenças de solo”.
Conforme ele, o problema é transversal e atinge diferentes culturas importantes para o agro brasileiro. “Ela está presente na soja, mas também ela está no milho, no algodão. Trazendo os grandes números aqui, a cada 10 safras de soja, por exemplo, o produtor perde uma safra para esse problema de nematoide”.

Diagnóstico começa no solo
A identificação dos nematoides é um dos principais desafios enfrentados pelos produtores. Como a praga fica abaixo do solo, os sintomas nem sempre são percebidos no início do desenvolvimento das plantas.
De acordo com Nilson Caldas, o primeiro passo é investir em um diagnóstico correto da área. “Existem técnicas que estão disponíveis no mercado que passam por uma análise de solo bem feita, uma coleta de solo bem feita, envio para laboratórios especializados para fazer um diagnóstico de quais são os nematoides que estão naquela área e a população”, diz em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso.
A partir desse levantamento, o produtor e a equipe técnica conseguem definir quais estratégias de manejo serão adotadas ao longo do cultivo. O executivo reforça que ignorar o problema pode ampliar ainda mais os prejuízos ao longo das safras.
“Nós costumamos falar aqui na Basf que um problema na raiz pode ser raiz de muitos problemas. É a porta aberta para entrada de doença, o aumento da população dos nematoides ao longo do tempo, porque a taxa de reprodução é altíssima”.
Ele destaca ainda que algumas espécies conseguem permanecer no sistema produtivo e afetar culturas posteriores. “Dependendo da espécie do nematoide, ela pode postergar para a cultura posterior. Quando você tem um Pratylenchus, você pode ter o problema na soja, no algodão ou mesmo no milho safrinha”.
Manejo integrado reduz impactos
O manejo preventivo aparece como uma das principais ferramentas para reduzir os impactos dos nematoides nas lavouras. Segundo Nilson, esperar os sintomas aparecerem pode comprometer boa parte do potencial produtivo.
“É muito importante começar o manejo antes, porque se você não fizer nada, você vai ser surpreendido pela presença através das raízes. Você vai detectar que a planta não está se desenvolvendo bem, vão aparecer as reboleiras”.
Entre as estratégias recomendadas estão o uso de sementes de alta qualidade e o tratamento específico de sementes. Conforme o gerente da BASF, a combinação de soluções químicas e biológicas ajuda no controle da praga. “O uso de soluções químicas e biológicas juntos potencializa esse controle para você conviver com o problema”.
O manejo também envolve planejamento do sistema produtivo e atenção às culturas implantadas na sequência da safra principal. “Você vai ter que utilizar outras técnicas, olhar, por exemplo, todo o seu sistema de cultivo, o que vai ser a cultura subsequente ali se for um caso de safrinha e você também nessa próxima cultura vai ter que usar o tratamento de semente ao seu favor”.
Solo estruturado fortalece a lavoura
Além do tratamento de sementes, práticas integradas de manejo do solo ajudam a reduzir a pressão dos nematoides nas áreas agrícolas.
Nilson cita o uso de culturas de cobertura como uma alternativa importante dentro do sistema produtivo. “O uso de cultura de cobertura, por exemplo, como a crotalária e outras culturas de cobertura pode ajudar nesse manejo”.
Segundo ele, construir um perfil de solo mais profundo e estruturado também favorece o desenvolvimento das plantas e aumenta a capacidade da lavoura de conviver com o problema.
“Sempre observando uma construção do perfil do solo em camadas mais profundas, por exemplo, 50 centímetros, 60 centímetros. Isso vai te ajudar também porque no final do dia você vai ter um solo mais estruturado”.
A nutrição equilibrada das plantas e o uso de tecnologias genéticas também entram no pacote de manejo recomendado. “Você tem também os traits nativos que ajudam no manejo dos nematoides. Então são uma série de técnicas que juntas vão ajudar o produtor a conviver com esse problema”.
Ao final, o especialista reforça que o potencial produtivo começa a ser definido abaixo da superfície. “A produtividade é construída pela raiz da planta. Começa pela raiz”.
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