Agro Mato Grosso
STF destrava Ferrogrão após quase 6 anos e recoloca nos trilhos projeto estratégico para a logística MT

Projeto ferroviário é considerado fundamental para reduzir custos logísticos, ampliar competitividade, fortalecer o Arco Norte e diminuir impactos ambientais no transporte de cargas
Na prática, o STF validou a Lei nº 13.452/2017, que alterou os limites do Parque Nacional do Jamanxim, no Pará, permitindo a regularização da faixa de domínio da BR-163 e o avanço da Ferrogrão.
A ferrovia ligará Sinop (MT) ao distrito de Miritituba (PA), em um corredor de aproximadamente mil quilômetros de extensão, acompanhando grande parte da BR-163, rota fundamental para o escoamento da produção agropecuária mato-grossense em direção aos portos do Arco Norte.
Para o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Lucas Costa Beber, a construção da ferrovia representa um avanço econômico, logístico e ambiental para Mato Grosso e para o Brasil.
“A construção da Ferrogrão significa mais competitividade e eficiência para o produtor de Mato Grosso. Estima-se uma economia de mais de R$ 8 bilhões por ano, podendo ainda, haver redução no valor do frete no estado”, destacou.
Segundo ele, além da redução dos custos logísticos, os recursos economizados tendem a permanecer circulando na economia estadual, estimulando investimentos, geração de empregos e aumento da arrecadação.
Outro benefício apontado é a melhora no fluxo da BR-163, que atualmente transporta mais de 17 milhões de toneladas de grãos e enfrenta graves gargalos, congestionamentos, acidentes e elevado custo operacional. Com parte da carga migrando para o modal ferroviário, a expectativa é reduzir acidentes, melhorar o tráfego e aumentar a eficiência do escoamento por esse importante corredor logístico de Mato Grosso.
Além dos impactos econômicos, a Ferrogrão também é apontada como uma alternativa mais sustentável para o transporte de cargas. A estimativa é de redução de até 40% nas emissões de CO₂ no transporte de grãos.
“A redução das emissões de carbono pode chegar a aproximadamente 3,4 milhões de toneladas por ano”, afirmou Lucas Costa Beber.
O projeto também foi desenvolvido para minimizar impactos ambientais e sociais. No trecho relacionado ao Parque Nacional do Jamanxim, a área desafetada para viabilização da obra corresponde a 862 hectares, cerca de 0,054% da unidade de conservação, com previsão de compensação ambiental.
“A ferrovia utilizará majoritariamente o corredor já existente da BR-163. A área desafetada será compensada posteriormente, podendo inclusive superar a extensão utilizada, garantindo segurança ambiental, social e econômica ao projeto”, explicou.
Com a decisão do STF, a expectativa do setor produtivo é que os órgãos responsáveis avancem com celeridade nos próximos passos para viabilizar o empreendimento. A Aprosoja MT defende que Ministério dos Transportes, Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Tribunal de Contas da União (TCU), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI) atuem de forma coordenada para garantir o andamento do projeto, a realização do leilão e o início das obras.
Assim como fez desde o início das discussões sobre a Ferrogrão, a Aprosoja MT seguirá empenhada na defesa do projeto e na busca por soluções que ampliem a competitividade do agronegócio brasileiro, promovendo desenvolvimento econômico, eficiência logística e sustentabilidade para Mato Grosso e para todo o país.
Raiane Florentino
Agro Mato Grosso
TCE propõe mudança na Lei para destravar mais de 2,7 mil obras municipais paralisadas em MT

O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, vai propor mudanças na Nova Lei de Licitações (Lei nº 14.133/2021) para priorizar a retomada de obras paralisadas. A proposta será encaminhada ao Congresso Nacional e apresentada ao presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre.
O anúncio foi feito durante reunião transmitida ao vivo nesta quarta-feira (22). Em Mato Grosso, somente no que diz respeito às prefeituras, há 2.705 obras paralisadas, que somam R$ 3,6 bilhões
“Esses números são preocupantes e o dinheiro gasto é desperdiçado, já que a obra fica desgastada e precisa ser refeita. A principal sugestão que iremos fazer é a de que os municípios possam contratar empresas locais para retomarem as obras, mesmo que não tenham participado do processo licitatório, desde que atendam aos critérios estabelecidos pelo edital”, explicou Sérgio Ricardo.
Informações disponíveis no módulo “Obras Paralisadas” do Radar de Controle Público do TCE-MT apontam ainda que, das 2.705 obras paralisadas, pleiteadas pelo Poder Executivo Municipal, 1.705 estão nesta situação há mais de 90 dias. As prefeituras que mais enfrentam o desafio atualmente são as de Várzea Grande, Barra do Bugres e Rondonópolis, e os setores mais afetados são infraestrutura e transporte, educação e saúde.
De acordo com o conselheiro-presidente, o TCE-MT dispõe de informações exclusivas que, quando reunidas nas plataformas Platão e Radar de Controle Público, desenvolvidas pela Secretaria Executiva de Tecnologia da Informação (SETI), contribuem para além da fiscalização, agregando nas orientações oferecidas pelo órgão.
“Essas ferramentas têm contribuído muito com a elaboração do Plano de Metas Mato Grosso 2050, com apoio da equipe técnica e dos especialistas do Tribunal. Com informações exclusivas, podemos dar uma contribuição ímpar aos próximos governantes com um projeto de gestão para os próximos 24 anos”, pontuou.
O presidente acrescentou ainda que obras paralisadas passarão a ser ponto de controle na análise das contas por parte do TCE. “Na prestação de contas desse ano, os prefeitos deverão informar quais obras estão paralisadas, quanto foi gasto, o motivo da paralisação e a empresa contratada. Essa situação não pode continuar assim”, concluiu.
Platão
A inteligência artificial foi desenvolvida pelo TCE-MT e lançada em 2025 com o objetivo de fortalecer o trabalho da instituição e, por consequência, a gestão pública e os serviços prestados à população. A ferramenta, que conta com modelo próprio de consultas em linguagem natural, hospedado no data center do órgão, agiliza processos internos e amplia a capacidade de fiscalização preventiva.
Desde maio deste ano, a plataforma passou a monitorar e analisar em tempo real todos os editais de licitação publicados pelos órgãos públicos de Mato Grosso, ampliando o controle preventivo sobre contratos e obras públicas no estado e evitando prejuízos financeiros.
Obras paralisadas no Radar de Controle Público
Desde 2021, o TCE-MT disponibiliza, no módulo “Obras Paralisadas” do Radar de Controle Público, um panorama em tempo real das obras paralisadas no estado, com detalhes, valores gastos e tempo de paralisação.
As informações são provenientes do Sistema Geo-Obras, também do TCE-MT, que são declaratórias e cadastradas pelas próprias unidades gestoras responsáveis pelo empreendimento. A ferramenta foi desenvolvida pela Secretaria Executiva de Tecnologia da Informação (SETI) do TCE-MT e é gerenciada pela Secex de Obras e Infraestrutura.
Agro Mato Grosso
FS e AMAGGI concluem acordo estratégico em MT na produção de etanol no Brasil

A FS e a AMAGGI concluíram o acordo que une uma das líderes na produção de etanol no Brasil e a maior empresa brasileira de grãos e fibras, após a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do cumprimento de todas as condições precedentes.
A transação, por meio da qual a AMAGGI adquire uma participação de 40% do capital social da FS, contempla um aporte de US$ 100 milhões na companhia, por meio de uma emissão primária de ações. Além disso, prevê a aquisição de participações detidas por acionistas da FS.
Com raízes no estado de Mato Grosso, tanto a FS quanto a AMAGGI compartilham uma trajetória marcada por inovação, crescimento sustentável e protagonismo na cadeia agrícola. Fundada com foco na produção de biocombustíveis e nutrição animal a partir do milho, a FS foi pioneira na produção de etanol de milho no Brasil e protagonista no desenvolvimento do setor, consolidando-se como referência em eficiência, inovação e sustentabilidade.
A AMAGGI, que completa 50 anos no próximo ano, tornou-se a maior empresa de capital integralmente brasileiro na cadeia da soja, do milho e do algodão. Atua na produção, exportação, industrialização, logística, geração e comercialização de energia, produtos e serviços financeiros, insumos, produção de biodiesel, entre diversas outras atividades do agronegócio. A companhia também é referência em sustentabilidade, com diversos reconhecimentos internacionais e posição de liderança em rankings globais sobre o tema.
A parceria tem como foco apoiar o crescimento da FS e capturar conhecimentos e sinergias relevantes em áreas estratégicas, incluindo originação de milho, otimização logística e exportações, fortalecendo ainda mais a competitividade das duas organizações. Para a AMAGGI, trata-se de mais um passo em sua estratégia de industrialização e verticalização das operações, contribuindo para a crescente diversificação de seu portfólio de negócios.
A FS deve inaugurar sua quarta unidade produtiva ao fim de 2026, em Campo Novo do Parecis, e a quinta, em Querência, em julho de 2027. Ao fim desse ciclo de expansão, a empresa terá capacidade produtiva estimada de 3,9 bilhões de litros de etanol e de aproximadamente 3,0 milhões de toneladas de DDG.
Sobre a FS – A FS foi a primeira empresa a produzir etanol exclusivamente a partir de milho no Brasil, e sua visão de negócio é ser a maior companhia de combustível carbono negativo do mundo. Desde o início das atividades, em 2017, o negócio cresceu mais de 10 vezes e vive um novo ciclo de expansão. A receita líquida da companhia alcançou R$ 13 bilhões ao fim do ano-safra 2025/2026, com lucro líquido de R$ 1,6 bilhão.
A companhia processa atualmente mais de 6 milhões de toneladas de milho por ano-safra e produz 2,6 bilhões de litros de etanol e 2,2 milhões de toneladas de DDG (proteína de milho para nutrição animal). O etanol de milho produzido pela FS possui a menor pegada de carbono do mundo.
Sobre a AMAGGI – Fundada em 1977, a AMAGGI é a maior empresa brasileira de grãos e fibras. Presente em diversas etapas da cadeia do agronegócio, a companhia atua na produção agrícola de grãos, fibras e sementes; na originação, processamento e comercialização de grãos e insumos; além de transporte fluvial e rodoviário, operações portuárias e geração e comercialização de energia elétrica renovável.
Com sede em Cuiabá (MT), a AMAGGI está presente em todas as regiões do Brasil, com fazendas, armazéns, escritórios, fábricas, frota fluvial e rodoviária, terminais portuários e centrais hidrelétricas. No exterior, possui unidades e escritórios na Argentina, China, Holanda, Noruega, Suíça, Singapura e Panamá.
A empresa comercializa 24,7 milhões de toneladas de grãos e fibras em todo o mundo, das quais 1,7 milhão de toneladas é proveniente de suas próprias fazendas. Além disso, mantém relacionamento comercial com aproximadamente 5,6 mil produtores rurais.
Agro Mato Grosso
Wilson Heidemann: pioneiro relembra a história que ajudou a construir Campo Novo do Parecis

Produtor rural acompanhou o nascimento do município, participou dos primeiros anos da agricultura na região e acredita que a honestidade foi seu principal legado
A história do agronegócio mato-grossense é formada por milhares de produtores que deixaram suas cidades de origem em busca de novas oportunidades. Entre eles está Wilson Walter Heidemann, um dos pioneiros de Campo Novo do Parecis, que, aos 95 anos, carrega lembranças de uma época em que o município ainda não existia, as estradas eram precárias e a agricultura dava seus primeiros passos na região.
Nascido no Rio Grande do Sul e criado no Paraná, Wilson chegou ao então norte de Mato Grosso na década de 1970, após receber o convite de um sobrinho para conhecer uma área que começava a ser ocupada por agricultores vindos do Sul do país. Na época, ele trabalhava com uma pequena serraria e vivia em Santa Helena (PR), mas a perspectiva de conquistar uma área maior para produzir despertou sua curiosidade.
“Meu sobrinho me chamou para conhecer uma área aqui. Lá onde a gente morava cada um tinha só um pedacinho de terra e não tinha mais para onde crescer. Quando cheguei e vi aquela imensidão, pensei que era terra para nunca mais acabar”, relembra.
A viagem até a região foi muito diferente da realidade encontrada hoje. Segundo Wilson, praticamente não existiam estradas e boa parte do trajeto era feita por caminhos abertos anos antes por seringueiros. Foi durante essa expedição que um topógrafo realizou a medição das primeiras áreas destinadas aos produtores.
“Ele mediu cinco quilômetros para cada um dos produtores que estavam ali e meu sobrinho resolveu me ceder uma parte da área dele. Foi assim que consegui minha primeira terra em Campo Novo.”
Mesmo tendo conquistado sua propriedade, Wilson conta que o início não foi fácil. Sem máquinas e sem recursos para investir na produção, precisou trabalhar para outros agricultores enquanto preservava a área que havia recebido.
“Eu não tinha trator, não tinha colheitadeira, não tinha dinheiro. Tinha vontade de vencer. Então fui trabalhar para os outros, construindo casas e ajudando onde precisava, enquanto cuidava da minha terra.”
Naquele período, a cooperação entre os produtores era essencial para que a agricultura pudesse se desenvolver. Quem possuía plantadeira ajudava quem tinha colheitadeira e todos compartilhavam equipamentos e mão de obra para viabilizar as primeiras lavouras. “Foi um ajudando o outro. Um plantava, o outro colhia e assim a gente foi começando. Se não fosse essa união, talvez Campo Novo não tivesse crescido da forma como cresceu.”
Segundo Wilson, a soja ainda não fazia parte da realidade da região. Nos primeiros anos, o arroz era a principal cultura cultivada e somente depois começaram a surgir informações sobre a adaptação da soja ao Cerrado brasileiro.
“Ninguém sabia que dava soja aqui. Primeiro nós plantamos arroz. Depois vieram as notícias de Brasília dizendo que a soja podia ser cultivada na região e começamos também a investir nessa cultura.”
Décadas depois, Campo Novo do Parecis se consolidou como um dos principais polos produtores de grãos do Brasil, realidade que Wilson afirma nunca ter imaginado quando chegou à região.
“Ninguém pensava que isso aqui ia virar um município. A gente queria produzir, construir uma vida melhor para a família. Depois foram chegando mais pessoas, surgiu comércio, vieram as estradas e Campo Novo foi crescendo.”
Ao longo da vida, o produtor ampliou sua área de produção e formou o patrimônio que mais tarde seria repassado aos filhos. Atualmente, eles administram o Grupo Heidemann, criado para dar continuidade ao trabalho iniciado pelo pai.
Apesar das conquistas, Wilson acredita que seu maior patrimônio nunca foi a quantidade de terras ou os bens adquiridos, mas a confiança conquistada ao longo dos anos. Ele lembra de um episódio que considera decisivo para sua trajetória. Depois de administrar uma fazenda para outro produtor e cuidar do gado da propriedade, recebeu a proposta de comprar a área, mesmo sem ter dinheiro para isso.
“Eu disse que não tinha condições de comprar. Mesmo assim ele respondeu que venderia para mim. Primeiro eu pagaria o gado, depois teria alguns anos para pagar a terra. Ele confiava que eu cumpriria a palavra.”
Para Wilson, foi justamente essa confiança que abriu muitas portas ao longo da vida. “Eu acho que a minha honestidade foi o que mais me ajudou a crescer aqui. As pessoas confiavam em mim, faziam negócio comigo porque sabiam que eu cumpria o que prometia.”
Hoje, aos 95 anos, ele acompanha o trabalho desenvolvido pelos filhos e netos e sente orgulho ao ver que o esforço de uma vida continua produzindo resultados. “Graças a Deus consegui construir alguma coisa e deixar para eles. Isso me deixa muito feliz.”
Ao relembrar sua trajetória, Wilson também deixa uma mensagem para as novas gerações de produtores rurais que continuam escrevendo a história da agricultura mato-grossense.
“O começo foi difícil para todo mundo. Nada veio fácil. Mas, com trabalho, união e honestidade, a gente conseguiu construir uma vida e ajudar a construir uma cidade inteira. É isso que espero que nunca se perca.”
A história de Wilson Walter Heidemann se mistura à própria história de Campo Novo do Parecis. Mais do que testemunhar o desenvolvimento da região, ele participou ativamente da construção de um município que hoje é referência na produção agrícola nacional, deixando como legado valores que seguem tão importantes quanto a terra que ajudou a cultivar: trabalho, cooperação e honestidade.
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