Sustentabilidade
Resistência múltipla do leiteiro a três mecanismos de ação de herbicidas no Paraguai reforça a importância do manejo integrado da espécie – MAIS SOJA

Considerada uma das principais e mais preocupantes plantas daninhas da cultura da soja, Euphorbia heterophylla, popularmente conhecida como leiteiro ou amendoim-bravo, apresenta ampla distribuição geográfica, elevada capacidade competitiva e grande dificuldade de controle. Além de características fisiológicas que favorecem seu rápido crescimento e estabelecimento, há diversos relatos de resistência a herbicidas, incluindo moléculas pós-emergentes como o glifosato.
No Brasil, já foram registrados casos de resistência do leiteiro (Euphorbia heterophylla) a herbicidas inibidores da ALS e da EPSPs, bem como resistência múltipla envolvendo inibidores da ALS e da PROTOX (Heap, 2025). De acordo com Rizzardi, o controle da espécie torna-se ainda mais complexo após a emissão da quarta folha, fase em que há aumento significativo da capacidade de rebrote. Além da resistência química, plântulas dessa espécie apresentam elevada capacidade de sobrevivência por meio do rebrote a partir de gemas adventícias, que podem se desenvolver no hipocótilo quando a planta é seccionada acima ou abaixo do nó cotiledonar.
Recentemente, o Comitê de Ação a Resistência aos Herbicidas (HRAC-BR) emitiu um comunicado técnico relatando a resistência múltipla de Euphorbia heterophylla aos herbicidas cloransulam-metílico e imazetapir do grupo dos Inibidores da ALS, fomesafem do grupo dos Inibidores da PROTOX, e glifosato do grupo dos Inibidores da EPSPS no Paraguai. O Paraguai já apresentava relatos de resistência do leiteiro ao herbicida inibidor da ALS imazetapir.
Tabela 1. Casos de resistência de Euphorbia heterophylla a herbicidas.
Dentre as culturas mais afetadas, destacam-se a soja e o milho, tradicionalmente cultivadas nos períodos de verão. Vale destacar que o novo relato da resistência no Paraguai, reforça a necessidade de adotar medidas de controle que minimizem os riscos do desenvolvimento de novos casos de resistência, especialmente por se tratar de uma resistência múltipla, a três mecanismos de ação distintos.
Dentre as principais medidas recomendadas pelo HRAC-BR, destacam-se:
- Implementar manejo integrado de plantas daninhas (MIPD);
- Utilizar sementes certificadas e de origem confiável;
- Realizar a limpeza de maquinários para evitar disseminação;
- Monitorar e eliminar plantas sobreviventes
- Rotacionar mecanismos de ação de herbicidas;
- Aplicar corretamente as tecnologias de aplicação em pré e pós-emergência;
- Manejar plantas daninhas de forma antecipada, evitando áreas em pousio sem cobertura vegetal (HRAC-BR, 2026).
Vale destacar que por se tratar de um país vizinho cuja parte das atividades agrícolas envolvem o deslocamento internacional de máquinas e equipamentos agrícolas, a limpeza em especial das colhedoras de grãos é crucial para reduzir a disseminação de populações resistentes do leiteiro.
Confira o comunicado técnico emitido pelo HRAC-BR clicando aqui!

Referências:
HEAP, I. BANCO DE DADOS INTERNACIONAL DE ERVAS DANINHAS RESISTENTES A HERBICIDAS. On-line, 2024. Disponível em: < https://weedscience.org/Pages/Species.aspx >, acesso em: 02/04/2026.
HRAC-BR. COMUNICADO DE RESISTÊNCIA NO PARAGUAI. Comitê de Ação a Resistência aos Herbicidas, 2026. Disponível em: < https://b73f4c7b-d632-4353-826f-b62eca2c370a.filesusr.com/ugd/6c1e70_c1ce69c90c974a9c8dff2680a6e4c7a6.pdf >, acesso em: 02/04/2026.
RIZZARDI, M. A. PLANTAS DANINHAS: LEITEIRA. Up Herbologia, Academia das Plantas Daninhas. Disponível em: < https://upherb.com.br/int/leiteira >, acesso em: 02/04/2026.

Sustentabilidade
Aplicação de bioestimulantes nas fases R1 e R5 ajuda sojicultor a vencer Desafio do CESB – MAIS SOJA

O início do florescimento (R1) e o enchimento dos grãos (R5) são períodos cruciais para a consolidação das estruturas reprodutivas e para a redistribuição de nutrientes, contribuindo para o desenvolvimento da soja e para a produtividade final da lavoura.
Ciente desta importância, o sojicultor Paulo Storti optou por utilizar na Fazenda Santana, de Itapeva (SP), bioestimulantes nessas fases, o que resultou em maior retenção de vagens e peso de grãos, contribuindo para a conquista do primeiro lugar na categoria sequeiro do Desafio Nacional de Máxima Produtividade de Soja safra 24/25, organizado pelo Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB).
“Aprendemos que o tempo de resposta é crucial. Quem antecipa decisões ganha produtividade. Vamos manter essa estratégia e melhorar ainda mais a integração do manejo biológico e químico”, analisa Storti, que obteve uma produtividade de 126,71 sc/ha.
De acordo com Storti, o Desafio CESB é um termômetro técnico para o sistema produtivo. “Ele nos tira da zona de conforto e exige um nível de excelência em cada detalhe. Durante o ciclo, tivemos momentos de preocupação com o clima, mas mantivemos o foco com base nos dados e no planejamento técnico bem feito. Cada decisão foi tomada com respaldo em monitoramento e histórico da área”.
“Se eu pudesse dar um único conselho para quem deseja participar do Desafio CESB, eu diria: conheça profundamente a sua área. Faça o básico com excelência, incluindo análise de solo, perfil, estande, manejo integrado, e não esqueça de monitorar o tempo todo, ajustando as rotas com dados reais. Detalhe é o que separa o bom do excelente”, acrescenta.
Principais Desafios
Paulo Storti avalia que um dos principais desafios da safra 24/25 foi em relação variabilidade climática, especialmente no período de florescimento e enchimento de grãos.
“Tivemos veranico no início da formação de vagens e chuvas excessivas na maturação. Para superar isso, apostamos em cultivares com bom teto produtivo e estabilidade, fizemos o escalonamento do plantio dentro da janela ideal e utilizamos tecnologias de monitoramento em tempo real para antecipar manejos e proteger o potencial produtivo”, lembra.
Outro fator que Storti priorizou na lavoura foi o controle de pragas e doenças. O sojicultor focou principalmente no combate à ferrugem asiática, mancha-alvo e percevejo-marrom, por serem recorrentes na região.
“Atuamos com fungicidas protetores desde o V4-V5 e intensificamos o manejo com alternância de mecanismos de ação. Para pragas, adotamos controle antecipado com aplicações programadas e monitoramento semanal. A adoção de produtos com efeito fisiológico e residual ajudou a manter o estande e o enchimento de grãos”, detalha.
Longevidade do sistema produtivo
Na Fazenda Santana, Storti praticou a rotação de culturas, plantio direto, uso racional de insumos com base em análise de necessidade, aplicação localizada e uso crescente de biodefensivos.
“Essas iniciativas contribuíram para a redução de custo, aumento de eficiência dos produtos e promoção de um equilíbrio biológico. A sustentabilidade está diretamente ligada à longevidade do sistema produtivo”.
Outro ponto, associado a esse contexto, é a utilização da correta informação. O sojicultor avalia que os produtores precisam ampliar o uso de dados na tomada de decisão técnica.
“Muitas ações são executadas por costume, não por evidência. É essencial investir em capacitação das equipes, planejamento estratégico e conhecer profundamente cada talhão da fazenda. O potencial está lá, mas só quem domina o sistema consegue extrair o máximo dele”, finaliza Storti.
O CESB é uma OSCIP – organização sem fins lucrativos, composta por 20 membros especialistas e 31 organizações patrocinadoras que acreditam e contribuem para o avanço sustentável dos mais altos índices de produtividade de soja no Brasil, são elas: BASF, INTACTA I2X, JOHN DEERE, SYNGENTA, JACTO, SIMBIOSE, BIOMA, BIOGRASS, 3tentos, Acadian, Agro-sol Sementes, Alltech, Atto Sementes, Brandt, Brasmax, Cordius, Fecoagro, FMC, Gran7, HO Genética, ICL, Lallemand, Mosaic, Nitro, Solferti, Stine Seeds, Stoller, Timac Agro, Union Agro, Ubyfol, Valence, Elevagro e IBRA.
Fonte: Assessoria de imprensa CESB
Sustentabilidade
Consultoria aponta colheita de soja em 78,9%; ritmo está abaixo do ano passado

A colheita da safra brasileira de soja 2025/26 segue em andamento, mas ainda em ritmo inferior ao registrado em anos anteriores. De acordo com levantamento da Safras & Mercado, os trabalhos atingiram 78,9% da área plantada até o dia 2 de abril.
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Apesar do avanço em relação à semana anterior, quando o índice era de 71,5%, o ritmo ainda fica abaixo do observado no mesmo período do ano passado, que registrava 86,6% da área colhida. Também permanece aquém da média histórica para a data, estimada em 82,9%.
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Sustentabilidade
Brasil e Japão apresentam plataforma de dados agrícolas e propõem consórcio para protegê-los. – MAIS SOJA

Uma plataforma digital, batizada de API-CoPADi, que integra dados agrícolas e pode dar origem a consórcio pioneiro para oferta de informações por produtores rurais é um dos principais resultados que serão apresentados nesta quarta, 1, e quinta, 2, na Japan House, em São Paulo. A ferramenta incorpora projeto desenvolvido entre Brasil e Japão para ampliação e fortalecimento da agricultura de precisão e digital com o uso de sensores, dados, automação, conectividade e interoperabilidade.
A demonstração da plataforma e discussões sobre a criação de um consórcio para proteção de dados gerados em campo serão realizadas durante workshop, das 14 às 16 horas neste primeiro dia de evento. Amanhã, um seminário das 9h30 às 12h30 vai marcar estratégias sobre o uso da ferramenta. Nos dois dias de evento estarão reunidos representantes de governo, instituições de pesquisa, setor produtivo, fabricantes de máquinas, startups e universidades.
Os eventos serão realizados em formato híbrido, com participação presencial e transmissão online, e contarão com tradução simultânea em português e japonês. Interessados podem se inscrever pelo link abaixo.
https://forms.gle/HBKiJU4EciXYJ7ML7
Base digital facilita conexões
Plataformas de dados agrícolas são serviços em nuvem que oferecem informações meteorológicas, dados sobre terras agrícolas, previsões de produtividade, entre outros.
Os dados gerados pela agricultura de precisão e digital podem ser utilizados para rastrear e comprovar práticas sustentáveis, como auditorias de ESG (Ambiental, Social e Governaça), certificações e trazer maior transparência e fortalecer o agro brasileiro.
API segue modelo internacional
A APi-CoPADi está no âmbito do amplo projeto “Desenvolvimento Colaborativo da Agricultura de Precisão e Digital para o Fortalecimento do Ecossistema de Inovação e a Sustentabilidade do Agro Brasileiro (CoPADi)”, desenvolvido entre os dois países e executado nos últimos cinco anos.
A consolidação das discussões técnicas e institucionais sobre a API, incluindo a proposta de criação do Comitê Preparatório do Consórcio CoPADi vão marcar as apresentações desta quarta-feira. A iniciativa da API segue referências de modelos internacionais já consolidados, como na Europa e Ásia, e busca ampliar o acesso a informações de qualidade no setor.
Embora existam várias plataformas privadas de dados agrícolas no Brasil, o ambiente ainda está em busca pela integração.
“Portanto, este projeto entrega a base conceitual e tecnológica, implementada na plataforma de APIs da Embrapa, chamada AgroAPI, onde dados e programas públicos e privados estão sendo testados e validados, com referência ao WAGRI do Japão”, diz o pesquisador da Embrapa Instrumentação (São Carlos -SP), Ricardo Inamasu, coordenador contraparte do projeto pelo Brasil.
Na quinta, o evento inclui debates estratégicos sobre modelos de negócio, termos de uso e governança da ferramenta.
Plataforma integra dados
Os especialistas brasileiros e japoneses vão detalhar as funcionalidades da plataforma API-CoPADi, apresentar casos práticos de aplicação e discutir os impactos da tecnologia no avanço da agricultura digital. Três agtechs participaram dos experimentos pilotos.
A plataforma é uma ferramenta para facilitar o acesso, a integração e o uso de dados no campo, contribuindo para aumentar a eficiência produtiva e apoiar a tomada de decisão por parte de produtores rurais. A Interface de Programação de Aplicações (API) permite a diferentes softwares ou sistemas se comunicarem entre si, além de entregar confiabilidade, segurança e transparência aos dados.
Projeto visa transformação digital
Implementada pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), Embrapa, universidades, Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), propriedades agrícolas comerciais, com o apoio da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica), o projeto CoPADi procurou criar uma estratégia de transformação digital, um mapeamento de tecnologias agrícolas e um roteiro de desenvolvimento para o Japão e o Brasil.
De acordo com os coordenadores, o CoPADi buscou avançar na padronização e compartilhamento de dados no campo, promovendo maior eficiência produtiva, sustentabilidade e inovação no setor agrícola.
Consórcio propõe segurança de dados
O objetivo central do consórcio é criar um ecossistema de dados agrícolas sustentáveis, equilibrando a inovação tecnológica com a segurança jurídica e a soberania dos dados dos produtores brasileiros. A criação é vista pelos coordenadores do CoPADi como passo fundamental para garantir a continuidade e a adoção da tecnologia após o encerramento do projeto.
Durante o evento será apresentado um esboço do acordo para a criação do consórcio, como o objetivo, princípios norteadores e funções, status jurídico, organização e governança, categorias, membros, escopo das operações, escopo de trabalho, padronização e conformidade.
Maior eficiência produtiva
“O encontro marca a consolidação de uma parceria internacional focada em inovação e no uso de dados como vetor para o desenvolvimento sustentável da agricultura”, diz Inamasu.
Durante os dois dias de evento serão discutidos também os desdobramentos futuros do projeto, incluindo a construção de um ecossistema de inovação baseado na interoperabilidade de dados agrícolas.
A interoperabilidade, baseada em padrões, é a capacidade de diferentes sistemas, dispositivos ou organizações trocarem dados e utilizarem as informações de maneira automática e segura com a intervenção mínima do usuário final.
“Esta é uma oportunidade estratégica para que representantes de órgãos governamentais, instituições de pesquisa, associações industriais, fabricantes, agtechs e universidades se reúnam em um ecossistema único de colaboração. O evento, além de encerrar um ciclo, visa consolidar a interoperabilidade no campo, conjugando os esforços já existentes entre governo, iniciativa privada e academia”, afirma Inamasu.
Além de Inamsu, estarão presentes no evento pela Embrapa Instrumentação, o chefe-geral José Manoel Marconcini e o pesquisador João de Mendonça Naime, além do analista da Embrapa Agricultura Digital (Campinas – SP), Eduardo Antonio Speranza.
Fonte: Embrapa
Autor:Joana Silva (MTb 19554)
Site: Embrapa
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