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O colapso da soja em Marcelândia: 2.200 mm de chuva e prejuízo

Com mais de 2,2 mil milímetros de chuva acumulados e previsão de chegar a 3 mil milímetros até o fim do período chuvoso, Marcelândia vive um cenário atípico na safra de soja. Cerca de 35% da produção ainda está no campo e as perdas já são estimadas em pelo menos 10% da produção total.
O excesso de umidade encharcou o solo, atrasou a colheita e comprometeu a qualidade do grão. Em algumas propriedades, cargas chegaram a sair com até 30% de umidade, praticamente o dobro do ideal, impactando diretamente no preço recebido.
O agricultor Alexandre Falchetti afirma que conseguiu finalizar a colheita da soja, mas não concluiu o plantio do milho. “Está saindo fora da janela também, devido a esse excesso de chuvas, ele não roda, então está atrasado o nosso plantio de milho”. Nesta safra, ele cultivou 1.035 hectares e estima perda de 15% da área colhida com soja avariada.
Além da lavoura, o produtor relata isolamento logístico. “Hoje praticamente a gente está ilhado”, diz, ao citar problemas em trechos da MT-320 e dependência da saída pela BR-163. Sem estrutura suficiente de armazenagem, parte da produção permanece em caminhões por dias. “A soja é perecível. Se você deixar ela três dias dentro de um caminhão em uma fila, acaba estragando. Você perde qualidade, perde peso, perde dinheiro”, frisa ao Patrulheiro Agro.

Perdas acima do lucro
Em outra propriedade, o solo saturado impede o avanço das máquinas. Mesmo com força-tarefa, as colheitadeiras atolam e há áreas prontas aguardando retirada.
O gerente de produção Vagner Batista dos Santos afirma que 93% da área foi colhida, mas com prejuízo expressivo. “Temos uma perda de 32% mais ou menos, de avaria”. Parte das cargas saiu com 28% de umidade. “Está passando da hora de colher”, relata ao Canal Rural Mato Grosso, ao destacar que o excesso de chuva gera custo adicional e paralisa equipamentos.
O presidente do Sindicato Rural de Marcelândia, Marcelo Cordeiro, classifica o ano como atípico. “Marcelândia infelizmente vem passando por um ano atípico, com muita dificuldade, com muitos desafios”, afirma. Segundo ele, a média histórica varia entre 1,8 mil e 2 mil milímetros, mas o acumulado pode chegar a 3 mil milímetros. “No mínimo 10%”, projeta sobre as perdas.
Cordeiro destaca que parte dos produtores conseguiu colher antes do pico das chuvas, mas muitos já comprometeram o lucro. “Muitos produtores já perderam seu lucro, estão torcendo, orando para Deus para que tenham condições de honrar os seus compromissos”. Ele reforça que o momento exige apoio. “Nesse momento agora depende da sensibilização de todo poder público, de toda a cadeia parlamentar para que apoie o produtor rural”.

Logística em colapso
De acordo com o diretor da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Diego Bertuol, o problema se espalha por outros municípios do extremo norte. “Temos relatos de produtores em vários municípios de ter seus caminhões por três, quatro, cinco dias em filas em atoleiros que não conseguem passar no ápice da colheita de soja em nosso estado”, afirma à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.
Ele ressalta que a umidade excessiva reduz a produtividade e aumenta os descontos na comercialização. “Muita chuva, perde qualidade, dá muito desconto para o produtor”. Conforme Bertuol, há um colapso logístico em curso. “Está havendo um colapso muito grande com respeito ao sistema logístico para o produtor conseguir escoar os seus grãos de soja aqui em Mato Grosso”.
Com estradas comprometidas, dificuldade de acesso ao crédito rural e falta de armazenagem, produtores de Marcelândia tentam evitar que o prejuízo desta safra avance além das lavouras e comprometa a sustentabilidade financeira das propriedades.
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Brasil em rota de colisão com a maior dependência de importações de trigo da história

O Brasil está prestes a entrar em um novo capítulo da sua história na triticultura. Os números do levantamento final de área cultivada para a safra 2026/27 mostram uma retração muito mais profunda do que uma simples oscilação de mercado.
Se as estimativas se confirmarem, o país deverá registrar a menor produção dos últimos anos e, como consequência, a maior necessidade de importação de trigo já observada para garantir o abastecimento interno.
A área plantada foi confirmada em 1,905 milhão de hectares, redução de 20% em relação aos 2,381 milhões de hectares cultivados na safra anterior. A consequência direta é uma produção potencial estimada em apenas 5,855 milhões de toneladas, volume 27,9% inferior às 8,120 milhões de toneladas colhidas em 2025/26. A produtividade média nacional também deverá recuar, passando de 3.410 kg/ha para 3.073 kg/ha, reflexo de uma estratégia mais conservadora dos produtores, que reduziram investimentos diante de um ambiente de baixa rentabilidade.
Embora o clima continue sendo um dos principais fatores de risco para a cultura, a forte redução da safra brasileira não nasceu nas lavouras. Ela começou muito antes, durante o planejamento da temporada, quando milhares de produtores precisaram decidir se valeria a pena investir novamente no trigo. A resposta, em grande parte do país, foi negativa.
A principal razão dessa mudança foi o enfraquecimento da rentabilidade da cultura. Enquanto os custos de produção permaneceram elevados, especialmente em função da valorização dos fertilizantes nitrogenados após o agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, os preços do trigo continuaram pressionados pela elevada oferta mundial e pela competitividade do cereal importado.
Essa combinação produziu uma das piores relações de troca da história recente da triticultura brasileira, obrigando o agricultor a entregar volumes cada vez maiores de trigo para adquirir os mesmos insumos utilizados na lavoura.
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Entretanto, o problema vai além da relação entre preços e custos. Depois de vários anos consecutivos de margens reduzidas ou negativas, boa parte dos produtores chegou à safra 2026/27 financeiramente desgastada. O elevado endividamento reduziu a capacidade de investimento, dificultou o acesso ao crédito rural e levou muitos agricultores a diminuir o pacote tecnológico das lavouras.
Em diversas regiões, a decisão foi reduzir a área cultivada; em outras, optou-se por manter o plantio, porém com menor utilização de fertilizantes, defensivos e sementes de maior potencial produtivo. O resultado aparece agora nas estimativas de produtividade. Outro componente importante dessa equação foi a ausência de uma política de seguro agrícola capaz de oferecer previsibilidade ao produtor.
Clima desmotivou produtores
Em um cenário de crescente instabilidade climática, muitos agricultores passaram a considerar excessivo o risco financeiro de investir em uma cultura altamente sensível às condições meteorológicas. Sem um mecanismo eficiente de mitigação desse risco, preservar capital tornou-se prioridade, mesmo que isso significasse abrir mão de produtividade ou reduzir a participação do trigo na propriedade.
Essa percepção foi intensificada pela expectativa de um ciclo sob influência do El Niño. Embora ainda seja cedo para mensurar seus impactos efetivos sobre a produção, a possibilidade de um padrão climático mais instável ao longo do desenvolvimento das lavouras elevou a cautela dos produtores. Excesso de chuvas, geadas tardias e dificuldades durante a colheita são fatores que podem comprometer não apenas o rendimento das lavouras, mas também a qualidade industrial dos grãos, aspecto particularmente relevante para um país que já apresenta déficit estrutural de trigo de padrão moageiro.
A retração ocorreu de forma praticamente generalizada. O Rio Grande do Sul, maior produtor nacional, reduziu sua área em 28,6%, passando para 750 mil hectares, enquanto a produção potencial caiu 33,3%, para 2,4 milhões de toneladas.
No Paraná, a área diminuiu 13,5%, para 740 mil hectares, com produção estimada em 2,2 milhões de toneladas, retração de 21,4%. Também houve reduções expressivas em Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Bahia, evidenciando que a perda de competitividade da cultura ocorreu de maneira ampla e não ficou restrita a uma região específica.
Apesar da forte redução, os números ainda representam apenas o potencial produtivo inicial e não incorporam eventuais perdas climáticas ao longo do ciclo. A exceção ocorre em Minas Gerais e Goiás, onde a estiagem já compromete parte das lavouras de trigo de sequeiro. Nos demais estados, o desempenho final dependerá das condições meteorológicas dos próximos meses. Ainda assim, mesmo que o potencial atual seja integralmente confirmado, a produção nacional ficará muito distante da necessidade de consumo do país.
É justamente esse ponto que transforma a safra 2026/27 em um marco para o mercado brasileiro de trigo. Com uma produção estimada em apenas 5,855 milhões de toneladas, o Brasil deverá necessitar de mais de 8 milhões de toneladas de importações para equilibrar sua oferta e demanda. Trata-se, possivelmente, da maior dependência do mercado internacional já registrada pelo país.
Esse cenário ganha ainda mais importância diante do atual contexto global. O comércio mundial de trigo atravessa um período de elevada volatilidade, marcado pelas tensões no Mar Negro, incertezas sobre a produção em importantes países exportadores e crescente sensibilidade dos preços aos eventos geopolíticos e climáticos.
Quanto menor a produção brasileira, maior será a exposição do abastecimento interno às oscilações cambiais, aos custos logísticos internacionais e às disputas por oferta entre os grandes importadores mundiais.
Mais do que uma redução pontual da safra, os números revelam uma mudança importante no comportamento do produtor brasileiro. A decisão de investir menos no trigo não decorre apenas das condições observadas nesta temporada, mas de um processo de perda gradual de competitividade acumulado ao longo dos últimos anos.
Custos elevados, crédito mais restrito, seguro agrícola insuficiente, margens apertadas e maior percepção de risco alteraram a lógica econômica da cultura. Se o potencial produtivo se confirmar, o Brasil registrará a maior necessidade de importação de trigo de sua história, ampliando a dependência do mercado internacional para garantir o abastecimento interno.
Contudo, é importante lembrar que as commodities agrícolas são, por natureza, mercados cíclicos. Historicamente, o melhor remédio para preços baixos são os próprios preços baixos, que desestimulam a produção ao redor do mundo, reduzem a oferta e, com o tempo, criam as condições para uma recuperação das cotações. Um ambiente internacional de preços mais elevados melhora a rentabilidade da atividade e devolve competitividade ao produtor brasileiro.
Esse ajuste de mercado, entretanto, não elimina a necessidade de enfrentar os desafios estruturais da triticultura nacional. Para que o trigo se consolide como uma cultura mais resiliente, será fundamental avançar em políticas de crédito, seguro rural e instrumentos de gestão de risco que permitam ao produtor atravessar os inevitáveis ciclos de baixa sem provocar reduções tão acentuadas de área e produção.
Mais do que responder às oscilações do mercado, o desafio é construir uma cadeia capaz de manter sua competitividade e garantir maior segurança de abastecimento ao país, independentemente da fase do ciclo de preços.

*Élcio Bento é especialista em trigo graduado em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Faz parte da divisão de especialistas de Safras & Mercado há mais de 20 anos
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Pesquisa confirma presença da podridão salmão em lavouras de milho de Mato Grosso

Pesquisas realizadas em propriedades de quatro municípios em Mato Grosso confirmaram a presença da podridão salmão em lavouras de milho. Segundo o estudo, em algumas áreas a doença, causada pelo fungo Waitea zeae, atingiu entre 22% e 42% das espigas avaliadas. Setor produtivo pontua já possuir uma lista com os híbridos que vem registrando incidência mais recorrente do fungo.
A doença fúngica se desenvolve de forma silenciosa dentro das espigas e pode comprometer o enchimento dos grãos, reduzindo a produtividade das lavouras. A detecção em Mato Grosso da nova ameaça às lavouras de milho ocorreu somente no início da colheita. As espigas aparentemente normais escondiam o problema que ainda era desconhecido no estado.
A confirmação do diagnóstico veio após novas análises laboratoriais realizadas por uma equipe técnica contratada pela Aprosoja Mato Grosso em novas coletas em campo em propriedades de Brianorte, Nova Maringá, São José do Rio Claro e Itanhangá.
“É uma doença nova que normalmente não ocorria no milho. Foi detectada maior intensidade onde houveram mais chuvas recorrentes, principalmente após o pendoamento”, afirma o presidente da Aprosoja Brasil e Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, ao projeto Mais Milho.

Dois problemas ocultos que exigem atenção
O diagnóstico realizado pela equipe técnica contratada revelou que o estado enfrenta, na verdade, dois desafios dentro das espigas. No início das avaliações, os pesquisadores encontraram a podridão branca, provocada pelo fungo Stenocarpella, conhecida no campo como Diplodia. Contudo as novas análises também confirmaram a presença do Waitea zeae, responsável pela podridão salmão. Duas doenças que passam a fazer parte do mapa de preocupação dos produtores de milho do estado.
Beber ressalta ainda que “assim como a Diplodia quebrou muito a cabeça da pesquisa até se achar o manejo adequado, talvez essa doença vamos ter que aprender um pouco até dominar 100% dela”. Diante disso, uma das orientações no momento é a eliminação de alguns manejos que já se mostraram ineficazes para o controle da podridão salmão.
De acordo com os resultados das análises, o impacto da podridão salmão aparece principalmente no enchimento dos grãos. Em um dos testes, 100 sementes consideradas sadias pesaram 43,3 gramas. Já as sementes totalmente afetadas pelo fungo chegaram a apenas 24,9 gramas, uma redução de 42,5% no peso.
“Realmente ela tem causado grandes danos, chegando até a 40% de grãos avariados. Contratamos uma empresa especializada, vamos testar os fungicidas para saber quais os melhores manejos para a próxima safra”, frisa o diretor da Aprosoja Mato Grosso, Fernando Ferri, à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

Fungo é encontrado em áreas sem milho
A descoberta da existência da podridão salmão em Mato Grosso acendeu um alerta ainda maior nos pesquisadores ao se constatar a presença do fungo em duas áreas onde o milho nunca havia sido cultivado. A hipótese, segundo os especialistas, é que o agente causador da doença possa ter chegado por meio da própria semente. Uma suspeita que ainda será investigada, mas que muda o olhar sobre o avanço do problema.
Conforme Lucas Costa Beber, a podridão salmão possui um modo de multiplicação parecido com o mofo brando da soja. “Ou seja, difícil de manejar e ela pode ficar instalada por muitos anos dentro da lavoura. A grande probabilidade é que ela entre através da semente e um dos maiores problemas é a decomposição lenta da palhada do milho que fica de um ano para o outro, pois pode fazê-la reinocular novamente no ano seguinte”.
Com a confirmação da podridão salmão, começa agora uma corrida científica para entender o comportamento do fungo e encontrar formas de reduzir os impactos nas próximas safras. Entre as estratégias avaliadas estão o uso de produtos biológicos, a aceleração da decomposição da palhada e a busca por materiais genéticos menos suscetíveis.
Beber lembra ainda que por se tratar de um fungo não se pode esquecer que é possível haver um inóculo menor e o clima favorecer a multiplicação. “Não significa que em anos de menos chuvas também não possa dar, principalmente se o material for mais suscetível”.
Enquanto as respostas não chegam, a recomendação é uma só: monitorar. “Quanto mais unidos estivermos, desde os obtentores, multiplicadores de sementes e produtores, iniciando desde o acompanhamento da semente da sua originação quanto também os tratamentos, e a pesquisa da eficácia dos tratamentos de semente para o controle do inóculo, isso também vai avançar mais rápido para o controle e domínio dessa doença para que ela não se propague mais e traga prejuízos ainda maiores para os produtores”.
O presidente da Aprosoja Mato Grosso frisa ainda que os produtores que tiverem algum problema podem entrar em contato com o Canal do Produtor da entidade. “Nossa equipe vai se deslocar até lá para acompanhar esses padrões já que esse ano nós tivemos chuvas extras no período em que normalmente não ocorrem, o que faz com que a propagação seja ainda maior. É importante que quanto mais dados nós pudermos reunir, nós teremos mais agilidade nas nossas pesquisas que ainda estão em aberto. Inclusive a Aprosoja Mato Grosso já tem uma relação dos híbridos que tem sido um problema mais recorrente no que se trata dessa doença”.

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Sem regulamentação do CMN, bancos ainda não podem renegociar dívidas rurais

Uma semana depois da publicação da Medida Provisória 1.376/2026, que cria novas condições para a renegociação de dívidas rurais, bancos não podem colocar as operações em prática. Isso porque o andamento da medida depende da regulamentação do Conselho Monetário Nacional (CMN), o que ainda não aconteceu.
“A MP estabelece as condições gerais, macro. O CMN faz o detalhamento operacional, como os documentos exigidos”, explica o consultor em finanças do agronegócio e ex-diretor de Negócios da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Ademiro Vian. Nesse contexto, ele ressalta que dentro da sua competência, o órgão pode acrescentar outras exigências além do que está descrito na medida.
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Além disso, Vian destaca que a regulamentação também é necessária para adequações internas do sistema financeiro, como a criação de códigos contábeis específicos para registrar essas operações em sistemas do Banco Central.
Produtor ainda não consegue renegociar na agência
Na prática, isso significa que quem procurar uma agência bancária neste momento não conseguirá formalizar a renegociação prevista na MP.
A orientação, segundo Vian, é que o produtor aproveite esse período para verificar se atende aos requisitos previstos na medida provisória, já que o enquadramento será um dos critérios para obter a prorrogação das dívidas.
“As normas do CMN vão trazer todas as condições da MP e outras que ele entender necessárias. Além disso, o próprio banco pode incluir exigências adicionais”, afirma.
Crédito novo continua bloqueado
A demora na regulamentação também afeta o acesso a novos financiamentos. Segundo o especialista, enquanto a situação das operações em atraso não for resolvida, o produtor permanece impedido de contratar crédito rural.
“Essa é a regra do sistema financeiro”, resume. Vian também salienta que mesmo após regularizar os débitos, o acesso a novos recursos dependerá da capacidade de oferecer garantias às instituições financeiras.
“Resolvido o passado, entra uma nova regra: o produtor precisa ter condições de oferecer garantias reais nas novas operações. Se tiver, segue em frente. Se não, fica fora do crédito rural”, conclui.
Setor produtivo vê MP com ressalvas
A publicação da MP ocorreu na última quarta-feira (15), após um acordo entre Congresso Nacional e governo. Embora o avanço nas negociações tenha sido comemorado, representantes do setor produtivo enxergam a situação com cautela e preocupação.
Durante participação no Rural Notícias desta segunda-feira (20), o economista-chefe da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Antonio da Luz, destacou que a medida pode incentivar a inadimplência no país. “O produtor rural que tem a maior dívida é, paradoxalmente, o menos inadimplente, pois fez sacrifícios para se manter em dia”, afirmou.
Ele acrescenta ainda que o governo deve corrigir essa falha em uma nova Medida Provisória, para evitar que milhares de produtores que se esforçaram para permanecer adimplentes sejam prejudicados.
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