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4 de junho de 2026

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O momento da teca no Brasil: liderança e desafios

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Foto: Maruan Bello/Canal Rural Mato Grosso

Desde 2024, o Brasil consolidou sua posição como o maior exportador mundial de teca plantada em volume. Com uma área cultivada de aproximadamente 100 mil hectares — sendo 90 mil considerados efetivamente produtivos —, o setor florestal brasileiro encontrou no mercado asiático seu principal motor de crescimento. A Índia figura como a maior compradora dessa madeira, seguida por Vietnã e China, que absorvem a produção principalmente na forma de tora bruta.

A ascensão brasileira é explicada pela rapidez do ciclo produtivo em comparação às espécies nativas. Enquanto uma árvore da floresta natural leva cerca de um século para atingir o ponto de corte, a teca plantada leva 20 anos.

“A gente está falando de uma árvore que cresce quatro vezes mais rápido que uma nativa normal. A teca, madeira bruta mesmo, para comprar você tem valores aí de US$ 150 até US$ 600 o metro cúbico”, explica Fausto Takizawa, presidente da Associação de Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta), em entrevista ao programa Direto ao Ponto.

O mercado, no entanto, é quase inteiramente voltado para o exterior, já que a madeira é cotada em dólar e o mercado interno tem dificuldade de competir. Segundo Takizawa, o preço da teca segue a lógica de outras commodities brasileiras.

“É igual a carne, né? Se lá fora paga em dólar e melhor, você brasileiro se quiser você tem que pagar mais do que um indiano paga”, afirma. Esse cenário faz com que a maior parte da produção seja exportada, deixando pouco volume para a fabricação nacional de móveis e esquadrias.

Apesar do ciclo de duas décadas para o corte final, o produtor tem buscado alternativas para gerar receita antecipada. A produção de mourões a partir de árvores mais jovens ou de partes da planta sem qualidade para exportação, como ponteiros, tornou-se uma realidade lucrativa. “Mourão de teca já é uma realidade. Você utiliza aquela madeira de qualidade ruim, que não deu exportação. Em vez de vender para lenha, você faz mourão e a própria natureza confere a durabilidade no cerne”, detalha o especialista.

Direto ao ponto Arefloresta Foto Maruan Bello Canal Rural Mato Grosso
Foto: Maruan Bello/Canal Rural Mato Grosso

Custos de produção e o desafio do manejo

Investir em florestas de teca exige fôlego financeiro, especialmente nos primeiros anos, fase em que a planta demanda cuidados intensivos com adubação e controle de pragas. O custo de implantação de um hectare varia entre R$ 25 mil e R$ 30 mil ao longo do ciclo. “A árvore nos primeiros cinco anos é um bebezinho novo que você tem que tratar a pão de ló, tratar para controlar o mato, a adubação para dar aquele arranque inicial”, compara Takizawa.

Além da teca, o cenário para o eucalipto em Mato Grosso apresenta um paradoxo: há uma demanda crescente por biomassa, mas o plantio não acompanha o ritmo das usinas de etanol de milho. O estado possui mais de 3,6 milhões de hectares de pastagens degradadas que poderiam ser reflorestadas, mas a economia atual trava o setor.

“O cenário que a gente vive hoje é um cenário de Selic a 15%. Nenhuma linha tradicional de financiamento está parando de pé. Imagine eucalipto que é 6, 7 anos”, pondera o presidente da Arefloresta.

Para quem decide investir, a escolha da área é fundamental, já que cada espécie possui exigências climáticas distintas. Enquanto o eucalipto demanda altitude, a teca prefere o calor de regiões mais baixas. “Teca dá em altitude mais baixa. Ela prefere por causa do calor. A teca precisa de muito calor e água, ela precisa aí ter 1,5 mil milímetros por ano de chuva”, explica Takizawa, ressaltando ao programa do Canal Rural Mato Grosso que a espécie se adapta bem ao período de seca após o mês de maio.

Segurança energética e políticas públicas

A falta de incentivo ao plantio de florestas coloca em cheque a competitividade da agroindústria mato-grossense, que depende da biomassa para funcionar. “Não estamos falando da floresta em si, estamos falando de segurança energética que está barrando a competitividade da agroindústria”, alerta Takizawa. Para ele, o crescimento pujante das indústrias no estado precisa de uma base florestal sólida para se manter sustentável no longo prazo.

A Arefloresta defende que o estado precisa modernizar ferramentas de gestão, como o Plano de Suprimento Sustentável (PSS), para garantir previsibilidade. “É dever do estado garantir políticas públicas. A reposição e o PSS são políticas que não dependem de banco, não dependem do dinheiro do estado, é o próprio estado cumprindo o seu papel”, afirma. Conforme o especialista, é necessário garantir que quem precisa apresentar o PSS esteja, de fato, cumprindo a lei.

A integração entre indústria e produtores, por meio do fomento florestal, é vista como o caminho para ocupar solos arenosos onde a lavoura nem sempre prospera. “O estado tem ferramentas de política pública para que isso funcione, para que a economia sofra menos”, conclui Takizawa. O setor espera que o reconhecimento da biomassa como item estratégico de segurança energética impulsione novos plantios e garanta o abastecimento das esmagadoras, frigoríficos e usinas do estado.

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Conab atualiza mapeamento do parque cafeeiro durante a Expocafé em Minas Gerais

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A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apresentou, entre terça-feira (26) e quinta-feira (28), na 29ª Expocafé, em Três Pontas (MG), atualizações da Plataforma Parque Cafeeiro, desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Segundo a estatal, a ferramenta amplia o monitoramento das lavouras e pode apoiar a certificação do café brasileiro quanto à origem livre de desmatamento. A agenda da companhia no estado também incluiu, na sexta-feira (29), participação em encontro voltado ao fortalecimento da agroecologia e da produção orgânica.

Durante a feira, a Conab detalhou o uso de inteligência artificial e de imagens de satélites de alta resolução no mapeamento das áreas cafeeiras. De acordo com o superintendente de Informações da Agropecuária da companhia, Aroldo Antônio de Oliveira Neto, a tecnologia permite identificar lavouras em produção e em desenvolvimento, além de práticas de manejo e diferentes fases do ciclo da cultura.

No evento, a companhia também informou a disponibilidade de parcerias entre a Unidade Armazenadora de Varginha e cooperativas da região. Segundo o superintendente regional da Conab em Minas Gerais, Eduardo Dumont, o estado reúne cerca de 330 mil produtores de café, e mais de 54% atuam em áreas de até 3 hectares. O dado reforça o peso da agricultura familiar na cafeicultura mineira.

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A programação incluiu ainda a divulgação do Geoportal do Café, iniciativa da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater/MG), em parceria com a Conab e a UFMG. O material apresentado não informou prazos de expansão da plataforma nem metas quantitativas para cobertura do mapeamento.

Na sexta-feira (29), representantes da Conab participaram, em Viçosa (MG), do 1º Encontro dos Polos Agroecológicos de Minas Gerais. O evento reuniu cerca de 100 participantes, entre agricultores familiares, comunidades tradicionais, pesquisadores e gestores públicos, para discutir redes de produção, troca de sementes crioulas e estratégias de fortalecimento da agroecologia.

Também foi apresentado o Programa Ecoforte, executado pelo governo federal com aporte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Banco do Brasil, dentro da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica.

Do ponto de vista técnico, as iniciativas apresentadas em Minas Gerais conectam rastreabilidade, monitoramento territorial e políticas de apoio à produção familiar. A extensão prática dessas ações sobre certificação, comercialização e organização produtiva dependerá da implementação das ferramentas no campo e de informações adicionais sobre alcance operacional e adesão dos produtores.

Fonte: gov.br

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Conab entrega 900 quilos de alimentos para mostra de mulheres camponesas em Brasília

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A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) entregou, nesta quarta-feira (3), cerca de 900 quilos de alimentos à II Mostra Nacional da Produção e Ciência das Mulheres Camponesas, em Brasília (DF). Os produtos foram comprados por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), na modalidade Compra com Doação Simultânea (CDS), e destinados à Cozinha Popular do Cerrado, responsável pelo preparo de aproximadamente 900 refeições para cerca de 300 participantes.

Segundo a Conab, a operação foi realizada em articulação com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). O investimento informado foi de aproximadamente R$ 13,5 mil, com recursos do MDS.

Entre os itens entregues estão abóbora, alface, banana, batata-doce, arroz, feijão, leite em pó, carne bovina, frutas e hortaliças. De acordo com a estatal, os alimentos incluem produtos frescos e orgânicos adquiridos de fornecedores vinculados ao PAA.

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O caso evidencia uma das funções do programa: comprar alimentos da agricultura familiar e direcioná-los a ações de segurança alimentar. No evento, a destinação imediata foi o atendimento alimentar das mulheres reunidas na mostra, organizada pelo Movimento de Mulheres Camponesas (MMC) e pela Associação Nacional de Mulheres Camponesas (ANMC).

Além do abastecimento do encontro, o tema tem relação direta com a comercialização da produção rural. Representantes do MDA, do MDS e da Conab afirmaram que a política tem sido usada para ampliar a participação de agricultoras familiares nas compras públicas. Segundo o secretário-executivo do MDA, Eric Moura, o programa acumulou cerca de R$ 2 bilhões em investimentos nos últimos três anos e meio. Já a secretária nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS, Lilian Rahal, informou que 50% das compras do PAA são reservadas para mulheres.

Para o setor, a medida reforça o papel das políticas públicas na geração de mercado para associações e cooperativas da agricultura familiar, especialmente em cadeias de alimentos básicos, hortaliças e produtos da sociobiodiversidade.

A mostra segue em Brasília com atividades voltadas à produção, comercialização e difusão de tecnologias desenvolvidas por mulheres camponesas. Com base nas informações divulgadas até o momento, não foram apresentados novos dados sobre volume adicional de compras ou expansão imediata da ação para outras etapas do evento.

Fonte: gov.br

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Semeadura do trigo avança no Rio Grande do Sul com redução de área em perspectiva

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A semeadura do trigo segue de forma gradual nas regiões produtoras do Rio Grande do Sul, de acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Associação Rio-grandense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS-Ascar) nesta quinta-feira (3). O avanço ocorre dentro da janela do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) e depende das condições de umidade do solo e da trafegabilidade das áreas. Nas lavouras já implantadas, a emergência e o estabelecimento inicial são considerados satisfatórios.

Segundo a Emater/RS-Ascar, o preparo das áreas para o cereal teve continuidade, mas a projeção é de redução expressiva da área cultivada em 2026 na comparação com a safra anterior. Entre os fatores apontados estão os custos elevados de produção, as restrições de crédito e de seguro rural e a maior percepção de risco climático para o ciclo de inverno. Em várias regiões, o relatório também registra menor uso de sementes fiscalizadas e maior participação de recursos próprios no custeio.

Na safra passada, o Rio Grande do Sul cultivou 1.166.163 hectares de trigo, com produtividade média de 2.968 quilos por hectare e produção total de 3.458.083 toneladas, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A estimativa de área para 2026 ainda está em levantamento.

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Entre as demais culturas de inverno, a aveia-branca avança sobre a maior parte da área projetada, favorecida pela umidade do solo e por temperaturas amenas. Em 2025, foram 393.135 hectares, com produção de 935.664 toneladas e produtividade média de 2.394 quilos por hectare. Na canola, a semeadura se aproxima do fim e a expectativa é de expansão da área sobre os 174.394 hectares cultivados em 2025. Já a cevada segue em fase inicial, com perspectiva de retração superior a 30% frente aos 32.010 hectares do ciclo anterior.

Nas culturas de verão, a colheita da soja entra na fase final, com produtividade média estimada em 2.871 quilos por hectare em 6.624.988 hectares. O milho alcança 97% da área colhida, enquanto o arroz teve a colheita concluída em 891.908 hectares, segundo o Instituto Riograndense do Arroz (Irga), mas com cenário de comercialização pressionado por preços abaixo dos custos de produção.

O quadro atual indica que o desempenho inicial das lavouras de inverno é tecnicamente favorável, mas a definição de área e investimento segue condicionada ao ambiente de crédito, seguro e risco climático. Novas estimativas da Emater/RS-Ascar devem detalhar o tamanho efetivo da safra gaúcha de 2026 nas próximas semanas.

Fonte: agricultura.rs.gov.br

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