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O momento da teca no Brasil: liderança e desafios

Desde 2024, o Brasil consolidou sua posição como o maior exportador mundial de teca plantada em volume. Com uma área cultivada de aproximadamente 100 mil hectares — sendo 90 mil considerados efetivamente produtivos —, o setor florestal brasileiro encontrou no mercado asiático seu principal motor de crescimento. A Índia figura como a maior compradora dessa madeira, seguida por Vietnã e China, que absorvem a produção principalmente na forma de tora bruta.
A ascensão brasileira é explicada pela rapidez do ciclo produtivo em comparação às espécies nativas. Enquanto uma árvore da floresta natural leva cerca de um século para atingir o ponto de corte, a teca plantada leva 20 anos.
“A gente está falando de uma árvore que cresce quatro vezes mais rápido que uma nativa normal. A teca, madeira bruta mesmo, para comprar você tem valores aí de US$ 150 até US$ 600 o metro cúbico”, explica Fausto Takizawa, presidente da Associação de Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta), em entrevista ao programa Direto ao Ponto.
O mercado, no entanto, é quase inteiramente voltado para o exterior, já que a madeira é cotada em dólar e o mercado interno tem dificuldade de competir. Segundo Takizawa, o preço da teca segue a lógica de outras commodities brasileiras.
“É igual a carne, né? Se lá fora paga em dólar e melhor, você brasileiro se quiser você tem que pagar mais do que um indiano paga”, afirma. Esse cenário faz com que a maior parte da produção seja exportada, deixando pouco volume para a fabricação nacional de móveis e esquadrias.
Apesar do ciclo de duas décadas para o corte final, o produtor tem buscado alternativas para gerar receita antecipada. A produção de mourões a partir de árvores mais jovens ou de partes da planta sem qualidade para exportação, como ponteiros, tornou-se uma realidade lucrativa. “Mourão de teca já é uma realidade. Você utiliza aquela madeira de qualidade ruim, que não deu exportação. Em vez de vender para lenha, você faz mourão e a própria natureza confere a durabilidade no cerne”, detalha o especialista.

Custos de produção e o desafio do manejo
Investir em florestas de teca exige fôlego financeiro, especialmente nos primeiros anos, fase em que a planta demanda cuidados intensivos com adubação e controle de pragas. O custo de implantação de um hectare varia entre R$ 25 mil e R$ 30 mil ao longo do ciclo. “A árvore nos primeiros cinco anos é um bebezinho novo que você tem que tratar a pão de ló, tratar para controlar o mato, a adubação para dar aquele arranque inicial”, compara Takizawa.
Além da teca, o cenário para o eucalipto em Mato Grosso apresenta um paradoxo: há uma demanda crescente por biomassa, mas o plantio não acompanha o ritmo das usinas de etanol de milho. O estado possui mais de 3,6 milhões de hectares de pastagens degradadas que poderiam ser reflorestadas, mas a economia atual trava o setor.
“O cenário que a gente vive hoje é um cenário de Selic a 15%. Nenhuma linha tradicional de financiamento está parando de pé. Imagine eucalipto que é 6, 7 anos”, pondera o presidente da Arefloresta.
Para quem decide investir, a escolha da área é fundamental, já que cada espécie possui exigências climáticas distintas. Enquanto o eucalipto demanda altitude, a teca prefere o calor de regiões mais baixas. “Teca dá em altitude mais baixa. Ela prefere por causa do calor. A teca precisa de muito calor e água, ela precisa aí ter 1,5 mil milímetros por ano de chuva”, explica Takizawa, ressaltando ao programa do Canal Rural Mato Grosso que a espécie se adapta bem ao período de seca após o mês de maio.
Segurança energética e políticas públicas
A falta de incentivo ao plantio de florestas coloca em cheque a competitividade da agroindústria mato-grossense, que depende da biomassa para funcionar. “Não estamos falando da floresta em si, estamos falando de segurança energética que está barrando a competitividade da agroindústria”, alerta Takizawa. Para ele, o crescimento pujante das indústrias no estado precisa de uma base florestal sólida para se manter sustentável no longo prazo.
A Arefloresta defende que o estado precisa modernizar ferramentas de gestão, como o Plano de Suprimento Sustentável (PSS), para garantir previsibilidade. “É dever do estado garantir políticas públicas. A reposição e o PSS são políticas que não dependem de banco, não dependem do dinheiro do estado, é o próprio estado cumprindo o seu papel”, afirma. Conforme o especialista, é necessário garantir que quem precisa apresentar o PSS esteja, de fato, cumprindo a lei.
A integração entre indústria e produtores, por meio do fomento florestal, é vista como o caminho para ocupar solos arenosos onde a lavoura nem sempre prospera. “O estado tem ferramentas de política pública para que isso funcione, para que a economia sofra menos”, conclui Takizawa. O setor espera que o reconhecimento da biomassa como item estratégico de segurança energética impulsione novos plantios e garanta o abastecimento das esmagadoras, frigoríficos e usinas do estado.
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Colheita do milho de segunda safra chega a 49,8% no Brasil, diz Conab

A colheita do milho de segunda safra 2025/26 no Brasil atingiu 49,8% da área até o último sábado (18), informou a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em boletim semanal de progresso de safra divulgado nesta terça-feira (21). O avanço foi de 10,9 pontos porcentuais em relação à semana anterior. Na comparação anual, os trabalhos seguem 6,6 pontos porcentuais atrás do registrado no mesmo período da safra passada.
Segundo a Conab, no mesmo período do ciclo anterior a colheita do milho de segunda safra alcançava 55,5% da área. Em relação à média dos últimos cinco anos, de 56,7%, o ritmo também está atrasado.
Entre os principais Estados produtores, Mato Grosso lidera o avanço da colheita, com 79,8% da área já colhida. Em Goiás, os trabalhos atingem 28%. No Mato Grosso do Sul, o índice está em 17%, enquanto o Paraná registra 16%.
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No milho verão 2025/26, a colheita chegou a 97,9% da área até o sábado (18), avanço de 0,8 ponto porcentual na semana. O desempenho também permanece abaixo do observado em igual período da safra passada, quando 98,4% da área havia sido colhida, e da média dos últimos cinco anos, de 98,3%. Maranhão tinha 85% da área colhida, Piauí 94% e Bahia 99%.
A colheita do algodão 2025/26 alcançou 12,8% da área, com avanço semanal de 4,7 pontos porcentuais. O percentual fica abaixo do registrado no mesmo período do ciclo anterior, com diferença de 3,9 pontos porcentuais, e também da média de cinco anos, de 14,2%. Mato Grosso havia colhido 8,7% da área, Goiás 27% e Bahia 21%.
No trigo 2026, a colheita chegou a 1,3% da área, avanço de 0,2 ponto porcentual em uma semana. Em relação ao mesmo momento da safra passada, quando o índice era de 2,4%, há atraso de 1,1 ponto porcentual. Na comparação com a média dos últimos cinco anos, de 2,5%, o ritmo também está abaixo. Minas Gerais tinha 5% da área colhida e Goiás, 40%.
Já a semeadura do trigo 2026 alcançou 97,4% da área prevista, avanço de 2,7 pontos porcentuais na semana. O índice supera o de igual período da safra passada, de 96,9%, e a média de cinco anos, de 95,5%. Goiás, Minas Gerais, Bahia, São Paulo e Mato Grosso do Sul já concluíram o plantio. No Rio Grande do Sul, a semeadura estava em 97%; no Paraná, em 99%; e em Santa Catarina, em 77,4%.
Os dados da Conab mostram avanço semanal nos trabalhos de campo para milho, algodão e trigo, com a colheita do milho de segunda safra próxima da metade da área no país e a semeadura do trigo perto da conclusão.
Fonte: Estadão Conteúdo
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Trigo tem leves ajustes; safra pode ser a menor desde 2020, diz Cepea

Os preços do trigo registraram leves ajustes no mercado brasileiro, sustentadas principalmente pela retração de vendedores e pelas novas estimativas oficiais, que apontam redução da produção nacional neste ano para o menor volume desde 2020.
Segundo pesquisadores do Cepea, no Rio Grande do Sul, a baixa liquidez, a demanda reduzida da indústria e o abastecimento relativamente confortável dos moinhos mantêm a pressão sobre os preços. Já no Paraná, a menor disponibilidade de trigo sustentou as cotações no mercado de lotes.
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A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) reduziu em 4,5% a estimativa da safra brasileira de trigo de 2026 em relação ao levantamento anterior, passando de 6,30 milhões para 6,03 milhões de toneladas. Se a projeção se confirmar, a produção será a menor desde 2020, ficando 23,5% abaixo da registrada na safra passada.
Segundo o Cepea, a revisão reflete principalmente a redução da área cultivada no Sul do país e a menor produtividade em parte do Centro-Oeste.
No fechamento de segunda-feira (20), o preço médio do trigo Cepea/Esalq no Paraná foi de R$ 1.395,99 por tonelada, com recuo de 0,28% no dia e alta de 2% no acumulado de julho. No Rio Grande do Sul, o indicador encerrou o dia em R$ 1.304,61 por tonelada, queda de 0,22% em relação à sessão anterior e baixa de 1,87% no mês.
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Demanda por etanol anidro deve crescer 2,8% com E32 em 2026 e impulsionar investimentos

O consumo nacional de etanol anidro deve entre agosto e dezembro de 2026 deve crescer 2,8% no Brasil com a ampliação do percentual da mistura do biocombustível na gasolina de 30% para 32%. Já no comparativo entre a safra 2025/26 e a estimativa para 2026/27 o volume demandado deve saltar de 14,03 bilhões para 15,16 bilhões de litros, cerca de 1,13 bilhão de litros, aproximadamente 8%.
Mato Grosso é o segundo maior produtor de etanol do país. Na avaliação do Sistema Fiemt e do Bioind MT, o aumento da mistura do etanol anidro de 30% para 32% na gasolina, o chamado E32, anunciado no dia 14 de julho pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), deve impulsionar novos investimentos no setor no estado.
Análise do Observatório de Mato Grosso, divulgada pelo Sistema Fiemt e do Bioind MT, prevê que entre agosto, quando a medida será implementada, e dezembro de 2026 a demanda por etanol anidro no Brasil aumente em cerca de 411,6 milhões de litros, o que deve elevar o consumo para 14,87 bilhões, aumento de 2,8% no comparativo com as perspectivas com a mistura na gasolina em 30%.
“É uma medida importante para o desenvolvimento do setor, para novos investimentos, para o meio ambiente e para a geração de empregos. Mais etanol na gasolina significa um ambiente mais limpo e menos importação de gasolina”, pontua o presidente do Sistema Fiemt e do Bioind MT, Silvio Rangel.
Atualmente Mato Grosso conta com 27 indústrias em operação produzindo etanol tanto a partir da cana de açúcar quanto do milho. Juntas geram 10,7 mil empregos formais. Somente em 2025, R$ 3,05 bilhões em arrecadação de ICMS em 2025, aproximadamente 12% de todo o imposto arrecadado no Estado.
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