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Sustentabilidade

Conflito no Oriente Médio pressiona custos do agro brasileiro – MAIS SOJA

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A intensificação do conflito no Oriente Médio, após ataques militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, tende a encarecer a produção agropecuária e a logística de exportação do agronegócio brasileiro. Mesmo sem sinais imediatos de interrupção nos embarques de grãos e carnes para a região, o cenário de instabilidade eleva o risco de mudanças nas rotas comerciais, sobretudo diante da possibilidade de restrições no Estreito de Ormuz, além de pressionar os preços do petróleo e do dólar, fatores que impactam diretamente os custos dos exportadores.

Tensão global

Segundo Fernando Pimentel, diretor da Agrosecurity Consultoria, a escalada recente ampliou a tensão global. Ele destaca que, após os ataques a instalações no Irã, houve reflexos em países do entorno, como Kuwait, Bahrein e Arábia Saudita, alimentando especulações sobre um eventual fechamento do Estreito de Ormuz. “Cerca de 20% do petróleo exportado globalmente passa por ali, o que já provoca estresse no mercado e uma alta relevante das cotações”, afirma.

Comércio exterior

O Oriente Médio ocupa posição estratégica para o comércio exterior do Brasil, especialmente nas vendas de carnes e milho. A região é um dos principais destinos da carne de frango e da carne bovina brasileiras, além de absorver volumes expressivos do milho nacional. No caso do Irã, o país figura como o maior comprador do cereal brasileiro, com 9 milhões de toneladas importadas em 2025, o equivalente a 23% do total exportado, com embarques concentrados a partir de julho, o que, por ora, preserva a demanda.

Impacto nos insumos

Pimentel ressalta, porém, que o impacto mais sensível ocorre do lado dos insumos. O Irã é um dos grandes fornecedores globais de ureia, fertilizante nitrogenado essencial para culturas como o milho. Em 2025, o país vendeu ao Brasil 184,7 mil toneladas do produto, movimentando US$ 66,8 milhões. “Esse fornecimento pode ser redirecionado a outros mercados, mas não de forma imediata e, certamente, com revisão de preços para cima, o que pressiona a oferta e gera efeito inflacionário”, avalia.

Gás natural

Além disso, o consultor chama atenção para o efeito indireto do conflito sobre o gás natural. O Irã é o principal fornecedor do insumo utilizado na produção de fertilizantes em países como Catar, Omã e Nigéria, que exportam nitrogenados ao Brasil. Qualquer restrição nessa cadeia tende a elevar custos e ampliar a dependência de alternativas mais caras.

Petróleo

Na frente logística, a combinação de petróleo mais caro e maior risco geopolítico deve elevar fretes e prêmios de seguro dos navios que transportam soja, farelo e carnes. Esse movimento pode se refletir no preço dos combustíveis no mercado interno. Pimentel observa que, embora a Petrobras possa postergar repasses no curto prazo, um conflito prolongado reduziria a margem de manobra da estatal. “O efeito final é inflacionário e global, e tudo indica que não se trata de um impasse de solução rápida”, diz.

Proteínas

No comércio de proteínas, os dados oficiais mostram a relevância naquela região. Os Emirados Árabes Unidos lideraram as compras de carne de frango brasileira em 2025, com 480 mil toneladas. Já a carne bovina somou 223,9 mil toneladas enviadas ao Oriente Médio, o que representa 6,5% das exportações totais, segundo o Agrostat, sistema de estatísticas do Ministério da Agricultura.

Vulnerabilidade

Para Pimentel, o quadro reforça a vulnerabilidade do agro nacional à dependência externa de fertilizantes. “Não é uma boa notícia para o Brasil. Mesmo que os fluxos comerciais se mantenham, o aumento de custos é praticamente inevitável enquanto durar a instabilidade”, conclui.

Autor/Fonte: SNA – Por Larissa Machado / larissamachado@sna.agr.br

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Sustentabilidade

Ferrugem asiática avança nas lavouras de soja e já ultrapassa 320 casos no Brasil

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Foto: Deise Froelich/Emater-RS

Considerada uma das doenças mais agressivas da cultura da soja, a ferrugem asiática segue avançando nas lavouras brasileiras. De acordo com dados do Consórcio Antiferrugem, já são 325 casos confirmados no país, com destaque para o Paraná, que lidera o ranking ao concentrar 156 ocorrências.

Na sequência aparecem Mato Grosso do Sul (69 casos), Rio Grande do Sul (58), São Paulo (19), Goiás (6), Minas Gerais (5) e Mato Grosso (5). Também há registros na Bahia (3), Santa Catarina (2) e em Rondônia (2).

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A ferrugem asiática

A ferrugem asiática, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, pode causar perdas de até 90% na produtividade quando não controlada adequadamente. Por isso, especialistas reforçam a importância de um manejo preventivo e integrado nas lavouras.

Entre as principais medidas recomendadas estão o cumprimento rigoroso do vazio sanitário, a semeadura dentro da janela indicada e o uso de cultivares resistentes ou tolerantes. O manejo correto de fungicidas também é considerado essencial, com a combinação de produtos sítio-específicos e multissítios para aumentar a eficiência do controle e reduzir riscos de resistência.

Outras estratégias importantes incluem a eliminação de plantas voluntárias durante a entressafra, a adoção de cultivares de ciclo precoce e a semeadura no início da janela recomendada, como forma de escapar do período de maior pressão da doença.

Diante desse cenário, especialistas destacam que planejamento, monitoramento constante das lavouras e adoção de boas práticas de manejo são fundamentais para reduzir perdas e garantir a sustentabilidade da produção de soja no Brasil.

Plataforma identifica doença

Com o objetivo de otimizar a identificação da ferrugem asiática, uma nova plataforma desenvolvida por pesquisadores da Embrapa Instrumentação, em parceria com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), utiliza inteligência artificial para antecipar o risco da doença na soja. A tecnologia integra o projeto “Ferramenta Digital Avançada para o Gerenciamento de Riscos Agrícolas”, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O sistema reúne diferentes tipos de informações, como dados climáticos, imagens digitais das folhas da planta e parâmetros agronômicos, incluindo cultivar, espaçamento e calendário de plantio, para avaliar a probabilidade de ocorrência do fungo nas lavouras. Hospedada em nuvem, a ferramenta gera relatórios e recomendações técnicas de manejo, permitindo acompanhar a evolução da doença e indicar o momento mais adequado para o controle.

Com isso, a tecnologia pode aumentar a precisão no diagnóstico e evitar aplicações desnecessárias de fungicidas, reduzindo custos e impactos ambientais. Além disso, ajuda o produtor a agir de forma preventiva, antes que a ferrugem atinja níveis mais severos nas lavouras.

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Sustentabilidade

Atualizações climáticas indicam pouca chuva para março no RS – MAIS SOJA

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Nos últimos dois meses, volumes expressivos de chuva foram registrados especialmente nas regiões Norte, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, garantindo boa disponibilidade hídrica nos solos dessas áreas. Em contraste, na região Sul, sobretudo no Rio Grande do Sul, as baixas precipitações registradas em janeiro e fevereiro reduziram drasticamente o conteúdo de água no solo, afetando negativamente culturas de verão como soja e milho.

Figura 1. Armazenamento de água no solo, durantes os meses de janeiro e fevereiro de 2026.
Adaptado: Prof Fabio Marin (2026), Boletim do sistema TempoCampo, Esalq.

Para o mês de março, a previsão indica bons volumes de chuva nas regiões Norte e Centro-Oeste, enquanto a região Sul, em especial o Rio Grande do Sul, deve registrar precipitações menores. De acordo com o modelo do INMET, os volumes previstos para o estado gaúcho tendem a ficar ligeiramente abaixo da média histórica do período.

Figura 2. Precipitação total prevista (mm) para março de 2026.
Fonte: INMET (2026)

Embora os prognósticos climáticos possam variar conforme o modelo meteorológico utilizado, há convergência entre as previsões de que o Rio Grande do Sul deve apresentar anomalias negativas de precipitação em março, com chuvas abaixo da média. Esse cenário pode impactar negativamente as culturas de verão, principalmente aquelas semeadas mais tardiamente e que se encontram em pleno desenvolvimento durante esse período.

Figura 3. Previsão de anomalias das precipitações (mm) para o mês de março de 2026.
Fonte: INMET (2026)

Em relação às temperaturas, os modelos também indicam tendência de valores acima da média a partir de março, o que pode intensificar as condições de estresse nas lavouras quando associado ao déficit hídrico. Confira abaixo as atualizações completas apresentadas por Fábio Marin no Boletim do Sistema TempoCampo de março de 2026.


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Referências:

INMET. CLIMA. Instituto Nacional de Meteorologia, 2026. Disponível em: < https://clima.inmet.gov.br/progp/0 >, acesso em: 05/03/2026.

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Sustentabilidade

Chuvas concentram-se no Centro-Norte e favorecem lavouras, enquanto Sul registra menor volume e restrição à soja – MAIS SOJA

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As condições climáticas registradas entre 1º e 24 de fevereiro indicam predomínio de chuvas em grande parte do país, favorecendo o desenvolvimento dos cultivos de primeira e segunda safra. As informações constam na edição de fevereiro do Boletim de Monitoramento Agrícola, divulgado no Portal da Conab na quinta-feira (26/02). A publicação da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta maiores acumulados na região Norte e na faixa entre o Amazonas, o Centro-Oeste e o Sudeste.

De acordo com o estudo, também houve precipitações, menos significativas, no Matopiba e em áreas do Semiárido da região Nordeste, beneficiando a semeadura e o desenvolvimento das lavouras, enquanto na região Sul os volumes foram menores e restringiram o desenvolvimento da soja no Rio Grande do Sul, onde a maior parte das áreas encontrava-se em floração e enchimento de grãos.

Os dados espectrais indicam condições favoráveis de desenvolvimento dos cultivos de primeira e segunda safra em quase todas as regiões monitoradas. O índice de vegetação evoluiu acima da média histórica durante os momentos críticos do desenvolvimento da soja. Diferenças mais expressivas são observadas no sudoeste de Mato Grosso do Sul, no oeste Catarinense e no noroeste do Rio Grande do Sul, devido ao impacto da restrição hídrica nas safras passadas. No estado gaúcho, essa diferença diminuiu, e o índice da safra atual encontra-se atualmente próximo das safras passadas, que tiveram o potencial produtivo reduzido.

A distribuição das precipitações influenciou o ritmo da semeadura do milho segunda safra. Em Mato Grosso, houve progressão acentuada do plantio, acompanhando a colheita da soja. No Paraná, o plantio está atrasado e, em algumas regiões, não avançou devido à baixa umidade no solo. Em Mato Grosso do Sul, o retorno das chuvas favoreceu a evolução do plantio e as áreas já semeadas apresentam bom desenvolvimento. Em Goiás e Minas Gerais, o excesso de precipitações tem atrasado a semeadura, encurtando a janela ideal de cultivo. No Tocantins, o plantio acelerou e as áreas emergidas apresentam boas condições.

No caso da soja, a colheita manteve progressão consistente em estados como Mato Grosso. No Rio Grande do Sul, as precipitações foram irregulares, com baixos volumes e distribuição irregular, situação que já provocou redução das produtividades estimadas em grande parte do estado. Em parte do Centro-Oeste e Sudeste, as chuvas regulares e intensas contribuíram para a manutenção do armazenamento hídrico no solo, embora tenham impactado a colheita em algumas áreas.

O boletim completo, com mapas, gráficos e análises detalhadas sobre o comportamento climático e o desenvolvimento das lavouras nas principais regiões produtoras do país, está disponível no Portal da Conab.

Fonte: Conab



 

FONTE

Autor:Conab

Site: Conab

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