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Safra recorde de milho convive com alerta para custos e margens apertadas

A safra brasileira de milho 2024/25 encerrou com números expressivos e confirmou o bom desempenho do setor. Com clima favorável na maior parte das regiões produtoras, o país colheu bem na primeira, segunda e terceira safras e ultrapassou a marca de 140 milhões de toneladas produzidas. O resultado positivo, no entanto, não elimina os desafios enfrentados pelo produtor.
Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), Paulo Bertolini, os custos de produção subiram ao longo do ciclo e só foram parcialmente compensados pelo ganho de produtividade. “Tivemos alta dos custos de produção na safra 2024/25, que foi compensado em parte pela nossa produção, a nossa produtividade maior em função de um clima melhor”, afirma.
A preocupação aumenta quando o olhar se volta para a safra 2025/26, cuja primeira etapa começou a ser plantada em setembro, que já traz sinais de alerta em relação à rentabilidade. “Há uma tendência de uma redução de preço e na contramão uma alta de custos”, diz Bertolini ao projeto Mais Milho.
Esse cenário, conforme ele, torna a atividade ainda mais sensível ao risco. “Isso torna a nossa atividade para o ciclo seguinte com uma margem muito estreita e muitas vezes negativa”, ressalta. Diante disso, a orientação da entidade é clara. “Nós recomendamos que os agricultores não corram o risco excessivo nesse próximo ciclo, uma vez que os preços agrícolas não estão em alta, ao contrário estão em baixas, os custos estão altos”.

Risco climático e alternativas de produção
Além da pressão econômica, o risco climático entra na conta e amplia a cautela. Bertolini chama atenção para o atraso no plantio da soja, que pode comprometer o calendário da segunda safra de milho. “Se você botar nessa conta o risco climático em função de um atraso de implantação da cultura da soja, que vai trazer atraso também na implantação da segunda safra do milho, isso é preocupante e o agricultor tem que medir essa exposição a esse risco”, alerta.
Diante desse cenário, alternativas começam a ser consideradas. “Algumas alternativas podem surgir, por exemplo, a atividade de produção de sorgo, que tem um risco menor”, aponta o presidente da Abramilho.
Outra consequência direta desse ambiente de incerteza é a redução de investimentos em tecnologia. “E isso vai lá na frente de alguma forma refletir em perda de produtividade ou de potencial produtivo na no momento da colheita”, explica à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.
Esse risco, frisa Bertolini, já aparece nas projeções oficiais. “Esse risco de produção menor já se reflete pela perspectiva que a Conab deu de uma produção futura. Abaixo daquilo que a gente colheu, embora haja uma intenção de ampliação de área em todo o Brasil de milho”.

Potencial global e desafios estruturais
Mesmo diante das incertezas, o presidente da Abramilho reforça o peso do Brasil no mercado global. “O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de milho, segundo maior exportador. Nós temos 140 países que consomem o nosso produto”, destaca.
Segundo ele, a competitividade brasileira vai além do volume produzido. “Nós temos um produto de qualidade, não só do ponto de vista intrínseco da qualidade do grão, mas também da qualidade do sistema produtivo. Nós temos sustentabilidade ambiental, nós temos uma sustentabilidade social e também econômica”, diz.
Ao mesmo tempo, Bertolini ressalta que o país precisa enfrentar desafios estruturais que afetam diretamente a agricultura. “O primeiro deles é o desafio da instabilidade jurídica ou do ativismo jurídico”, aponta.
Outro gargalo histórico está na logística e na armazenagem. “Nós não temos armazenagem suficiente no Brasil, um déficit acima de 120 milhões de toneladas, principalmente dentro das fazendas que não há armazenagem”, afirma. Ele lembra que apenas uma pequena parte da estrutura existente está no local ideal. “Hoje de tudo que foi construído até o momento, em armazéns, só 16% estão dentro das fazendas. O resto está em centros urbanos, industriais ou nos portos, muito longe do local de produção”.

Plano Safra e políticas de longo prazo
Todos os anos, a Abramilho apresenta sugestões ao governo para o Plano Safra, mas as prioridades seguem as mesmas. “É recorrente o nosso pedido. Não tem mudado nos últimos 5 anos, 10 anos”, relata.
De acordo com ele, três pontos concentram a maior demanda do setor. “Basicamente está em função de armazenagem, em função da irrigação e também do seguro rural”. Para o presidente da entidade, mais do que medidas pontuais, o país precisa de políticas estruturantes. “Esses três, a gente tem solicitado uma atenção e não uma política de plano safra, mas talvez uma política de estado e que seja plurianual para que atenda e não falta recursos quando o agricultor mais precisa”.
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Colheita da safrinha de milho chega a 92% no Centro-Sul, diz AgRural

A colheita da safrinha de milho 2026 alcançou 92% da área cultivada no Centro-Sul do Brasil até quinta-feira (20), segundo levantamento da AgRural. O índice representa avanço sobre os 85% registrados uma semana antes, mas segue abaixo dos 98% observados no mesmo período da safrinha 2025. O monitoramento também indica aceleração no plantio do milho verão 2026/27 na região.
De acordo com a AgRural, os trabalhos de colheita já foram concluídos em Mato Grosso e estão muito próximos do fim em Goiás e Minas Gerais. No Paraná, o ritmo melhorou na semana passada, embora a umidade ainda mantenha os trabalhos em velocidade inferior ao normal.
No milho verão, a semeadura atingiu 2% da área estimada para o Centro-Sul do Brasil até quinta-feira (20). Na semana anterior, o índice era de 0,3%. No mesmo período do ano passado, o plantio estava em 3,2%.
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A AgRural informou que o plantio ganhou ritmo com os três estados do Sul em atividade. Além do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina também já estão com máquinas em campo.
No Rio Grande do Sul, a umidade ainda limita o avanço da semeadura. Mesmo assim, a entrada de Paraná e Santa Catarina no plantio ampliou o ritmo dos trabalhos no Centro-Sul.
Os dados da AgRural mostram, ao mesmo tempo, o avanço da reta final da colheita da safrinha de milho 2026 e o início mais acelerado do plantio do milho verão 2026/27 no Centro-Sul, com a operação já em andamento nos três estados do Sul.
Fonte: Estadão Conteúdo
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Pro Farmer estima safra menor de milho e maior de soja nos EUA ante o USDA

As estimativas da Pro Farmer para a safra 2026/27 dos Estados Unidos indicaram produção de milho abaixo da projeção mais recente do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e safra de soja acima do número oficial. Os dados foram divulgados após o fechamento dos mercados de grãos na Bolsa de Chicago (CBOT) na sexta-feira (21), com base na Pro Farmer Crop Tour realizada em sete Estados do Meio-Oeste nesta semana.
Para o milho, a Pro Farmer projetou colheita de 15,344 bilhões de bushels, equivalentes a 389,74 milhões de toneladas, com produtividade média de 173,2 bushels por acre, ou 10,872 toneladas por hectare. No começo do mês, o USDA estimou a safra em 16,013 bilhões de bushels, ou 406,73 milhões de toneladas, com rendimento de 180,7 bushels por acre, equivalente a 11,342 toneladas por hectare.
Na soja, a consultoria estimou produção de 4,572 bilhões de bushels, ou 124,44 milhões de toneladas, com rendimento recorde de 53,3 bushels por acre, equivalente a 3,585 toneladas por hectare. A projeção mais recente do USDA aponta 4,519 bilhões de bushels, ou 123 milhões de toneladas, com produtividade de 52,7 bushels por acre, ou 3,544 toneladas por hectare.
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Segundo a Pro Farmer, as estimativas consideram dados coletados em campo durante a expedição, além da maturidade das culturas, ajustes de área, regiões fora da rota do tour e análises históricas. O líder da parte leste da expedição, Lane Akre, atribuiu a diferença em relação ao USDA, no caso do milho, à qualidade dos dados obtidos em campo. Ele afirmou que a contagem de espigas e a medição dos grãos mostraram lavouras abaixo do nível esperado.
Akre disse ainda que o relatório de oferta e demanda de setembro do USDA deve trazer ajustes para baixo nas estimativas de rendimento do milho, em função dos impactos do estresse climático. Na rota oeste, Chip Flory e Emily Carolan relataram que uma onda de frio após a emergência do milho, seguida por um mês de junho extremamente chuvoso, prejudicou o desenvolvimento da safra.
Para a soja, Flory avaliou que o quadro é diferente. Segundo ele, as lavouras ainda contam com umidade suficiente para completar o desenvolvimento e apresentam quantidade adequada de vagens.
O levantamento da Pro Farmer reforçou um contraste entre as duas culturas nos Estados Unidos: milho com projeção inferior à do USDA e soja com estimativa acima da agência, após a avaliação de lavouras em sete Estados do Meio-Oeste.
Fonte: Estadão Conteúdo
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Algodão brasileiro mira novos mercados e tecnologias em congresso nacional

O algodão brasileiro entra em uma fase em que produzir mais já não é suficiente para garantir espaço no mercado internacional. A expansão das exportações aumenta a pressão por qualidade, rastreabilidade, eficiência e sustentabilidade, enquanto produtores também precisam lidar com problemas de clima, pragas e doenças nas lavouras.
É nesse cenário que o 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA) será realizado de 22 a 24 de setembro, em Belo Horizonte (MG). O encontro deve reunir produtores, pesquisadores, consultores, técnicos e empresas para discutir questões que vão do manejo no campo às exigências dos compradores da fibra brasileira.
Entre os assuntos previstos estão fisiologia do algodoeiro, resiliência produtiva, desafios climáticos, manejo do bicudo-do-algodoeiro e de outras pragas e doenças, além de nematologia, matologia e destruição de soqueira. Agricultura digital, melhoramento vegetal e biotecnologia também entram na programação.
A agenda inclui ainda discussões sobre colheita, beneficiamento e qualidade da fibra e do caroço. A ideia é aproximar essas questões das decisões tomadas dentro das propriedades e das demandas que chegam à cadeia depois da produção.
O congresso, segundo Marcio Portocarrero, diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), acompanha as transformações da cotonicultura e os temas que passam a interferir diretamente na atividade. Ele frisa que a discussão envolve desde ciência e tecnologia até sustentabilidade, qualidade, rastreabilidade e mercado.
“O CBA é um espaço que traduz a evolução da cotonicultura brasileira. Ao longo das edições, o congresso vem acompanhando as transformações do setor e trazendo para o debate temas que impactam diretamente a produção, desde ciência e tecnologia até sustentabilidade, qualidade, rastreabilidade e mercado”.
Pressão por produtividade muda perfil dos desafios
O aumento da participação brasileira no mercado mundial coloca a cotonicultura diante de uma combinação de desafios. A escala de produção precisa caminhar junto com padrões de qualidade capazes de atender diferentes mercados consumidores.
A origem do algodão e as condições em que ele foi produzido também ganham relevância. Rastreabilidade e transparência passam a fazer parte das exigências de uma cadeia que pretende ampliar sua presença internacional.
Ao mesmo tempo, questões que afetam diretamente a lavoura continuam determinantes para o resultado. Clima, ocorrência de pragas e doenças e eficiência no manejo podem comprometer produtividade e qualidade quando não são acompanhados de forma adequada.
Portocarrero avalia que o momento exige novos avanços do setor, justamente porque o Brasil conquistou uma posição de destaque no mercado mundial. “Estamos vivendo uma nova etapa da cotonicultura brasileira. O Brasil conquistou uma posição de destaque no mercado mundial e isso nos coloca diante de uma responsabilidade ainda maior: continuar avançando em produtividade, qualidade, sustentabilidade, inovação e transparência”.
Ele acrescenta que o evento busca justamente criar um ambiente para discutir esses caminhos com diferentes participantes da cadeia. “O Congresso é justamente o ambiente para essa construção coletiva, porque reúne os diferentes elos da cadeia e permite que conhecimento e experiência se transformem em decisões e soluções concretas para o campo”.
Ciência busca respostas para problemas do campo
A programação científica terá 12 horas de palestras, divididas em duas plenárias. Os conteúdos foram organizados para tratar de diferentes etapas da produção e aprofundar temas que impactam o desempenho da cultura.
A fisiologia do algodoeiro e a capacidade de manter a produtividade em condições adversas estarão entre as discussões. O manejo fitossanitário também terá espaço, com abordagens sobre bicudo, fitopatologia, nematologia e matologia.
Outro eixo envolve as etapas posteriores à colheita. Beneficiamento e qualidade da fibra e do caroço entram nas discussões ao lado de temas como melhoramento vegetal e biotecnologia.
A programação terá ainda as Plenárias Conexões, que ampliam o debate para mercado, estratégia, liderança, sustentabilidade e perspectivas para a cadeia. A intenção é relacionar os avanços técnicos às mudanças que ocorrem fora da propriedade.
Tecnologia ganha espaço na tomada de decisão
Agricultura digital, biotecnologia e melhoramento vegetal estão entre as ferramentas que vêm ampliando as possibilidades de manejo e produção. No congresso, esses assuntos serão discutidos junto a questões práticas enfrentadas pelos produtores.
Quatro Hubs Técnicos vão concentrar parte dos debates específicos. Workshops e minicursos também fazem parte da programação, com espaço para aprofundamento de conteúdos e troca de experiências.
A área de exposição reunirá empresas ligadas à cadeia do algodão e apresentará tecnologias, produtos e serviços utilizados na produção e no beneficiamento. O espaço deve aproximar as soluções disponíveis das demandas apresentadas pelos profissionais do setor.
Para Portocarrero, a próxima etapa da cotonicultura também depende da cooperação entre os diferentes elos da cadeia. “O algodão brasileiro tem uma história de evolução baseada em tecnologia, profissionalização e capacidade de adaptação”.
Na avaliação do diretor executivo da Abrapa, o próximo passo é manter a evolução da produção brasileira acompanhada de qualidade e responsabilidade.
Essa construção, acrescenta, depende da participação dos diferentes segmentos envolvidos na atividade. “Essa jornada exige diálogo e cooperação entre produtores, ciência, empresas e instituições, e o CBA é um dos principais espaços para essa construção”.
Encontro reúne cadeia em momento de expansão
O 15º Congresso Brasileiro do Algodão terá como tema “Algodão brasileiro: fibra natural. Uma jornada com propósito, qualidade e transparência”. A edição será realizada no Expominas, em Belo Horizonte.
O congresso anterior ocorreu em Fortaleza e reuniu mais de 4,2 mil participantes de 20 países e 25 estados. Foram 114 palestrantes, 62 patrocinadores, 19 hubs temáticos e 288 trabalhos científicos.
Para esta edição, a expectativa informada pela organização é reunir cerca de 2.500 participantes. Produtores, pesquisadores, consultores, técnicos, empresas e outros profissionais devem participar das atividades.
A programação coloca em discussão os fatores que podem determinar a próxima etapa da cotonicultura brasileira: capacidade de produzir com eficiência, manter a qualidade da fibra, incorporar tecnologia e atender a mercados cada vez mais exigentes.
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