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15 de maio de 2026

Business

Itália sinaliza apoio e acordo Mercosul-UE deve ser assinado nos próximos dias

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Foto: Camex

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, costurado há 25 anos, parece estar mais próximo do que nunca de ser assinado. De acordo com a agência Reuters, a Comissão Europeia conquistou o apoio da Itália que, ao lado de França, Polônia e Hungria, se opunha ao tratado de livre comércio entre os blocos após pressão de entidades de agricultores.

Com a nova adesão, a Comissão, apoiada por países como Alemanha e Espanha, deve conseguir a ampla maioria dos 15 Estados-membros, que representam 65% da população da União Europeia, fator necessário para a efetivação, que pode acontecer já na próxima segunda-feira (12).

A assinatura estava prevista para 20 de dezembro do ano passado, em Foz do Iguaçu, durante a cúpula do Mercosul. Contudo, em conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, sinalizou que precisava de mais tempo para tratar com os produtores do país, preocupados que a entrada com redução de tarifas de commodities agropecuárias de Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia afetasse a produção europeia.

Segundo a Reuters, o apoio italiano ao acordo veio após uma carta enviada pela Comissão Europeia nesta terça-feira (6) que propõe acelerar o apoio de 45 bilhões de euros aos agricultores. Giorgia descreveu a iniciativa como um “passo positivo e significativo”.

Já o ministro italiano da Agricultura, Francesco Lollobrigida, destacou que a União Europeia agora propõe aumentar em vez de reduzir os investimentos no setor agrícola do país no período de 2028 a 2034.

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Assim, uma fonte da União Europeia ouvida pela agência de notícias disse que a Itália votaria a favor do acordo comercial com o Mercosul em uma reunião marcada para sexta-feira (9).

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Agro Mato Grosso

Agro impulsiona MT à liderança da balança comercial brasileira

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O resultado do quadrimestre consolida, mais uma vez, a posição estratégica do Estado na economia brasileira

Mato Grosso registrou saldo comercial positivo de US$ 11,05 bilhões, entre janeiro e abril de 2026,

Com isso, mantém o maior resultado superavitário entre os estados brasileiros, conforme análise divulgada pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), em seu Boletim Mensal de Conjuntura Econômica — edição de maio.

O desempenho foi impulsionado, principalmente, pelo agronegócio.

O resultado do balanço do quadrimestre consolida, mais uma vez, a posição estratégica de Mato Grosso na economia brasileira.

Isso porque, em 2025, o superávit comercial do Estado alcançou US$ 27,57 bilhões, o que representa 40,50% de todo o saldo comercial do período no país.

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O agronegócio respondeu por 43,16% do saldo comercial brasileiro, com destaque para as exportações de soja, milho e carne bovina.

De acordo com a análise do Imea, esse resultado reforça a importância e a centralidade de Mato Grosso para a sustentação das exportações nacionais e para a entrada de moeda estrangeira na economia nacional.

A coordenadora de Desenvolvimento Regional do Imea, Maria Muniz, explicou que esse cenário demonstra a força do setor no contexto nacional.

Segundo ela, o resultado mostra como Mato Grosso segue sendo um dos principais motores das exportações brasileiras, reforçando a relevância do estado para a sustentação das exportações nacionais e para a entrada de moeda estrangeira na economia brasileira.

“O desempenho do agronegócio mato-grossense foi determinante para esse cenário, impulsionado principalmente pelas exportações de soja, milho e carne bovina”, destacou.

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EMPREGOS – O boletim do Imea, publicado no dia 11 passao, também aponta a participação do agronegócio na geração de empregos em Mato Grosso.

Dados do boletim de Conjuntura Econômica mostram que o setor mantém ritmo de crescimento no número de trabalhadores formais.

Ao final de 2025, o agronegócio mato-grossense contabilizava 437.174 empregos formais.

Em março de 2026, o total avançou para 444.218 postos de trabalho, incremento de 1,61%, equivalente à geração de 7.044 novas vagas.

No mesmo período, o estoque total de empregos formais em Mato Grosso alcançou 1.183.553 vínculos, com o agronegócio representando 37,53% do total de empregos do estado.

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Safra 2026/27 caminha para ter a pior margem da soja em 10 anos

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Foto: Canal Rural Mato Grosso

Acostumado a crescer fora da zona de conforto. É assim que o pesquisador do Cepea, Mauro Osaki, classifica o comportamento do produtor brasileiro. “Essa é a razão para a nossa produção crescer tanto. Nós nunca estivemos confortáveis”, diz. Nesse contexto, o setor já enfrentou estiagens, enchentes e reflexos de conflitos geopolíticos, entre outros.

A avaliação do especialista ocorre em mais um momento delicado para o agronegócio. A guerra no Irã, iniciada por Estados Unidos e Israel, já passa de dois meses — com impactos no preço de fertilizantes e combustíveis. Essenciais para o setor, o encarecimento desses itens deve pesar na próxima safra.

“A gente já sabe que a safra 26/27 vai custar mais caro em termos de gasto com fertilizantes, defensivos, diesel. Esse impacto vai proporcionar uma elevação nos nossos custos”, reforça. Segundo Osaki, a variação do custo operacional efetivo (COF) deve ficar em torno de 6% a 7% em comparação com a estimativa feita para a temporada atual.

Soja: pior rentabilidade em uma década

A alta real nos custos de produção, sem uma reação na mesma magnitude por parte dos preços das commodities, deve resultar em um cenário severo de esmagamento de rentabilidade. Para a soja, a projeção já desenha um dos piores cenários da história recente.

“A soja está caminhando para isso. Se a produtividade se mantiver e o grão ficar na casa dos R$ 100 no ano que vem, nós estamos chegando próximo da menor margem dos últimos 15 anos. Nos últimos 10 anos é certeza”, alerta o pesquisador.

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De acordo com ele, o único precedente de margem negativa tão expressiva foi registrado na safra 2005/06, período que culminou no histórico movimento do “tratoraço”.

O peso do Estreito de Ormuz no bolso do produtor

Desta vez, o gatilho da crise é majoritariamente externo. O conflito no Golfo, especialmente na região do Estreito de Ormuz, comprometeu o abastecimento global de gás natural e enxofre — matérias-primas essenciais para a fabricação de nitrogenados e fosfatados. O Brasil, por características naturais, acaba sendo o elo mais vulnerável dessa engrenagem global.

“Dentre os principais produtores de soja no mundo, o Brasil é o que mais sofre porque tem o solo mais ácido e mais pobre comparado com a Argentina e os Estados Unidos. Como precisamos aplicar mais adubo por hectare, vamos perder competitividade diante desses dois players internacionais”, explica Osaki.

Custo Brasil e o alerta climático do El Niño

Se o cenário global e o solo desafiam o agricultor, o ambiente doméstico também não dá trégua. Na avaliação do especialista, a atuação do governo pesa. “Vários setores produtivos estão no limite sendo asfixiados com a ânsia do governo de querer taxar todo mundo para tentar recobrir a gastança, seu comportamento perdulário”, diz.

Entre as principais preocupações estão alterações tributárias recentes, que devem elevar os custos com insumos. “Isso é uma consequência que o setor produtivo acaba subsidiando. Esse tipo de desastre administrativo traz consequências”, complementa.

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Como se não bastasse o aperto financeiro, o fantasma climático volta a rondar com a proximidade do El Niño no segundo semestre. Para estados como o Rio Grande do Sul, que ainda tentam se reorganizar financeiramente após quebras sequenciais, o alerta é máximo.

“É o estado onde temos a situação mais grave de todas. Lá, a pergunta do produtor vai ser: ‘vou perder menos de quanto?’”, lamenta o especialista. A única certeza, como bem define Osaki, é que o agronegócio nacional precisará, mais uma vez, provar sua força longe de qualquer zona de conforto.

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Clima, atraso e desvalorização reduzem renda na soja e deixam milho sob estresse em Mato Grosso

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Em Mato Grosso, o clima segue ditando o ritmo no campo. Entre janelas de plantio apertadas, custos em alta e chuvas irregulares, o produtor rural faz contas e revê estratégias para tentar equilibrar as próximas decisões. A preocupação agora se concentra na safra de soja, que se aproxima em meio a um cenário de incertezas, e também na segunda safra de milho, que já sente os impactos da escassez hídrica em várias regiões do estado.

Um conjunto de fatores comprometeu o desempenho final da produtividade da safra de soja 2025/26 na propriedade de José Almiro Muller, em Nova Xavantina. Ele cultivou 2,6 mil hectares, sendo 1,7 mil em áreas arrendadas, enfrentando atraso no plantio, irregularidade das chuvas e uma forte pressão de pragas.

O produtor relata que encerrou os trabalhos no dia 12 de dezembro, bem fora da janela ideal. O grande problema na região foi a mosca branca, que reduziu o peso do grão e não cedeu mesmo após a aplicação de quatro a cinco tratamentos químicos na lavoura, gerando cerca de 25 sacas a menos por graneleiro de máquinas. Para ele, essa perda “faz toda a diferença porque a gente já tem os custos no fio da navalha, e toda a perda é do produtor”.

Além do prejuízo físico no campo, o setor enfrenta um estrangulamento financeiro severo. A sequência de safras difíceis e o aumento expressivo dos custos operacionais têm asfixiado a capacidade de investimento e até a subsistência dos agricultores.

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soja broto seca foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Endividamento e custos operacionais altos asfixiam produtores

A falta de renda familiar tem obrigado os agricultores locais a controlarem rigidamente os gastos cotidianos. A elevação dos juros bancários e as taxas de arrendamento têm inviabilizado a atividade para quem precisa financiar a produção.

“Eu com a minha família não tive renda nos últimos três anos. Eu não tive nenhum real de salário. Isso está difícil, a gente está controlando gastos, os recursos bancários ficaram muito altos com a elevação dos juros, Taxa Selic a 14,5%, 15% e o arrendamento junto com isso inviabiliza. Eu estou pensando em nem plantar esse ano, porque se é para plantar prejuízo é melhor ficar quieto. E não é só eu assim, está todo mundo”, desabafa José Almiro Muller em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso.

O produtor também critica o acesso ao crédito agrícola recente, apontando que o Plano Safra “foi um show, dinheiro que quase não apareceu no mercado” nos últimos dois anos. Com isso, os agricultores precisaram recorrer a recursos especiais com taxas que variaram de 22% a 30% ao ano, acumulando juros sobre o endividamento remanescente de uma seca ocorrida há três anos.

Muitos produtores da região precisaram refazer o replantio das áreas devido à irregularidade das chuvas no início do ciclo da soja. De acordo com o delegado da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) em Nova Xavantina, Bruno Tolotti, embora tenham ocorrido casos isolados de lavouras com bom desempenho, “na média comparado com o ano passado em torno de 8 a 10 sacas a menos de média foram produzidas no município”.

milho pendoando foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Quebra na safra principal encurta janela do milho safrinha

A colheita tardia da soja empurrou o cultivo do milho segunda safra para períodos de alto risco climático. Com quase um mês de escassez hídrica, altas temperaturas e mais da metade da safra de milho fora da janela ideal de plantio, cresce a preocupação com o desenvolvimento e a produtividade final das lavouras.

O município de Nova Xavantina possui uma altitude mais baixa e um índice pluviométrico menor que outras regiões do estado, o que reduz o tempo hábil para o desenvolvimento do cereal. Bruno Tolotti explica que “a cada tempo que a gente perde no plantio ou um atraso na cultura principal, que é a soja, a segunda safra fica diretamente impactada”.

A falta de umidade já provocou danos visíveis que assustam o setor. Na avaliação do delegado, existem agricultores na região que relatam “entre 30 e 40% de perdas olhando visualmente a planta, pelo prazo que ela está e pela chuva que ela já teria que ter pego”. Sem novas previsões de chuva, o cenário se tornou crítico para as culturas de milho e gergelim.

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A redução da área plantada tornou-se uma estratégia de defesa para mitigar os riscos do clima severo. A agricultora Emilly Miranda Castro Dalcin revela que diminuiu o cultivo de milho em pelo menos 700 hectares comparado ao ano passado. “Já está arriscado para a realidade de Xavantina e a gente vendo o milho agora já está perdendo o baixeiro, milhos assim que já estão sentindo mesmo a questão da falta de chuva”, pontua à reportagem sobre o plantio do cereal fora da janela.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Estiagem avança pelo Vale do Araguaia e região sul

O cenário de estiagem também afeta os milharais do município de Querência, outro polo agrícola importante do Vale do Araguaia. Conforme dados do Sindicato Rural local, pelo menos 30% da área cultivada com o cereal na cidade está posicionada dentro da chamada janela de risco climático.

O presidente do Sindicato Rural de Querência, Osmar Frizzo, explica que a expectativa do setor era de que as chuvas se estendessem até o início de maio, o que não se confirmou, cessando por volta do dia 25 de abril. Diante disso, a tendência é de que o rendimento geral sofra baixas significativas.

“Uns 20% da safra de milho vai ser comprometida em função desse plantio fora da janela, e é isso que às vezes tira o lucro do produtor, porque ele colhe bem e depois na hora de fechar a média vai baixar em torno de 100, 110 sacas e isso não fecha a conta”, detalha Frizzo.

A escassez hídrica atinge simultaneamente a região sul de Mato Grosso, onde os milharais sofrem com a falta de umidade no solo. Em propriedades localizadas no município de Campo Verde, produtores já estimam que o estresse hídrico severo compromete o potencial produtivo das plantas.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Rentabilidade do setor depende de chuvas isoladas

O agricultor Fernando Ferri relata danos em áreas de textura mista plantadas no final de fevereiro em Campo Verde. As plantas começaram a secar as folhas do baixeiro e a enrolar justamente no período de pendão, momento em que a cultura mais necessita de água para a formação das espigas.

Ferri projeta que a propriedade tem entre 15% e 30% do potencial produtivo comprometido, destacando que a dependência climática atual transformou a safra em um cenário regionalizado. Em sua análise, “vai ter sorte quem pegar uma manga de chuva aqui ou ali para conseguir salvar as lavouras, mas não vai ser geral essa chuva e também não vai ser todo mundo que vai ter as lavouras salvas”.

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Lavouras localizadas em Primavera do Leste, Rondonópolis, Alto Garças e Alto Taquari também necessitam de precipitações urgentes por estarem em estágios mais jovens e atrasados. O volume pluviométrico diminuiu inclusive nas regiões que registravam bons índices climáticos nas semanas anteriores.

O presidente da Aprosoja-MT, Lucas Costa Beber, ressalta que a entidade acompanha com preocupação o recuo das chuvas nas principais regiões produtoras. Ele salienta que “diminuiu bastante inclusive nos lugares que estava chovendo bem. Diminuiu o volume pluviométrico. Temos uma forte preocupação já que o milho tem segurado um pouco da rentabilidade do produtor rural”.

Diante do cenário adverso, o setor produtivo agora monitora a possibilidade de consolidação do fenômeno El Niño para os próximos meses. O delegado Bruno Tolotti conclui que, diante dos sinais da ciência, cabe ao produtor se precaver “e tentar manter o custo mais baixo possível”.


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