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23 de agosto de 2026

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Como crise no café deu origem ao Instituto Biológico, hoje referência para o agro brasileiro

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Foto: reprodução/Planeta Campo

Biológico se consolidou como uma das principais referências em pesquisa, diagnóstico e inovação voltadas à sanidade animal, vegetal e à proteção ambiental.

Ao longo de quase um século, a instituição ampliou sua atuação e hoje desenvolve tecnologias que ajudam a tornar a produção agropecuária mais eficiente e sustentável.

O Instituto Biológico foi criado em 1927, após uma grave crise que atingiu a cafeicultura paulista na década de 1920. Na época, uma praga ainda desconhecida provocava grandes prejuízos aos cafezais do estado, levando produtores a recorrerem ao governo em busca de soluções.

“Uma praga ou uma doença (eles não sabiam o que era) acometeu os cafezais. Esses produtores foram até o governador pedir ajuda. E o governador então montou uma comissão de pesquisadores, de pessoas da época”, contou a coordenadora do Instituto Biológico, Ana Eugênia de Carvalho Campos.

Essa equipe se reúne e descobre que o problema estava sendo causado por um pequeno besouro. Ana Eugênia explica que a fêmea colocava o ovo no fruto do café e a larva se alimentava, o que depreciava esse fruto.

Na época, pesquisadores identificaram que o inseto era originário da África e desenvolveram uma estratégia pioneira de controle biológico, baseada na introdução de um inimigo natural da praga. De acordo com Ana Eugênia, a iniciativa pode ser considerada um dos primeiros programas de controle biológico conduzidos pelo poder público no Brasil.

A partir desse trabalho, surgiu a necessidade de criar uma instituição permanente para apoiar os produtores rurais diante de novos desafios sanitários. Assim nasceu o Instituto Biológico, que já em seu primeiro ano expandiu as pesquisas para a sanidade animal e, posteriormente, incorporou ações voltadas à proteção ambiental.

Patrimônio científico e histórico

Além da produção científica, o Instituto reúne importantes patrimônios históricos e ambientais. A sede abriga um dos maiores cafezais urbanos do mundo, um acervo entomológico com milhares de insetos (considerado um dos mais antigos e relevantes do estado de São Paulo) e um edifício histórico construído no final da década de 1920.

Pesquisa com formigas busca alternativas sustentáveis

Entre as diversas linhas de pesquisa desenvolvidas atualmente está o estudo das formigas, coordenado por Ana Eugênia. Especialista em insetos sociais, ela dedica sua carreira ao entendimento do comportamento desses organismos e ao desenvolvimento de métodos sustentáveis para o controle de formigas cortadeiras, uma das principais pragas agrícolas.

“As formigas cortadeiras se tornam um problema para o agricultor. Geralmente quase todas as culturas podem ser cortadas pelas formigas cortadeiras. Então, o agricultor tem que ter uma atenção muito grande e nos preocupamos com esse manejo adequado. Temos trabalhado com microrganismos endofíticos (fungos especificamente) no controle de formigas cortadeiras”, destaca.

Formigas
Foto: reprodução/Planeta Campo

Segundo a pesquisadora, existem cerca de 20 mil espécies de formigas no planeta, sendo aproximadamente 2 mil registradas no Brasil. A grande maioria exerce funções essenciais para o equilíbrio ambiental, como ciclagem de nutrientes, incorporação de matéria orgânica ao solo e controle natural de outras populações de insetos.

No entanto, algumas espécies, como as formigas cortadeiras, podem provocar prejuízos em praticamente todas as culturas agrícolas. Por isso, o Instituto desenvolve pesquisas com microrganismos endofíticos, especialmente fungos, como alternativa ao controle químico dessas pragas.

Ciência voltada ao produtor

Atualmente, o Instituto Biológico conta com laboratórios certificados pela norma internacional ISO 17025, que garante a qualidade dos diagnósticos laboratoriais, inclusive para processos ligados à exportação de produtos agropecuários.

Além dos diagnósticos de doenças em plantas e animais, as pesquisas também estão voltadas ao desenvolvimento de bioinsumos, novas biotecnologias e processos que reduzam o impacto ambiental da produção rural.

A atuação da instituição também contempla o monitoramento de resíduos de defensivos agrícolas em alimentos, água, solo e polinizadores, como as abelhas, contribuindo para a segurança alimentar e a preservação dos recursos naturais.

Ao completar quase 100 anos de história, o Instituto Biológico mantém a missão que motivou sua criação: transformar conhecimento científico em soluções para fortalecer a produção agropecuária, proteger o meio ambiente e garantir alimentos cada vez mais seguros para a população.

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BNDES aprova R$ 42,8 milhões para ampliar armazenagem da Coasul no Paraná

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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 42,8 milhões para a Coasul Cooperativa Agroindustrial ampliar a capacidade de armazenagem de grãos no Paraná. O projeto prevê acréscimo de 24 mil toneladas em Laranjal e São João, além da instalação de uma estrutura integrada de atendimento ao produtor rural. Os recursos serão liberados pelo Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA).

Com contrapartida de R$ 803 mil da cooperativa, o investimento total do projeto soma R$ 43,6 milhões. Segundo o BNDES, a iniciativa deve beneficiar a base de 16,7 mil cooperados da Coasul, concentrada no sudoeste paranaense.

Em Laranjal, o plano prevê investimento de R$ 33,7 milhões para a construção de silos com capacidade estática de 12 mil toneladas. A unidade também contará com barracão para armazenagem de insumos e defensivos, área de atendimento ao público, refeitório, moradia para funcionário, cercamento e projeto executivo para um trevo rodoviário de acesso à filial.

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A estrutura em Laranjal também deve abrigar loja de peças e equipamentos para manutenção de máquinas, além da oferta de insumos e assistência técnica aos produtores.

Em São João, o investimento previsto é de R$ 9,9 milhões. O projeto inclui a construção de dois silos de 6 mil toneladas cada, um silo-moega de 780 toneladas, instalações elétricas e a compra de máquina de limpeza de grãos. Com a ampliação, a capacidade total da unidade passará de 135 mil para 147 mil toneladas.

De acordo com o BNDES, as intervenções devem ampliar a autonomia de armazenagem da cooperativa e dar mais fluidez à descarga de caminhões no pico da safra, com redução de gargalos logísticos. Em nota, o presidente do banco, Aloizio Mercadante, afirmou que o projeto contribui para a geração e a distribuição de renda no campo e para a redução do déficit histórico de capacidade de armazenagem.

A operação aprovada pelo BNDES concentra recursos em infraestrutura de silos, recebimento de grãos e atendimento ao cooperado, com expansão da capacidade estática e reforço da estrutura operacional da Coasul em duas unidades no Paraná.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Pesquisadores transformam grãos quebrados de feijão em proteína para bebidas, cappuccino e snacks

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Foto: Mapa

Uma proteína concentrada desenvolvida a partir de grãos quebrados de feijão carioca pode abrir novas possibilidades para o uso da leguminosa pela indústria de alimentos. O ingrediente, criado por pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), em Campinas (SP), apresenta entre 40% e 50% de proteína e contém todos os aminoácidos essenciais ao organismo humano.

A tecnologia utiliza as chamadas “bandinhas”, como são conhecidos os grãos partidos durante o beneficiamento do feijão e que possuem menor valor comercial. A proposta é aproveitar esse coproduto para produzir ingredientes que possam ser utilizados em bebidas, pós instantâneos e snacks, entre outros alimentos.

O trabalho foi desenvolvido por pesquisadores da Plataforma Biotecnológica Integrada de Ingredientes Saudáveis (PBIS), sediada no Ital e criada em 2021 com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Além do aproveitamento de um subproduto da produção agrícola, os pesquisadores apontam que a tecnologia pode ajudar a reduzir a dependência da indústria brasileira de proteínas vegetais de soja ou ervilha, atualmente importadas em grande parte.

“Nosso objetivo foi obter uma proteína de uma fonte vegetal brasileira. Como o Brasil é um grande produtor de feijão carioca, pensamos em transformá-lo em um ingrediente proteico para ser usado pela indústria alimentícia”, explicou Mitie Sonia Sadahira, pesquisadora do Ital e coordenadora do projeto, à Agência Fapesp.

Grãos quebrados ganham nova utilização

O Brasil é o segundo maior produtor mundial de feijão, com produção anual de aproximadamente 3 milhões de toneladas. A variedade carioca responde por cerca de 54% desse volume.

Durante o beneficiamento, entre 1% e 5% dos grãos acabam quebrados e perdem valor comercial. Foi justamente esse material que chamou a atenção dos pesquisadores.

“Tivemos a ideia de agregar valor a esse coproduto”, afirmou Isabela Emiliorelli, pesquisadora do Ital e participante do projeto.

Para transformar os grãos em ingredientes, a equipe utiliza uma técnica conhecida como fracionamento a seco. O método não utiliza solventes e demanda menos água e energia do que processos convencionais de extração úmida.

O feijão é inicialmente moído e transformado em farinha integral. Em seguida, um processo de separação mecânica divide o produto em duas partes: uma fração rica em amido e outra com maior concentração de proteína.

Dessa forma, uma única matéria-prima permite a obtenção de dois ingredientes que podem ser aproveitados pela indústria.

Proteína tem todos os aminoácidos essenciais

A fração proteica desenvolvida pelos pesquisadores alcançou concentração entre 40% e 50% de proteína.

As análises também mostraram que o ingrediente apresenta todos os aminoácidos essenciais ao organismo humano e supera as metas do padrão de referência estabelecido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Segundo os pesquisadores, essa característica diferencia o produto de outras fontes vegetais que podem precisar ser combinadas com proteínas de cereais para complementar seu perfil de aminoácidos.

“Normalmente, as proteínas vegetais apresentam um ou dois aminoácidos essenciais a menos [que o necessário] e, por isso, precisam ser complementadas com uma proteína de cereal. Na farinha que obtivemos, isso não aconteceu”, explicou Sadahira.

Processo reduz fatores antinutricionais em até 95%

Outro resultado do estudo foi a redução de até 95% dos chamados fatores antinutricionais naturalmente encontrados no feijão.

Entre eles estão fitatos, inibidores de protease, taninos, lectinas e oligossacarídeos, substâncias que podem dificultar a absorção de nutrientes e provocar desconforto digestivo.

Para alcançar o resultado, os pesquisadores aplicaram métodos de pré-tratamento térmico antes da moagem dos grãos.

Com a combinação desse tratamento e do fracionamento, o ingrediente alcançou digestibilidade superior a 60%.

O procedimento também ajudou a reduzir características que poderiam limitar o uso do feijão como ingrediente industrial, como o sabor residual associado à leguminosa e a coloração escura.

Segundo a equipe, a proteína obtida apresenta sabor neutro e coloração clara, características que facilitam sua incorporação em diferentes alimentos.

Proteína de feijão é testada em bebidas e cappuccino

Os pesquisadores desenvolveram produtos para demonstrar as possibilidades de aplicação do novo ingrediente.

A fração proteica foi utilizada na elaboração de um pó instantâneo para cappuccino sem açúcar, com 5 gramas de proteína por porção.

O ingrediente também foi combinado com frutas tropicais, como manga e maracujá, para a produção de pós instantâneos posteriormente utilizados em bebidas vegetais fermentadas e saborizadas, sem necessidade de aromas ou corantes artificiais.

A parte rica em amido, que ainda mantém entre 10% e 20% de proteína, também foi aproveitada. Os pesquisadores desenvolveram snacks nas versões neutra, salgada e doce. Uma das formulações utiliza pó de manga desidratada enriquecido com 8% de proteína.

Tecnologia chega à fase de testes industriais

A proposta é oferecer ao mercado tanto a tecnologia para obtenção da proteína quanto as possibilidades de aplicação em alimentos por meio de pacotes tecnológicos.

A PBIS reúne, além do Ital, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), nove empresas do setor de alimentos e a Fundação Shunji Nishimura de Tecnologia.

Em quatro anos e meio de operação, a plataforma desenvolveu mais de 30 ingredientes alimentícios e mais de 20 processos industriais.

No caso da proteína de feijão carioca, a tecnologia já passa por testes de processamento em escala industrial conduzidos pela SL Alimentos, uma das empresas participantes do projeto.

Segundo Gisele Anne Camargo, gestora executiva e pesquisadora principal da PBIS, a tecnologia alcançou os níveis 5 e 6 na escala TRL (Technology Readiness Level), que mede a maturidade tecnológica de uma solução em uma escala de 1 a 9.

A partir dessa etapa, o avanço da proteína de feijão carioca até os alimentos disponíveis aos consumidores dependerá do interesse e das próximas etapas de desenvolvimento conduzidas pela indústria.

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Quem vai plantar o feijão de amanhã? Tema precisa ser central no próximo governo

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Foto: Pixabay

Todos querem encontrar feijão de qualidade e a preço acessível. Mas poucos se perguntam se o produtor terá segurança para plantar a próxima safra.

Essa questão deveria estar no centro da agenda do próximo governo. Produzido em grande parte por pequenos e médios agricultores, o feijão está presente nas regiões, mas quem o cultiva enfrenta custos elevados, riscos climáticos, oscilações de preços e margens apertadas.

O Brasil precisa de uma política nacional para o feijão, com continuidade e visão de longo prazo, integrando crédito, seguro, pesquisa, assistência técnica, armazenagem, inteligência de mercado, compras públicas, consumo e abertura de mercados. Afinal, sem segurança para quem planta, não existe segurança alimentar para quem consome.

O produtor assume o risco, mas não controla o preço Os custos de produção permanecem elevados. Ao mesmo tempo, o feijão é sensível tanto à seca quanto ao excesso de chuva, especialmente durante a colheita.

Um dos maiores gargalos está na falta de previsibilidade comercial. O agricultor decide plantar sem saber qual será o preço na colheita. Quando há redução da oferta, os preços podem subir, mas quem perdeu produção não possui volume para aproveitar a valorização. Quando há boa safra, os preços podem cair rapidamente e comprometer a renda.

A falta de armazenagem agrava o problema. Muitos agricultores precisam vender quando a oferta é maior e os preços estão pressionados. Sem rentabilidade, não existe segurança alimentar duradoura: preços artificialmente baixos desestimulam o próximo plantio.

Crédito, seguro e proteção de renda

Pronaf e Pronamp são fundamentais, mas anunciar recursos não é suficiente. O crédito precisa estar disponível, chegar no momento correto e ter condições compatíveis com a cultura. Além do custeio, é necessário financiar irrigação, reservação de água, armazenagem, secagem, beneficiamento, energia, máquinas e tecnologias de redução de risco.

Pequenos e médios produtores precisam de apoio para elaborar projetos. O seguro rural, por sua vez, deve ter orçamento previsível, cobertura ampliada, valores atualizados e indenizações ágeis.

Precisamos proteger a renda. O seguro agrícola cobre principalmente perdas físicas causadas pelo clima, mas não resolve uma queda severa dos preços. O produtor necessita de instrumentos que combinem proteção da produção e da receita, além de preços mínimos atualizados e operacionais.

Adaptação climática permanente

Seca, calor excessivo e chuvas intensas já fazem parte da realidade do campo. É preciso atualizar o Zoneamento Agrícola de Risco Climático, melhorar as previsões regionais e financiar conservação do solo, irrigação, reservação de água, drenagem, secagem e cultivares mais tolerantes.

Não existe uma solução única para todo o feijão brasileiro. Pesquisa, crédito, seguro e assistência técnica devem considerar cada região e perfil de produtor, reconhecendo quem reduz riscos sem impor exigências inviáveis aos agricultores de menor porte.

Tecnologia precisa chegar à propriedade

O Brasil possui conhecimento para elevar a produtividade, mas muitas soluções não chegam às propriedades ou não se adaptam à escala dos pequenos e médios produtores. É preciso fortalecer pesquisa, extensão rural, unidades demonstrativas e programas coletivos.

Por meio de cooperativas e associações, máquinas, armazenagem, classificação e agricultura de precisão podem ser compartilhadas. Produtividade deve significar também estabilidade, qualidade, eficiência e renda líquida.

O produtor precisa de informações confiáveis sobre área plantada, estoques, qualidade, preços e consumo. Também precisamos avançar na classificação comercial, rastreabilidade, armazenagem regional, comercialização coletiva, contratos equilibrados e integração entre os elos da cadeia.

As compras públicas oferecem oportunidades, especialmente para a agricultura familiar, mas não representam contratos garantidos. Desde 2026, pelo menos 45% dos recursos federais repassados ao PNAE devem ser destinados à aquisição de alimentos da agricultura familiar.

Para aproveitar essa abertura, produtores e organizações precisam estar preparados para as chamadas públicas, com documentação, qualidade, logística e regularidade de entrega. Dentro das regras aplicáveis, os cardápios institucionais também podem estimular Feijões regenerativos, aproximando segurança alimentar, agricultura familiar e recuperação do solo.

Consumo, inovação e novos mercados

O feijão precisa ser reposicionado como alimento contemporâneo, nutritivo, sustentável e alinhado à procura por proteínas vegetais. Há espaço para produtos prontos, porções individuais, farinhas e ingredientes.

Essa inovação não pode ser penalizada. É necessário preservar o benefício fiscal da cesta básica para apresentações práticas de feijão que mantenham sua natureza essencial e seu valor nutricional.

Também devemos valorizar os feijões carioca, preto, caupi, vermelho, branco, rajado e as variedades regionais. Origem, identidade territorial, rastreabilidade e agricultura regenerativa podem gerar valor.

Campanhas como o Viva Feijão devem aproximar o alimento das novas gerações, combinando nutrição, praticidade e cultura alimentar.

No exterior, a exportação não pode ser apenas uma saída para excedentes. Conquistar mercados exige estratégia, protocolos sanitários, promoção e regularidade de oferta. O Brasil pode exportar grãos, ingredientes e produtos de maior valor agregado.

Do gerenciamento de crises à construção do futuro

Pronaf, Pronamp, Proagro, Seguro Rural, Política de Garantia de Preços Mínimos, PAA, PNAE, pesquisa e assistência técnica devem ser fortalecidos. Precisam ser revistos preços mínimos desatualizados, interrupções no orçamento do seguro, burocracia e baixa capilaridade da assistência técnica.

O setor pede condições justas para competir, administrar riscos e investir. O governo deve aproveitar a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Feijão do Mapa e implementar o Movimento Pró-Feijão com metas, responsabilidades e acompanhamento.

O Brasil precisa deixar de administrar crises periódicas e construir uma cadeia do feijão organizada e inovadora, capaz de gerar renda, aumentar o consumo, abastecer a população com preço justo e conquistar mercados. Valorizar o feijão é valorizar quem produz, proteger a segurança alimentar e reconhecer um dos alimentos mais importantes da identidade brasileira.

*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional


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