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14 de agosto de 2026

Agro Mato Grosso

Duas cultivares da Embrapa são resistentes às doenças mais graves do mundo das bananeiras

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O Brasil é o único país das Américas preparado para enfrentar a forma mais grave da murcha de Fusarium, uma raça 4 tropical (R4T). A confirmação veio de pesquisa da Embrapa realizada na Colômbia que comprovou a resistência das cultivares BRS Princesa e BRS Platina a esse patógeno. A descoberta abre um caminho para o uso dessas variedades como barreiras naturais contra a propagação da doença em escala global. Endêmica em todas as regiões produtoras de banana, a murcha de Fusarium provoca prejuízos bilionários, ao contaminar colheitas e impor restrições às exportações.

O fungo causador da murcha de Fusarium – Fusarium oxysporum f. sp. cubense (Foc), que também ocorre em 17 países da Ásia, África e Oceania, é disseminado por solo contaminado a partir de sapatos e ferramentas, mudas de bananeira (visualmente sadias, mas infectadas) e plantas ornamentais hospedeiras. Antes conhecida como mal-do-Panamá, a raça 4 Tropical ainda não chegou ao Brasil, mas está presente nos vizinhos Colômbia (identificada em 2019), Peru (2020) e Venezuela (2023). Todas essas nações fazem fronteira com o Brasil, o que deixa a bananicultura nacional em permanente estado de atenção e com risco iminente da entrada dessa raça em solo brasileiro.

A BRS Princesa e a BRS Platina e diploides melhorados (parentes ancestrais das variedades atuais e que são utilizados no melhoramento da espécie) passaram por testes na Corporação Colombiana de Pesquisa Agropecuária (AgroSavia). Elas ficaram ao lado das bananeiras Williams, cultivares-testemunhas altamente suscetíveis do grupo Cavendish (Nanica), que é a variedade mais consumida globalmente. O experimento foi realizado em um lugar bastante representativo: a primeira fazenda em que foi identificada a raça 4 tropical em toda a Colômbia, em área cedida pelo proprietário para as pesquisas, com a vigilância do Instituto Agropecuário Colombiano ( ICA ).

Cultivares foram testadas em áreas infectadas na Colômbia

As primeiras mudanças in vitro chegaram ao País em janeiro de 2022 e foram para a estação quarentenária do ICA, onde especificamente por oito meses para confirmar a ausência de fungos, bactérias, vírus e nematoides exóticos. Depois da quarentena, foi feita a inoculação do patógeno nas plantas em casa de vegetação e, em seguida, as mudas seguiram para testes em tanques de água com solo contaminado com a doença. “Quando eram maiores, a BRS Princesa e a BRS Platina passaram para o campo, em área que já tinha a doença”, relata Mónica Betancourt, pesquisadora sênior da AgroSavia. Ela é a responsável da Corporação no convênio com a Embrapa e a Associação de Bananicultores da Colômbia ( Augura ) e líder da equipe de pesquisa. A Augura também apoia financeiramente o projeto, que se encontra na sua primeira fase (de 2021 a 2026).

Betancourt explica que, na Colômbia, foram instalados quatro ciclos de produção. O terceiro comprovou que menos de 1% da BRS Princesa e da BRS Platina foi afetado. De 5% a 8% significaria alto risco. “Por isso, consideramos que são resistentes”, destaca. Os testes de produtividade ainda não estão concluídos porque não é possível comparar com variedades dos mesmos tipos, uma vez que a Colômbia não planta as bananas Prata e a Maçã, que praticamente desapareceram por causa da murcha de Fusarium. Segundo um pesquisadora, também foram introduzidos diploides como base de um programa de melhoramento genético na Colômbia. “Seria uma réplica do programa da Embrapa, mas para Cavendish”, conta.

De acordo com o pesquisador Edson Perito Amorim , líder do Programa de Melhoramento Genético de Banana e Plátano da Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA), dentro da estratégia de melhoramento preventivo, a parceria com a Colômbia foi extremamente importante porque o material genético brasileiro foi testado em outro país, onde a doença está presente. Com isso, foi possível fechar o ciclo do melhoramento. “Enviamos três híbridos comerciais desenvolvidos pelo programa e eles foram 100% eficientes, sendo que um vai ser lançado em 2026”, informa.

Entre o material enviado, estavam também compostos da cultivar Cavendish Grande Naine que apresentou resistência à murcha de Fusarium raça subtropical 4 no Brasil e tem potencial para também possuir resistência à raça 4 tropical, indica Janay Almeida dos Santos-Serejo , pesquisadora da Embrapa. “Esperamos identificar ao menos um somaclone com resistência à raça 4 tropical”, revela Santos-Serejo ao dizer que os resultados devem sair no próximo ano. Somaclones são lesões naturais causadas in vitro.

“O grande desafio não é desenvolver a resistência, mas agradar ao produtor e ao consumidor, aliando qualidade, produtividade e sabor”, afirma Amorim. Ele conta que após 40 anos, foram obtidos materiais melhorados muito superiores ao passado e lembra que o trabalho envolveu inoculação para selecionar material, uso de biotecnologia, os estudos moleculares e o conhecimento de genética de Fusarium que foi obtido pela própria Embrapa.

Testes de laboratório já indicaram que as variedades poderiam ser resistentes. “Alguns marcadores moleculares para a resistência à raça 4 também apareciam nos nossos genótipos, mas só se conseguem comprovar fazer uma inoculação artificial com o patógeno”, relata o fitopatologista da Embrapa Fernando Haddad , que lidera as pesquisas com Fusarium. De acordo com ele, não foi um acaso: “Nosso programa de melhoramento sempre focou na resistência ao Fusarium, desde que foi liderado por Sebastião Silva com o apoio de Zilton Cordeiro [pesquisadores aposentados], mas só tivemos oportunidade de testar para a raça 4 agora”.

Vigilância total

“Há alguns anos, o Ministério da Agricultura priorizou essa praga no sistema de vigilância oficial [o Programa Nacional de Prevenção e Vigilância de Pragas Quarentenárias Ausentes] para evitar a sua chegada nacional e, caso ela chegue, atuar com a maior agilidade possível para minimizar seus impactos. Esse trabalho é realizado para dar tempo para a pesquisa produzir resultados. E eles chegaram”, comemora o auditor fiscal federal Agropecuário Ricardo Hilman, gestor da Coordenação de Controle de Pragas do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas do Mapa.

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Planta infectada com mancha de Fusarium R4T. Foto : Fernando Haddad

Apesar da resistência, o representante do Mapa alerta sobre os cuidados para evitar a doença. “O produtor não pode baixar a guarda, assim como a vigilância fitossanitária vai manter as atividades e ações preventivas. Queremos que a praga demore o máximo de tempo possível para chegar porque sempre causa algum impacto. É importante que o produtor faça a sua parte, preservando os cuidados com material de propagação, pessoas que entram na propriedade e ferramentas, equipamentos, tratores usados ​​etc.”

As ações de vigilância são realizadas pelo Ministério, Superintendências Federais de Agricultura e órgãos estaduais de defesa sanitária. São ações individuais, às vezes conjuntas e às vezes complementares, que vão de normas internacionais de importação de material de propagação até a vigilância em portos, aeroportos e fronteiras, treinamentos de equipes e simulados e suporte de laboratório para detecção precoce.

“Um exemplo é o sistema de levantamento fitossanitário nas possíveis áreas de entrada do fungo, desenvolvido em conjunto com a Embrapa Territorial (SP), que reúne informações sobre possíveis rotas de chegada em função da presença nos países vizinhos, rotas de trânsito e fluxo de pessoas e de inteligência”, conta Hilman. Ministério e Embrapa estão em fase de reestruturação do plano de contingência: “Antes havia um protocolo de erradicação que segue normas internacionais. Podemos sugerir que os novos plantios sejam de material resistente”, completa Haddad.

Alívio para os produtores

Para Augusto Aranha, presidente da Associação dos Bananicultores do Vale do Ribeira ( Abavar ) e responsável pela produção de bananas da empresa Trop Sabor , a notícia vem como um comentário para os agricultores do maior polo nacional de cultivo da fruta. “No caso de uma possível chegada da R4T, talvez o Vale seja a região mais vulnerável do País, por conta da BR [116] que cruza toda a área e porque cursos d’água poderiam se tornar veículos de distribuição. Ter variedades resistentes nos dá tranquilidade de saber que, plantando a BRS Princesa e a BRS Platina, nós podemos produzir, já que por enquanto ainda não temos oficialmente nada confirmado em relação à resistência de Cavendish [o tipo mais plantado no Vale]”, afirma.

A preocupação da Abavar é proporcional à força da bananicultura na região, pois a fruta representa mais de 70% da economia local, com 30 mil hectares plantados. “A R4T é uma doença que poderia dizimar a bananicultura e causar um enorme impacto no Vale. O que se iria produzir? Além disso, áreas poderiam ser interditadas, entrar em quarentena e nem ser agricultáveis ​​a curto prazo. Seria terrível. Apesar das variedades, não podemos abandonar a biossegurança nem a questão fitossanitária. Se a doença entrar de forma severa, que não é possível mais a produção, até que se tenha banana das novas variedades, deve-se levar de três a cinco anos. Como existem outras Produtos regionais e se podem importar, essa janela de tempo pode afetar a economia do Vale e fazer com que perca a vocação para a fruta”, considera Aranha.

Em setembro de 2020, os supermercados da capital paulista receberam frutos da BRS Princesa da TropSabor para liquidação. “Fizemos um trabalho de marketing em conjunto com a Embrapa para o consumidor conhecer uma variedade, que ficou muito bem posicionada. Poucos percebemos diferenças entre ela e o original. Além disso, se consegue vir a partir de um determinado estágio de maturação enquanto um original não na mesma localização”, explica. Hoje, o TropSabor tem 200 hectares de banana, sendo 25 de BRS Princesa e 20 de BRS Platina.

Parcerias latino-americanas para salvar as bananas

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Banana BRS Princesa, da Embrapa, resistente à parede de Fusarium R4T. Foto: Edson Amorim

Além da AgroSavia, a Embrapa conduz trabalhos com a Corporação Bananeira Nacional ( Corbana ), da Costa Rica, que investe recursos nas pesquisas com Cavendish. Amorim informa que, pela dificuldade de desenvolver sementes de Cavendish para classificações, o custo é alto. “Enquanto, em média, se produz uma semente para um cacho inteiro de Prata, para Nanica é uma semente para cada 500 cachos. Fazemos melhoramento de banana Prata hoje com 400 plantas na Embrapa”, detalha.

Na Corbana, a empresa brasileira mantém cinco hectares de Cavendish com duas mil plantas por hectare, o que totaliza dez mil plantas. Amorim informa que a parceria com a Corbana acabou em 25 novos híbridos. Todos serão avaliados no campo quanto à qualidade dos cachos e dos frutos. Com a AgroSavia, a Embrapa desenvolveu outros três híbridos.

O pesquisador conta que os materiais usados ​​para a obtenção dos híbridos são resistentes à raça 4 tropical da murcha de Fusarium. “Com isso, é possível que alguns desses híbridos desenvolvidos de Cavendish também possuíssem resistência a essa doença terrível. Esperamos ter essa resposta em breve”, conta o cientista.

No Brasil, a avaliação agronômica da nova variedade do tipo Prata a ser lançada em 2026 acontece no norte de Minas Gerais, outra grande região produtora, e é vencida por Haddad, com participação de Leandro Rocha e Alberto Vilarinhos , respectivamente analista e pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura. O trabalho é realizado em parceria com os grupos Brasnica, Borborema, Loschi e Marcos Ribeiro, o que otimiza os ajustes pós-colheita, em especial a climatização de uma nova variedade, e acelera a validação comercial.

BRS Princesa na Ceagesp

“Apesar do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ( IBGE ) não classifica a produção brasileira de banana por variedade, estima-se que 55% seja de banana Prata e 10% do tipo Maçã”, comenta Amorim. Na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo ( Ceagesp ), a maior rede de entrepostos brasileiros, poucos distribuidores especificam a variedade nas notas fiscais. “Ela aparece como banana Maçã, mas praticamente é tudo BRS Princesa”, afirma Gabriel Bitencourt, chefe da seção do Centro de Qualidade Hortigranjeira da Ceagesp.

Alinhamento ao ODS

O Programa de Melhoramento Genético de Banana e Plátano da Embrapa está alinhado ao compromisso da Embrapa com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), agenda mundial imposta durante a Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, em 2015, com a missão de construir e implementar políticas públicas que visam guiar a humanidade até 2030 (Agenda 2030). Atende, inicialmente, ao Objetivo número 2 “Fome zero e agricultura sustentável”, que consiste em erradicar a fome, alcançar a segurança alimentar, melhorar a nutrição e promover a agricultura sustentável.

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Trabalhador morre após perder controle de trator em fazenda MT

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Um homem identificado pelas iniciais C.S morreu ao ser arremessado do trator que conduzia na tarde dessa quinta-feira (13), em uma propriedade rural na região de Nova Marilândia (392 km a médio-norte de Cuiabá).

Conforme o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi acionada às 14h11 para atender um chamado de acidente de trabalho.

No local, testemunhas relataram que a vítima conduzia um trator que puxava uma caçamba com uma pequena quantidade de terra quando teria perdido o controle do veículo e batido em uma cerca.

Com o impacto, a vítima foi arremessada e caiu desmaiada. Uma ambulância foi acionada e constatou a morte dele ainda no local. De acordo com pessoas que conheciam a vítima, ele vinha apresentando episódios de desmaio nos últimos meses.

Por isso, foi levantada a possibilidade de que um desses episódios tenha contribuído para a perda de controle do veículo. A informação, porém, será investigada.

O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para exame de necropsia e posteriormente liberado para procedimentos fúnebres.

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VÍDEO: capivara é flagrada nadando em rio de águas cristalinas em MT

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Uma capivara foi flagrada nadando em meio às águas cristalinas de um rio em Nobres, a cerca de 120 km de Cuiabá. A cena foi registrada pelo guia de turismo Bruno Antônio da Silva, de 34 anos, durante um passeio no Reino Encantado Ecoturismo (assista Abaixo).

Morador da região, Bruno trabalha como guia há mais de 13 anos. Ele disse que está acostumado a observar a natureza, mas que o encontro com a capivara foi especial.

Cena foi registrada pelo guia de turismo Bruno Antônio, de 34 anos, durante um passeio no Reino Encantado Ecoturismo, em Nobres — Foto: Reprodução

“Primeiro fico impressionado com a beleza do animal, o jeito que ele nada e bem pertinho. Uma emoção muito boa. Depois fico muito feliz que me rendeu uma imagem rara”, contou.

No vídeo, o animal aparece nadando tranquilamente pelas águas transparentes, cercado pela vegetação preservada. A proximidade da capivara com o local onde o guia estava tornou o registro ainda mais especial.

“Gosto muito de fazer vídeos diferentes, raros”, disse Bruno.

VEJA VIDEO:

Paraíso do ecoturismo

Conhecido pelas águas cristalinas, Nobres é um dos principais destinos de ecoturismo de Mato Grosso. O município reúne rios de águas transparentes, nascentes, cachoeiras e áreas de vegetação preservada. A transparência da água permite observar a vida aquática durante os passeios de flutuação, enquanto animais silvestres podem ser encontrados em diferentes pontos da região.

A presença da capivara no rio reforça a riqueza da fauna local e transforma um passeio de ecoturismo em um encontro inesperado com a natureza.

Para quem visita Nobres, cenas como essa mostram que o espetáculo não está apenas dentro da água. Às vezes, ele aparece nadando tranquilamente bem diante dos olhos dos visitantes.

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Cartilha de manejo integrado do fogo da Aprosoja MT orienta prevenção no campo

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Guia construído em parceria com o Corpo de Bombeiros reúne orientações técnicas para proteger a lavoura, o patrimônio e a segurança jurídica do produtor

Aceiros, limpeza de máquinas, caminhão-pipa a postos e equipe preparada para agir aos primeiros sinais de fumaça são práticas conhecidas de quem vive no campo durante o período de estiagem. A Cartilha de Manejo Integrado do Fogo, elaborada pela Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja MT) em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar do Estado (CBMMT), organiza em um único documento o que o produtor precisa fazer para reduzir o risco de princípios de incêndio, dificultar a propagação das chamas e se adequar à Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, instituída pela Lei nº 14.944/2024.

A Cartilha também atende às regras exigidas pelo Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo (COMIF), que passou a fixar obrigações de prevenção, na prática, a propriedade precisa demonstrar preparo mínimo para prevenir, comunicar e responder a ocorrências. Esses deveres foram detalhados pela Resolução COMIF nº 3/2025, em vigor desde 8 de setembro de 2025, e os produtores têm até 8 de setembro de 2027 para se adequar. Além disso, antes de qualquer punição, o órgão ambiental deve notificar e conceder 30 dias para correção. As exigências variam conforme o porte do imóvel, medido em módulos fiscais.

As sanções também endureceram. O Decreto nº 12.189/2024 triplicou a multa pelo uso de fogo sem autorização em áreas agropastoris, que passou de R$1 mil para R$3 mil por hectare ou fração, e reforçou a responsabilização por falhas de prevenção. É esse conjunto que transforma a organização da fazenda em resguardo jurídico, e é o que a cartilha traduz com ilustrações e linguagem simples.

A publicação integra a campanha “Desinformação é fogo”, realizada pela Aprosoja MT desde 2023, para orientar produtores e conscientizar a sociedade sobre os riscos das queimadas. O argumento é direto: o agricultor é o primeiro interessado em manter o fogo longe da lavoura, porque é quem mais perde com ele.  “O planejamento está no dia a dia do produtor há muitos anos. Começa no plantio, passa pelo manejo e, depois da colheita, quando a área entra em pousio na seca, vem o planejamento de proteção. O fogo destrói a natureza, as lavouras e, às vezes, os maquinários, um prejuízo gigantesco. Por isso, prevenir e ter um plano para o primeiro combate faz parte da própria sobrevivência financeira do produtor”, afirma o diretor financeiro e vice-coordenador de Sustentabilidade da Aprosoja MT, Nathan Belusso.

As quatro frentes de proteção – A cartilha organiza as medidas protetivas em quatro frentes, apresentadas com dicas práticas. A primeira são os aceiros, faixas de terreno mantidas livres de vegetação que funcionam como barreira física contra a propagação do fogo, sobretudo nas divisas, junto às Reservas Legais e às Áreas de Preservação Permanente. O material distingue três tipos: preventivos, emergenciais e de segurança, cada um com função específica antes, durante e depois de uma ocorrência.

A segunda são os cuidados preventivos com o maquinário. Máquinas sujas, superaquecidas ou operando em condições inadequadas aumentam o risco de início do fogo. Na estiagem, a limpeza frequente de colhedoras e tratores, a atenção a fagulhas e ao superaquecimento e a escolha criteriosa dos horários de colheita reduzem a chance de que a própria operação provoque as chamas.

Em seguida, são apresentadas as estruturas de apoio: fontes de água acessíveis e sinalizadas, equipamentos básicos de combate em boas condições, EPIs para a equipe e, conforme o porte da propriedade, caminhão-pipa, reservatórios, abafadores, bombas costais, comunicação e primeiros socorros. Sem esses recursos, a resposta inicial fica comprometida.

Por último, as técnicas de monitoramento. Uma propriedade preparada mantém comunicação rápida, responsável definido e acompanhamento constante no período crítico: de listas de contato e rádio a drones, pontos de observação e monitoramento de focos de calor.

Prevenção começa em janeiro – Para o Coronel da Reserva do CBMMT, Aluísio Metelo Junior, a nova legislação exige antecipação. “O primeiro erro é a falta de planejamento. O produtor já fazia ações preventivas, mas a Lei do Manejo Integrado do Fogo mudou uma coisa: agora ele precisa provar isso antecipadamente. Antes não havia essa obrigatoriedade, e foi o COMIF que passou a ditar as regras de prevenção”, afirma. O oficial defende tratar o tema como calendário, e não como emergência.

“A prevenção precisa começar em janeiro, mês a mês, para que, quando chegar a estiagem, esteja tudo executado”, diz. Ele acrescenta que as campanhas educativas cumprem papel duplo: enquanto as novas gerações aprendem, as mais tradicionais assimilam novas práticas”.

O coronel lembra ainda que, em terras arrendadas, a responsabilidade é compartilhada: cabe ao proprietário cobrar do arrendatário o cumprimento das exigências legais, com os dois cientes das medidas. Ele situa o Estado como referência. “Todos os estados aprenderam com Mato Grosso a gestão de incêndios florestais. As entidades e associações são cada vez mais importantes nesse processo: quanto mais colaboram entre si e levam novidades ao produtor, mais perto se chega de um futuro sustentável e da redução dos incêndios”, avalia. A síntese, para ele, é uma só: o incêndio acontece onde a prevenção falha.

Da prevenção ao resguardo legal – A cartilha fecha o ciclo ao orientar o registro das medidas. Fotografias de aceiros, APPs, Reservas Legais, cercas, equipamentos e EPIs, com data e organização, servem tanto à gestão interna quanto à comprovação de boas práticas em eventual fiscalização ou apuração.

Em caso de ocorrência, o material recomenda acionar o Corpo de Bombeiros (193), registrar o evento, formalizar boletim de ocorrência, providenciar ata notarial e solicitar perícia técnica, cadeia de evidências que protege o produtor juridicamente. Prevenir, nesse arranjo, é ao mesmo tempo defender a produção e resguardar quem produz.

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