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Mato Grosso aposta em floresta plantada para sustentar industrialização

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Mato Grosso tem mirado em uma nova fronteira de crescimento: a floresta plantada. O setor que ainda é baixo frente ao protagonismo de grãos e carne, ganha destaque no Florestar 2025. O recado dos debates é que a industrialização do estado dependerá de um insumo pouco explorado até aqui, a biomassa florestal, para sustentar o avanço de indústrias de etanol de milho, energia e agro-processamento.

“Não dá para falar de carvão em Mato Grosso. Nosso compromisso é com a produção sustentável”, disse Linacis Lisboa, secretária-adjunta de Agronegócios, Crédito e Energia da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso (Sedec-MT). 

Segundo ela, a estratégia estadual se ancora em quatro linhas: ampliação da produção, diversificação de culturas, conservação por meio do reflorestamento e práticas sustentáveis, além da agroindustrialização.

Os números dão sustentação ao discurso. O etanol de milho transformou a economia de Mato Grosso. Com 5,4 bilhões de litros produzidos em 2024/25, 69% de toda a oferta nacional, o setor já é o motor da industrialização local. 

A meta é dobrar esse volume até 2030/31, mas isso exigirá matéria-prima extra: milho, de um lado, e biomassa florestal, de outro. 

O governo do estado lançou recentemente uma campanha para consolidar o estado como novo pólo florestal do Brasil. O diferencial competitivo está no ciclo rápido de produção: enquanto em outras regiões o tempo de colheita chega a 14 anos, no estado o prazo médio é de sete. 

“Temos condições climáticas únicas e uma demanda crescente da agroindústria. Esses são bons problemas: expansão, abertura de mercados e novas oportunidades”, resumiu Lisboa.

Entre as frentes em curso, destacam-se a expansão do plantio de teca em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), estudos de adaptação de clones de eucalipto em seis municípios e o mapeamento das florestas plantadas. 

O início do cadastramento realizado em 2024 criou uma base inédita sobre a silvicultura local, ferramenta vista como chave para calibrar políticas de crédito e defesa florestal. 

O desafio, contudo, é o financiamento. Os valores arrecadados pelo fundo de desenvolvimento florestal, abastecido pela taxa de reposição, ainda são considerados insuficientes para atender à demanda de expansão. Uma alternativa em debate é a linha FCO Verde, subsidiada pelo Plano Safra. 

Mas a linha perdeu atratividade com a alta do custo de capital. Atualmente, a taxa já chega a 8,5% ao ano, em um momento em que o crédito para o agronegócio se mostra cada vez mais restritivo.

As ações estão ancoradas no Plano de Desenvolvimento Econômico Sustentável (PDEF-MT), lei criada em 2021 que direciona recursos da taxa de reposição florestal. O fundo é gerido pelo conselho do Desenvolve Floresta, que reúne governo, entidades e setor privado para financiar projetos, debater boas práticas e modelar linhas de crédito específicas.

Na leitura da Sedec-MT, a biomassa é o elo que dará sustentação à agroindustrialização mato-grossense. O desafio, agora, é transformar as intenções em ativos escaláveis, sem romper o compromisso com sustentabilidade, um dos pontos mais cobrados por investidores e clientes internacionais.


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Turquia abre mercado para a castanha-do-Brasil, informa Mapa

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Foto: Ronaldo Rosa

A Turquia passará a importar castanha-do-Brasil com e sem casca, informou nesta terça-feira (3) o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

A pasta destaca que o produto é internacionalmente reconhecido por seu valor nutricional e extraído de forma sustentável por comunidades tradicionais.

“A exportação desse produto para o mercado turco promoverá geração de renda e desenvolvimento regional, contribuindo para a conservação da floresta em pé”, diz o Ministério.

Em 2025, a Turquia, país de aproximadamente 87 milhões de habitantes, importou mais de US$ 3,2 bilhões em produtos agropecuários brasileiros, com destaque para produtos do complexo soja, café, fibras e produtos têxteis.

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Empresas brasileiras que participaram da Gulfood 2026 esperam US$ 1,4 bi em negócios

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Foto: Divulgação ABPA

As empresas brasileiras que participaram da Gulfood 2026, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, esperam que os contatos e acordos realizados durante o evento deverão gerar US$ 1,4 bilhão em negócios ao longo dos próximos 12 meses.

A projeção foi divulgada em nota pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) que, juntamente com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), levou 21 agroindústrias nacionais à feira, encerrada na última sexta-feira (30 de janeiro).

Segundo a entidade, apenas durante os cinco dias de Gulfood, os negócios efetivamente realizados somaram US$ 131,4 milhões, números que, para a ABPA, reforçam o papel da feira como a principal vitrine global para o mercado halal e para destinos estratégicos do Oriente Médio, Ásia e África.

De acordo com a ABPA, as empresas brasileiras que foram ao evento contaram com um espaço exclusivo de mais de 430 metros quadrados dedicado à realização de negócios, relacionamento institucional e promoção da proteína animal brasileira.

A ação também contou com uma área central de degustação, onde foram servidos shawarma de carne de frango e de pato, além de omeletes, com o objetivo de reforçar junto aos visitantes a qualidade, a versatilidade e o sabor diferenciado dos produtos brasileiros. A entidade destaca que ao longo dos dias de feira, foram servidos cerca de 6.500 shawarmas e de 1.000 omeletes.

Atualmente, o Brasil é o maior exportador mundial de carne de frango produzida segundo os preceitos islâmicos e mantém posição de destaque como fornecedor confiável para países muçulmanos, atendendo exigências sanitárias, religiosas e de rastreabilidade.

“Os resultados alcançados na Gulfood 2026 refletem a confiança do mercado internacional na proteína animal brasileira. A feira é um espaço estratégico para consolidar parcerias, ampliar o diálogo com importadores e reforçar a imagem do Brasil como fornecedor seguro, previsível e alinhado às exigências dos mercados halal”, avalia o presidente da ABPA, Ricardo Santin.

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Nova portaria do Mapa consolida regras sobre fiscalização agropecuária de bagagens

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Cão farejador contribui para evitar a entrada de pragas e doenças por meio de alimentos e outros produtos – Foto: Antônio Araújo/ Ministério da Agricultura

A Portaria nº 872/2025, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), entra em vigor nesta quarta-feira (4) e consolida em um único regulamento as regras já existentes para a fiscalização agropecuária de bagagens de viajantes que chegam ao país com alimentos, sementes e outros produtos agropecuários.

Na avaliação do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), a medida amplia a transparência para a sociedade e fortalece a previsibilidade das ações do Estado, ao mesmo tempo em que reforça o papel estratégico da fiscalização na proteção do patrimônio agropecuário, ambiental e da saúde pública.

Para o presidente do órgão, Janus Pablo Macedo, o principal desafio está na percepção equivocada de que pequenas quantidades não representam risco.

“Quando um viajante traz alimentos de origem animal ou vegetal sem autorização, mesmo em volumes reduzidos, ele pode introduzir no Brasil pragas e doenças inexistentes no país ou atualmente sob controle, com impactos diretos sobre a produção agropecuária, o meio ambiente e a saúde pública”, alerta.

Um dos exemplos mais sensíveis é o da carne suína, cuja entrada é rigidamente controlada devido ao risco da peste suína africana, doença altamente letal para os animais, sem vacina disponível e ausente no Brasil, mas presente em vários outros países.

“A fiscalização na bagagem do viajante é uma barreira sanitária estratégica. Sem esse controle, o prejuízo potencial ao agro brasileiro pode ser incalculável”, reforça Janus.

Já o coordenador da Unidade de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), Cleverson Freitas, acredita que a consolidação das regras traz ganhos operacionais relevantes.

“A Portaria reduz a subjetividade nas análises, promove a harmonização dos procedimentos em âmbito nacional e confere maior segurança técnica e jurídica para a tomada de decisão quanto à autorização ou não do ingresso de produtos agropecuários no país”, afirma.

‘Produtos inofensivos’

A chefe do Serviço de Fiscalização de Viajantes do Mapa, Maria Joana Brito, conta que os passageiros são surpreendidos com o bloqueio de produtos de uso cotidiano, já que não associam esses itens a riscos sanitários.

“São produtos considerados simples, mas que apresentam risco relevante para o Brasil, como queijos artesanais, embutidos, produtos suínos em geral, frutas frescas, sementes, mudas e até mel”, enumera.

Ela destaca ainda que o fato de o produto estar lacrado ou na embalagem original não elimina o risco, mesmo que seja para consumo próprio ou para presente a um familiar. “O risco sanitário não é avaliado pela apresentação comercial. Mesmo embalados a vácuo ou industrializados, alimentos de origem animal ou vegetal podem veicular vírus, bactérias e pragas exóticas”, ressalta.

Assim, conforme a fiscalização, a maioria das apreensões ocorre por falta de informação e não por tentativa deliberada de burlar as regras. “Na maior parte dos casos, o viajante traz alimentos típicos para consumo próprio, sem conhecer as exigências. As tentativas intencionais existem, mas representam uma minoria e recebem tratamento específico”, acrescenta Joana.

Lista oficial de produtos

A Portaria nº 872/2025 consolida as regras em uma lista oficial de produtos, que pode ser atualizada sempre que necessário, de acordo com eventos sanitários e novos estudos de risco.

A orientação é que, antes de cada viagem, o passageiro consulte a lista, declare corretamente os produtos na chegada ao Brasil e procure a Vigilância Agropecuária em caso de dúvida.

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