Politica
Cuiabá investe R$ 1,2 milhão e quer ser referência nacional no combate à obesidade

Histórias de superação, desafios e esperança marcaram a audiência pública realizada na sexta-feira (27) na Câmara Municipal de Cuiabá, que debateu o combate à obesidade e apresentou à população o Programa Mounjaro, que será executado na capital.
A iniciativa conta com recursos de uma emenda parlamentar da vereadora Michelly Alencar, que destinou R$ 1,2 milhão para a compra do medicamento e desenvolvimento das ações do programa.
A parlamentar destacou que Cuiabá ocupa hoje a 4ª posição entre as capitais brasileiras no ranking da obesidade, mas reforçou que a capital tem potencial para se tornar referência nacional no enfrentamento dessa doença.
“Com essa ação, em parceria com a Prefeitura, vamos garantir qualidade de vida à nossa população. Cuiabá será, sem dúvida, referência no combate à obesidade. Estamos falando de um programa que vai muito além do medicamento. Ele traz acompanhamento nutricional, psicológico e incentivo à prática de atividade física”, pontuou Michelly.
Durante a audiência, histórias emocionantes de luta contra a obesidade foram compartilhadas. A empresária, tricologista e fisioterapeuta Tatiane Borro Ribeiro contou que enfrentou a obesidade por nove anos, chegando a pesar 111 kg. Por risco de morte súbita, precisou passar por uma cirurgia bariátrica. Hoje, além de estar curada de um câncer de mama (em remissão) — cuja obesidade foi um dos fatores de risco —, ela celebra uma nova vida com 58 kg e defende que a busca pela qualidade de vida é fundamental.
A mestre de cerimônia do evento, Camila, também compartilhou sua trajetória.
“Eu era estudante de Educação Física, tinha uma vida muito ativa, dava aulas, fazia exercícios, comia super bem. Mas, com a pandemia, tudo fechou. Entrei num surto, me alimentei muito mal, parei de me exercitar e, somado a um diagnóstico de hipotireoidismo e uma gravidez não planejada — algo que eu achava impossível —, engordei mais de 30 kg. Cheguei a um ponto que não me reconhecia no espelho. Hoje, após muito trabalho na mente e no corpo, eliminei 33 kg”, relatou, emocionada.
Outra participante, Mariely, também relatou sua experiência:
“Cheguei a pesar 140 kg. A obesidade é uma doença séria e precisa ser tratada como qualquer doença crônica, como diabetes ou hipertensão. Hoje estou com 110 kg, ainda no processo, e uso minha rede social para ajudar outras mulheres a se levantarem. A obesidade mata mais do que álcool e cigarro. Precisamos de ajuda, e esse programa vai salvar muitas vidas”, afirmou.
A secretária municipal de Saúde, Lúcia Helena, apresentou dados preocupantes sobre o cenário da obesidade no Brasil.
“Atualmente, 23% das mulheres e 21,9% dos homens entre 18 e 34 anos são obesos. Isso está diretamente ligado ao aumento dos casos de hipertensão, diabetes e doenças cardíacas”, destacou.
O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini participou do debate e reforçou que o enfrentamento da obesidade exige um olhar maior, e acredita que o programa trará transformações positivas à sociedade.
“A obesidade é um problema complexo, não se resolve só com medicamento. É reeducação alimentar, atividade física e cuidado com a saúde mental. A emenda da vereadora Michelly será fundamental para viabilizar esse programa que vai oferecer acompanhamento multiprofissional à população”, ressaltou.
O médico nutrólogo Dr. Samuel Quinteiro Martha, especialista em emagrecimento, destacou que o medicamento Mounjaro é uma ferramenta moderna e altamente eficaz no tratamento da obesidade.
“Ele atua na regulação dos hormônios relacionados à fome, promovendo maior saciedade, controle do apetite e equilíbrio metabólico. Isso permite que o paciente consiga aderir melhor ao processo de reeducação alimentar e às mudanças de estilo de vida. Mas é fundamental lembrar que o medicamento não age sozinho, ele precisa estar associado a acompanhamento médico, psicológico, nutricional e à prática de atividades físicas”, explicou.
A vereadora Michelly Alencar explicou que o acesso ao medicamento Mounjaro, dentro do programa, será destinado prioritariamente às pessoas com IMC acima de 35, que realmente precisam e não têm condições de custear o tratamento.
“Mas, mesmo quem não se enquadrar nesse critério terá acesso ao acompanhamento nutricional, psicológico e incentivo à prática de atividades físicas, que são pilares fundamentais para a qualidade de vida”, reforçou.
Esporte como ferramenta de transformação
O secretário municipal de Esporte e Lazer, Jefferson Neves, destacou que a Prefeitura tem investido na ampliação dos espaços para a prática de atividades físicas.
“Revitalizamos todos os miniestádios da cidade, muitos mais de uma vez só este ano. Já estamos em conversa com o secretário de Educação Amauri e vamos abrir também as quadras poliesportivas de 20 escolas municipais, que funcionarão abertas à comunidade às terças e quintas à noite e aos sábados o dia inteiro. Nosso objetivo é que as pessoas pratiquem atividades onde moram, eliminando as desculpas e facilitando o acesso. A atividade física não é opcional, é essencial”, enfatizou.
Combate à obesidade infantil
A vereadora também manifestou preocupação com a obesidade infantil e ressaltou que a educação de bons hábitos deve começar na infância, com exemplo dos pais e ações de conscientização junto às famílias, e irá também destinar emenda para desenvolver ações de conscientização voltadas ao público infantil.
O médico endocrinologista pediátrico e professor de medicina da UNIC, Dr. Alexandre Demarchi Júnior, reforçou a importância de conscientizar desde cedo crianças e famílias sobre os riscos da obesidade.
“Quando a obesidade se instala na infância, ela tem grandes chances de persistir na vida adulta, trazendo sérias consequências para a saúde.Por isso, é essencial que o cuidado comece desde cedo, com orientação nas escolas, acompanhamento das famílias, incentivo à alimentação saudável e à prática de esportes. “Tratar a obesidade na infância é investir no futuro de uma geração mais saudável”, afirmou.
Convite à transformação
Ao encerrar a audiência pública, a vereadora Michelly Alencar fez uma reflexão e deixou um convite à população:
“Cada um de nós aqui hoje é uma semente de transformação na vida de alguém. Que possamos reafirmar nosso compromisso com a nossa saúde e, a partir disso, inspirar outras pessoas a seguirem o mesmo caminho. E já quero fazer um convite especial: em outubro teremos mais uma edição do nosso programa Mulheres em Ação. Até lá, vamos nos fortalecer, nos motivar e, juntos, praticar atividades físicas. Acreditem: unidos, somos capazes de fazer a diferença e garantir mais qualidade de vida para nossa cidade”, finalizou.
Agro Mato Grosso
Gasolina com 32% de etanol será aprovada na quarta-feira (24), diz Alckmin

Mudança deve ser aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética, segundo o vice-presidente. O governo cita que o objetivo é reduzir o preço do combustível e tornar país autossuficiente no abastecimento.
A mistura de etanol na gasolina deve subir de 30% (E30) para 32% (E32) a partir da próxima quarta-feira (24), com a aprovação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). O anúncio foi feito pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin em visita a Mato Grosso, neste sábado (20).
De acordo com Alckmin, o aumento da proporção de etanol no combustível deve ter impacto direto na redução do preço da gasolina, além de trazer benefícios ambientais e estimular o setor agroindustrial brasileiro.
“Tem muito etanol de milho. [O país] produz o etanol e produz o DDG (Grãos Secos de Destilaria). Então, quarta-feira passa a gasolina que tinha 27,5% de etanol e passou para 30%, agora passa para 32%. Isso ajuda a gasolina a ficar mais barata, polui menos o meio ambiente e estimula a agricultura e a agroindústria que vai fazer etanol combustível e vai fazer para ração animal”, disse.
Segundo o governo federal, a mudança pode reduzir em cerca de 500 milhões de litros por mês a necessidade de importação de gasolina. O volume seria suficiente para eliminar a dependência externa do país no abastecimento do combustível, colocando o Brasil em condição de autossuficiência.
Em abril deste ano, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, informou que a medida terá caráter excepcional e temporário, com vigência inicial de 180 dias, podendo ser prorrogada por igual período mediante decisão do CNPE.
A proposta, segundo o governo, deve melhorar a logística do setor, liberando infraestrutura atualmente utilizada para importação de gasolina e aumentando a eficiência na distribuição de outros derivados, como o diesel.
A medida integra as diretrizes da Lei do Combustível do Futuro, marco regulatório voltado à ampliação do uso de energias renováveis e à redução das emissões no setor de transportes. Em agosto de 2025, a mesma política elevou o percentual de etanol na gasolina de 27,5% para os atuais 30%.
Produção de etanol de milho
A produção de etanol de milho no Brasil é um dos pilares da expansão dos biocombustíveis no país. A perspectiva de produção é de aproximadamente 9 bilhões de litros, representando mais de 25% do total de etanol produzido no Brasil, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica).
O Centro-Oeste é o grande motor da produção, com destaque para Mato Grosso que é o maior produtor de etanol de milho do Brasil, concentrando sozinho cerca de 70% de toda a oferta nacional. Em seguida está Goiás e Mato Grosso do Sul.
Na safra mais recente, a produção estadual atingiu a marca histórica de 5,6 bilhões de litros de etanol, com projeções apontando para um salto superior a 16% em novos ciclos.
Agro Mato Grosso
ALMT derruba veto e garante programa MT Trifásico com investimento de R$ 1,4 bilhão

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) derrubou, por unanimidade, o veto do Poder Executivo ao projeto de lei que institui o programa MT Trifásico, iniciativa voltada à ampliação da rede elétrica trifásica em áreas rurais e assentamentos do estado. A medida consolida juridicamente um dos maiores projetos de infraestrutura energética já planejados para o setor produtivo mato-grossense.
De autoria do deputado estadual Diego Guimarães, o projeto foi apresentado em novembro de 2024 após demandas apresentadas por produtores rurais, agricultores familiares e representantes do agronegócio preocupados com os problemas provocados pelas redes monofásicas, que frequentemente registram oscilações e interrupções no fornecimento de energia.
Com a decisão dos parlamentares, o programa passa a contar com respaldo legal e fiscalização permanente da Assembleia Legislativa.
Programa prevê R$ 1,4 bilhão em investimentos
O MT Trifásico foi estruturado por meio de uma parceria entre o Governo de Mato Grosso e a concessionária Energisa.
O planejamento prevê investimentos de R$ 1,4 bilhão entre 2026 e 2030, sendo:
- R$ 700 milhões aportados pelo Governo de Mato Grosso;
- R$ 700 milhões investidos pela Energisa.
Os recursos serão destinados à implantação de aproximadamente 5 mil quilômetros de novas redes trifásicas em diversas regiões do estado.
Energia mais estável para o campo
O principal objetivo do programa é substituir gradativamente as antigas redes monofásicas por estruturas mais modernas e eficientes.
A energia trifásica oferece maior capacidade de carga e estabilidade, permitindo a utilização de equipamentos de alta potência utilizados na produção rural.
Entre os benefícios esperados estão:
- Redução das quedas de energia;
- Menor oscilação no fornecimento;
- Maior eficiência para sistemas de irrigação;
- Operação de secadores de grãos e equipamentos agrícolas;
- Ampliação da agroindustrialização nas propriedades rurais.
Segundo estimativas apresentadas durante o lançamento do programa, cerca de 1,7 milhão de consumidores atendidos pela Energisa poderão ser beneficiados direta ou indiretamente pelos investimentos.
Agricultura familiar também será beneficiada
Além das grandes propriedades rurais, o programa prevê impactos positivos para a agricultura familiar.
Com energia mais estável, pequenos produtores poderão ampliar processos de automação e investir em agroindústrias de pequeno porte, agregando valor à produção local.
A expectativa é que a melhoria da infraestrutura energética estimule novos negócios, gere empregos e fortaleça a economia de diversos municípios mato-grossenses.
Turismo no Pantanal entra no planejamento
Um dos pontos incorporados ao programa é a ampliação da rede trifásica para a região da Transpantaneira, em Poconé.
A medida busca fortalecer a infraestrutura necessária para o desenvolvimento do turismo sustentável no Pantanal.
Empresários do setor avaliam que a melhoria do fornecimento de energia poderá favorecer hotéis, pousadas, restaurantes e empreendimentos turísticos instalados na região.
Assembleia terá papel na fiscalização
Com a aprovação definitiva da proposta, a Assembleia Legislativa passa a integrar o Conselho Gestor do programa.
O colegiado será responsável por acompanhar a execução dos investimentos e contará também com representantes da:
- Casa Civil;
- Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz);
- Secretaria de Agricultura Familiar (Seaf);
- Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec).
A participação do Legislativo tem como objetivo ampliar a transparência e o monitoramento da aplicação dos recursos.
Infraestrutura energética é vista como estratégica
A modernização da rede elétrica é considerada uma das prioridades para sustentar o crescimento econômico de Mato Grosso nos próximos anos.
Maior produtor de grãos do país e líder nacional em diversas cadeias do agronegócio, o estado depende de infraestrutura adequada para ampliar a competitividade do setor produtivo.
A expansão da rede trifásica também é vista como fator importante para atrair novos empreendimentos industriais, estimular investimentos privados e fortalecer a interiorização do desenvolvimento econômico.
Com previsão de execução até 2030, o MT Trifásico deverá se tornar um dos maiores programas de infraestrutura energética rural já implantados em Mato Grosso.
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Vereadora Dra. Mara convoca Assistência Social para esclarecer políticas voltadas à população em situação de rua na Capital

A vereadora Dra. Mara protocolou na Câmara Municipal de Cuiabá um requerimento de convocação da secretária municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e Inclusão, Hélida Vilela de Oliveira, para prestar esclarecimentos sobre as políticas públicas destinadas à população em situação de rua no município.
O requerimento, protocolado sob o Processo nº 21601/2026, solicita que a secretária compareça ao plenário da Câmara para apresentar dados oficiais, relatórios e informações atualizadas sobre as ações desenvolvidas pela pasta. Entre os pontos cobrados estão a quantidade estimada de pessoas em situação de rua em Cuiabá, programas de acolhimento, assistência social, reinserção social, estrutura de atendimento e aplicação de recursos públicos.
Segundo a parlamentar, a convocação busca ampliar a transparência e fortalecer o acompanhamento das ações do Poder Executivo diante do aumento da demanda social relacionada à população em vulnerabilidade.
“O Poder Legislativo tem o dever de fiscalizar e acompanhar de perto as políticas públicas executadas pelo município, especialmente em temas sensíveis como a assistência às pessoas em situação de rua”, destaca o documento apresentado pela vereadora.
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