Sustentabilidade
Cigarrinha-do-milho: por que controlar cedo ainda é o fator mais importante? – MAIS SOJA

O complexos dos enfezamentos é o principal problema fitossanitário enfrentado por produtores de milho na atualidade. Esse complexo é composto principalmente microrganismos da classe molicutes (Spiroplasma kunkelii e Maize bushy stunt), responsáveis por infectar as plantas causando os enfezamentos pálido e vermelho, capazes de causar perdas de produtividade de até 100% dependendo da suscetibilidade do híbrido e período de infecção (Cota et al., 2021).
Os principais sintomas do enfezamento pálido são estrias cloróticas delimitadas que se iniciam na base das folhas, plantas com altura reduzida, encurtamento de entrenós, brotos nas axilas foliares e cor avermelhada em folhas, podendo ocorrer enfraquecimento dos colmos e proliferação de espigas. Já os sintomas do enfezamento vermelho incluem o amarelecimento e/ou avermelhamento das folhas, geralmente iniciando pelas bordas, perfilhamento e proliferação de espigas por planta (MAPA, 2021).
De acordo com Alves et al. (2020), quanto mais cedo a planta de milho for infectada, maiores tendem a ser os danos à produtividade, sendo que o dano em uma lavoura é diretamente proporcional à quantidade de plantas atacadas e à severidade dos sintomas expressados pela planta.

No geral, os sintomas decorrentes do desenvolvimento dos enfezamentos manifestam-se principalmente durante o período de enchimento de grãos. Dessa forma, o diagnóstico das doenças causadas pelo molicutes e, particularmente, a distinção entre o enfezamento-pálido e o enfezamento-vermelho com base exclusivamente nos sintomas apresentados pelas plantas pode ser difícil, ou mesmo inviável. Isso ocorre porque a expressão dos sintomas pode variar significativamente em função da cultivar, da idade da planta no momento da infecção e das condições ambientais (Oliveira et al., 2002).
Considerando a dificuldade de diagnosticar os enfezamentos nos estádios iniciais do desenvolvimento do milho e os impactos no potencial produtivo da cultura, o manejo da praga deve ser conduzido nas primeiras incidências do alvo. Para isso, é fundamental compreender o ciclo da praga e da doença, os fatores que favorecem sua ocorrência, as características do ambiente, a época e as condições de semeadura, além de reconhecer adequadamente os sintomas e conhecer a eficiência das diferentes ferramentas disponíveis para reduzir os danos à cultura (Sabato, 2017).
Nesse contexto, a cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) assume papel central, por ser o principal vetor dos patógenos associados aos enfezamentos. Assim, o manejo desse inseto constitui uma das principais estratégias para reduzir a disseminação dos patógenos e, consequentemente, os impactos do complexo de enfezamentos sobre o rendimento do milho. Entretanto, o risco de transmissão dos molicutes está relacionado principalmente à proporção de cigarrinhas infectadas presentes na lavoura, e não simplesmente à densidade populacional do inseto. Dessa forma, mesmo populações reduzidas de D. maidis podem representar risco significativo quando apresentam elevada proporção de indivíduos infectivos, o que reforça a necessidade de integrar o monitoramento da população do vetor à adoção de medidas preventivas e ao conhecimento da dinâmica da doença.

Sobretudo em razão do impacto dos enfezamentos quando a infecção ocorre nos estádios iniciais do desenvolvimento do milho, o período entre VE e V8 é considerado uma fase crítica para o manejo da cigarrinha-do-milho. Nessa janela, a presença do vetor, mesmo em baixas populações, pode representar risco à cultura, especialmente quando há indivíduos infectivos capazes de transmitir os agentes associados aos enfezamentos, por isso, controlar cedo a cigarrinha-do-milho é tão importante. Sendo assim, o monitoramento deve ser intensificado e as medidas de controle adotadas de forma estratégica, considerando o risco de transmissão e o histórico da área.
Diante desse cenário, o manejo proativo, associado ao monitoramento frequente da cigarrinha-do-milho para definir o momento de controle, é fundamental para reduzir o risco de infecção e preservar o potencial produtivo da lavoura. Entre as ferramentas disponíveis, o uso de inseticidas registrados para a cultura e com eficiência comprovada no controle do vetor pode integrar o programa de manejo, desde que seu posicionamento seja realizado de acordo com as recomendações técnicas e as condições de ocorrência da praga.
Uma das opções disponíveis é o ZEUS, da IHARA, desenvolvido para o manejo de pragas no milho. O produto combina ação rápida e efeito residual, contribuindo para ampliar o período de proteção da cultura e auxiliar no manejo da cigarrinha-do-milho, especialmente durante fases de maior importância para a definição do potencial produtivo.
Com formulação que combina diferentes grupos químicos, o ZEUS apresenta alta sistemicidade, com ação por contato e ingestão, características que contribuem para ampliar as possibilidades de controle da cigarrinha-do-milho. A associação de ingredientes ativos com diferentes grupos químicos também pode contribuir para o manejo da resistência de insetos a inseticidas, quando inserida em um programa que contemple a rotação de mecanismos de ação e siga as recomendações técnicas e de bula.
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Referências:
ALVES, A. P. et al. GUIA DE BOAS PRÁTICAS PARA O MANEJO DOS ENFEZAMENTOS E DA CIGARRINHA-DO-MILHO. Embrapa Cerrados, 2020. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1129511/guia-de-boas-praticas-para-o-manejo-dos-enfezamentos-e-da-cigarrinha-do-milho >, acesso em: 17/08/2026.
COTA, L. V. et al. MANEJO DA CIGARRINHA E ENFEZAMENTOS NA CULTURA DO MILHO. Embrapa Milho e Sorgo, 2021. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1130346/manejo-da-cigarrinha-e-enfezamentos-na-cultura-do-milho >, acesso em: 17/08/2026.
FERREIRA, K. R. et al. FIRST RECORD OF THE AFRICAN SPECIES Leptodelphax maculigera (Stål, 1859) (Hemiptera: Delphacidae) IN BRAZIL. Research Square, 2023. Disponível em: < https://www.researchsquare.com/article/rs-2818951/v1 >, acesso em: 17/08/2026.
MAPA. ENFEZAMENTOS DO MILHO. Ministério da Agricultura e Pecuária, 2021. Disponível em: < https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/sanidade-animal-e-vegetal/sanidade-vegetal/enfezamentos-do-milho >, acesso em: 17/08/2026.
OLIVEIRA, E. et al. ENFEZAMENTOS EM MILHO: INTERAÇÕES GENÓTIPOS E MOLICUTES, EXPRESSÃO DE SINTOMAS FOLIARES E DETECÇÃO. Revista Brasileira de Milho e Sorgo, 2002. Disponível em: < https://www.researchgate.net/publication/237598586_Enfezamentos_em_Milho_Expressao_de_Sintomas_Foliares_Deteccao_dos_Molicutes_e_Interacoes_com_Genotipos >, acesso em: 17/08/2026.
SABATO, E. O. ENFEZAMENTOS E VIROSES NO MILHO. XIV Seminário Nacional de Milho Safrinha, 2017. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1081658/1/Enfezamentosviroses.pdf >, acesso em: 17/08/2026.
Redação: Equipe Mais Soja.
Sustentabilidade
Vai chover o suficiente para liberar o plantio de soja em MT? Famato detalha perspectivas

O fim do vazio sanitário da soja em Mato Grosso está chegando, mas uma dúvida deve dominar o campo nos próximos dias. Vai chover o suficiente para começar o plantio? Será? O período termina em 6 de setembro, liberando oficialmente a semeadura da safra 2026/27. A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famato), no entanto, alerta que o produtor não deve confundir a autorização para plantar com o momento ideal para colocar a semente no solo.
A orientação é de cautela diante da expectativa de maior instabilidade climática, associada à influência do fenômeno El Niño. A recomendação é aguardar a regularização das chuvas antes de acelerar os trabalhos, principalmente porque uma primeira chuva isolada não garante umidade suficiente para o estabelecimento da lavoura.
O superintendente do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), Cleiton Gauer, reforça que o produtor precisa observar as condições de umidade e a previsão de chuva antes de iniciar a semeadura. A decisão é estratégica para reduzir o risco de falhas no estabelecimento das plantas e de gastos adicionais com eventual necessidade de replantio.
Para a safra 2026/27, o Imea projeta uma produção de 48,88 milhões de toneladas de soja em Mato Grosso. A estimativa leva em consideração as perspectivas climáticas, o histórico de produtividade, as práticas de manejo e o nível tecnológico utilizado nas propriedades.
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Segundo o analista de inteligência de mercado do Imea, Henrique Eggers, a combinação desses fatores permite projetar o desempenho da cultura nas diferentes regiões do Estado. Na prática, porém, o clima continuará sendo um dos principais fatores para definir o ritmo de avanço da semeadura.
A tendência é que os produtores mantenham a cautela observada em outras temporadas e esperem uma maior regularização das precipitações, especialmente na segunda quinzena de setembro. O que importa é saber se a chuva terá volume e continuidade suficiente para sustentar o nascimento e o desenvolvimento inicial da soja.
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Sustentabilidade
Conab publica resultado final de credenciamento para venda de farelo de soja

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) publicou nesta segunda-feira (31) o resultado final do Edital de Chamamento Público nº 1/2026, voltado ao credenciamento de empresas produtoras de farelo de soja. A seleção reúne companhias interessadas em utilizar a estrutura de armazenagem da estatal para atender clientes do Programa de Vendas em Balcão (ProVB) e outros potenciais compradores.
Segundo a Conab, a Comissão de Avaliação examinou as propostas apresentadas com base em critérios comerciais e técnicos. As empresas selecionadas poderão firmar contratos com validade de 12 meses, com possibilidade de prorrogação por igual período.
A estatal informou que, em caso de não assinatura do contrato por alguma empresa habilitada ou de rescisão contratual, poderá convocar os classificados seguintes, respeitando a ordem de classificação. Esse chamamento poderá ocorrer até o fim da vigência da seleção.
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O programa de comercialização de farelo de soja foi estruturado para atender ao interesse de criadores cadastrados no ProVB em diversificar a alimentação animal. De acordo com a Conab, o insumo complementa o uso do milho ao associar fontes de proteína e energia ao pasto na produção de carne, leite e ovos.
A operação utiliza a estrutura operacional do ProVB, mas funciona de forma independente. Nesse modelo, a Conab disponibiliza suas unidades armazenadoras para apoiar as vendas, sem realizar a compra ou a revenda do produto.
As unidades que sediarão a operação estão localizadas na Bahia, no Distrito Federal, no Piauí e no Rio Grande do Norte. Goiás também estava previsto no edital, mas não integrou esta etapa da operação após o estado registrar ausência de propostas de empresas interessadas.
Com a publicação do resultado final, a comercialização de farelo de soja por meio da estrutura da Conab avança para atendimento de criadores do ProVB e de outros compradores nas unidades definidas pelo edital.
Fonte: gov.br
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Sustentabilidade
Milho: Tratamento de sementes é essencial para o controle dos percevejos no sistema soja-milho – MAIS SOJA

No sistema de produção soja-milho safrinha, os danos causados por percevejos no estabelecimento da cultura do milho estão entre as principais causas da perda de produtividade. O inseto alimenta-se preferencialmente na região do colo das plântulas, introduzindo o estilete no colmo para sugar a seiva e injetando saliva tóxica. Esse processo ocasiona lesões e necroses no tecido foliar, encharutamento e perfilhamento anômalo, comprometendo severamente o estande e o rendimento final de grãos (Fernandes; Ávila, Silva, 2019).
Figura 1. Percevejo acometendo o milho no estádio inicial do desenvolvimento da planta.
Embora os percevejos possam atacar o milho em diferentes estádios de desenvolvimento, os maiores prejuízos ocorrem na fase inicial da lavoura. A dinâmica populacional da praga na soja atinge o pico ao final do enchimento de grãos, resultando em expressivo aumento de insetos no encerramento do ciclo. Falhas no controle ou a ausência de manejo nessa etapa favorecem a permanência das populações durante a entressafra, sobretudo no intervalo entre a colheita da soja e a semeadura do milho safrinha.
Figura 2. Dinâmica populacional do percevejo barriga-verde no sistema de produção soja-milho.

Nesse contexto, sobretudo na sucessão soja-milho, deve-se considerar que os percevejos já podem estar presentes na área antes mesmo da semeadura do milho. Embora o monitoramento constante auxilie no planejamento do manejo, o tratamento de sementes (TS) com inseticidas figura como uma das estratégias mais eficazes para proteger a cultura na fase crítica inicial.
Ao avaliar a eficácia de diferentes inseticidas químicos via TS no controle de adultos de Diceraeus melacanthus, Fernandes; Ávila; Silva (2019) constataram que os maiores índices de controle do percevejo-barriga-verde foram obtidos com clotianidina (90% a 97,5%) e tiametoxam (80% a 97,5%). Esses resultados evidenciam a alta eficiência dos neonicotinoides para o manejo da praga no milho via tratamento de sementes.
Contudo, vale destacar que mesmo os inseticidas mais eficientes via tratamento de sementes apresentam período residual limitado. Dessa forma, é indispensável intensificar o monitoramento após a emergência para determinar a necessidade de complementação com pulverizações pós-emergentes. Para o percevejo-barriga-verde (Diceraeus furcatus e Diceraeus melacanthus), o nível de ação recomendado durante o desenvolvimento inicial do milho (da emergência até V4) é de 0,5 percevejo/m² ou 1 percevejo a cada 10 plantas.
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Referências:
FERNANDES, P. H. R.; ÁVILA, C. J.; SILVA, I. F. CONTROLE DO PERCEVEJO Dichelops melacanthus POR MEIO DE INSETICIDAS APLICADOS NAS SEMENTES DE MILHO. Embrapa Agropecuária Oeste, Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento, n. 82, 2019. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1112233/1/BP822019CREBIO.pdf >, acesso em: 02/09/2026.
GARCIA, A. N. COMO DEVEMOS REALIZAR O MANEJO DE PERCEVEJOS NO MILHO SAFRINHA? KWS Sementes, informativo Agroservice. Disponível em: < https://pt.scribd.com/document/823140125/kws-br-informativo-agroservice-percevejo-milhosafrinha >, acesso em: 02/09/2026.

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