Sustentabilidade
Plantabilidade da soja: Velocidade e profundidade de semeadura estão entre os atributos com maior influência na distribuição de sementes – MAIS SOJA

O número de plantas por área é um dos principais componentes de produtividade da soja. Nesse sentido, estabelecer a lavoura com densidades populacionais adequadas, dentro do recomendado para a cultivar e ambiente, é crucial para a obtenção de altas produtividades.
Um dos fatores centrais diretamente relacionados ao estabelecimento adequado da soja é a plantabilidade. Ainda que sementes de elevada qualidade física, fisiológica, sanitária e genética sejam utilizadas para a semeadura da soja, o processo de plantabilidade pode influenciar diretamente na população alcançada, principalmente em função da obtenção de espaçamentos aceitáveis, duplos e falhos, os quais são em parte, influenciados por variáveis como velocidade de semeadura e profundidade de semeadura.
De acordo com Reynaldo et al. (2016), o aumento da velocidade de semeadura da soja interfere no número de espaçamentos falhos, múltiplos (duplos) e aceitáveis, havendo uma redução da porcentagem de espaçamentos aceitáveis a medida em que há o aumento da velocidade de semeadura. Já com relação a profundidade de semeadura, as recomendações de manejo para a cultura da soja sugerem que as sementes sejam depositadas em profundidades variando entre 3 cm e 5 cm (Balbinot Junior et al., 2020), independentemente do tamanho de peneira da semente.
Ao avaliar a plantabilidade da soja, com relação a velocidade e profundidade de semeadura, dentro da profundidade recomendada para a cultura (3 e 5 cm) e considerando as velocidades de semeadura de 5, 7, 9 e 12 km h-1, Carvalho et al. (2026) constataram que, que tanto velocidade de semeadura quanto profundidade de deposição das sementes influenciam diretamente na porcentagem de espaçamentos considerados aceitáveis.
Os resultados observados pelos autores apontem que os melhores índices de distribuição de sementes foram obtidos com a menor velocidade de semeadura (5 km h-1), e que semeaduras mais superficiais (3 cm) tendem a apresentar maior frequência de espaçamentos falhos, enquanto os espaçamentos múltiplos aumentaram em velocidades superiores a 7 km h-1 e com semeadura à 5 cm.
Figura 1. Número de plantas dentro do espaçamento aceitável em função de diferentes velocidades de semeadura (A) e profundidades de semeadura (B).
Adaptado: Carvalho et al. (2026)
A má distribuição das sementes na semeadura implica entre outros efeitos, em impactos diretos na produtividade da soja, dada a importância do número de plantas por área como componente de produtividade da cultura. Conforme observado por Carvalho et al. (2026), para as condições do presente estudo, a produtividade da soja diminuiu com o aumento da velocidade e com menor profundidade de semeadura, demonstrando a importância do processo de semeadura para a obtenção de boas produtividades.
Figura 2. Produtividade de grãos de soja em função de diferentes velocidades de semeadura (A) e profundidades de semeadura (B).

Com base nos aspectos observados, é importante atentar para as condições de plantabilidade da lavoura, dando preferência por atuar dentro da velocidade recomendada pelo fabricante da semeadora na qual há uma maior performance de distribuição de sementes, bem como dentro das recomendações técnicas para a cultura com relação a profundidade de semeadura da soja.
Confira o estudo completo desenvolvido por Carvalho e colaboradores (2026) clicando aqui!

Referências:
BALBINOT JUNIOR, A. A. et al. INSTAÇÃO DA LAVOURA. Tecnologias de Produção de Soja, cap. 4, Embrapa Soja, Sistemas de Produção, n. 17, 2020. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/223209/1/SP-17-2020-online-1.pdf > acesso em: 31/08/2026.
CARVALHO, D. R. A. et al. PLANTABILITY: SOWING DEPTH AND OPERATIONAL SPEED EFFECT ON SOYBEAN YIELD. Revista de Agricultura Neotropical, 2026. Disponível em: < https://periodicosonline.uems.br/agrineo/article/view/9947/6953 >, acesso em: 31/08/2026.
REYNALDO, É. F. et al. INFLUÊNCIA DA VELOCIDADE DE DESLOCAMENTO NA DISTRIBUIÇÃO DE SEMENTES E PRODUTIVIDADE DE SOJA. Engenharia na Agricultura, 2016. Disponível em: < https://periodicos.ufv.br/reveng/article/view/571/388 >, acesso em: 31/08/2026.

Sustentabilidade
Qual é o potencial produtivo do milho em Santa Catarina, e por que grande parte dele ainda não é alcançado? – MAIS SOJA

O potencial produtivo (Yp) de uma cultura representa o máximo que pode ser produzido em determinado ambiente, considerando apenas o clima e as características genéticas da cultivar, sem limitações de água, nutrientes, pragas ou doenças. Quando se considera também a disponibilidade hídrica do ambiente, obtém-se o potencial de sequeiro (Yw). A diferença entre esse potencial e a produtividade média obtida pelos produtores é chamada de gap (ou lacuna) de produtividade. A análise desses gaps permite identificar o quanto ainda pode ser produzido na mesma área, só com melhorias nas práticas de manejo, sem a necessidade de expandir a fronteira agrícola.
Um estudo recente conduzido pela Equipe FieldCrops, estimou esses indicadores para a cultura do milho em Santa Catarina, combinando simulações de modelo de cultura com dados reais de manejo coletados em 293 lavouras monitoradas nas safras 2020/21 e 2021/22. Os resultados indicaram um PP de 17,4 t ha⁻¹ e um PS de 14,7 t ha⁻¹ para o estado. No entanto, a produtividade média dos produtores foi de 7.0 t ha⁻¹ o equivalente a somente 47,6% do PS (Figura 1).
Ao decompor esse gap total de 10,4 t ha-1, determinou-se que 2,7 t ha-1 são atribuídos à limitação hídrica, enquanto 7,7 t ha-1 são explicados por falhas no manejo. Comparando lavouras de alta e baixa produtividade, os fatores que mais se destacaram foram a população de plantas estabelecidas, a época de semeadura, a dose de potássio (K₂O) aplicada e o intervalo entre aplicações de calcário, sendo a população de plantas o fator de maior peso identificado pelo estudo (Figura 2).
Esses resultados mostram que ajustes relativamente “simples” no manejo como semear dentro da janela ideal (entre 31 de agosto e 2 de outubro), ajustar a população de plantas, elevar a dose de potássio e manter intervalos mais curtos entre calagens têm potencial para reduzir significativamente o gap de produtividade do milho. O estudo revela que se todas as lavouras do estado alcançassem 75% do PS, a produção de Santa Catarina poderia aumentar em 1 milhão de toneladas na mesma área atualmente cultivada.

Referências:
PILECCO, I.B.; et al. Identifying maize yield potential and farm yield gaps in Southern Brazil. Agronomy Journal, v. 117, n. 6, 2025. Disponível em: < https://acsess.onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1002/agj2.70258 >, acesso: 25/09/2026.

Sustentabilidade
Soja em Chicago sobe após oito sessões de queda com apoio do petróleo e da demanda chinesa

Os contratos futuros da soja fecharam em alta nesta quinta-feira (22) na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), interrompendo uma sequência de oito sessões consecutivas de queda. Após atingir o menor patamar em dois meses, o mercado encontrou espaço para uma recuperação técnica, impulsionada por compras de barganha, pela valorização do petróleo e pela demanda chinesa.
A alta do petróleo contribuiu para sustentar as cotações, diante da relação entre o mercado energético e o óleo de soja utilizado na produção de biodiesel. Outro fator positivo foi a continuidade das compras chinesas no mercado norte-americano. Nesta quinta-feira, exportadores privados dos Estados Unidos anunciaram a venda de 202 mil toneladas de soja para o país asiático.
Os dados de exportação também reforçaram o cenário de demanda. As vendas líquidas norte-americanas de soja para a temporada 2026/27, iniciada em 1º de setembro, somaram 2,841 milhões de toneladas na semana encerrada em 15 de outubro. A China liderou as aquisições, com 2,179 milhões de toneladas.
O volume total ficou dentro das expectativas dos analistas, que projetavam vendas entre 1,1 milhão e 3 milhões de toneladas.
Preços da soja em Chicago
Os contratos da soja em grão com entrega em novembro fecharam com alta de 7,75 centavos de dólar, ou 0,62%, cotados a US$ 12,53 por bushel. Já a posição janeiro avançou 6,50 centavos de dólar, equivalente a 0,51%, encerrando a US$ 12,6475 por bushel.
Entre os subprodutos, o farelo de soja para dezembro encerrou em queda de US$ 1,00, recuo de 0,28%, a US$ 347,30 por tonelada.
O óleo de soja, por outro lado, acompanhou o movimento positivo do mercado energético. Os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 66,74 centavos de dólar por libra-peso, com alta de 0,77 centavo, ou 1,16%.
Sustentabilidade
Abiove atualiza projeções da soja para 2026 e divulga estimativas para o próximo ano

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) atualizou as projeções para o balanço de oferta e demanda do Complexo Soja em 2026 e divulgou as primeiras estimativas para 2027. O esmagamento de soja no Brasil deve alcançar 63,6 milhões de toneladas em 2026, alta de 0,2% em relação à projeção anterior. Para 2027, a estimativa é de 66 milhões de toneladas.
No segmento de derivados, a produção de farelo de soja em 2026 está projetada em 48,95 milhões de toneladas, aumento de 0,1% frente à estimativa anterior. A fabricação de óleo de soja deve atingir 12,8 milhões de toneladas.
As exportações brasileiras de soja em grão em 2026 foram estimadas em 113,9 milhões de toneladas, recuo de 1% em relação à projeção prévia. Para o farelo de soja, os embarques devem somar 25,3 milhões de toneladas. Já as exportações de óleo de soja estão projetadas em 1,95 milhão de toneladas, alta de 8,3% na comparação com a estimativa anterior.
Segundo Daniel Furlan Amaral, diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove, o ritmo de esmagamento acompanha o aumento da demanda interna por farelo, utilizado na produção de alimentos, e por óleo de soja, empregado na fabricação de biocombustíveis e destinado ao mercado externo.
“O forte ritmo de esmagamento reflete a resposta ágil da nossa indústria à crescente demanda nacional por farelo, essencial para a produção de alimentos, e por óleo, fundamental para a fabricação de biocombustíveis e para as exportações. Esse cenário consistente de alta no processamento nos prepara estrategicamente para continuar suprindo o país diante da expectativa do aumento da mistura obrigatória de biodiesel para B16, prevista para março”, afirma o diretor.
Projeções do Complexo Soja para 2027
As primeiras estimativas da Abiove para 2027 indicam esmagamento de 66 milhões de toneladas de soja. As exportações do grão devem alcançar 113 milhões de toneladas, enquanto as importações estão projetadas em 900 mil toneladas para suplementar a cadeia produtiva.
A produção de farelo de soja deve totalizar 50,8 milhões de toneladas no ciclo de 2027, com exportações estimadas em 26,3 milhões de toneladas.
Para o óleo de soja, a fabricação está projetada em 13,27 milhões de toneladas. Os embarques internacionais devem somar 1,9 milhão de toneladas, enquanto as importações estão estimadas em 100 mil toneladas.
Processamento mensal e acumulado
Em agosto de 2026, o processamento de soja no Brasil alcançou 5,03 milhões de toneladas, queda de 1,8% em relação a julho. Na comparação com agosto de 2025, houve aumento de 9%, considerando o ajuste pelo percentual amostral.
No acumulado de janeiro a agosto de 2026, o volume processado chegou a 38,67 milhões de toneladas, crescimento de 8,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, também com ajuste pelo percentual amostral.
Sustentabilidade24 horas agoFerrugem-asiática em soja voluntária acende alerta para lavouras próximas – MAIS SOJA
Sustentabilidade7 horas agoTrigo fecha em forte baixa em Chicago com pressão dos grãos vizinhos e clima favorável nos EUA – MAIS SOJA
Featured19 horas agoPivetta anuncia enxugamento da máquina pública para economizar R$ 1 bilhão por ano
Business20 horas agoENAPecan será realizado em novembro após safra de recuperação da noz-pecã no RS
Featured22 horas agoPolícia Civil prende em Rondonópolis mulher condenada a quase 18 anos por roubo, tráfico e receptação
Featured20 horas agoGovernador sinaliza permanência de secretários na equipe a partir de 2027
Sustentabilidade5 horas agoAbiove atualiza projeções da soja para 2026 e divulga estimativas para o próximo ano
Featured4 horas agoFim de semana em Cuiabá terá dança, gastronomia, arte e novidades no cinema

















