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31 de agosto de 2026

Agro Mato Grosso

Legado de plantas de cobertura altera defesa do milho MT

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Ervilha, rabanete, triticale e pousio mudaram compostos de defesa do milho e a preferência de predadores

O histórico de cultivo do solo pode alterar a forma como o milho distribui recursos entre mecanismos de defesa direta e indireta contra insetos. Experimentos com solos submetidos a ervilha, rabanete, triticale ou pousio mostraram diferenças na produção de benzoxazinoides e na emissão de indol após ataque da lagarta-do-cartucho. O efeito também alcançou a interação entre a praga e um predador generalista.

Pesquisadores avaliaram o milho cultivado em solos com legados de ervilha Pisum sativum, rabanete Raphanus sativus e triticale. Uma área em pousio funcionou como controle. A equipe investigou a resposta das plantas ao ataque de Spodoptera frugiperda, além da interação das lagartas com o predador Harmonia axyridis (doi 10.1016/j.baae.2026.04.003).

Diferentes estratégias

Os resultados indicaram uma compensação entre diferentes estratégias defensivas. O milho cultivado após ervilha apresentou maior participação de indol na mistura de compostos voláteis liberados após a herbivoria. Esse composto integra os mecanismos de defesa indireta do milho. Sua atuação participa da sinalização vegetal e pode favorecer respostas relacionadas à atração de inimigos naturais.

No outro extremo, plantas cultivadas no solo mantido em pousio apresentaram maior concentração de benzoxazinoides nas folhas. Esses metabólitos atuam na defesa química direta contra herbívoros. Após 48 horas de alimentação da lagarta-do-cartucho, a quantidade total desses compostos no milho cultivado em pousio chegou a aproximadamente o dobro dos valores registrados nos demais legados de solo.

Direção diferente

A resposta do indol seguiu direção diferente. A herbivoria aumentou a emissão desse composto, enquanto o tipo de solo também apresentou efeito independente. Plantas cultivadas após ervilha registraram quase o dobro da proporção de indol no espaço aéreo em comparação com plantas oriundas do pousio. A diferença entre solos, porém, aparece em um composto específico, e não no conjunto dos voláteis: sobre o perfil geral da mistura, o efeito do tipo de solo foi apenas marginal (P = 0,0549). Os pesquisadores não detectaram resposta semelhante, associada ao legado do solo, para outros compostos avaliados, entre eles voláteis de folhas verdes, monoterpenos e sesquiterpenos.

Segundo a interpretação apresentada pelos cientistas, os resultados apontam uma possível redistribuição de recursos metabólicos entre defesa direta e indireta. O indol participa de rotas relacionadas aos benzoxazinoides, embora diferentes enzimas produzam reservatórios de indol com funções distintas dentro da planta. No solo com legado de leguminosa, o milho direcionou a resposta para maior participação do mecanismo indireto. No pousio, prevaleceu maior investimento em determinados compostos de defesa direta.

Inibidor de protease

Os pesquisadores também analisaram a expressão de um gene relacionado ao inibidor de protease. A alimentação de Spodoptera frugiperda induziu essa resposta em todos os tratamentos. O tipo de solo, porém, não provocou diferença significativa no nível de indução. O resultado indica ausência de efeito uniforme do legado das plantas de cobertura sobre todos os mecanismos de defesa do milho.

O efeito alcançou a relação entre a lagarta e Harmonia axyridis. Em ensaio sem possibilidade de escolha, o predador consumiu lagartas em ritmo semelhante, independentemente do tratamento recebido pelo solo. No ensaio com opção entre presas, ocorreu uma resposta diferente. Os adultos demonstraram preferência significativa por lagartas alimentadas em milho cultivado após ervilha. Essas lagartas receberam mais do dobro das escolhas em comparação com indivíduos oriundos dos tratamentos com triticale ou pousio.

Composição química das lagartas

A composição química das lagartas também mudou. Indivíduos alimentados em milho cultivado no solo com legado de ervilha acumularam maiores concentrações de diferentes benzoxazinoides em comparação com lagartas provenientes do tratamento com rabanete. O pousio apresentou valores intermediários para esses compostos. O tratamento com triticale ficou de fora dessa análise: as lagartas criadas nesse solo apresentaram tamanho menor do que o esperado, o que prejudicou a detecção dos compostos. O trabalho registrou concentrações de benzoxazinoides no corpo de Spodoptera frugiperda muito superiores às encontradas no tecido vegetal. Os pesquisadores ressaltam, porém, a necessidade de novos estudos para esclarecer o papel desse acúmulo na interação com predadores e parasitoides.

O experimento utilizou solo coletado em 2022 e 2023 em uma área de pesquisa com plantas de cobertura na Pensilvânia, nos Estados Unidos. O local recebia manejo orgânico sem insumos químicos desde 2014. Após a terminação e a incorporação das coberturas ao solo, no final da primavera, a equipe coletou solo superficial até vinte centímetros de profundidade. As amostras passaram por composição dentro de cada tratamento e serviram para o cultivo do milho em casa de vegetação.

Possíveis explicações

Para os pesquisadores, nutrientes e comunidades microbianas figuram entre os possíveis componentes do efeito de legado. O estudo não separou a participação de cada fator. A equipe observou tendências nos perfis de nutrientes, mas não avaliou mudanças na estrutura da comunidade microbiana. Por esse motivo, o trabalho não atribui os resultados a um mecanismo específico.

Os dados ampliam a discussão sobre o uso de plantas de cobertura no manejo integrado de pragas. A escolha da espécie anterior pode produzir efeitos além da estrutura do solo, ciclagem de nutrientes e conservação de água. O legado deixado no solo também pode modificar rotas químicas de defesa do milho, a qualidade do herbívoro como presa e o comportamento de inimigos naturais. Na avaliação dos cientistas, alinhar a escolha da cobertura ao resultado defensivo desejado poderia servir como ferramenta natural de supressão de pragas. Eles acrescentam que estudos futuros integrando microbiota, fluxo de nutrientes, crescimento vegetal e interações entre espécies serão importantes para consolidar esse caminho.

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Agro Mato Grosso

Povo Rikbaktsa se prepara para receber primeiros turistas em terras indígenas de MT

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O povo Rikbaktsa, em Mato Grosso, vai receber visitantes pela primeira vez nas Terras Indígenas Japuíra e Escondido. A experiência está prevista para ocorrer entre os dias 13 e 17 de setembro e faz parte de um processo iniciado em 2024 para criar um modelo de turismo conduzido pelos próprios indígenas.

A visita será uma espécie de teste antes da abertura das atividades. A proposta é colocar os roteiros em prática, identificar o que precisa ser melhorado e preparar as comunidades para receber visitantes sem interferir na rotina das aldeias.

O projeto prevê atividades de etnoturismo e observação de aves, sempre com acompanhamento dos moradores das terras indígenas. Para os Rikbaktsa, a ideia não é apenas receber turistas, mas transformar a atividade em uma forma de valorizar a cultura, os conhecimentos tradicionais e o próprio território.

“É a primeira vez que vamos trabalhar com turismo aqui. O teste serve para saber se a comunidade está preparada e organizar as responsabilidades”, explicou Rogederson Natsitsabui, jovem liderança da TI Japuíra.

Desde o início do projeto, os indígenas participaram de levantamentos sobre os locais que poderiam ser visitados, oficinas, capacitações e elaboração de roteiros, cardápios e regras para os visitantes.

Agora, as aldeias estão em uma espécie de mutirão para deixar tudo pronto. Banheiros e cozinhas comunitárias passam por pequenos reparos, casas tradicionais estão sendo construídas para receber os visitantes e trilhas são preparadas para os passeios.

Também foi criada uma equipe para cuidar da parte administrativa, como logística e custos. Outras pessoas ficarão responsáveis por atividades como guiar os visitantes, preparar alimentos e conduzir experiências ligadas ao modo de vida Rikbaktsa.

“Cada pessoa já sabe sua responsabilidade. Eu vou receber o pessoal na balsa e trazer até a aldeia Pé de Mutum”, contou Márcio Wauria Rikbakta, outra jovem liderança envolvida na organização.

Entre as atividades previstas estão trilhas para observação de aves em pontos considerados importantes para o monitoramento do território. As mulheres Rikbaktsa também participaram da preparação dos cardápios, com troca de ingredientes e receitas da culinária tradicional.

O projeto prevê atividades de etnoturismo e observação de aves, sempre com acompanhamento dos moradores das terras indígenas — Foto: Reprodução

O projeto prevê atividades de etnoturismo e observação de aves, sempre com acompanhamento dos moradores das terras indígenas — Foto: Reprodução

A intenção é que a visita seja baseada na troca de experiências e no respeito à cultura indígena. O calendário das atividades também deverá levar em conta a rotina das aldeias, que inclui festas, rituais, caça, coleta e outras práticas tradicionais.

Para Camila Barra, consultora que acompanha o processo, o turismo pode ir além da geração de renda.

“Pode fortalecer a cultura, a língua e a participação dos jovens, além de criar novas perspectivas de futuro a partir da ancestralidade”, afirmou Camila.

A criação do turismo de base comunitária está prevista no Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) do povo Rikbaktsa. O documento reúne decisões e diretrizes definidas pela própria comunidade para cuidar das terras indígenas e envolve temas como cultura, educação, saúde, geração de renda, alimentação e proteção territorial.

A iniciativa faz parte do projeto Berço das Águas, desenvolvido pela Operação Amazônia Nativa (OPAN) com os povos Rikbaktsa e Apiaká, com patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental. Esta é a quarta edição do projeto, que desde 2011 apoia ações de gestão territorial de povos indígenas na região da bacia do rio Juruena.

A visita-teste de setembro será, portanto, mais do que a chegada dos primeiros turistas. Para os Rikbaktsa, será uma oportunidade de avaliar na prática um modelo construído pela própria comunidade e decidir os próximos passos para que o turismo aconteça sem deixar de lado a rotina, a cultura e a autonomia do povo.

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Avião é encontrado desmontado em caminhão e 4 homens são presos por suspeita de roubo em MT

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Uma aeronave foi encontrada desmontada durante uma ação da Polícia Militar em Nova Ubiratã (MT), e quatro homens foram presos por suspeita de roubo, neste domingo (30). Os policiais também apreenderam um caminhão Munck, um carro e diversos equipamentos que, segundo a polícia, seriam utilizados para desmontar e transportar o avião.

A ocorrência começou depois que os militares receberam informações de que um grupo estaria planejando retirar uma aeronave de um aeródromo na região. Conforme a denúncia, um carro estaria sendo usado para dar apoio à ação.

Durante as buscas, os policiais localizaram o veículo na Avenida Juscelino Kubitschek. Dois homens estavam no carro e disseram ser moradores de Sorriso (MT). Segundo os suspeitos, eles teriam sido contratados por telefone por uma terceira pessoa para desmontar e retirar um avião da região.

Pouco depois, outra equipe da PM encontrou um caminhão Munck transportando a aeronave já desmontada. O motorista e o passageiro não souberam informar aos policiais quem era o proprietário do avião.

No caminhão também foram encontrados um botijão de gás, um cilindro de oxigênio, uma caixa de ferramentas, uma lixadeira com carregador, materiais de soldagem e outros equipamentos.

Os quatro homens foram presos e encaminhados para a Delegacia Municipal de Nova Ubiratã. A Polícia Civil vai investigar a origem da aeronave, identificar o proprietário e esclarecer quem teria contratado o grupo para realizar a desmontagem e retirada do avião.

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Agro Mato Grosso

Tecnologias são testadas em propriedades rurais de Mato Grosso

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Desde maio, produtores participam da etapa de Validação no Campo do programa AgriHub Conecta 2026

Tecnologias desenvolvidas para solucionar problemas do agronegócio estão sendo testadas diretamente em propriedades rurais de Mato Grosso. Desde maio, produtores participam da etapa de Validação no Campo do programa AgriHub Conecta 2026, experimentando ferramentas de startups em situações reais de produção.

A iniciativa busca verificar se produtos, serviços e plataformas desenvolvidos pelas empresas funcionam efetivamente na rotina das fazendas. Além do desempenho técnico e operacional, os testes avaliam facilidade de implantação, aderência às necessidades locais e percepção dos próprios produtores.

A Validação no Campo corresponde à sexta etapa do programa “AgriHub Conecta 2026 – Impulsionando a Inovação no Campo” e é obrigatória para as startups participantes.

O acompanhamento é realizado pela rede de inovação do Sistema Federação da Agricultura de Mato Grosso (Sistema Famato). Um técnico de campo atua como intermediário entre a startup e o produtor, acompanha os testes e coleta as avaliações sobre cada ferramenta.

Antes da implantação, as empresas também capacitam o profissional responsável pelo acompanhamento e fornecem acessos, materiais e informações necessários para a utilização das tecnologias.

Segundo Rodrigo Rejes Mendonça, técnico de campo do AgriHub, a recepção dos produtores tem sido positiva.

“Eles demonstraram entusiasmo e satisfação por receber o projeto em suas regiões e por terem a oportunidade de participar dessa iniciativa. Muitos enxergaram nas tecnologias apresentadas soluções práticas para desafios que enfrentam diariamente em suas propriedades”, afirma.

 

Tecnologia monitora fogo

Em Comodoro, no Noroeste de Mato Grosso, o produtor Paulo Adriano testa uma ferramenta para monitoramento de incêndios florestais.

A tecnologia utiliza os limites georreferenciados da propriedade para acompanhar a área e emitir alertas quando identifica focos de incêndio. Segundo o produtor, a ferramenta é especialmente importante em propriedades extensas, nas quais o monitoramento visual de todo o território é inviável.

Em uma fazenda de 10 mil hectares, por exemplo, áreas de mata fechada ou distantes de estruturas de observação dificultam a identificação rápida de um foco.

“Dispor de uma tecnologia que, a cada 10 ou 20 minutos, monitora toda a área e emite alertas de focos de incêndio é fundamental, pois o fogo só se combate de verdade no início; depois disso, são apenas medidas paliativas”, afirma Paulo.

Para colocar o sistema em funcionamento, são utilizados os dados georreferenciados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e cadastrados os telefones que deverão receber os alertas.

Segundo Paulo, a ferramenta passou também a identificar modificações na cobertura vegetal, ampliando o acompanhamento da propriedade.

 

Rede contra incêndios

O produtor avalia que o monitoramento poderia ser integrado à estrutura regional de prevenção e combate ao fogo.

A proposta seria conectar produtores, Corpo de Bombeiros e Defesa Civil, permitindo mapear equipamentos disponíveis, pontos de captação de água, pistas de pouso e equipes capazes de atuar diante de uma ocorrência.

A integração permitiria identificar não apenas o foco de incêndio, mas também os recursos disponíveis nas proximidades para uma resposta mais rápida.

“Nosso feedback é indiscutivelmente positivo. A ferramenta agora se expandiu e monitora também qualquer modificação vegetal, permitindo uma visão constante da propriedade”, diz.

 

Pecuária também testa soluções

Em Guarantã do Norte, a produtora Ana Carolina Gauer participa da validação de diferentes tecnologias em uma propriedade dedicada principalmente à pecuária de corte.

Uma delas é a InLida, utilizada para registrar informações dos animais e auxiliar na gestão do rebanho.

Ana afirma que já utilizava outra ferramenta de rastreamento, mas encontrou no novo sistema campos e relatórios que considera mais adequados às necessidades da propriedade.

“A InLida traz campos de informações extremamente úteis que geram relatórios organizados e vão facilitar muito a nossa tomada de decisão lá na frente”, afirma.

A propriedade também testa outras soluções. Algumas dependem das condições climáticas para avançar, enquanto outras são voltadas justamente à prevenção de problemas associados ao clima. Entre elas está o NoFlame, direcionado ao monitoramento de incêndios.

 

Para Ana, o contato direto com as empresas também permite conhecer aplicações que anteriormente não faziam parte da rotina da fazenda.

“Esse contato abre muito a nossa mente para novas possibilidades”, afirma.

 

Solução depende de cada região

Um dos desafios do programa é a diversidade da produção agropecuária de Mato Grosso. As propriedades possuem dimensões, atividades, infraestrutura e necessidades diferentes.

Por isso, segundo o AgriHub, a distribuição das tecnologias procura relacionar cada ferramenta aos problemas encontrados nas diferentes regiões.

Em Juruena, por exemplo, parte dos produtores tinha pouco contato anterior com projetos de inovação. Segundo Rodrigo, foi necessário um trabalho inicial de aproximação e explicação antes da implantação das ferramentas.

“Isso exigiu um trabalho de construção de confiança, diálogo transparente e presença constante em campo para esclarecer dúvidas e mostrar a credibilidade do projeto”, afirma.

Para o técnico, a participação dos produtores também permite às startups identificar ajustes necessários antes de uma eventual expansão comercial.

“As empresas se mostraram parceiras, sempre solícitas e disponíveis para acompanhar as validações, esclarecer dúvidas e buscar soluções para os desafios encontrados durante a execução do projeto”, diz.

A etapa transforma, assim, as propriedades em ambientes de teste. Enquanto os produtores avaliam se as ferramentas resolvem problemas concretos da atividade rural, as empresas recebem informações sobre desempenho, limitações e adaptações necessárias antes de ampliar o uso das tecnologias no mercado.

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