Agro Mato Grosso
Legado de plantas de cobertura altera defesa do milho MT

Ervilha, rabanete, triticale e pousio mudaram compostos de defesa do milho e a preferência de predadores
O histórico de cultivo do solo pode alterar a forma como o milho distribui recursos entre mecanismos de defesa direta e indireta contra insetos. Experimentos com solos submetidos a ervilha, rabanete, triticale ou pousio mostraram diferenças na produção de benzoxazinoides e na emissão de indol após ataque da lagarta-do-cartucho. O efeito também alcançou a interação entre a praga e um predador generalista.
Pesquisadores avaliaram o milho cultivado em solos com legados de ervilha Pisum sativum, rabanete Raphanus sativus e triticale. Uma área em pousio funcionou como controle. A equipe investigou a resposta das plantas ao ataque de Spodoptera frugiperda, além da interação das lagartas com o predador Harmonia axyridis (doi 10.1016/j.baae.2026.04.003).
Diferentes estratégias
Os resultados indicaram uma compensação entre diferentes estratégias defensivas. O milho cultivado após ervilha apresentou maior participação de indol na mistura de compostos voláteis liberados após a herbivoria. Esse composto integra os mecanismos de defesa indireta do milho. Sua atuação participa da sinalização vegetal e pode favorecer respostas relacionadas à atração de inimigos naturais.
No outro extremo, plantas cultivadas no solo mantido em pousio apresentaram maior concentração de benzoxazinoides nas folhas. Esses metabólitos atuam na defesa química direta contra herbívoros. Após 48 horas de alimentação da lagarta-do-cartucho, a quantidade total desses compostos no milho cultivado em pousio chegou a aproximadamente o dobro dos valores registrados nos demais legados de solo.
Direção diferente
A resposta do indol seguiu direção diferente. A herbivoria aumentou a emissão desse composto, enquanto o tipo de solo também apresentou efeito independente. Plantas cultivadas após ervilha registraram quase o dobro da proporção de indol no espaço aéreo em comparação com plantas oriundas do pousio. A diferença entre solos, porém, aparece em um composto específico, e não no conjunto dos voláteis: sobre o perfil geral da mistura, o efeito do tipo de solo foi apenas marginal (P = 0,0549). Os pesquisadores não detectaram resposta semelhante, associada ao legado do solo, para outros compostos avaliados, entre eles voláteis de folhas verdes, monoterpenos e sesquiterpenos.
Segundo a interpretação apresentada pelos cientistas, os resultados apontam uma possível redistribuição de recursos metabólicos entre defesa direta e indireta. O indol participa de rotas relacionadas aos benzoxazinoides, embora diferentes enzimas produzam reservatórios de indol com funções distintas dentro da planta. No solo com legado de leguminosa, o milho direcionou a resposta para maior participação do mecanismo indireto. No pousio, prevaleceu maior investimento em determinados compostos de defesa direta.
Inibidor de protease
Os pesquisadores também analisaram a expressão de um gene relacionado ao inibidor de protease. A alimentação de Spodoptera frugiperda induziu essa resposta em todos os tratamentos. O tipo de solo, porém, não provocou diferença significativa no nível de indução. O resultado indica ausência de efeito uniforme do legado das plantas de cobertura sobre todos os mecanismos de defesa do milho.
O efeito alcançou a relação entre a lagarta e Harmonia axyridis. Em ensaio sem possibilidade de escolha, o predador consumiu lagartas em ritmo semelhante, independentemente do tratamento recebido pelo solo. No ensaio com opção entre presas, ocorreu uma resposta diferente. Os adultos demonstraram preferência significativa por lagartas alimentadas em milho cultivado após ervilha. Essas lagartas receberam mais do dobro das escolhas em comparação com indivíduos oriundos dos tratamentos com triticale ou pousio.
Composição química das lagartas
A composição química das lagartas também mudou. Indivíduos alimentados em milho cultivado no solo com legado de ervilha acumularam maiores concentrações de diferentes benzoxazinoides em comparação com lagartas provenientes do tratamento com rabanete. O pousio apresentou valores intermediários para esses compostos. O tratamento com triticale ficou de fora dessa análise: as lagartas criadas nesse solo apresentaram tamanho menor do que o esperado, o que prejudicou a detecção dos compostos. O trabalho registrou concentrações de benzoxazinoides no corpo de Spodoptera frugiperda muito superiores às encontradas no tecido vegetal. Os pesquisadores ressaltam, porém, a necessidade de novos estudos para esclarecer o papel desse acúmulo na interação com predadores e parasitoides.
O experimento utilizou solo coletado em 2022 e 2023 em uma área de pesquisa com plantas de cobertura na Pensilvânia, nos Estados Unidos. O local recebia manejo orgânico sem insumos químicos desde 2014. Após a terminação e a incorporação das coberturas ao solo, no final da primavera, a equipe coletou solo superficial até vinte centímetros de profundidade. As amostras passaram por composição dentro de cada tratamento e serviram para o cultivo do milho em casa de vegetação.
Possíveis explicações
Para os pesquisadores, nutrientes e comunidades microbianas figuram entre os possíveis componentes do efeito de legado. O estudo não separou a participação de cada fator. A equipe observou tendências nos perfis de nutrientes, mas não avaliou mudanças na estrutura da comunidade microbiana. Por esse motivo, o trabalho não atribui os resultados a um mecanismo específico.
Os dados ampliam a discussão sobre o uso de plantas de cobertura no manejo integrado de pragas. A escolha da espécie anterior pode produzir efeitos além da estrutura do solo, ciclagem de nutrientes e conservação de água. O legado deixado no solo também pode modificar rotas químicas de defesa do milho, a qualidade do herbívoro como presa e o comportamento de inimigos naturais. Na avaliação dos cientistas, alinhar a escolha da cobertura ao resultado defensivo desejado poderia servir como ferramenta natural de supressão de pragas. Eles acrescentam que estudos futuros integrando microbiota, fluxo de nutrientes, crescimento vegetal e interações entre espécies serão importantes para consolidar esse caminho.
Agro Mato Grosso
Avião cai, pega fogo e deixa três mortos em fazenda de MT; veja vídeo

De acordo com o delegado responsável pela ocorrência, pelas condições da aeronave, não há sobreviventes.
Um avião de pequeno porte caiu em uma região de fazenda, a cerca de 20 km da área urbana de Água Boa(MT), nesta quinta-feira (10). O Corpo de Bombeiros informou que três pessoas foram encontradas mortas no local. A identidade delas não foi divulgada.
De acordo com o delegado Carlos Alberto, responsável pela ocorrência, pelas condições da aeronave, não há sobreviventes. Também não foi possível identificar a origem, o destino e quantas pessoas ao todo estavam na aeronave.
“O estado em que a aeronave foi encontrada impossibilitou, inicialmente, sua identificação. Por esse motivo, não foi possível, até o momento, confirmar informações sobre eventual plano de voo, local de origem ou destino da aeronave, tampouco a identidade das pessoas que estavam a bordo”, disse.
Em um vídeo gravado no local, é possível ver que a aeronave foi destruída pelo fogo (veja acima). O avião é um Cessna, prefixo N401NA e não tem registro na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
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Bombeiros combatem incêndio em aeronave em MT — Foto: Corpo de Bombeiros
Uma equipe do Corpo de Bombeiros realizou o combate das chamas no local. A área foi isolada para o trabalho da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) e da Polícia Civil.
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) foi comunicado e deverá participar dos trabalhos periciais complementares, juntamente com os demais órgãos responsáveis pela investigação.
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Bombeiros tentam combater incêndio após queda de avião em MT — Foto: Reprodução
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Agro Mato Grosso
Inimiga do sojicultor! Mosca-branca é a 3ª maior praga da soja e pode causar perdas de até 70%, alerta pesquisador

Nas lavouras de soja, inimigos silenciosos podem avançar rapidamente e provocar perdas expressivas de produtividade. É o caso da mosca-branca (Bemisia tabaci), praga que preocupa produtores para a safra 2026/27 e pode encontrar condições favoráveis de desenvolvimento. O pesquisador Germison Tomquelski, mestre e doutor em Agronomia e integrante da Desafios Agro, de Chapadão do Sul (MS), aponta que o cenário exige atenção redobrada desde o início do ciclo. “Acreditamos que será uma safra de mosca-branca, daí a necessidade de preparação para o enfrentamento”, diz.
Segundo Germison, anos de El Niño costumam acelerar o ciclo de diversas pragas e favorecer a ocorrência da mosca-branca. Ele lembra que safras anteriores marcadas por altas infestações chegaram a registrar dificuldades no controle, inclusive com falta de produtos específicos no mercado. “Para uma safra como essa, bem desafiadora, o produtor precisa se preparar um pouco mais e estar mais presente no campo, principalmente no monitoramento”, aponta. A atenção deve começar pelas bordaduras, onde geralmente surgem as primeiras revoadas de adultos.
O pesquisador explica que, após a chegada dos adultos, é fundamental identificar rapidamente a presença de ninfas nos folíolos da soja. O acompanhamento pode ser feito com o auxílio de lupa, permitindo detectar as primeiras formas jovens da praga e antecipar as medidas de controle. “É muito importante que o produtor se atente um pouco mais, porque essa infestação pode ser inicial e ocorrer antes do fechamento da cultura”, diz Germison. Para ele, a lavoura deve chegar ao fechamento com níveis muito baixos de infestação, preferencialmente sem a presença de ninfas.
A mosca-branca é uma praga sugadora que pode comprometer o desenvolvimento da soja. Ao se alimentar da seiva, o inseto elimina uma substância açucarada sobre as folhas, favorecendo o aparecimento da fumagina, fungo que recobre a superfície foliar e prejudica a fotossíntese. O resultado pode ser menor enchimento de grãos e redução da produtividade. “É uma praga que gera prejuízos aí chegando até 70% na produtividade”, ressalta o pesquisador, que também chama atenção para a transmissão de viroses pela praga.
No manejo, Germison recomenda que o produtor não espere o momento das aplicações de fungicidas para realizar o controle da mosca-branca. A estratégia, segundo ele, deve começar logo nas primeiras infestações, utilizando produtos capazes de atuar principalmente sobre ovos e ninfas e, assim, contribuir para a quebra do ciclo da praga. “Muitas vezes, o produtor faz uma reaplicação para mosca-branca com o mesmo intervalo do fungicida, e assim não se quebra o ciclo da praga”, explica. O pesquisador destaca ainda a buprofezina, ingrediente ativo que atua sobre as formas jovens e apresentou indicadores de eficácia próximos de 80% em avaliações.
Além do controle da praga, o monitoramento também é importante para identificar possíveis casos de viroses e evitar que problemas sejam confundidos com outros sintomas presentes na lavoura. Germison orienta que, diante de suspeitas, o produtor procure a empresa responsável pela semente e pela genética utilizada para uma avaliação adequada. “O produtor, se detectar, deve chamar a empresa detentora da semente, a dona da genética de quem ele comprou, para que faça uma análise melhor”, aponta. A recomendação central, portanto, é antecipar-se à infestação, incluindo monitorar, identificar as primeiras ninfas e realizar o manejo no momento correto.
Agro Mato Grosso
América Clima e Mercado 2026 acompanha as condições das lavouras nos Estados Unidos

5ª temporada do projeto começou pelo Texas e passou por Oklahoma, Kansas, Missouri e Iowa
A 5ª temporada do América Clima e Mercado teve início nesta semana nos Estados Unidos. A comitiva da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) iniciou as visitas pelo Texas, onde pôde observar as condições da cultura de soja e milho na região. O projeto foi criado para entender os gargalos que os agricultores norte-americanos enfrentam com logística, clima, armazenamento e outros problemas enfrentados por cada estado.
O presidente da Aprosoja MT, Lucas Costa Beber, explicou que a observação teve início no Texas, na cidade de Dallas, e, no local, ele conseguiu observar lavouras secas e milho sem qualidade nas plantações. Em seguida, a comitiva seguiu para Oklahoma e a situação das lavouras semelhantes.
“Em Dallas nós percebemos que as lavouras estavam secas, o que é o normal, porém as previsões desse ano é justamente uma quebra de safra para aquele estado e as lavouras realmente estão mais secas e o milho com uma menor qualidade do que nós vimos nos anos anteriores. Já no segundo estado, em Oklahoma a situação também é muito parecida”, explicou.
Continuando com as observações, a comitiva seguiu para o Kansas, onde puderam observar que, no estado, a situação das lavouras é mais delicada que a do Texas e Oklahoma. Segundo o presidente, o estado do Kansas está sofrendo com a seca mais severa.
“A situação do estado do Kansas é bem delicada, somente o nordeste daquele estado, ou seja, menos de um quarto da proporção do estado, está com condições boas de lavoura, tendo chuvas regulares. O restante do estado com temperaturas altas e também com falta de chuva”, destacou.
O delegado coordenador do núcleo de Itanhangá, Ivam Franceschet, explicou que, durante conversa com um dos produtores rurais do estado do Kansas, pôde entender melhor sobre as dificuldades que eles estão enfrentando na região.
“O produtor Jason relatou a nós uma expectativa de produtividade em torno de 28 sacas de soja por hectare, boa parte dessa soja foi plantada em cima de áreas da colheita de trigo e que o regime de chuvas foi muito irregular, com temperaturas altas, aliado a um alto custo, com um aumento de em torno de 30% a 40% e que está dificultando e tirando toda a margem de lucro. Reclamou bastante da situação, da questão de rentabilidade, de manter a família na atividade e que o seguro que ele tem cobre somente o custo de produção e não tem cobertura sobre a rentabilidade”, disse.
O produtor rural do núcleo de Canarana, Lino Costa, que também compõe a comitiva, contou que foram bem recebidos pelos produtores da região. Além disso, ele observou que, na região norte do Kansas, as lavouras estão melhores do que na região sul.
“Por sorte o produtor vinha saindo da propriedade e encontramos ele na saída. Ele muito cordialmente nos recebeu e deu várias informações para nós falando sobre a produtividade da região ali perto de Kansas City que é mais ao norte de Kansas. Lavouras com uma condições um pouco melhor que ao sul do Kansas. A soja deles nós avaliamos, imaginamos que ela tenha uma produtividade boa. O milho dele em relação as outras é um pouco mais inferior, mas ele nos relatou que está muito descontente com a questão dos custos de produção. E com as guerras que estão acontecendo, os custos de produção dele”, relatou.
Após isso, a comitiva passou por Missouri, onde viu lavouras melhores que as anteriores, porém com bastante avariações em soja. Já em Iowa, as lavouras estavam em melhores condições.
Com a passagem por diferentes estados, a comitiva segue acompanhando as condições das lavouras e ouvindo os produtores sobre os principais desafios enfrentados no campo. As informações coletadas durante a missão contribuem para ampliar o conhecimento sobre a produção de soja e milho nos Estados Unidos e suas diferenças em relação a Mato Grosso.
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