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31 de agosto de 2026

Sustentabilidade

Nova publicação apresenta estratégias para enfrentamento da seca no cultivo do arroz de terras altas no cerrado – MAIS SOJA

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Já está disponível para acesso e download gratuito no portal da Embrapa a publicação “Arroz de terras altas: sintomas de deficiência hídrica e estratégias de mitigação”. O documento é uma síntese atualizada sobre os sintomas da deficiência hídrica no arroz de terras altas e apresenta as principais estratégias para mitigação de seus efeitos. Ao integrar conhecimentos provenientes das áreas de fisiologia, bioquímica, genética, agronomia e manejo, oferece subsídios para pesquisadores, técnicos, estudantes e produtores. O objetivo é contribuir para o desenvolvimento e a adoção de práticas produtivas mais resilientes, eficientes e sustentáveis, fortalecendo a capacidade de adaptação da agricultura às mudanças climáticas e assegurando a continuidade da produção de arroz de terras altas. A obra foi elaborada pela Embrapa Arroz e Feijão.

O arroz de terras altas no cerrado brasileiro é uma cultura bastante sensível à estiagem durante sua safra (novembro a março), o que pode reduzir drasticamente a rentabilidade da lavoura. A seca é causada por fenômenos meteorológicos com chuvas insuficientes e calor excessivo que leva à perda de água do solo acarretando deficiência hídrica nas plantas. Para diminuir esse tipo de impacto ocasionado por veranicos, a pesquisa da Embrapa defende algumas estratégias, dentre elas, práticas de manejo da lavoura, melhoramento genético da cultura e a realização da semeadura conforme o Zonea­mento Agrícola de Risco Climático (ZARC).

Em relação ao manejo da lavoura, a densidade de plantio de­sempenha papel relevante na quantidade e distri­buição de água disponível para as plantas. De acordo com o pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão, Mábio Lacerda, a quantidade de plantas semeadas em um mesmo espaço deve ser adequada e conduzida de modo a levar em conta recursos naturais, insumos e histórico da área de cultivo para equilibrar a competição por nutrien­tes, água e luz, fatores que podem limitar o processo produtivo. Em anos mais secos, o objetivo é evitar que a lavoura “gaste” água cedo demais por competição excessiva entre plantas.

“De modo geral, em ambientes favoráveis e com cultivares de arquitetura moderna, costuma-se trabalhar com espaçamento entre 17 e 25 cm, com 50 a 70 sementes por metro. Esse estabelecimento da população de plantas de modo planejado permite melhor eficiência do uso de recursos”, disse o pesquisador.

A época de plantio é também uma das práticas de manejo mais eficazes para reduzir a perda de rendimento de grãos do arroz de terras altas. Ela está relacionada à previsão das fases de desenvolvimento das plantas e permite evitar que etapas sensíveis coincidam com períodos mais comuns de restrição hídrica. Há vários estudos da Embrapa que mostram que a se­meadura tardia leva ao declínio na rentabilidade da lavoura, devido às condições ambien­tais adversas, como a baixa disponibilidade de água no solo.

Nesse sentido, existe uma ferramenta que vem ao auxílio de técnicos e agricultores chamada Zonea­mento Agrícola de Risco Climático (aplicativo Zarc – Plantio Certo). O ZARC tem como base o risco agroclimático e indica janelas de cultivo mais propícias ao desenvolvimento da cultura do arroz de terras altas, conforme o ciclo de cultivares, a época de semeadura, o tipo de solo e a localidade de plantio, diminuindo as chances de exposição da lavoura a condições desfavoráveis. O ZARC – Plantio Certo pode ser acessado de forma gratuita.

Além do controle da densidade e época de plantio, a escolha da cultivar também traz impacto para a lavoura. O programa de melhoramento do arroz de terras altas da Embrapa avalia, por exemplo, plantas para tolerância à deficiência hí­drica desde 2004. Uma das cultivares resultantes desse trabalho é a BRS Esmeralda que possui ampla adaptação de cultivo e estabilidade de produção, além de rusticidade.

De acordo com o coordenador do programa de melhoramento de arroz de terras altas da Embrapa Arroz e Feijão, Adriano Castro, “atualmente, além de duas popu­lações de seleção recorrente, cruzamentos especí­ficos são feitos para tolerância à deficiência hídrica, em que populações segregantes são conduzidas e avaliadas sob condições de estresse”, pontuou.

Adriano Castro explicou também que mais recentemente foram incorporadas novas linhas de pesquisa para aprimorar a oferta de cultivares no segmento. Segundo ele, o melhoramento de plantas passou a usar ferramentas biotecnológicas para seleção assistida por marcadores moleculares, seleção genômica e edição gênica direcionada, a fim de facilitar a identi­ficação de genes de tolerância à seca em diversas combinações parentais. O objetivo é tornar mais efi­ciente e rápido o desenvolvimento de cultivares.

Ainda sobre questões de manejo da lavoura, existem estratégias importantes para conservação da água e enfrentamento da seca como o Sistema Plantio Direto e a rotação de culturas. O primeiro reduz a deficiência hídrica do solo porque a palhada minimiza a perda de umidade do solo para a atmosfera em dias quentes. “O Sistema Plantio Direto também atua no controle do escorrimento superficial e nas perdas de água da chuva, propiciando maior armazenamento de água no solo e menor risco de estresse para o arroz de terras altas”, complementou Mábio Lacerda.

No que diz respeito à rotação de culturas, a pesquisadora da Embrapa Arroz e Feijão, Anna Lanna, ponderou que diferentes cultivos em sucessão propiciam me­lhoria da qualidade física, química e biológica do solo, como por exemplo, a capacidade de retenção de água, a maior concentração de matéria orgânica, e a diversidade da população microbiana benéfica às plantas. “A rotação é virtuosa tanto devido a alterações na estrutura fí­sica do solo, que afetam diretamente a dinâmica da água e as características de enraizamento das plantas, quan­to às alterações na composição biológica do solo, como a presença de microrganismos solubilizadores de nutrientes essenciais às plantas e que influenciam o nível de tolerância das plantas ao estresse hídrico”, esclareceu a pesquisadora.

Complementarmente, Anna Lanna afirmou que a manutenção de um sistema de produção economicamente viável deve preconizar a diversidade de microrganismos biologicamente integrados que ajudam na ciclagem de nu­trientes do solo, além de ação mútua com as plantas para minimizar os efeitos da deficiência hídrica. Ela citou que os três principais grupos de microrganismos benéficos para promover a saúde das plantas, especialmente sob condições de estresse, são rizobactérias promotoras de crescimento de plantas, fungos micorrízicos arbusculares e rizóbios fixadores de nitrogênio. Todos eles são nativos do solo, mas podem ser introduzidos nas lavouras, conforme a necessidade, como produtos já comercialmente disponíveis, denominados bioinsumos.

“Esses microrganismos podem melhorar a capacidade de retenção de água pelas plantas, so­lubilizar fósforo, produzir fitormônios como auxinas e citocininas, fixar nitrogênio atmosférico, facilitar a decomposição de resíduos vegetais aumentando o teor de húmus do solo para a melhoria funcional de um agroecossistema”, comentou Anna Lanna.

Segundo Adriano Castro, que também é Chefe Adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Arroz e Feijão, todas essas estratégias de redução do impacto da seca integram conhecimentos das áreas de fisiologia, bioquímica, genéti­ca, agronomia e manejo, oferecendo subsídios a pesquisadores, técnicos, estudantes e produ­tores. “O objetivo final é contribuir para o desenvolvimento e a adoção de práticas produtivas mais resilientes, eficientes e sustentáveis, fortalecendo a capacidade de adaptação e a continuidade da produção de arroz de terras altas em sistemas tropicais”, concluiu.

Fonte: Embrapa



 

FONTE

Autor:Rodrigo Peixoto (MTb/GO 1.077) – Embrapa Arroz e Feijão

Site: Embrapa

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Sustentabilidade

Saiba como ficaram as cotações de soja no último dia de agosto

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Foto: Pixabay

O mercado brasileiro de soja registrou preços pouco alterados, com fraca movimentação de negócios nesta segunda-feira. Segundo o analista de Safras & Mercado, Rafael Silveira, a Bolsa de Chicago teve pequenos movimentos, com oscilações que ocorreram até no campo negativo, mas com o mercado fechando bem próximo da abertura.

“No físico, um dia bem nominal, com algumas regiões subindo preços, outras caindo, mas sem grandes ajustes. No geral, poucos negócios ocorrendo, as cotações estão em excelentes patamares, mas o produtor preferiu segurar as ofertas querendo indicações melhores”, destacou Rafael Silveira.

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No mercado físico, as cotações apresentaram poucas alterações nesta segunda-feira (31). Confira:

  • Passo Fundo (RS): manteve em R$ 152,00
  • Santa Rosa (RS): manteve em R$ 153,00
  • Cascavel (PR): manteve em R$ 149,00
  • Rondonópolis (MT): subiu de R$ 143,00 para R$ 144,00
  • Dourados (MS): subiu de R$ 140,00 para R$ 141,00
  • Rio Verde (GO): manteve em R$ 145,00
  • Paranaguá (PR): manteve em R$ 160,00
  • Rio Grande (RS): manteve em R$ 160,00

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja fecharam mistos, perto da estabilidade na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), em um dia de ajustes e volatilidade. O mês de agosto, no entanto, foi marcado por uma consistente valorização, em torno de 8%.

Hoje, o fraco desempenho do trigo e um movimento de realização de lucros evitaram ganhos maiores. Em contrapartida, a boa demanda pelo produto americano, a alta do petróleo e a queda do dólar seguiram sendo fatores de sustentação.

Os exportadores privados norte-americanos reportaram ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a venda de 159.000 toneladas de soja para destinos não revelados, a serem disponibilizadas na temporada 2026/27.

As inspeções de exportação norte-americana de soja chegaram a 250.801 toneladas na semana encerrada no dia 27 de agosto. Na semana anterior, as inspeções de exportação de soja haviam atingido 430.079 toneladas. Em igual período do ano passado, o total inspecionado fora de 491.966 toneladas.

Contratos futuros de soja

Os contratos da soja em grão com entrega em novembro fecharam estáveis, a US$ 12,88 por bushel. A posição janeiro teve cotação de US$ 13,03 1/4 por bushel, com elevação de 0,50 centavo de dólar ou 0,03%.

Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou com baixa de US$ 3,60 ou 1,03%, a US$ 345,30 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 71,12 centavos de dólar, com ganho de 0,06 centavo ou 0,08%.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão com baixa de 0,28%, sendo negociado a R$ 5,1811 para venda e a R$ 5,1791 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,1610 e a máxima de R$ 5,1899. No mês, a moeda teve valorização de 2,22%.

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Sustentabilidade

Exportações de soja dos EUA recuam 41,7% na semana, aponta USDA

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Foto: Ivan Bueno/AnP

Os volumes de soja e trigo inspecionados para exportação nos portos dos Estados Unidos recuaram na semana encerrada em 27 de agosto, enquanto os embarques de milho apresentaram alta. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (31) pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

No período, foram inspecionadas 250.801 toneladas de soja, uma queda de 41,7% em relação à semana anterior. Na comparação com a mesma semana do ano passado, o volume representa uma retração de 49%.

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Já o milho teve 1,496 milhão de toneladas inspecionadas para exportação, alta de 13,1% ante a semana anterior e avanço de 6,12% em relação ao mesmo período de 2025.

No caso do trigo, o volume chegou a 430.925 toneladas, queda de 0,37% na comparação semanal e recuo de 46,5% ante igual semana do ano passado.

No acumulado do ano-safra, os embarques de milho somam 83,81 milhões de toneladas, volume 25,14% superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior. As exportações de soja totalizam 40,74 milhões de toneladas, queda de 18,2%, enquanto o trigo acumula 4,78 milhões de toneladas, retração de 28,4%.

O relatório do USDA considera o ano-safra iniciado em 1º de junho de 2026 para o trigo e em 1º de setembro de 2025 para milho e soja.

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Sustentabilidade

El Niño pior do que o previsto? Sojicultora comenta precaução necessária na safra 26/27 de soja

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Imagem gerada por IA para o Canal Rural

Vem aí uma nova safra de soja, e as condições climáticas devem exigir atenção redobrada dos produtores. Em entrevista ao Soja Brasil, a produtora rural Taissa Botton, comentou as preocupações para a safra 2026/27 diante da possibilidade de um El Niño mais intenso do que o inicialmente previsto.

Segundo ela, um cenário climático adverso pode interferir diretamente no calendário das operações agrícolas, desde o plantio até a colheita, além de afetar o planejamento de outras culturas.

“Se nós tivermos um El Niño um pouco pior do que o previsto, isso vai impactar diretamente a nossa produção. O tempo do plantio, o tempo da colheita, tudo isso vai ser muito influenciado. E não apenas isso, mas a própria cultura”, disse Taissa.

A produtora explica que qualquer atraso no plantio da soja pode comprometer também a janela ideal para o cultivo do milho. “Muitas vezes nós plantamos a soja muito rápido para conseguirmos plantar o milho dentro da nossa janela. E, diante de uma previsão de El Niño em que talvez nós tenhamos que atrasar um pouquinho o plantio, isso pode impactar diretamente no milho”, apontou.

Diante desse cenário, Taissa avalia que alguns produtores poderão precisar rever o planejamento da próxima safra. “Talvez seja melhor nós trocarmos a cultura ou observarmos outro tipo de cultura. Então, confesso que fiquei um pouquinho assustada”, afirmou.

Além das incertezas climáticas, os custos elevados de produção também preocupam. Para a produtora, a combinação entre clima, despesas no campo e condições de financiamento exige cautela por parte dos agricultores.

“Temos que ter muita cautela. O custo é extremamente elevado em razão da guerra, dos nossos insumos. Justamente em razão dessa previsão de termos uma seca, temos uma preocupação com a semente que virá no próximo ano”, explicou.

A possibilidade de um período mais seco também pode aumentar a pressão de pragas nas lavouras e elevar a necessidade de aplicações de defensivos. “Uma vez que nós temos seca, muito provavelmente teremos mais pragas na lavoura, e isso não é bom para ninguém, nem para o produtor e nem para o próprio grão”, destacou.

Na avaliação de Taissa, outro ponto de atenção está na comercialização da produção. Mesmo diante de uma possível redução da produtividade, ela não vê garantia de que os preços da soja acompanhem essa queda na oferta.

“Embora tenhamos uma previsão de baixar um pouquinho a produtividade, o nosso preço não pode não reagir conforme deveria, e nós estamos em uma época de endividamento muito alto”, afirmou.

Para a produtora, o cenário reúne três fatores preocupantes: menor produção, custos elevados e preços que podem não acompanhar as necessidades do produtor. “Então nós teremos uma baixa produção com um custo alto e um preço que não acompanhará, juntamente com um endividamento alto, que já vem de uma, duas safras”, concluiu.

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