Sustentabilidade
Sojicultora vence Prêmio Mulheres do Agro e destaca agricultura regenerativa no campo

Na última semana, o Prêmio Mulheres do Agro, iniciativa da Bayer em parceria com a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), reconheceu 10 mulheres que atuam no setor, sendo nove produtoras rurais e uma pesquisadora. Na categoria Grande Propriedade, o primeiro lugar ficou com a sojicultora Aline Vick, que atua à frente das operações agrícolas da Fazenda Estância, em Pirassununga, no interior de São Paulo.
Na propriedade, ela trabalha com diferentes culturas, entre elas soja, milho, sorgo, mandioca e cana-de-açúcar. Segundo Aline, o pai já atuava na fazenda e a irmã havia dado continuidade ao trabalho, com práticas como plantio direto e rotação de culturas. Com a chegada das irmãs à gestão, essas estratégias foram ampliadas e passaram a fazer parte do foco da propriedade.
“Quando eu e minha irmã assumimos a gestão da fazenda, a gente acabou ampliando essas práticas de agricultura regenerativa e transformando isso no foco da fazenda”, explicou.
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Entre os principais desafios para a produção atualmente, Aline destaca as temperaturas elevadas e os períodos prolongados sem chuva, inclusive durante a estação chuvosa. Para enfrentar essas condições, a propriedade busca manter o solo protegido durante todo o ano.
“Uma das coisas que ajuda a gente a manter a temperatura do solo e segurar a umidade dentro do solo quando não tem chuva é ter uma boa palhada. Na fazenda, a gente tenta manter sempre o solo coberto o ano todo”, afirmou.
A produtora também cita o uso de bioinsumos como uma das estratégias adotadas para auxiliar as plantas em períodos de estresse. Para ela, o clima é um desafio recorrente e pode provocar perdas tanto em períodos de estiagem quanto de excesso de chuva.
“Desde que eu estou na fazenda, o clima foi um desafio em todos os anos. Tivemos anos muito diferentes, muito secos, e também anos em que perdemos produção por conta do excesso de chuva. Por mais que os volumes hídricos sejam muito parecidos entre um ano e outro, o que muda é a uniformidade dessas chuvas”, disse.
De acordo com Aline, períodos prolongados sem precipitação seguidos por chuvas intensas em poucas horas também podem causar impactos na produção. Nesse cenário, a agricultura regenerativa contribui para aumentar a capacidade do solo de reter água e favorecer o desenvolvimento das raízes.
“O clima sempre é uma preocupação. É difícil porque é um negócio que não está no nosso controle, mas a agricultura regenerativa ajuda justamente nisso: segurar água dentro do solo, fazer raízes mais profundas que vão buscar água quando tiver e por aí vai”, afirmou.
Para Aline, o reconhecimento pelo Prêmio Mulheres do Agro foi inesperado e representa uma valorização de sua trajetória no setor.
“Foi muito inesperado receber o prêmio. Eu não estava esperando, mas é muito gratificante ter esse reconhecimento, principalmente para uma pessoa que não está no agro há muito tempo e cuja família também não tem um legado tão grande no agro. O meu aprendizado é todos os dias, correndo a lavoura com a minha equipe”, contou.
Ao falar sobre sua experiência, a produtora também destacou a importância de manter o diálogo, inclusive diante de situações difíceis dentro e fora do ambiente rural.
“As conversas são difíceis, seja com o seu chefe, quando é seu pai, por exemplo, não é fácil, mas tenham paciência. Também existem conversas difíceis com pessoas que não são do agro. Eu saí da capital para ir para o interior, tinha outra cabeça e aprendi muito estando lá. Essas conversas são difíceis, mas a gente tem que ter paciência, tentar não ser reativos e ensinar”, afirmou.
A Fazenda Stancia também mantém as portas abertas para compartilhar conhecimento sobre as práticas adotadas no campo. “A fazenda hoje está de portas abertas justamente para poder ensinar lá no campo como funciona a agricultura sustentável”, concluiu.
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Sustentabilidade
Brasil poderá importar maior volume de trigo em 30 anos na temporada 2026/27 – MAIS SOJA

O Brasil poderá importar mais de 9 milhões de toneladas de trigo na temporada atual 2026/27, alcançando o maior volume dos últimos 30 anos, segundo estimativa apresentada pelo presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Rubens Barbosa, durante a abertura do 33o Congresso Internacional da entidade nesta quinta-feira (22), no Rio de Janeiro (RJ).
A perspectiva de aumento das importações está relacionada à redução da produção nacional, afetada pelas condições climáticas nos principais estados produtores do Sul e Sudeste, e à consequente perda de produtividade e qualidade dos grãos. Segundo Barbosa, a volatilidade dos custos de produção e as oscilações dos preços internacionais também influenciaram as decisões de plantio, deixando a área colhida abaixo do potencial produtivo brasileiro.
“Como desdobramento direto dessa menor disponibilidade interna do trigo, o Brasil registrará um aumento recorde nas importações”, afirmou Barbosa.
A qualidade do trigo argentino também poderá influenciar o volume das compras externas. Caso não haja recuperação em relação à safra passada, o Brasil poderá ampliar ainda mais os desembarques para garantir o abastecimento dos moinhos e da indústria alimentícia.
Durante o congresso, o presidente do conselho deliberativo da Abitrigo, Daniel Kümmel, informou que os moinhos brasileiros processaram 13,275 milhões de toneladas de trigo em 2025. Ele destacou que o aumento das compras externas representa um desafio para toda a cadeia, especialmente em relação à infraestrutura portuária, à armazenagem, ao capital de giro e ao câmbio.
“Nunca trouxemos tanto trigo de fora”, afirmou Kümmel.
O aumento ocorre em um cenário de pressão sobre os custos do setor. Barbosa apontou os gastos com insumos e embalagens, a elevação de 1,17% na carga tributária sobre o trigo importado e a redução de 10% do crédito presumido entre os fatores que poderão pressionar os custos do trigo em 2026/27 e afetar os preços da farinha e de produtos derivados, como pães, massas e bolos.
A Abitrigo também pretende apresentar as demandas do setor ao novo governo a partir de janeiro. Entre as prioridades estão a formulação de uma política nacional para o trigo, melhorias na infraestrutura de armazenagem, linhas de crédito específicas para a cadeia e o incentivo à expansão do cultivo no Cerrado.
Fonte: Agência Safras
Autor:Ritiele Rodrigues – ritiele.rodrigues@safras.com.br (Safras News)
Site: Agência Safras
Sustentabilidade
STF decide que Funrural cobrado antes de 2018 é inconstitucional. E agora? – MAIS SOJA

No dia 15 de outubro, por 6 a 5 votos, os ministros dos Supremo Tribunal Federal decidiram que a cobrança da contribuição previdenciária para o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural) feita até 31 de dezembro de 2017 é inconstitucional. A conclusão vale tanto para as cobranças feitas a produtores rurais pessoa física quanto para as empresas compradoras de produtos rurais — que faziam os pagamentos na forma de sub-rogação.
De maneira geral, o entendimento da maioria do Tribunal é de que não havia clareza e todos os requisitos legais exigidos na legislação que embasava a cobrança da contribuição. No julgamento, os ministros também concluíram que a publicação da Lei 13.606, em 2018, tornou a exigência de pagamento constitucional. Desta forma, cobranças feitas a partir de 1º de janeiro de 2018 são regulares.
E agora?
Quem possui processos administrativos/judiciais, execuções fiscais e depósitos judiciais relacionados a cobranças anteriores a 2018 poderá pedir a extinção ou anulação dos procedimentos com base na decisão do STF.
Porém, o Supremo não definiu se quem pagou o Funrural antes de 2018 terá direito a reaver os valores ou quais diretrizes devem ser adotadas para os parcelamentos ativos. A expectativa é de que esses pontos, considerados “efeitos” da declaração de inconstitucionalidade da cobrança, sejam esclarecidos em um novo julgamento — que não tem data prevista para acontecer.
Recomendação da Aprosoja
A recomendação da Aprosoja Brasil é de que cada produtor converse com o contador e assessoria jurídica de confiança para avaliar o seu caso individual, principalmente se houver débito inscrito em dívida ativa ou ação judicial em curso referente a período anterior a 2018.
A Aprosoja seguirá acompanhando o processo no STF até o completo encerramento do tema.
Fonte: Aprosoja Brasil
Sustentabilidade
Embrapa alerta para risco de propagação de bacteriose no trigo através de sementes – MAIS SOJA

A presença do fenômeno El Niño, com chuvas por vários dias consecutivos, combinada com temperaturas mais amenas, está favorecendo a ocorrência de bactérias nas lavouras de trigo na Região Sul. A Embrapa Trigo alerta para o cuidado na produção de sementes em áreas afetadas pela bacteriose.
A safra de trigo entra na reta final no Rio Grande do Sul. O ambiente desafiador, com excesso de chuva na maioria das regiões produtoras, agravou a incidência de doenças nas lavouras, principalmente causadas por fungos, como manchas foliares, ferrugem e oídio. Contudo, nos últimos meses, lesões translúcidas e com características de queima têm sido registradas nas folhas das plantas, possivelmente causadas pelo ataque de bactérias.
Conforme o pesquisador da Embrapa Trigo, João Leodato Nunes Maciel, longos períodos com chuva e alta umidade, combinados com temperaturas amenas, em torno de 15 a 20ºC, favorecem o desenvolvimento de bactérias da espécie Pseudomonas syringae pv. syringae, agente causal da queima bacteriana da folha de trigo. “Pseudomonas é habitante natural das folhas de trigo, mas também sobrevive em restos culturais e em sementes. Quando as condições climáticas são ideais ao desenvolvimento da bactéria, como neste ano, a população bacteriana aumenta a tal ponto que a ação das toxinas produzidas contribui significativamente para o aparecimento de sintomas de queima das folhas”, esclarece o pesquisador.
Manejo da bacteriose
Não existe um defensivo agrícola registrado no MAPA para controle de bacteriose na cultura do trigo e os fungicidas não servem para o controle das bactérias, que podem continuar no ambiente mesmo após a aplicação do defensivo. “No entanto, nesta época, o produtor deve fazer a aplicação de fungicidas para controlar fungos e prevenir doenças de espiga. Em algumas lavouras com cultivares suscetíveis à ferrugem e manchas, a infecção por outros patógenos, incluindo bactérias, pode ser favorecida devido à maior debilidade da planta, sendo então necessário continuar o controle para as demais doenças e não sobrestimar o potencial de dano causado pela bactéria”, afirma João Leodato.
Bactérias nas sementes de trigo
Pseudomonas syringae pv. syringae é uma bactéria capaz de sobreviver em diversos ambientes, tais como na superfície de plantas hospedeiras (se alimentando de substâncias produzidas nas folhas, mesmo sem causar sintomas), no solo, em restos culturais e nas sementes.
A partir da semente de trigo a bactéria pode ser transmitida para a nova planta. Os sintomas dessa infecção aparecem já nas folhas primárias, na forma de lesões com aspecto encharcado, de cor verde-acinzentado a marrom-claro. Entretanto, a presença de Pseudomonas em sementes de trigo não tem sido associada à podridão ou morte de raízes das plantas.
A confirmação de que P. syringae pv. syringae está presente na semente pode ser realizada por meio de testes laboratoriais. Contudo, o pesquisador João Leodato Maciel reitera que não existem produtos bactericidas oficialmente registrados para o tratamento de sementes. Ainda, segundo ele, os resultados obtidos na avaliação de tratamentos preventivos, como a termoterapia, não forneceram dados suficientes para recomendar esta prática como uma medida de manejo da doença viável tecnicamente. “A recomendação para evitar ou minimizar os danos da queima bacteriana causada por Pseudomonas é a utilização de sementes livres da bactéria, condição que está diretamente vinculada ao uso de sementes produzidas em lavouras com baixa ocorrência da doença”, orienta Maciel. O pesquisador avalia que o uso de cultivares resistentes à doença também é uma medida importante que, entretanto, no Brasil se torna limitada devido ao pouco volume de informações relativas à reação das cultivares à queima bacteriana.
Fonte: Embrapa
Autor:Joseani M. Antunes (MTb 9693/RS) Embrapa Trigo
Site: Embrapa
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