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31 de agosto de 2026

Agro Mato Grosso

Mão de obra vira gargalo para o avanço do agro em MT

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A falta de trabalhadores no campo deixou de ser apenas uma dificuldade pontual de contratação e passou a representar um dos principais obstáculos à expansão da agropecuária brasileira. É o que aponta estudo inédito da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), elaborado em parceria com o Cepea/Esalq/USP. Segundo o levantamento, 44,5% dos produtores consideram a mão de obra o principal desafio enfrentado no campo, à frente de custos, clima e preços.

O diagnóstico mostra que o problema envolve tanto a quantidade de trabalhadores disponíveis quanto a qualificação e a capacidade de retenção desses profissionais. 94,8% dos produtores entrevistados relataram dificuldades para contratar, enquanto 84,3% afirmaram trabalhar com um quadro de pessoal abaixo do necessário.

As consequências já aparecem diretamente na produção. Entre os produtores que identificaram impactos, 48,7% apontaram atrasos nas operações; 48% disseram ter adiado ou desistido de planos de expansão; 43,9% registraram aumento dos custos com mão de obra; 42,6% anteciparam investimentos em mecanização e automação; e 42% relataram redução da produção.

Tecnologia como resposta

A escassez de trabalhadores ocorre justamente em um setor que passou por uma profunda transformação tecnológica. Entre 1995 e 2025, a produtividade por hora trabalhada na agropecuária brasileira cresceu 515%, enquanto a produtividade do conjunto da economia avançou 28%.

No período de 2012 a 2025, a área agrícola aumentou 43,2%, mas o número de empregados por 100 hectares caiu 38,5%. Para a economista da CNA Isabel Mendes, parte dessa mudança é consequência direta da dificuldade de encontrar trabalhadores.

“A parte da redução da intensidade de trabalho é também resposta à escassez, ou seja, o produtor rural optou por investir em tecnologia para aumentar a produtividade e oferecer melhores salários”, explicou.

A pesquisa mostra que 88,8% dos produtores buscaram alguma alternativa para enfrentar a falta de mão de obra. Entre as estratégias estão investimentos em tecnologia, ações para atrair e reter trabalhadores, mudanças na atividade produtiva e ampliação da terceirização.

A valorização salarial também se tornou uma ferramenta de competição por profissionais. Entre 2021 e 2025, os salários do agro cresceram 35%, acima dos 24,8% registrados nos demais setores. No Centro-Oeste, o avanço chegou a 68%, enquanto os salários urbanos aumentaram 16%.

Um desafio que vai além do campo

O estudo aponta que a redução da mão de obra rural está relacionada a transformações estruturais da sociedade, como o aumento da escolarização, a expansão das oportunidades de emprego fora do agro e o processo de urbanização.

A questão dos programas de transferência de renda também entrou no diagnóstico. Segundo a pesquisa, 83% dos produtores perceberam algum efeito desses programas sobre a disponibilidade de trabalhadores, enquanto 63,2% afirmaram ter vivenciado situações em que candidatos recusaram vagas para não perder o benefício.

O levantamento estima que, entre 2018 e 2025, o aumento do valor e do número de beneficiários do Bolsa Família reduziu a força de trabalho entre 2,2 e 4,7 pontos percentuais no país. No agro, a redução estimada foi de 3,07 pontos percentuais.

Durante o debate sobre o tema, especialistas defenderam que o desafio não está na existência dos programas sociais, mas no desenho das políticas e nos incentivos criados para a entrada e permanência no mercado formal. A proposta é tornar a proteção social mais compatível com o trabalho, evitando que a formalização represente perda abrupta de benefícios.

Espaço para avançar

Apesar dos ganhos expressivos de produtividade, o agro brasileiro ainda apresenta distância em relação às economias mais desenvolvidas. Em 2024, a produtividade agropecuária do país foi estimada em US$ 12,7 mil por trabalhador, equivalente a 43% da média das nações de alta renda, de US$ 29,3 mil. Nos Estados Unidos, o indicador alcançou US$ 85 mil.

Os números revelam, portanto, um paradoxo: o campo brasileiro produz cada vez mais com menos trabalhadores, mas precisa elevar ainda mais sua produtividade para sustentar o crescimento.

Nesse cenário, a escassez de mão de obra tende a acelerar a mecanização, a automação e a adoção de novas tecnologias. Ao mesmo tempo, aumenta a necessidade de qualificação, melhores salários e condições capazes de tornar o trabalho no campo mais atrativo.

Para o agro, o desafio já não é apenas produzir mais. É encontrar, preparar e manter as pessoas capazes de operar uma atividade cada vez mais tecnológica e sofisticada.

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Agro Mato Grosso

Povo Rikbaktsa se prepara para receber primeiros turistas em terras indígenas de MT

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O povo Rikbaktsa, em Mato Grosso, vai receber visitantes pela primeira vez nas Terras Indígenas Japuíra e Escondido. A experiência está prevista para ocorrer entre os dias 13 e 17 de setembro e faz parte de um processo iniciado em 2024 para criar um modelo de turismo conduzido pelos próprios indígenas.

A visita será uma espécie de teste antes da abertura das atividades. A proposta é colocar os roteiros em prática, identificar o que precisa ser melhorado e preparar as comunidades para receber visitantes sem interferir na rotina das aldeias.

O projeto prevê atividades de etnoturismo e observação de aves, sempre com acompanhamento dos moradores das terras indígenas. Para os Rikbaktsa, a ideia não é apenas receber turistas, mas transformar a atividade em uma forma de valorizar a cultura, os conhecimentos tradicionais e o próprio território.

“É a primeira vez que vamos trabalhar com turismo aqui. O teste serve para saber se a comunidade está preparada e organizar as responsabilidades”, explicou Rogederson Natsitsabui, jovem liderança da TI Japuíra.

Desde o início do projeto, os indígenas participaram de levantamentos sobre os locais que poderiam ser visitados, oficinas, capacitações e elaboração de roteiros, cardápios e regras para os visitantes.

Agora, as aldeias estão em uma espécie de mutirão para deixar tudo pronto. Banheiros e cozinhas comunitárias passam por pequenos reparos, casas tradicionais estão sendo construídas para receber os visitantes e trilhas são preparadas para os passeios.

Também foi criada uma equipe para cuidar da parte administrativa, como logística e custos. Outras pessoas ficarão responsáveis por atividades como guiar os visitantes, preparar alimentos e conduzir experiências ligadas ao modo de vida Rikbaktsa.

“Cada pessoa já sabe sua responsabilidade. Eu vou receber o pessoal na balsa e trazer até a aldeia Pé de Mutum”, contou Márcio Wauria Rikbakta, outra jovem liderança envolvida na organização.

Entre as atividades previstas estão trilhas para observação de aves em pontos considerados importantes para o monitoramento do território. As mulheres Rikbaktsa também participaram da preparação dos cardápios, com troca de ingredientes e receitas da culinária tradicional.

O projeto prevê atividades de etnoturismo e observação de aves, sempre com acompanhamento dos moradores das terras indígenas — Foto: Reprodução

O projeto prevê atividades de etnoturismo e observação de aves, sempre com acompanhamento dos moradores das terras indígenas — Foto: Reprodução

A intenção é que a visita seja baseada na troca de experiências e no respeito à cultura indígena. O calendário das atividades também deverá levar em conta a rotina das aldeias, que inclui festas, rituais, caça, coleta e outras práticas tradicionais.

Para Camila Barra, consultora que acompanha o processo, o turismo pode ir além da geração de renda.

“Pode fortalecer a cultura, a língua e a participação dos jovens, além de criar novas perspectivas de futuro a partir da ancestralidade”, afirmou Camila.

A criação do turismo de base comunitária está prevista no Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) do povo Rikbaktsa. O documento reúne decisões e diretrizes definidas pela própria comunidade para cuidar das terras indígenas e envolve temas como cultura, educação, saúde, geração de renda, alimentação e proteção territorial.

A iniciativa faz parte do projeto Berço das Águas, desenvolvido pela Operação Amazônia Nativa (OPAN) com os povos Rikbaktsa e Apiaká, com patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental. Esta é a quarta edição do projeto, que desde 2011 apoia ações de gestão territorial de povos indígenas na região da bacia do rio Juruena.

A visita-teste de setembro será, portanto, mais do que a chegada dos primeiros turistas. Para os Rikbaktsa, será uma oportunidade de avaliar na prática um modelo construído pela própria comunidade e decidir os próximos passos para que o turismo aconteça sem deixar de lado a rotina, a cultura e a autonomia do povo.

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Agro Mato Grosso

Avião é encontrado desmontado em caminhão e 4 homens são presos por suspeita de roubo em MT

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Uma aeronave foi encontrada desmontada durante uma ação da Polícia Militar em Nova Ubiratã (MT), e quatro homens foram presos por suspeita de roubo, neste domingo (30). Os policiais também apreenderam um caminhão Munck, um carro e diversos equipamentos que, segundo a polícia, seriam utilizados para desmontar e transportar o avião.

A ocorrência começou depois que os militares receberam informações de que um grupo estaria planejando retirar uma aeronave de um aeródromo na região. Conforme a denúncia, um carro estaria sendo usado para dar apoio à ação.

Durante as buscas, os policiais localizaram o veículo na Avenida Juscelino Kubitschek. Dois homens estavam no carro e disseram ser moradores de Sorriso (MT). Segundo os suspeitos, eles teriam sido contratados por telefone por uma terceira pessoa para desmontar e retirar um avião da região.

Pouco depois, outra equipe da PM encontrou um caminhão Munck transportando a aeronave já desmontada. O motorista e o passageiro não souberam informar aos policiais quem era o proprietário do avião.

No caminhão também foram encontrados um botijão de gás, um cilindro de oxigênio, uma caixa de ferramentas, uma lixadeira com carregador, materiais de soldagem e outros equipamentos.

Os quatro homens foram presos e encaminhados para a Delegacia Municipal de Nova Ubiratã. A Polícia Civil vai investigar a origem da aeronave, identificar o proprietário e esclarecer quem teria contratado o grupo para realizar a desmontagem e retirada do avião.

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Agro Mato Grosso

Tecnologias são testadas em propriedades rurais de Mato Grosso

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Desde maio, produtores participam da etapa de Validação no Campo do programa AgriHub Conecta 2026

Tecnologias desenvolvidas para solucionar problemas do agronegócio estão sendo testadas diretamente em propriedades rurais de Mato Grosso. Desde maio, produtores participam da etapa de Validação no Campo do programa AgriHub Conecta 2026, experimentando ferramentas de startups em situações reais de produção.

A iniciativa busca verificar se produtos, serviços e plataformas desenvolvidos pelas empresas funcionam efetivamente na rotina das fazendas. Além do desempenho técnico e operacional, os testes avaliam facilidade de implantação, aderência às necessidades locais e percepção dos próprios produtores.

A Validação no Campo corresponde à sexta etapa do programa “AgriHub Conecta 2026 – Impulsionando a Inovação no Campo” e é obrigatória para as startups participantes.

O acompanhamento é realizado pela rede de inovação do Sistema Federação da Agricultura de Mato Grosso (Sistema Famato). Um técnico de campo atua como intermediário entre a startup e o produtor, acompanha os testes e coleta as avaliações sobre cada ferramenta.

Antes da implantação, as empresas também capacitam o profissional responsável pelo acompanhamento e fornecem acessos, materiais e informações necessários para a utilização das tecnologias.

Segundo Rodrigo Rejes Mendonça, técnico de campo do AgriHub, a recepção dos produtores tem sido positiva.

“Eles demonstraram entusiasmo e satisfação por receber o projeto em suas regiões e por terem a oportunidade de participar dessa iniciativa. Muitos enxergaram nas tecnologias apresentadas soluções práticas para desafios que enfrentam diariamente em suas propriedades”, afirma.

 

Tecnologia monitora fogo

Em Comodoro, no Noroeste de Mato Grosso, o produtor Paulo Adriano testa uma ferramenta para monitoramento de incêndios florestais.

A tecnologia utiliza os limites georreferenciados da propriedade para acompanhar a área e emitir alertas quando identifica focos de incêndio. Segundo o produtor, a ferramenta é especialmente importante em propriedades extensas, nas quais o monitoramento visual de todo o território é inviável.

Em uma fazenda de 10 mil hectares, por exemplo, áreas de mata fechada ou distantes de estruturas de observação dificultam a identificação rápida de um foco.

“Dispor de uma tecnologia que, a cada 10 ou 20 minutos, monitora toda a área e emite alertas de focos de incêndio é fundamental, pois o fogo só se combate de verdade no início; depois disso, são apenas medidas paliativas”, afirma Paulo.

Para colocar o sistema em funcionamento, são utilizados os dados georreferenciados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e cadastrados os telefones que deverão receber os alertas.

Segundo Paulo, a ferramenta passou também a identificar modificações na cobertura vegetal, ampliando o acompanhamento da propriedade.

 

Rede contra incêndios

O produtor avalia que o monitoramento poderia ser integrado à estrutura regional de prevenção e combate ao fogo.

A proposta seria conectar produtores, Corpo de Bombeiros e Defesa Civil, permitindo mapear equipamentos disponíveis, pontos de captação de água, pistas de pouso e equipes capazes de atuar diante de uma ocorrência.

A integração permitiria identificar não apenas o foco de incêndio, mas também os recursos disponíveis nas proximidades para uma resposta mais rápida.

“Nosso feedback é indiscutivelmente positivo. A ferramenta agora se expandiu e monitora também qualquer modificação vegetal, permitindo uma visão constante da propriedade”, diz.

 

Pecuária também testa soluções

Em Guarantã do Norte, a produtora Ana Carolina Gauer participa da validação de diferentes tecnologias em uma propriedade dedicada principalmente à pecuária de corte.

Uma delas é a InLida, utilizada para registrar informações dos animais e auxiliar na gestão do rebanho.

Ana afirma que já utilizava outra ferramenta de rastreamento, mas encontrou no novo sistema campos e relatórios que considera mais adequados às necessidades da propriedade.

“A InLida traz campos de informações extremamente úteis que geram relatórios organizados e vão facilitar muito a nossa tomada de decisão lá na frente”, afirma.

A propriedade também testa outras soluções. Algumas dependem das condições climáticas para avançar, enquanto outras são voltadas justamente à prevenção de problemas associados ao clima. Entre elas está o NoFlame, direcionado ao monitoramento de incêndios.

 

Para Ana, o contato direto com as empresas também permite conhecer aplicações que anteriormente não faziam parte da rotina da fazenda.

“Esse contato abre muito a nossa mente para novas possibilidades”, afirma.

 

Solução depende de cada região

Um dos desafios do programa é a diversidade da produção agropecuária de Mato Grosso. As propriedades possuem dimensões, atividades, infraestrutura e necessidades diferentes.

Por isso, segundo o AgriHub, a distribuição das tecnologias procura relacionar cada ferramenta aos problemas encontrados nas diferentes regiões.

Em Juruena, por exemplo, parte dos produtores tinha pouco contato anterior com projetos de inovação. Segundo Rodrigo, foi necessário um trabalho inicial de aproximação e explicação antes da implantação das ferramentas.

“Isso exigiu um trabalho de construção de confiança, diálogo transparente e presença constante em campo para esclarecer dúvidas e mostrar a credibilidade do projeto”, afirma.

Para o técnico, a participação dos produtores também permite às startups identificar ajustes necessários antes de uma eventual expansão comercial.

“As empresas se mostraram parceiras, sempre solícitas e disponíveis para acompanhar as validações, esclarecer dúvidas e buscar soluções para os desafios encontrados durante a execução do projeto”, diz.

A etapa transforma, assim, as propriedades em ambientes de teste. Enquanto os produtores avaliam se as ferramentas resolvem problemas concretos da atividade rural, as empresas recebem informações sobre desempenho, limitações e adaptações necessárias antes de ampliar o uso das tecnologias no mercado.

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