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31 de agosto de 2026

Agro Mato Grosso

Fretes rodoviários de grãos cedem em MT

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A movimentação do milho deve ganhar intensidade nos próximos meses e voltar a dar suporte aos fretes rodoviários de grãos, que perderam força em julho em parte das principais regiões produtoras do País, especialmente em Mato Grosso, após o forte ritmo de escoamento da soja no primeiro semestre. A avaliação consta do Boletim Logístico de agosto da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O comportamento, porém, é desigual entre os Estados: enquanto rotas mato-grossenses registraram quedas de até 11% no mês, no Paraná a disputa por caminhões entre soja e milho pressionou fretes em rotas para Paranaguá.

A pressão logística ocorre em meio a uma safra brasileira de grãos estimada pela Conab em 360,8 milhões de toneladas em 2025/26, crescimento de 2,4%, ou 8,5 milhões de toneladas, ante o ciclo anterior. A soja responde por aumento de 9 milhões de toneladas e o milho, de 1,8 milhão de toneladas. No fim de julho, 58,3% da área de milho segunda safra havia sido colhida.

Em Mato Grosso, maior produtor nacional de grãos, a Conab identificou ‘esfriamento e leve declínio das cotações‘ na maior parte das rotas pesquisadas. Depois de um primeiro semestre aquecido pela retirada da soja e pela necessidade de liberar armazéns antes da entrada do milho, o fluxo da oleaginosa diminuiu e o cereal ainda não ganhou ritmo expressivo de negócios e embarques. Segundo a companhia, a entrada da nova oferta pressionou os preços do milho e levou produtores a adiar vendas à espera de cotações melhores.

Esse quadro, contudo, pode mudar. A Conab espera intensificação das negociações e do escoamento do milho nos próximos meses, movimento que tende a ampliar a demanda por transporte e produzir reflexos positivos sobre os fretes. A companhia também destacou a mudança estrutural provocada pelo crescimento do consumo de milho dentro de Mato Grosso, com avanço de trajetos curtos para atender indústrias locais, em detrimento de parte dos fluxos direcionados à exportação. A expansão ferroviária, com novos pontos de descarga próximos a Campo Verde e Primavera do Leste, também aumenta o giro dos caminhões e a oferta relativa de transporte.

 

Em julho, o frete de Sorriso para Santos recuou 2% ante junho, de R$ 510 para R$ 500 por tonelada, enquanto o trecho para Paranaguá caiu de R$ 500 para R$ 490. As baixas foram mais acentuadas nas rotas de Sorriso para Alto Araguaia, de 9%, para R$ 210 por tonelada; Rondonópolis, de 8%, para R$ 165; e Miritituba, também de 8%, para R$ 290. Em Primavera do Leste, o transporte para Alto Araguaia caiu 11%, para R$ 125 por tonelada, enquanto as rotas para Santos e Paranaguá ficaram estáveis em R$ 420 e R$ 410, respectivamente.

 

O cenário foi diferente no Paraná. A manutenção de embarques de soja para exportação, combinada ao avanço da colheita do milho segunda safra, ampliou a concorrência por caminhões em julho. Na rota Campo Mourão-Paranaguá, o valor subiu 40% no mês, de R$ 164 para R$ 230 por tonelada, e ficou 50% acima de julho de 2025. De Toledo para Paranaguá, houve aumento de 8%, para R$ 218 por tonelada. Cascavel-Paranaguá avançou 2%, para R$ 205, enquanto Ponta Grossa-Paranaguá subiu 3%, para R$ 87,50.

Em Mato Grosso do Sul, a colheita de milho ganhou tração após atrasos provocados por chuvas e alta umidade, elevando a procura por caminhões, mas os preços apresentaram comportamento misto. O frete de Chapadão do Sul para Paranaguá subiu 3% no mês, para R$ 315 por tonelada, e para Guarujá avançou também 3%, para R$ 320. Em Ponta Porã, as rotas para Paranaguá e Santos aumentaram 7% e 6%, respectivamente. Já Dourados-Maringá caiu 10%, para R$ 120 por tonelada, enquanto Maracaju-Paranaguá recuou 7%, para R$ 266.

A demanda doméstica também ganhou importância no Estado. Na ausência de novos embarques externos de milho em julho, parte da produção foi retida ou direcionada a indústrias de bioenergia, cooperativas e cadeias de proteína animal. A Conab estima movimentação rodoviária de aproximadamente 800 mil toneladas de milho voltada ao mercado interno no mês. A soja manteve fluxo relevante, com 933,2 mil toneladas exportadas, alta de 11,6% ante julho de 2025, além de aproximadamente 300 mil toneladas destinadas ao processamento doméstico.

No acumulado de janeiro a julho, as exportações brasileiras de soja somaram 82,96 milhões de toneladas, ante 76,95 milhões de toneladas no mesmo período de 2025. O Arco Norte respondeu por 39% dos embarques, seguido por Santos, com 35,7%, e Paranaguá, com 13,1%. O Porto de Santos movimentou 29,65 milhões de toneladas de soja no período, enquanto Paranaguá escoou 10,86 milhões.

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Povo Rikbaktsa se prepara para receber primeiros turistas em terras indígenas de MT

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O povo Rikbaktsa, em Mato Grosso, vai receber visitantes pela primeira vez nas Terras Indígenas Japuíra e Escondido. A experiência está prevista para ocorrer entre os dias 13 e 17 de setembro e faz parte de um processo iniciado em 2024 para criar um modelo de turismo conduzido pelos próprios indígenas.

A visita será uma espécie de teste antes da abertura das atividades. A proposta é colocar os roteiros em prática, identificar o que precisa ser melhorado e preparar as comunidades para receber visitantes sem interferir na rotina das aldeias.

O projeto prevê atividades de etnoturismo e observação de aves, sempre com acompanhamento dos moradores das terras indígenas. Para os Rikbaktsa, a ideia não é apenas receber turistas, mas transformar a atividade em uma forma de valorizar a cultura, os conhecimentos tradicionais e o próprio território.

“É a primeira vez que vamos trabalhar com turismo aqui. O teste serve para saber se a comunidade está preparada e organizar as responsabilidades”, explicou Rogederson Natsitsabui, jovem liderança da TI Japuíra.

Desde o início do projeto, os indígenas participaram de levantamentos sobre os locais que poderiam ser visitados, oficinas, capacitações e elaboração de roteiros, cardápios e regras para os visitantes.

Agora, as aldeias estão em uma espécie de mutirão para deixar tudo pronto. Banheiros e cozinhas comunitárias passam por pequenos reparos, casas tradicionais estão sendo construídas para receber os visitantes e trilhas são preparadas para os passeios.

Também foi criada uma equipe para cuidar da parte administrativa, como logística e custos. Outras pessoas ficarão responsáveis por atividades como guiar os visitantes, preparar alimentos e conduzir experiências ligadas ao modo de vida Rikbaktsa.

“Cada pessoa já sabe sua responsabilidade. Eu vou receber o pessoal na balsa e trazer até a aldeia Pé de Mutum”, contou Márcio Wauria Rikbakta, outra jovem liderança envolvida na organização.

Entre as atividades previstas estão trilhas para observação de aves em pontos considerados importantes para o monitoramento do território. As mulheres Rikbaktsa também participaram da preparação dos cardápios, com troca de ingredientes e receitas da culinária tradicional.

O projeto prevê atividades de etnoturismo e observação de aves, sempre com acompanhamento dos moradores das terras indígenas — Foto: Reprodução

O projeto prevê atividades de etnoturismo e observação de aves, sempre com acompanhamento dos moradores das terras indígenas — Foto: Reprodução

A intenção é que a visita seja baseada na troca de experiências e no respeito à cultura indígena. O calendário das atividades também deverá levar em conta a rotina das aldeias, que inclui festas, rituais, caça, coleta e outras práticas tradicionais.

Para Camila Barra, consultora que acompanha o processo, o turismo pode ir além da geração de renda.

“Pode fortalecer a cultura, a língua e a participação dos jovens, além de criar novas perspectivas de futuro a partir da ancestralidade”, afirmou Camila.

A criação do turismo de base comunitária está prevista no Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) do povo Rikbaktsa. O documento reúne decisões e diretrizes definidas pela própria comunidade para cuidar das terras indígenas e envolve temas como cultura, educação, saúde, geração de renda, alimentação e proteção territorial.

A iniciativa faz parte do projeto Berço das Águas, desenvolvido pela Operação Amazônia Nativa (OPAN) com os povos Rikbaktsa e Apiaká, com patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental. Esta é a quarta edição do projeto, que desde 2011 apoia ações de gestão territorial de povos indígenas na região da bacia do rio Juruena.

A visita-teste de setembro será, portanto, mais do que a chegada dos primeiros turistas. Para os Rikbaktsa, será uma oportunidade de avaliar na prática um modelo construído pela própria comunidade e decidir os próximos passos para que o turismo aconteça sem deixar de lado a rotina, a cultura e a autonomia do povo.

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Avião é encontrado desmontado em caminhão e 4 homens são presos por suspeita de roubo em MT

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Uma aeronave foi encontrada desmontada durante uma ação da Polícia Militar em Nova Ubiratã (MT), e quatro homens foram presos por suspeita de roubo, neste domingo (30). Os policiais também apreenderam um caminhão Munck, um carro e diversos equipamentos que, segundo a polícia, seriam utilizados para desmontar e transportar o avião.

A ocorrência começou depois que os militares receberam informações de que um grupo estaria planejando retirar uma aeronave de um aeródromo na região. Conforme a denúncia, um carro estaria sendo usado para dar apoio à ação.

Durante as buscas, os policiais localizaram o veículo na Avenida Juscelino Kubitschek. Dois homens estavam no carro e disseram ser moradores de Sorriso (MT). Segundo os suspeitos, eles teriam sido contratados por telefone por uma terceira pessoa para desmontar e retirar um avião da região.

Pouco depois, outra equipe da PM encontrou um caminhão Munck transportando a aeronave já desmontada. O motorista e o passageiro não souberam informar aos policiais quem era o proprietário do avião.

No caminhão também foram encontrados um botijão de gás, um cilindro de oxigênio, uma caixa de ferramentas, uma lixadeira com carregador, materiais de soldagem e outros equipamentos.

Os quatro homens foram presos e encaminhados para a Delegacia Municipal de Nova Ubiratã. A Polícia Civil vai investigar a origem da aeronave, identificar o proprietário e esclarecer quem teria contratado o grupo para realizar a desmontagem e retirada do avião.

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Agro Mato Grosso

Tecnologias são testadas em propriedades rurais de Mato Grosso

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Desde maio, produtores participam da etapa de Validação no Campo do programa AgriHub Conecta 2026

Tecnologias desenvolvidas para solucionar problemas do agronegócio estão sendo testadas diretamente em propriedades rurais de Mato Grosso. Desde maio, produtores participam da etapa de Validação no Campo do programa AgriHub Conecta 2026, experimentando ferramentas de startups em situações reais de produção.

A iniciativa busca verificar se produtos, serviços e plataformas desenvolvidos pelas empresas funcionam efetivamente na rotina das fazendas. Além do desempenho técnico e operacional, os testes avaliam facilidade de implantação, aderência às necessidades locais e percepção dos próprios produtores.

A Validação no Campo corresponde à sexta etapa do programa “AgriHub Conecta 2026 – Impulsionando a Inovação no Campo” e é obrigatória para as startups participantes.

O acompanhamento é realizado pela rede de inovação do Sistema Federação da Agricultura de Mato Grosso (Sistema Famato). Um técnico de campo atua como intermediário entre a startup e o produtor, acompanha os testes e coleta as avaliações sobre cada ferramenta.

Antes da implantação, as empresas também capacitam o profissional responsável pelo acompanhamento e fornecem acessos, materiais e informações necessários para a utilização das tecnologias.

Segundo Rodrigo Rejes Mendonça, técnico de campo do AgriHub, a recepção dos produtores tem sido positiva.

“Eles demonstraram entusiasmo e satisfação por receber o projeto em suas regiões e por terem a oportunidade de participar dessa iniciativa. Muitos enxergaram nas tecnologias apresentadas soluções práticas para desafios que enfrentam diariamente em suas propriedades”, afirma.

 

Tecnologia monitora fogo

Em Comodoro, no Noroeste de Mato Grosso, o produtor Paulo Adriano testa uma ferramenta para monitoramento de incêndios florestais.

A tecnologia utiliza os limites georreferenciados da propriedade para acompanhar a área e emitir alertas quando identifica focos de incêndio. Segundo o produtor, a ferramenta é especialmente importante em propriedades extensas, nas quais o monitoramento visual de todo o território é inviável.

Em uma fazenda de 10 mil hectares, por exemplo, áreas de mata fechada ou distantes de estruturas de observação dificultam a identificação rápida de um foco.

“Dispor de uma tecnologia que, a cada 10 ou 20 minutos, monitora toda a área e emite alertas de focos de incêndio é fundamental, pois o fogo só se combate de verdade no início; depois disso, são apenas medidas paliativas”, afirma Paulo.

Para colocar o sistema em funcionamento, são utilizados os dados georreferenciados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e cadastrados os telefones que deverão receber os alertas.

Segundo Paulo, a ferramenta passou também a identificar modificações na cobertura vegetal, ampliando o acompanhamento da propriedade.

 

Rede contra incêndios

O produtor avalia que o monitoramento poderia ser integrado à estrutura regional de prevenção e combate ao fogo.

A proposta seria conectar produtores, Corpo de Bombeiros e Defesa Civil, permitindo mapear equipamentos disponíveis, pontos de captação de água, pistas de pouso e equipes capazes de atuar diante de uma ocorrência.

A integração permitiria identificar não apenas o foco de incêndio, mas também os recursos disponíveis nas proximidades para uma resposta mais rápida.

“Nosso feedback é indiscutivelmente positivo. A ferramenta agora se expandiu e monitora também qualquer modificação vegetal, permitindo uma visão constante da propriedade”, diz.

 

Pecuária também testa soluções

Em Guarantã do Norte, a produtora Ana Carolina Gauer participa da validação de diferentes tecnologias em uma propriedade dedicada principalmente à pecuária de corte.

Uma delas é a InLida, utilizada para registrar informações dos animais e auxiliar na gestão do rebanho.

Ana afirma que já utilizava outra ferramenta de rastreamento, mas encontrou no novo sistema campos e relatórios que considera mais adequados às necessidades da propriedade.

“A InLida traz campos de informações extremamente úteis que geram relatórios organizados e vão facilitar muito a nossa tomada de decisão lá na frente”, afirma.

A propriedade também testa outras soluções. Algumas dependem das condições climáticas para avançar, enquanto outras são voltadas justamente à prevenção de problemas associados ao clima. Entre elas está o NoFlame, direcionado ao monitoramento de incêndios.

 

Para Ana, o contato direto com as empresas também permite conhecer aplicações que anteriormente não faziam parte da rotina da fazenda.

“Esse contato abre muito a nossa mente para novas possibilidades”, afirma.

 

Solução depende de cada região

Um dos desafios do programa é a diversidade da produção agropecuária de Mato Grosso. As propriedades possuem dimensões, atividades, infraestrutura e necessidades diferentes.

Por isso, segundo o AgriHub, a distribuição das tecnologias procura relacionar cada ferramenta aos problemas encontrados nas diferentes regiões.

Em Juruena, por exemplo, parte dos produtores tinha pouco contato anterior com projetos de inovação. Segundo Rodrigo, foi necessário um trabalho inicial de aproximação e explicação antes da implantação das ferramentas.

“Isso exigiu um trabalho de construção de confiança, diálogo transparente e presença constante em campo para esclarecer dúvidas e mostrar a credibilidade do projeto”, afirma.

Para o técnico, a participação dos produtores também permite às startups identificar ajustes necessários antes de uma eventual expansão comercial.

“As empresas se mostraram parceiras, sempre solícitas e disponíveis para acompanhar as validações, esclarecer dúvidas e buscar soluções para os desafios encontrados durante a execução do projeto”, diz.

A etapa transforma, assim, as propriedades em ambientes de teste. Enquanto os produtores avaliam se as ferramentas resolvem problemas concretos da atividade rural, as empresas recebem informações sobre desempenho, limitações e adaptações necessárias antes de ampliar o uso das tecnologias no mercado.

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