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Clima, incerteza e desvalorização pressionam as principais commodities de Mato Grosso

O clima e a desvalorização das principais commodities agrícolas aumentaram a pressão sobre os produtores de Mato Grosso nesta safra. Chuvas fora de época interferiram no calendário de plantio e colheita, enquanto preços menores reduziram o espaço para absorver perdas e despesas adicionais.
No Sul do estado, os efeitos começaram ainda no plantio da soja e se estenderam para o milho. Em Campo Verde, fevereiro teve apenas quatro dias sem chuva em uma propriedade. “O resto todo dia chovia e chuva forte”, relata o agricultor Fernando Ferri.
O excesso de umidade levou produtores a plantar milho fora da janela ideal e, em algumas propriedades, houve replantio. O algodão também teve áreas semeadas até o fim de fevereiro, reduzindo o tempo disponível para as demais operações do ciclo.
As condições climáticas também afetaram o desenvolvimento do milho. Na região Sul, onde o plantio costuma ser mais tardio e o ciclo é prolongado pela altitude, a cultura depende de chuvas em maio para completar o enchimento dos grãos. A falta de precipitações naquele período prejudicou principalmente áreas de menor capacidade de retenção de água.
Além do clima, o produtor mato-grossense precisou lidar com preços médios menores. A soja teve produtividade e valor de venda inferiores, enquanto o milho também apresentou redução nos dois fatores. “Muitos compromissos, alguns produtores que estavam com alguma dificuldade financeira jogaram para o milho”, conta Ferri ao Patrulheiro Agro.

Algodão ainda tem produtividade, mas clima atrasa colheita
No algodão, a combinação entre chuva e calendário apertado aumenta a preocupação com qualidade e custos. Em Mato Grosso, foram cultivados 1,375 milhão de hectares na safra 2025/26, redução de 11,11% em relação ao ciclo anterior, de acordo com dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
Apesar da menor área, a produtividade é projetada em 315,33 arrobas por hectare, recorde para o estado. A produção deve alcançar 6,51 milhões de toneladas de algodão em caroço, queda de 11,06% em relação à temporada anterior, provocada principalmente pela redução da área. A entrada de novos materiais também ampliou as alternativas disponíveis aos produtores.
O problema no momento está nas áreas que permanecem expostas à chuva durante a colheita, o que pode prejudicar ainda mais a estimativa de produção, além da qualidade. Em Campos de Júlio, o produtor Gabriel Schoulten Parmeggiani cultivou 1.190 hectares de algodão de segunda safra e enfrentou novas precipitações durante a retirada da produção.
“Nós tivemos bem no início da colheita uma chuva de uns cinco milímetros e depois mais 20 milímetros”, diz. Com a umidade, a fibra pode perder brilho e cor, além de haver risco de queda da pluma antes da retirada.
O excesso de chuva também reduz o ritmo das máquinas e impede que a colheita seja prolongada quando seria necessário. A intenção de trabalhar em dois turnos, conforme Parmeggiani, acabou comprometida: o segundo turno opera com apenas 20% do ritmo planejado.

Umidade aumenta perdas e custos no campo
Em Campos de Júlio, os volumes de chuva registrados no período ficaram acima do esperado para a época. Segundo o Sindicato Rural, foram entre 40 e 80 milímetros em agosto, depois de precipitações que chegaram perto de 100 milímetros em julho.
O presidente da entidade, Rodrigo Cassol, estima perdas entre cinco e 15 arrobas de algodão por hectare em algumas áreas. O milho também teve a colheita atrasada e ainda havia lavouras para serem retiradas do campo em agosto, situação considerada fora do normal para o município.
A umidade prolongada ainda provoca a rebrota de plantas que já estavam prontas para a colheita. O controle exige novas aplicações, aumentando o custo justamente em um momento de margens mais apertadas.
“Isso vai impactar em torno de uns R$ 15 a mais por hectare, e qualquer custo que venha a acarretar no algodão pesa muito porque as margens hoje estão bem espremidas”, afirma Parmeggiani à reportagem do Canal Rural Mato Grosso. Para o produtor, a despesa adicional representa parte do lucro que deixa de ficar na propriedade.
Em Sapezal, os impactos variam conforme a intensidade da chuva em cada área. Nas propriedades mais atingidas, o algodão pode cair no chão e a pluma pode escorrer, além de haver possibilidade de danos à qualidade.
A dimensão das perdas, porém, ainda depende do beneficiamento. “Isso só vamos descobrir realmente depois que o algodão estiver lá na algodoeira beneficiado e pronto, na hora em que o produtor vai vender esse produto dele”, frisa Diego José Dal’Maso, presidente do Sindicato Rural de Sapezal.
O cenário mantém a atenção voltada não apenas para a conclusão da safra, mas também para as condições climáticas do próximo ciclo. A possibilidade de um ano sob influência do El Niño acrescenta incerteza ao planejamento, enquanto produtores ainda precisam lidar com os efeitos de uma temporada marcada por excesso de chuva, preços menores e margens pressionadas.
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Paraná projeta 22,64 milhões de toneladas de soja e 4,1 milhões de milho verão em 2026/27

O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura e do Abastecimento (Seab) do Paraná, divulgou nesta quinta-feira (27) a primeira estimativa para a safra 2026/27 de grãos no estado. A projeção indica produção de 22,64 milhões de toneladas de soja e de 4,10 milhões de toneladas de milho verão. O levantamento também revisou os números da safrinha de milho 2026 e da safra de trigo 2025/26.
Para a soja, a estimativa é de alta de 4% sobre o volume projetado para 2025/26, de 21,80 milhões de toneladas. A área destinada à oleaginosa em 2026/27 foi estimada em 5,760 milhões de hectares, praticamente estável ante os 5,733 milhões de hectares do ciclo anterior. A produtividade média esperada é de 3.930 kg/ha, acima dos 3.802 kg/ha de 2025/26.
No ciclo 2025/26, a produção de soja do Paraná foi ajustada para 21,80 milhões de toneladas, avanço de 3% sobre as 21,14 milhões de toneladas de 2024/25. Em julho, a projeção estava em 21,81 milhões de toneladas.
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Para o milho verão 2026/27, o Deral estima produção de 4,10 milhões de toneladas, recuo de 1% ante as 4,14 milhões de toneladas consolidadas em 2025/26. A área plantada deve crescer 2%, para 373,0 mil hectares, frente a 365,7 mil hectares. A produtividade média prevista para a primeira safra é de 10.984 kg/ha.
Na safra 2025/26, a produção de milho verão foi mantida em 4,14 milhões de toneladas, volume 36% superior ao registrado em 2024/25, de 3,05 milhões de toneladas.
Para o milho segunda safra 2026, a estimativa foi elevada para 17,32 milhões de toneladas. O volume representa queda de 3% na comparação com as 17,90 milhões de toneladas colhidas em 2024/25, mas supera as 17,05 milhões de toneladas projetadas em julho. A área da safrinha totalizou 2,917 milhões de hectares, alta de 3% sobre 2024/25, e o rendimento médio foi ajustado para 5.940 kg/ha.
No trigo 2025/26, a projeção é de 2,37 milhões de toneladas, 18% abaixo das 2,88 milhões de toneladas da safra 2024/25. A área cultivada soma 726,9 mil hectares, com produtividade média estimada em 3.259 kg/ha.
As novas estimativas do Deral indicam avanço da soja na safra 2026/27, estabilidade com leve recuo no milho verão e revisão para cima na safrinha de milho 2026, enquanto o trigo 2025/26 segue projetado abaixo do ciclo anterior no Paraná.
Fonte: Estadão Conteúdo
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TCA prevê mudança no abastecimento de biomassa das indústrias em MT

O abastecimento de biomassa das indústrias de Mato Grosso passará por uma mudança gradual. Um novo Termo de Compromisso Ambiental (TCA) estabelece regras para que empresas reduzam o uso de madeira nativa e avancem para fontes provenientes de florestas plantadas ou de manejo florestal sustentável.
A medida está relacionada à exigência de comprovação da origem da biomassa utilizada pelas empresas. Pelo acordo, quem consome acima de 24 mil metros estéreos precisa apresentar um plano indicando se o material vem de plantações ou de Plano de Manejo Florestal Sustentável.
A mudança ocorre após o Ministério Público de Mato Grosso questionar a flexibilização das regras adotada pelo Estado. O TCA prevê uma transição para evitar que as empresas tenham o abastecimento interrompido de forma abrupta.
O cronograma também estabelece que, até 2035, o consumo deverá ser direcionado para florestas plantadas ou manejo sustentável. Para novos empreendimentos, ainda há uma regulamentação a ser publicada pelo governo estadual.
Segundo Fausto Takizawa, presidente da Associação de Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta), a transição precisa considerar também a capacidade de fiscalização do Estado. “Não estamos observando o avanço nessa fiscalização. É algo que o Estado ainda peca bastante”.
Para ele, a questão vai além do cumprimento da legislação, já que Mato Grosso está inserido em uma cadeia voltada ao mercado internacional. “Quem compra commodities hoje do Brasil está com uma lupa muito grande sobre o país e, claro, Mato Grosso como um estado grande do agro”, pontua em entrevista ao programa Direto ao Ponto.

Teca enfrenta baixa, mas mercado abre oportunidade
A transição ocorre em um momento de expansão das florestas plantadas em Mato Grosso, impulsionada principalmente pela demanda das usinas de etanol de milho por biomassa. O estado já aparece como o segundo que mais amplia novas áreas de eucalipto, atrás apenas de Mato Grosso do Sul.
Além da fiscalização, ele alerta que as exigências do mercado internacional também devem ser consideradas pelas empresas. O Brasil está sob maior atenção de compradores de commodities, o que aumenta a necessidade de adequação às regras ambientais.
Nesse cenário, a teca atravessa um período diferente. O mercado mundial está em baixa porque o volume de madeira cortada atualmente supera o de novos plantios, conforme Takizawa.
Mato Grosso continua como principal produtor brasileiro, mas a área cultivada com a espécie caiu de cerca de 70 mil para 55 mil hectares. A manutenção da atividade, de acordo com o dirigente ao Canal Rural Mato Grosso, depende cada vez mais de tecnologia e escolha adequada das áreas.
“Hoje os empreendimentos que ainda continuam, estão plantando o clone. Então, adota uma tecnologia. Hoje aduba a teca, faz fertilização”.
Takizawa também aponta uma oportunidade para quem pretende investir no segmento, já que a redução dos plantios ocorre enquanto a demanda internacional permanece concentrada. A Índia responde por cerca de 80% a 85% do volume mundial de teca plantada, de acordo com ele.
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Agro Mato Grosso
MT sobe uma posição e fica entre os 10 Estados mais competitivos do país I MT

Mato Grosso se manteve, por mais um ano seguido, entre os 10 Estados mais competitivos do Brasil, segundo a edição 2026 do relatório Ranking de Competitividade dos Estados, elaborado pelo Centro de Segurança Pública (CLP). O Estado mato-grossense subiu uma posição em relação a 2025 e alcançou o 9º lugar no ranking geral, que reúne as 27 unidades da Federação.
Conforme os resultados do relatório, Mato Grosso apresentou crescimento expressivo na Infraestrutura. O Estado subiu 11 posições e alcançou o quarto lugar do país, após apresentar bons resultados em indicadores como qualidade das rodovias, acesso à energia elétrica e custo de saneamento básico.
O CLP apontou que Mato Grosso alcançou o segundo lugar no pilar de Solidez Fiscal, que indica que o Estado é um dos melhores do país no cuidado do dinheiro público. Esta categoria avalia aspectos como capacidade de investimento, equilíbrio orçamentário e sustentabilidade das contas públicas.
O Estado também manteve sua terceira posição no pilar de Capital Humano, que avalia o nível de ocupação e qualificação do trabalhador mato-grossense. Segundo o relatório, o desempenho de Mato Grosso é favorecido pela baixa taxa de desemprego, principalmente das pessoas que estão há 2 anos ou mais sem ocupação, além da boa inserção econômica da população em idade para trabalhar, da qualificação dos trabalhadores e da formalidade do mercado de trabalho.
O relatório registrou também crescimento no pilar de Segurança Pública. Mato Grosso subiu sete posições e ficou no 15º lugar do ranking entre as 27 unidades da Federação, com melhora, entre alguns dos indicadores, em segurança pessoal, presos sem condenação e atuação da Justiça criminal.
Queda
O Ranking de Competividade também registrou quedas no pilar de Sustentabilidade Ambiental. Na 19ª posição, Mato Grosso apresentou recuo na avaliação dos serviços urbanos, da destinação inadequada do lixo e do tratamento de esgoto, que são geridos pelos municípios.
Houve queda também no pilar de Educação. No relatório deste ano, Mato Grosso ficou na 11ª posição, com queda nos indicadores de taxa de atendimento do ensino infantil, que é de competência municipal, e na taxa de frequência dos estudantes, tanto da rede pública quanto da privada. Apesar disso, o relatório registra evolução nos indicadores das notas do Índice do Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Os dados do Ranking de Competitividade já estão sendo analisados pelas secretarias responsáveis para planejamento das ações de melhoria dos indicadores no Estado.
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