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TCA prevê mudança no abastecimento de biomassa das indústrias em MT

O abastecimento de biomassa das indústrias de Mato Grosso passará por uma mudança gradual. Um novo Termo de Compromisso Ambiental (TCA) estabelece regras para que empresas reduzam o uso de madeira nativa e avancem para fontes provenientes de florestas plantadas ou de manejo florestal sustentável.
A medida está relacionada à exigência de comprovação da origem da biomassa utilizada pelas empresas. Pelo acordo, quem consome acima de 24 mil metros estéreos precisa apresentar um plano indicando se o material vem de plantações ou de Plano de Manejo Florestal Sustentável.
A mudança ocorre após o Ministério Público de Mato Grosso questionar a flexibilização das regras adotada pelo Estado. O TCA prevê uma transição para evitar que as empresas tenham o abastecimento interrompido de forma abrupta.
O cronograma também estabelece que, até 2035, o consumo deverá ser direcionado para florestas plantadas ou manejo sustentável. Para novos empreendimentos, ainda há uma regulamentação a ser publicada pelo governo estadual.
Segundo Fausto Takizawa, presidente da Associação de Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta), a transição precisa considerar também a capacidade de fiscalização do Estado. “Não estamos observando o avanço nessa fiscalização. É algo que o Estado ainda peca bastante”.
Para ele, a questão vai além do cumprimento da legislação, já que Mato Grosso está inserido em uma cadeia voltada ao mercado internacional. “Quem compra commodities hoje do Brasil está com uma lupa muito grande sobre o país e, claro, Mato Grosso como um estado grande do agro”, pontua em entrevista ao programa Direto ao Ponto.
Teca enfrenta baixa, mas mercado abre oportunidade
A transição ocorre em um momento de expansão das florestas plantadas em Mato Grosso, impulsionada principalmente pela demanda das usinas de etanol de milho por biomassa. O estado já aparece como o segundo que mais amplia novas áreas de eucalipto, atrás apenas de Mato Grosso do Sul.
Além da fiscalização, ele alerta que as exigências do mercado internacional também devem ser consideradas pelas empresas. O Brasil está sob maior atenção de compradores de commodities, o que aumenta a necessidade de adequação às regras ambientais.
Nesse cenário, a teca atravessa um período diferente. O mercado mundial está em baixa porque o volume de madeira cortada atualmente supera o de novos plantios, conforme Takizawa.
Mato Grosso continua como principal produtor brasileiro, mas a área cultivada com a espécie caiu de cerca de 70 mil para 55 mil hectares. A manutenção da atividade, de acordo com o dirigente ao Canal Rural Mato Grosso, depende cada vez mais de tecnologia e escolha adequada das áreas.
“Hoje os empreendimentos que ainda continuam, estão plantando o clone. Então, adota uma tecnologia. Hoje aduba a teca, faz fertilização”.
Takizawa também aponta uma oportunidade para quem pretende investir no segmento, já que a redução dos plantios ocorre enquanto a demanda internacional permanece concentrada. A Índia responde por cerca de 80% a 85% do volume mundial de teca plantada, de acordo com ele.
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Estudo aponta que aquários com divisórias aumentam o bem-estar de tilápias

O uso de divisórias físicas em aquários pode contribuir para melhorar as condições de bem-estar de tilápias-do-Nilo mantidas em experimentos laboratoriais. O estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com o Centro Universitário de Jaguariúna (UniFAJ), revela que espécies de peixes com hierarquia social passam por situações de maior estresse nos aquários sem separações individuais.
A pesquisa comparou o comportamento e indicadores de estresse de peixes mantidos em aquários com e sem divisórias. O experimento foi realizado durante 17 dias, sendo dois de aclimatação e 15 de avaliação, em seis aquários de 300 litros equipados com sistema de recirculação de água. Três aquários receberam divisórias físicas e três permaneceram sem a barreira. Após a biometria inicial, três tilápias foram colocadas em cada aquário.
Durante o período experimental, os pesquisadores acompanharam diariamente o comportamento dos peixes, possíveis sinais clínicos de enfermidades e a ocorrência de mortalidade. Também foram monitorados parâmetros de qualidade da água, como concentração de amônia, oxigênio dissolvido, pH, temperatura e condutividade elétrica.
Os peixes receberam diariamente ração comercial equivalente a 3% da biomassa, sob um regime de 10 horas de luz e 14 horas de escuro. Ao final do experimento, os animais passaram por nova avaliação biométrica e foram coletadas amostras de sangue para verificar indicadores relacionados à saúde e ao estresse, como glicemia, hematócrito e proteína plasmática total.
Embora os parâmetros sanguíneos não tenham apresentado diferenças significativas entre os dois tratamentos, as observações comportamentais revelaram uma diferença importante. Nos aquários sem divisórias, foram identificados indivíduos dominantes que apresentavam comportamento agressivo, perseguindo e atacando os demais peixes.
Já nos aquários com divisórias, alguns peixes também apresentaram comportamento agressivo, mas a barreira física impediu o contato direto entre os indivíduos. “Os resultados mostram que uma estrutura simples, como a utilização de divisórias, pode reduzir as interações agressivas entre os peixes e contribuir para melhores condições de bem-estar durante os experimentos”, afirma Víctor Biguetti, bolsista da Universidade de Jaguariúna.
A agressividade entre tilápias está relacionada à formação de hierarquias sociais, nas quais alguns indivíduos assumem posições dominantes e podem restringir o acesso dos demais a espaço e alimento.
O estudo reforça a importância de considerar não apenas os parâmetros fisiológicos, mas também o comportamento dos peixes na avaliação de seu bem-estar. “Essa observação demonstra a importância da padronização de metodologias para uso dos biomarcadores que sejam mais adequados para cada situação e ambiente”, explica Márcia Ishikawa, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente.
“Associar ferramentas estruturais com as técnicas laboratoriais faz parte das boas práticas de manejo laboratorial na condução dos experimentos em ambiente controlado”, conclui Julio Queiroz, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente.
O trabalho é de Víctor Biguetti, da UniFaj, Mariana de Oliveira Nascimento, bolsista da Faped, Julio Queiroz, Alfredo Luiz, Claudio Jonsson, Vera Castro e Márcia Ishikawa, da Embrapa Meio Ambiente.
*Sob supervisão de Hildeberto Jr.
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Cientistas da USP encontram enzima que aumenta em 6 vezes a produção de açúcar

O Laboratório de Fisiologia Ecológica de Plantas (Lafieco) da Universidade de São Paulo (USP) descobriu uma enzima na raiz da cana-de-açúcar que serve como uma chave para quebrar o bagaço e alavancar o rendimento da planta: a molécula ASD (α-L-arabinofuranosidase).
Estudos divulgados nesta última semana revelam que o uso em laboratório aumentou a liberação de açúcar pelos resíduos da cana em até seis vezes, um passo essencial para acelerar a produção de etanol de segunda geração.
Uma das maiores barreiras para o aproveitamento pleno da cana sempre foi a rigidez no material que compõe o “esqueleto” da planta, a lignocelulose. Por conta dessa dificuldade, há anos, uma empresa dinamarquesa detém o monopólio de um coquetel enzimático capaz de quebrar essa barreira, e cientistas do mundo todo investigam alternativas.
A descoberta brasileira vem de uma pesquisa de 17 anos do Lafieco, que faz parte do Instituto de Biociências da USP. Ao mapear o desenvolvimento dos aerênquimas – estruturas porosas presentes nas raízes –, os pesquisadores identificaram um conjunto de enzimas usadas pela própria planta para remodelar suas fibras. Depois, conseguiram isolar a ASD e aplicá-la em coquetéis enzimáticos comerciais, que são capazes de quebrar a lignocelulose e aumentar a sacarificação.
Descoberta revolucionária
Marcos Silveira Buckeridge, coordenador do Lafieco e coautor do trabalho publicado no Journal of Experimental Botany, explica que os coquetéis enzimáticos já existentes são originados de microrganismos – em sua maioria, fungos. É a primeira vez que cientistas apontam uma molécula de origem vegetal com tal atributo. “E não é qualquer origem vegetal, é da própria cana-de-açúcar”, ressalta o pesquisador.
Para chegar a esse ponto, a equipe precisou primeiro mapear a química e a estrutura da parede celular da cana, entendendo como a celulose se organiza. “Vários alunos do Lafieco fizeram parte da investigação durante esses 17 anos, passando o bastão uns para os outros”, relembra o biólogo, cujo grupo publicou os primeiros dados estruturais sobre isso em 2013.
O grupo já sabia que a formação dos aerênquimas nas raízes da cana envolvia um processo natural de separação de células. O aparecimento dessas estruturas costuma estar ligado à falta de oxigênio (hipóxia), mas na cana elas se formam de maneira independente.
Durante o desenvolvimento do aerênquima, a própria planta modifica e quebra as paredes de suas raízes, criando túneis de ar. Esse processo inclui a separação celular e a quebra de açúcares complexos – duas ações essenciais para facilitar o aproveitamento do bagaço na produção de etanol.
“O aerênquima aparece progressivamente na raiz da cana. Na pontinha há menos, e sua formação vai ficando mais frequente para cima”, explica Bruno Viana Navarro, pós-doutorando do Lafieco e primeiro autor do artigo. A equipe queria observar quais “ferramentas microscópicas” (enzimas) a planta ativava ao longo desse processo de remodelação de suas raízes.
Ele descreve o experimento: “Nós plantamos colmos de uma cultivar bem estudada de cana-de-açúcar [SP80-3280] e, após três meses, coletamos raízes de perfilhos (brotos novos), que foram divididas em quatro segmentos de 1 cm cada. Assim, cada pedaço apresentava uma proporção diferente de formação de aerênquima”.
A equipe focou nas enzimas com a função de agir como “tesouras químicas”, cortando as fibras da parede da célula e liberando os açúcares. Uma das doutorandas de Buckeridge, Eveline Tavares, encontrou uma molécula-chave nesse processo: a enzima ASD (α-L-arabinofuranosidase).
Posteriormente, a doutoranda Adriana Grandis detalhou sua importância na formação do aerênquima. Navarro resume a função da ASD: “Ela atua de forma muito específica no rearranjo da parede celular, quebrando as ligações de um dos materiais estruturais mais presentes na cana”.
Percebendo o potencial da ASD, o grupo – tendo à frente a pós-doutoranda Débora Pagliuso – produziu essa enzima em laboratório usando leveduras, com o objetivo de testá-la na prática. “Inserimos a ASD no coquetel comercial e testamos no bagaço da cana-de-açúcar. Só essa adição aumentou em até seis vezes a produção do açúcar que, mais tarde, é convertido em etanol”, ressalta Navarro.
Futuro promissor
Segundo o pesquisador, o estudo revela um cardápio molecular imenso. A equipe já identificou cerca de 530 sequências genéticas e classes de enzimas na cana. Isso significa que há dezenas de outras “ferramentas” biológicas aguardando para serem testadas.
“Encontramos uma segunda enzima também muito promissora, cuja função é quebrar as pectinas. Ela ataca a lamela média: os cimentos entre as células. Quando essas estruturas são quebradas, as células começam a ficar soltas, e aí é que acontece a tal ‘cana papaia’. Fica bem mais fácil degradar a estrutura e obter os açúcares, o que impacta a produção de etanol de primeira e segunda geração”, diz Navarro.
Para Buckeridge, o sucesso do estudo reforça a tese de que enzimas “da casa” (da própria planta) conseguem decodificar e quebrar a estrutura da cana melhor do que os microrganismos. “É possível que essas enzimas de plantas que estamos ofertando no artigo tenham características que as enzimas de microrganismos não têm e que podem ser a chave para a alta eficiência da conversão de resíduos em produtos mais nobres. Pode ser que tenhamos descoberto um barril de ouro, mas até agora usamos uma moeda só.”
Um dos objetivos futuros mais ambiciosos do grupo é conseguir produzir um coquetel 100% vegetal customizado. “Analisando a composição bioquímica da biomassa da cana, é possível criar o coquetel enzimático mais adequado à sua hidrólise, o que aumentaria o rendimento da produção de etanol. Esperamos chegar a isso um dia”, afirma Navarro.
*Sob supervisão de Hildeberto Jr.
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Soja vai bater recorde? Brasil pode ampliar safra 26/27, com expansão de áreas em vários estados, aponta consultoria

A produção brasileira de soja na safra 2026/27 deverá alcançar 181,837 milhões de toneladas, alta de 2% em relação às 178,341 milhões de toneladas estimadas para o ciclo anterior. A projeção é da consultoria Safras & Mercado, que revisou para cima a estimativa anterior, de 180,089 milhões de toneladas, em meio à expectativa de expansão da área plantada no país.
Segundo o analista da consultoria, Rafael Silveira, o avanço das áreas destinadas à cultura, especialmente no Centro-Oeste, sustenta a perspectiva de uma safra maior. A área plantada deverá crescer 2,1%, passando de 48,543 milhões para 49,542 milhões de hectares.
Apesar da expansão, a produtividade média nacional deve apresentar leve recuo, de 3.692 quilos por hectare na temporada 2025/26 para 3.689 quilos por hectare em 2026/27.
Goiás se destaca entre os estados com maior potencial de crescimento. A área plantada poderá aumentar até 7%, enquanto a produção está estimada em 20,567 milhões de toneladas. Silveira, no entanto, alerta que parte das novas áreas poderá receber menos investimentos em tecnologia, principalmente em adubação e outros insumos, limitando o potencial produtivo.
Em Mato Grosso, a produção está projetada em 50,096 milhões de toneladas, com área de 13,180 milhões de hectares. Já Mato Grosso do Sul deverá produzir 17,043 milhões de toneladas. Somados, os estados do Centro-Oeste poderão alcançar 88,057 milhões de toneladas de soja na temporada.
No Sudeste, Minas Gerais e São Paulo também passaram por revisões nas estimativas. No Nordeste e em alguns estados do Norte, os ajustes foram pontuais, em meio a condições climáticas mais desafiadoras em determinadas regiões.
Clima ainda exige cautela
Apesar das perspectivas favoráveis, a consultoria ressalta que o aumento da área plantada não garante, por si só, uma produção maior. O desempenho das lavouras dependerá das condições climáticas nos próximos meses, além do nível de investimento adotado pelos produtores.
“O aumento de área naturalmente permite estimar um quadro de safra maior, mas os meses de novembro, dezembro e janeiro ainda podem trazer condições climáticas mais adversas”, destaca Silveira.
Com o plantio ainda em andamento, o comportamento do clima ao longo do desenvolvimento das lavouras será determinante para confirmar as projeções de uma safra brasileira de soja maior em 2026/27.
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