Sustentabilidade
Manejo de Nematoides: por que diagnosticar é o primeiro passo do manejo? – MAIS SOJA

Os fitonematoides, de forma geral, são vermes filiformes microscópicos pertencentes ao filo Nematoda, amplamente distribuídos nos ecossistemas terrestres e aquáticos. No ambiente agrícola, uma parcela desses organismos é composta por nematoides fitopatogênicos, que parasitam raízes, caules ou outras partes vegetais, comprometendo o desenvolvimento das plantas e reduzindo a produtividade das culturas. Devido à sua ampla distribuição, alta capacidade reprodutiva e dificuldade de controle, os nematoides figuram entre os principais patógenos de importância agrícola no mundo.
No contexto global, estimativas mais recentes indicam que os nematoides fitopatogênicos são responsáveis por perdas anuais entre 125 e 173 bilhões de dólares na agricultura mundial, afetando diferentes culturas de interesse econômico (EMBRAPA, 2018; DIAS et al., 2016). Estimativas indicam que as perdas causadas por nematoides na agricultura brasileira ultrapassam R$ 35 bilhões por ano, considerando redução de produtividade e impactos indiretos no sistema produtivo (EMBRAPA, 2018; DIAS et al., 2016). Essas perdas estão associadas não apenas à redução direta da produtividade, mas também ao aumento dos custos de produção, decorrentes da adoção de medidas de manejo e da redução da eficiência no uso de insumos como água e fertilizantes (ABAD et al., 2008; COYNE et al., 2018; JONES et al., 2013; SÁNCHEZ-MOLINA et al., 2022).
No Brasil, país com clima predominantemente tropical e subtropical, as condições edafoclimáticas favorecem a sobrevivência e multiplicação dos nematoides ao longo do ano. Culturas como soja, milho, algodão, cana-de-açúcar, arroz, feijão e diversas hortaliças e frutíferas são severamente impactadas por diferentes espécies, destacando-se aquelas dos gêneros Meloidogyne, Pratylenchus, Heterodera e Rotylenchulus (EMBRAPA, 2018; DIAS et al., 2016).
Entre os principais sintomas ocasionados por fitonematoides estão aqueles relacionados à formação de galhas, lesões necróticas radiculares, acompanhados de alterações fisiológicas nas plantas (FERRAZ; BROWN, 2016) (Figura 1a). Essas alterações comprometem a absorção de água e nutrientes, tornando as culturas mais suscetíveis a estresses abióticos e à infecção por outros patógenos que colonizam o solo. Além disso, os sintomas na parte aérea frequentemente são inespecíficos, incluindo amarelecimento (Figura 1b, 1c), murcha e crescimento desuniforme, o que dificulta o diagnóstico a campo e pode resultar em decisões de manejo inadequadas (FERRAZ; BROWN, 2016).
Figura 1. Sintomas causados por Meloidogyne javanica na cultura da soja.
Diante da magnitude dos impactos econômicos e da complexidade do patossistema solo–planta–nematoide, o manejo desses organismos deve ser fundamentado em informações técnicas precisas. Nesse contexto, a amostragem e a correta identificação das espécies de nematoides presentes na área constituem etapas fundamentais para a definição de estratégias de manejo eficientes, permitindo a adoção de medidas direcionadas, economicamente viáveis e sustentáveis.
Os nematoides fitopatogênicos constituem um grupo altamente diverso sob os pontos de vista taxonômico, biológico e ecológico. Diferentes gêneros e espécies apresentam variações quanto ao comportamento parasitário, ciclos de vida e gama de hospedeiros, o que influencia diretamente na eficiência das medidas de manejo a serem adotadas. Nesse sentido, Ferraz e Brown (2016) destacam que o conhecimento da composição da comunidade de nematoides presentes na área é fundamental para o direcionamento adequado das práticas de manejo.
A variabilidade entre os fitonematoides pode ser observada, inicialmente, pela forma como esses organismos interagem com o sistema radicular das plantas. A Figura 2 ilustra diferentes tipos de parasitismo em raízes, mostrando nematoides que permanecem externamente à raiz e se alimentam por meio do estilete, caracterizando o hábito ectoparasita; nematoides que penetram parcialmente nos tecidos, caracterizando o hábito semi-endoparasita; e nematoides que penetram completamente nas raízes, podendo se deslocar pelos tecidos ou estabelecer sítios permanentes de alimentação. Essas diferenças no posicionamento do nematoide em relação à raiz influenciam diretamente o tipo de dano causado, o tecido afetado e a resposta da planta ao parasitismo (FERRAZ; BROWN, 2016).
No caso dos endoparasitas migradores, como espécies do gênero Pratylenchus, o nematoide se desloca no interior dos tecidos radiculares, causando lesões e destruição celular ao longo do processo de alimentação. Já os endoparasitas sedentários, como Meloidogyne spp., estabelecem sítios especializados de alimentação e induzem alterações celulares que resultam na formação de galhas, comprometendo a funcionalidade do sistema radicular (FERRAZ, 2001; DIAS et al., 2010). Dessa forma, a figura 2 demonstra que os fitonematoides não diferem apenas pela espécie, mas também pelo modo de parasitismo e pela forma como exploram os tecidos da planta hospedeira.
Essas diferenças ajudam a explicar por que espécies distintas podem apresentar variações na agressividade, no potencial de dano e na resposta às estratégias de manejo. Mesmo dentro de um mesmo gênero, espécies como Pratylenchus brachyurus, P. zeae e P. penetrans podem diferir quanto à adaptação climática, patogenicidade, virulência e importância econômica, evidenciando a limitação de estratégias generalistas de manejo (FERRAZ; BROWN, 2016; DIAS et al., 2016).
Figura 2. Ilustração esquemática de fitonematoides atacando a raiz da planta.

Um dos exemplos mais emblemáticos da importância da caracterização intraespecífico ocorre com o nematoide de cisto da soja, Heterodera glycines. Esse patógeno apresenta elevada variabilidade genética, expressa na forma de raças ou tipos fisiológicos que diferem quanto à capacidade de parasitar cultivares consideradas resistentes (NIBLACK et al., 2002; SCHMITT; SHANNON, 1992). Segundo esses mesmos autores, a identificação da espécie isoladamente não é suficiente para orientar o manejo, sendo necessário o conhecimento da raça ou do tipo populacional presente na área.
Historicamente, Heterodera glycines foi classificado em raças com base na capacidade de reprodução em um conjunto de cultivares diferenciadoras. Posteriormente, esse sistema evoluiu para o conceito de tipos HG, que permite caracterizar com maior precisão a virulência das populações frente às fontes de resistência disponíveis (NIBLACK et al., 2002). Essa classificação é importante porque populações distintas de H. glycines podem apresentar diferentes níveis de reprodução em cultivares resistentes, fazendo com que uma cultivar eficiente em determinada área não apresente o mesmo desempenho em outra.
A distribuição das raças no Brasil evidencia a elevada variabilidade populacional de H. glycines e reforça a necessidade de monitoramento local antes da escolha de cultivares resistentes. Na tabela 1 se observa que alguns estados apresentam maior diversidade de raças relatadas, como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, onde ocorre ampla variação de populações. Essa diversidade indica maior complexidade para o manejo, pois diferentes raças podem apresentar respostas distintas às fontes de resistência utilizadas na cultura da soja. Por outro lado, a presença de uma mesma raça em diferentes estados, como a raça 3, relatada em Bahia, Goiás, Minas Gerais, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul, demonstra que determinadas populações apresentam ampla distribuição geográfica.
Dessa forma, a tabela 1 não deve ser interpretada apenas como um levantamento de ocorrência, mas como um indicativo da variabilidade espacial do nematoide e do risco de adoção generalizada de uma única fonte de resistência. Em regiões com maior diversidade de raças, o uso contínuo de cultivares resistentes sem rotação de fontes de resistência e sem monitoramento populacional pode favorecer a seleção de populações virulentas. Esse processo ajuda a explicar os frequentes relatos de perda de eficiência de cultivares resistentes em áreas cultivadas sucessivamente com os mesmos genótipos, especialmente quando o manejo não considera a raça ou o tipo HG predominante na área.
Tabela 1. Distribuição de raças de Heterodera glycines no Brasil.

Ferraz e Brown (2016) destacam que populações distintas de H. glycines podem coexistir em uma mesma região ou até mesmo em uma mesma propriedade, apresentando respostas contrastantes às mesmas cultivares e estratégias de manejo. Dessa forma, a escolha de cultivares resistentes sem o conhecimento prévio da raça ou do Tipo HG pode resultar em falhas no controle e favorecer o aumento populacional do nematoide ao longo das safras.
A variabilidade intraespecífica também influencia a eficiência de outras estratégias de manejo, incluindo rotação de culturas, o uso de plantas não hospedeiras, o controle biológico e químico. Algumas raças de H. glycines podem apresentar maior capacidade de sobrevivência no solo ou adaptação diferencial a plantas de cobertura, reforçando a necessidade do monitoramento populacional e da diagnose precisa (DIAS et al., 2016; EMBRAPA, 2018).
Nesse contexto, o manejo racional de nematoides depende não apenas da correta identificação do gênero e da espécie, mas também, em situações específicas, da caracterização populacional do patógeno. Assim, a amostragem adequada e a identificação detalhada constituem ferramentas fundamentais para subsidiar decisões mais eficientes, sustentáveis e economicamente viáveis.

Referências:
ABAD, P. et al. Plant parasitic nematodes in molecular plant pathology. Molecular Plant Pathology, v. 9, n. 4, p. 429–444, 2008.
COYNE, D. L.; CORTADA, L.; DALZELL, J. J.; CLAUDIUS-COLE, A. O.; HAKEEM, A.; TALWANA, H. Plant-parasitic nematodes and food security in sub-Saharan Africa. Annual Review of Phytopathology, v. 56, p. 381–403, 2018.
DIAS, W. P.; SILVA, J. F. V.; CARNEIRO, G. E. S.; GARCIA, A.; ARIAS, C. A. A. Nematoide de cisto da soja: biologia e manejo pelo uso da resistência genética. Londrina: Embrapa Soja, 2009.
DIAS, W. P.; GARCIA, A.; SILVA, J. F. V.; CARNEIRO, G. E. S. Nematoides em soja: identificação, danos e manejo. Londrina: Embrapa Soja, 2016.
EMBRAPA. Nematoides: problemas crescentes na agricultura brasileira. Brasília: Embrapa, 2018.
FERRAZ, L. C. C. B.; BROWN, D. J. F. Nematologia de plantas: fundamentos e importância. Viçosa: Sociedade Brasileira de Nematologia, 2016.
JONES, J. T. et al. Top 10 plant-parasitic nematodes in molecular plant pathology. Molecular Plant Pathology, v. 14, n. 9, p. 946–961, 2013.
NIBLACK, T. L.; ARELLANO, C.; NOEL, G. R.; OPPERMAN, C. H.; ORF, J. H.; SCHMITT, D. P.; SHANNON, J. G.; TYLKA, G. L. A revised classification scheme for genetically diverse populations of Heterodera glycines. Journal of Nematology, v. 34, n. 4, p. 279–288, 2002.
SÁNCHEZ-MOLINA, J. A. et al. Economic and agricultural impact of plant-parasitic nematodes: a global review. Plants, v. 11, n. 19, 2022.
SCHMITT, D. P.; SHANNON, J. G. Differentiating Heterodera glycines races using resistant soybean cultivars. Crop Science, v. 32, p. 275–277, 1992.
Foto de capa: Cristiano Bellé
Autores:
Kauê da Cunha Beier
Acadêmico do 8º semestre do curso de Agronomia
Universidade Federal de Santa Maria
Bolsista do grupo PET Agronomia
E-mail: kauecunhabeier@gmail.com
Coautores:
Fábio Joel Kochem Mallmann
Jansen Rodrigo Pereira Santos
João Francisco Fornari Viana
Amanda Guzzo Marim
Sustentabilidade
calor pode reduzir produtividade mesmo com chuva na safra 2026/27

O produtor de soja terá de acompanhar não apenas o volume de chuva, mas também as temperaturas e a distribuição das precipitações durante a safra 2026/27. Com o avanço do El Niño, algumas regiões podem enfrentar excesso de umidade, enquanto outras devem ter chuva abaixo da média e calor intenso. Mesmo quando chove, as temperaturas elevadas podem acelerar o ciclo da cultura e comprometer a produtividade.
Em entrevista ao Radar Rural, videocast do Canal Rural, o meteorologista Artur Müller destacou que o calor é um dos principais pontos de atenção para o Brasil Central. Segundo ele, não é necessário que uma região enfrente uma onda de calor para registrar temperaturas acima de 40 °C.
“Não precisa ser onda de calor para passar de 40”, afirmou.
O cenário exige atenção principalmente nas áreas de sequeiro, que dependem das chuvas para o desenvolvimento das lavouras. Além de aumentar a perda de água do solo, as temperaturas elevadas podem prejudicar o desenvolvimento das plantas e favorecer a pressão de pragas.
Assista ao episódio do Radar Rural:
Calor pode acelerar o ciclo da soja
A combinação entre temperaturas elevadas e chuvas irregulares pode comprometer o desenvolvimento da soja, mesmo em regiões que recebem precipitações ao longo da safra.
De acordo com Müller, o calor aumenta a evapotranspiração, processo pelo qual a água é transferida do solo e das plantas para a atmosfera. Com isso, a umidade disponível pode diminuir mais rapidamente, especialmente quando as chuvas são insuficientes ou mal distribuídas.
“Isso deve acelerar o ciclo do cultivo, diminuir a produtividade. Se não tem uma boa palhada, aumenta a evapotranspiração”, explicou.
O meteorologista também chamou a atenção para as temperaturas durante a noite. Noites mais quentes podem favorecer uma maior pressão de pragas nas lavouras, acrescentando outro fator de preocupação para o produtor.
Por isso, a análise das condições climáticas precisa considerar mais do que o acumulado de chuva. A distribuição das precipitações, a temperatura e a capacidade de retenção de água do solo também influenciam o resultado da safra.
Quais regiões exigem mais atenção?
Os efeitos do El Niño não devem ser iguais em todo o país. Segundo Müller, a tendência é de condições mais secas e quentes em parte do Norte, do Nordeste e do Brasil Central, enquanto áreas do Sul e do Sudeste podem registrar volumes elevados de chuva.
No extremo norte de Minas Gerais, em direção ao Matopiba, a combinação de precipitações abaixo da média e temperaturas elevadas merece atenção. O meteorologista citou projeções de volumes inferiores a 100 milímetros em 30 dias em algumas localidades, condição que pode prejudicar o desenvolvimento da soja.
“Isso é um problema, porque não vai desenvolver bem essa soja”, afirmou.
Em outras áreas do Brasil Central, a situação pode ser menos crítica, com volumes de chuva que ainda permitam o desenvolvimento das lavouras, embora abaixo do ideal. Müller ressaltou, porém, que a situação varia de uma região para outra e que os produtores precisam acompanhar as condições específicas de suas propriedades.
No Norte, a preocupação também envolve os impactos da estiagem sobre os rios. Mesmo com previsão de chuva em áreas de Acre e Rondônia, os volumes podem não ser suficientes para recompor as bacias hidrográficas, o que representa um risco para a logística de escoamento da safra pelo Arco Norte.
Já no Sul, o principal ponto de atenção é o excesso de precipitação. O Rio Grande do Sul tem características de solo que, segundo o meteorologista, podem agravar os efeitos tanto da chuva excessiva quanto de períodos prolongados sem precipitação.
Além do risco de alagamentos, o El Niño pode favorecer temporais com granizo, rajadas intensas de vento e outros fenômenos capazes de provocar danos às lavouras.
Müller ponderou, contudo, que estar em uma área de risco não significa que determinado evento climático necessariamente ocorrerá. A confirmação depende do acompanhamento das previsões de curto prazo.
Excesso de chuva também pode atrasar o plantio
Enquanto algumas regiões precisam de mais precipitação, outras podem enfrentar dificuldades para avançar com a semeadura justamente por causa do excesso de umidade no solo.
Durante a entrevista, o meteorologista citou o Paraná como exemplo de como as condições podem variar dentro de um mesmo estado. Segundo ele, áreas do Centro-Leste paranaense estavam mais adiantadas no plantio, enquanto regiões do Oeste enfrentavam mais dificuldades em razão dos temporais e das chuvas frequentes.
“Conforme o produtor consegue colocar o maquinário em campo e tem umidade, vai avançando”, explicou.
A situação mostra por que os números gerais de plantio precisam ser interpretados com cautela. Mesmo quando o avanço da semeadura está acima do registrado na safra anterior, as condições podem ser bastante diferentes entre municípios e regiões produtoras.
Müller também alertou para a possibilidade de atraso no Paraná diante da previsão de novos volumes elevados de chuva. O excesso de precipitação pode dificultar a entrada das máquinas nas áreas de cultivo e comprometer o ritmo dos trabalhos no campo.
Produtor deve acompanhar previsões e condições da propriedade
Diante de um cenário de maior variabilidade climática, Müller recomendou o uso de ferramentas que permitam acompanhar as condições meteorológicas com mais precisão.
Imagens de satélite e aplicativos ajudam a monitorar a aproximação de tempestades e as mudanças no tempo. O meteorologista também destacou a importância das estações meteorológicas instaladas nas propriedades rurais, que permitem medir a chuva registrada em cada área.
Com essas informações, o produtor consegue avaliar melhor a umidade disponível no solo e, no caso de áreas irrigadas, ajustar a necessidade de água das lavouras.
Müller ressaltou ainda que as ferramentas disponíveis no mercado nem sempre oferecem informações específicas para cada propriedade. Por isso, o acompanhamento especializado pode ajudar na interpretação dos dados e no planejamento das atividades.
A previsão de curto prazo é especialmente importante para decisões operacionais, como definir o melhor momento para entrar com máquinas no campo ou realizar atividades durante períodos de temperaturas elevadas.
El Niño forte não significa desastre em todas as regiões
Outro ponto destacado durante o Radar Rural foi a necessidade de diferenciar a intensidade do fenômeno de seus efeitos em cada localidade.
Embora o El Niño altere a circulação atmosférica e favoreça determinados padrões de chuva e temperatura, isso não significa que todas as regiões enfrentarão os mesmos impactos ou que um evento extremo necessariamente ocorrerá.
Müller lembrou que os efeitos do fenômeno podem ser temporariamente mascarados por sistemas meteorológicos de curta duração, que atuam durante alguns dias ou semanas.
O meteorologista também criticou a disseminação de informações sem respaldo científico nas redes sociais, especialmente quando previsões são apresentadas de forma alarmista.
Para ele, o produtor precisa acompanhar dados e projeções atualizados, considerando que as condições climáticas podem mudar ao longo da safra.
A recomendação é observar as previsões para a própria região e combiná-las com as condições verificadas na fazenda. Em uma safra marcada por riscos distintos entre as áreas produtoras, entender quando e quanto chove, além de acompanhar as temperaturas, pode fazer diferença no planejamento das atividades e no resultado da lavoura.
Sustentabilidade
Trigo/RS: Avanço final da safra é marcado por desafios climáticos e sanitários – MAIS SOJA

Trigo: As lavouras apresentam avanço expressivo para as fases finais do ciclo, predominando as de enchimento de grãos (60%) e de maturação (27%), além da colheita já iniciada nas áreas mais precoces (4%). Entretanto, a sequência de chuvas, a elevada umidade, a baixa luminosidade, o granizo e os ventos fortes prejudicaram o potencial produtivo e aumentaram os riscos à qualidade dos grãos.
No Centro-Oeste e Noroeste do Estado, os eventos meteorológicos no período provocaram acamamento, debulha de espigas e perdas de estruturas reprodutivas em áreas atingidas por granizo, reduzindo as expectativas inicialmente projetadas para a safra.
Nas lavouras em maturação, a continuidade das chuvas também aumentou a preocupação com os parâmetros de qualidade do produto, especialmente quanto à redução do Peso Hectolitro (PH) e à atividade enzimática associada à germinação pré-colheita, resultando em menores valores de falling number (índice de queda), o que prejudica as características e o uso tecnológico dos grãos. Também, a elevada umidade durante o período reprodutivo favoreceu a incidência de giberela, manchas foliares, ferrugens, oídio e de outras doenças, e a dificuldade de acesso às lavouras restringiu a execução dos tratamentos fitossanitários.
A área projetada pela Emater/RS-Ascar para Safra 2026 é de 814.220 hectares, e a produtividade média de 2.701 kg/ha.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, na Fronteira Oeste, em São Borja, metade dos 16 mil hectares plantados estão em maturação, e a colheita deve se iniciar em breve. O potencial produtivo está satisfatório, embora as chuvas no final do ciclo gerem preocupação quanto à qualidade final dos grãos. Em Maçambará, a elevada incidência de doenças foliares reduziu o potencial inicialmente estimado. Em São Gabriel, a infestação de azevém tem competido com a cultura. A redução da área foliar verde durante o enchimento, associada às manchas foliares, pode comprometer o peso dos grãos.
Na de Caxias do Sul, nos Campos de Cima da Serra, as lavouras estão no final do alongamento do colmo e em início do espigamento. A condição sanitária está adequada, embora o ingresso na fase de espigamento aumente a exposição das plantas às doenças.
Na de Frederico Westphalen, 10% das lavouras estão em florescimento, 60% em enchimento de grãos, 23% em maturação e 7% colhidas. A incidência expressiva de giberela, associada ao excesso de chuva, pode comprometer a qualidade e a produtividade, inicialmente estimada em 2.965 kg/ha.
Na de Ijuí, o excesso de umidade e os danos provocados por granizo tendem a reduzir o potencial produtivo. Cerca de 50% dos cultivos estão em enchimento, 19% em final de floração, 28% em maturação e 3% colhidas. Nas áreas em enchimento, observa-se pouca evolução no crescimento dos grãos, e aumentam os sintomas de doenças nas espigas em final de floração. Em Santo Augusto, as primeiras áreas colhidas alcançaram 2.820 kg/ha, com PH 78. Contudo, a média regional das lavouras colhidas não ultrapassa 2.400 kg/ha, pois as cultivares mais suscetíveis à giberela apresentam redução de produtividade e de qualidade.
Na de Passo Fundo, os cultivos estão em enchimento de grãos. As chuvas têm dificultado a execução dos tratamentos fitossanitários para o controle de doenças fúngicas. Na de Pelotas, predomina o enchimento de grãos, abrangendo 56% das lavouras; 36% estão em florescimento; e 8% em desenvolvimento vegetativo. A sequência de dias nublados, de chuvas e de baixa radiação solar tem prejudicado o enchimento dos grãos. A elevada umidade do solo dificultou o acesso de máquinas para os tratamentos fitossanitários.
Na de Santa Maria, as chuvas intensas, acompanhadas de vento e granizo, ocorridas no final de setembro deverão provocar redução da produtividade regional. Na de Santa Rosa, 2% dos cultivos estão em floração, 46% em enchimento, 44% maduras e 8% colhidos. Os eventos meteorológicos provocaram perdas severas, especialmente nas áreas atingidas por granizo, como acamamento, debulha das espigas e, em determinados locais, perda total das estruturas reprodutivas. A incidência de giberela e brusone foi favorecida pelo tempo chuvoso e nublado.
Na de Soledade, cerca de 90% dos cultivos estão em enchimento de grãos, e 10% iniciam a maturação fisiológica. Prosseguiram os tratamentos fitossanitários contra manchas foliares, oídio, ferrugens e giberela nas áreas mais tardias. Nas lavouras bem manejadas, o
potencial produtivo está ótimo. Já as com menor nível tecnológico apresentam condição mais desuniforme.
Comercialização (saca de 60 quilos)
O valor médio, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar no Estado, aumentou 0,94%, passando de R$ 73,78 para R$ 74,47 com PH padrão 78. Na Bolsa de Cereais de Cruz Alta, é de R$ 82,00 para produto disponível.
Fonte: Emater/RS
Sustentabilidade
Tem episódio novo do Soja Brasil no ar com alerta para o clima, desafios no plantio 26/27 e tecnologia no campo

O episódio 62 do Soja Brasil já está no ar com uma série de reportagens sobre os desafios e as perspectivas para a safra 2026/27. A equipe continua a viagem pela China para mostrar como o país investe em pesquisa agrícola, melhoramento genético e rotação de culturas para aumentar a produtividade da soja e reduzir a dependência das importações.
O programa também acompanha o avanço do plantio e as dificuldades provocadas pelo excesso de umidade em algumas áreas. A chuva pode interromper os trabalhos no campo, dificultar a germinação das sementes e atrasar a janela de cultivo do milho safrinha, exigindo atenção dos produtores ao manejo do solo e ao planejamento da lavoura.
A previsão do tempo para a primavera e o início de outubro também está entre os destaques. O período pode registrar temperaturas próximas de 40 °C e chuvas irregulares em parte do país, enquanto outras áreas devem enfrentar volumes elevados de precipitação. As condições climáticas podem influenciar o ritmo do plantio e exigir cuidados redobrados no campo.
A edição mostra ainda as novidades em maquinário agrícola apresentadas durante a abertura nacional do plantio da soja 2026/27, em Mato Grosso. Entre os destaques estão soluções que integram plantio e pulverização, monitoramento em tempo real e tecnologias que podem reduzir em até 7% o consumo de fertilizantes.
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