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25 de agosto de 2026

Sustentabilidade

Dinâmica do ENOS e seus efeitos no potencial de produtividade da soja – MAIS SOJA

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O El Niño-Oscilação Sul (ENOS) é resultado de um acoplamento de dois componentes: um oceânico (aquecimento ou esfriamento da temperatura da superfície do mar – TSM) e outro atmosférico (comportamento dos ventos alísios na região do Pacífico Equatorial). Diante dessas anomalias, cada fase é caracterizada da seguinte forma:

  1. El Niño (fase quente): Corresponde ao aumento na TSM superior a 0,5ºC por pelo menos 5 trimestres consecutivos móveis, acompanhado pela redução da velocidade dos ventos alísios.
  2. La Niña (fase fria): Corresponde à diminuição na TSM inferior a -0,5ºC por pelo menos 5 trimestres consecutivos móveis, acompanhada pelo aumento da velocidade dos ventos alísios.
  3. Neutralidade: As temperaturas da TSM permanecem entre -0,5 °C e +0,5 °C por pelo menos 5 trimestres consecutivos.

O fenômeno ENOS atua de forma distinta dependendo da região do planeta. Por exemplo, anos de El Niño causam seca na Ásia, na Oceania e no norte da América do Sul, enquanto em outras regiões, como no sul da América do Sul e no centro-sul da África, o fenômeno resulta em chuvas acima da média. Em contrapartida, anos de La Niña apresentam o comportamento inverso, com chuvas acima da média na Ásia, na Oceania e no norte da América do Sul, e seca no sul da América do Sul e no centro-sul da África (Figura 1).

Figura 1. Configuração espacial de temperatura da superfície do mar (TSM) no Oceano Pacífico durante a fase quente (El Niño – painel superior) e fase fria (La Niña – painel inferior) do fenômeno ENOS. Cores azuis indicam anomalia negativa e vermelha positiva em relação à média histórica. Fonte: Adaptado de: Cyclonextreme (2025).

Diante desse cenário, torna-se fundamental compreender o ENOS visando obter altas produtividades na cultura da soja no Brasil, visto que o comportamento das precipitações varia conforme a fase do fenômeno. Dada essa importância, a Equipe FieldCrops buscou compreender o impacto do ENOS no potencial de produtividade de sequeiro das Regiões Edafoclimáticas (RECs) do Brasil, propostas por Kaster e Farias (2012), considerando a principal janela de semeadura (Figura 2).

A partir dessa análise, verificou-se que a região sul do Brasil e o sul do Mato Grosso do Sul (REC’s 101, 102, 103, 104, 201 e 202) são as mais afetadas pelo fenômeno ENOS. Durante a fase La Niña, observa-se uma redução significativa no potencial de produtividade de sequeiro, especialmente para semeaduras realizadas no mês de setembro e outubro (Figura 2). As demais Regiões Edafoclimáticas apresentam menor variação no potencial de produtividade de sequeiro conforme a fase do ENOS, sendo que os maiores potenciais são evidenciados no mês de outubro.

Figura 2. Potencial de produtividade de sequeiro (PS) para soja em função da época de semeadura, para 16 Regiões Edafoclimáticas do Brasil, considerando a influência das fases do fenômeno ENOS. Os resultados são baseados em simulações com dados meteorológicos de 40 anos (1984–2024). Fonte: Equipe Field Crops.

Referências:

CYCLONEXTREME. Meteorologie El Niño. Disponível em: < https://www.cyclonextreme.com/meteorologieelnino.htm >, acesso: 02/08/2026

KASTER, M; FARIAS, J. R. B. Regionalização dos testes de Valor de Cultivo e Uso e da indicação de cultivares de soja – terceira Aproximação. Londrina: Embrapa Soja: Documentos 330, p. 69, 2012. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/handle/doc/917252 >, acesso: 01/08/2026

WINCK, J.E.M et al. Ecofisiologia da soja visando altas produtividades. 3era Edição, 2025.

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Sustentabilidade

Algodão/BR: Clima Seco Favorece Colheita e Rendimentos Superam Expectativas – MAIS SOJA

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Algodão/BR: 70,5% colhido. Em MT, os dias quentes impulsionaram a colheita. O manejo de campo segue focado no controle do bicudo-doalgodoeiro e na destruição imediata das soqueiras. As produtividades aferidas até o momento superam as da safra anterior. Na BA, a colheita está em andamento.

No MA, nos Gerais de Balsas, a colheita da primeira safra será finalizada até o fim de agosto e a segunda está sendo concluída. As lavouras em campo encontram-se em maturação. Em MS, a colheita está praticamente finalizada nas regiões norte e nordeste, continuando a destruição das soqueiras. Na região central, a colheita segue em andamento, com finalização prevista para o início de setembro.

Em MG, o clima mais seco, com temperaturas amenas e baixa precipitação, tem favorecido as operações de colheita. Em GO, a cultura encaminha-se para a reta final do ciclo, com bom andamento da colheita e qualidade da pluma considerada boa. Na região Oeste, a colheita foi concluída, e as áreas remanescentes seguem em boas condições.

No PI, a colheita segue avançando, com produtividade superando as estimativas iniciais. Em SP, a colheita encontra-se encerrada.

Previsão Agrometeorológica (24/08/2026 a 31/08/2026)

N-NE: As chuvas devem se concentrar no Oeste de RR, nos trechos Norte e Oeste do AM e no Oeste do AC, com valores que podem alcançar pontualmente os 80 mm. No litoral do AP e no Nordeste do PA, a umidade costeira provoca chuvas entre a tarde e a noite, favorecendo em parte as lavouras de feijão terceira safra. Nas demais áreas da região Norte, são previstas precipitações pouco significativas. No TO, não há previsão de chuva. Na Região Nordeste, as chuvas devem ficar concentradas na faixa litorânea, com volumes pouco significativos, favorecendo a maturação e o início da colheita da cana-de-açúcar. No agreste e na região interiorana do Nordeste, persiste a previsão de falta de chuva. O feijão e o milho terceira safras, ainda em floração e enchimento de grãos, no Sealba, continuarão sob restrição hídrica.

CO: A semana inicia com tempo seco e estável. Nos dias 25 e 26 há previsão de pancadas de chuva no Centro-Sul de MS. Em áreas do Norte de MT, GO e DF, há previsão de chuva isolada. A partir do dia 28, as condições de tempo seco e estável devem predominar e permanecer até o final do período. No geral, as condições serão favoráveis para a maturação e a colheita do algodão, do milho segunda safra e dos cultivos de inverno, apesar do risco de incêndios.

SE: Há previsão de chuvas isoladas entre o litoral de SP, o RJ, o Sul de MG e o litoral do ES, mantendo-se essas condições até o dia 25. A partir do dia 26, há previsão de pancadas de chuva entre o Leste de SP, o Sul de MG, o RJ e o Sul do ES, com tendência de redução das chuvas a partir do dia 29, quando ficam restritas ao litoral capixaba. No geral, as condições continuarão favoráveis para a maturação e a colheita dos grãos, da cana-de-açúcar e do café.

S: A semana inicia com tempo seco e estável. A partir do dia 25, há previsão de pancadas de chuva no Leste do PR, avançando pelo Norte de SC ao longo do dia 26, com tendência de diminuição no final desse dia. A partir da tarde do dia 27, a passagem de uma nova frente fria provoca a formação de áreas de instabilidade no RS, com previsão de pancadas de chuva ao final do dia, sendo os maiores acumulados esperados entre o Sul e o Leste do estado. Nos dias seguintes, as áreas de instabilidade deverão se expandir por todo o território gaúcho e avançar para o Centro-Sul de SC, com acumulados diários superiores a 50 mm e possíveis danos pontuais às lavouras. Pode haver restrição por excesso de chuvas e de umidade, principalmente, nas áreas com maiores acumulado

Fonte: Conab


FONTE

Autor:Conab

Site: Conab

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Sustentabilidade

Da crise à soja com IA: como José Bisneto transformou dificuldade em frente de produção

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Arquivo José Bisneto

Na história de José Bisneto, a soja entrou muito depois. Antes dela vieram os canaviais de Pernambuco, as usinas da família, as viagens pelas estradas do Nordeste e uma sucessão de crises que, em vez de interromper sua trajetória, acabaram abrindo novas portas.

Hoje, sua produção de cana, açúcar e álcool divide espaço, em proporções semelhantes, com a produção de grãos, como soja e milho. No campo, a experiência acumulada ao longo de décadas se encontra com agricultura de precisão, dados e inteligência artificial.

Mas, antes de chegar à soja, foi preciso aprender a recomeçar. “Eu nasci dentro de uma usina e me criei, cresci dentro de uma usina. Então, conhecia tudo e sempre fui um empolgado com a cana-de-açúcar, o processo industrial. Todo esse setor me encantava”, conta.

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Pernambucano, nasceu em uma família de usineiros e cresceu entre máquinas, canaviais e o movimento das usinas. Nos anos 1980, a usina da família quebrou, em meio a mais uma crise do setor sucroenergético.

Foi nesse período que Bisneto encontrou uma nova oportunidade. Com o avanço do álcool combustível, novas destilarias surgiam no Nordeste, muitas delas comandadas por pecuaristas que tinham terra, mas não tinham experiência na fabricação de álcool. Ele começou a comprar melaço, subproduto da fabricação de açúcar, e revendê-lo às novas destilarias.

O comércio cresceu e o levou a percorrer o Nordeste. Até que uma das usinas para as quais havia comprado antecipadamente toda a produção de melaço da safra seguinte quebrou. O dinheiro já estava comprometido. A produção, paga. Restava decidir o que fazer.

A resposta foi assumir a usina. “Os donos me chamaram para explicar que tinham quebrado, que não havia solução e que eu estava com toda a safra comprada e paga antecipadamente. Então não restou outra alternativa a não ser assumir a usina.”

O pontapé para a produção de soja

A experiência acumulada dentro das usinas ajudou na recuperação da produção. Em 1989, veio a segunda usina, em Sergipe. Mais tarde, diante das dificuldades de produzir cana no Nordeste, Bisneto levou sua experiência para o Centro-Sul, onde passou a atuar também em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais.

“A partir de 1950, a produção do Sul e Sudeste cresceu de uma maneira muito grande. Para quem tinha o conhecimento das dificuldades que a gente tinha no Nordeste, para mim foi muito entusiasmante começar a produzir no Centro-Sul.”

“Eu resolvi diversificar porque o nosso balanço final estava no vermelho, sempre no vermelho. Aproveitei algumas terras, como nós já tínhamos muitas terras nessas usinas, e comecei a produzir soja. Era um aprendizado. Comecei a produzir soja e me entusiasmei.”

O que começou como uma alternativa para enfrentar uma crise ganhou outra dimensão. A soja passou a dividir espaço com a cana e, com o tempo, se tornou uma atividade tão importante quanto ela. A entrada nos grãos também trouxe uma nova forma de trabalhar a terra, combinando a experiência acumulada no campo com agricultura de precisão, dados e, mais recentemente, inteligência artificial.

A IA como aliada

Hoje, a agricultura de precisão permite que os insumos sejam aplicados de acordo com aquilo que cada pedaço do solo realmente precisa. Na prática, isso significa tomar decisões diferentes para cada talhão, considerando características específicas da área. A inteligência artificial levou esse processo um passo adiante.

Em uma das experiências, dados de diferentes safras foram cruzados considerando época de plantio, variedades, tipos de solo e produtividade de cada talhão. O resultado foi um mapa de decisões sobre qual variedade plantar, em qual área e em qual momento.

Com o apoio da IA Gemini, do Google, o grupo consegue identificar a variedade ideal de soja para cada área da fazenda, considerando solo, clima e produtividade histórica. A ferramenta funciona como complemento ao trabalho dos agrônomos, reunindo informações que seriam difíceis de analisar de forma conjunta.

“São milhares e milhares de dados que não dá para você calcular. A IA cruzou todos esses dados para, no fim, me dar o seguinte resultado: talhão tal, você precisa plantar na primeira quinzena de outubro com a variedade tal.”

Para Bisneto, o avanço da inteligência artificial não significa deixar as decisões do campo nas mãos da tecnologia. Ele vê a ferramenta como uma aliada do profissional, capaz de organizar e cruzar uma quantidade de informações que seria difícil analisar de outra forma. A decisão, porém, continua dependendo de quem conhece a terra, entende o negócio e sabe interpretar os resultados.

“Ela faz todos esses cálculos, mas a cabeça do engenheiro agrônomo e de gente estudiosa vai usar a inteligência artificial. Ela será usada a serviço do profissional, e não o profissional a serviço da IA”, aponta.

É nessa parceria que Bisneto vê o futuro da tecnologia no campo. A inteligência artificial pode ajudar a encontrar padrões, comparar informações e apontar possibilidades, mas não substitui a experiência de quem trabalha com a terra. Para ele, a tecnologia deve estar a serviço do profissional, ampliando sua capacidade de análise e ajudando na tomada de decisão.

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Sustentabilidade

Soja: por que o manejo de nematoides está ampliando seu foco no Brasil – MAIS SOJA

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O Brasil cultiva mais de 49 milhões de hectares de soja e lidera a produção mundial da oleaginosa. Ao mesmo tempo, os nematoides seguem entre os principais desafios fitossanitários da cultura, causando prejuízos bilionários à produção todos os anos. Nesse cenário, cresce o interesse por soluções capazes de fortalecer a planta desde o início do ciclo, aumentando sua capacidade de responder aos estresses e preservar o potencial produtivo da lavoura.

Se, por décadas, boa parte das estratégias esteve concentrada no controle do patógeno, uma nova geração de tecnologias amplia esse conceito ao direcionar o olhar para outro protagonista da lavoura: a própria planta e sua capacidade de manter a performance diante dos desafios da safra.

Esse movimento ganha espaço no mercado com tecnologias como o Teikko™, primeiro nematicida bioquímico para tratamento de sementes de soja introduzido no Brasil pela PI AgSciences. Mais do que incorporar uma nova ferramenta ao manejo, a tecnologia reforça uma abordagem que complementa as estratégias tradicionais de controle dos nematoides ao priorizar o fortalecimento fisiológico da cultura. Ele atua de dentro para fora e ativa as defesas naturais da planta, promovendo melhor arranque e desenvolvimento em condições de pressão de nematoides.

No campo, essa estratégia é percebida por características valorizadas pelo produtor, como maior vigor, raízes mais saudáveis, melhor uniformidade da lavoura, redução do amarelecimento e maior estabilidade produtiva ao longo do ciclo. Esses benefícios também são percebidos pelos pesquisadores.

“A Fundação MS trabalha com o Teikko™, bioquímico que atua contra vários nematoides. Foram realizados trabalhos em São Gabriel do Oeste, em Ponta Porã e Maracaju e houve uma grande redução de 80 a 90 por cento em nematoides que afetam a cultura agrícola, dependendo da situação e área de produção. Com isso é possível concluir que esse bioquímico tem respondido muito bem na redução populacional, devido a ter um ativador de resistência”, explica Andressa Brida, pesquisadora da Fundação MS.

Além dos benefícios agronômicos, a tecnologia também oferece praticidade operacional. Por não utilizar organismos vivos em sua formulação, proporciona maior flexibilidade de armazenamento e manejo, facilitando sua adoção em diferentes sistemas de produção.

“Os nematoides podem causar perdas superiores a 10% na produtividade anualmente. É uma dor muito latente para o produtor, que sente esse impacto diretamente no bolso todos os anos. Na prática, isso significa que, a cada dez anos, o produtor pode perder o equivalente a uma safra inteira por conta desse problema”, conta Gabriel Dutra, especialista em desenvolvimento de mercado.

Para a PI AgSciences, essa evolução só acontece de forma consistente quando ciência, inovação e campo caminham juntos. Por isso, a empresa atua em parceria com pesquisadores, consultores, distribuidores, cooperativas, revendas e produtores rurais para acelerar a adoção de tecnologias que contribuam para uma agricultura mais eficiente, resiliente e sustentável. Recentemente, vários encontros foram realizados em diversas regiões do país com consultores de elite, exatamente para ampliar o debate sobre a evolução do manejo de nematoides.

“O produtor brasileiro convive com desafios cada vez mais complexos e precisa de tecnologias que entreguem valor de forma consistente no sistema produtivo. A PI AgScienceslidera a ciência de uma linha de produtos que é a mais nova fronteira tecnológica na proteção de cultivos. Teikko™ nasce justamente dessa busca por novas respostas a um problema relevante para a soja brasileira. Mais do que disponibilizar uma nova solução, ele é a escolha inteligente para o manejo de nematoides no país, combinando inovação, conhecimento científico e resultados no campo”, destaca Jonas Cuzzi, Head Brasil da PI AgSciences.

Sobre a PI AgSciences

A PI AgSciences é a unidade de soluções para agricultura da PI Industries, grupo global de ciências da vida com mais de 80 anos de atuação e presença em mais de 40 países. A companhia desenvolve tecnologias agrícolas com base em ciência, pesquisa e inovação, com foco em oferecer soluções para os principais desafios da agricultura moderna. PI AgSciences – Reimagining a Healthier Planet.

Fonte: Assessoria de imprensa



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