Sustentabilidade
Bioestimulantes auxiliam no estabelecimento da soja? – MAIS SOJA

O número de plantas por área constitui um dos principais componentes da produtividade da soja. Nesse contexto, o estabelecimento adequado da lavoura, caracterizado por uma população de plantas compatível com o ambiente e distribuída de forma uniforme, é fundamental para o alcance de elevadas produtividades. Para isso, atributos fisiológicos das sementes, especialmente germinação e vigor, desempenham papel central, uma vez que determinam, em grande parte, a capacidade de estabe0lecimento do estande e a uniformidade inicial da cultura.
Considerando a importância desses atributos, a utilização de sementes com elevados índices de germinação e vigor representa uma das estratégias mais seguras para garantir o adequado estabelecimento da soja. Entretanto, em algumas situações, sementes salvas ou submetidas a períodos prolongados de armazenamento podem apresentar redução da qualidade fisiológica, comprometendo a germinação, a emergência e, consequentemente, a obtenção da população de plantas desejada no campo.
Além da qualidade das sementes, condições climáticas e ambientais adversas exercem forte influência sobre os processos de germinação e emergência das plântulas. Temperaturas inadequadas, excesso ou déficit hídrico, compactação do solo e outras condições desfavoráveis podem reduzir a velocidade e a uniformidade da emergência, resultando em estandes desuniformes e maior dificuldade para alcançar o potencial produtivo da lavoura.
Nesse contexto, o uso de bioinsumos com propriedades bioestimulantes tem ganhado espaço como uma estratégia complementar para favorecer o estabelecimento da cultura, especialmente em ambientes sujeitos a condições adversas. Esses produtos podem atuar sobre processos fisiológicos relacionados à germinação, emergência e desenvolvimento inicial das plantas, contribuindo para maior uniformidade e melhor estabelecimento do estande.
Tradicionalmente, os bioestimulantes são empregados principalmente via aplicação foliar, sobretudo após a ocorrência de estresses ambientais ou climáticos, com o objetivo de estimular a recuperação das plantas e reduzir os impactos negativos dessas condições. Entretanto, pesquisas recentes têm buscado ampliar sua utilização, avaliando a associação de determinados bioestimulantes ao tratamento de sementes e ao processo de estabelecimento inicial da soja. Essa abordagem busca explorar seus potenciais efeitos benéficos desde as primeiras etapas do desenvolvimento da cultura, período determinante para a formação de uma lavoura uniforme e produtiva.
Conforme observado por Elsenbach et al. (2017), o emprego de um bioestimulante composto por cinetina, ácido giberélico e ácido indolbutírico no tratamento de sementes, contribui para o incremento de comprimento da parte aérea de plântulas de soja tratadas com esse bioestimulante, além de contribuir para a melhoria de características fisiológicas das plântulas e sementes.
Resultados em sementes de baixo vigor
Os resultados do uso de substâncias bioestimulantes no tratamento de sementes são ainda superiores em lotes com menor qualidade. Ao avaliar a emergência e o crescimento inicial das plântulas de soja em resposta à aplicação de doses de um biopotencializador (Crop Evo®) a base de extrato de algas e aminoácidos constituído de carbono orgânico total (C), nitrogênio (N), enxofre (S), boro (B), cobalto (Co), ferro (Fe), cobre (Cu), manganês (Mn), molibdênio (Mo) e zinco (Zn), Machado et al. (2026) observaram que, em lotes com baixo vigor (abaixo de 75), a substancia adicionada no tratamento de sementes surtiu efeitos benéficos que contribuíram para um melhor estabelecimento das plantas. Já nos lotes de alto vigor (acima de 90%), esses efeitos não foram expressivos.
De acordo com Machado et al. (2026) a porcentagem de emergência e a velocidade de emergência das plântulas de soja oriundas de sementes de baixo vigor foi influenciada significativamente pelas doses de biopotencializador aplicadas no tratamento das sementes. No entanto, a aplicação de doses de biopotencializador não influenciou significativamente a porcentagem de emergência e a velocidade de emergência das plântulas de soja oriundas de sementes de alto vigor.
Para as sementes de baixo vigor, a máxima porcentagem de emergência (91,2%) e o maior índice de velocidade de emergência das plântulas de soja (14,3 plântulas dia–1) foram obtidos, respectivamente, com a utilização de 11,9 e 11,7 mL kg–1 de biopotencializador no tratamento das sementes (Figuras 1A e 1B). Para as sementes de alto vigor, a porcentagem média de emergência das plântulas de soja foi de 94,4%, ao passo que o valor médio do índice de velocidade de emergência foi de 14,7 plântulas dia–1 (Machado et al., 2026).
Figura 1. Efeito das doses do biopotencializador Crop Evo® aplicadas no tratamento das sementes sobre a porcentagem de emergência (A) e índice de velocidade de emergência (B) das plântulas de soja oriundas de sementes de baixo e alto nível de vigor. DMS: diferença mínima significativa.
Fonte: Machado et al. (2026)
Estes resultados reforçam os efeitos benéficos e a aptidão dos bioinsumos bioestimulantes na tratamento de sementes da soja, principalmente sobre a emergência das plântulas de soja oriundas das sementes de baixo vigor, contribuindo para um melhor estabelecimento da soja. Vale destacar que para lotes de alta germinação e vigor, o estudo conduzido por Machado et al. (2026) não encontrou resultados significativos em função da adição de bioestimulantes no tratamento de sementes.
Confira o estudo completo de Machado e colaboradores (2026) clicando aqui!
Veja mais: Uso de Ascophyllum nodosum (L.) em soja

Referências:
ELSENBACH, H. et al. EFEITO DO BIOESTIMULANTE NO DESENVOLVIMENTO DE PLÂNTULAS DE SOJA. Anais do 9º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO – SIEPE, Universidade Federal do Pampa, 2017. Disponível em: < https://guri.unipampa.edu.br/uploads/evt/arq_trabalhos/14414/seer_14414.pdf >, acesso em: 24/08/2026.
MACHADO, A. F. et al. CRESCIMENTO INICIAL DE PLANTAS DE SOJA COM A APLICAÇÃO DE BIOPOTENCIALIZADOR EM SEMENTES DE BAIXO E ALTO VIGOR. Trends in Agricultural and Environmental Sciences, 2026. Disponível em: < https://editorapantanal.com.br/journal/index.php/taes/pt_BR/article/view/40 >, acesso em: 24/08/2026.

Sustentabilidade
Manutenção de máquinas agrícolas: o insumo silencioso que protege a rentabilidade da safra – MAIS SOJA

A janela de plantio e colheita no agronegócio moderno não tolera amadorismo ou improvisos. Quando um trator ou uma colheitadeira para de forma inesperada no meio da operação, o prejuízo financeiro raramente se limita à nota fiscal da peça de reposição ou às horas do mecânico. O custo real, aquele que verdadeiramente corrói a margem do produtor rural, está no tempo perdido, na janela operacional perdida e, nos cenários mais severos, na perda direta de produtividade por hectare. É precisamente por essa razão que a manutenção preventiva de máquinas agrícolas deixou de ser uma simples rotina de oficina para se consolidar como uma ferramenta crucial de gestão e rentabilidade no campo.
Historicamente, o cuidado com a frota dependia quase exclusivamente de duas variáveis: a contagem do horímetro e a sensibilidade do operador. Embora essenciais, esses fatores isolados já não atendem às exigências de uma agricultura de precisão que busca eficiência máxima a cada hectare. A grande virada de chave do setor reside na transformação digital do maquinário agrícola. A telemetria e o avanço da conectividade embarcada mudaram drasticamente esse panorama, permitindo que a saúde dos equipamentos seja monitorada continuamente e em tempo real.
Na prática diária, essa evolução tecnológica redefiniu a dinâmica de trabalho nas propriedades. Acompanhar parâmetros cruciais como consumo de combustível, temperatura, alertas do sistema e códigos de falha em tempo real dá ao produtor o poder da previsibilidade. Antecipar-se a um dano grave significa agendar uma intervenção em momentos de pausa estratégica, e não ser surpreendido no pico do trabalho. Além disso, quando o atendimento em campo se faz indispensável, a concessionária já desloca a equipe técnica com o diagnóstico prévio e as peças corretas em mãos, reduzindo drasticamente o tempo de máquina parada.
Essa mudança de paradigma transforma também a relação entre o produtor, as concessionárias e os fabricantes. O pós-venda, tradicionalmente reativo e acionado apenas diante da quebra, passa a atuar como um consultor proativo de produtividade. Serviços de monitoramento remoto, alertas preditivos e inteligência de dados não apenas protegem o investimento do produtor, mas também geram um modelo de negócios mais sólido e rentável para a rede de distribuição. Em um ecossistema onde o tempo é o insumo mais valioso do agricultor, a manutenção inteligente e antecipada do maquinário deixa de ser um centro de custo e assume seu verdadeiro papel: o de guardião do resultado da safra.
Micael Duarte é Engenheiro Agrícola formado pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e possui ampla experiência com máquinas agrícolas. É especializado em análise de mercado, prospecção de novos clientes e suporte técnico-comercial, com foco em colheitadeiras. Atualmente é Analista de Inovação Sênior na YANMAR Brasil, onde também já ocupou os cargos de Analista de Vendas Júnior e Assistente de Vendas – Desenvolvimento de Novos Produtos. Em sua trajetória profissional, reúne passagens pela Agrológica (Empresa Júnior da UNICAMP), CNPq (como bolsista de iniciação científica) e Toyota do Brasil.
Fonte: Assessoria de imprensa
Sustentabilidade
Mercado de fertilizantes aumenta pressão sobre os custos da soja – MAIS SOJA

Com a safra de soja 2026/2027 sendo semeada em Mato Grosso do Sul, o mercado de fertilizantes continua no radar do produtor pelos reflexos que pode gerar sobre os custos e, consequentemente, sobre a margem de lucro.
No acumulado de janeiro a julho de 2026, o Brasil importou 22,4 milhões de toneladas de fertilizantes, volume 7,4% inferior ao registrado no mesmo período de 2025. Mesmo com a redução na quantidade, o país desembolsou US$ 8,8 bilhões, alta de 8%. Isso significa que o Brasil está adquirindo menos fertilizantes e pagando mais pelo produto.
“O ponto central não é apenas a redução do volume importado, mas o aumento do desembolso para adquirir o fertilizante. Quando o Brasil importa menos e paga mais, temos um sinal de deterioração das condições de oferta que pode ser incorporado ao custo de produção da soja e pressionar a margem do produtor”, aponta o analista de Economia Aprosoja/MS, Linneu Borges Filho.
O Brasil é dependente das importações para atender à demanda interna por fertilizantes. Entre 2021 e 2025, o volume importado permaneceu próximo de 40 milhões de toneladas por ano. Em 2025, foram 45,48 milhões de toneladas, alta de 2,8% em relação ao ano anterior.
“O cenário de 2026, entretanto, ocorre em meio a novos fatores de pressão sobre a oferta. O início de um novo conflito no Oriente Médio afetou regiões produtoras e rotas de comércio, enquanto a continuidade do conflito entre Rússia e Ucrânia mantém impactos sobre o mercado internacional de fertilizantes”.
Segundo o Boletim de Fertilizantes de agosto de 2026, o volume acumulado de fertilizantes importados pelo Brasil estava 13,5% abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior. Em Mato Grosso do Sul, a redução chegou a 24,1%.
“A dependência externa faz com que o custo do fertilizante esteja sujeito a variáveis que não são controladas pelo produtor, como conflitos geopolíticos, disponibilidade nos países fornecedores, restrições comerciais e frete internacional. Essa exposição aumenta a volatilidade do custo e dificulta a formação de uma expectativa mais precisa de margem”.
A vulnerabilidade brasileira é observada nos três principais grupos de nutrientes utilizados na agricultura: nitrogênio, fósforo e potássio.
O nitrogênio apresentou a maior variação negativa nas importações brasileiras na comparação entre 2025 e 2026, com déficit de 17,2% no acumulado analisado.
No mercado de potássio, porém, a concentração dos fornecedores representa um ponto adicional de atenção. Rússia e Canadá responderam juntos por cerca de 82% das importações brasileiras de fertilizantes potássicos em 2025.
Ao mesmo tempo, o Brasil possui participação inferior a 1% da produção mundial de potássio, o que evidencia a dependência do mercado externo para atender ao consumo nacional.
Diante da concentração da oferta, a busca por fornecedores alternativos aparece como uma das estratégias para reduzir a exposição do Brasil às oscilações do mercado internacional.
O levantamento da Aprosoja/MS mostra que países como China, Índia e Estados Unidos estão entre os grandes produtores mundiais de nitrogenados, mas possuem participação reduzida nas importações brasileiras. Isso indica a existência de potenciais alternativas, embora a disponibilidade para exportação e as condições comerciais precisem ser avaliadas.
A diversificação, no entanto, não depende apenas da existência de produção. É necessário considerar o excedente disponível em cada país, sua demanda interna, capacidade de exportação, preços e custos logísticos para que uma nova origem seja efetivamente competitiva para o mercado brasileiro.
Fonte: Aprosoja/MS
Autor:Crislaine Oliveira (Comunicação Aprosoja/MS)
Site: Aprosoja MS
Sustentabilidade
Soja avança no Pará e Tocantins e recua em Minas Gerais, aponta Serasa – MAIS SOJA

A área cultivada com soja aumentou cerca de 175 mil hectares no Pará e Tocantins na safra 2025/26, enquanto recuou aproximadamente 85 mil hectares em Minas Gerais, segundo levantamento da Serasa Experian.
No Pará, a área cresceu cerca de 100 mil hectares, para 1,3 milhão de hectares, enquanto no Tocantins houve avanço de 75 mil hectares, para 1,7 milhão de hectares. Em Minas Gerais, a área recuou para aproximadamente 2,75 milhões de hectares, registrando o segundo ano consecutivo de queda.
A expansão da soja nas últimas seis safras chegou a 92,7% no Pará, com acréscimo de cerca de 620 mil hectares, e a 44,4% no Tocantins, com aumento de aproximadamente 530 mil hectares. Em Minas Gerais, apesar do crescimento acumulado de 23,2% no período, a área caiu cerca de 5% desde a safra 2023/24.
O levantamento aponta que a retração da soja em Minas Gerais ocorreu simultaneamente ao avanço do milho de primeira safra. A área cultivada com o cereal aumentou cerca de 95 mil hectares, para aproximadamente 500 mil hectares em 2025/26.
O estudo também identificou cerca de 211 mil hectares de soja em imóveis com registros de supressão de vegetação considerados em critérios socioambientais do Manual de Crédito Rural (MCR). Desse total, aproximadamente 113 mil hectares estão no Tocantins, 70 mil no Pará e 28 mil em Minas Gerais.
Segundo a Serasa Experian, o indicador não caracteriza, isoladamente, irregularidade ambiental. O mapeamento é realizado com imagens de satélite e técnicas de geoprocessamento para acompanhar a expansão, retração e distribuição das culturas.
As informações são da assessoria de comunicação da Serasa.
Fonte: Agência Safras
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