Agro Mato Grosso
SLC Agrícola implanta torre para monitorar operações em tempo real

Estrutura integra dados de 13 fazendas e já processou mais de 18 mil alertas operacionais
A SLC Agrícola implantou uma Torre de Gestão Operacional (TGO) para monitorar, em tempo real, atividades agrícolas de suas fazendas. Instalada na matriz da companhia, no Rio Grande do Sul, a estrutura reúne informações de semeadura, pulverização, adubação, colheita, tratos culturais e transporte interno. Desde a implementação, entre maio e junho, o sistema já processou mais de 18 mil alertas.
A primeira etapa contempla 13 fazendas localizadas na Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranhão e Piauí. A torre acompanha qualidade e eficiência das operações, movimentação de máquinas e veículos, ordens de serviço e condições climáticas.
Os alertas sinalizam paradas de máquinas, necessidade de manutenção, desvios operacionais e condições de chuva, vento ou temperatura com potencial de interferir nas atividades agrícolas. A equipe da TGO reúne 29 profissionais das áreas de Operação das Fazendas, Planejamento Agrícola, Agricultura Digital, Tecnologia, Mecanização e Planejamento e Custos.
“A TGO transforma a operação em algo visível, padronizado e acionável em tempo real”, afirma Ronei Sana, gerente de Agricultura Digital da SLC Agrícola.
A estrutura integra sistemas de gestão agrícola, telemetria de máquinas, logística de caminhões, controle de ocorrências e plataformas climáticas. Sensores em máquinas e caminhões enviam dados operacionais. Estações meteorológicas fornecem registros de chuva, vento e temperatura.
As informações seguem pela infraestrutura de conectividade rural até o data lake da companhia e alimentam painéis de acompanhamento. Quando a torre identifica um desvio, aciona as equipes responsáveis conforme procedimentos e escalas de decisão.
Agro Mato Grosso
Baixa umidade e calor intenso marcam o período mais crítico da seca no campo MT

Aprosoja MT reforça orientações técnicas aos associados e destaca que o produtor rural é o principal interessado em proteger a propriedade e áreas preservadas
A estiagem avança em Mato Grosso e amplia o risco de incêndios no campo. Umidade relativa do ar abaixo de 20%, temperaturas próximas dos 40°C e vegetação ressecada formam o cenário que se repete todos os anos entre agosto e setembro. A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) reforça orientações técnicas aos associados e destaca que o produtor rural é o principal interessado em proteger a propriedade e áreas preservadas.
O Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), registrou 871 eventos de fogo ativo em Mato Grosso, desde o primeiro dia de agosto até a última sexta-feira (21.08), atrás apenas do Pará, com 987. Jangada, Paranatinga e Nova Santa Helena estão entre os municípios com mais ocorrências registradas pelo Corpo de Bombeiros Militar. Em Jangada, a Prefeitura decretou situação de emergência no dia 17, com o fogo avançando sobre áreas urbanas e rurais. O Corpo de Bombeiros mantém equipes mobilizadas nas três cidades, com apoio de aeronaves e dos produtores rurais que atuam no combate.
“Todo ano a associação lança uma campanha antecipada, justamente com a intenção de lembrar o produtor de tomar as devidas precauções antes da seca severa. Quando chega agosto, quando os focos tradicionalmente começam a aumentar, ele já está preparado, já sabe como combater e já fez os preparativos para que, se houver fogo na propriedade, o dano seja o menor possível”, afirma Luiz Pedro Bier, vice-presidente e coordenador de Sustentabilidade da Aprosoja MT.
Neste período, todos os anos Mato Grosso vira manchete nacional. A combinação de fatores climáticos, a extensão do Estado, o terceiro maior do país, e as características próprias de um território que reúne Amazônia, Cerrado e Pantanal, com dinâmicas de fogo distintas entre si, colocam Mato Grosso no topo das estatísticas e no centro do debate público sobre queimadas.
Bier chama a atenção para a leitura equivocada que costuma acompanhar o período. Segundo ele, o monitoramento por mapas de calor indica que os registros se concentram fora das áreas produtivas. “É nítido que esses fogos não começam em áreas de lavoura, muito menos em áreas de pecuária. Via de regra, começam em beiras de rodovias, se espalham e muitas vezes avançam para dentro das áreas produtivas. O produtor não tem interesse nenhum em colocar fogo na própria área”.
Ao contrário, é ele quem tem mais a perder e quem primeiro atua no combate. “O produtor muitas vezes atua como bombeiro para apagar esses incêndios, e tem muita responsabilidade porque dentro da sua propriedade tem grande parte de área preservada também”. O prejuízo, explica, vai muito além do que se perde na superfície. “Existe o risco de queimar sede, de queimar maquinário, mas o maior prejuízo é a mineralização da matéria orgânica pelo excesso de calor. Isso põe por água abaixo um trabalho que leva anos para se construir, e a matéria orgânica é componente essencial para a produtividade de qualquer cultura, especialmente soja e milho”.
A atuação da associação no tema também se dá em articulação institucional. A Aprosoja MT integra o Comitê Estadual de Gestão do Fogo e mantém parceria com o Corpo de Bombeiros Militar em ações de prevenção e preservação. Entre as práticas recomendadas ao associado estão a construção antecipada de aceiros e a adoção de ferramentas digitais de monitoramento. “Ultimamente temos usado muita tecnologia. Já existem aplicativos que criam alertas de incêndio, e isso vem formando uma rede que minimiza o dano, reduz a velocidade de propagação e faz o fogo queimar pelo menor tempo possível”, diz Bier.
O material de referência da entidade sobre o assunto, a cartilha de Manejo Integrado do Fogo, está disponível no site da Aprosoja MT e reúne orientações práticas de prevenção, preparo da propriedade e resposta a ocorrências.
Agro Mato Grosso
Tripes predam ácaro-rajado em ensaios

Achado amplia o entendimento sobre manejo integrado, mas efeito em condições de campo ainda é incerto
Três espécies de tripes associadas a hortaliças podem atuar como predadores facultativos do ácaro-rajado Tetranychus urticae. A maior pressão ocorreu sobre os ovos. Em criação conjunta durante 20 dias, as três espécies de tripes reduziram a abundância de formas ativas de Tetranychus urticae. Os resultados ampliam a compreensão sobre as interações entre essas pragas e indicam impacto potencial sobre estratégias de manejo integrado.
Pesquisadores avaliaram Frankliniella occidentalis, Thrips palmi e Megalurothrips usitatus. As três espécies consumiram Tetranychus urticae em ensaios de laboratório. A intensidade da predação variou conforme a espécie de tripes, o estágio de desenvolvimento do predador, o estágio da presa e a presença de tecido vegetal (doi 10.3390/insects17080873).
Resultados por espécie
Frankliniella occidentalis apresentou a maior predação sobre ovos. Larvas de primeiro ínstar alcançaram taxa corrigida de 96,8%, larvas de segundo ínstar chegaram a 95,7% e adultos atingiram 98,2%. O desempenho permaneceu alto nos três estágios avaliados.
Thrips palmi apresentou resposta dependente do estágio. Adultos consumiram 64,1% dos ovos de Tetranychus urticae. Larvas de primeiro ínstar registraram 26,3%. Larvas de segundo ínstar alcançaram 15,2%. Megalurothrips usitatus apresentou taxas menores, entre 19,8% e 23,1% nos estágios avaliados.
Predação sobre ninfas
A predação sobre ninfas do ácaro apresentou maior variação. Larvas de primeiro ínstar de Thrips palmi alcançaram 57,3%. Adultos da mesma espécie registraram 50,3%. Adultos de Frankliniella occidentalis atingiram 46%. Megalurothrips usitatus apresentou valores entre 28,8% e 35,8%. A pressão sobre adultos de Tetranychus urticae ficou abaixo daquela observada sobre ovos e variou de 10,4% a 34,7%.
Planta hospedeira
A presença da planta hospedeira alterou a predação sobre ovos. A retirada do material vegetal elevou o consumo por Frankliniella occidentalis e Thrips palmi. O efeito para Megalurothrips usitatus apresentou menor intensidade e não alcançou significância estatística. A predação sobre ácaros adultos permaneceu baixa nos diferentes substratos.
Segundo os pesquisadores, arenas sem tecido vegetal aumentam a possibilidade de encontro entre predador e presa. A ausência da planta também elimina possíveis refúgios para os ovos e retira uma fonte alternativa de alimento dos tripes. Por esse motivo, as taxas obtidas sem planta representam um limite potencial de capacidade predatória. Elas não correspondem a uma estimativa direta para lavouras ou cultivos protegidos.
Os experimentos de criação conjunta reforçaram o efeito sobre a população do ácaro. Após 20 dias, Megalurothrips usitatus reduziu em 51,84% a abundância de formas ativas de Tetranychus urticae. Thrips palmi provocou redução de 31,08%. Frankliniella occidentalis apresentou redução de 54,04%.
O estudo, porém, não atribui toda essa queda à predação direta. A competição por recursos vegetais, alterações induzidas pelos tripes na qualidade da planta e respostas de defesa do hospedeiro também podem participar do resultado. Os pesquisadores consideram necessários ensaios de semicampo e campo para separar esses mecanismos.
Tripes e tripes
As interações predatórias entre as próprias espécies de tripes tiveram menor intensidade. Adultos não reduziram de forma significativa a sobrevivência de adultos de outras espécies durante os ensaios de 24 horas. Resultados semelhantes ocorreram na maior parte das combinações envolvendo larvas.
Uma exceção envolveu larvas de segundo ínstar de Megalurothrips usitatus. Elas reduziram a sobrevivência de ovos de Frankliniella occidentalis em 57,4%. Nas demais combinações com ovos de espécies diferentes, os pesquisadores não detectaram efeito significativo.
Transferência de material genético
A equipe também empregou PCR quantitativa para confirmar a transferência de material genético das presas aos predadores. DNA de Tetranychus urticae apareceu em indivíduos das três espécies de tripes após os ensaios de alimentação. O método também detectou DNA de tripes utilizados como presa em combinações selecionadas. Os pesquisadores ressaltam o uso dessa análise como confirmação da interação trófica, não como medida direta da intensidade de predação.
Os ensaios ocorreram em laboratório, a 25 graus Celsius, umidade relativa de 50% com variação de dez pontos percentuais e fotoperíodo de 16 horas de luz e oito horas de escuro. As arenas não possuíam colônias de ácaros previamente estabelecidas nem acúmulo de teias.
Essa condição limita a extrapolação para o campo. Populações altas de Tetranychus urticae produzem teias sobre folhas, pecíolos e caules. Essa estrutura pode dificultar o deslocamento e a busca dos inimigos naturais. Estudos anteriores citados no trabalho já registraram redução da predação por Frankliniella occidentalis na presença de teias.
Onívoros dependentes do contexto
Os pesquisadores classificam os três tripes como onívoros dependentes do contexto, e não apenas como herbívoros. A capacidade de consumir ovos de Tetranychus urticae pode contribuir para reduzir populações do ácaro em determinadas situações. Isso não transforma os tripes em organismos benéficos ao sistema produtivo. As mesmas espécies provocam danos diretos às culturas e algumas também transmitem vírus de plantas.
Para o manejo integrado, o estudo aponta a necessidade de considerar essa interação ao avaliar populações simultâneas de tripes e ácaros. Programas com inseticidas de amplo espectro direcionados aos tripes também podem eliminar uma fonte incidental de mortalidade de Tetranychus urticae. A relevância agronômica desse efeito ainda depende de validação em condições reais de cultivo.
Agro Mato Grosso
Syngenta nomeia Silvia Martinuzzo para operações de licenciamento

Executiva assume liderança de Licensing Operations da área de sementes no Brasil após atuar em planejamento estratégico
A Syngenta nomeou Silvia Andrade Martinuzzo para liderar as operações de licenciamento da área de sementes no Brasil. A executiva assumiu a função após dois anos e sete meses na área de planejamento estratégico da companhia.
Silvia ingressou na Syngenta em maio de 2023. No primeiro cargo, como coordenadora de estratégia para sementes na América Latina, conduziu o planejamento de longo prazo para a região. O trabalho incluiu um horizonte de 15 anos e suporte a processos de fusões, aquisições e colaborações.
Em janeiro de 2024, passou ao planejamento estratégico de sementes no Brasil. Nessa posição, coordenou o plano de cinco anos da operação, a revisão anual de prioridades e a gestão dos objetivos e resultados-chave, os OKRs, usados pela equipe executiva como indicadores de desempenho.
A profissional também acompanhou comitês voltados a ferramentas digitais e sustentabilidade. Atuou como PMO em projetos estratégicos e estudos de novos modelos de negócio.
Antes da Syngenta, Martinuzzo trabalhou no QuintoAndar e na Votorantim Cimentos, com atividades ligadas a inteligência de mercado, estratégia, marketing B2B e planejamento.
Graduada em Engenharia Civil pela Universidade de São Paulo, possui especialização em gestão de projetos pela mesma instituição. Também cursou programas executivos em fusões e aquisições e estratégia de marketing no Insper.
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