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Médico de MT relata desafios de atuar em tragédias humanitárias

Atuar em uma região atingida por um terremoto exige mais do que preparo técnico. A falta de estrutura, o número elevado de vítimas e as diferentes necessidades de atendimento fazem com que o médico precise se adaptar rapidamente à realidade encontrada e, muitas vezes, desempenhar funções além da própria especialidade.
Essa foi a experiência vivida pelo cirurgião torácico Marcelo Borges Araújo em missões humanitárias realizadas no Haiti e na Venezuela. Ao longo da carreira, ele também participou de ações voluntárias em comunidades ribeirinhas do Pantanal mato-grossense, onde o acesso aos serviços de saúde ainda é limitado.
Em todos esses cenários, o desafio foi o mesmo: oferecer assistência diante de condições adversas e entender que o atendimento não se resume ao tratamento de uma doença.
“O importante é ser uma solução e não mais um problema. Você vai pensando em ajudar de uma maneira específica e chega lá sendo mais útil de outra”, resume o médico ao falar sobre o trabalho desenvolvido nas missões em entrevista ao programa Direto ao Ponto.
Antes mesmo de atuar fora do país, Marcelo já havia percebido as dificuldades enfrentadas por quem vive distante dos grandes centros. Em uma das ações realizadas no Pantanal, uma paciente procurou atendimento sem apresentar qualquer problema de saúde. Ela apenas queria conhecer um médico.
“Ela com 80 anos chegou para uma consulta, perguntei como poderia ajudá-la e ela falou assim: ‘Não, não. Não tenho doença. Eu só vim ver como é que é um médico. Eu nunca vi um médico’. Achei interessante uma pessoa de seus 70, 80 anos que nunca tinha visto um médico, nunca tinha ido ao médico”.
Muito além da especialidade
Especialista em cirurgia torácica, Marcelo explica que, em áreas de desastre, o conhecimento adquirido ao longo da formação precisa ser colocado a serviço da necessidade mais urgente da população.
Segundo ele, não é raro que um profissional treinado para uma área específica acabe realizando atendimentos completamente diferentes daqueles da rotina hospitalar.
“Teve lugar em que eu virei pediatra, em outro fiz parto. Claro, que tudo dentro das nossas condições técnicas, dentro daquilo que a gente tem conhecimento também”.
Essa capacidade de adaptação, destaca, faz parte da preparação de quem decide atuar em missões humanitárias. “Não tem onde dormir. A alimentação nesses locais você come uma vez por dia, na hora que chega”.
Ao mesmo tempo, ressalta que a experiência como cirurgião contribui para a tomada de decisões em situações críticas. A especialidade, explica, exige raciocínio rápido e segurança para lidar com casos de alta complexidade, características importantes em ambientes onde o tempo costuma ser decisivo.
O que mais marcou no Haiti
A primeira missão internacional ocorreu no Haiti, após o terremoto de 2010. Embora os pacientes apresentassem diferentes tipos de lesões, Marcelo conta que o aspecto mais impactante foi perceber que a tragédia apenas agravou problemas que já existiam. “O que mais chamou atenção foi a vulnerabilidade social daquela população”.
Durante a missão, realizou diversos atendimentos, entre eles um parto que marcou o início da carreira. Apesar da formação médica, nunca havia conduzido um procedimento daquele tipo sozinho.
Além dos casos clínicos, a equipe encontrou situações de violência e abandono que ampliaram a dimensão do trabalho humanitário. Para o médico, essas experiências mostram que cuidar da saúde também significa compreender o contexto em que cada paciente está inserido.
“Lidar com essa situação de vulnerabilidade a gente não aprende na faculdade. Na faculdade aprendemos a lidar com doenças, a lidar com pessoas com doenças. Mas, não aprende a lidar com as situações que esses doentes trazem junto com as suas doenças. Isso a gente aprende com a vida”, diz ao programa do Canal Rural Mato Grosso.
A missão continua
Anos depois, Marcelo voltou a atuar em uma área atingida por desastres, desta vez recentemente na Venezuela. Ao chegar ao local, percebeu que a realidade era ainda mais dura do que as imagens divulgadas pela imprensa.
“Hoje temos muita informação. Redes sociais, vídeo gravado. Mas, quando você olha um vídeo no seu celular, obviamente, aquilo te mexe. Mas, quando vê ao vivo e fica ciente de que talvez ali dentro daqueles escombros tem uma vida clamando por socorro, isso te dá uma angústia, uma sensação de impotência”, frisa.
Apesar disso, afirma que o sentimento predominante ao fim de cada missão é o dever cumprido. Ele reconhece que nenhum profissional consegue atender todas as pessoas afetadas, mas acredita que cada atendimento representa uma diferença concreta para quem recebe ajuda.
“A gente não consegue resolver o problema todo. Mas ao mesmo tempo tem uma sensação de satisfação porque, talvez eu não resolvi o problema de todo mundo, mas as famílias com que eu estive orando, dando um abraço, uma palavra amiga, um atendimento simples, talvez tratando de uma febre, uma pneumonia, para aquela família foi importante”.
Para Marcelo, as missões humanitárias reforçaram uma convicção que leva para a rotina da profissão: a medicina não se limita ao centro cirúrgico ou ao consultório. Em qualquer lugar, diz ele, o maior desafio continua sendo cuidar das pessoas diante das circunstâncias que elas enfrentam.
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Show Rural 2027 selecionará 120 expositores para a Feira Sabores; inscreva-se

Encerra no dia 30 de outubro o período de inscrições para a Feira Sabores da edição 2027 do Show Rural Coopavel, que disponibilizará apenas 120 vagas para expositores. Podem participar produtores de alimentos ou artesanato rural de todo o estado.
As inscrições devem ser feitas por meio deste formulário. Todos os participantes devem apresentar o Cadastro da Agricultura Familiar (CAF).
A Feira Sabores é resultado da parceria entre o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep), Itaipu Binacional e Coopavel. O evento se destaca por integrar comércio, identidade cultural e agricultura familiar em um mesmo espaço dentro do Show Rural.
“A feira funciona como vitrine para os produtos paranaenses, permitindo que o público conheça o trabalho feito pelas mãos da agricultura familiar, que é tão importante para o nosso estado”, comenta a assessora estadual de Agroindústria do IDR-Paraná, Karolline da Silva.
Os interessados em participar devem estar atentos aos critérios de participação definidos no Regulamento. A divulgação dos produtores classificados será no dia 06 de novembro e o resultado final no dia 13 de novembro de 2026
Agroindústrias
Apenas na região Oeste, com destaque para Cascavel e Toledo, são mais de 170 agroindústrias assistidas pelo IDR-Paraná. Entre os principais insumos produzidos na região estão biscoitos, geleias, conservas, melado, vinho, cachaça, salame, queijo, mel, frutas desidratadas, chips, polpa de fruta, antepastos, temperos e chás, que poderão ser encontrados na feira.
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Domingo de eleição terá tempestades no Sul e Sudeste; veja a previsão para o Brasil

O domingo de eleições será marcado por chuva e instabilidade em boa parte do Brasil. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as precipitações devem se concentrar principalmente nas regiões Sul e Sudeste, além de atingir áreas do Centro-Oeste. No Norte e Nordeste, o predomínio será de tempo seco e temperaturas elevadas, embora haja possibilidade de pancadas isoladas.
O Inmet alerta para o risco de tempestades em diferentes estados. No Sul, as instabilidades devem se concentrar no oeste e norte do Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná. Há aviso vermelho de grande perigo para tempestades em áreas da região.
A previsão também indica chuva em Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, além do sul de Mato Grosso e do Distrito Federal. Em parte dessas localidades, as precipitações podem vir acompanhadas de trovoadas.
De acordo com o instituto, o cenário é provocado por áreas de baixa pressão entre o norte da Argentina, o Paraguai e o sul da Bolívia, além da formação de um novo ciclone extratropical na costa da Região Sul. O sistema deve organizar uma frente fria ao longo do fim de semana, ampliando as condições para chuva no centro-sul do país.
Sudeste tem previsão de chuva e temperaturas mais baixas
Em São Paulo, a previsão é de tempo fechado, com temperatura mínima de 16°C e máxima de 21°C. O Inmet emitiu aviso de perigo potencial para tempestades para todo o estado, além do Rio de Janeiro e do Espírito Santo e grande parte de Minas Gerais.
No Rio de Janeiro, são esperadas chuvas com trovoadas ao longo do dia. Também há previsão de pancadas isoladas no Triângulo Mineiro, na região central de Minas Gerais e em áreas do oeste e sul do Espírito Santo.
Nas capitais, as máximas devem chegar a 30°C em Belo Horizonte (MG) e Vitória (ES).
Sul concentra áreas de maior risco
A Região Sul deve registrar chuva, com destaque para o Paraná, onde são esperadas trovoadas ao longo do dia. Também há previsão de pancadas isoladas na Serra de Santa Catarina e no norte e nordeste do Rio Grande do Sul.
O Inmet emitiu aviso amarelo de perigo potencial para tempestades no norte e leste do Paraná, no leste de Santa Catarina e no nordeste do Rio Grande do Sul. Para algumas áreas da região, há também alerta vermelho de grande perigo.
Em Curitiba (PR), a temperatura varia entre 11°C e 20°C. Em Florianópolis (SC), os termômetros devem marcar entre 15°C e 19°C. Já em Porto Alegre (RS), a máxima não deve passar de 18°C.
Centro-Oeste terá instabilidade e calor
No Centro-Oeste, a previsão é de tempo instável e aumento da nebulosidade. Há aviso amarelo de perigo potencial para tempestades no sul de Mato Grosso, no centro-sul de Goiás e em Mato Grosso do Sul, abrangendo as capitais Cuiabá, Goiânia e Campo Grande.
Nas demais áreas da região, incluindo o Distrito Federal, também podem ocorrer chuvas isoladas.
Apesar da instabilidade, o calor permanece em parte do Centro-Oeste. A máxima prevista é de 39°C em Cuiabá (MT), 35°C em Goiânia (GO) e 33°C em Brasília (DF). Em Campo Grande (MS), os termômetros não devem passar de 27°C.
Norte e Nordeste terão calor de até 40°C
No Norte, a previsão indica chuva com trovoadas no oeste e noroeste do Amazonas. Também podem ocorrer precipitações isoladas no Acre, em Rondônia, em outras áreas do Amazonas, no centro-sul do Pará e no Tocantins. Em Roraima, há possibilidade de chuva isolada.
As temperaturas seguem elevadas, com máximas de 36°C em Belém (PA) e Porto Velho (RO), e de 37°C em Boa Vista (RR) e Palmas (TO).
No Nordeste, o tempo seco e o calor predominam. Há previsão de chuva no sudoeste do Maranhão, no oeste do Piauí e no oeste e sul da Bahia. Em Teixeira de Freitas (BA), o Inmet emitiu aviso amarelo de perigo potencial para tempestades.
Teresina (PI) deve registrar a maior temperatura entre as capitais brasileiras no domingo, com máxima de 40°C. Em Salvador (BA) e João Pessoa (PB), a mínima prevista é de 23°C.
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USP descobre como reduzir em 60% os sintomas de fungo no trigo

Um estudo conduzido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e pela Universidade de São Paulo (USP) reforça uma nova abordagem para o controle biológico de doenças do trigo. Em experimentos realizados em condições controladas, bactérias benéficas reduziram em aproximadamente 60% a severidade de doenças causadas pelo fungo Bipolaris sorokiniana.
A solução foi baseada no manejo da comunidade de microrganismos associada às raízes. Se a descoberta for viabilizada comercialmente, tem potencial para diminuir a dependência de fungicidas químicos no cultivo de trigo.
A Embrapa destaca que o diferencial da pesquisa está em como esse controle ocorre. Em vez de eliminar diretamente o fungo causador da doença, os microrganismos reorganizam a comunidade microbiana que vive ao redor das raízes, restaurando funções ecológicas do solo que favorecem a resistência natural das plantas.
Coordenado pelo pesquisador Rodrigo Mendes, da Embrapa Meio Ambiente, o estudo investigou como três bactérias interferem na interação entre o trigo e o Bipolaris sorokiniana, causador de doenças como mancha-marrom, podridão radicular, podridão da coroa, queima de plântulas e black point (ponto preto). O patógeno é um dos de maior importância econômica para a cultura, especialmente em regiões de clima quente ou sujeitas à deficiência hídrica.
Controle biológico vai além do combate direto ao fungo
Caroline Nishisaka, pesquisadora do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena-USP), explica mais: “os inoculantes bacterianos remodelam as comunidades microbianas do solo, restauram funções ecológicas importantes e reforçam os mecanismos naturais de resistência das plantas”.
Todas as tês bactérias estudadas apresentaram características importantes para uso agrícola, como capacidade de estimular o crescimento das plantas, aumentar a disponibilidade de fósforo e atuar contra o Bipolaris sorokiniana.
Para testar o efeito das bactérias, os pesquisadores compararam plantas expostas apenas ao fungo com outras que, além do fungo, receberam as bactérias benéficas. Nesse segundo grupo, a severidade da doença foi menor.
Um dos resultados mais relevantes foi a redução da doença mesmo quando a população do fungo permaneceu estável e, em alguns tratamentos, até aumentou.
Segundo Hélio Quevedo, doutor em Microbiologia Agrícola pela Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq-USP), isso demonstra que o sucesso do controle biológico não depende necessariamente da eliminação do patógeno.
“O estudo mostra que um patógeno pode permanecer presente no solo sem causar grandes danos quando o microbioma mantém funções ecológicas capazes de limitar sua ação”, afirma.
Pesquisa amplia visão sobre o controle biológico
Além de eliminar o agente causador da doença, a nova abordagem busca fortalecer o equilíbrio da comunidade microbiana que protege naturalmente as plantas.
Entre as bactérias avaliadas, Pseudomonas inefficax apresentou os resultados mais expressivos. Não só reduziu a severidade da doença, como se destacou pela capacidade de aumentar a disponibilidade de fósforo para as plantas e de promover maior desenvolvimento do sistema radicular.
As análises mostraram que essa bactéria reorganizou profundamente a comunidade microbiana da raiz. Embora representasse menos de 2,5% dos microrganismos detectados ao final dos experimentos, sua introdução foi suficiente para desencadear uma ampla reestruturação do microbioma do solo, o que beneficiou grupos associados à proteção vegetal.
Os pesquisadores observaram ainda que as bactérias exerceram mais influência sobre a organização do microbioma do que a própria presença do fungo patogênico, atuando como verdadeiros reguladores ecológicos da comunidade microbiana.
A infecção pelo fungo reduz a presença de genes associados ao crescimento vegetal e afeta processos importantes para a defesa natural das plantas. Por outro lado, os tratamentos com as bactérias Streptomyces virginiae e Pseudomonas inefficax restauraram essas funções, com aumento de genes associados à resistência a condições de estresse e à produção de substâncias envolvidas na proteção das plantas.
Para Mendes, coordenador do estudo, essa abordagem pode contribuir para o desenvolvimento de inoculantes biológicos mais eficientes e sustentáveis, reduzindo a dependência de fungicidas químicos e fortalecendo sistemas agrícolas mais resilientes.
O artigo Bacterial inoculation drives microbiome-mediated resistance to a soil-borne pathogen in wheat é assinado por Caroline Nishisaka (Cena-USP), Hélio Quevedo (bolsista da Embrapa Meio Ambiente), Thierry Pellegrinetti (Cena-USP), Fernanda Godoy (USP), Maike Rossmann (Cena-USP), Lucas Mendes (Cena-USP) e Rodrigo Mendes (Embrapa Meio Ambiente) e foi publicado na revista npj Biofilms and Microbiomes, do grupo Nature.
*Sob supervisão de Hildeberto Jr.
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