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1 de setembro de 2026

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Crédito em risco beira 20% em MT e acende alerta para a próxima safra

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

O avanço do crédito considerado problemático no campo tem ampliado a preocupação com a capacidade de financiamento da próxima safra em Mato Grosso. Embora a inadimplência oficial do crédito rural esteja em torno de 5% no Estado, o cenário é mais delicado quando são incluídas as operações renegociadas e outros ativos classificados como de maior risco, que elevam esse percentual para cerca de 18%.

A situação ocorre em um momento em que produtores enfrentam margens cada vez mais apertadas. A combinação de custos elevados, preços mais baixos da soja e do milho e juros em patamares elevados tem comprometido a rentabilidade e reduzido a capacidade de honrar compromissos financeiros.

Em Tapurah, o agricultor Régis Adriano Desordi Porazzi, que nesta safra cultivou 800 hectares de milho, relata que a atividade perdeu boa parte da capacidade de gerar lucro, mesmo em áreas com produtividade considerada normal. “Eu gasto R$ 90 por saca de soja colhida, com uma margem de R$ 5, R$ 6 por saca”.

Para ele, o problema se agravou nos últimos três anos e tem reduzido o estímulo para continuar investindo na produção. “A impressão que dá é que nós nos tornamos uns escravos legalizados. Trabalhamos, construímos contas e não realizamos lucros”, diz ao Patrulheiro Agro.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Crédito vai além da inadimplência

Levantamento apresentado pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), com base em dados do Banco Central, mostra que a inadimplência do crédito rural no Estado soma aproximadamente R$ 5,25 bilhões, o equivalente a cerca de 5% da carteira.

O superintendente da Famato, do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e do AgriHub, Cleiton Gauer, observa, no entanto, que esse percentual não retrata toda a realidade do endividamento dos produtores mato-grossenses. Parte relevante dos financiamentos ocorre fora do sistema contabilizado pelo Banco Central. “O produtor se financia de outras formas, principalmente pelo mercado financeiro, e nem todo esse crédito passa pelo Banco Central”.

Essa característica, destaca, pode fazer com que o volume de operações em dificuldades seja superior ao registrado nos indicadores oficiais. “Ele pode não estar sendo contabilizado e pode haver um número maior do que observamos nesse índice”.

O Banco Central aponta que a inadimplência do crédito rural no Brasil chegou a 7,4%. Mesmo abaixo da média nacional, Mato Grosso desperta atenção pela participação de outras modalidades de financiamento utilizadas pelos produtores.

Para Gauer, o principal alerta está no chamado crédito problemático, que reúne operações inadimplentes, renegociadas e classificadas com maior risco pelas instituições financeiras. Ao considerar esses indicadores em conjunto, o percentual sobe para cerca de 18% no Estado. “É um ativo realmente problemático e, principalmente, uma dívida que vai passar para as próximas safras, para que o produtor consiga cumprir e honrar os seus compromissos”, pontua à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

Margens cada vez mais apertadas

Na avaliação do setor, o ganho de eficiência dentro da porteira continua sendo indispensável, mas já não é suficiente para equilibrar as contas das propriedades.

Além da gestão da produção, fatores externos passaram a exercer um peso maior sobre o resultado financeiro das lavouras. Entre eles estão o aumento dos custos de produção e a queda das cotações das commodities agrícolas. “Os preços vêm sendo praticados em níveis menores ano após ano, quando comparados principalmente ao período pós-pandemia”, salienta Gauer.

Em Tapurah, a necessidade de fazer caixa acaba levando muitos agricultores a comercializar a produção abaixo do custo.

O presidente do Sindicato Rural de Tapurah, Dirceu Luiz Dezem, relata que produtores descapitalizados acabam priorizando despesas imediatas para manter a atividade. “Quem precisa comprar diesel, manter os funcionários ou a oficina é obrigado a vender abaixo do preço de custo”.

Com isso, observa, os compromissos financeiros acabam sendo postergados. “Não consegue pagar as prestações, e os atrasados vão ficando para trás”.

Régis Porazzi avalia que o cenário ameaça a permanência de muitos produtores na atividade. Na visão dele, a continuidade desse quadro pode provocar uma redução significativa no número de agricultores. “Se continuar nesses patamares de preços de soja e milho, o agricultor está sendo excluído da atividade”.

Ele demonstra preocupação com o futuro da produção de alimentos caso o ambiente econômico não melhore. “Não descarto a possibilidade de a sociedade passar fome. Está sendo uma catástrofe econômica no agronegócio”, ressalta.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Setor pede medidas emergenciais

Diante do agravamento da situação financeira, entidades do agro intensificaram as discussões com o governo federal e o Congresso Nacional em busca de alternativas para garantir recursos para a próxima safra.

O presidente da Aprosoja Brasil e Mato Grosso, Lucas Costa Beber, informa que a entidade encaminhou dois ofícios às autoridades. Um deles manifesta apoio ao Projeto de Lei 5.122 e coloca a equipe técnica à disposição para contribuir com dados e propostas durante a tramitação.

Outro documento solicita a suspensão, por 90 dias, das execuções e cobranças de dívidas rurais, além da criação de uma linha suplementar de custeio entre R$ 2 mil e R$ 3 mil por hectare. A proposta busca oferecer condições para que os produtores atravessem o atual momento de dificuldades. “A ideia é dar um fôlego para os produtores atravessarem esse momento de crise, marcado por altos custos e preços das commodities reduzidos”.

Costa Beber também defende o fortalecimento do seguro rural, que considera insuficiente para proteger o produtor em momentos de perdas. Ele lembra que o orçamento destinado ao programa no Brasil é muito inferior ao de outros países e ainda sofreu contingenciamento.

Na avaliação do presidente da Aprosoja Brasil, a combinação entre seguro rural limitado e juros elevados encarece ainda mais a produção. “Com juros de dois dígitos na maioria das linhas de crédito, o acesso ficou ainda mais caro e isso tem impactado fortemente no bolso do produtor”.

Essa combinação de crédito mais restrito, endividamento crescente e margens comprimidas aumenta a preocupação do setor produtivo com a viabilidade econômica da próxima safra e reforça a defesa por medidas que preservem a capacidade de investimento no campo.

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Colheita de café alcança 93% na área da Expocacer

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A colheita de café arábica no Cerrado Mineiro atingiu 93% do total previsto até a sexta-feira (28), ante 87% na semana anterior, informou a Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer) nesta segunda-feira (31). Do volume já colhido, 77% foi beneficiado, com rendimento médio de 490 litros por saca de 60 quilos beneficiada.

No mesmo período da safra passada, os trabalhos estavam 95% concluídos. Segundo a Expocacer, cerca de 30% do café desta safra caiu ao chão em decorrência das chuvas. Desse total, aproximadamente 54% já foi recolhido.

Os técnicos da cooperativa afirmam que a colheita de chão é uma das principais atividades a serem intensificadas neste momento. O aumento da umidade tem interferido no ritmo das operações, sobretudo no recolhimento desse café, já que parte das atividades mecanizadas precisa ser interrompida ou adiada.

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Em algumas situações, o café já enleirado precisa ser novamente esparramado para secagem antes de ser recolhido. A previsão de novas chuvas nos próximos dias amplia a atenção sobre essa etapa dos trabalhos.

Na qualidade, o porcentual médio de catação dos cafés recebidos segue acima de 20%. De acordo com os técnicos da Expocacer, esse comportamento está associado principalmente ao aumento da participação de cafés provenientes do chão.

Na semana passada, os acumulados de chuva ficaram entre 5 milímetros e 29 milímetros, conforme a localidade. Para a cooperativa, esse volume marcou uma mudança importante no padrão meteorológico das últimas semanas, com elevação pontual da disponibilidade hídrica na região após um período prolongado de tempo predominantemente seco.

Para os próximos dias, a recomendação é de atenção à possibilidade de novas chuvas, com maior probabilidade a partir de 2 de setembro. As temperaturas máximas devem variar entre 29 graus Celsius e 32 graus Celsius, enquanto as mínimas devem oscilar entre 11 graus Celsius e 17 graus Celsius. Após as chuvas, a cooperativa também orienta acompanhamento da evolução dos botões florais e de eventuais floradas em algumas lavouras.

Com 93% da colheita prevista já concluída, o avanço dos trabalhos no Cerrado Mineiro passa neste momento pelo recolhimento do café de chão, pela gestão das operações em ambiente mais úmido e pelo monitoramento das lavouras após o retorno das chuvas.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Chuva na primavera deve reduzir safra de azeitonas de 2027 no Rio Grande do Sul

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A perspectiva de chuva durante a primavera no Rio Grande do Sul indica uma safra menor de azeitonas em 2027, segundo o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva). A avaliação foi apresentada nesta segunda-feira (31), durante coletiva de imprensa na Expointer, em Esteio (RS). O Estado lidera a produção nacional e concentra a maior parte da área cultivada com oliveiras no país.

De acordo com o Ibraoliva, o Brasil produziu 1,434 milhão de litros de azeite extravirgem em 2026. Desse total, o Rio Grande do Sul respondeu por 81% da colheita. O Estado também reúne cerca de 7,1 mil hectares de oliveiras, o equivalente a aproximadamente 69% dos 10,3 mil hectares plantados no país.

A Serra da Mantiqueira, que abrange Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, aparece como o segundo polo nacional da olivicultura.

Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!

O presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho, afirmou que o desempenho gaúcho ocorreu após duas safras afetadas pelo excesso de chuvas. Segundo ele, o avanço da produção, mesmo com estabilidade da área plantada, mostra que o crescimento do setor não depende apenas da expansão dos olivais. Para a entidade, o resultado está relacionado à evolução do manejo, à adaptação dos produtores às condições climáticas e ao aprimoramento das etapas de colheita e processamento.

"Vamos ampliar a pesquisa para reduzir as oscilações na produção. Nós temos que acabar com essa montanha-russa e precisamos ter uma estabilidade produtiva. Por isso, estamos cada vez mais aliados à tecnologia e às universidades como a Universidade Federal de Santa Maria, a Universidade Federal de Pelotas", disse Obino Filho.

O Ibraoliva reúne atualmente 390 olivicultores em cerca de 120 municípios gaúchos, com destaque para Encruzilhada do Sul, Canguçu, Pinheiro Machado, Bagé e Cachoeira do Sul. Em nível nacional, a cadeia soma mais de 620 produtores e 77 lagares em operação, distribuídos por cerca de 280 municípios de oito Estados.

Com liderança em produção e área cultivada, o Rio Grande do Sul segue como principal referência da olivicultura brasileira, enquanto o setor busca reduzir a oscilação das safras com pesquisa, tecnologia e ajustes de manejo.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Soja em terras baixas deve ocupar 431 mil hectares no RS na safra 2026/27

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Foto: Madson Maranhão/Governo do Tocantins

A intenção de semeadura de soja em terras baixas no Rio Grande do Sul chega a 431.013,93 hectares na safra 2026/27, segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira (31) pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), durante a 49ª Expointer.

O número representa uma redução de 1,3% em relação à área plantada na safra 2025/26. Mesmo com o recuo, a soja segue ganhando espaço nas áreas tradicionalmente destinadas ao arroz irrigado e se consolida como parte do sistema de rotação de culturas no Estado.

Segundo o Irga, a integração entre soja e arroz contribui para melhorias na estrutura do solo, fixação biológica de nitrogênio e manejo fitossanitário. A estratégia tem sido adotada pelos produtores como forma de ampliar a eficiência e a sustentabilidade das áreas de várzea.

O levantamento de intenção de semeadura é realizado pelo Irga por meio de uma rede de coleta distribuída pelos escritórios regionais. Cada município pesquisado apresenta, no mínimo, 65% de amostragem da área cultivada. Durante o acompanhamento da implantação da safra, a cobertura supera 80% da área efetivamente semeada.

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