Sustentabilidade
Soja: queda em Chicago e no dólar reduz preços e deixa negociações estagnadas no Brasil

O mercado brasileiro de soja teve uma sessão de pouca movimentação nesta terça-feira (14). A combinação de queda na Bolsa de Chicago e do dólar pressionou os preços internos, enquanto a leve alta dos prêmios nos portos não foi suficiente para estimular os negócios. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, o cenário foi de preços pouco atrativos, o que manteve os produtores retraídos nas negociações.
De acordo com Silveira, as cotações nos portos recuaram cerca de R$ 2,00 por saca ao longo do dia. Com isso, os produtores optaram por segurar as ofertas, e o mercado registrou apenas negociações pontuais, sem grandes volumes comercializados.
Soja no Brasil (preços):
- Passo Fundo (RS): desceu de R$ 136,00 para R$ 134,00
- Santa Rosa (RS): caiu de R$ 137,00 para R$ 135,00
- Cascavel (PR): desceu de R$ 131,00 para R$ 129,00
- Rondonópolis (MT): desceu de R$ 123,00 para R$ 122,00
- Dourados (MS): caiu de R$ 124,00 para R$ 123,00
- Rio Verde (GO): desceu de R$ 126,00 para R$ 124,00
- Paranaguá (PR): caiu de R$ 142,00 para R$ 140,00
- Rio Grande (RS): desceu de R$ 142,00 para R$ 140,00
Soja em Chicago
Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros da soja encerraram o pregão em baixa, após atingirem na segunda-feira os maiores níveis das últimas oito semanas. O mercado passou por um movimento de realização de lucros, influenciado pela melhora das condições das lavouras dos Estados Unidos apontada no relatório semanal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Segundo o USDA, até 12 de julho, 65% das lavouras norte-americanas de soja estavam em condições boas ou excelentes, ante 64% na semana anterior. As áreas classificadas como regulares diminuíram de 28% para 27%, enquanto as lavouras em condições ruins ou muito ruins permaneceram em 8%.
Apesar da pressão provocada pelo relatório, as perdas foram limitadas por sinais de demanda aquecida pela soja norte-americana e por previsões indicando temperaturas elevadas em importantes regiões produtoras dos Estados Unidos.
Outro fator de suporte ao mercado foi o desempenho das importações chinesas. Em junho, a China importou 13,55 milhões de toneladas de soja, volume 10,5% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. No acumulado de 2026, as compras somam 50,15 milhões de toneladas, alta de 1,5% em relação ao mesmo período do ano passado, conforme dados da Administração Geral da Alfândega.
Contratos futuros de soja
Os contratos da soja com vencimento em agosto fecharam cotados a US$ 11,92 3/4 por bushel, com queda de 4,00 centavos de dólar, ou 0,33%. O contrato novembro encerrou a US$ 11,91 por bushel, recuo de 3,75 centavos, ou 0,31%.
Entre os subprodutos, o farelo de soja para agosto fechou em alta de US$ 0,20, ou 0,06%, a US$ 317,40 por tonelada. Já o óleo de soja, também com vencimento em agosto, terminou o dia cotado a 72,40 centavos de dólar por libra-peso, com perda de 0,49 centavo, equivalente a 0,67%.
Câmbio
No mercado de câmbio, o dólar comercial encerrou a sessão em queda de 1,09%, cotado a R$ 5,0755 para venda e R$ 5,0735 para compra. Ao longo do dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,0650 e a máxima de R$ 5,1270.
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Sustentabilidade
INMET reforça monitoramento do El Niño – MAIS SOJA

Confira a entrevista na íntegra.
As projeções climáticas para os próximos meses colocam o Brasil em estado de atenção diante da possibilidade de um El Niño de forte intensidade durante o ciclo 2026/2027. Embora a classificação oficial de “super El Niño” dependa da evolução das condições oceânicas e atmosféricas no Pacífico Equatorial, os principais centros internacionais de monitoramento indicam um cenário favorável ao fortalecimento do fenômeno, capaz de alterar o regime de chuvas, elevar as temperaturas e intensificar eventos climáticos extremos em diversas regiões do país.
Em entrevista à Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), o tecnologista da Coordenação de Monitoramento e Previsão Climática (COMPC) do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Glauber Ferreira, explica que o monitoramento é realizado continuamente com base nas previsões dos principais centros internacionais especializados em clima. Entre os indicadores analisados estão a temperatura da superfície e das águas subsuperficiais do Oceano Pacífico, o Índice Oceânico Niño (ONI), os ventos alísios, os ventos de oeste e o Índice de Oscilação Sul (SOI), parâmetros fundamentais para identificar a formação e a intensidade do fenômeno.
Projeções
As projeções do INMET, em conjunto com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipan), mostram que o aquecimento anômalo das águas do Pacífico Equatorial vem se consolidando ao longo de 2026. Para este ano, a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estima 60% de probabilidade de desenvolvimento do El Niño até o fim de julho. As chances ultrapassam 90% a partir da primavera do Hemisfério Sul, em setembro, reforçando a necessidade de monitoramento contínuo e de preparação dos setores mais vulneráveis.
Segundo Glauber Ferreira, os impactos mais consistentes do El Niño ocorrem nas regiões Sul, Norte e Nordeste. Enquanto o Sul tende a registrar chuvas acima da média, aumentando o risco de enchentes e perdas agrícolas por excesso de umidade, Norte e Nordeste costumam enfrentar redução das precipitações, favorecendo estiagens, queimadas e diminuição da umidade do solo. Já no Centro-Oeste e Sudeste, os efeitos são menos previsíveis, mas o fenômeno costuma provocar maior irregularidade na distribuição das chuvas. Em praticamente todo o país, há tendência de elevação das temperaturas médias e aumento da frequência de ondas de calor.
Agropecuária
Os impactos preocupam especialmente a agropecuária, já que a irregularidade das chuvas compromete o calendário agrícola, reduz a produtividade e favorece o surgimento de doenças nas lavouras. Recursos hídricos e geração de energia também podem ser afetados, tanto pela escassez quanto pelo excesso de precipitações, aumentando ainda os riscos de inundações e incêndios florestais.
Diante desse cenário, o INMET recomenda intensificar o monitoramento meteorológico, fortalecer os sistemas de alerta precoce, revisar os planos de contingência e ampliar a integração entre meteorologia, Defesa Civil, gestores públicos e setores estratégicos. Como parte desse trabalho, o Instituto vem expandindo sua rede de estações meteorológicas automáticas para aprimorar o monitoramento climático e fornecer informações cada vez mais precisas para apoiar a tomada de decisões.
Autor: SNA – Por Larissa Machado / larissamachado@sna.agr.br
Agradecimento à Assessoria de Comunicação do INMET.
Autor:SNA
Site: SNA
Sustentabilidade
Demanda aquecida e preços altos impulsionam exportações de soja no Brasil
A demanda aquecida e a alta nas cotações internacionais estão impulsionando os embarques de soja do Brasil, que se prepara para um ciclo de exportação promissor. O cenário é favorecido por fatores como a concorrência com os Estados Unidos e a necessidade de desocupar armazéns devido à entrada da safra de milho safrinha.
Fatores que impulsionam a demanda
- Concorrência com os Estados Unidos, que é o segundo maior produtor de soja.
- Finalização do plantio nos EUA e desenvolvimento das lavouras.
- Necessidade de desocupar armazéns no Brasil devido à safra de milho.
- Instabilidade geopolítica e conflitos que afetam o mercado.
Projeções de exportação
O Brasil deve embarcar cerca de 91,5 milhões de toneladas de soja e milho nos próximos meses, superando os números do ano anterior. Em 2025, foram embarcadas 77,2 milhões de toneladas de soja e 8,9 milhões de toneladas de milho, totalizando 86 milhões de toneladas.
Expectativas para 2026
As projeções indicam que o Brasil deve superar 115 milhões de toneladas de soja exportadas em 2026. No milho, a expectativa é de manter-se próximo a 41 milhões de toneladas, com preços valorizados no mercado internacional, o que representa uma oportunidade significativa para as exportações brasileiras.
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Sustentabilidade
Cepea: Margem da indústria da soja cai para 20,1% em junho, a menor do ano – MAIS SOJA

As negociações de soja em grão estiveram aquecidas no mercado brasileiro em junho, cenário que impulsionou as cotações da oleaginosa. Já no mercado de derivados, embora tenha sido observada uma melhora na liquidez, a maior oferta na América do Sul pressionou as cotações no País. Deste modo, a “crush margin” recuou no Brasil.
Com base nos preços da soja, do farelo e do óleo negociados no estado de São Paulo, o Cepea calcula a margem da indústria em R$ 398,93 na média de junho, o menor valor desde julho de 2025, quando foi de R$ 331,43/t.
Isso significa que o retorno da indústria sobre o custo da matéria-prima foi de apenas 20,14% em junho, o mais baixo deste ano.
SOJA EM GRÃO – A elevação nos preços nacionais da oleaginosa se deve ao crescimento nas demandas externa e de indústrias nacionais. A maior atratividade da soja brasileira também foi impulsionada pela depreciação do Real frente ao dólar. A moeda norte-americana acumulou alta de 2,9% entre as médias de maio e junho, para R$ 5,13 na média de junho. Frente a junho/25, por outro lado, observa-se forte queda de 7,4%.
Os números das exportações evidenciam a força da demanda pela soja brasileira. Segundo dados da Secex, o Brasil exportou o recorde de 69,57 milhões de toneladas do grão no primeiro semestre deste ano, 35% a mais que o escoado em período equivalente de 2025.
O Indicador CEPEA/ESALQ – Paranaguá avançou 1,9% entre as médias de maio e de junho, para R$ 131,81 por saca de 60 kg no último mês. No mercado regional, o Indicador CEPEA/ESALQ – Paraná subiu 1,8%, em igual comparativo, a média de R$ 125,22/sc de 60 kg em junho. Na média das regiões acompanhadas pelo Cepea, os aumentos foram de 1,3% no mercado de balcão (valor pago ao produtor) e de 1,9% no mercado de lotes (negociações entre empresas).
Por outro lado, o movimento de alta no mercado nacional foi limitado pelas expectativas de boa oferta nos Estados Unidos, diante das condições climáticas favoráveis às lavouras da safra 2026/27 no Hemisfério Norte. Assim, o contrato Jul/26 da soja foi de US$ 11,2651 por bushel (US$ 24,83 por saca de 60 kg) na média de junho, o menor desde fevereiro deste ano.
ÓLEO DE SOJA – O prêmio de exportação do óleo registrou recuperação na segunda quinzena de junho; ainda assim, no mês, foram registrados níveis historicamente baixos, considerando-se a série do Cepea, iniciada em junho de 2004. O cenário reflete a ampla disponibilidade do produto na América do Sul e a demanda por biodiesel no Brasil abaixo das expectativas do mercado.
Considerando-se o porto de Paranaguá (PR) e embarques em julho/26, o prêmio de exportação foi ofertado em -19,58 centavos de dólar por librapeso na média de junho deste ano, significativamente abaixo dos -2,46 centavos de centavos de dólar por libra-peso ofertados em período equivalente. Considerando-se os prêmios negociados no mês de junho para embarque em julho, os patamares deste ano são os menores da série histórica do Cepea.
No mercado spot nacional, com base na região de São Paulo, o preço do óleo de soja (com ICMS de 12%) recuou 0,2% entre as médias de maio e de junho, para R$ 6.505,59 por tonelada no último mês. Embora este preço seja o menor em um ano, em termos reais (IGP-DI, de abril/26), ainda apresenta alta anual de 2,5%.
No mercado internacional, as cotações foram pressionadas pelo acordo provisório firmado em 17 de junho entre os Estados Unidos e o Irã, o que reduziu as preocupações quanto ao abastecimento global de petróleo ao prever a reabertura do Estreito de Ormuz e a normalização do tráfego marítimo na região. Nesse contexto, o contrato Jul/26 do óleo de soja negociado na CME Group (Bolsa de Chicago) caiu 3,2% entre as médias de maio e de junho, para US$ 0,7323 por libra-peso (US$ 1.614,39 por tonelada) em junho.
FARELO DE SOJA – A liquidez no mercado de farelo esteve aquecida em junho, sustentada pelas firmes demandas domésticas e externas. Apesar do bom ritmo dos negócios, os preços seguiram pressionados pela maior oferta, resultado do aumento do esmagamento no Brasil e da ampla disponibilidade do produto na Argentina.
Dessa forma, os preços do derivado na média das regiões acompanhadas pelo Cepea registraram quedas de 1,6% de maio para junho e de 2,4% de jun/25 a jun/26, em termos reais. Na Bolsa de Chicago, o contrato Jul/26 do farelo de soja encerrou a US$ 307,06 por tonelada curta (US$ 338,47 por tonelada) na média de junho, queda de 6,8% frente ao mês anterior, porém, alta de 7% no comparativo anual.
CAMPO – As negociações da safra 2026/27 também foram influenciadas pelas previsões de ocorrência do fenômeno El Niño, o que pode impactar o desempenho da próxima safra brasileira.
Nos Estados Unidos, as condições climáticas estiveram favoráveis, propiciando o aumento de área na safra 2026/27. De acordo com dados de área e de estoques trimestrais divulgados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) em 30 de junho, a área cultivada com soja na safra 2026/27 foi estimada em 34,55 milhões de hectares, 0,8% superior à projeção anterior. Os estoques norte-americanos de soja (da safra 2025/26) foram estimados em 28,88 milhões de toneladas até 1º de junho, volume 5,3% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.
Fonte: CEPEA
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