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14 de julho de 2026

Agro Mato Grosso

Inseticidas ecdisteroides contribuem para redução das pragas sem gerar efeitos colaterais

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Os avanços no manejo de pragas agrícolas vêm exigindo soluções que conciliem eficiência, seletividade e sustentabilidade. O produtor busca, cada vez mais, ferramentas que mantenham o controle das principais lagartas sem comprometer o equilíbrio do ecossistema da lavoura.

Nesse cenário, os inseticidas ecdisteroides, também conhecidos como reguladores de crescimento de insetos (IGRs), ocupam um papel estratégico.

Esses produtos interferem no processo de muda (ecdise), simulando o hormônio natural dos insetos responsável por essa etapa do desenvolvimento. O resultado é um controle eficiente e seletivo, especialmente sobre as lagartas das culturas de importância econômica, como soja, milho, algodão e cana-de-açúcar.

Modo de atuação

Os inseticidas ecdisteroides, como os princípios ativos metoxifenozida, tebufenozida e cromafenozida, pertencem ao grupo químico das diacilhidrazinas. Eles mimetizam a ação da ecdisona, hormônio responsável pela troca de cutícula nas fases imaturas dos insetos.

Quando a lagarta entra em contato ou ingere o produto, o composto se liga aos receptores hormonais e desencadeia uma muda precoce e desordenada. O inseto para de se alimentar quase imediatamente e, em pouco tempo, morre em razão da ecdise incompleta ou malformada.

Na prática, o produtor percebe uma redução rápida dos danos na cultura, embora a mortalidade visível das lagartas ocorra de forma mais lenta. Esse comportamento pode causar a falsa impressão de falha de controle, mas é o modo de ação característico dos ecdisteroides: a lagarta simplesmente deixa de causar prejuízos logo após a exposição ao produto.

Vantagens agronômicas

Um dos principais diferenciais dessa tecnologia está na seletividade. Os inseticidas ecdisteroides são altamente específicos para lepidópteros e têm baixo impacto sobre inimigos naturais, como joaninhas, crisopídeos e vespas parasitoides. Essa característica os torna ferramentas valiosas em programas de Manejo Integrado de Pragas (MIP).

Além disso, por atuarem em um modo de ação distinto, esses produtos ajudam na rotação de ingredientes ativos, reduzindo o risco de resistência em populações de lagartas-praga. Essa rotação é cada vez mais necessária diante do uso intensivo de grupos químicos neurotóxicos, como piretroides e neonicotinoides.

Outro ponto positivo é a segurança para o aplicador e para o meio ambiente, já que as diacilhidrazinas apresentam baixa toxicidade para mamíferos, aves e peixes. Essa característica é valorizada em programas de produção sustentável e certificações agrícolas.

Principais pragas e culturas de uso

No campo, os inseticidas ecdisteroides têm demonstrado excelente desempenho no controle de lagartas de lepidópteros que causam prejuízos expressivos nas lavouras brasileiras.

Na soja, apresentam alta eficiência sobre a lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis) e a lagarta-falsa-medideira (Chrysodeixis includens).

No milho, o principal alvo é a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), que também é controlada com bons resultados quando o produto é aplicado nos estágios iniciais de infestação.

Na cana-de-açúcar, são produtos importantes contra a broca-da-cana (Diatraea saccharalis), e, no algodão, auxiliam no controle de Helicoverpa armigera e Alabama argillacea.

O desempenho ideal ocorre quando o tratamento é realizado sobre lagartas jovens, nos primeiros instares, fase em que o consumo de tecido vegetal e a ingestão de produto são mais intensos.

Produtos disponíveis

Entre os produtos registrados no Brasil destacam-se os que citaremos a seguir…

• Metoxifenozida – indicado para diversas culturas, com ação translaminar e seletividade elevada.

• Tebufenozida – utilizado principalmente em soja, milho e algodão.

• Cromafenozida – com registro para diferentes alvos de lepidópteros.

Esses produtos devem ser aplicados, preferencialmente, logo após a detecção das primeiras lagartas. A aplicação tardia, quando os insetos já se encontram em estágios mais desenvolvidos, reduz a eficiência do controle.

Outro ponto importante, é a uniformidade de cobertura: como o produto atua por contato e ingestão, é essencial que a pulverização alcance o dossel da planta e as superfícies de alimentação das lagartas. A adição de adjuvantes pode melhorar a penetração e a distribuição da calda.

O intervalo entre aplicações depende da cultura e do nível de infestação, mas, em geral, os ecdisteroides apresentam bom efeito residual, permitindo intervalos mais longos em condições de baixa pressão de pragas.

Manejo de resistência

O uso isolado e repetitivo de um mesmo grupo químico favorece o aparecimento de populações resistentes. Por isso, a integração dos ecdisteroides a programas de manejo de resistência é fundamental.

A recomendação é alternar o uso desses produtos com inseticidas de outros modos de ação, evitando aplicações consecutivas na mesma safra.

O Irac (Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas) classifica os ecdisteroides no Grupo 18 – “moduladores de receptores de ecdisona” -, o que facilita sua rotação com grupos neurotóxicos e moduladores de canais de cálcio, como as diamidas.

Essa estratégia reduz a pressão de seleção e prolonga a vida útil das moléculas disponíveis no mercado.

Tendências e perspectivas

Nos últimos anos, diversas pesquisas vêm demostrando o potencial de uso combinado dos ecdisteroides com produtos biológicos à base de Bacillus thuringiensis (Bt). Essa associação pode potencializar o controle de lagartas e diminuir o uso total de inseticidas convencionais.

Outra tendência é o desenvolvimento de formulações mais estáveis e de liberação controlada, o que deve aumentar a persistência do produto sobre a folha e melhorar a eficiência em condições climáticas adversas.

Embora o número de ingredientes ativos dessa classe não tenha aumentado significativamente, há um interesse crescente da indústria química em aprimorar a tecnologia, buscando maior potência e custo-benefício.

A longo prazo, a expectativa é de que os ecdisteroides continuem sendo uma ferramenta-chave em programas de manejo sustentável, especialmente em sistemas produtivos que valorizam a preservação de inimigos naturais e a redução do impacto ambiental.

Boas práticas

Algumas práticas são essenciais para que o uso dos ecdisteroides sejam eficientes no controle de pragas no campo. A seguir, citaremos as principais.

• Monitorar a lavoura e iniciar o controle no início da infestação.

• Realizar a aplicação com volume e pressão adequados para boa cobertura foliar.

• Evitar pulverizações sob vento forte ou alta temperatura.

• Alternar modos de ação dentro do programa de manejo.

• Integrar o uso com táticas culturais, biológicas e químicas.

• Registrar e acompanhar o histórico de aplicações na propriedade.

Essas práticas são determinantes para manter a eficiência do controle e garantir o retorno econômico do investimento.

Considerações finais

Os inseticidas ecdisteroides são produtos modernos e seletivos para o controle de lagartas-praga nas principais culturas agrícolas do país. Sua forma de ação diferenciada, a baixa toxicidade e a compatibilidade com inimigos naturais fazem deles aliados importantes do manejo integrado.

Quando utilizados com critério – no momento certo e integrados a outras táticas -, proporcionam controle eficiente, segurança ambiental e sustentabilidade à produção agrícola.

* Por Thaís Fagundes Matioli Polisel, Esalq/USP

Artigo publicado na edição 320 da Revista Cultivar Grandes Culturas

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Agro Mato Grosso

Visitações aos CTECNOs e Rodada Técnica fortalecem a difusão de pesquisas pela Aprosoja MT

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Projeto passou por 33 núcleos do estado e apresentou resultados de pesquisas desenvolvidas nos CTECNOs Parecis e Araguaia

Com o objetivo de aproximar a pesquisa da realidade do campo e auxiliar os produtores rurais na tomada de decisões, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) promoveu, entre abril e junho, uma série de ações voltadas à difusão do conhecimento técnico. O trabalho começou com as visitações técnicas aos Centros Tecnológicos (CTECNOs) Araguaia e Parecis, onde mais de 1.100 participantes acompanharam de perto os resultados das pesquisas conduzidas pela entidade, em janeiro e abril de 2026. Na sequência, a terceira edição da Rodada Técnica percorreu cerca de 9 mil quilômetros por Mato Grosso, levando essas informações a 33 núcleos e reunindo 1.878 produtores rurais, engenheiros agrônomos, consultores, técnicos e estudantes.

O vice-coordenador da Comissão de Defesa Agrícola da Aprosoja MT, Gilson Antunes de Melo, destaca a importância do evento como espaço para a troca de ideias entre produtores e profissionais da área.

“A Rodada Técnica leva ao produtor as pesquisas desenvolvidas nos CTECNOs da Aprosoja MT, aproximando os pesquisadores da realidade do campo. É uma oportunidade de compartilhar resultados, esclarecer dúvidas e fortalecer a conexão entre pesquisa e produção. Cada etapa da Rodada Técnica é adaptada às características da região. Isso garante que o produtor tenha acesso a informações e recomendações alinhadas às condições da sua propriedade”, explicou.

Iniciada em maio, a programação passou pelas regiões Leste, Oeste, Sul e Norte de Mato Grosso, reunindo 1.878 participantes, entre produtores rurais, engenheiros agrônomos, consultores, técnicos e estudantes. Ao longo do percurso, a equipe técnica apresentou os principais resultados das pesquisas desenvolvidas nos Centros Tecnológicos (CTECNOs) Parecis e Araguaia, fortalecendo a conexão entre o trabalho realizado nos campos experimentais e as necessidades enfrentadas diariamente dentro das propriedades rurais.

A programação foi conduzida pelos coordenadores de pesquisa e pesquisadoras dos CTECNOs Parecis e Araguaia, Rodrigo Hammerschmitt, André Somavilla, Daniela Facco e Isley Bicalho e dos consultores Douglas Teixeira e Autieres Faria. Durante os encontros, além da apresentação dos estudos, os participantes puderam esclarecer dúvidas, compartilhar experiências e discutir alternativas para aumentar a eficiência produtiva e reduzir custos dentro das propriedades.

A primeira etapa ocorreu na região Leste, onde a Rodada Técnica percorreu aproximadamente 2.300 quilômetros e passou pelos núcleos de Gaúcha do Norte, Canarana, Querência, Araguaia Xingu, Água Boa e Nova Xavantina. Mais de 430 pessoas participaram dos encontros, que promoveram debates sobre adubação, manejo de plantas daninhas, rotação de culturas, rentabilidade e consórcio de milho com plantas de cobertura.

Na sequência, a programação seguiu para a região Oeste do estado, passando pelos municípios de Campos de Júlio, Sapezal, Campo Novo do Parecis, São José do Rio Claro, Tangará da Serra e Diamantino. Durante a semana, mais de 400 participantes acompanharam a apresentação de pesquisas relacionadas à fertilidade do solo, manejo de culturas e estratégias para aumentar a eficiência produtiva em um cenário de custos elevados e desafios cada vez maiores para a agricultura.

A Rodada Técnica também esteve presente na região Sul, com encontros realizados em Alto Taquari, Alto Garças, Rondonópolis, Jaciara, Paranatinga e Campo Verde. Mais de 300 produtores rurais, estudantes e profissionais do setor participaram das atividades, que proporcionaram um ambiente de troca de experiências e discussão sobre tecnologias capazes de contribuir para a produtividade e a rentabilidade das propriedades.

Já na região Norte, a iniciativa percorreu mais de 2.200 quilômetros durante a primeira etapa da programação, passando por Alta Floresta, Matupá, Sinop, Cláudia, Marcelândia, Vera, Ipiranga do Norte, Tapurah e Nova Maringá. Posteriormente, o projeto também chegou aos núcleos de Vale do Arinos, Itanhangá, Sorriso, Nova Ubiratã, Lucas do Rio Verde e Nova Mutum, ampliando o alcance das informações geradas pelos centros de pesquisa da entidade.

Ao longo das apresentações, os participantes tiveram acesso a resultados de estudos relacionados à aplicação de calcário, adubação potássica, fosfatada e nitrogenada, manejo de plantas daninhas, adubação foliar, rotação de culturas, rentabilidade, consórcio de milho com plantas de cobertura e avaliações fitotécnicas em culturas como soja, milho, gergelim e sorgo. Os temas foram selecionados com base nos principais desafios enfrentados pelos produtores em diferentes regiões do estado, permitindo que os resultados das pesquisas fossem apresentados de forma prática e alinhada à realidade das propriedades rurais.

A iniciativa também reforçou um dos principais objetivos da Aprosoja MT, que é garantir que o conhecimento gerado nos campos experimentais chegue aos produtores de todas as regiões do estado. Como os Centros Tecnológicos estão localizados em Campo Novo do Parecis e Nova Nazaré, muitos associados enfrentam dificuldades para participar das visitas técnicas realizadas ao longo do ano. Por isso, a Rodada Técnica desempenha um papel importante ao levar os resultados das pesquisas diretamente aos núcleos, democratizando o acesso às informações e ampliando o alcance do trabalho desenvolvido pela entidade.

“As pesquisas desenvolvidas ao longo de mais de 10 anos dão segurança ao produtor para tomar decisões na lavoura. Não se trata de uma recomendação baseada em achismos, mas de resultados comprovados que mostram o que pode ser ajustado no uso de fertilizantes”, disse Gilson.

Ao longo de quase dois meses de programação, a Rodada Técnica fortaleceu a aproximação entre pesquisadores e produtores rurais, promovendo a difusão de tecnologias e informações capazes de contribuir para a tomada de decisões no campo. Com a participação expressiva dos associados e a presença em praticamente todos os núcleos da Aprosoja MT, o projeto reforça o compromisso da entidade com o desenvolvimento da agricultura mato-grossense, levando conhecimento, inovação e soluções que auxiliam na sustentabilidade e na rentabilidade das propriedades rurais.

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Agro Mato Grosso

Colheita avança e valor do milho disponível em MT tem leve queda, à R$ 40 I agro.mt

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O preço do indicador IMEA do milho disponível no Estado caiu 0,76%, semana passada, ante a anterior, com o avanço da colheita de milho. A maior oferta pressionou para baixo o valor da saca que ficou cotada, na sexta-feira, a R$ 40,13.

A paridade do milho (alinhamento com preços internacionais) aumentou 23,8% e foi para R$ -10,38/saca.

O indicador do CEPEA (SP) teve alta de 0,75% e foi a R$ 64,31/saca.

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Agro Mato Grosso

IMEA e Aprosoja MT apresentam resultados da safra de milho 2025/26 após avaliações em campo

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Mais de 30,8 mil quilômetros foram percorridos para retratar a realidade das lavouras de milho mato-grossenses

Aumento da produtividade, boas condições das lavouras e maior segurança nos dados foram alguns dos destaques apresentados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), em parceria com a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) e o Instituto Mato-grossense do Agronegócio (Iagro MT), durante a divulgação dos resultados do IMEA em Campo da safra de milho 2025/26. Após 64 dias de trabalho e mais de 30,8 mil quilômetros percorridos por Mato Grosso, as instituições apresentaram, na manhã desta segunda-feira (13.07), o levantamento das avaliações realizadas nas lavouras do estado.

Os resultados foram coletados durante os meses de maio, junho e julho e divididos em indicadores quantitativos, como número de plantas por hectare, número de espigas por planta, quantidade de grãos por espiga, peso dos grãos e umidade, e qualitativos, que avaliaram a presença de plantas daninhas, doenças, pragas, condições das lavouras e incidência de grãos avariados.

A produtividade média do milho em Mato Grosso passou de 127 sacas por hectare na safra 2024/25 para 128 sacas por hectare na safra 2025/26, evidenciando o bom desempenho das lavouras mato-grossenses. O superintendente do IMEA, Cleiton Gauer, destacou a importância do projeto para ampliar a precisão das informações sobre a produção agrícola do estado.

“Esse projeto surgiu de uma demanda por parte dos produtores, principalmente para conseguir retratar cada vez melhor a realidade do campo aqui em Mato Grosso. Nos últimos dois anos, o estado tem alcançado tetos produtivos cada vez mais elevados. Conseguir ir in loco, checar essas informações e trazer mais segurança aos dados é o grande resultado que obtivemos, não só nesta temporada, mas ao longo dos últimos anos. Para esta safra, o principal resultado foi a atualização da produtividade média para 128 sacas por hectare, superando o índice produtivo do ano passado em pouco mais de uma saca”, afirmou.

Um dos participantes do IMEA em Campo, Henrique Eggers, ressaltou que o levantamento é fundamental para identificar e retratar a realidade das lavouras mato-grossenses. Segundo ele, o trabalho permitiu observar que as chuvas se estenderam ao longo da safra 2025/26, diferentemente dos ciclos anteriores, marcados por períodos mais secos.

“Foram 64 dias em campo avaliando lavouras em todo o estado, e isso é o que nos permite ter grande segurança nos dados apresentados hoje pelo IMEA. Enfrentamos dias de sol e também dias de chuva, algo que não é comum para o mês de junho. Essa condição climática fora do padrão foi acompanhada de perto pela equipe, que registrou e divulgou essas informações ao longo do trabalho de campo”, destacou.

Os resultados do IMEA, Aprosoja MT e Iagro reforçam a importância do acompanhamento técnico das lavouras para a geração de informações cada vez mais precisas sobre a produção agrícola. Além de contribuir para o planejamento dos produtores, o levantamento auxilia o setor na tomada de decisões estratégicas e no monitoramento das condições das lavouras em Mato Grosso.

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