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1 de novembro de 2026

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Mesmo com boa produtividade, safra de milho perde rentabilidade em MT

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A boa produtividade registrada na segunda safra de milho em Tapurah, no médio-norte de Mato Grosso, não tem sido suficiente para garantir rentabilidade ao produtor. Com a queda nas cotações do cereal e os descontos aplicados na classificação dos grãos avariados, agricultores afirmam que o resultado financeiro da safra ficou muito abaixo do esperado.

O cenário preocupa principalmente quem precisa comercializar a produção para manter o fluxo de caixa da propriedade. Segundo relatos de produtores, o valor pago pelo milho não cobre os custos da atividade e dificulta o planejamento para a próxima safra.

A situação contrasta com o desempenho das lavouras. Cerca de 70% dos 180 mil hectares cultivados no município já foram colhidos e, na maior parte das áreas, a produtividade ficou dentro da expectativa favorecida pelas condições climáticas ao longo do ciclo.

Para o presidente do Sindicato Rural de Tapurah, Dirceu Luiz Dezem, muitos agricultores acabam vendendo a produção por necessidade e sem conseguir cobrir os custos. “O produtor que está descapitalizado e precisa comprar diesel, manter os funcionários ou pagar a oficina é obrigado a vender abaixo do preço de custo”.

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colheita milho custos elevados foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Produtividade confirma expectativa no campo

Na propriedade de Régis Adriano Desordi Porazzi, mais de 60% dos 800 hectares cultivados já haviam sido colhidos. O agricultor atribui o resultado ao clima, que favoreceu o desenvolvimento da cultura desde o plantio até o enchimento dos grãos.

As chuvas se prolongaram além do esperado e beneficiaram inclusive as áreas semeadas mais tarde. “O milho tardio, que às vezes sempre falha para a gente, vai produzir também normal”, comenta ao projeto Mais Milho. Para ele, a safra está dentro do que o produtor esperava colher.

Na propriedade de Silvésio de Oliveira, onde o milho ocupa 1.330 hectares, mais da metade da área também já foi colhida. Parte da produção segue para armazéns e a outra permanece armazenada em silo bolsa para dar mais agilidade à operação.

Porém, nem todas as áreas responderam da mesma forma. A ocorrência de uma doença fúngica comprometeu parte das lavouras e reduziu a qualidade dos grãos em algumas variedades. Silvésio explica que chuvas registradas em junho favoreceram o avanço do problema. “Tem variedades que não deram nada de avariado e outras foram bastante suscetíveis”. Em uma área de 214 hectares, a expectativa é de grãos avariados entre 15% e 18%.

Preço do milho reduz margem da atividade

Se a colheita trouxe resultados satisfatórios, a comercialização passou a concentrar as maiores preocupações. Com aproximadamente metade da produção já vendida, produtores relatam que a remuneração do cereal caiu justamente no período em que muitos precisaram fazer caixa.

Régis conta que a redução nas cotações inviabiliza o retorno econômico da atividade. “Destrói o caixa do produtor”, frisa à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

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Mesmo colhendo dentro da média da região, ele diz que a conta não fecha. Os custos permanecem elevados e a margem praticamente desapareceu. “Não dá mais para trabalhar desse jeito”.

Na avaliação do agricultor, o setor vive um momento de perda de estímulo, já que produzir deixou de representar lucro e passou a significar apenas a manutenção da atividade.

milhão grão foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Descontos ampliam perdas na comercialização

Além dos preços baixos, os produtores contestam também os descontos aplicados na classificação dos grãos avariados durante a entrega da produção. Eles avaliam que os critérios utilizados pelas empresas ampliam as perdas financeiras justamente em uma safra marcada por problemas sanitários em parte das lavouras.

Silvésio relata que o prejuízo vai além da redução na qualidade dos grãos. Conforme ele, cargas com índices mais elevados de avarias acabam comprometendo a rentabilidade de toda a produção entregue.

“O desconto acaba afetando bem o lucro do produtor”, afirma. Ele frisa que a classificação dos grãos é uma discussão antiga do setor. “Na entrega do produto, sempre quem perde é o produtor”.

Dirceu Luiz Dezem considera que o produtor acaba sem alternativa diante da necessidade de cumprir contratos e da limitação da capacidade de armazenagem. “Às vezes ele é obrigado a entregar e aceitar essa injustiça”.

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O presidente da Aprosoja Brasil e Mato Grosso, Luiz Costa Beber, defende que as empresas adotem uma postura mais equilibrada quando os problemas decorrem de fatores que escapam ao controle do agricultor. “Precisamos que as empresas também sejam compreensivas e flexibilizem”.

Ele lembra que produtores que discordarem da classificação podem solicitar o acompanhamento de classificadores da entidade durante a entrega da produção. Se houver divergência, é feita uma auditoria e, quando necessário, um segundo profissional participa da arbitragem. “O objetivo é garantir uma classificação justa”, ressalta.

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Combate ao excesso de NPK gera R$ 62,47 mi de economia em SC

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Há 20 anos, a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) identificou um uso excessivo (e prejudicial) de fertilizantes pelos produtores de cebola, motivados pela pressão da concorrência internacional. Na última segunda-feira (26), foram divulgados os resultados da campanha que auxilia os agricultores a ajustar as doses.

A Empresa explica que a competição com a cebola argentina no início dos anos 2000 fez com que produtores catarinenses exagerassem no uso de fertilizantes para tentar alcançar a produtividade do país vizinho. Mas a medida acarretou em um problema maior: o excesso de nitrogênio provocou o aparecimento de doenças foliares, prejudicando a qualidade da cebola e aumentando as perdas em pós-colheita.

A partir disso, os pesquisadores elaboraram a recomendação adequada de nitrogênio, fósforo e potássio (NPK) para obter o máximo rendimento e qualidade e ainda diminuir os custos de produção. Já faz 10 anos que são promovidos materiais de divulgação, eventos e visitas de extensionistas a propriedades.

Os resultados

“Observando também as curvas de crescimento e absorção de nutrientes dos principais cultivares, definimos a melhor época de adubação e de forma parcelada. Os problemas com bacterioses e as perdas em pós colheita foram minimizados e hoje quase 90% dos produtores seguem as recomendações”, afirma Claudinei Kurtz, pesquisador da Estação Experimental da Epagri em Ituporanga (EEItu).

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Segundo o Relatório de avaliação dos impactos das tecnologias/ações geradas pela Epagri de 2025, em 20 anos, verificou-se uma redução de 40% no uso de fertilizante, diminuindo o custo de produção médio da cebola no Estado em 10%, e as perdas no pós-colheita em 21,4%.

Em todo o estado, os benefícios econômicos trazidos pela adoção da tecnologia, impulsionados pela redução de custos, incremento da produtividade e diminuição das perdas em pós-colheita, chegaram a R$62,47 milhões, segundo o Balanço Social 2025.

A Epagri destaca o caso de Vanderlei Schmitt, 42 anos, de Aurora. Ele planta cebola em quatro hectares e passou a seguir as recomendações de adubação em 2021, após assistir a uma palestra do Claudinei. O resultado foi tão positivo que, na safra seguinte, seu irmão Leandro, 35, aderiu ao manejo adequado de NPK em sua lavoura.

“A gente fazia do nosso jeito, comprando tudo que a agropecuária oferecia, jogando mais produto na hora de ‘encabeçar’ a cebola. Mas, depois de seguir as recomendações da Epagri, percebi que a planta ficou mais forte e não sofre tanto com o herbicida. Sem falar que a qualidade da cebola no galpão continua boa até maio, quando o preço de venda dobra, já que não tem mais tanto produto no mercado”, explica.

O produtor conta que a boa relação com extensionistas e pesquisadores da Epagri tem relação direta com os bons resultados obtidos em sua propriedade, que na safra 2025/26 alcançou 176 toneladas. “Sempre que surge algum problema na roça, faço uma foto e mando para o Claudinei analisar, como da última vez que ele recomendou corrigir com dose adicional de ureia e deu certo”, relata.

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Qual era o tamanho do problema?

“Os produtores estavam utilizando quase 300% a mais de fertilizante em relação aos anos 1990. Essa adubação descontrolada acarretou em doenças bacterianas e fúngicas, além de prejudicar o solo; por isso concentramos esforços para estabelecer parâmetros em relação à dose, épocas e forma de aplicação de macro e micronutrientes e difundir o conhecimento entre os produtores”, revela Claudinei

O pesquisador trabalhou na elaboração do “Manual de Adubação e Calagem” para a cultura da cebola em SC e RS (2016) e, dois anos depois, lançou o boletim técnico “Fertilidade do solo, Adubação e Nutrição da Cultura da Cebola” (2018), se tornando uma referência no assunto.

A Epagri destaca que o trabalho de pesquisa e difusão das recomendações técnicas é um processo contínuo e, muitas vezes, leva tempo até o agricultor se convencer a mudar a forma de produção. Foi o caso de Renato da Silva, 45, produtor de Ituporanga. Ele planta sete hectares de cebola na localidade de Chapadão Santana, a 600m de altitude.

Produtor de Ituporanga aderiu às recomendações técnicas quando o custo de produção saiu do controle (Foto: Aquivo Pessoal/Divulgação)

“Eu já nasci plantando cebola, e mesmo quando os irmãos foram trabalhar na cidade, eu fiquei, nunca fiz outra coisa na vida”, revela. Por causa da experiência de décadas na roça, ele via com ceticismo as orientações de extensionistas e pesquisadores, mas quando o preço dos fertilizantes disparou, ele percebeu que estava na hora de ouvir a ciência.

“Antigamente, nem análise de solo a gente fazia. E para adubar se usava uma mistura de esterco com NPK, mas que acabava dando muita podridão. Aí apareceram os vendedores de agropecuária dizendo que o produto deles era melhor que as recomendações da Epagri. Fiquei nessa até 2022, quando o gasto com fertilizante saiu do controle”, relata.

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Após adotar as recomendações, a quantidade de fertilizante utilizada em sua lavoura caiu de 150 sacas (50kg) para 90. Na última safra, ele colheu 273 toneladas, uma produtividade de 39 ton/ha, bem acima da média estadual (28,841 ton/ha) na safra 2024/25.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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Projeto de Lei estabelece critérios para sucessão rural

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Um projeto de lei em análise na Câmara dos Deputados estabelece critérios para a participação de filhos de trabalhadores e de produtores rurais nas atividades da família. A ideia é preparar jovens para a sucessão no campo de forma qualificada, evitando trabalho exploratório.

O PL 3448/26 permite a colaboração de jovens a partir de 14 anos nas tarefas produtivas, mediante condições como compatibilidade com a frequência escolar, garantia de repouso, lazer e tempo para estudo, além de supervisão dos pais.

Pelo projeto, essas atividades terão natureza formativa, colaborativa e de apoio à economia familiar, sem a configuração de vínculo empregatício de qualquer espécie. Poderão ser criados programas de incentivo e capacitação técnica.

A proposta também proíbe expressamente a realização de tarefas noturnas, perigosas ou insalubres, bem como de atividades incluídas na Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil (Lista TIP), regulamentada pelo Decreto 6.481/08.

Sucessão no campo

Segundo o autor, deputado Evair Vieira de Melo (Republicanos-ES), o projeto define um marco regulatório claro e protetivo. “A realidade do meio rural demonstra um cenário desafiador no que se refere à permanência das novas gerações no campo”, afirma.

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“Ao preparar tecnicamente o jovem para a gestão e a sucessão no campo, a proposta atua como vetor de desenvolvimento regional, fixando o homem na terra com dignidade, renda e sustentabilidade”, acrescenta o parlamentar.

Segundo o último Censo Agropecuário, de 2017, houve uma redução, em termos absolutos e relativos, nos estabelecimentos dirigidos por produtores com menos de 45 anos de idade, enquanto que as faixas etárias mais elevadas registraram aumento. Os dados mostram que apenas 2% dos produtores rurais têm menos de 25 anos, e 9,3% têm entre 25 e 35, enquanto a faixa etária mais presente é a dos 45 aos 55 (24,2%).

As comissões que analisam o PL 3448/26 são a de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR), a de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família (CPASF) e a de Constituição e Justiça e Cidadania (CCJ).

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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Soja pode perder 55% da produtividade sem controle de pragas e doenças, aponta estudo

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Estudo da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em parceria com a Croplife Brasil, associação que reúne empresas de biotecnologia, melhoramento genético e defensivos agrícolas, mostrou que as lavouras de soja no país teriam perdas de até 55% na produtividade, caso não fossem protegidas contra pragas, doenças e ervas daninhas.

De acordo com a pesquisa, uma redução da produção poderia causar impactos negativos na economia brasileira e nos preços de produtos ao consumidor. 

A soja, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), responde, junto com o milho e a cana-de-açúcar, por 76% do consumo de defensivos no Brasil.

Doenças nas lavouras

O estudo feito pela Universidade Federal de Viçosa trabalhou com simulações envolvendo quatro doenças (entre elas a ferrugem-asiática e a mancha-alvo), cinco pragas (como a mosca-branca) e nove plantas daninhas.

Os pesquisadores analisaram três cenários, lavouras sem qualquer controle de pragas, com controle parcial (que garantiria até 40% de proteção da plantação) e com controle ótimo (80% de proteção).

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A universidade estimou que, com controle ótimo, a produtividade por hectare pode chegar a 72 sacas. O controle parcial garantiria uma produtividade de 52 sacas, ou seja, 28% a menos que o controle ótimo. Sem qualquer controle, seria de apenas 32 sacas, o que significa uma perda de 55%.

Com isso, de acordo com o estudo, para compensar as perdas com a falta de controle fitossanitário, seria necessário plantar uma área adicional de 33,5 milhões de hectares, ou seja, quase do tamanho do estado de Goiás. A perda média, em cenário sem manejo (na comparação), chegaria a 121,3 milhões de toneladas, com um valor estimado de R$ 223,5 bilhões. 

Com o cenário de controle ótimo, a receita brasileira simulada com exportações de soja chega a US$ 44,2 bilhões. Sem controle, recua para US$ 26,6 bilhões, uma diferença potencial de US$ 17,6 bilhões por safra, segundo o estudo.

A redução da oferta poderia gerar uma alta estimada no preço da soja de até 49%. Haveria, com isso, um aumento de cerca de 0,26 ponto percentual na inflação oficial, medida pelo IPCA, uma vez que a alta da soja teria impactos nos preços de produtos como óleo, leite e ovos.

“Essa redução da produtividade da soja, lá no produtor, acaba tendo um impacto significativo no preço da soja e na disponibilidade dos produtos no mercado final, por exemplo, de óleo de soja e do farelo, que é um subproduto da soja. Consequentemente, ia ter uma mudança no preço da carnes, carnes de porco, de frango, porque tudo isso está na cadeia de produção da soja”, destaca a pesquisadora da UFV Ana Carolyne Carvalho.

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O estudo considera quatro métodos de controle fitossanitário, que podem ser usados para evitar perdas nas lavouras: a biotecnologia (como os organismos geneticamente modificados), o melhoramento genético, os bioinsumos e os defensivos químicos, além do manejo integrado, que mistura dois ou mais desses métodos.

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