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16 de setembro de 2026

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Plano Safra 2026/27: por que o investimento ganhou mais espaço que o custeio?

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Foto: Magnific

O governo federal anunciou, no final de junho, R$ 610,3 bilhões para o Plano Safra 2026/27 para a agricultura empresarial e a agricultura familiar. Por trás do montante bilionário, um detalhe chamou a atenção de especialistas. Enquanto o valor total destinado às linhas de investimento passou de R$ 101,5 bilhões para R$ 140,2 bilhões, o que representa uma alta expressiva de 38,1%, as verbas de custeio e comercialização caíram de R$ 414,7 bilhões para R$ 384,9 bilhões, um recuo de 7,2%.

O aumento no aporte para investimento se deve, entre outros fatores, à ampliação de linhas com juros livres, diferentes da característica tradicional do Plano Safra. Programas voltados à sustentabilidade e à transição energética também foram fortalecidos com mais recursos e juros menores.

Para o consultor jurídico e ex-secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, José Carlos Vaz, o governo prioriza investimentos porque eles têm maior apelo político. Para os bancos, em contrapartida, é o custeio que tem mais peso. “Anunciar grandes volumes de recursos com ênfase no investimento é uma forma do governo se apresentar melhor diante da população e do setor rural”, diz.

Do ponto de vista técnico, ele ressalta que o investimento muda o patamar tecnológico, enquanto o custeio pode ser obtido no mercado privado. Na prática, porém, não é o que acontece.

“O Brasil contabiliza o subsídio ao investimento como se fosse destinado ao produtor quando, na realidade, ele é capturado por vendedores de máquinas e equipamentos. No custeio, grande parte do benefício acaba sendo apropriada pelos fornecedores de insumos”, explica Vaz, que também é comentarista do Canal Rural.

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O “seguro informal” do produtor

Apesar das taxas elevadas fora das linhas subsidiadas, Vaz aponta que o produtor rural acaba aceitando contratos de investimento de longo prazo por uma questão de sobrevivência financeira. Ou seja, ele utiliza o crédito como uma espécie de proteção contra intempéries.

“O produtor sabe que, ao contratar um financiamento de investimento por dez anos, ele ganha um mecanismo de defesa. Se houver uma quebra de safra ou uma catástrofe climática, ele consegue pleitear a prorrogação desse débito. No fundo, o financiamento de investimento funciona para o produtor como um seguro rural indireto mediante a dilação do crédito”, explica.

Sob a ótica de mercado, o consultor acredita que o cenário ideal seria outro: “O produtor ficaria em uma situação muito melhor se guardasse o dinheiro para comprar seus equipamentos à vista, em vez de se amarrar a longos financiamentos”, diz.

Investimento sobe, mas Moderfrota tem forte queda

Embora o aumento no aporte de investimentos chame a atenção, programas voltados para aquisição de máquinas e armazéns encolheram.

De acordo com levantamento da Cogo Inteligência em Agronegócio, o orçamento do Moderfrota passou de R$ 12,58 bilhões em 2025/26 para R$ 5,8 bilhões em 2026/27, uma queda de 54%. O volume de recursos para o PCA (-28%), o Inovagro e o Renovagro também caiu em relação à safra passada.

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Se o orçamento das principais linhas de financiamento de máquinas e armazéns diminuiu, como o volume geral para investimento conseguiu crescer 38,1%?

Para Vaz, a explicação passa pela dependência crescente dos recursos livres de mercado. “Quem decide financiar, na prática, é o Banco do Brasil e o BNDES, e no caso das máquinas, os bancos de montadoras e os bancos privados, como o Bradesco”, explica o consultor.

Além disso, o espaço deixado pelas linhas tradicionais abriu caminho para programas focados na transição tecnológica e energética das propriedades.

Essa guinada em direção à matriz limpa no campo, segundo Vaz, não é por acaso. “”O Brasil assumiu compromissos internacionais severos de sustentabilidade. A grande demonstração prática e política de que o país está cumprindo essas metas diante do mundo é a contratação de linhas de investimento voltadas à conservação ambiental. É a nossa vitrine lá fora”, conclui.

Outros programas estratégicos também recuam

Além da forte queda no Moderfrota, outros programas estratégicos de fomento à infraestrutura, tecnologia e sustentabilidade também tiveram seus orçamentos reduzidos pelo governo federal para este ciclo:

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  • Moderfrota (Máquinas): R$ 5,8 bilhões (queda de 54%) | Juros de 11,5% a 12,5% a.a.
  • PCA (Armazéns): R$ 3,4 bilhões (queda de 28%) | Juros de 8,0% a 9,5% a.a.
  • Proirriga (Irrigação): R$ 1,7 bilhão (queda de 38%) | Juros de 11,5% a.a.
  • RenovAgro (Sustentabilidade): R$ 6,2 bilhões (estabilidade) | Juros de 8,5% a 9,5% a.a.
  • Inovagro (Tecnologia): R$ 4,2 bilhões (estabilidade) | Juros de 11,5% a.a.

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Soja e milho exigem cuidado antes da semeadura para evitar falhas na lavoura

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Foto: Reprodução/Aprosoja Mato Grosso

Falhas na implantação podem começar antes mesmo da semeadura da soja e do milho. Em Mato Grosso, a qualidade das sementes, a umidade do solo e a regulagem dos equipamentos estão entre os fatores que precisam ser observados nesta etapa da safra.

No caso das sementes, os índices de germinação e vigor precisam ser conferidos antes da semeadura, assim como a procedência do produto adquirido. A avaliação ganha importância porque a qualidade da semente está diretamente ligada ao estabelecimento das plantas. O produtor também precisa considerar as condições da área e o momento de colocar o material no solo.

Para o vice-presidente Oeste da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Gilson Antunes de Melo, a atenção começa na compra. “O ideal é que o produtor compre uma semente de boa qualidade, de empresas idôneas que estão a tempo no mercado”, afirma.

Ele também orienta que o produtor confira os índices de germinação e vigor do material antes do plantio. A avaliação pode apontar a necessidade de cuidados adicionais antes da semeadura.

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Umidade do solo entra na decisão

O que chega à fazenda também precisa ser avaliado antes de ir para a lavoura. Quando há dúvida sobre a qualidade, a orientação é solicitar a coleta de uma amostra e encaminhá-la para análise. As sementes adquiridas pelos produtores passam por coleta e análise para verificar os índices de qualidade. No Semente Forte, da Aprosoja MT, as amostras são coletadas por técnicos habilitados pelo Registro Nacional de Sementes e Mudas (RENASEM) e encaminhadas a laboratórios credenciados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

“Na hora que a semente chega na fazenda, o ideal é que chame o supervisor da Aprosoja MT da região para que colete essa semente. Se tiver dúvidas, mande para o laboratório antes de realizar o plantio”, diz Gilson.

O resultado da análise ajuda a definir o tratamento das sementes. A decisão sobre quando semear também passa pela condição encontrada no solo, principalmente pela presença de umidade.

“Com o resultado de qualidade em mãos, o produtor pode tomar decisão em relação ao tratamento do material, e também, decidir qual o melhor momento para plantar levando em consideração a umidade do solo, fator que contribui para uma boa germinação”, completa.

A preparação não termina na semente, conforme a entidade. A regulagem dos equipamentos de plantio também faz parte dos cuidados previstos para a semeadura. A Aprosoja MT orienta que o produtor planeje as etapas do plantio, considerando a qualidade das sementes, o tratamento do material, a umidade do solo e a regulagem dos equipamentos.

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Disputa por arroz aumenta e saca chega perto de R$ 90 no RS

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Foto: Paulo Lanzetta

A concorrência entre os mercados interno e externo tem sustentado os preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), negócios destinados à exportação foram realizados nos últimos dias a valores próximos de R$ 90 pela saca de 50 quilos no Porto do Rio Grande.

As negociações estiveram relacionadas ao fechamento de cargas para navios e estimularam produtores a ampliar a oferta do cereal, principalmente nas regiões mais próximas ao terminal portuário.

Ao mesmo tempo, parte das indústrias voltadas ao mercado doméstico reduziu a atuação nas negociações diante da dificuldade para acompanhar os preços pagos nas operações destinadas à exportação.

Exportação disputa arroz com indústrias

Segundo o Cepea, a concorrência pelo produto ocorre em um momento de maior demanda das indústrias por matéria-prima, reforçando a sustentação das cotações.

O movimento também é acompanhado pela expectativa de compras governamentais, outro fator que mantém os agentes atentos e contribui para a firmeza dos preços do arroz em casca no estado.

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Beneficiamento de arroz avança no Rio Grande do Sul

A maior procura por matéria-prima ocorre após o beneficiamento de arroz avançar no Rio Grande do Sul em agosto.

Além da movimentação no campo e nas indústrias, os preços ao consumidor também registraram alta no período, segundo o Cepea.

Com exportadores e indústrias domésticas disputando o cereal e a expectativa de atuação do governo no mercado, as cotações do arroz em casca permanecem firmes no estado.

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Safra 2026/27 de grãos pode atingir recorde de 366,6 milhões de toneladas

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A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projetou nesta terça-feira (15) produção recorde de 366,6 milhões de toneladas de grãos na safra 2026/27. Se confirmada, a colheita ficará 4,9 milhões de toneladas acima das 361,7 milhões de toneladas estimadas para 2025/26, avanço de 1,4% entre os ciclos. Os números foram apresentados no evento “Perspectivas para a Agropecuária Safra 2026/27”, realizado em parceria com o Banco do Brasil.

Segundo a Conab, o crescimento da safra será sustentado pela expansão da área cultivada, apesar da previsão de queda na produtividade média nacional. A área plantada com grãos deve avançar 2,3%, de 83,45 milhões para 85,35 milhões de hectares. Já o rendimento médio deve recuar 0,9%, de 4.335 para 4.296 quilos por hectare.

Na soja, a estatal prevê novo recorde de produção, com 181,64 milhões de toneladas em 2026/27, alta de 0,7% ante as 180,41 milhões de toneladas estimadas para 2025/26. A área deve crescer 1,4%, para 49,31 milhões de hectares, enquanto a produtividade média é projetada em 3.683 quilos por hectare, queda de 0,8%.

Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!

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Para o milho, considerando as três safras, a produção deve subir 2,8%, de 144,01 milhões para 148,0 milhões de toneladas. A área cultivada tende a crescer 4,9%, para 23,70 milhões de hectares, compensando a queda de 2,0% na produtividade média, estimada em 6.244 quilos por hectare. A Conab avalia que o consumo doméstico é impulsionado principalmente pela indústria de etanol de milho, enquanto as exportações devem permanecer em patamar elevado.

No algodão em pluma, a estimativa é de 4,16 milhões de toneladas, aumento de 0,3%. A área deve avançar 3,7%, para 2,09 milhões de hectares, e a produtividade é projetada em 1.986 quilos por hectare, recuo de 3,2%. A Conab indica a demanda externa como principal sustentação da cadeia.

Entre as culturas com retração, o arroz deve somar 10,76 milhões de toneladas, queda de 2,9%, e o feijão, 2,93 milhões de toneladas, recuo de 0,7%.

Nas estimativas da Conab, a safra 2026/27 combina expansão de área e redução de rendimento médio. O movimento mantém a perspectiva de recorde para os grãos, com avanço em soja, milho e algodão, enquanto arroz e feijão devem registrar recuo na produção.

Fonte: Estadão Conteúdo

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