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Catadoras de mangaba defendem território extrativista em área de expansão de Aracaju

Catadoras de mangaba da região sul de Aracaju mantêm a defesa de áreas extrativistas pressionadas pela expansão urbana da capital sergipana. O território reúne remanescentes de mangabeiras usados por famílias que vivem da coleta e do manejo do fruto há mais de oito décadas. A comunidade busca preservar a atividade, ampliar o beneficiamento e consolidar a gestão participativa da área.
O território das catadoras compreende a Reserva Extrativista (Resex) Mangabeiras Missionário Uilson de Sá e uma área da União concedida à comunidade por meio de Termo de Autorização de Uso Sustentável. As duas áreas formam um mesmo território cultural tradicional, onde o extrativismo da mangaba sustenta dezenas de famílias.
A Associação das Catadoras e Catadores de Mangaba Padre Luiz Lemper (ACCMPLL) atua na organização da produção, na preservação dos conhecimentos tradicionais e na interlocução com o poder público. No ano passado, a entidade recebeu o primeiro lugar na categoria Povos e Comunidades Tradicionais do Prêmio Guardiãs da Sociobiodiversidade, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Foram destinados R$ 45 mil para oficinas e estudos voltados ao beneficiamento da mangaba e ao turismo de base comunitária, com apoio da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
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Durante a 5ª Festa da Colheita, no início de junho, a comunidade lançou o Plano de Manejo Popular da reserva. O documento foi elaborado coletivamente para registrar a memória histórica do território, estimular a conservação da área, produzir cartografia ecológica e subsidiar a gestão participativa.
Entre as propostas discutidas pelas famílias estão a construção da Casa da Mangaba, voltada ao processamento do fruto e à fabricação de derivados como geleia, licor, biscoito, bolo, pão, vinagre e vinho, além da criação de um museu da mangaba e de uma nova sede para a associação. Outro eixo é o turismo de base comunitária, com foco na história das catadoras, na culinária e nos processos de beneficiamento.
Segundo dados da Pesquisa da Extração Vegetal e da Silvicultura (Pevs) de 2023, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Sergipe ocupa a quarta posição nacional na produção extrativista de mangaba, atrás de Paraíba, Rio Grande do Norte e Minas Gerais.
A prefeitura de Aracaju informou que a elaboração do plano de manejo da reserva depende da composição do conselho gestor e afirmou que há projeto arquitetônico com recurso aprovado para uma unidade de beneficiamento da mangaba na área da Resex. A administração municipal também declarou manter fiscalização ambiental e apoio à proteção do território.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
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Agro Mato Grosso
MT exporta 66% a mais de algodão e China é maior compradora

A cotação da pluma de algodão em Mato Grosso, na última semana, reagiu e valorizou 0,48%, ficando cotada a R$ 128,16 a arroba, resultado da estabilidade do câmbio e da oferta restrita de algodão beneficiado, retrato da colheita em estágio inicial.
O IMEA também apurou as exportações feitas pelas indústrias de Mato Grosso, mês passado, somaram 154,18 mil toneladas, retração de 20,70% em relação a maio e alta de 66,38% frente a junho de 2025, estabelecendo novo recorde para o mês na série histórica da secretaria de Comércio Exterior.
Com isso, o Estado acumulou 1,97 milhão de toneladas exportadas na safra, correspondentes a agosto do ano passado a junho deste ano, alta de 13,57% frente ao mesmo período da safra anterior. No acumulado da temporada, a China até então, se consolidou como principal destino da pluma de Mato Grosso, ampliando suas aquisições em 53,97% em relação à safra passada e respondendo por 19,75% das exportações do Estado.
O avanço das compras chinesas refletiu a maior competitividade da pluma brasileira, em um cenário de elevada oferta exportável. Com isso, Mato Grosso respondeu por mais da metade das exportações brasileiras destinadas a China.
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Governo amplia monitoramento do El Niño sobre a safra 2026/27

O governo federal intensificou o acompanhamento dos potenciais efeitos do El Niño sobre o setor agropecuário, com foco em medidas preventivas aos produtores e no monitoramento de pressões sobre os preços dos alimentos. A estratégia também inclui a revisão orçamentária de instrumentos de proteção, como o seguro rural, diante da expectativa de um episódio forte entre julho e setembro.
Em Brasília, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) instituiu um grupo de trabalho para avaliar os impactos do fenômeno climático. A equipe terá como atribuições mapear vulnerabilidades regionais e setoriais, propor estratégias de mitigação e indicar instrumentos de proteção ao produtor rural. A análise abrangerá regiões geográficas e culturas como soja, trigo, milho, feijão, cana-de-açúcar, café e mandioca.
O grupo também deverá elaborar um relatório com estratégias de adaptação e mitigação, plano de trabalho e cronograma de ações. Participam do colegiado o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). No governo, a avaliação preliminar é de que mecanismos de gestão de risco, como o seguro rural, precisam ser reforçados.
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Neste ano, o orçamento do seguro rural teve contingenciamento superior a 53%, e os recursos para subvenção ao prêmio caíram para R$ 473,8 milhões. Segundo o secretário de Política Agrícola do Mapa, Guilherme Campos, a discussão sobre o seguro foi retirada do lançamento do Plano Safra para ser tratada dentro de uma análise mais ampla e interministerial sobre os efeitos do El Niño. Ele afirmou que o instrumento é visto como apoio à decisão de plantio em um cenário de endividamento, preços baixos das commodities e insegurança climática.
O tema também mobiliza o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). A pasta busca recursos para formar brigadas de incêndio em assentamentos da reforma agrária, sobretudo no Amazonas, com financiamento pelo Fundo Amazônia. O ministério também discute ampliação da formação de estoques de produtos agropecuários e contratos de opções para a safra. Segundo a ministra Fernanda Machiaveli, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) armazenou 800 mil toneladas de alimentos nos últimos anos.
No Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), o orçamento para indenizações está previsto em R$ 6,6 bilhões neste ano. O diretor José Henrique Silva afirmou que há espaço confortável no programa, mas que o monitoramento seguirá diante das evidências científicas sobre a intensidade do El Niño.
Na área econômica, o Ministério da Fazenda já considera nas projeções para 2027 a maior probabilidade de El Niño no segundo semestre e a continuidade do choque nos preços de fertilizantes. No último Boletim Macrofiscal, a pasta revisou a expectativa de inflação de 3% para 3,5% em 2027.
Fonte: Estadão Conteúdo
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‘Não há um único protagonista’, diz CEO do Sindirações sobre crescimento da alimentação animal

A indústria de alimentação animal voltou a apresentar um crescimento consistente no país, após um período de volatilidade associado aos custos de grãos e ao ambiente macroeconômico. Fatores como expansão da avicultura, recuperação da suinocultura e avanço do confinamento bovino ajudam a explicar esse processo.
“Não há um único protagonista neste ciclo. O crescimento é sustentado pela expansão simultânea de diferentes cadeias, o que confere maior resiliência ao setor”, aponta Ariovaldo Zani, CEO do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações).
Em 2025, a produção nacional de rações e suplementos atingiu cerca de 94 milhões de toneladas, ante 91 milhões de toneladas registradas em 2024. Para este ano, a projeção do setor aponta para 97 milhões de toneladas, sustentado pela intensificação da produção pecuária e pelo aumento da demanda por proteína animal no Brasil e no exterior.
Avicultura mantém liderança no consumo de ração
A avicultura segue sendo o maior consumidor individual de ração no Brasil. A produção passou de 36,9 milhões de toneladas em 2024 para 37,85 milhões em 2025, alta de 2,5%. Para 2026, a expectativa é de que o consumo de ração no segmento chegue a 39,1 milhões de toneladas.
Segundo Zani, esse crescimento é amplamente pautado pela demanda externa, em que o frango brasileiro tem competitividade consolidada. “Qualquer aceleração nas exportações repercute diretamente no volume de ração produzida”, destaca.
No caso da aquicultura, o Sindirações considera que o segmento apresenta maior dinamismo relativo e pode ampliar sua participação nos próximos anos. Em 2025, o crescimento foi de 5,3% e, para 2026, a projeção é de quase 2 milhões de toneladas de peixes cultivados.
“O Brasil já ultrapassa 1 milhão de toneladas de peixes cultivados (com predominância da tilápia), e a combinação de expansão do consumo interno, avanço das exportações e ganhos tecnológicos na produção posiciona o setor como uma das apostas mais sólidas para os próximos anos”, aponta o CEO.
Confinamento amplia demanda por ração
O avanço do confinamento é um dos movimentos estruturais mais significativos para a indústria de alimentação animal no Brasil. Segundo o Censo do Confinamento elaborado pelo Cepea, o número de animais confinados saltou de 7,96 milhões de cabeças em 2024 para 9,25 milhões em 2025, alta de 16%, com perspectiva de se aproximar de 10 milhões de cabeças em 2026.
Neste cenário, o reflexo sobre a indústria de alimentação animal também cresce. De acordo com o Sindirações, o consumo de ração na bovinocultura de corte cresceu 7,5% em 2025, passando de 7,22 para 7,76 milhões de toneladas. É o maior percentual de crescimento entre as cadeias pecuárias tradicionais.
Para Ariovaldo, do ponto de vista qualitativo, a intensificação da pecuária eleva significativamente a complexidade da nutrição animal envolvida. Segundo ele, no confinamento, a dieta é formulada com precisão para otimizar ganho de peso, conversão alimentar e qualidade de carcaça, o que demanda formulações técnicas mais sofisticadas, maior uso de concentrados, núcleos e aditivos que modificam a microbiota ruminal e contribuem para reduzir as emissões de metano.
“Isso impacta positivamente não apenas o volume, mas o valor agregado dos produtos da indústria de alimentação animal. Em termos de produtividade, o confinamento encurta o ciclo de abate, melhora a padronização do produto final e permite ao produtor capturar janelas de mercado mais favoráveis”, afirma.
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Grãos seguem no radar da indústria
A melhora nos custos de grãos foi outro fator que contribuiu para o crescimento consistente da indústria de alimentação animal em 2025, após um período de alta volatilidade.
Para o Sindirações, esse avanço foi importante sobretudo para a suinocultura, que havia enfrentado uma maior pressão em suas margens nos anos anteriores. No entanto, para 2026, o cenário segue condicionado a variáveis que escapam ao controle do setor, segundo o CEO do Sindicato.
“No milho, os principais fatores de atenção são a influência do El Niño sobre o comportamento climático nas regiões produtoras (especialmente no contexto de safrinha), a demanda das exportações do grão e a crescente produção de etanol, muito embora o coproduto dessa destilação (farelo de milho/DDG) retorne à cadeia produtiva da alimentação animal”, explica.
No caso do farelo de soja, ele ressalta que a volatilidade é influenciada pelo ritmo de processamento nas esmagadoras, pelos preços internacionais da proteína vegetal e pela dinâmica da soja em grão no mercado global, com destaque para as decisões de política agrícola nos Estados Unidos e na Argentina.
“O risco cambial é um fator transversal. Com ambos os insumos precificados com referência ao mercado internacional, a depreciação do real amplia o custo em moeda local mesmo quando os preços externos estão estáveis. Esse é um dos elementos que o setor monitora com maior atenção no planejamento para 2026”, acrescenta Zani.
China e Europa entram no radar do setor
O Sindirações acompanha com cautela o impacto das salvaguardas da China sobre a carne bovina. A medida impõe uma cota anual de cerca de 1,1 milhão de toneladas para importações do produto com tarifas adicionais para volumes excedentes.
A entidade afirma que para a indústria de alimentação animal, o canal de transmissão é indireto, mas relevante. Para o CEO, se as salvaguardas reduzirem o ritmo de crescimento das exportações brasileiras de carne bovina, a pressão sobre os frigoríficos pode desestimular investimentos em capacidade de abate e, talvez, reduzir o interesse dos produtores em intensificar a produção via confinamento.
“Por ora, o impacto mais imediato se dá no ambiente de expectativas. O setor pecuário opera com horizontes de planejamento de médio prazo, e incertezas sobre o acesso ao principal mercado comprador podem moderar decisões de expansão. No cenário base do Sindirações, a projeção de crescimento para 2026 já incorpora algum grau de conservadorismo em relação ao segmento bovino justamente por conta desse fator e, mais recentemente, da ameaça europeia ao embargo às proteínas animais brasileiras por conta dos antimicrobianos melhoradores de desempenho”, disse Ariovaldo Zani.
Setor aposta no mercado interno
Para este ano, o Sindirações acredita que o mercado interno seguirá sendo a base do crescimento do setor, sustentado pelo aumento do consumo de proteína animal e pelo dinamismo de segmentos como pets e aquicultura.
Além disso, para a entidade, a intensificação da pecuária – especialmente via confinamento bovino – é um vetor de expansão que deverá se manter ativo em 2026.
“Alcançar 97 milhões de toneladas requer não apenas mais animais, mas também a manutenção de condições econômicas favoráveis ao uso de nutrição de qualidade. O crescimento de 2026 é factível, mas depende de um ambiente de custos de grãos relativamente estável, da continuidade da intensificação pecuária e da manutenção do acesso a mercados externos pelas cadeias exportadoras brasileiras”, finaliza o CEO.
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