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11 de julho de 2026

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‘Não há um único protagonista’, diz CEO do Sindirações sobre crescimento da alimentação animal 

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Ariovaldo Zani, CEO do Sindirações (Foto: Divulgação).

A indústria de alimentação animal voltou a apresentar um crescimento consistente no país, após um período de volatilidade associado aos custos de grãos e ao ambiente macroeconômico. Fatores como expansão da avicultura, recuperação da suinocultura e avanço do confinamento bovino ajudam a explicar esse processo.

“Não há um único protagonista neste ciclo. O crescimento é sustentado pela expansão simultânea de diferentes cadeias, o que confere maior resiliência ao setor”, aponta Ariovaldo Zani, CEO do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações).

Em 2025, a produção nacional de rações e suplementos atingiu cerca de 94 milhões de toneladas, ante 91 milhões de toneladas registradas em 2024. Para este ano, a projeção do setor aponta para 97 milhões de toneladas, sustentado pela intensificação da produção pecuária e pelo aumento da demanda por proteína animal no Brasil e no exterior.

Avicultura mantém liderança no consumo de ração 

A avicultura segue sendo o maior consumidor individual de ração no Brasil. A produção passou de 36,9 milhões de toneladas em 2024 para 37,85 milhões em 2025, alta de 2,5%. Para 2026, a expectativa é de que o consumo de ração no segmento chegue a 39,1 milhões de toneladas.

Segundo Zani, esse crescimento é amplamente pautado pela demanda externa, em que o frango brasileiro tem competitividade consolidada. “Qualquer aceleração nas exportações repercute diretamente no volume de ração produzida”, destaca.

No caso da aquicultura, o Sindirações considera que o segmento apresenta maior dinamismo relativo e pode ampliar sua participação nos próximos anos. Em 2025, o crescimento foi de 5,3% e, para 2026, a projeção é de quase 2 milhões de toneladas de peixes cultivados. 

“O Brasil já ultrapassa 1 milhão de toneladas de peixes cultivados (com predominância da tilápia), e a combinação de expansão do consumo interno, avanço das exportações e ganhos tecnológicos na produção posiciona o setor como uma das apostas mais sólidas para os próximos anos”, aponta o CEO. 

Confinamento amplia demanda por ração 

O avanço do confinamento é um dos movimentos estruturais mais significativos para a indústria de alimentação animal no Brasil. Segundo o Censo do Confinamento elaborado pelo Cepea, o número de animais confinados saltou de 7,96 milhões de cabeças em 2024 para 9,25 milhões em 2025, alta de 16%, com perspectiva de se aproximar de 10 milhões de cabeças em 2026.

Neste cenário, o reflexo sobre a indústria de alimentação animal também cresce. De acordo com o Sindirações, o consumo de ração na bovinocultura de corte cresceu 7,5% em 2025, passando de 7,22 para 7,76 milhões de toneladas. É o maior percentual de crescimento entre as cadeias pecuárias tradicionais.

Para Ariovaldo, do ponto de vista qualitativo, a intensificação da pecuária eleva significativamente a complexidade da nutrição animal envolvida. Segundo ele, no confinamento, a dieta é formulada com precisão para otimizar ganho de peso, conversão alimentar e qualidade de carcaça, o que demanda formulações técnicas mais sofisticadas, maior uso de concentrados, núcleos e aditivos que modificam a microbiota ruminal e contribuem para reduzir as emissões de metano. 

“Isso impacta positivamente não apenas o volume, mas o valor agregado dos produtos da indústria de alimentação animal. Em termos de produtividade, o confinamento encurta o ciclo de abate, melhora a padronização do produto final e permite ao produtor capturar janelas de mercado mais favoráveis”, afirma. 

Grãos seguem no radar da indústria 

A melhora nos custos de grãos foi outro fator que contribuiu para o crescimento consistente da indústria de alimentação animal em 2025, após um período de alta volatilidade. 

Para o Sindirações, esse avanço foi importante sobretudo para a suinocultura, que havia enfrentado uma maior pressão em suas margens nos anos anteriores. No entanto, para 2026, o cenário segue condicionado a variáveis que escapam ao controle do setor, segundo o CEO do Sindicato. 

“No milho, os principais fatores de atenção são a influência do El Niño sobre o comportamento climático nas regiões produtoras (especialmente no contexto de safrinha), a demanda das exportações do grão e a crescente produção de etanol, muito embora o coproduto dessa destilação (farelo de milho/DDG) retorne à cadeia produtiva da alimentação animal”, explica. 

No caso do farelo de soja, ele ressalta que a volatilidade é influenciada pelo ritmo de processamento nas esmagadoras, pelos preços internacionais da proteína vegetal e pela dinâmica da soja em grão no mercado global, com destaque para as decisões de política agrícola nos Estados Unidos e na Argentina.

“O risco cambial é um fator transversal. Com ambos os insumos precificados com referência ao mercado internacional, a depreciação do real amplia o custo em moeda local mesmo quando os preços externos estão estáveis. Esse é um dos elementos que o setor monitora com maior atenção no planejamento para 2026”, acrescenta Zani.

China e Europa entram no radar do setor

O Sindirações acompanha com cautela o impacto das salvaguardas da China sobre a carne bovina. A medida impõe uma cota anual de cerca de 1,1 milhão de toneladas para importações do produto com tarifas adicionais para volumes excedentes. 

A entidade afirma que para a indústria de alimentação animal, o canal de transmissão é indireto, mas relevante. Para o CEO, se as salvaguardas reduzirem o ritmo de crescimento das exportações brasileiras de carne bovina, a pressão sobre os frigoríficos pode desestimular investimentos em capacidade de abate e, talvez, reduzir o interesse dos produtores em intensificar a produção via confinamento.

“Por ora, o impacto mais imediato se dá no ambiente de expectativas. O setor pecuário opera com horizontes de planejamento de médio prazo, e incertezas sobre o acesso ao principal mercado comprador podem moderar decisões de expansão. No cenário base do Sindirações, a projeção de crescimento para 2026 já incorpora algum grau de conservadorismo em relação ao segmento bovino justamente por conta desse fator e, mais recentemente, da ameaça europeia ao embargo às proteínas animais brasileiras por conta dos antimicrobianos melhoradores de desempenho”, disse Ariovaldo Zani.

Setor aposta no mercado interno 

Para este ano, o Sindirações acredita que o mercado interno seguirá sendo a base do crescimento do setor, sustentado pelo aumento do consumo de proteína animal e pelo dinamismo de segmentos como pets e aquicultura. 

Além disso, para a entidade, a intensificação da pecuária – especialmente via confinamento bovino – é um vetor de expansão que deverá se manter ativo em 2026.

“Alcançar 97 milhões de toneladas requer não apenas mais animais, mas também a manutenção de condições econômicas favoráveis ao uso de nutrição de qualidade. O crescimento de 2026 é factível, mas depende de um ambiente de custos de grãos relativamente estável, da continuidade da intensificação pecuária e da manutenção do acesso a mercados externos pelas cadeias exportadoras brasileiras”, finaliza o CEO.

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Zarc do milho é atualizado com nova classificação de solos

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O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para a cultura do milho grão foi atualizado, com publicação das novas portarias no Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira (10). A revisão altera a classificação dos solos por capacidade de água disponível e atualiza as séries históricas usadas no cálculo do risco climático para a cultura.

A atualização do Zarc contempla mudanças na base técnica utilizada para definir as épocas de semeadura com menor risco climático nas diferentes regiões produtoras do país. Entre os pontos revisados estão a classificação dos solos por capacidade de armazenamento de água e a incorporação de novos dados meteorológicos às séries históricas.

Pelos novos estudos, passam a ser adotadas seis classes de água disponível no solo, de AD1, para baixa retenção, a AD6, para alta retenção de água. O modelo substitui a classificação anterior, baseada em três grupos de solos.

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Segundo pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) responsáveis pelos estudos do Zarc, a classificação por água disponível permite uma caracterização mais detalhada dos ambientes de produção. De acordo com os pesquisadores, a capacidade de armazenamento de água está ligada às características físicas do solo e não apenas à sua textura.

No componente climático, a atualização incorpora novas informações de chuva e temperatura a partir de um número ampliado de estações meteorológicas. Para o cálculo do risco, são usadas séries de 30 anos de dados meteorológicos, com temperaturas máxima, mínima e média, precipitação e evapotranspiração de referência. O estudo também considera parâmetros relacionados à cultura e às características dos solos.

As alterações refletem a crescente variabilidade climática e a maior frequência de eventos extremos nos últimos anos, como secas e excesso de chuvas.

Com a revisão, o Zarc do milho grão passa a operar com uma base mais detalhada de solo e clima para orientar a definição das janelas de semeadura de menor risco climático nas regiões produtoras.

Fonte: gov.br

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Safra de soja robusta? USDA divulga projeções para a oleaginosa; confira

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O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) manteve inalteradas as projeções para as safras de soja e milho do Brasil na temporada 2025/26 em seu mais recente relatório mensal de oferta e demanda.

Para a soja, a estimativa permanece em 175 milhões de toneladas, consolidando o Brasil como o maior produtor mundial da oleaginosa. Caso o volume se confirme, a produção representará um novo recorde para o país.

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Projeções para o milho

No milho, o USDA também manteve a projeção em 131 milhões de toneladas, sustentada pelas boas perspectivas para a segunda safra, responsável pela maior parte da produção nacional.

Além da produção, o órgão norte-americano preservou as estimativas para as exportações brasileiras dos dois grãos. A expectativa é de que o Brasil continue liderando o comércio global de soja e mantenha posição de destaque nas vendas externas de milho.

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Colher café na hora certa pode aumentar o rendimento e reduzir perdas, revela pesquisa da Ufes

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Foto: Ufes

Quem trabalha com café sabe que acertar o momento da colheita faz diferença na qualidade da bebida. O que muita gente ainda não imagina é que esse detalhe também pesa — literalmente — no rendimento da lavoura.

Uma pesquisa da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), publicada recentemente em dois dos mais respeitados periódicos científicos internacionais da área — a Experimental Agriculture, da Cambridge University Press, e a Scientific Reports, do grupo Nature — revela que o momento da colheita pode fazer toda a diferença na rentabilidade da lavoura de café. O estudo mostra que colher frutos antes ou depois do ponto ideal de maturação reduz o peso dos grãos e, consequentemente, o rendimento comercial da produção. Em alguns materiais genéticos avaliados, essas perdas ultrapassaram 60%.

O estudo foi conduzido pelo pesquisador Fábio Luiz Partelli e equipe, que acompanharam durante todo o processo de maturação seis genótipos de café Conilon registrados pela Ufes: Pirata, Bamburral, A1, Clementino, Beira Rio 8 e P1.

Ao longo de nove coletas, realizadas a cada 14 dias, os pesquisadores monitoraram o desenvolvimento dos frutos, o acúmulo de matéria seca e o peso dos grãos. O objetivo era responder a uma pergunta simples, mas extremamente importante para o produtor: afinal, quando vale a pena colher?

A resposta veio acompanhada de números que chamam atenção. Nos frutos ainda verdes, os grãos apresentaram menor formação, coloração mais escura e perdas que chegaram a quase 68% em um dos genótipos avaliados. Já quando a colheita ocorreu próximo do ponto ideal de maturação — com aproximadamente 90% dos frutos maduros — os grãos apresentaram maior peso, melhor formação e qualidade comercial superior.

Segundo Fábio Partelli, o produtor não deve olhar apenas para a cor dos frutos, mas também planejar toda a colheita de acordo com o ciclo de maturação de cada material.

“Quando organizamos os genótipos conforme o ciclo de maturação, conseguimos distribuir melhor a mão de obra e as máquinas, reduzindo perdas e aumentando a eficiência da colheita”, explica o pesquisador. A estratégia também evita que parte da lavoura seja colhida ainda verde ou permaneça tempo demais no campo, quando os frutos já começam a perder peso naturalmente.

Outro resultado interessante é que nem todos os genótipos amadurecem no mesmo ritmo. Enquanto materiais como Pirata, A1 e Beira Rio 8 apresentam ciclos mais precoces, o genótipo P1 possui maturação mais tardia. Essa diferença reforça a importância do planejamento da lavoura desde o plantio, permitindo escalonar a colheita e utilizar melhor os recursos disponíveis.

Para Partelli, colher no momento correto representa um ganho silencioso, mas altamente rentável. Não exige novos equipamentos, não aumenta a área plantada e nem depende de insumos extras. Exige, acima de tudo, conhecimento sobre a planta e organização da propriedade.

A pesquisa reforça uma conclusão importante para a cafeicultura moderna: muitas vezes, o maior ganho do produtor não está em produzir mais frutos, mas em transformar uma quantidade maior deles em grãos de qualidade e com maior peso. Afinal, quando o assunto é café, alguns dias podem representar muitos quilos a mais no terreiro — e também mais dinheiro no fim da safra.

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