Agro Mato Grosso
Raízes evitam áreas de podridão por gradientes de pH

Estudo descreve saprotropismo e mostra resposta de raízes a matéria vegetal em decomposição
Raízes de plantas detectam gradientes locais de pH ao redor de matéria vegetal em decomposição e desviam seu crescimento para evitar zonas com microrganismos potencialmente nocivos. O mecanismo recebeu o nome de saprotropismo e amplia o conjunto de tropismos usados pelas plantas para orientar o crescimento no solo (DOI 10.1126/science.adw6568).
Estudo identificou a resposta em Arabidopsis thaliana e em culturas como canola, tomate e trigo. As raízes evitaram tecidos vegetais em decomposição, como maçã, folhas e serragem. A mesma reação não ocorreu diante de matéria animal em decomposição, como carne de frango.
Os pesquisadores mostraram que o contato direto com tecido vegetal em decomposição inibiu o crescimento radicular e ativou vias de defesa ligadas à imunidade e a patógenos. Em ensaios com raízes próximas, mas sem contato com a fonte de decomposição, ocorreu curvatura consistente para longe da zona de apodrecimento.
Metabólitos ácidos
A decomposição mediada por fungos liberou metabólitos ácidos, incluindo ácidos orgânicos e fenólicos. Esses compostos difundiram-se no solo e formaram gradientes ácidos estáveis. As raízes usaram esse padrão de acidez como sinal direcional antes do contato físico.
Células epidérmicas da raiz perceberam o microambiente ácido por meio do módulo peptídeo-receptor RGF-RGFR. Esse sensor converteu a assimetria de pH em distribuição assimétrica do ácido abscísico, conhecido como ABA. A assimetria hormonal reorganizou microtúbulos e alterou a expansão celular, o que levou à curvatura da raiz para longe da decomposição.
O sinal ácido perdeu força quando o material vegetal quase completou a decomposição. Nesse momento, as raízes deixaram de desviar.
Segundo os pesquisadores, a descoberta pode orientar estudos sobre manejo de resíduos culturais, doenças radiculares e resiliência de cultivos. A incorporação excessiva de resíduos não decompostos pode formar zonas de decomposição grandes demais para a navegação radicular e aumentar a exposição a microrganismos nocivos.
Agro Mato Grosso
Dia Internacional da Mulher Rural: Mulheres do campo transformam legado para novas gerações

Aprosoja MT destaca trajetória de mulheres que ajudaram a abrir espaço para novas gerações na agricultura
Mulheres vão e vêm todos os dias nas lavouras do Brasil, pilotando maquinários, analisando o plantio e a colheita, fazendo pagamentos e todos os trabalhos administrativos de uma propriedade. Muitas delas se inspiraram nas mães ou até tiveram que ser as primeiras mulheres da família a comandar toda a empresa, mas tudo foi possível por causa das mulheres corajosas que iniciaram os trabalhos. Neste dia 15 de outubro, se comemora o Dia Internacional da Mulher Rural, e a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) reforça o compromisso com todas as que já foram, que estão trabalhando e as que ainda se tornarão profissionais do campo.
Para ter hoje muitas mulheres inseridas na agricultura, foi preciso que muitas outras tivessem a coragem de iniciar, como contou a delegada do núcleo de Campo Novo do Parecis, Andreia Cervo Stefanello. Ela explicou que, no início, ficou preocupada em cursar Engenharia Agronômica por ser, na época, uma área predominantemente masculina.
“Quando eu decidi fazer a agronomia, eu sempre tive a vontade de ajudar o pai na lavoura. E sempre tive muito medo de como seria uma mulher em um meio tão masculino como a agricultura. E daí eu descobri que a agricultura, ela não tem preferência por masculino ou feminino, ela tem preferência por apaixonados. E quando eu me vi apaixonada pela lavoura, eu consegui entender que a gente, quando gosta de algo, a gente consegue fazer cem por cento”, afirmou.
A história escrita por ela na agricultura não começou há 30 anos, quando se formou, começou antes mesmo de ela nascer. Andreia contou que a família saiu da Itália nos anos de 1800 e, ao chegar ao Brasil, continuaram as atividades na lavoura, assim como já faziam. Foram longos anos vivendo da terra e aprimorando as técnicas, para chegar aos tempos de hoje.
Apaixonada pelo processo do plantio e dos cuidados com a lavoura, Stefanello afirma que fica muito feliz ao ver os resultados de cada decisão que ela toma no escritório se refletindo no campo. Esse esforço também mostra como o papel da mulher está nos mínimos detalhes e no resultado da safra.
“Você olha um plantio agora, você entende que aquela semente é uma sementinha que você está plantando para colher um fruto que vai representar todo o teu esforço dentro de um período. E quando eu penso nisso, eu penso também em tantas outras mulheres, mulheres que têm suas próprias histórias, próprias famílias, seus próprios desafios. Mulheres que todos os dias elas estão ali, fazendo parte das decisões, dos planejamentos, cuidando, produzindo, ajudando o campo a seguir em frente. Hoje eu olho para tudo isso e eu sei que existe um pouco de muitas mulheres nessa história. E é por causa de cada uma dessas mulheres, aquelas que já vieram e aquelas que ainda virão, que vale a pena continuar”, disse.
O Dia Internacional da Mulher Rural é uma data para relembrar as pioneiras de cada família que foram corajosas em continuar as atividades no campo, para homenagear as que estão atualmente trabalhando no campo e para incentivar que outras meninas e mulheres sigam seus sonhos. Nenhum presente se constrói sem a presença das mulheres do passado.
“Hoje eu olho para tudo isso e eu sei que existe um pouco de muitas mulheres nessa história. E é por causa de cada uma dessas mulheres, aquelas que já vieram e aquelas que ainda virão, que vale a pena continuar”, finalizou Andreia.
Entre gerações, a coragem de ocupar espaços e seguir trabalhando no campo mantém viva uma história construída por muitas mulheres. São trajetórias que ajudam a transformar a agricultura e mostram que, no campo, o futuro também é construído pelas mãos femininas.
Agro Mato Grosso
Mercado de defensivos para algodão em MT cresce 14% safra 25/26

Levantamento da Kynetec aponta movimentação recorde de R$ 8,217 bilhões
A movimentação de defensivos agrícolas para algodão registrou recorde na safra 2025/26, atingindo R$ 8,217 bilhões, ante R$ 7,190 bilhões da temporada anterior (+14%). Na moeda americana, em virtude do câmbio, houve alta de 10% no período, de US$ 1,341 bilhão para US$ 1,478 bilhão. Os dados foram divulgados hoje (14/10) no estudo FarmTrak Algodão, da Kynetec.
De acordo com o especialista em pesquisas da empresa, Felipe Lopes Abelha, dois fatores principais tracionaram os agroquímicos no algodão: o número de tratamentos e o custo dos tratamentos. O primeiro passou da média de 95, em 2024/25, para 107, com variação positiva de 13%. Já o preço médio dos tratamentos subiu 21%, de R$ 3.472 para R$ 4.209.
Conforme Abelha, o indicador PAT ou área potencial tratada, correspondente à soma de todos os tratamentos realizados pelos produtores na safra, alcançou a marca de 209,07 milhões de hectares em 2025/26, contra 196,31 milhões de hectares do ciclo passado, uma elevação de 6%.
Inseticidas seguem na liderança

Entre as categorias de produtos, destaca o executivo, os inseticidas seguiram na dianteira do mercado. Ocuparam 50% do total ou R$ 4,119 bilhões, salto de 14% na comparação a 2024/25 (R$ 3,606 bilhões). Ganharam ainda 2% em representatividade em área tratada, para 87.657 milhões de hectares.
Segundo Abelha, os inseticidas aplicados visaram, sobretudo, o controle do bicudo do algodoeiro e de lagartas. O bicudo demandou a média de 18 tratamentos por propriedade, ao custo da ordem de R$ 2 bilhões. As lagartas equivaleram a R$ 928 milhões, 15% acima da safra 2024/25 (R$ 795 milhões). “O segmento de lagartas, conhecidas por ‘pragas de sistema’, que provocam impactos desfavoráveis crescentes à produção, está em franca expansão”, salienta Abelha.
Segunda categoria no ranking de agroquímicos do algodão, a dos fungicidas registrou o maior crescimento proporcional, de 19%, para R$ 1,98 bilhão ou 24% do total do mercado, face a R$ 1,617 bilhão de 2024/25. Esse segmento, acrescenta Abelha, recebeu impulso representativo dos chamados produtos ‘premium’.
Herbicidas, na terceira posição, apresentaram elevação de 6,3%, perfazendo R$ 1,143 bilhão ou 14% do montante total do mercado, ante R$ 1,075 bilhão de 2024/25.
Somados, nematicidas, produtos para tratamento de sementes e outros obtiveram 12% de participação ou R$ 986 milhões.
Estudo representa 97% da área culutivada no país
Segundo a Kynetec, o levantamento FarmTrak Algodão 2025/26 percorreu quase 270 propriedades e teve origem em entrevistas presenciais com produtores em toda a fronteira agrícola da cultura. A cobertura da pesquisa representa 97% da área cultivada no país, de 1,952 milhão de hectares. Das regiões abrangidas, Felipe Abelha destaca a constatação de uma queda de 8% no plantio de algodão no estado de Mato Grosso, de 1,502 milhão de hectares para 1,376 milhão de hectares.
Agro Mato Grosso
Etanol de milho: MT projeta crescimento de 18,67% na produção

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