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Sustentabilidade

Preço do trigo sobe no Brasil em maio impulsionado por retenção e receio com El Niño – MAIS SOJA

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Os preços do trigo avançaram no mercado nacional em maio, influenciados pela retração vendedora e pela menor disponibilidade interna do cereal. Vendedores permaneceram cautelosos nas negociações, à espera de melhores oportunidades de comercialização, o que manteve a liquidez reduzida ao longo do mês.

Além disso, produtores seguem retendo o cereal diante da expectativa de produção reduzida na próxima temporada, em meio às incertezas relacionadas ao clima – a confirmação do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026 mantém triticultores do Sul do País em alerta, devido à possibilidade de aumento das chuvas durante o período de maturação e pré-colheita do trigo.

O preço médio do trigo no Paraná foi de R$ 1.352,59/t em maio/26, avanço de 2,6% frente a abril, mas ainda 14,1% inferior ao registrado em maio/25, em termos reais (valores deflacionados pelo IGP-DI). No Rio Grande do Sul, a média atingiu R$ 1.299,65/t, alta de 7,6% no comparativo mensal – o maior patamar desde agosto/25 –, embora permaneça 9,2% abaixo da média observada há um ano. Em São Paulo, o preço médio foi de R$ 1.467,25/t, com elevação de 5,2% frente a abril, mas queda de 10% na comparação anual.

Em Santa Catarina, a média foi de R$ 1.285,99/t, aumento de 4,1% no mês, mas retração de 13,5% em relação a maio/25.

DERIVADOS DE TRIGO – No mercado de farelo de trigo, os preços seguiram em ritmo de queda ao longo do mês, refletindo o excedente de oferta e a concorrência com outros insumos destinados à ração animal. Conforme dados do Cepea, de abril para maio, o farelo
a granel se desvalorizou 6,37% e o ensacado, 5,82%.

Para as farinhas de trigo, os preços avançaram, refletindo tanto a menor moagem quanto o
repasse das altas nos valores do grão. De abril para maio, houve valorização de 2,11% para bolacha salgada, 1,69% para massas em geral, 1,43% para pré-mistura, 1,42% para farinha integral, 1,38% para panificação, 1,2% para bolacha doce e 0,77% para massas frescas.

OFERTA E DEMANDA DOMÉSTICA – Segundo a Conab, a produção brasileira de trigo em 2026 foi revisada para 6,38 milhões de toneladas, 18,9% abaixo da safra de 2025, refletindo principalmente a menor área no Paraná e no Rio Grande do Sul. A área nacional deve somar 2,14 milhões de hectares, redução de 12,5% frente à temporada passada, enquanto a produtividade média está estimada em 2,985 t/ha, queda de 7,3% no comparativo anual.

Os estoques iniciais da temporada 2026 estão projetados em 1,637 milhão de toneladas, enquanto as importações devem atingir 6,96 milhões de toneladas, superando a produção nacional. Com isso, os suprimentos totais podem somar 14,98 milhões de toneladas. Já o consumo interno entre agosto/26 e julho/27 é estimado pela Conab em 11,8 milhões de toneladas, e os estoques finais devem alcançar 1,67 milhão de toneladas em julho de 2027.

No campo, dados da Conab indicam que, até 1º de junho, 41,1% da área destinada ao cultivo de trigo já havia sido semeada no Brasil. Especificamente no Paraná, a área cultivada já chega em 61%, no Rio Grande do Sul, em 9% e, em Santa Catarina, em 0,7%.

OFERTA E DEMANDA MUNDIAL – A produção de trigo deve recuar na safra 2026/27. Segundo dados do USDA, em termos globais, a produção deve cair 2,9% frente à temporada 2025/26, enquanto os estoques de passagem podem recuar 1,5%.

O USDA aponta que a produção mundial de trigo está estimada em 819,063 milhões de toneladas em 2026/27, com retrações previstas para União Europeia, Estados Unidos, Rússia, Canadá, Austrália, Ucrânia, Argentina e Cazaquistão. Em contrapartida, China, Índia, Paquistão, Turquia, Irã, Reino Unido, Egito e Marrocos devem ampliar a produção.

O consumo global é projetado em 823,23 milhões de toneladas, estável (-0,04%) frente à safra anterior, enquanto os estoques finais devem recuar 1,5%, levando a relação estoque/consumo para 33,4%. Já o comércio internacional pode atingir 214,11 milhões de toneladas, volume 4,6% inferior ao da temporada passada.

Na Argentina, principal fornecedora do cereal ao Brasil, a produção está estimada em 21 milhões de toneladas, expressiva redução de 24,8% em relação à temporada passada. Desse total, 14,5 milhões devem ser destinados às exportações, o que, se confirmado, implicaria em queda de 21,6% no mesmo comparativo.

Para o Brasil, o USDA projeta área colhida de 2,3 milhões de hectares em 2026/27, baixa de 6% em relação à safra anterior. A produção deve recuar 14,9%, para 6,7 milhões de toneladas, enquanto o consumo doméstico pode crescer 1,2%, para 12,5 milhões de toneladas.

MERCADO EXTERNO – Nos Estados Unidos, as condições climáticas seguem desafiadoras para a safra de trigo de inverno, devido à baixa umidade nas principais regiões produtoras. De acordo com o Monitor de Seca dos Estados Unidos, até 26 de maio, 69% da área cultivada com trigo de inverno estava sob algum nível de seca.

Além disso, a projeção de menor produção para a temporada de 2026/27 também deu suporte às cotações. Com isso, na Bolsa de Chicago, o primeiro vencimento registrou média de US$ 6,3496/bushel (US$ 233,31/t) em maio/26, elevações de 5,6% frente a abril/26 e de 21% em relação a maio/25. Na Bolsa de Kansas, a média do primeiro vencimento foi de US$ 6,8401/bushel (US$ 251,33/t), avanços de 7,8% no comparativo mensal e de 30,9% na comparação anual.

Na Argentina, o governo anunciou, em 21 de maio, nova redução das “retenciones” sobre o trigo, cuja alíquota passará de 7,5% para 5,5% a partir de junho de 2026. A medida busca manter elevado o volume destinado às exportações.

Quanto aos preços, na média mensal, os preços FOB divulgados pelo Ministério da Economia na Argentina avançaram 2,5% frente a abril/26, com média de US$ 233,74/t, mas recuo de 0,6% em relação a maio/25.

Fonte: Cepea



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Sustentabilidade

Com exportações recordes e preços domésticos em alta, mercado de algodão tem maio movimentado – MAIS SOJA

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Em maio, enquanto os negócios domésticos de algodão em pluma foram pontuais, as exportações continuaram em ritmo acelerado e foram as maiores da história para o mês, além de já terem superado o registrado em toda a safra passada – mesmo faltando dois meses para o fim da temporada. Ainda assim, a comercialização no mercado interno permaneceu mais vantajosa em termos de preços.

Os embarques brasileiros de algodão em pluma somaram 291,17 mil toneladas em maio, segundo dados da Secex. Embora o volume tenha ficado 21,4% abaixo do registrado em abril/26, superou em 51,5% o verificado em todo o mês de maio/25, configurando-se como o maior volume da história para este mês.

Na parcial da safra 2025/26 (de agosto/25 até maio/26), os embarques ficaram por volta das 3 milhões de toneladas, volume 6% superior ao total exportado em toda a safra passada (entre agosto/24 e julho/25), quando o Brasil enviou 2,84 milhões de toneladas ao mercado externo. Considerando-se os últimos 12 meses, o acumulado de vendas internacionais somou 3,26 milhões de toneladas, um novo recorde.

Quanto aos preços, a média das exportações foi de US$ 0,7004/lp em maio/26, alta de 2% frente à de abril/26, mas ficou 4,1% inferior à registrada em maio/25. Em moeda nacional, a média equivale a R$ 3,4919/lp, 17,3% abaixo do praticado no mercado spot interno, de R$ 4,2217/lp. Trata-se da maior diferença negativa desde setembro de 2022, quando as exportações ficaram 21% abaixo da cotação doméstica.

MERCADO INTERNO – Mesmo com oscilações ao longo do mês, a cotação do algodão em pluma subiu em maio pelo quarto mês consecutivo. A postura firme dos vendedores que ainda detêm lotes remanescentes da safra 2024/25, especialmente de qualidade superior, manteve os preços em alta no mês. Ao mesmo tempo, a cautela de compradores limita a liquidez do mercado, resultando em negociações pontuais e na disputa entre agentes quanto aos preços Produtores seguem atentos ao desenvolvimento da próxima temporada e continuam cumprindo os contratos a termo.

Dessa forma, boa parte dos cotonicultores permanece capitalizada, o que contribui para o baixo interesse em novas negociações e para a sustentação das ofertas de venda. Além disso, o bom ritmo das exportações ajuda a escoar o excedente disponível Do lado comprador, indústrias seguem cautelosas e adquirem a fibra de forma pontual, especialmente devido às dificuldades em repassar os maiores custos da pluma aos produtos manufaturados. Algumas empresas relatam que a matéria-prima já estocada e contratada é suficiente para atender à demanda atual, diante do desempenho ainda limitado das vendas. Há também relatos de redução da produção e de substituição parcial da pluma por outros insumos, inclusive fios. Nesse contexto, comerciantes buscam viabilizar negócios “casados”.

O Indicador CEPEA/ESALQ do algodão em pluma (pagamento em oito dias) avançou 3,31% entre 30 de abril e 29 de maio, encerrando o período a R$ 4,2793/lp, o maior valor nominal desde 16 de junho de 2025, quando atingiu R$ 4,3643/lp

A cotação interna ficou, em média, 5,4% acima da paridade de exportação em maio, o que marca o quinto mês consecutivo de vantagem para o mercado doméstico. A média mensal do Indicador CEPEA/ESALQ foi de R$ 4,2217/lp em maio/26, avanço de 5,6% frente a abril.

Na comparação com maio do ano anterior, contudo, houve queda real de 5,49%, considerando-se os valores deflacionados pelo IGP-DI de abril/26. Em dólar, a média do Indicador foi de US$ 0,8444/lp em maio, 3,7% acima do primeiro vencimento negociado na Bolsa de Nova York (ICE Futures), de US$ 0,8146/lp, mas ainda 8,4% abaixo da média de US$ 0,9215/lp do Índice Cotlook A, referência internacional para a pluma posta no Extremo Oriente. Vale ressaltar que as médias da cotação interna e do Índice Cotlook Aalcançaram os níveis nominais mais elevados desde março de 2024, enquanto a média do primeiro vencimento em Nova York foi a mais alta desde abril daquele mesmo ano.

MERCADO INTERNACIONAL – A paridade de exportação (FAS), calculada pelo Cepea, recuou 2,17% entre 30 de abril e 29 de maio, para R$ 3,7724/lp (US$ 0,7476/lp) no porto de Santos (SP) e R$ 3,7830/lp (US$ 0,7497/lp) em Paranaguá (PR). A pressão veio da queda de 3,85% no Índice Cotlook A, que fechou em US$ 0,8610/lp em 29 de maio. No mesmo período, o dólar se valorizou 1,8% frente ao Real, a R$ 5,046.

Na Bolsa de Nova York, após as expressivas altas observadas nos meses anteriores, os primeiros contratos futuros voltaram a recuar em maio. Entre 30 de abril e 29 de maio, o contrato Julho/26 caiu 7,36%; o Outubro/26, 6,13%; o Dezembro/26, 8,86%; e o Março/27, 3,55%.

OFERTA E DEMANDA MUNDIAIS – As primeiras estimativas divulgadas pelo USDA em 12 de maio apontam que a produção mundial de algodão na safra 2026/27 pode alcançar 25,266 milhões de toneladas, queda de 5,4% frente à temporada 2025/26, refletindo a retração produtiva dos principais países exportadores, com exceção da Índia, que pode registrar leve avanço de 0,8%. Para o Brasil, a projeção é de 3,81 milhões de toneladas, volume 10,3% inferior ao da safra anterior, mas ainda assim o segundo maior da série histórica do Departamento.

O consumo mundial foi estimado em 26,495 milhões de toneladas, aumento de 1,3% em relação à temporada anterior. O volume supera a oferta global em 4,86% na safra 2026/27 e é o maior em seis anos. A China permanece como a principal consumidora mundial, com demanda prevista em 8,93 milhões de toneladas, crescimento de 1,2% frente à temporada 2025/26.

Segundo o USDA, as transações globais são estimadas em 9,5 milhões de toneladas na safra 202627, com recuos de 0,9% nas importações e de 1% nas exportações. Assim, o Brasil deve permanecer na liderança global das exportações, com embarques previstos em 3,27 milhões de toneladas, um novo recorde e alta de 2% em relação à safra anterior. O País pode responder por 35% das exportações mundiais, enquanto os Estados Unidos devem representar 28%. Os embarques norte-americanos podem crescer 2,5%, atingindo 2,678 milhões de toneladas.

Os estoques mundiais são estimados em 15,642 milhões de toneladas na temporada 2026/27, retração de 7% em relação à safra anterior. O estoque brasileiro deve alcançar 927 mil toneladas, queda de 17,4% em relação à temporada 2025/26, ocupando a terceira posição no ranking mundial. Nos Estados Unidos, os estoques podem recuar 11,4%, para 849 mil toneladas. Quanto aos preços, o USDA estima que o valor médio pago ao produtor norte-americano em 2026/27 seja de US$ 0,73/lp, avanço de 15,9% sobre o da safra anterior.

CAROÇO DE ALGODÃO – O ritmo de comercialização do saldo remanescente de caroço de algodão continuou enfraquecido em maio/26, embora os preços tenham permanecido firmes. Compradores estiveram cautelosos nas aquisições, especialmente diante do desempenho das vendas de torta e farelo de algodão, produtos que competem com outras alternativas disponíveis no mercado. Nesse cenário, agentes priorizaram a compra de insumos mais competitivos, especialmente o farelo de soja, favorecido pelo período de safra.

Para a temporada 2025/26, as negociações também permaneceram lentas. A expectativa de boa oferta e a disparidade entre os valores praticados por compradores e vendedores têm desestimulado a realização de contratos a termo. Segundo a Conab, a produção de caroço de algodão pode alcançar 5,637 milhões de toneladas em 2025/26, volume 2,6% inferior ao recorde observado na safra 2024/25.

No mercado spot, dados do Cepea mostram que a média do caroço em Campo Novo do Parecis (MT) foi de R$ 903,35/t em maio/26, alta de 6,8% frente a abril, mas queda de 48,2% em relação a maio/25. Em Lucas do Rio Verde (MT), a média atingiu R$ 887,56/t, avanço de 3,8% no mês, mas retração de 48,7% no comparativo anual. Em Primavera do Leste (MT), o valor médio foi de R$ 991,37/t, com alta mensal de 2,2%, mas recuo anual de 43,4%. Em São Paulo (SP), a média foi de R$ 1.423,97/t, recuos de 2,4% frente a abril e de 27,2% em relação a maio do ano passado. Já em Barreiras (BA), a média foi de R$ 1.085,94/t, com quedas de 10,8% no mês e de 47,2% na comparação anual.

Fonte: Cepea


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Soja e Derivados: Exportações Históricas e Demanda Doméstica Movimentam o Mercado em Maio – MAIS SOJA

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A liquidez no mercado brasileiro de soja esteve elevada em maio, impulsionada pelo forte ritmo das exportações e pela demanda aquecida da indústria doméstica de processamento. Esse cenário limitou quedas mais expressivas nos preços da oleaginosa, mesmo diante da safra recorde colhida no Brasil e das perspectivas favoráveis para a oferta global, com o avanço da colheita na Argentina e a semeadura nos Estados Unidos.

A colheita está praticamente encerrada no Brasil, o que confirma a safra recorde no País, projetada pelo USDA em 180 milhões de toneladas. Na Argentina, a Bolsa de Cereales informou que a colheita da safra 2025/26 alcançou 97,1% da área, com produção estimada pelo USDA em 48 milhões de toneladas. Nos Estados Unidos, o USDA informou que 87% da área da safra 2026/27 havia sido semeada até 31 de maio, acima dos 80% semeados na média dos últimos cinco anos, com produção estimada em 120,7 milhões de toneladas.

Do lado da demanda, os números dos embarques seguem evidenciando a força da procura pela soja brasileira. Segundo dados da Secex, o Brasil exportou 14,82 milhões de toneladas do grão em maio. Embora o volume tenha recuado 11,5% em relação a abril, permaneceu 5,1% acima do registrado em maio de 2025. No acumulado de janeiro a maio, as exportações somaram 55,07 milhões de toneladas, configurando-se como o maior volume já registrado para esse período.

A receita gerada pelas exportações da oleaginosa alcançou US$ 22,88 bilhões nos cinco primeiros meses de 2026, ficando atrás apenas do recorde de 2023, quando somou US$ 26,54 bilhões. Naquele período, as cotações também superavam as atuais.

A firme demanda externa também elevou os prêmios de exportação da soja no Brasil, incentivando negociações para embarques entre agosto e outubro deste ano, movimento incomum para este período do ano.

Com isso, no mercado spot, os Indicadores CEPEA/ESALQ Paranaguá e Paraná tiveram médias de R$ 129,36/sc e R$ 123,03/sc de 60 kg em maio, valorizações de 1,4% e de 1,3%, respectivamente. Em relação a maio de 2025, por sua vez, as cotações apresentam quedas de 4,4% e 5,54% em termos reais (IGP-DI de abril/26).

O dólar encerrou o mês a R$ 4,99, com desvalorização de 0,9% frente a abril e de 12,1% na comparação com maio de 2025, favorecendo a competitividade das exportações norte-americanas. Na Bolsa de Chicago (CME Group), o contrato julho/26 da soja em grão registrou média de US$ 11,9434/bushel (US$ 26,33/sc de 60 kg) em maio, com valorização de 2,3% frente a abril e de 13,6% em relação a maio de 2025.

ÓLEO DE SOJA – No caso do óleo de soja, os preços nacionais e internacionais registraram direções opostas. No mercado doméstico, a demanda foi limitada pela cautela das indústrias de biodiesel.

Segundo levantamento do Cepea, os preços do óleo de soja bruto e degomado (com 12% de ICMS) na região de São Paulo recuaram 5,2% de abril para maio; por outro lado, observou-se valorização de 2,3% em um ano, em termos reais, na média de R$ 6.518,48/t em maio.

Quanto às vendas externas, de acordo com a Secex os embarques alcançaram 192,14 mil toneladas em maio. Embora tenham recuado 1,8% frente a abril, ficaram 35,7% acima dos registrados em maio de 2025. No acumulado de 2026, as exportações totalizam 890,17 mil toneladas, volume 45,2% superior ao observado no mesmo período do ano passado e o maior já registrado para os primeiros cinco meses do ano desde 2023.

No mercado externo, com a forte demanda do setor de biodiesel, os preços do óleo registraram alta significativa no mês de maio, ampliando sua participação nas margens industriais e alterando a composição da rentabilidade da indústria de processamento nos Estados Unidos. De acordo com cálculos do Cepea, há um ano o farelo respondia por 55% da margem de lucro da indústria de processamento nos EUA, enquanto o óleo representava 45%. Neste ano, porém, a participação se inverteu: o óleo passou a responder por 52,79% das margens, enquanto o farelo representou 47,21% nesse mês, evidenciando o maior peso do derivado energético na rentabilidade do processamento.

Nesse cenário, na CME Group (Bolsa de Chicago), o contrato Julho/26 do óleo de soja avançou 8% entre abril e maio, registrando média de US$ 0,7562/lp (US$ 1.667,22/t) e valorização de 54,3% em relação a maio/25, o maior patamar nominal desde julho de 2022.

FARELO DE SOJA – Embora a demanda externa pelo farelo de soja brasileiro tenha sido elevada, a maior disponibilidade do derivado, devido ao aumento no processamento interno, pressionou as cotações. Na média das regiões acompanhadas pelo Cepea, os preços do farelo de soja tiveram baixas de 1,3% de abril para maio e de 1,6% em relação a
maio/25, em termos reais.

Quanto às exportações, dados da Secex mostram que o Brasil embarcou 2,54 milhões de toneladas em maio, o maior volume para o mês desde 2023. O resultado representa aumentos de 8,6% frente a abril e de 21,09% em relação a maio do ano passado. Entre janeiro e maio, os embarques do derivado somam 10,19 milhões de toneladas, um novo recorde para o período.

No mercado externo, os preços futuros do farelo de soja foram impulsionados pela expectativa de aumento da procura internacional pelo derivado norte-americano. Diante disso, o contrato de primeiro vencimento do farelo apresentou média nominal de US$ 329,47/tonelada curta (US$ 363,17/t) em maio, altas de 1,5% sobre a de abril e de 13% frente a maio/25, sendo também a maior desde julho/24.

Fonte: CEPEA



 

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Sustentabilidade

El Niño pode prejudicar plantio da soja 2026/27, alerta meteorologista

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Imagem gerada por IA para o Canal Rural

A confirmação do retorno do fenômeno El Niño pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) acendeu um alerta para produtores rurais de todo o Brasil. Segundo o meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller, o evento tem 63% de chance de atingir forte intensidade nos próximos meses e pode provocar impactos significativos sobre a safra 2026/27, especialmente na produção de soja.

De acordo com o especialista, o fenômeno já está estabelecido no Oceano Pacífico e deve persistir até o próximo verão, influenciando tanto os cultivos de inverno quanto o próximo ciclo agrícola.

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“O fenômeno vai pegar todo o ciclo dos cultivos de inverno e também a safra 2026/27, principalmente da soja”, afirmou Müller.

A preocupação aumentou porque a probabilidade de o evento atingir intensidade muito forte saltou de 37% para 63% em apenas um mês. Caso esse cenário se confirme, o meteorologista afirma que o fenômeno poderá figurar entre os mais intensos já registrados desde o início das medições, em 1890.

Sul deve ter excesso de chuva

Os primeiros impactos já devem ser sentidos durante o inverno. A tendência é de aumento das chuvas na Região Sul, cenário que preocupa produtores que ainda precisam concluir a colheita de culturas de segunda safra.

“O produtor do Sul precisa ficar atento porque a chuva já começa a ganhar ritmo durante o inverno e pode prejudicar principalmente os trabalhos de colheita”, destacou.

O Paraná aparece como uma das áreas mais vulneráveis. Segundo Müller, o solo já apresenta elevados níveis de umidade e os acumulados previstos para as próximas semanas podem ultrapassar 200 milímetros em algumas regiões.

“Em uma semana, esse acumulado pode passar de 150 milímetros e chegar a 200 milímetros, prejudicando a colheita do milho segunda safra e também do feijão”, alertou.

Plantio da soja exige cautela

Se por um lado o Sul deve enfrentar excesso de chuva, parte do Centro-Oeste e do Sudeste pode conviver com atraso no retorno das precipitações durante a primavera.

Segundo o meteorologista, produtores que planejam iniciar a semeadura da safra de soja 2026/27 precisam acompanhar de perto a evolução do clima.

“A tendência é de atraso das chuvas e também de ondas de calor intensas, muito parecido com o que ocorreu em 2023. O produtor precisa ter cautela ao iniciar a semeadura”, afirmou.

A expectativa é que as chuvas ganhem força no Centro-Oeste e no Sudeste apenas entre o final de outubro e o início de novembro.

Calor, seca e impactos na logística

Além das mudanças no regime de chuvas, o El Niño também deve provocar temperaturas acima da média em grande parte da América do Sul.

Arthur Müller destaca que o fenômeno favorece a ocorrência de ondas de calor durante o inverno e a primavera, aumentando o risco de incêndios em diversas regiões do país.

No Norte e no Nordeste, o cenário é oposto ao observado no Sul. A previsão é de redução das chuvas e agravamento da estiagem ao longo do segundo semestre.

“O fenômeno deve diminuir as chuvas no Norte e no Nordeste, agravando o período seco e reduzindo os níveis dos rios da Amazônia”, explicou.

A situação preocupa especialmente os setores de logística e exportação. Com rios mais baixos, o transporte de cargas pelo chamado Arco Norte pode enfrentar dificuldades semelhantes às registradas durante a forte seca amazônica de 2023.

Frio e geadas no curto prazo

Enquanto os efeitos do El Niño se desenham para os próximos meses, o curto prazo segue marcado pela atuação de sistemas frontais sobre o Centro-Sul do país.

Nos próximos dias, a chuva continua intensa entre Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Na sequência, uma massa de ar frio avança pela Região Sul, aumentando o risco de geadas no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina entre segunda (15) e terça-feira (16).

As temperaturas mínimas podem ficar abaixo dos 5°C em algumas áreas, mas o frio não deve avançar com a mesma intensidade para o Sudeste e o Centro-Oeste.

O post El Niño pode prejudicar plantio da soja 2026/27, alerta meteorologista apareceu primeiro em Canal Rural.

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