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14 de outubro de 2026

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Entre fundamentos mais sólidos e novas incertezas: o delicado ponto de inflexão do mercado de arroz

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Foto: Erasmo Pereira/Epamig

Nos últimos meses, o mercado brasileiro de arroz passou a emitir sinais que dificilmente podem ser ignorados. Depois de um longo período marcado por margens negativas em virtude do excesso de oferta, observa-se uma mudança gradual na dinâmica de formação dos preços. A recuperação das cotações deixou de ser sustentada apenas por fatores pontuais e passou a refletir, cada vez mais, fundamentos ligados à disponibilidade física, ao comportamento dos produtores e ao ritmo das exportações.

Ainda é cedo para afirmar que o setor ingressou em um novo ciclo plenamente consolidado, mas é evidente que o mercado já não apresenta a mesma configuração observada durante os últimos semestres.

Mudança de comportamento

Grande parte dessa mudança decorre da redução gradual da oferta disponível. A comercialização tornou-se mais seletiva, a dificuldade de originação aumentou em praticamente todas as regiões produtoras e os produtores passaram a administrar seus estoques de forma muito mais estratégica.

Depois de comercializar parcela significativa da produção em níveis considerados insuficientes para remunerar os custos, muitos optam por vender apenas volumes necessários para atender compromissos financeiros imediatos. Essa mudança de comportamento ocorre justamente quando o setor passa a incorporar expectativas relacionadas à safra 2026/27.

O horizonte, sob essa perspectiva, tornou-se mais construtivo. Nos Estados Unidos, queda expressiva da área cultivada e da disponibilidade exportável tende a diminuir a concorrência internacional. Na Ásia, embora os grandes exportadores continuem ativos, observa-se um ambiente de oferta cada vez mais ajustado e maior preocupação com a oferta futura.

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No Brasil, além da redução da área cultivada, ganha força a percepção de que os elevados custos de produção, as restrições de crédito e os riscos associados aos impactos do El Niño poderão limitar investimentos, reduzir o nível tecnológico das lavouras e afetar severamente a produtividade. Caso esse conjunto de fatores se confirme, a oferta futura poderá tornar-se mais restrita, favorecendo um balanço mais equilibrado entre oferta e demanda ao longo de 2027.

Arroz na balança comercial

Entretanto, nenhuma variável tem exercido influência tão decisiva quanto a balança comercial. As exportações passaram a desempenhar papel central na sustentação das cotações, funcionando como o principal mecanismo de redução dos excedentes internos e de reequilíbrio entre oferta e demanda.

Entre março e junho deste ano, o Brasil embarcou mais de 670 mil toneladas (base casca), acumulando um superávit comercial próximo de 53 mil toneladas, resultado que reforçou a importância estratégica do mercado externo para aliviar os elevados estoques domésticos. Em julho, contudo, o ritmo mostrou perda parcial de fôlego: até a quarta semana, as exportações somavam 130,4 mil toneladas (base casca), enquanto as importações alcançavam 143,6 mil toneladas, gerando um déficit parcial de 13,2 mil toneladas.

Apesar disso, o line-up permanece robusto, com embarques destinados à Venezuela, além de cargas programadas para outros mercados, indicando continuidade do fluxo exportador. O desafio, entretanto, continua sendo expressivo.

O setor trabalha com a meta de aproximadamente 2 milhões de toneladas exportadas nesta temporada, objetivo considerado crucial para acelerar a redução dos excedentes internos, consolidar o processo de reequilíbrio do mercado e criar condições para uma recuperação mais consistente das cotações ao longo dos próximos meses.

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Estoques públicos

E é justamente nesse ponto que surge a principal preocupação dos agentes. O mercado iniciou a temporada com estoques superiores a 2 milhões de toneladas, volume que ainda funciona como um importante amortecedor da recuperação dos preços. A estratégia predominante vinha sendo clara: ampliar as exportações para reduzir gradualmente esse excedente. No entanto, o anúncio recente do governo federal sobre a aquisição de 310 mil toneladas de arroz em casca, por meio da Aquisição do Governo Federal (AGF), introduziu um novo elemento de enorme incerteza.

Embora a justificativa oficial — recompor estoques públicos, fortalecer a Política de Garantia de Preços Mínimos e mitigar riscos associados ao El Niño — seja compreensível sob a ótica da política agrícola, o mercado reagiu com muito receio. Persistem dúvidas sobre a operacionalização da medida. Mais do que isso, cresce o receio de que o anúncio estimule uma retenção ainda maior dos estoques justamente quando o mercado começava a ganhar tração e em um momento considerado decisivo para o desempenho das exportações.

Momento decisivo

O mercado do arroz atravessa um momento decisivo. Após mais de um ano de margens negativas, perdas financeiras, sucessivos eventos climáticos extremos no Rio Grande do Sul e um ambiente de crédito cada vez mais restritivo, qualquer mudança nas expectativas tende a produzir efeitos imediatos sobre o comportamento dos agentes.

Nesse contexto, torna-se ainda mais importante que eventuais intervenções sejam cuidadosamente calibradas, amplamente esclarecidas e implementadas de forma previsível, evitando gerar sinais contraditórios justamente quando o mercado começava a encontrar, por seus próprios fundamentos, um caminho gradual de reequilíbrio.

Mais do que medidas pontuais, o setor necessita de políticas estruturantes capazes de enfrentar seus verdadeiros desafios: elevados custos de produção, restrições ao crédito, dificuldades de investimento, aumento do custo financeiro, infraestrutura, competitividade e mecanismos eficientes de gestão de risco.

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A recuperação da cadeia produtiva dependerá, sobretudo, da capacidade de fortalecer esses pilares, preservando o funcionamento dos mecanismos de mercado e proporcionando maior segurança para produtores, indústrias e demais partícipes.

Em um ambiente ainda fragilizado, decisões baseadas em fundamentos, planejamento e previsibilidade serão determinantes para consolidar um processo sustentável de recuperação. Afinal, o mercado pode conviver com oscilações de preços, mas dificilmente absorve, sem custos, incertezas adicionais em um momento de reconstrução tão delicado.

*Evandro Oliveira é graduado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e especialista de Safras & Mercado para as culturas de arroz e feijão

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OIA reduz estimativa para produção de açúcar no Centro-Sul em 2026/27

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A produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil pode ficar abaixo de 38 milhões de toneladas na safra 2026/27, segundo a Organização Internacional do Açúcar (OIA). A revisão foi apresentada no relatório de mercado de setembro, após a entidade reduzir sua projeção anterior, de 39 milhões de toneladas. O ajuste ocorre em meio ao avanço das chuvas, que tem prejudicado a colheita e a moagem de cana-de-açúcar.

Segundo a OIA, a produção na região terá dificuldades para alcançar 38 milhões de toneladas e poderá ficar bem abaixo desse volume se as chuvas previstas se confirmarem. Na primeira quinzena de setembro, as usinas do Centro-Sul processaram 30,2 milhões de toneladas de cana, queda superior a 30% em relação ao mesmo período do ano passado.

No mesmo intervalo, a produção de açúcar somou 2,2 milhões de toneladas, ante 3,6 milhões de toneladas um ano antes. Com isso, o volume acumulado desde 1º de abril chegou a 26,1 milhões de toneladas até meados de setembro, abaixo das 30,4 milhões de toneladas registradas no mesmo período da safra anterior. Em 2025/26, a região produziu 40,4 milhões de toneladas de açúcar.

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O ritmo de moagem também perdeu força ao longo da safra. Em meados de agosto, o processamento acumulado de cana ainda estava 2,1% acima do observado um ano antes. Agora, está 1,5% abaixo, em 443,7 milhões de toneladas.

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Outro fator destacado pela entidade é a maior destinação de matéria-prima para o etanol. Até o momento, as usinas direcionaram 53,8% do Açúcar Total Recuperável (ATR) disponível para a fabricação do biocombustível, acima dos 47,7% verificados na mesma etapa da temporada passada. De acordo com a OIA, os preços do etanol subiram, elevando a paridade entre açúcar e etanol para cerca de 16 centavos de dólar por libra-peso, sem considerar o subsídio aos combustíveis introduzido recentemente.

Nas exportações, os embarques brasileiros de açúcar bruto também recuaram. Em agosto, o volume foi de 2,7 milhões de toneladas, contra 3,7 milhões de toneladas no mesmo mês de 2025. De janeiro a agosto, os embarques ficaram 2,2 milhões de toneladas abaixo dos registrados em igual intervalo do ano passado.

Apesar da perspectiva de menor oferta na temporada atual, a OIA observou que usinas brasileiras estariam realizando operações expressivas de hedge para 2027, aproveitando preços mais elevados. Segundo o relatório, esse movimento indica planos de ampliar a produção de açúcar no próximo ano.

Fonte: Estadão Conteúdo

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USDA destina US$ 86,6 milhões a projetos para culturas especiais nos EUA

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O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou nesta quarta-feira (14) a destinação de US$ 86,6 milhões para 609 projetos voltados ao aumento da competitividade de culturas especiais em 56 Estados e territórios do país. Os recursos serão concedidos por meio do Programa de Subvenções para Culturas Especiais (SCBGP), administrado pelo Serviço de Marketing Agrícola (AMS) do USDA.

Segundo o USDA, os projetos contemplados abrangem pesquisa, desenvolvimento de variedades de sementes, combate a pragas e doenças, segurança alimentar, educação nutricional e ações de marketing para ampliar o acesso dos produtores ao mercado.

O programa atende cadeias produtivas de frutas, hortaliças, nozes, frutas secas e plantas ornamentais, entre outras culturas enquadradas como especiais nos Estados Unidos. A proposta é direcionar recursos para iniciativas que fortaleçam a competitividade desses segmentos em diferentes frentes da produção e da comercialização.

Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!

Entre os valores informados para os beneficiários, o Estado de Michigan receberá mais de US$ 2,64 milhões. A Flórida contará com mais de US$ 4,3 milhões, enquanto o Texas terá mais de US$ 2 milhões e a Geórgia, mais de US$ 1,7 milhão.

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A distribuição dos recursos alcança um conjunto amplo de projetos e territórios, com foco em temas técnicos e comerciais ligados às culturas especiais. Entre os eixos apoiados pelo programa estão medidas voltadas à melhoria de material genético, ao enfrentamento de problemas fitossanitários e à expansão das condições de comercialização para os produtores.

Com o anúncio, o USDA confirma a liberação de US$ 86,6 milhões para 609 projetos do SCBGP, abrangendo 56 Estados e territórios e diferentes cadeias de culturas especiais nos Estados Unidos.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Dólar em baixa pressiona mercado de etanol e açúcar

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Os preços dos derivados da cana-de-açúcar, como o etanol e o açúcar cristal, seguem em trajetória de alta, segundo análise divulgada nesta quarta-feira (14) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

A valorização do real frente ao dólar tende a reduzir a competitividade dos produtos brasileiros no mercado externo, enquanto as chuvas continuam dificultando a produção de cana-de-açúcar. O cenário também é marcado por expectativas de retração da demanda.

O preço do açúcar já acumula alta de 2,20% no mês, mantendo o crescimento desde julho, porém de forma menos expressiva esta semana. A alta do dólar desfavoreceu as exportações, mas a baixa oferta no exterior ajudou a segurar as cotações na bolsa de Nova York e evitou uma queda. Nacionalmente, por conta da concentração do produto no mercado interno, o saldo foi neutro e os preços praticamente se mantiveram.

Já os preços do etanol hidratado subiram com mais força que os do açúcar no mercado paulista (2,87%). O feriado de 12 de outubro (Dia de Nossa Senhora Aparecida) alavancou a demanda pelo combustível e interrompeu a sequência de ligeiras quedas das últimas semanas. O Cepea também observou uma postura mais firme dos vendedores, distribuidoras precisaram aceitar os preços mais altos para garantir seus estoques.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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