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4 de novembro de 2026

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Entre fundamentos mais sólidos e novas incertezas: o delicado ponto de inflexão do mercado de arroz

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Foto: Erasmo Pereira/Epamig

Nos últimos meses, o mercado brasileiro de arroz passou a emitir sinais que dificilmente podem ser ignorados. Depois de um longo período marcado por margens negativas em virtude do excesso de oferta, observa-se uma mudança gradual na dinâmica de formação dos preços. A recuperação das cotações deixou de ser sustentada apenas por fatores pontuais e passou a refletir, cada vez mais, fundamentos ligados à disponibilidade física, ao comportamento dos produtores e ao ritmo das exportações.

Ainda é cedo para afirmar que o setor ingressou em um novo ciclo plenamente consolidado, mas é evidente que o mercado já não apresenta a mesma configuração observada durante os últimos semestres.

Mudança de comportamento

Grande parte dessa mudança decorre da redução gradual da oferta disponível. A comercialização tornou-se mais seletiva, a dificuldade de originação aumentou em praticamente todas as regiões produtoras e os produtores passaram a administrar seus estoques de forma muito mais estratégica.

Depois de comercializar parcela significativa da produção em níveis considerados insuficientes para remunerar os custos, muitos optam por vender apenas volumes necessários para atender compromissos financeiros imediatos. Essa mudança de comportamento ocorre justamente quando o setor passa a incorporar expectativas relacionadas à safra 2026/27.

O horizonte, sob essa perspectiva, tornou-se mais construtivo. Nos Estados Unidos, queda expressiva da área cultivada e da disponibilidade exportável tende a diminuir a concorrência internacional. Na Ásia, embora os grandes exportadores continuem ativos, observa-se um ambiente de oferta cada vez mais ajustado e maior preocupação com a oferta futura.

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No Brasil, além da redução da área cultivada, ganha força a percepção de que os elevados custos de produção, as restrições de crédito e os riscos associados aos impactos do El Niño poderão limitar investimentos, reduzir o nível tecnológico das lavouras e afetar severamente a produtividade. Caso esse conjunto de fatores se confirme, a oferta futura poderá tornar-se mais restrita, favorecendo um balanço mais equilibrado entre oferta e demanda ao longo de 2027.

Arroz na balança comercial

Entretanto, nenhuma variável tem exercido influência tão decisiva quanto a balança comercial. As exportações passaram a desempenhar papel central na sustentação das cotações, funcionando como o principal mecanismo de redução dos excedentes internos e de reequilíbrio entre oferta e demanda.

Entre março e junho deste ano, o Brasil embarcou mais de 670 mil toneladas (base casca), acumulando um superávit comercial próximo de 53 mil toneladas, resultado que reforçou a importância estratégica do mercado externo para aliviar os elevados estoques domésticos. Em julho, contudo, o ritmo mostrou perda parcial de fôlego: até a quarta semana, as exportações somavam 130,4 mil toneladas (base casca), enquanto as importações alcançavam 143,6 mil toneladas, gerando um déficit parcial de 13,2 mil toneladas.

Apesar disso, o line-up permanece robusto, com embarques destinados à Venezuela, além de cargas programadas para outros mercados, indicando continuidade do fluxo exportador. O desafio, entretanto, continua sendo expressivo.

O setor trabalha com a meta de aproximadamente 2 milhões de toneladas exportadas nesta temporada, objetivo considerado crucial para acelerar a redução dos excedentes internos, consolidar o processo de reequilíbrio do mercado e criar condições para uma recuperação mais consistente das cotações ao longo dos próximos meses.

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Estoques públicos

E é justamente nesse ponto que surge a principal preocupação dos agentes. O mercado iniciou a temporada com estoques superiores a 2 milhões de toneladas, volume que ainda funciona como um importante amortecedor da recuperação dos preços. A estratégia predominante vinha sendo clara: ampliar as exportações para reduzir gradualmente esse excedente. No entanto, o anúncio recente do governo federal sobre a aquisição de 310 mil toneladas de arroz em casca, por meio da Aquisição do Governo Federal (AGF), introduziu um novo elemento de enorme incerteza.

Embora a justificativa oficial — recompor estoques públicos, fortalecer a Política de Garantia de Preços Mínimos e mitigar riscos associados ao El Niño — seja compreensível sob a ótica da política agrícola, o mercado reagiu com muito receio. Persistem dúvidas sobre a operacionalização da medida. Mais do que isso, cresce o receio de que o anúncio estimule uma retenção ainda maior dos estoques justamente quando o mercado começava a ganhar tração e em um momento considerado decisivo para o desempenho das exportações.

Momento decisivo

O mercado do arroz atravessa um momento decisivo. Após mais de um ano de margens negativas, perdas financeiras, sucessivos eventos climáticos extremos no Rio Grande do Sul e um ambiente de crédito cada vez mais restritivo, qualquer mudança nas expectativas tende a produzir efeitos imediatos sobre o comportamento dos agentes.

Nesse contexto, torna-se ainda mais importante que eventuais intervenções sejam cuidadosamente calibradas, amplamente esclarecidas e implementadas de forma previsível, evitando gerar sinais contraditórios justamente quando o mercado começava a encontrar, por seus próprios fundamentos, um caminho gradual de reequilíbrio.

Mais do que medidas pontuais, o setor necessita de políticas estruturantes capazes de enfrentar seus verdadeiros desafios: elevados custos de produção, restrições ao crédito, dificuldades de investimento, aumento do custo financeiro, infraestrutura, competitividade e mecanismos eficientes de gestão de risco.

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A recuperação da cadeia produtiva dependerá, sobretudo, da capacidade de fortalecer esses pilares, preservando o funcionamento dos mecanismos de mercado e proporcionando maior segurança para produtores, indústrias e demais partícipes.

Em um ambiente ainda fragilizado, decisões baseadas em fundamentos, planejamento e previsibilidade serão determinantes para consolidar um processo sustentável de recuperação. Afinal, o mercado pode conviver com oscilações de preços, mas dificilmente absorve, sem custos, incertezas adicionais em um momento de reconstrução tão delicado.

*Evandro Oliveira é graduado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e especialista de Safras & Mercado para as culturas de arroz e feijão

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Ventos de até 250 km/h e temporais destroem lavouras de soja, milho e tabaco no Sul

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Fortes temporais atingem com força o Sul do país desde a tarde desta terça-feira (3). No Rio Grande do Sul muitas lavouras foram destruídas pelo granizo. Em Santa Catarina, estragos em diversas regiões, enquanto no Paraná foi confirmada a passagem de um tornado.

Em território gaúcho, após dias de altas temperaturas, os temporais vieram com força. As cidades mais atingidas ficam no norte e noroeste, mas também há estragos na Fronteira e Vale do Taquari.

Entre os transtornos estão alagamentos com rompimento de estradas, galpões destelhados e muitos danos em lavouras, especialmente as de milho, que já estavam em estádios mais avançados, indo para floração.

Conforme a Defesa Civil, foram registradas ocorrências em 62 municípios gaúchos. Quatro pessoas ficaram feridas. Além do milho, também houve danos em plantações de soja e em culturas como uva, além de outros cereais de inverno que estavam em período de colheita.

Estragos em SC e tornado no Paraná

Chuvas fortes e granizo também alcançaram várias cidades de Santa Catarina. Produtores relataram muitos prejuízos nas lavouras de tabaco, algumas com 100% de perdas. Conforme a Defesa Civil catarinense, ventos acima de 90 km/hora derrubaram estruturas do Aeroporto de Chapecó, no oeste do estado.

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Já no Paraná, meteorologistas do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do estado (Simepar), confirmaram que o fenômeno que atingiu Maringá, no norte paranaense, na última segunda-feira (2), foi um tornado.

O coordenador de Operações do órgão, Marco Jusevicius, ressaltou que as informações meteorológicas disponíveis sobre o evento levaram à definição do fenômeno como de categoria F2, cuja velocidade varia entre 180 km/h a 250 km/h.

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Produtor de tabaco poderá acompanhar a classificação das folhas dentro de sua propriedade

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O Projeto de Lei (PL) 119/2023, que trata da classificação do tabaco produzido no Paraná, foi aprovado pela Assembleia Legislativa do estado (Alep) nesta quarta-feira (4).

A proposta permite que a seleção das folhas seja realizada na própria propriedade rural ou na integradora. Na visão do setor, a mudança amplia as possibilidades de acompanhamento de uma etapa que influencia diretamente o preço pago ao fumicultor.

Para o Sistema Faep, a nova lei representa um avanço em uma discussão de anos. Em abril de 2025, por exemplo, a entidade mobilizou 700 fumicultores de 18 municípios para uma audiência pública na Alep, em Curitiba, dedicada ao projeto e às condições de comercialização do tabaco.

A participação dos agricultores levou ao debate as dificuldades enfrentadas por quem produz longe das unidades de recebimento e classificação. Anteriormente, a concentração dessa etapa em poucas localidades limitava o acompanhamento da análise e dificultava a contestação quando o produtor discordava da classificação atribuída às folhas.

“A aprovação do projeto representa um avanço para os produtores de tabaco do Paraná. A possibilidade de acompanhar a classificação na propriedade aproxima o fumicultor de uma etapa decisiva da comercialização e amplia as condições para negociar”, afirma Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema Faep.

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Classificação do tabaco

A classificação do tabaco é uma análise técnica que organiza as folhas em classes, conforme características e outros critérios estabelecidos pela Instrução Normativa 10/2007 do Ministério da Agricultura (Mapa). O enquadramento interfere diretamente no preço do produto e, consequentemente, na renda do fumicultor.

“A possibilidade de realizar a classificação diretamente na propriedade representa uma alternativa para ampliar a transparência e a equidade nesse processo. Essa modalidade permite que o fumicultor, que tem dificuldades em se deslocar até a indústria, acompanhe o procedimento no próprio local de produção, conheça a classificação atribuída e discuta as condições da venda”, diz a técnica do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep Cibelle Tamiris de Oliveira.

Para o presidente da entidade, além de reduzir as dificuldades logísticas e os custos relacionados ao deslocamento da carga, a medida possibilita que eventuais divergências sejam discutidas no momento da avaliação, fortalecendo a participação do produtor nas decisões relativas à comercialização de sua produção.

“Até então existia esse conflito de análise e precificação. Como está distante das áreas de industrialização, o fumicultor acabava aceitando a condição da indústria. Agora existe a possibilidade de diálogo no momento da classificação”, afirma Meneguette.

O Brasil é, atualmente, o maior exportador mundial do produto, respondendo, anualmente, por uma parcela de 20% do comércio global. A produção brasileira está concentrada na Região Sul. O Paraná é o terceiro maior produtor nacional de tabaco, atrás do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

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O município paranaense de São João do Triunfo, maior produtor sul-brasileiro, teve produção de 25 mil toneladas em 10,4 mil hectares em 2025.

Em 2025, o tabaco alcançou quase R$ 3,7 bilhões em Valor Bruto da Produção (VBP) no Paraná, em uma área de 83 mil hectares. Na safra 2025/26, cerca de 27 mil produtores paranaenses se dedicaram à atividade, conforme a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra).

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Quedas em Chicago pressionam preços da soja no Brasil e afastam produtores das negociações

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O mercado brasileiro de soja apresentou preços predominantemente mais baixos nesta quarta-feira (4), embora as perdas tenham sido moderadas. De acordo com o analista da Safras & Mercado., Rafael Silveira, a queda das cotações na Bolsa de Chicago pressionou os preços domésticos, enquanto o dólar não ofereceu sustentação às referências.

Os prêmios de exportação também não apresentaram ajustes significativos ao longo do dia. Diante desse cenário, os produtores permaneceram afastados das negociações, enquanto as tradings trabalharam com poucas ofertas.

No mercado físico, os preços da soja registraram as seguintes movimentações:

• Passo Fundo (RS): caiu de R$ 153,50 para R$ 152,50

• Santa Rosa (RS): caiu de R$ 154,50 para R$ 153,50

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• Cascavel (PR): caiu de R$ 149,00 para R$ 148,00

• Rondonópolis (MT): caiu de R$ 141,00 para R$ 140,00

• Dourados (MS): manteve em R$ 140,00

• Rio Verde (GO): caiu de R$ 142,00 para R$ 141,00

• Paranaguá (PR): caiu de R$ 160,00 para R$ 159,00

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• Rio Grande (RS): caiu de R$ 161,50 para R$ 160,50

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja fecharam em baixa na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), nesta quarta-feira. A queda do petróleo e o cenário fundamental pressionam os contratos, que atingiram os menores níveis em onze semanas.

O bom avanço da colheita nos Estados Unidos pressiona o mercado pelo lado da oferta. Os americanos estão disponibilizando a maior safra da história. Apesar das recentes vendas, a demanda por parte da China frustrou as expectativas e completa o cenário fundamental negativo.

Os exportadores privados norte-americanos reportaram ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a venda de 167.000 toneladas de soja para a Espanha, a serem disponibilizadas na temporada 2026/27.

Contratos futuros de soja

Os contratos da soja em grão com entrega em janeiro fecharam com baixa de 11,75 centavos de dólar ou 0,96%, a US$ 12,02 1/4 por bushel. A posição março teve cotação de US$ 12,10 1/4 por bushel, com retração de 10,50 centavos de dólar ou 0,86%.

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Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou com alta de US$ 0,60 ou 0,18% a US$ 318,60 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 63,53 centavos de dólar, com perda de 1,75 centavo ou 2,68%.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão com baixa de 0,65%, negociado a R$ 5,4502 para venda e a R$ 5,4482 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,4497 e a máxima de R$ 5,4977.

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