Sustentabilidade
Com exportações recordes e preços domésticos em alta, mercado de algodão tem maio movimentado – MAIS SOJA

Em maio, enquanto os negócios domésticos de algodão em pluma foram pontuais, as exportações continuaram em ritmo acelerado e foram as maiores da história para o mês, além de já terem superado o registrado em toda a safra passada – mesmo faltando dois meses para o fim da temporada. Ainda assim, a comercialização no mercado interno permaneceu mais vantajosa em termos de preços.
Os embarques brasileiros de algodão em pluma somaram 291,17 mil toneladas em maio, segundo dados da Secex. Embora o volume tenha ficado 21,4% abaixo do registrado em abril/26, superou em 51,5% o verificado em todo o mês de maio/25, configurando-se como o maior volume da história para este mês.
Na parcial da safra 2025/26 (de agosto/25 até maio/26), os embarques ficaram por volta das 3 milhões de toneladas, volume 6% superior ao total exportado em toda a safra passada (entre agosto/24 e julho/25), quando o Brasil enviou 2,84 milhões de toneladas ao mercado externo. Considerando-se os últimos 12 meses, o acumulado de vendas internacionais somou 3,26 milhões de toneladas, um novo recorde.
Quanto aos preços, a média das exportações foi de US$ 0,7004/lp em maio/26, alta de 2% frente à de abril/26, mas ficou 4,1% inferior à registrada em maio/25. Em moeda nacional, a média equivale a R$ 3,4919/lp, 17,3% abaixo do praticado no mercado spot interno, de R$ 4,2217/lp. Trata-se da maior diferença negativa desde setembro de 2022, quando as exportações ficaram 21% abaixo da cotação doméstica.
MERCADO INTERNO – Mesmo com oscilações ao longo do mês, a cotação do algodão em pluma subiu em maio pelo quarto mês consecutivo. A postura firme dos vendedores que ainda detêm lotes remanescentes da safra 2024/25, especialmente de qualidade superior, manteve os preços em alta no mês. Ao mesmo tempo, a cautela de compradores limita a liquidez do mercado, resultando em negociações pontuais e na disputa entre agentes quanto aos preços Produtores seguem atentos ao desenvolvimento da próxima temporada e continuam cumprindo os contratos a termo.
Dessa forma, boa parte dos cotonicultores permanece capitalizada, o que contribui para o baixo interesse em novas negociações e para a sustentação das ofertas de venda. Além disso, o bom ritmo das exportações ajuda a escoar o excedente disponível Do lado comprador, indústrias seguem cautelosas e adquirem a fibra de forma pontual, especialmente devido às dificuldades em repassar os maiores custos da pluma aos produtos manufaturados. Algumas empresas relatam que a matéria-prima já estocada e contratada é suficiente para atender à demanda atual, diante do desempenho ainda limitado das vendas. Há também relatos de redução da produção e de substituição parcial da pluma por outros insumos, inclusive fios. Nesse contexto, comerciantes buscam viabilizar negócios “casados”.
O Indicador CEPEA/ESALQ do algodão em pluma (pagamento em oito dias) avançou 3,31% entre 30 de abril e 29 de maio, encerrando o período a R$ 4,2793/lp, o maior valor nominal desde 16 de junho de 2025, quando atingiu R$ 4,3643/lp
A cotação interna ficou, em média, 5,4% acima da paridade de exportação em maio, o que marca o quinto mês consecutivo de vantagem para o mercado doméstico. A média mensal do Indicador CEPEA/ESALQ foi de R$ 4,2217/lp em maio/26, avanço de 5,6% frente a abril.
Na comparação com maio do ano anterior, contudo, houve queda real de 5,49%, considerando-se os valores deflacionados pelo IGP-DI de abril/26. Em dólar, a média do Indicador foi de US$ 0,8444/lp em maio, 3,7% acima do primeiro vencimento negociado na Bolsa de Nova York (ICE Futures), de US$ 0,8146/lp, mas ainda 8,4% abaixo da média de US$ 0,9215/lp do Índice Cotlook A, referência internacional para a pluma posta no Extremo Oriente. Vale ressaltar que as médias da cotação interna e do Índice Cotlook Aalcançaram os níveis nominais mais elevados desde março de 2024, enquanto a média do primeiro vencimento em Nova York foi a mais alta desde abril daquele mesmo ano.
MERCADO INTERNACIONAL – A paridade de exportação (FAS), calculada pelo Cepea, recuou 2,17% entre 30 de abril e 29 de maio, para R$ 3,7724/lp (US$ 0,7476/lp) no porto de Santos (SP) e R$ 3,7830/lp (US$ 0,7497/lp) em Paranaguá (PR). A pressão veio da queda de 3,85% no Índice Cotlook A, que fechou em US$ 0,8610/lp em 29 de maio. No mesmo período, o dólar se valorizou 1,8% frente ao Real, a R$ 5,046.
Na Bolsa de Nova York, após as expressivas altas observadas nos meses anteriores, os primeiros contratos futuros voltaram a recuar em maio. Entre 30 de abril e 29 de maio, o contrato Julho/26 caiu 7,36%; o Outubro/26, 6,13%; o Dezembro/26, 8,86%; e o Março/27, 3,55%.
OFERTA E DEMANDA MUNDIAIS – As primeiras estimativas divulgadas pelo USDA em 12 de maio apontam que a produção mundial de algodão na safra 2026/27 pode alcançar 25,266 milhões de toneladas, queda de 5,4% frente à temporada 2025/26, refletindo a retração produtiva dos principais países exportadores, com exceção da Índia, que pode registrar leve avanço de 0,8%. Para o Brasil, a projeção é de 3,81 milhões de toneladas, volume 10,3% inferior ao da safra anterior, mas ainda assim o segundo maior da série histórica do Departamento.
O consumo mundial foi estimado em 26,495 milhões de toneladas, aumento de 1,3% em relação à temporada anterior. O volume supera a oferta global em 4,86% na safra 2026/27 e é o maior em seis anos. A China permanece como a principal consumidora mundial, com demanda prevista em 8,93 milhões de toneladas, crescimento de 1,2% frente à temporada 2025/26.
Segundo o USDA, as transações globais são estimadas em 9,5 milhões de toneladas na safra 202627, com recuos de 0,9% nas importações e de 1% nas exportações. Assim, o Brasil deve permanecer na liderança global das exportações, com embarques previstos em 3,27 milhões de toneladas, um novo recorde e alta de 2% em relação à safra anterior. O País pode responder por 35% das exportações mundiais, enquanto os Estados Unidos devem representar 28%. Os embarques norte-americanos podem crescer 2,5%, atingindo 2,678 milhões de toneladas.
Os estoques mundiais são estimados em 15,642 milhões de toneladas na temporada 2026/27, retração de 7% em relação à safra anterior. O estoque brasileiro deve alcançar 927 mil toneladas, queda de 17,4% em relação à temporada 2025/26, ocupando a terceira posição no ranking mundial. Nos Estados Unidos, os estoques podem recuar 11,4%, para 849 mil toneladas. Quanto aos preços, o USDA estima que o valor médio pago ao produtor norte-americano em 2026/27 seja de US$ 0,73/lp, avanço de 15,9% sobre o da safra anterior.
CAROÇO DE ALGODÃO – O ritmo de comercialização do saldo remanescente de caroço de algodão continuou enfraquecido em maio/26, embora os preços tenham permanecido firmes. Compradores estiveram cautelosos nas aquisições, especialmente diante do desempenho das vendas de torta e farelo de algodão, produtos que competem com outras alternativas disponíveis no mercado. Nesse cenário, agentes priorizaram a compra de insumos mais competitivos, especialmente o farelo de soja, favorecido pelo período de safra.
Para a temporada 2025/26, as negociações também permaneceram lentas. A expectativa de boa oferta e a disparidade entre os valores praticados por compradores e vendedores têm desestimulado a realização de contratos a termo. Segundo a Conab, a produção de caroço de algodão pode alcançar 5,637 milhões de toneladas em 2025/26, volume 2,6% inferior ao recorde observado na safra 2024/25.
No mercado spot, dados do Cepea mostram que a média do caroço em Campo Novo do Parecis (MT) foi de R$ 903,35/t em maio/26, alta de 6,8% frente a abril, mas queda de 48,2% em relação a maio/25. Em Lucas do Rio Verde (MT), a média atingiu R$ 887,56/t, avanço de 3,8% no mês, mas retração de 48,7% no comparativo anual. Em Primavera do Leste (MT), o valor médio foi de R$ 991,37/t, com alta mensal de 2,2%, mas recuo anual de 43,4%. Em São Paulo (SP), a média foi de R$ 1.423,97/t, recuos de 2,4% frente a abril e de 27,2% em relação a maio do ano passado. Já em Barreiras (BA), a média foi de R$ 1.085,94/t, com quedas de 10,8% no mês e de 47,2% na comparação anual.
Fonte: Cepea

Sustentabilidade
Soja fecha outubro em queda no Brasil; o que esperar do mercado em novembro?

Os preços da soja recuaram nas principais praças brasileiras ao longo de outubro. A movimentação no mercado físico perdeu ritmo diante do afastamento dos produtores, que priorizaram os trabalhos de plantio da nova safra. A desvalorização dos contratos futuros na Bolsa de Chicago também pressionou as cotações, enquanto a forte valorização do dólar na reta final do mês ajudou a amenizar as perdas no mercado interno.
Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos começou outubro cotada a R$ 155,50 e encerra o mês a R$ 153,00. Em Cascavel (PR), o preço passou de R$ 150,50 para R$ 149,00. Já em Rondonópolis (MT), a cotação recuou de R$ 148,00 para R$ 141,00. No Porto de Paranaguá, o referencial caiu de R$ 161,50 para R$ 160,00.
Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), os contratos com vencimento em janeiro, os mais negociados, acumularam queda de 6,05% em outubro, encerrando o período a US$ 12,30 por bushel. A boa evolução da colheita nos Estados Unidos, que caminha para uma safra recorde, pesou sobre as cotações e se sobrepôs ao suporte oferecido pela demanda chinesa.
No mercado cambial, o dólar encerra outubro com valorização superior a 5%. A moeda chegou a ser negociada abaixo de R$ 5,00 após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, mas avançou para patamares acima de R$ 5,60 após o resultado do segundo turno, que confirmou a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Na manhã de 30 de outubro, a cotação estava em R$ 5,43.
Plantio da soja avança no Brasil
Enquanto o mercado acompanha a movimentação dos preços, os trabalhos de campo seguem em ritmo satisfatório. Segundo levantamento da Safras & Mercado, o plantio da safra brasileira de soja 2026/27 alcançou 42,3% da área prevista até 23 de outubro. No mesmo período do ano passado, o índice era de 34,1%. A média histórica para a época é de 41%.
A produção brasileira de soja na temporada 2026/27 está estimada em 181,837 milhões de toneladas, alta de 2% em relação às 178,341 milhões de toneladas projetadas para a safra anterior. Na estimativa precedente, a produção era calculada em 180,089 milhões de toneladas.
A área plantada deverá crescer 2,1%, passando de 48,543 milhões de hectares em 2025/26 para 49,542 milhões de hectares na nova temporada. Por outro lado, a produtividade média deve apresentar leve recuo, de 3.692 para 3.689 quilos por hectare, conforme a projeção da consultoria.
Sustentabilidade
Análise semanal do mercado: em pouco mais de um mês o milho perdeu quase um dólar de seu valor em Chicago. – MAIS SOJA

A cotação do milho, em Chicago, chegou a fechar o primeiro mês em US$ 4,48/bushel no dia 27/10, passando a US$ 4,51 na quinta-feira (29), contra US$ 4,60 uma semana antes. No dia 27/10 tivemos a mais baixa cotação desde o dia 13/08. Lembrando que o cereal chegou a US$ 5,43 no dia 21/09. Ou seja, em pouco mais de um mês o milho perdeu quase um dólar de seu valor em Chicago.
A pressão da colheita nos EUA vem reduzindo o preço do cereal. A mesma, até o dia 25/10, atingia a 60% da área semeada, contra 66% na média histórica.
Já na vizinha Argentina, o adido do USDA em Buenos Aires projeta uma produção de 62 milhões de toneladas de milho em 2026/27, o que seria 7 milhões a mais do que o relatório de oferta e demanda do próprio USDA anunciou em outubro. Segundo a mesma fonte, a Argentina deverá exportar 43 milhões de toneladas do cereal neste novo ano comercial, confirmando a maior concorrência para com o milho brasileiro. O adido também considerou uma área semeada de 8 milhões de hectares e uma produtividade média de 7.750 quilos/hectare. O consumo interno argentino seria de 19,1 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais atingiriam 5,6 milhões.
Entretanto, será preciso esperar o final da colheita, pois a Bolsa de Buenos Aires aponta que no oeste e no sul da região agrícola do vizinho país a umidade e baixas temperaturas estão atrasando o plantio, o qual está em 39,8% da área esperada. A mesma Bolsa avança uma projeção de colheita de 66 milhões de toneladas, superando largamente o que o adido estadunidense aponta.
E aqui no Brasil, diante da dificuldade nas exportações, pois, como vimos, a concorrência externa, especialmente da Argentina, está forte, os preços sofrem pressão baixista, embora ainda se mantenham em níveis mais elevados do que os praticados no primeiro semestre. Os mesmos oscilam entre R$ 44,00 e R$ 60,00/saco, destacando que muitas praças nacionais estavam sem cotação nesta última semana de outubro. De fato, a dificuldade para escoar a produção brasileira e a perda de competitividade nas exportações derrubaram os preços do milho no interior do país.
Desde setembro, o saco do produto recuou 22% em Sorriso (MT) e 19% em Rio Verde (GO), por exemplo. Uma retomada dos preços estaria na dependência das compras internas, esperada a partir de dezembro. O problema nas exportações pode impedir que o país alcance até mesmo as 38 milhões de toneladas exportadas, quando o esperado no início do ano era 42 milhões. Isso significa maior disponibilidade interna do cereal, o que se soma a um cenário positivo esperado para a safra de verão, que avança uma projeção de colheita ao redor de 32 milhões de toneladas.
Além disso, o recuo das cotações internacionais, somado às fortes oscilações do câmbio tem influenciado para a redução da paridade de exportação (salvo nesta última semana devido ao comportamento atípico do câmbio devido ao resultado das eleições brasileiras) e contribuído para as baixas no mercado interno.
Compradores seguem cautelosos nas novas negociações, observando o ritmo da semeadura que, apesar do elevado volume de chuvas, vem ocorrendo de forma satisfatória, mantendo as boas previsões de oferta nos próximos meses. Do lado vendedor, produtores têm se mostrado mais flexíveis na comercialização, com receio de novas desvalorizações e/ou para formar caixa (cf. Cepea).
Dito isso, o plantio da primeira safra de milho 2026/27 chegou a 40% da área prevista no Brasil até 23 de outubro, segundo levantamento da Conab, contra 38,9% na média.
Por sua vez, as exportações de milho, por parte do Brasil, continuam em ritmo abaixo das registradas no ano passado. Nos 16 primeiros dias úteis de outubro, o Brasil exportou cerca de 4,15 milhões de toneladas do cereal, segundo dados divulgados pela Secex. A média diária ficou 12,1% abaixo da média registrada em outubro de 2025. O Brasil precisaria embarcar 6 milhões de toneladas em novembro, outros 6 milhões em dezembro e cerca de 5 milhões em janeiro para alcançar as 38 milhões de toneladas exportadas no atual ano comercial (cf. Agrinvest).
Já no mercado interno do cereal, a produção de etanol de milho continua crescendo.
Segundo o Imea, o país produziu 2,9 milhões de metros cúbicos de etanol de milho entre julho e setembro de 2026, volume 23,7% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. No mesmo intervalo, a produção total de etanol no Brasil somou 14,51 milhões de metros cúbicos, alta de 0,8% na comparação anual. Com isso, a participação do etanol de milho, na produção nacional, passou de 16,29% em julhosetembro de 2025 para 20% em julho-setembro de 2026. O Mato Grosso segue como principal polo desse movimento. Entre julho e setembro de 2026, o estado produziu 1,76 milhão de metros cúbicos de etanol de milho, o equivalente a 60,72% do total estimado no país. Na sequência aparecem Mato Grosso do Sul, com 539.220 metros cúbicos, Goiás, com 262.020, e Maranhão, com 220.290 metros cúbicos. Juntos, esses quatro estados concentraram 95,92% da produção brasileira de etanol de milho no período. Uma das vantagens do milho para a indústria é a possibilidade de formação de estoques, o que permite abastecer as usinas ao longo de todo o ano. Diferentemente da cana-de-açúcar, essa característica reduz a dependência de uma
safra concentrada e favorece a continuidade das operações industriais.
Autor/Fonte: Prof. Dr. Argemiro Luís Brum – Professor Titular do PPGDR da UNIJUI, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (PPGDR/FIDENE/UNIJUI).
Fonte: CEEMA – UNIJUÍ
Sustentabilidade
Análise semanal do mercado da soja: cotações, em Chicago, continuaram derretendo nesta última semana de outubro – MAIS SOJA

As cotações da soja, em Chicago, continuaram derretendo nesta última semana de outubro. O bushel da oleaginosa fechou a quinta-feira (29) em US$ 12,19, após US$ 12,24 na véspera e US$ 12,53 uma semana antes. Portanto, o primeiro mês cotado, depois de alcançar o nível de US$ 13,28/bushel no dia 21/09, despencou desde então, perdendo mais de um dólar em pouco mais de um mês.
Os motivos são: a forte pressão da colheita nos EUA (no dia 25/10 os produtores estadunidenses já haviam colhido 79%, contra 77% na média histórica, de uma área que deverá render um total de pouco mais de 124 milhões de toneladas – um recorde para aquele país); o avanço do plantio na América do Sul, onde se espera uma colheita também recorde no Brasil, com pouco mais de 181 milhões de toneladas; a venda de contratos pelos Fundos, os quais estavam em posição muito comprada na especulação em Chicago; a falta de novidades no front das guerras no Leste Europeu e no Oriente Médio, com o mercado absorvendo os efeitos da mesma, pelo menos até o momento.
Aqui no Brasil, as turbulências cambiais ocorridas no dia 26/10, após o resultado da eleição presidencial da véspera, levou a muitas praças a saírem do mercado. A média gaúcha ficou, na semana, em R$ 138,00/saco, enquanto nas praças nacionais que se mantiveram funcionando, os valores oscilaram entre R$ 132,00 e R$ 141,00/saco.
Em termos de câmbio, foi o mesmo que sustentou os preços nesta semana. Após chegar a R$ 5,60 no dia 26/10, contra US$ 4,99 três dias antes, o mercado cambial passou a se estabilizar chegando a R$ 5,35 no início da manhã do dia 29/10. Aos poucos o mercado deverá voltar aos níveis de antes do primeiro turno eleitoral, quando trabalhou entre R$ 5,00 e R$ 5,20 por dólar.
Afora isso, os demais elementos do mercado apontaram viés de baixa, contrabalanceados pelo fato de que o país está em plena entressafra, com exportações importantes a cada semana. Dito isso, parte do mercado alerta que se ocorrerem condições climáticas semelhantes às registradas durante o El Niño de 2023/24, pode haver redução de 9,7% na produção brasileira de soja da safra 2026/27, o que significaria uma perda de 17,6 milhões de toneladas em relação ao esperado, fato que levaria o volume final para 163,6 milhões de toneladas na próxima colheita. Um volume, inclusive, menor do que o colhido na última safra.
Por sua vez, o Brasil passou a temer as novas regulamentações da União Europeia contra o desmatamento. As mesmas podem reduzir as exportações do nosso farelo de soja para aquela região, abrindo espaço para a Argentina. O Brasil é o maior fornecedor de farelo de soja para ração animal da UE, respondendo por cerca de metade das importações do bloco no ano passado No total, nosso país exportou um volume recorde de 23,3 milhões de toneladas de farelo de soja em 2025, para todos os destinos (Cf. Federação Europeia de Fabricantes de Ração-FEFAC). Ora, a partir do dia 30 de dezembro próximo a UE “exigirá que os importadores comprovem que seus produtos não estão vinculados a terras desmatadas, com penalidades significativas em caso de descumprimento”. Pois no Brasil, nas últimas décadas, grandes áreas do centro, norte e nordeste do país se tornaram produtoras de soja em cima do desmatamento de terras, algo que não ocorreu na Argentina porque sua produção corre nas planícies do Pampa. Diante disso, a FEFAC aponta que os requisitos de rastreabilidade previstos podem excluir até 4 milhões de toneladas de farelo de soja brasileiro das importações europeias, volume que representaria 17% do total das nossas exportações do subproduto. Neste sentido, o Brasil recebeu uma recomendação de risco “médio”, com o Estado do Mato Grosso, na região CentroOeste, e outros, enfrentando “obstáculos estruturais e logísticos” que poderiam restringir a expansão de cadeias de abastecimento totalmente em conformidade com a regra europeia do desmatamento.
Pelo sim ou pelo não, a indústria argentina de esmagamento vem se preparando para ocupar o espaço, caso os exportadores brasileiros encontrem dificuldades para cumprir as regras mais rígidas da UE. Aliás, nesse sentido, na mais recente avaliação de risco, a FEFAC considerou a Argentina em risco baixo, projetando que quase toda a safra de farelo de soja do país, no primeiro semestre de 2027, atenderia aos requisitos. A Argentina é a maior exportadora mundial de farelo de soja, tendo exportado cerca de 27 milhões de toneladas no ano passado, das quais aproximadamente um quarto foi destinado ao Sudeste Asiático. O Paraguai também se posiciona positivamente para exportar aos europeus. Segundo a Câmara de Moagem de Grãos do Paraguai, o país possui “condições estruturais favoráveis” para atender aos requisitos europeus. Na região Oriental, onde é cultivada a maior parte da soja, uma lei, aprovada em 2004, proíbe o desmatamento para uso agrícola. Assim como a Argentina, o Paraguai recebeu uma recomendação de baixo
risco da FEFAC.
Enquanto isso, o plantio da safra brasileira de soja 2026/27 avançou para 42,8% da área prevista até 23 de outubro, segundo a Conab, contra a média de 40,2% das últimas cinco safras. O Mato Grosso segue puxando o avanço nacional e já alcançou 75,8% da área prevista, contra a média histórica de 70,3%. No Rio Grande do Sul, até o dia 29/10, o plantio atingia a 10% da área esperada, contra 12% na média (cf. Emater)
Enfim, segundo o escritório do USDA em Brasília, mesmo o Brasil colhendo uma safra recorde em 2026/27, os estoques finais nacionais cairiam para 3,96 milhões de toneladas, ou seja, 35% a menos do que os registrados no ano anterior. Isso porque as exportações brasileiras de soja em grão deverão alcançar 117,5 milhões de toneladas em 2026/27, com crescimento de 2,2% em relação ao ano anterior. Já o esmagamento interno da oleaginosa também deverá ser um novo recorde. O mesmo atingiria a 65 milhões de toneladas, com aumento de aproximadamente 2,4% sobre o ano anterior.
Com isso, o consumo total do grão, que inclui o processamento industrial e outras utilizações, deverá passar para 69,6 milhões de toneladas. Vale ainda destacar que a maior demanda por óleo de soja, especialmente para a produção de biodiesel, poderá ampliar a importância da indústria como compradora do grão brasileiro em 2027.
Assim, “para os produtores, a evolução das condições climáticas e a confirmação do tamanho da safra serão fundamentais para determinar se os estoques brasileiros efetivamente alcançarão os níveis projetados. Ao mesmo tempo, a expansão das exportações e da demanda industrial deverá estar entre os principais fatores de atenção para o mercado de soja em 2027” (Cf. Notícias Agrícolas)
Autor/Fonte: Prof. Dr. Argemiro Luís Brum – Professor Titular do PPGDR da UNIJUI, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (PPGDR/FIDENE/UNIJUI).
Fonte: CEEMA – UNIJUÍ
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