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Reforma tributária: contratos de venda futura de grãos acendem alerta para o lucro de produtores em 2027

A partir de 1º de janeiro de 2027, a entrada em vigor da Contribuição Sobre Bens e Serviços (CBS) mudará a dinâmica fiscal do campo. O novo tributo federal, criado pela Emenda Constitucional nº 132/2023 e regulamentado pela Lei Complementar nº 214/2025, exige que o produtor rural faça a revisão imediata de contratos de venda futura.
A pressa se justifica pelo risco de prejuízo direto no preço final da safra. Com alíquota estimada em cerca de 4% para a operação rural, a CBS será destacada separadamente na nota fiscal e somada ao valor da venda. Embora o produtor seja o responsável legal pelo recolhimento, o custo econômico deve ser da empresa compradora, que depois recupera o dinheiro como crédito tributário.
O alerta do setor é que contratos em vigor possuem brechas jurídicas em termos como “novos tributos”, “contribuições futuras” ou “encargos fiscais”. Essas cláusulas genéricas podem ser usadas por compradoras para repassar o custo do imposto ao agricultor.
Armadilha contratual
Na prática, se o contrato não estiver claro, o produtor corre o risco de sofrer um desconto indevido na hora de receber pela produção. O modelo de não cumulatividade da CBS foi desenhado para que a indústria ou a trading pague o imposto destacado e se credite dele na etapa seguinte, sem penalizar quem vende o grão.
“Podemos usar como exemplo uma venda hipotética de soja. Numa negociação de 100 sacas vendidas a R$ 100 cada, o valor da produção seria de R$ 10 mil. Sobre essa operação incidiria CBS de aproximadamente R$ 400, elevando o valor total da nota para R$ 10,4 mil”, explica José Cristovão Martins Júnior, analista tributário da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato).
O problema central reside na interpretação dessas minutas antigas ou mal redigidas para as safras de 2027. O risco é que o mercado tente aplicar a lógica do Funrural, que é cumulativo e não gera créditos, à nova contribuição federal.
“Voltando ao exemplo da soja, a preocupação é que a empresa compradora desconte os R$ 400 da CBS do pagamento ao produtor e, ao mesmo tempo, utilize posteriormente esse mesmo valor como crédito tributário junto ao governo. Ou seja: a empresa recuperaria integralmente o tributo futuramente, enquanto o produtor acabaria absorvendo sozinho o impacto financeiro da operação”, afirma Cristovão.
Para evitar o desgaste e o prejuízo, a orientação técnica é notificar formalmente os compradores, tradings e cerealistas sobre a necessidade de adequação dos contratos. O documento deve deixar expresso que o valor da CBS não será deduzido do preço negociado.
“Também estamos alertando quanto a importância de acompanhamento jurídico e tributário especializado durante a transição da reforma tributária. A entrada do imposto CBS representará uma das maiores mudanças econômicas e tributárias já enfrentadas pelo agronegócio brasileiro nas últimas décadas, exigindo planejamento, prevenção e maior atenção às negociações comerciais futuras”, conclui o analista.
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Abelha mandaguari aumenta em até 67% a produção de café arábica, aponta estudo

Um estudo conduzido pela Embrapa Meio Ambiente (SP) e instituições parceiras mostra que o manejo de abelhas nativas sem ferrão pode elevar em até 67% a produção de frutos do café arábica. Publicada na revista científica Frontiers in Bee Science, a pesquisa destaca o potencial da polinização manejada como estratégia para aumentar a produtividade e fortalecer a sustentabilidade da cafeicultura.
O trabalho avaliou o efeito da polinização suplementar realizada por Scaptotrigona depilis, conhecida como abelha mandaguari. O aumento de até 67% na produção de frutos em ramos localizados próximos às colônias reforça a eficiência da mandaguari como polinizadora do café, inclusive em cultivares autocompatíveis, isto é, variedades capazes de se autopolinizar.
Para medir esse efeito, os pesquisadores instalaram colônias em fazendas convencionais, na densidade aproximada de dez colônias por hectare, antes do início da florada. A produção foi comparada entre ramos próximos às colônias e ramos mais distantes, o que permitiu associar o ganho de rendimento à atividade das abelhas.
Saúde das colônias
Além do efeito sobre a produtividade, os pesquisadores investigaram se o uso de inseticidas neonicotinoides poderia afetar a saúde das colônias. O foco foi o tiametoxam, utilizado em safras anteriores em áreas convencionais. Durante o acompanhamento, os pesquisadores monitoraram indicadores como produção de cria, mortalidade de crias e atividade de coleta de alimentos e materiais usados na construção das estruturas internas de seus ninhos.
As avaliações ocorreram em diferentes momentos: uma semana antes da florada; uma semana logo depois da florada; e cerca de 45, 75 e 105 dias após retirada do talhão de café.
A equipe também mediu resíduos do inseticida e de seu metabólito, a clotianidina, em materiais coletados em campo, como folhas de café, néctar e pólen. A detecção confirmou que o uso de neonicotinoides deixou resíduos nos recursos florais acessíveis aos polinizadores.
Apesar disso, não foram observados impactos estatisticamente significativos sobre os parâmetros avaliados nas colônias. Indicadores como produção e mortalidade de crias não apresentaram diferenças relevantes entre colônias instaladas em áreas convencionais e aquelas mantidas em propriedades orgânicas após o período de exposição.
A atividade de coleta mostrou variações iniciais entre os sistemas, mas essas diferenças diminuíram ao longo do monitoramento.

Polinização e manejo fitossanitário
Os autores destacam duas implicações centrais para a cafeicultura. A primeira é que abelhas sem ferrão podem atuar como polinizadoras eficazes do café arábica, com potencial para elevar a produtividade mesmo em cultivares autocompatíveis, variedades capazes de se fecundar pelo próprio pólen, sem depender obrigatoriamente de outra cultivar compatível.
A segunda é que, nas condições avaliadas, o uso de defensivos dentro das recomendações técnicas não gerou danos mensuráveis às colônias, indicando que é possível conciliar a proteção das lavouras com a preservação dos polinizadores.
Conforme a primeira autora do estudo, a bióloga Jenifer Ramos, que atuou como bolsista de estímulo à inovação na Embrapa Meio Ambiente, os resultados reforçam a importância de integrar biodiversidade e produção agrícola.
“O estudo demonstra que o uso de abelhas nativas manejadas pode gerar ganhos expressivos de produtividade, ao mesmo tempo em que contribui para a conservação dos polinizadores e para o fortalecimento de sistemas agrícolas mais sustentáveis. Trata-se de uma solução baseada na natureza com grande potencial de aplicação na cafeicultura brasileira”, afirma.
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Muito além do futebol: como o agro entra em campo para viabilizar a Copa do Mundo

Antes de a bola rolar e o árbitro apitar o início da partida, o agronegócio já garantiu sua escalação como titular na Copa do Mundo. Frequentemente associado apenas às grandes exportações de commodities, o setor opera de forma estratégica e silenciosa no esporte.
Essa presença começa no elemento mais sagrado do espetáculo: o gramado dos estádios. A entrega de tapetes verdes impecáveis e resistentes exige biotecnologia e manejo avançado de solo, frutos diretos da pesquisa científica agrícola.
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Fora das quatro linhas, a cadeia do agro dita o ritmo das arquibancadas, fornecendo toda a estrutura de alimentação do evento. O setor entrega desde os ingredientes para os lanches rápidos consumidos pelo público até a matéria-prima essencial da cerveja que acompanha a comemoração da torcida.
Da infraestrutura ao consumo, fica claro que o futebol e a força do campo jogam no mesmo time. Essa conexão surpreendente foi tema de um vídeo publicado pelo Canal Rural no Instagram, que detalha como a produção rural viabiliza a experiência de atletas e torcedores.
Confira:
A Copa do Mundo de 2026 teve início em 11 de junho, nos Estados Unidos. O país é um dos antitriões desta edição junto de México e Canadá. A final ocorre em 19 de julho, no estádio de Nova Jersey/Nova York.
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Abimaq lança guia gratuito sobre armazenagem diante de déficit no setor; confira

Com estimativa de produção de 353 milhões de toneladas de grãos por ciclo, o Brasil tem capacidade para armazenar 62% desse volume, o que deixa cerca de 135 milhões de toneladas sem estrutura de estocagem.
Diante desse cenário, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) lançou o Guia Prático de Armazenagem Eficiente, disponível gratuitamente.
O material reúne orientações para produtores rurais, gestores e profissionais do agronegócio sobre práticas de armazenagem, com o objetivo de reduzir perdas, melhorar a logística e apoiar o planejamento das operações.
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Déficit afeta logística e comercialização
Segundo a Abimaq, o crescimento da produção agrícola tem ampliado o déficit de capacidade estática de armazenagem no país. A limitação da infraestrutura pode aumentar os custos logísticos, elevar as perdas e reduzir as alternativas de comercialização da produção, obrigando produtores a venderem a safra em períodos de maior oferta.
A iniciativa integra uma campanha da entidade voltada à conscientização sobre a importância dos investimentos em armazenagem para o agronegócio.
Tecnologia disponível
A associação informa que a indústria nacional dispõe de tecnologia para ampliar a infraestrutura de armazenagem. A Câmara Setorial de Equipamentos para Armazenagem de Grãos (CSEAG), vinculada à Abimaq, reúne empresas que desenvolvem sistemas e equipamentos destinados a diferentes perfis de produtores e operações agrícolas.
O Guia Prático de Armazenagem Eficiente pode ser acessado gratuitamente mediante o preenchimento de formulário disponível aqui.
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