Connect with us
5 de julho de 2026

Business

Reforma tributária: contratos de venda futura de grãos acendem alerta para o lucro de produtores em 2027

Published

on


Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A partir de 1º de janeiro de 2027, a entrada em vigor da Contribuição Sobre Bens e Serviços (CBS) mudará a dinâmica fiscal do campo. O novo tributo federal, criado pela Emenda Constitucional nº 132/2023 e regulamentado pela Lei Complementar nº 214/2025, exige que o produtor rural faça a revisão imediata de contratos de venda futura.

A pressa se justifica pelo risco de prejuízo direto no preço final da safra. Com alíquota estimada em cerca de 4% para a operação rural, a CBS será destacada separadamente na nota fiscal e somada ao valor da venda. Embora o produtor seja o responsável legal pelo recolhimento, o custo econômico deve ser da empresa compradora, que depois recupera o dinheiro como crédito tributário.

O alerta do setor é que contratos em vigor possuem brechas jurídicas em termos como “novos tributos”, “contribuições futuras” ou “encargos fiscais”. Essas cláusulas genéricas podem ser usadas por compradoras para repassar o custo do imposto ao agricultor.

Armadilha contratual

Na prática, se o contrato não estiver claro, o produtor corre o risco de sofrer um desconto indevido na hora de receber pela produção. O modelo de não cumulatividade da CBS foi desenhado para que a indústria ou a trading pague o imposto destacado e se credite dele na etapa seguinte, sem penalizar quem vende o grão.

“Podemos usar como exemplo uma venda hipotética de soja. Numa negociação de 100 sacas vendidas a R$ 100 cada, o valor da produção seria de R$ 10 mil. Sobre essa operação incidiria CBS de aproximadamente R$ 400, elevando o valor total da nota para R$ 10,4 mil”, explica José Cristovão Martins Júnior, analista tributário da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato).

O problema central reside na interpretação dessas minutas antigas ou mal redigidas para as safras de 2027. O risco é que o mercado tente aplicar a lógica do Funrural, que é cumulativo e não gera créditos, à nova contribuição federal.

“Voltando ao exemplo da soja, a preocupação é que a empresa compradora desconte os R$ 400 da CBS do pagamento ao produtor e, ao mesmo tempo, utilize posteriormente esse mesmo valor como crédito tributário junto ao governo. Ou seja: a empresa recuperaria integralmente o tributo futuramente, enquanto o produtor acabaria absorvendo sozinho o impacto financeiro da operação”, afirma Cristovão.

Para evitar o desgaste e o prejuízo, a orientação técnica é notificar formalmente os compradores, tradings e cerealistas sobre a necessidade de adequação dos contratos. O documento deve deixar expresso que o valor da CBS não será deduzido do preço negociado.

“Também estamos alertando quanto a importância de acompanhamento jurídico e tributário especializado durante a transição da reforma tributária. A entrada do imposto CBS representará uma das maiores mudanças econômicas e tributárias já enfrentadas pelo agronegócio brasileiro nas últimas décadas, exigindo planejamento, prevenção e maior atenção às negociações comerciais futuras”, conclui o analista.


Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.

O post Reforma tributária: contratos de venda futura de grãos acendem alerta para o lucro de produtores em 2027 apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.

Continue Reading

Business

Muito além do futebol: como o agro entra em campo para viabilizar a Copa do Mundo

Published

on


Da tecnologia do gramado à cerveja da torcida, o agronegócio atua como o motor invisível por trás do maior torneio do planeta

Antes de a bola rolar e o árbitro apitar o início da partida, o agronegócio já garantiu sua escalação como titular na Copa do Mundo. Frequentemente associado apenas às grandes exportações de commodities, o setor opera de forma estratégica e silenciosa no esporte.

Essa presença começa no elemento mais sagrado do espetáculo: o gramado dos estádios. A entrega de tapetes verdes impecáveis e resistentes exige biotecnologia e manejo avançado de solo, frutos diretos da pesquisa científica agrícola.

Fora das quatro linhas, a cadeia do agro dita o ritmo das arquibancadas, fornecendo toda a estrutura de alimentação do evento. O setor entrega desde os ingredientes para os lanches rápidos consumidos pelo público até a matéria-prima essencial da cerveja que acompanha a comemoração da torcida.

Da infraestrutura ao consumo, fica claro que o futebol e a força do campo jogam no mesmo time. Essa conexão surpreendente foi tema de um vídeo publicado pelo Canal Rural no Instagram, que detalha como a produção rural viabiliza a experiência de atletas e torcedores.

Confira:

A Copa do Mundo de 2026 teve início em 11 de junho, nos Estados Unidos. O país é um dos antitriões desta edição junto de México e Canadá. A final ocorre em 19 de julho, no estádio de Nova Jersey/Nova York.

O post Muito além do futebol: como o agro entra em campo para viabilizar a Copa do Mundo apareceu primeiro em Canal Rural.



Continue Reading

Business

Abimaq lança guia gratuito sobre armazenagem diante de déficit no setor; confira

Published

on


Foto gerada por IA.

Com estimativa de produção de 353 milhões de toneladas de grãos por ciclo, o Brasil tem capacidade para armazenar 62% desse volume, o que deixa cerca de 135 milhões de toneladas sem estrutura de estocagem.

Diante desse cenário, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) lançou o Guia Prático de Armazenagem Eficiente, disponível gratuitamente.

O material reúne orientações para produtores rurais, gestores e profissionais do agronegócio sobre práticas de armazenagem, com o objetivo de reduzir perdas, melhorar a logística e apoiar o planejamento das operações.

Déficit afeta logística e comercialização

Segundo a Abimaq, o crescimento da produção agrícola tem ampliado o déficit de capacidade estática de armazenagem no país. A limitação da infraestrutura pode aumentar os custos logísticos, elevar as perdas e reduzir as alternativas de comercialização da produção, obrigando produtores a venderem a safra em períodos de maior oferta.

A iniciativa integra uma campanha da entidade voltada à conscientização sobre a importância dos investimentos em armazenagem para o agronegócio.

Tecnologia disponível

A associação informa que a indústria nacional dispõe de tecnologia para ampliar a infraestrutura de armazenagem. A Câmara Setorial de Equipamentos para Armazenagem de Grãos (CSEAG), vinculada à Abimaq, reúne empresas que desenvolvem sistemas e equipamentos destinados a diferentes perfis de produtores e operações agrícolas.

O Guia Prático de Armazenagem Eficiente pode ser acessado gratuitamente mediante o preenchimento de formulário disponível aqui.

O post Abimaq lança guia gratuito sobre armazenagem diante de déficit no setor; confira apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading

Business

Plano Safra 2026/27: bastidores mostram o desafio de traduzir R$ 610 bilhões ao produtor

Published

on


Radar Rural recebe a gerente de conteúdo e produtos digitais do Canal Rural, Laila Muniz. Em discussão, a cobertura do Plano Safra

O anúncio do Plano Safra 2026/27 na última terça-feira (30) colocou mais uma vez o agronegócio no centro das atenções. Somando os recursos destinados à agricultura empresarial e à agricultura familiar, o governo federal anunciou R$ 610 bilhões em crédito para a nova temporada.

Mas, por trás do valor recorde, há um trabalho intenso para transformar uma avalanche de números, regras e mudanças em informações úteis para quem realmente precisa delas: o produtor rural.

Esse foi um dos temas do novo episódio do Radar Rural, que recebeu a gerente de conteúdo e produtos digitais do Canal Rural, Laila Muniz, para falar sobre os bastidores da cobertura do principal anúncio da política agrícola brasileira.

Cobertura começa muito antes do anúncio

Segundo Laila, acompanhar o Plano Safra não significa apenas esperar a divulgação oficial dos números.

A preparação envolve revisitar os dados da safra anterior, analisar o comportamento da contratação de crédito e entender o cenário econômico que antecede o anúncio.

“O cenário econômico baliza as decisões do governo. A gente precisa olhar como foi o desembolso ao longo do ano, como o produtor se comportou, se tomou todo o crédito disponível e quais fatores influenciaram esse movimento.”

Na avaliação dela, juros elevados, aumento do endividamento e preços mais baixos das commodities já indicavam que esta edição teria características diferentes das anteriores.

Além disso, parte do trabalho consiste em traduzir um conteúdo altamente técnico para uma linguagem acessível.

“O produtor acompanha esses temas, mas nosso papel é transformar o economês em informação prática e responder às dúvidas que surgem imediatamente.”

Números chamam atenção

O Plano Safra destinou R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial, com taxas de juros entre 8% e 12,5% ao ano.

Já a agricultura familiar contará com R$ 97,3 bilhões, por meio do Pronaf e de outras linhas de financiamento, com juros variando entre 1% e 7,5% ao ano.

Apesar do volume recorde de recursos, um ponto chamou atenção durante a análise da equipe do Canal Rural: a redução dos valores destinados ao custeio e à comercialização, enquanto as linhas de investimento receberam reforço.

Segundo Laila, esse movimento parece destoar do momento vivido pelo setor.

“O produtor pode adiar a compra de uma máquina, mas não pode deixar de comprar sementes ou insumos. Em um cenário de aperto financeiro, o custeio acaba sendo prioridade.”

Ela explica que a mudança também chamou a atenção de especialistas e de representantes do setor, levando a equipe a aprofundar a análise das novas linhas de investimento incorporadas ao programa.

Cobertura integrada entre TV e digital

Outra mudança destacada foi a integração cada vez maior entre televisão, site e redes sociais.

Além da tradicional transmissão ao vivo do anúncio, a cobertura passou a incluir bastidores, vídeos curtos, respostas rápidas às dúvidas dos produtores e maior interação nas redes sociais.

Segundo Laila, o objetivo é ampliar o alcance do conteúdo sem abrir mão da credibilidade.

“O formato digital exige objetividade. São poucos segundos para prender a atenção das pessoas, mas isso não significa perder qualidade na informação.”

Ela destaca que a missão do Canal Rural é entregar conteúdo rápido, consistente e confiável em um ambiente cada vez mais disputado.

Além dos números

Durante a conversa, a equipe também destacou que o trabalho não termina no dia do anúncio.

A cobertura continua nas semanas seguintes, com análises sobre os impactos das medidas, interpretação das regras e esclarecimento das principais dúvidas dos produtores.

Entre os temas que ainda devem ganhar espaço estão a distribuição dos recursos entre custeio e investimento, o acesso ao crédito por produtores endividados e os desafios enfrentados por mulheres no campo.

Um levantamento citado durante o programa mostra que mulheres administram cerca de 30 milhões de hectares no Brasil, mas ainda encontram mais dificuldades para acessar financiamentos, principalmente por questões relacionadas à titulação das propriedades.

Plano Safra precisa olhar o longo prazo

Outro ponto debatido foi a necessidade de pensar a política agrícola de forma mais estruturada.

Na avaliação dos participantes do Radar Rural, tanto o Plano Safra quanto temas como seguro rural e regularização fundiária exigem planejamento de longo prazo.

“O agro é estratégico para a segurança alimentar. São políticas que deveriam ser tratadas como políticas de Estado, e não apenas como ações anuais.”

O post Plano Safra 2026/27: bastidores mostram o desafio de traduzir R$ 610 bilhões ao produtor apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Agro MT