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O ‘lado bom’ da história ruim: como a alta do petróleo irriga as contas de Brasília

Quem acompanha o preço dos combustíveis sabe o peso que a crise internacional está trazendo ao bolso do cidadão .
Os conflitos no Oriente Médio empurraram o barril de petróleo para a casa dos US$ 100, encarecendo a energia no mundo todo .
Mas, para o Brasil, essa moeda tem duas faces. Se de um lado a população sofre com a inflação nas bombas, do outro, o cofre de Brasília transborda com uma receita que não estava prevista.
É a história do petróleo gerando um superávit extraordinário de arrecadação para o governo.
Para entender a lógica, o mecanismo é simples: o Brasil hoje exporta muito mais petróleo do que importa.
Quando o preço internacional dispara, o faturamento do país cresce significativamente no saldo final da balança comercial.
Custa US$ 40 para produzir e o mercado global paga US$ 100, sobram US$ 60 de lucro puro por barril.
A eficiência do Pré-Sal e a conta do barril
O grande segredo dessa bonança está na eficiência de produção nacional. Extrair o óleo profundo na camada do Pré-sal é um feito tecnológico que se tornou extremamente vantajoso ao longo dos anos.
O custo puro para tirar o óleo do fundo do mar é muito baixo, cerca de US$ 6. Quando somamos absolutamente tudo, os investimentos em plataformas, o transporte, os impostos e os royalties devidos, o custo total para colocar esse barril prontinho no navio de exportação fica em uma média de US$ 40.
Agora faça a conta: se o custo total é de US$ 40 para produzir e o mercado global paga US$ 100, sobram US$ 60 de lucro puro por barril. É uma margem impressionante que pouquíssimos setores na economia global conseguem entregar hoje em dia.
Para onde vai esse dinheiro todo?
Esse lucro expressivo não fica guardado apenas no caixa das petroleiras; ele irriga os cofres públicos por três caminhos principais:
- Royalties e Participações Especiais: São as compensações financeiras obrigatórias que as empresas pagam aos estados, municípios e à União pelo direito de explorar o recurso natural.
- Impostos sobre o Lucro: O Imposto de Renda (IRPJ) e a Contribuição Social (CSLL) incidentes sobre o resultado financeiro gigante das companhias.
- Dividendos da Petrobras: Como o governo federal é o maior acionista da companhia, uma fatia bilionária desse lucro é depositada diretamente na conta do Tesouro Nacional .
Estudos econômicos recentes mostram que, se o petróleo se mantiver nesse patamar de US$ 100, o governo arrecada mais de R$ 44 bilhões adicionais apenas em impostos e royalties, além de receber perto de R$ 9,5 bilhões extras em dividendos.
Ao todo, a Secretaria de Política Econômica calcula que a alta injete R$ 8,5 bilhões extras por mês nos cofres da União .
Anualmente, esse faturamento extra pode passar dos R$ 100 bilhões . A Secretaria de Política Econômica calcula que a alta do petróleo injete R$ 8,5 bilhões extras por mês nos cofres da União.
O perigo da tentação em ano eleitoral
Esse dinheiro que entra no caixa tem o poder técnico de zerar o déficit das contas públicas do Brasil neste ano. Ou seja, ajudaria a pagar a dívida do país, equilibrar a macroeconomia, segurar a inflação de longo prazo e dar estabilidade para que os juros básicos caiam com segurança.
Seria o uso responsável e técnico de uma receita temporária. No entanto, estamos em um ano eleitoral. E dinheiro sobrando no caixa do governo perto de eleições acende um sinal de alerta vermelho para qualquer analista econômico sério.
A grande tentação de Brasília é capturar esse dinheirama extra e transformá-la em bondades imediatas, subsídios artificiais e expansão de gastos públicos para colher dividendos políticos de curto prazo.
O governo já sinaliza a criação de programas e subsídios bilionários mensais para segurar o preço final do diesel e da gasolina, queimando parte dessa receita extra antes mesmo de ela se consolidar e equilibrar a saúde financeira do país.
Qualquer gestão financeira responsável, seja em uma empresa ou no orçamento doméstico, sabe o que fazer quando recebe uma receita excepcional e inesperada: paga-se as dívidas acumuladas e guarda-se uma reserva para os tempos de escassez.
O petróleo a US$ 100 é um fôlego de emergência excelente para as contas do Brasil, mas é um recurso passageiro e altamente volátil. O lucro extraordinário de hoje deve servir para garantir a segurança econômica do amanhã, e não para financiar o populismo de véspera de eleição.
Se o governo torrar essa montanha de dinheiro em benesses políticas e gastos permanentes para atrair votos agora, quando o preço do barril cair no mercado internacional, a conta vai sobrar novamente para o contribuinte pagar através de mais impostos.
O lucro extraordinário de hoje deve servir para garantir a segurança econômica do amanhã, e não para financiar o populismo de véspera de eleição.

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
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Abelha mandaguari aumenta em até 67% a produção de café arábica, aponta estudo

Um estudo conduzido pela Embrapa Meio Ambiente (SP) e instituições parceiras mostra que o manejo de abelhas nativas sem ferrão pode elevar em até 67% a produção de frutos do café arábica. Publicada na revista científica Frontiers in Bee Science, a pesquisa destaca o potencial da polinização manejada como estratégia para aumentar a produtividade e fortalecer a sustentabilidade da cafeicultura.
O trabalho avaliou o efeito da polinização suplementar realizada por Scaptotrigona depilis, conhecida como abelha mandaguari. O aumento de até 67% na produção de frutos em ramos localizados próximos às colônias reforça a eficiência da mandaguari como polinizadora do café, inclusive em cultivares autocompatíveis, isto é, variedades capazes de se autopolinizar.
Para medir esse efeito, os pesquisadores instalaram colônias em fazendas convencionais, na densidade aproximada de dez colônias por hectare, antes do início da florada. A produção foi comparada entre ramos próximos às colônias e ramos mais distantes, o que permitiu associar o ganho de rendimento à atividade das abelhas.
Saúde das colônias
Além do efeito sobre a produtividade, os pesquisadores investigaram se o uso de inseticidas neonicotinoides poderia afetar a saúde das colônias. O foco foi o tiametoxam, utilizado em safras anteriores em áreas convencionais. Durante o acompanhamento, os pesquisadores monitoraram indicadores como produção de cria, mortalidade de crias e atividade de coleta de alimentos e materiais usados na construção das estruturas internas de seus ninhos.
As avaliações ocorreram em diferentes momentos: uma semana antes da florada; uma semana logo depois da florada; e cerca de 45, 75 e 105 dias após retirada do talhão de café.
A equipe também mediu resíduos do inseticida e de seu metabólito, a clotianidina, em materiais coletados em campo, como folhas de café, néctar e pólen. A detecção confirmou que o uso de neonicotinoides deixou resíduos nos recursos florais acessíveis aos polinizadores.
Apesar disso, não foram observados impactos estatisticamente significativos sobre os parâmetros avaliados nas colônias. Indicadores como produção e mortalidade de crias não apresentaram diferenças relevantes entre colônias instaladas em áreas convencionais e aquelas mantidas em propriedades orgânicas após o período de exposição.
A atividade de coleta mostrou variações iniciais entre os sistemas, mas essas diferenças diminuíram ao longo do monitoramento.

Polinização e manejo fitossanitário
Os autores destacam duas implicações centrais para a cafeicultura. A primeira é que abelhas sem ferrão podem atuar como polinizadoras eficazes do café arábica, com potencial para elevar a produtividade mesmo em cultivares autocompatíveis, variedades capazes de se fecundar pelo próprio pólen, sem depender obrigatoriamente de outra cultivar compatível.
A segunda é que, nas condições avaliadas, o uso de defensivos dentro das recomendações técnicas não gerou danos mensuráveis às colônias, indicando que é possível conciliar a proteção das lavouras com a preservação dos polinizadores.
Conforme a primeira autora do estudo, a bióloga Jenifer Ramos, que atuou como bolsista de estímulo à inovação na Embrapa Meio Ambiente, os resultados reforçam a importância de integrar biodiversidade e produção agrícola.
“O estudo demonstra que o uso de abelhas nativas manejadas pode gerar ganhos expressivos de produtividade, ao mesmo tempo em que contribui para a conservação dos polinizadores e para o fortalecimento de sistemas agrícolas mais sustentáveis. Trata-se de uma solução baseada na natureza com grande potencial de aplicação na cafeicultura brasileira”, afirma.
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Muito além do futebol: como o agro entra em campo para viabilizar a Copa do Mundo

Antes de a bola rolar e o árbitro apitar o início da partida, o agronegócio já garantiu sua escalação como titular na Copa do Mundo. Frequentemente associado apenas às grandes exportações de commodities, o setor opera de forma estratégica e silenciosa no esporte.
Essa presença começa no elemento mais sagrado do espetáculo: o gramado dos estádios. A entrega de tapetes verdes impecáveis e resistentes exige biotecnologia e manejo avançado de solo, frutos diretos da pesquisa científica agrícola.
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Fora das quatro linhas, a cadeia do agro dita o ritmo das arquibancadas, fornecendo toda a estrutura de alimentação do evento. O setor entrega desde os ingredientes para os lanches rápidos consumidos pelo público até a matéria-prima essencial da cerveja que acompanha a comemoração da torcida.
Da infraestrutura ao consumo, fica claro que o futebol e a força do campo jogam no mesmo time. Essa conexão surpreendente foi tema de um vídeo publicado pelo Canal Rural no Instagram, que detalha como a produção rural viabiliza a experiência de atletas e torcedores.
Confira:
A Copa do Mundo de 2026 teve início em 11 de junho, nos Estados Unidos. O país é um dos antitriões desta edição junto de México e Canadá. A final ocorre em 19 de julho, no estádio de Nova Jersey/Nova York.
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Abimaq lança guia gratuito sobre armazenagem diante de déficit no setor; confira

Com estimativa de produção de 353 milhões de toneladas de grãos por ciclo, o Brasil tem capacidade para armazenar 62% desse volume, o que deixa cerca de 135 milhões de toneladas sem estrutura de estocagem.
Diante desse cenário, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) lançou o Guia Prático de Armazenagem Eficiente, disponível gratuitamente.
O material reúne orientações para produtores rurais, gestores e profissionais do agronegócio sobre práticas de armazenagem, com o objetivo de reduzir perdas, melhorar a logística e apoiar o planejamento das operações.
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Déficit afeta logística e comercialização
Segundo a Abimaq, o crescimento da produção agrícola tem ampliado o déficit de capacidade estática de armazenagem no país. A limitação da infraestrutura pode aumentar os custos logísticos, elevar as perdas e reduzir as alternativas de comercialização da produção, obrigando produtores a venderem a safra em períodos de maior oferta.
A iniciativa integra uma campanha da entidade voltada à conscientização sobre a importância dos investimentos em armazenagem para o agronegócio.
Tecnologia disponível
A associação informa que a indústria nacional dispõe de tecnologia para ampliar a infraestrutura de armazenagem. A Câmara Setorial de Equipamentos para Armazenagem de Grãos (CSEAG), vinculada à Abimaq, reúne empresas que desenvolvem sistemas e equipamentos destinados a diferentes perfis de produtores e operações agrícolas.
O Guia Prático de Armazenagem Eficiente pode ser acessado gratuitamente mediante o preenchimento de formulário disponível aqui.
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