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4 de outubro de 2026

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Produtora rural assume gestão da fazenda da família e aposta em tecnologia para ganhar eficiência no campo

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

A decisão de arrendar a fazenda da família durou apenas um ano. Em 2020, após a separação societária da propriedade, o produtor Marcos Brunetta pensou em deixar a atividade agrícola, mas a esposa, Marisa Brunetta, decidiu assumir a gestão administrativa do negócio e manter a produção em andamento em Santo Antônio do Leste.

Sem experiência na rotina do agro, ela passou a mergulhar no universo da gestão rural. Formada em Administração, assumiu áreas como financeiro, vendas, administrativo, jurídico e gestão de pessoas da fazenda. O início foi marcado por aprendizado intenso e adaptação à nova realidade da propriedade.

Marisa conta que até então estava totalmente voltada à maternidade e pouco acompanhava o negócio rural da família. “Eu não sabia nada mesmo, eu estava muito voltada pra maternidade, para os meus filhos, então eu não atuava nem de forma indireta no negócio. Então foi um desafio muito grande”, diz ao programa Direto ao Ponto.

A mudança ocorreu justamente em um momento em que o marido pensava em deixar a atividade. Segundo ela, a pressão para continuar produzindo falou mais alto. “Naquele momento meu esposo não queria mais plantar, queria arrendar e foi aí que começou minha atuação”.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Aprendizado dentro da fazenda

Enquanto Marcos Brunetta dominava as operações dentro da porteira, a parte administrativa era conduzida pelo antigo sócio da família. Foi justamente nesse espaço que Marisa passou a atuar.

Ela conta que o início foi marcado por muito estudo e dedicação. “Cursos eu faço sempre. Eu digo que foi um período de extrema dedicação”. Ao longo da trajetória, Marisa encontrou apoio em produtores mais experientes. Um deles foi um agricultor de Primavera do Leste, citado por ela como uma das principais referências nesse processo de aprendizado.

“Ele me ensinou. Ele que teve a iniciativa e chegou e falou: ‘Você sabe como que faz isso?’. Coisas básicas assim. E eu, tipo, naquele momento não sabia”.

Hoje, ela define sua atuação dentro da fazenda como uma gestão ampla, acompanhando diferentes setores da propriedade. “Eu acho que o meu papel hoje, é um papel muito mais de uma profissional que tem uma visão generalista. Eu não sou especialista em finanças ou numa parte jurídica, mas como eu atuo em várias frentes, então a gente tem que ter um pouco de cada”, afirma ao programa do Canal Rural Mato Grosso.

Marisa afirma que o agro exige planejamento constante e decisões cada vez mais cautelosas, principalmente diante das margens mais apertadas enfrentadas pelo setor.  Segundo ela, a busca é produzir mais gastando menos e reduzindo a dependência de juros altos. “O grande desafio é a gente cada vez produzir mais com custo mais baixo e com uma margem mais alta”.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Programa VAlora amplia controle dos talhões

Na busca por mais eficiência, a fazenda passou a investir no uso de ferramentas digitais para tomadas de decisões. Entre os recursos adotados está o programa VAlora, da Bayer.

De acordo com Marisa, a plataforma permite integrar dados da propriedade e acompanhar informações de plantio, pulverização e produtividade em tempo real. “Hoje eu tenho na palma da mão várias informações de plantio, de aplicação, de produtividade”. Ela explica que o sistema ajudou a mudar a forma como a fazenda passou a enxergar os talhões. “Eu passei a ver cada talhão de uma forma mais detalhada. Antes nós víamos de uma forma generalizada”.

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A partir disso, a propriedade passou a utilizar ferramentas como taxa variável e pulverização seletiva em algumas operações. “A máquina faz a leitura e ela faz a aplicação, só que ela faz a aplicação pontual onde tem a erva daninha”. Conforme a produtora, algumas aplicações já geram economia próxima de 70% no uso de herbicidas.

“Isso nos permite ser mais eficientes e isso é mais racional no uso dos insumos também”. Ela afirma ainda que o uso da tecnologia contribuiu para melhorar o controle das áreas. “A gente passou a ter talhões muito mais limpos, com um controle muito melhor”.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Filhos mais próximos da rotina no campo

Além da gestão da fazenda, a família também decidiu aproximar os filhos da vida no interior. Os adolescentes, de 14 e 17 anos, passaram a morar na propriedade, localizada a cerca de cinco quilômetros de Santo Antônio do Leste. “Enquanto a maioria dos pais estão mandando os filhos para os grandes centros, nós estamos trazendo os filhos para o interior”, frisa.

Os dois estudam na cidade e utilizam o transporte escolar diariamente. Segundo Marisa, a decisão busca fortalecer o vínculo dos filhos com o agro e com a história construída pela família. “Eu como mãe, o que eu mais desejo é que meus filhos deem continuidade ao todo legado que nós estamos construindo”.

Ela conta que os dois já demonstram afinidade com a rotina da fazenda. O mais velho gosta das operações ligadas às máquinas, enquanto o mais novo passou a se envolver mais com a vida no campo. “O mais novo, ele já estava com aquele perfil muito menino de cidade, eu falei: ‘Não, está na hora de resgatar para o campo’”.

Na produção, a fazenda vem registrando resultados acima da média estadual, tanto na soja quanto no milho. Marisa atribui o desempenho ao planejamento, ao manejo do solo e ao cuidado com a janela de plantio. “Nós somos muito dedicados, temos nossa equipe, toda nossa equipe faz tudo com muito capricho, então acho que tem um diferencial na forma que nós trabalhamos”.

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Setembro termina morno para a soja brasileira; mercado travado pode reagir em outubro?

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O mês de setembro terminou com pouca movimentação para a soja na Bolsa de Mercadorias de Chicago. A posição novembro/26 acumulou alta de apenas 0,38% no mês, em um cenário marcado pela escassez de novas vendas da oleaginosa dos Estados Unidos para a China e pela pressão sazonal da colheita norte-americana.

Um dos principais pontos de atenção para o mercado está justamente na relação comercial entre Estados Unidos e China. O país asiático deve reduzir as tarifas sobre uma ampla variedade de produtos agrícolas norte-americanos, incluindo milho, trigo, carnes e laticínios. A soja, no entanto, ficou de fora da lista de produtos contemplados pela redução tarifária divulgada conjuntamente pelo Ministério do Comércio da China e pela Casa Branca.

Colheita nos EUA

A evolução da colheita nos Estados Unidos também limita uma reação mais consistente das cotações. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), até 27 de setembro, 17% da área de soja havia sido colhida. O percentual está próximo do registrado no mesmo período do ano passado, de 18%, e coincide com a média dos últimos cinco anos. Na semana anterior, em 20 de setembro, a colheita alcançava 12%.

Nas exportações, os Estados Unidos registraram vendas líquidas de 1,033 milhão de toneladas de soja da temporada 2026/27 na semana encerrada em 24 de setembro. A China foi o principal destino, com 589,4 mil toneladas. As estimativas dos analistas para o período variavam entre 500 mil e 1,4 milhão de toneladas.

Outro dado observado pelo mercado foi o nível dos estoques norte-americanos. Em 1º de setembro, os estoques trimestrais de soja em grão somaram 315,133 milhões de bushels, abaixo da expectativa de 323 milhões de bushels. Desse total, 90,4 milhões de bushels estavam armazenados nas propriedades rurais, enquanto 224,7 milhões de bushels estavam fora das fazendas.

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Soja no Brasil

No Brasil, o cenário segue de pouca negociação. O produtor permanece praticamente fora do mercado, aguardando uma melhora nas condições de preço antes de avançar com novas vendas.

Em Rondonópolis (MT), os preços indicativos em 30 de setembro ficaram em R$ 148 por saca, com referência FOB para setembro. Já em Lucas do Rio Verde (MT), as ofertas de compra estavam na faixa de R$ 141 por saca, também com pagamento previsto para o mesmo período.

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Você viu? Crédito para compra de terras dispara e atrai jovens agricultores

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Comprar a própria terra e permanecer no campo é o projeto de muitos jovens agricultores. O acesso à propriedade, porém, esbarra no preço dos imóveis rurais, na documentação exigida e na burocracia para conseguir financiamento. Essa matéria, originalmente escrita por Andressa Tavares, foi uma das mais lidas da semana no site do Canal Rural.

Nesse cenário, o crédito fundiário tem ganhado espaço como alternativa para viabilizar a compra de propriedades rurais. Na região Sul, o número de contratos praticamente dobrou entre 2024 e 2025, passando de 191 para 383 operações.

O volume de recursos liberados cresceu ainda mais. Saltou de R$ 32,2 milhões em 2024 para R$ 89,8 milhões no ano passado, avanço de aproximadamente 179%.

O Rio Grande do Sul liderou o número de contratos em 2025, com 193 operações, seguido pelo Paraná, com 124, e Santa Catarina, com 66.

Crédito pode ajudar na sucessão familiar

Para jovens agricultores, o financiamento pode representar a possibilidade de construir o próprio patrimônio sem abandonar a atividade rural.

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É o caso de Diego Samuel de Souza, de 21 anos, morador de Cantagalo, no Paraná. Ele tenta financiar a compra de uma área que pertenceu à avó para continuar trabalhando junto à família.

O pedido ainda está em análise na esfera federal. Antes de chegar a essa etapa, foi necessário reunir documentos e cumprir uma série de requisitos.

“O crédito fundiário tem uma burocracia bastante grande. O meu ainda não saiu. Estamos ainda nos trâmites para que possa sair. Agora já está na análise federal. Acredito que logo vai sair”, relata.

A dificuldade de acesso à terra também é apontada por entidades ligadas aos trabalhadores rurais como um dos obstáculos à sucessão familiar. Sem condições de adquirir uma propriedade e gerar renda, parte dos jovens acaba deixando o campo em busca de oportunidades nos centros urbanos.

“O crédito fundiário é um instrumento fundamental porque garante que esse jovem terá acesso à terra, à propriedade”, afirma um dos representantes ouvidos pela reportagem.

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Centenas de propostas aguardam contratação

Apesar do crescimento das operações, a demanda ainda supera o número de contratos efetivamente realizados.

Segundo representantes do setor, haveria condições para contratar mais de 500 propostas que permanecem na fila. No Paraná, a plataforma da federação responsável pelo acompanhamento dos projetos registra cerca de 500 demandas.

A meta apresentada pela entidade é alcançar mil famílias beneficiadas pelo crédito fundiário no estado em um curto período.

A documentação dos imóveis aparece como um dos principais gargalos. Para a contratação do financiamento, a propriedade precisa estar regularizada e georreferenciada, exigências que podem ampliar o tempo necessário para concluir a operação.

Preço da terra também dificulta acesso

Outro desafio é o valor das propriedades. No Paraná, o valor médio por operação chegou a R$ 265,6 mil em 2025, o maior entre os três estados da região Sul.

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Por outro lado, a estrutura fundiária da região pode favorecer operações envolvendo áreas menores. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul possuem forte presença de pequenas propriedades, o que transforma o crédito fundiário em uma alternativa para filhos de agricultores adquirirem suas próprias áreas.

No Paraná, os jovens já representam parcela expressiva dos beneficiários. Cerca de 45% das operações realizadas em 2025 foram enquadradas na modalidade destinada a esse público.

“Decidimos acessar o crédito fundiário porque é um crédito com uma taxa de juros muito mais baixa, muito acessível para nós, para que eu possa continuar aqui ajudando e trabalhando junto com a minha família”, afirma um dos jovens agricultores entrevistados.

Acesso à terra não encerra o desafio

Representantes da agricultura familiar defendem que o financiamento para aquisição da propriedade seja articulado com outras políticas públicas.

Após comprar a terra, o produtor ainda precisa de recursos para produzir, assistência técnica e extensão rural, além de condições para agregar valor e comercializar a produção.

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“O jovem, a família, consegue sua propriedade, sua terra, e depois precisa acessar o crédito, a assistência técnica e extensão rural, acessar a agroindústria familiar para conseguir permanecer naquele território produzindo seus alimentos”, destaca um dos entrevistados.

Para representantes do setor, ampliar essas condições pode fazer com que o crédito fundiário deixe de representar apenas a compra de uma propriedade e se torne também um instrumento para estimular a permanência de uma nova geração de produtores no campo.

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Portaria que obrigava o monitoramento diário do uso da água no meio rural é suspensa

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O Instituto Água e Terra do Paraná (IAT) revogou temporariamente, nesta sexta-feira (2), a Portaria 707, publicada em 17 de setembro deste ano, que estabelecia para o produtor rural maior frequência na coleta dos dados de automonitoramento das captações superficiais e subterrâneas de água.

A suspensão momentânea ocorreu após pedido do Sistema Faep em conjunto com a Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), com o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), com a Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) e a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep).

Da maneira apresentada, as entidades reforçaram que a norma exigia medições horárias e diárias, o que tornava a tarefa inviável, haja vista a grande variedade de atividades a que o produtor está submetido na rotina rural.

“Não somos contra o automonitoramento. Aliás, o produtor rural é o maior interessado em usar a água de forma responsável e sustentável”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “O que defendemos é que as regras considerem as peculiaridades de cada captação e a realidade de quem está no campo”, complementa.

As entidades que fizeram o pedido pela suspensão temporária da Portaria 707 defenderam a adoção da frequência mensal como regra geral, mantendo a possibilidade de o IAT exigir monitoramento mais intensivo, mediante justificativa técnica, em bacias críticas e/ou áreas de conflito pelo uso da água.

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A portaria valia para as captações cujas outorgas de uso da água não definiam a frequência de coleta e envio dos dados. Pela norma, captações superficiais acima de 30 metros cúbicos por hora com hidrômetro e horímetro teriam de registrar dados diariamente.

Já quando houvesse apenas hidrômetro, a leitura passaria a ser horária. Nas captações subterrâneas, a exigência de leitura diária ou horária valeria para vazões acima de 10 metros cúbicos por hora.

‘Monitoramento deve ser proporcional’

A Nota Técnica enviada ao IAT, junto com o ofício, sustenta que a intensidade do monitoramento deve ser proporcional à variabilidade da captação e ao risco hídrico.

Para os técnicos das entidades do setor, a vazão de sistemas de bombeamento tende a ser estável quando a configuração do equipamento não muda. Nesses casos, o volume captado e o tempo de funcionamento, registrados por hidrômetro e horímetro, seriam mais representativos do que leituras sucessivas da vazão.

O documento enviado pelas entidades também considera que a exigência de leitura horária, em sistemas sem aquisição automática de dados, obrigaria o produtor a fazer medições manuais, inclusive à noite e em pontos distantes da sede da propriedade. “Isso aumentaria a carga de trabalho e a chance de erros de leitura, além da perda de registros”, destaca o ofício.

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Como referência, as entidades citaram a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), cuja Resolução 188/2024 trabalha com registros mensais. Por isso, pregam a convergência de critérios entre os regimes federal e estadual para garantir a segurança jurídica e proporcionalidade à regulamentação.

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