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Produtora rural assume gestão da fazenda da família e aposta em tecnologia para ganhar eficiência no campo

A decisão de arrendar a fazenda da família durou apenas um ano. Em 2020, após a separação societária da propriedade, o produtor Marcos Brunetta pensou em deixar a atividade agrícola, mas a esposa, Marisa Brunetta, decidiu assumir a gestão administrativa do negócio e manter a produção em andamento em Santo Antônio do Leste.
Sem experiência na rotina do agro, ela passou a mergulhar no universo da gestão rural. Formada em Administração, assumiu áreas como financeiro, vendas, administrativo, jurídico e gestão de pessoas da fazenda. O início foi marcado por aprendizado intenso e adaptação à nova realidade da propriedade.
Marisa conta que até então estava totalmente voltada à maternidade e pouco acompanhava o negócio rural da família. “Eu não sabia nada mesmo, eu estava muito voltada pra maternidade, para os meus filhos, então eu não atuava nem de forma indireta no negócio. Então foi um desafio muito grande”, diz ao programa Direto ao Ponto.
A mudança ocorreu justamente em um momento em que o marido pensava em deixar a atividade. Segundo ela, a pressão para continuar produzindo falou mais alto. “Naquele momento meu esposo não queria mais plantar, queria arrendar e foi aí que começou minha atuação”.

Aprendizado dentro da fazenda
Enquanto Marcos Brunetta dominava as operações dentro da porteira, a parte administrativa era conduzida pelo antigo sócio da família. Foi justamente nesse espaço que Marisa passou a atuar.
Ela conta que o início foi marcado por muito estudo e dedicação. “Cursos eu faço sempre. Eu digo que foi um período de extrema dedicação”. Ao longo da trajetória, Marisa encontrou apoio em produtores mais experientes. Um deles foi um agricultor de Primavera do Leste, citado por ela como uma das principais referências nesse processo de aprendizado.
“Ele me ensinou. Ele que teve a iniciativa e chegou e falou: ‘Você sabe como que faz isso?’. Coisas básicas assim. E eu, tipo, naquele momento não sabia”.
Hoje, ela define sua atuação dentro da fazenda como uma gestão ampla, acompanhando diferentes setores da propriedade. “Eu acho que o meu papel hoje, é um papel muito mais de uma profissional que tem uma visão generalista. Eu não sou especialista em finanças ou numa parte jurídica, mas como eu atuo em várias frentes, então a gente tem que ter um pouco de cada”, afirma ao programa do Canal Rural Mato Grosso.
Marisa afirma que o agro exige planejamento constante e decisões cada vez mais cautelosas, principalmente diante das margens mais apertadas enfrentadas pelo setor. Segundo ela, a busca é produzir mais gastando menos e reduzindo a dependência de juros altos. “O grande desafio é a gente cada vez produzir mais com custo mais baixo e com uma margem mais alta”.
Programa VAlora amplia controle dos talhões
Na busca por mais eficiência, a fazenda passou a investir no uso de ferramentas digitais para tomadas de decisões. Entre os recursos adotados está o programa VAlora, da Bayer.
De acordo com Marisa, a plataforma permite integrar dados da propriedade e acompanhar informações de plantio, pulverização e produtividade em tempo real. “Hoje eu tenho na palma da mão várias informações de plantio, de aplicação, de produtividade”. Ela explica que o sistema ajudou a mudar a forma como a fazenda passou a enxergar os talhões. “Eu passei a ver cada talhão de uma forma mais detalhada. Antes nós víamos de uma forma generalizada”.
A partir disso, a propriedade passou a utilizar ferramentas como taxa variável e pulverização seletiva em algumas operações. “A máquina faz a leitura e ela faz a aplicação, só que ela faz a aplicação pontual onde tem a erva daninha”. Conforme a produtora, algumas aplicações já geram economia próxima de 70% no uso de herbicidas.
“Isso nos permite ser mais eficientes e isso é mais racional no uso dos insumos também”. Ela afirma ainda que o uso da tecnologia contribuiu para melhorar o controle das áreas. “A gente passou a ter talhões muito mais limpos, com um controle muito melhor”.
Filhos mais próximos da rotina no campo
Além da gestão da fazenda, a família também decidiu aproximar os filhos da vida no interior. Os adolescentes, de 14 e 17 anos, passaram a morar na propriedade, localizada a cerca de cinco quilômetros de Santo Antônio do Leste. “Enquanto a maioria dos pais estão mandando os filhos para os grandes centros, nós estamos trazendo os filhos para o interior”, frisa.
Os dois estudam na cidade e utilizam o transporte escolar diariamente. Segundo Marisa, a decisão busca fortalecer o vínculo dos filhos com o agro e com a história construída pela família. “Eu como mãe, o que eu mais desejo é que meus filhos deem continuidade ao todo legado que nós estamos construindo”.
Ela conta que os dois já demonstram afinidade com a rotina da fazenda. O mais velho gosta das operações ligadas às máquinas, enquanto o mais novo passou a se envolver mais com a vida no campo. “O mais novo, ele já estava com aquele perfil muito menino de cidade, eu falei: ‘Não, está na hora de resgatar para o campo’”.
Na produção, a fazenda vem registrando resultados acima da média estadual, tanto na soja quanto no milho. Marisa atribui o desempenho ao planejamento, ao manejo do solo e ao cuidado com a janela de plantio. “Nós somos muito dedicados, temos nossa equipe, toda nossa equipe faz tudo com muito capricho, então acho que tem um diferencial na forma que nós trabalhamos”.
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Terras agrícolas disparam em Santa Catarina com avanço da soja e do arroz

O mercado de terras agrícolas em Santa Catarina seguiu aquecido em 2025, refletindo o desempenho da agropecuária no estado. Levantamento da Epagri/Cepa aponta valorização dos imóveis rurais, principalmente nas áreas com maior aptidão produtiva e forte presença de culturas como soja e arroz.
As terras de primeira categoria, consideradas as mais produtivas, registraram os maiores valores. Em Campos Novos, no Meio-Oeste catarinense, o preço médio chegou a R$ 169 mil por hectare. Já as várzeas sistematizadas, usadas principalmente para a produção de arroz, também apareceram entre as áreas mais valorizadas. Em Turvo, no Sul do estado, o valor médio alcançou R$ 164 mil por hectare.
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Na outra ponta, ficaram as áreas com restrições produtivas. As terras de segunda categoria tiveram média de R$ 38,34 mil por hectare em Lebon Régis. Já as terras de terceira categoria, marcadas por maior declividade, foram avaliadas em R$ 19,75 mil por hectare em Calmon.
O levantamento ainda mostrou que o campo nativo teve valor médio de R$ 19,91 mil por hectare em Lages. As áreas destinadas à servidão florestal ou reserva legal registraram os menores preços, chegando a R$ 10,37 mil por hectare em Otacílio Costa.
Segundo a Epagri/Cepa, as diferenças refletem as características produtivas e econômicas de cada região. Além da aptidão agrícola, fatores como pressão urbana, turismo e legislação ambiental também influenciam diretamente o valor das terras no estado.
O estudo é realizado desde 1997 e acompanha os preços médios das terras agrícolas em diferentes municípios catarinenses. Os dados são divulgados no Observatório Agro Catarinense e servem de base para estudos técnicos, políticas públicas e referências usadas por produtores e prefeituras.
Como o levantamento é feito
A coleta das informações ocorre entre outubro e janeiro e considera apenas o valor da terra nua, sem benfeitorias. O trabalho envolve técnicos da Epagri/Cepa em todas as regiões do estado.
As informações são obtidas com imobiliárias, cooperativas, sindicatos rurais, cartórios, associações de produtores e órgãos públicos. Para cada município e classe de terra, ao menos três fontes são consultadas.
De acordo com a analista da Epagri, Glaucia de Almeida Padrão, os dados passam por validação estatística antes da divulgação. O estudo considera preços mínimos, máximos e os valores mais praticados em cada localidade.
A Epagri/Cepa ressalta, porém, que os números têm caráter referencial e não devem ser usados como parâmetro único em negociações ou processos de arbitragem, já que fatores como localização, qualidade do solo e topografia podem provocar grandes diferenças dentro do mesmo município.
Agro forte sustenta valorização
A valorização das terras acompanha o avanço da agropecuária catarinense. Nos últimos dez anos, o Valor da Produção Agropecuária (VPA) do estado cresceu, em média, 4,3% ao ano em termos reais.
Em 2025, o VPA foi estimado em R$ 74,9 bilhões, alta de 15,4% na comparação com 2024. A pecuária respondeu por 58% da receita gerada no campo, enquanto os grãos vieram na sequência. Suínos, frangos, leite e soja concentraram mais da metade do valor produzido.
Segundo a Epagri/Cepa, o desempenho da soja ajudou a puxar os preços das terras de primeira e segunda categorias no Oeste e no Planalto Norte. Já no litoral, a pressão urbana, industrial e portuária também contribuiu para a valorização.
As áreas de servidão florestal e terras de terceira categoria também registraram avanço nos preços, influenciadas pelo turismo rural e pelas regras ambientais. Nas várzeas usadas para arroz, a valorização foi impulsionada pela alta do cereal nos últimos anos e pelo modelo de arrendamento, predominante em boa parte da área cultivada no estado.
*Com informações da assessoria de imprensa
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Projeção de boa safra pressiona cotações do milho, diz Cepea

Estimativas para a temporada de produção de milho, divulgadas pela Conab, projetam uma crescente nas quantidades entre os relatórios de abril e maio. Por conta disso, pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), apontam que compradores, que hoje tem estoques confortáveis, aguardam um recuo nas cotações para realizar as negociações.
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Dados da Conab mostram que a primeira safra 2025/26 está estimada em 28,46 milhões de toneladas, 14% superior ao da temporada anterior e 2% acima do relatório divulgado em abril. O aumento reflete no crescimento em área e produtividade nas regiões produtoras. O Cepea destaca que neste ano os estoques de passagem no início da temporada foram estimados como um dos maiores já registrados, o que ja transmitiu tranquilidade aos consumidores.
Ainda segundo centro de pesquisas, vendedores do cereal seguem flexiveis nas negociações, visto o cenário de quedas de preços, armazéns cheios e safras fortes.
*Sob supervisão de Hildeberto Jr.
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Aplicativo GuardeÁgua terá capacitação em nove estados do Semiárido

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Solos e a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) iniciam nesta terça-feira (19) uma série de oficinas sobre o aplicativo GuardeÁgua em nove estados do Semiárido. A ferramenta foi desenvolvida para identificar áreas apropriadas à construção de barragens subterrâneas, tecnologia usada para retenção de água no solo e apoio à produção agropecuária em regiões de baixa disponibilidade hídrica. A ação tem aporte financeiro do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).
As primeiras capacitações ocorrerão no Rio Grande do Norte, em Santa Maria (RN), e na Paraíba, em Esperança (PB), das 8h às 17h. Também estão previstos treinamentos na Bahia, Sergipe, Minas Gerais, Piauí, Ceará, Pernambuco e Alagoas. No caso de Pernambuco e Alagoas, o material divulgado informa que ainda há data e, em Alagoas, também cidade a definir.
Lançado em dezembro de 2025, o GuardeÁgua foi desenvolvido pela Unidade de Execução de Pesquisa e Desenvolvimento de Recife (UEP Recife), da Embrapa Solos, em parceria com a ASA. O aplicativo está disponível para Android e também tem versão web. Segundo a pesquisadora Maria Sonia Lopes da Silva, da Embrapa Solos, a ferramenta pode ser usada em campo mesmo sem internet, com sincronização automática dos dados quando a conexão é restabelecida.
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De acordo com a Embrapa, a análise considera informações de solo, relevo, clima, geologia e vegetação. A partir desses dados, o sistema classifica a área como “Apto”, “Restrito” ou “Inapto” para a implantação da barragem subterrânea. O usuário também pode baixar um relatório em PDF com a justificativa técnica do resultado.
A barragem subterrânea utiliza lona plástica de 200 micras instalada em valas com profundidade entre 1,5 metro e 6 metros, em áreas agrícolas de declive suave. A estrutura retém a água da chuva no perfil do solo, mantendo a umidade por vários meses. Isso permite cultivo por mais tempo, além de apoio à pequena irrigação e à dessedentação animal, conforme a necessidade da propriedade.
As oficinas terão parte teórica e atividades práticas em unidades de produção familiar. Além da seleção de áreas, o aplicativo reúne orientações gerais sobre manejo conservacionista do solo, uso da água, cultivos e acesso à Plataforma do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).
Segundo os organizadores, a expectativa é ampliar o uso da ferramenta por técnicos e agricultores como apoio à implantação de barragens subterrâneas no Semiárido. Como a agenda desta etapa não inclui Espírito Santo e Maranhão, a cobertura do treinamento permanece restrita aos estados com metas previstas no contrato firmado no âmbito do Programa Cisternas.
Fonte: embrapa.br
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