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14 de setembro de 2026

Agro Mato Grosso

História de José Nardes inspira gerações com exemplo de perseverança e fé em MT

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Da simplicidade à potência agrícola, a trajetória de quem ajudou a construir o agro mato-grossense revela coragem, resiliência e o legado de uma vida dedicada à terra

As histórias de pessoas que ajudaram a construir o agro mato-grossense não começa em grandes lavouras que hoje impressionam o mundo, mas nascem na simplicidade, na coragem de recomeçar e na determinação inabalável.

A trajetória do produtor de Primavera do Leste, José Nardes, é exatamente assim. Aos 76 anos, o produtor carrega no olhar a experiência de quem viu o Mato Grosso nascer como uma potência agrícola. Natural de Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul, e filho de produtores rurais, ele cresceu no campo, aprendendo desde cedo que a terra exige compromisso.

“Eu comecei a trabalhar na agricultura com o meu pai, que plantava desde os anos 1970. Depois fui para a faculdade, me formei em agronomia, e aprendi desde cedo a responsabilidade do produtor rural, levantar cedo, trabalhar, e cumprir as nossas obrigações, que não eram poucas. Desde pequeno nós já tínhamos compromisso com a lavoura, com a pecuária, com a lida rural”, relembra.

A base construída na infância moldou o profissional que José Nardes se formou, mas também o caráter do homem que enfrentaria muitos desafios anos depois, como recomeçar do zero em um território praticamente inexplorado. Movido pelo desejo de independência, ele deixou sua estabilidade no Sul para migrar para Mato Grosso em 1982.

Ao lado da esposa, Laura Battisti Nardes, o produtor iniciou uma jornada marcada pela coragem que inspira gerações. Formado em agronomia, José Nardes buscava novos ares em sua carreira. “Quando eu cheguei em Mato Grosso não tínhamos semente de arroz fiscalizada, era só semente branca, e eu como tinha muita prática com semente de arroz no Rio Grande do Sul, eu vim auxiliar os produtores de Paranatinga para vender a semente documentada. Vinha uma vez, duas vezes por mês e voltava, assim foi durante dois anos, e acabei mudando para cá em 1982 para Rondonópolis”.

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Estradas de chão, ausência de energia elétrica, falta de comunicação e uma cidade que ainda engatinhava. Primavera do Leste, hoje referência no agro, tinha poucas dezenas de casas. “Era muito difícil, nós não tínhamos um palmo de asfalto, saindo de Cuiabá para cá, até Campo Verde, e depois de Rondonópolis para cá, tudo estrada de chão. E não era só isso, não tínhamos energia, não tínhamos comunicação, Primavera do Leste não tinha telefone, não tinha nada, então era um desafio enorme.”

O início foi duro. Em sua primeira propriedade, viveu sob uma lona preta enquanto abria o cerrado com as próprias mãos. Sem recursos, muitas vezes precisou substituir a falta de dinheiro por trabalho.

“Quando comprei a primeira área de terra, a 50 quilômetros daqui, eu fui morar embaixo de uma lona preta, eu não tenho vergonha do meu passado, com meus funcionários, começando a abrir cerrado, sempre trabalhando na área agronômica, na parte de assistência, mas muito difícil, porque não tinha recursos. Foi uma batalha enorme, nós passamos um período muito ruim, de 1981 até 1998, nós fazíamos só a cultura da soja, colhíamos uns 35, 40 sacos por hectare, e o resto do ano nós ficávamos abrindo cerrado, muitas vezes, sem ter condições de pagar o empregado, nós mesmos trabalhávamos na fazenda”, comenta o produtor.

Mas se houve algo que sustentou essa trajetória, além da determinação, foi a família. Casado há mais de 50 anos, José Nardes reconhece na esposa uma parceria essencial em cada conquista. Foi Laura quem ajudou a manter a estrutura do negócio em momentos mais críticos. “Muitas vezes ela me ajudava financeiramente para pagar os funcionários. Sempre estivemos juntos em tudo.”

Nos primeiros anos, a produção era limitada. A soja rendia pouco, os preços eram baixos e o avanço tecnológico ainda era tímido. Mas o tempo trouxe evolução e com ela, novas oportunidades.

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“Teve momentos que pensamos em desistir, mas a vontade de vencer era maior, então tu pensava um pouco e voltava a enfrentar a realidade. Nós vendemos soja até 1998 a 8 dólares e produzimos 40 sacos por hectare no máximo. Então dava no mínimo para se alimentar e sobreviver, não plantavam milho, porque não existia a variedade de milho apropriada para o cerrado. A partir de 2000 começou a plantar milho, colhendo aí 60 sacos por hectare e hoje a gente colhe 160, 170 sacos por hectare na segunda safra”, afirma.

José Nardes não apenas acompanhou a evolução da agricultura mato-grossense, como também fez parte dela, participando ativamente do fortalecimento do setor, ajudando a construir entidades que hoje são pilares do agro mato-grossense, como a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT).

“Eu mudei para a Primavera em 1997, mas nunca perdi o vínculo com Rondonópolis, a ideia surgiu aí e nós começamos a Aprosoja MT em 2005, entre 5 e 6 pessoas, primeiro fazíamos reuniões pequenas e depois ela foi crescendo, foi aumentando. A Aprosoja MT é a entidade que mais trabalha pelo agro, não tem dúvida disso, é a Aprosoja MT a entidade que mais se dedica em defesa ao agricultor.”

Mais do que números, cargos ou conquistas, o maior legado de José Nardes está nas pessoas, na família que construiu e no legado que transmitiu. Sua sucessão aconteceu de forma natural, sem imposições, apenas pelo exemplo. Hoje, a propriedade dele é administrada pelos filhos e netos. Um ciclo que continua, guiado pelos mesmos princípios que começaram décadas atrás.

“A minha família é um orgulho para mim, eu me sinto realizado, feliz. Eu tive uma sucessão tranquila porque eu nunca forcei meus filhos a trabalhar no agro, deixei eles à vontade, ensinei tudo o que eu sei. Hoje quem administra a minha fazenda é o meu filho e o meu neto e a minha neta trabalha comigo no escritório”, diz ele com orgulho.

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Ao olhar para seu passado, ele não esconde a satisfação por ter superado a infância simples, perseverado mesmo em meio às dificuldades e, principalmente, por nunca ter desistido. Hoje, com a serenidade de quem construiu uma história sólida, ele deixa uma mensagem que resume não apenas sua trajetória, mas o espírito de tantos produtores que ajudaram a transformar o Mato Grosso.

“A mensagem que eu deixo é que dentro do possível, se você gostar um pouco do agro, venha para o agro, venha ajudar, não existe profissão mais nobre que essa, produzir alimento para as pessoas. Eu sempre falo isso e tenho o maior orgulho de ser produtor rural, eu acho que produzir alimento é uma coisa sagrada, porque ninguém vive sem se alimentar”, finaliza.

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Agro Mato Grosso

BASF escolhe bancos para preparar IPO da Agricultural Solutions

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A BASF anunciou a contratação de Citi, Deutsche Bank, Goldman Sachs e J.P. Morgan como coordenadores globais da preparação da oferta pública inicial de ações da Agricultural Solutions. A companhia prevê alcançar prontidão para o IPO até meados de 2027 e planeja listar o negócio na Bolsa de Frankfurt.

A operação integra a estratégia “Winning Ways” da BASF. O plano prevê transformar a Agricultural Solutions em uma empresa agrícola independente, com atuação em proteção de cultivos, sementes, características genéticas, soluções biológicas e ferramentas digitais.

A separação jurídica e operacional do negócio segue em andamento. Cerca de 80% das operações globais da Agricultural Solutions já migraram para entidades jurídicas próprias. Essas estruturas utilizam um novo sistema de gestão empresarial específico para o setor agrícola.

Segundo a BASF, a mudança busca ampliar a capacidade de resposta às demandas dos mercados agrícolas, dar mais agilidade à operação e aproximar a empresa dos clientes. A Agricultural Solutions também desenvolve estruturas de governança e competências necessárias para uma companhia com ações negociadas em bolsa.

A BASF apresentará uma visão estratégica e operacional do negócio durante seu Capital Markets Day, marcado para 24 de novembro de 2026. Os quatro integrantes do conselho de administração da BASF Agricultural Solutions participarão do evento.

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A empresa ainda não decidiu pela execução do IPO nem definiu sua data. A decisão dependerá, entre outros fatores, das condições do mercado de capitais.

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Agro Mato Grosso

Abelhas melíferas dominam flores e afastam outros polinizadores

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Estudo identifica competição direta de Apis mellifera por recursos florais compartilhados

A maior densidade de abelhas melíferas (Apis mellifera) reduziu a abundância de outros visitantes florais e aumentou a frequência de disputas por alimento em áreas do Reino Unido. Os pesquisadores registraram perseguições, deslocamentos e comportamentos de esquiva durante encontros sobre flores. As observações apontam a competição por interferência como um mecanismo relevante na disputa entre abelhas manejadas e outros polinizadores.

O trabalho acompanhou visitantes de Rubus fruticosus e Hedera helix. As duas plantas fornecem recursos importantes em períodos com menor disponibilidade de outras flores. As observações ocorreram em Cambridgeshire, no Reino Unido, durante 2023 e 2024. Os locais ficavam a até 300 metros de colônias conhecidas de Apis mellifera. Os pesquisadores acompanharam 300 pares de interações durante 93 horas (doi 10.1111/een.70139).

A equipe classificou o resultado de cada encontro conforme o acesso ao recurso floral. Um indivíduo recebia a classificação de vencedor quando conseguia ocupar a flor e provocava perda de oportunidade de forrageamento para o outro visitante. Os cientistas também registraram situações de compartilhamento, quando dois insetos utilizavam o recurso sem confronto.

Associação negativa

A presença de Apis mellifera apresentou associação negativa com a abundância dos demais polinizadores nas duas espécies vegetais. Em Rubus fruticosus, o levantamento contabilizou 1.789 visitantes florais. Abelhas melíferas responderam por 57% desse total. Mamangavas representaram 23%, sirfídeos 11%, abelhas solitárias 7% e outros visitantes 2%. A maior densidade de Apis mellifera apresentou relação significativa com menor abundância relativa de visitantes não pertencentes ao gênero Apis. O efeito apareceu com maior força entre as mamangavas.

Em Hedera helix, os pesquisadores registraram 2.232 visitantes distribuídos em 30 grupos taxonômicos. Abelhas solitárias formaram 41% do total, com predominância de Colletes hederae. Abelhas melíferas representaram 27%. O aumento da densidade de Apis mellifera acompanhou uma redução na abundância de abelhas solitárias e sirfídeos. O número de unidades florais também influenciou a abundância dos visitantes.

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Os pesquisadores registraram 171 pares de interações durante 43 horas de observação em Rubus fruticosus. Abelhas melíferas participaram de 53,3% dos encontros. Elas obtiveram acesso ao recurso em 65,7% das interações nas quais ocorreram disputas. A proporção de vitórias superou o valor esperado pela análise estatística. Abelhas solitárias perderam acesso ao recurso em 61,5% dos encontros. Sirfídeos perderam em 66,6%.

Frequência das disputas

A frequência das disputas em Rubus fruticosus cresceu com o aumento da densidade e do número de visitas de Apis mellifera. O estudo também encontrou influência de variáveis ambientais. Temperatura e umidade apresentaram associação positiva com as interações competitivas em algumas análises. Velocidades maiores do vento acompanharam menor número de disputas.

Os comportamentos observados reforçaram a hipótese de competição por interferência. Em Rubus fruticosus, outros visitantes evitaram abelhas melíferas em 28,4% das vitórias registradas para Apis mellifera. O deslocamento físico do outro visitante ocorreu em 20,1% das vitórias. Perseguições apareceram em 6,1%. Em 14 episódios com perseguição, a abelha melífera iniciou a ação em 80% dos casos.

O padrão também apareceu em Hedera helix. O levantamento somou 129 interações durante 50 horas. Abelhas melíferas alcançaram o maior número de vitórias competitivas e ocuparam o recurso em 50,6% dos encontros. Outros visitantes evitaram Apis mellifera em 35,6% das vitórias da espécie. Deslocamentos responderam por 15% e perseguições por 5,5%.

Maior vulnerabilidade

Os sirfídeos mostraram maior vulnerabilidade nos encontros. Em interações com abelhas melíferas sobre Hedera helix, metade dos sirfídeos evitou a abelha, 44% sofreram deslocamento e 6% sofreram perseguição. No conjunto das interações nessa planta, o grupo perdeu o recurso em 60,4% dos casos. A análise dos comportamentos também apontou associação significativa entre o grupo de polinizadores e o tipo de interação. Deslocamentos e perseguições executados por Apis mellifera tiveram contribuição importante para esse resultado.

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Padrão diverso

Nem todas as abelhas solitárias apresentaram o mesmo padrão diante de Apis mellifera. Em Hedera helix, indivíduos de Colletes hederae conseguiram obter o recurso em parte dos encontros com abelhas melíferas. Quando Apis mellifera ocupava previamente a flor e uma abelha solitária chegava ao local, o grupo das solitárias venceu com frequência superior à registrada para a abelha melífera. Os pesquisadores apontam a necessidade de novos estudos sobre características de Colletes hederae capazes de reduzir os efeitos da competição por interferência.

O estudo diferencia esse processo da competição por exploração. Na competição por exploração, um visitante consome néctar ou pólen e reduz a disponibilidade para outros insetos. Na competição por interferência, a interação ocorre de forma direta. Um visitante afasta, desloca ou impede o acesso de outro ao recurso. Os resultados indicam participação dos dois mecanismos, mas destacam uma importância possivelmente subestimada da interferência nas comunidades de polinizadores.

Os cientistas ressaltam o foco das observações em duas espécies vegetais e em interações na escala de manchas florais. O trabalho não avaliou efeitos populacionais de longo prazo. A equipe propõe estudos adicionais em outros recursos, inclusive áreas cultivadas, além da análise de fatores ambientais e da paisagem. Segundo os pesquisadores, uma compreensão mais detalhada da competição por interferência pode apoiar medidas voltadas à redução dos efeitos de altas densidades de abelhas melíferas sobre outros polinizadores.

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Agro Mato Grosso

Polícia suspeita que filho mais velho matou pai e irmão e depois tirou a própria vida em MT

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A Polícia Civil investiga a possibilidade de Wagner de Souza da Silveira, de 21 anos, tenha matado o próprio pai, Renato Dufek da Silveira, 43 anos, o irmão, Renan Borges da Silveira, 15 anos e, em seguida, tirado a própria vida em Nova Monte Verde, a 968 km de Cuiabá. Os três foram encontrados mortos dentro de uma residência. Duas armas de fogo, sendo um revólver e uma espingarda, estavam próximas a um dos corpos.

A ocorrência foi registrada depois que a Polícia Civil foi chamada para verificar a morte de três pessoas da mesma família. Ao chegarem ao imóvel, os policiais encontraram o pai e os dois filhos já sem vida.

A posição dos corpos e a presença das armas levaram as autoridades a considerar, inicialmente, a hipótese de um duplo homicídio seguido de suicídio. A suspeita, no entanto, ainda está sendo investigada e depende dos resultados da perícia.

A Polícia Militar isolou a área para preservar o local e permitir a realização dos trabalhos periciais. Equipes da Polícia Civil e da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) também estiveram na residência.

Os investigadores agora aguardam os laudos periciais para esclarecer como as mortes aconteceram, identificar a sequência dos fatos e verificar o que teria motivado o crime.

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A Polícia Civil informou que a investigação continua e que todas as circunstâncias do caso serão apuradas antes da conclusão sobre a dinâmica das mortes.

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