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12 de junho de 2026

Sustentabilidade

Alta oferta segura preços da soja em abril

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Foto: Abiove

A soja brasileira segue com elevada oferta no mercado, o que tem sustentado a liquidez nas últimas semanas. Esse cenário tem limitado avanços mais expressivos nos preços.

Segundo especialistas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, mesmo com bom ritmo de negócios e demanda consistente, a expectativa de uma safra robusta mantém o mercado em equilíbrio.

De acordo com a Conab, a colheita da oleoginosa está avançada, sendo que 88,1% da área já foi colhida, apesar de ritmos distintos entre as regiões brasileiras.

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Mercado internacional

No hemisfério norte, as condições climáticas tem preocupado, relata o centro de estudos. A baixa humidade no solo atual tem deixado os agentes em alerta, apesar da expectativa de chuva para as próximas semanas.

Nos EUA, a semeadura atingiu 12% da área esperada até 19 de abril, quantidade que superou o ritmo do ano anterior e também a média registrada dos últimos 5 anos, de acordo com o USDA.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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Sustentabilidade

Ceema/Unijuí: Com safra velha escassa, preço do trigo avança no Brasil apesar de oscilações em Chicago – MAIS SOJA

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Trigo: O primeiro mês cotado confirmou o recuo em seus valores, iniciado no final da semana anterior, chegando a US$ 5,80/bushel no dia 05/06. Posteriormente, houve pequena melhora, diante dos números provenientes do novo relatório de oferta e demanda do USDA, com o fechamento da quinta-feira (11) ficando em US$ 5,86/bushel, contra US$ 5,81 uma semana antes.

O relatório do USDA, para o ano 2026/27, indicou o seguinte:

  1. A produção dos EUA foi reduzida em cerca de 500.000 toneladas, ficando estimada, agora, em 42 milhões de toneladas;
  2. Os estoques finais dos EUA recuam na mesma dimensão, ficando em 20,2 milhões de toneladas;
  3. A produção mundial de trigo alcançaria 820,1 milhões de toneladas, ganhando um milhão sobre maio, porém, abaixo das 844,4 milhões do ano anterior;
  4. Já os estoques finais estadunidenses do cereal ficam estimados em 275,4 milhões de toneladas;
  5. A produção da Argentina alcançaria 21 milhões de toneladas e a do Brasil 6,7 milhões;
  6. O Brasil deverá importar 7,2 milhões de toneladas de trigo e exportar 2 milhões;
  7. O preço médio ao produtor estadunidense de trigo, no novo ano comercial, ficaria em US$ 6,00/bushel, contra US$ 6,50 projetado em maio.

De forma geral, o mercado mundial do trigo busca estabilizar nos atuais níveis, diante do avanço da colheita nos EUA e outros países do Hemisfério Norte.

Já no Brasil, os preços continuaram subindo. No Rio Grande do Sul o saco de trigo de qualidade superior variou entre R$ 69,00 e R$ 70,00 na semana, enquanto no Paraná os mesmos se mantiveram em R$ 70,00. Isso se dá pela baixa oferta do produto oriundo da safra velha. Por outro lado, os moinhos encontram dificuldades para repassar tais preços diante da impossibilidade em aumentar os preços da farinha ao consumidor final.

Assim, no Paraná as indicações de compra dos moinhos têm girado entre R$ 1.370,00 e R$ 1.400,00/tonelada CIF, enquanto vendedores trabalham com valores entre R$ 1.400,00 e R$ 1.450,00/tonelada FOB. O mercado acompanha o novo plantio, onde uma forte redução de área é esperada, assim como o comportamento do clima sobre as regiões produtoras. Neste contexto, o plantio nacional teria atingido a 45,3% do total previsto para este ano, contra a média de 44,7%. Até o último dia cinco de junho o plantio já havia sido concluído em São Paulo e Mato Grosso do Sul, seguidos por Goiás e Minas Gerais (99%), Paraná (67%), Bahia (60%), Rio Grande do Sul (13%) e Santa Catarina (2,4%). Das áreas semeadas, 19,3% estavam germinadas (cf. Conab).

Enfim, o trigo argentino continua sendo a referência para as importações brasileiras, pois o vizinho país é o nosso principal fornecedor. As indicações FOB para embarques em julho permaneceram em US$ 245,00 por tonelada, para o trigo com 11% de proteína, enquanto o Brasil já teria importado 4,49 milhões de toneladas entre agosto/25 e os primeiros dias de junho/26. Este volume está abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior, que foi de 5,33 milhões. Por sua vez, os estados brasileiros que mais importaram foram: Ceará, com 963.700 toneladas (21,5%); São Paulo, com 941.300 toneladas (21,0%); Bahia, com 633.400 toneladas (14,1%); e Pernambuco, com 575.900 toneladas (12,8%). Enquanto isso, entre abril e junho do corrente ano, 85,7% das importações vieram da Argentina, ou seja, 1,01 milhão de toneladas.

Os outros fornecedores foram a Rússia, com 30.100 toneladas; Turquia, com 26.000 toneladas; e Uruguai, com 9.500 toneladas. “Enquanto a oferta da safra velha continuar limitada e a nova colheita ainda não ganhar ritmo, o mercado tende a permanecer sustentado, embora sem força suficiente para acelerar o volume de negociações. O comportamento da moagem, da demanda por farinha e da evolução da nova safra serão os principais fatores a definir a direção dos preços do trigo no segundo semestre” (cf. Safras & Mercado).

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹

1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).


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FONTE

Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ

Site: Ceema/Unijuí

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Sustentabilidade

Zoneamento Agrícola de Risco Climático: uma nova abordagem – MAIS SOJA

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Por Décio Luiz Gazzoni. Engenheiro agrônomo, membro do CCAS (Conselho Científico Agro Sustentável) e da Academia Brasileira de Ciência Agronômica (ABCA) e José Renato Bouças Farias, engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa Soja

A agricultura é, por definição, uma atividade de risco. Nenhum outro setor da economia depende tanto das condições do tempo e do clima quanto o campo. Secas, veranicos, geadas, chuvas na colheita, excesso hídrico e temperaturas extremas podem comprometer meses ou anos de trabalho, em poucos dias.

Nesse contexto, o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) – regulamentado pelo Decreto 9.841/2019 e gerenciado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – constitui uma das principais ferramentas de gestão de risco da agropecuária brasileira. Ele define regiões e períodos de semeadura associados ao menor risco climático para cada cultura agrícola,  servindo como base legal para políticas públicas, como crédito rural e seguro agrícola. Seu objetivo é melhorar a qualidade e a disponibilidade de dados sobre riscos agroclimáticos no Brasil e quantificar e delimitar o risco no tempo e no espaço.  Dessa forma, auxilia a definição de espécies, cultivares e sistemas de produção mais adequados às diferentes condições edafoclimáticas do país.

O ZARC-NM é uma evolução do conceito e da metodologia do ZARC, incorporando os níveis de manejo do solo como variável determinante do risco hídrico das lavouras. Os resultados experimentais da Embrapa mostram que a disponibilidade hídrica – consequentemente o risco climático – são diretamente impactados pelo manejo agrícola. Destarte, não se trata apenas de uma ferramenta técnica, constitui-se em um instrumento de governança da política agrícola. Os programas públicos de gestão de risco — PSR e Proagro — utilizam recursos do erário, e sua eficiência depende diretamente da qualidade das informações sobre o risco real de cada lavoura. É a aplicação do conhecimento agronômico para proteger o produtor rural e os contribuintes brasileiros.

O risco hídrico e a capacidade de água disponível

O ZARC-NM foi estudado e desenvolvido a partir de um princípio agronômico fundamental: em lavouras de sequeiro, a água disponível para as culturas provém das chuvas e da reserva disponibilizada pelo solo. As chuvas são imprevisíveis e altamente variáveis entre safras e regiões. O que o produtor pode controlar é o volume de água que o solo é capaz de disponibilizar para as raízes, a denominada Capacidade de Água Disponível (CAD).

A CAD é calculada a partir de dois fatores: a Água Disponível do solo (AD, em mm/cm (água/solo), que depende da textura do perfil) e a profundidade efetiva do sistema radicular (Ze). A relação entre esses fatores pode ser expressa pela equação:

CAD = AD × Ze

Embora matematicamente simples, essa relação tem implicações práticas profundas. Um solo argiloso com 78% de argila, por exemplo, tem AD naturalmente elevada, mas se o sistema radicular for raso (Ze de apenas 40 cm, como pode ocorrer em solos compactados ou com saturação de alumínio elevada), a CAD resultante pode ser menor do que a de um solo arenoso com apenas 13% de argila, desde que esse último solo tenha raízes chegando a 100 cm de profundidade. Esse é o ponto central do ZARC-NM: o manejo do solo determina quanto das reservas hídricas a planta efetivamente pode acessar.

Níveis de Manejo e profundidade radicular

A metodologia do ZARC-NM classifica as lavouras em quatro Níveis de Manejo (NM), definidos a partir do histórico e da qualidade das práticas conservacionistas adotadas. Os indicadores avaliados incluem o tempo sem revolvimento do solo, a cobertura com palhada em pré-semeadura, a saturação por bases e por alumínio em subsuperfície, o teor de cálcio entre 20 e 40 cm de profundidade, e a diversidade de culturas nos últimos três anos agrícolas. Cada indicador recebe uma pontuação e o conjunto determina o NM final da área. A classificação segue regras metodológicas detalhadas na chamada “Proposta 17”, desenvolvida pela Embrapa, a qual combina critérios mínimos e médias ponderadas para evitar que uma única prática ruim ou uma única prática excelente distorça a classificação geral.

A profundidade efetiva do sistema radicular associada a cada nível de manejo foi determinada experimentalmente. No NM1, adota-se Ze de 40 cm; no NM2, 60 cm; no NM3, 80 cm; e no NM4, 100 cm. Essas valores correspondem a medições de campo em experimentos de longa duração conduzidos pela Embrapa, e refletem o efeito acumulado de práticas como plantio direto contínuo, diversificação de culturas, calagem em profundidade e uso de plantas de cobertura com alto potencial de enraizamento, como a Brachiaria ruziziensis.

Classes de AD e a nova lógica de classificação dos solos

Outro elemento metodológico relevante do ZARC-NM é a nova classificação de solos por classes de AD. O sistema anterior do ZARC reconhecia três tipos de solo, em função basicamente dos teores de argila. Para a cultura da soja, por exemplo, eram considerados os solos Tipo 1 com CAD de referência de 35 mm, Tipo 2 (CAD = 55 mm), e Tipo 3 (CAD = 75 mm). A partir de 2023, essa classificação foi substituída por seis classes de AD (AD1 a AD6), estimadas por funções de pedotransferência que consideram os teores de argila, silte e areia. Assim, refletem com maior precisão a variabilidade real dos solos brasileiros. Os valores de referência de AD variam de 0,40 mm/cm (AD1, solos muito arenosos) até 1,59 mm/cm (AD6, solos muito argilosos e bem estruturados). Combinadas com as quatro profundidades radiculares dos NMs, essas classes geram uma matriz de CADs que vai de apenas 16 mm (AD1 + NM1) até 159 mm (AD6 + NM4) — uma amplitude que reflete, com precisão agronômica, o enorme espectro de resiliência hídrica presente nas lavouras brasileiras.

Para fins operacionais, os valores de CAD foram reagrupados em 10 classes de solos, cada uma com um valor de referência central (de 20 mm a 207 mm), que alimentam o modelo de balanço hídrico usado para calcular o Índice de Satisfação da Necessidade de Água (ISNA) de cada decêndio de semeadura. Esse índice, calculado como a razão entre a evapotranspiração real (ETr) e a máxima (ETm), é o parâmetro que determina se uma janela de semeadura é classificada como de baixo, médio ou alto risco climático.

Impactos agronômicos e regionais

A adoção do ZARC-NM reduz os riscos climáticos para os produtores brasileiros. Aplicando-se os conceitos do ZARC-NM em algumas regiões produtoras de soja, percebe-se a predominância do NM2, embora muitas áreas permaneçam classificadas em NM1 em diversas regiões no Brasil. No noroeste do Paraná, estado com tradição consolidada em plantio direto e rotação de culturas, os resultados indicam que 53% dos talhões de soja são classificados em NM2, 26% em NM3, 15% em NM1 e apenas 6% em NM4. Esse perfil reflete o avanço das boas práticas conservacionistas, mas também o espaço ainda existente para evolução. No sudoeste do Mato Grosso do Sul, a situação é mais desafiadora: 40% das áreas encontram-se em NM1, 42% em NM2, 16% em NM3 e apenas 2% em NM4. Esse diagnóstico regional é fundamental para orientar políticas de extensão rural e crédito agrícola diferenciado, fomentando a adoção de boas práticas agrícolas e, consequentemente, a maior sustentabilidade dos sistemas produtivos de grãos.

Apesar da complexidade metodológica envolvida, os pesquisadores elaboraram um aplicativo muito intuitivo e fácil de operar pelo produtor rural. Trata-se do ZARC Plantio Certo, disponível nas lojas nas versões iOS e Android, congregando previsão do tempo, imagens de satélite, mapas de precipitação e dados históricos de produtividade municipal.

Validação a campo, em diferentes locais e safras

A robustez científica do ZARC-NM foi demonstrada em um experimento de longa duração conduzido em Dourados (MS), abrangendo 25 safras de soja entre 1998/99 e 2021/22. Os resultados, apresentados no XXIII Congresso Brasileiro de Agrometeorologia em 2025, demonstraram que a produtividade relativa estimada pelo modelo aumenta sistematicamente com o nível de manejo. Em média, as produtividades relativas corresponderam a 44% do potencial produtivo em NM1, 56% no NM2, 67% no NM3 e 79% no NM4. A diferença de 35 pontos percentuais entre NM1 e NM4, consistente ao longo de mais de duas décadas e safras, sob condições climáticas muito distintas, valida empiricamente o que os modelos matemáticos projetaram.

Algumas safras ilustram com particular clareza o papel do manejo. Em 2021/22 — ano de seca intensa no Paraná e Mato Grosso do Sul — a produtividade relativa estimada para áreas classificadas em NM1 foi de apenas 8%, enquanto áreas em NM4 atingiram 78%. Em 2007/08, outra safra com forte déficit hídrico, os valores foram de 45% e 89%, respectivamente. Em cenários de estresse hídrico extremo, o NM não é apenas um indicador de eficiência agronômica, mas também um fator de sobrevivência econômica da propriedade, a diferença entre o sucesso e a falência!

Implicações para a política agrícola

A nova versão (ZARC-NM) produz implicações relevantes na política agrícola brasileira. Numa segunda fase do Projeto Piloto para a cultura da soja, agora para os estados do PR, MS, SC e RS, o Programa de Subvenção ao Seguro Rural (PSR) passou a vincular o percentual de subvenção do seguro rural ao nível de manejo adotado pelo produtor. Desta forma, lavouras classificadas em NM1 recebem subvenção de 20%, enquanto áreas classificadas em NM4 podem alcançar até 40%. A lógica é objetiva: quem protege o solo, conserva recursos hídricos e fixa carbono merece mais apoio público. Trata-se, portanto, de um incentivo econômico às boas práticas agronômicas.

Ao incorporar o nível de manejo na definição do risco climático, o ZARC-NM permite que o Estado aloque subvenções de forma mais justa e eficiente, recompensando quem investe em sustentabilidade e onera menos o sistema de seguros. O resultado esperado é um ciclo virtuoso: mais incentivo às boas práticas agrícolas, menor sinistralidade, maior estabilidade de produção e maior sustentabilidade do agronegócio brasileiro no longo prazo.

Em maio de 2026, a Academia Brasileira de Ciência Agronômica promoveu um webinário para apresentar a proposta, as bases e os resultados de validação do ZARC-NM, que passa de uma fase de testes para aplicação em larga escala na cultura da soja, já na safra 2026/27. Aos interessados em aprofundar o conhecimento sobre o tema, recomenda-se assistir o referido webinário, disponível em youtu.be/Bj2Q7AZ9_RU ou e na página da ABCA (abcagro.org.br/comunicacao/noticia/100056)

Fonte: Assessoria de imprensa


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Sustentabilidade

Emater/RS-Ascar reavalia projeções da Safra de Grãos de Verão no RS – MAIS SOJA

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Com a colheita dos grãos de verão praticamente concluída no Rio Grande do Sul, a Emater/RS-Ascar reavalia produtividade e produção de soja, milho, milho silagem, feijão e arroz obtidas na Safra 2025/2026 e divulgadas no Informativo Conjuntural desta quinta-feira (11/06). No caso da soja, restam apenas áreas pontuais de segunda safra, sem representatividade estatística. A produtividade média estadual foi reavaliada para 2.707 kg de soja por hectare, representando redução de 14,8% nos 3.180 kg/ha projetados antes do início do plantio. A área efetivamente plantada no Estado foi 6.697.172 hectares, uma redução de 1,5% em relação aos 6.796.172 hectares da Safra 2024/2025 (IBGE). A produção da oleaginosa totaliza 18.132.401 toneladas, um aumento de 32,9%, se comparado às 13.643.986 toneladas colhidas na safra anterior (IBGE).

As condições atmosféricas registradas no período, caracterizadas por elevada umidade relativa do ar, presença frequente de neblina e baixa insolação, dificultaram a finalização das últimas operações de colheita do grão. Os resultados produtivos consolidados evidenciam elevada variabilidade regional, como reflexo das distintas condições hídricas observadas ao longo do ciclo.

Milho – A colheita de milho alcança 98% da área cultivada nesta safra, que foi de 812.540 hectares, conforme reavaliação da Emater/RS-Ascar, o que corresponde a 13,1% a mais, se comparada aos 718.190 hectares semeados na Safra 2024/2025 (IBGE). As áreas remanescentes correspondem principalmente a lavouras implantadas no período tardio do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), conduzidas em pequenas propriedades.

A produtividade estadual do milho foi reestimada pela Emater/RS-Ascar em 7.362 kg/ha, valor de ínfima variação percentual em relação à estimativa inicial de 7.376 kg/ha, realizada antes do início do plantio. Apesar dos impactos do déficit hídrico em alguns momentos do ciclo, a produção estadual do cereal na Safra 2025/2026 está estimada em 5.981.614 toneladas, o que representa acréscimo de 13,1% em relação a 5.290.051 toneladas colhidas na safra anterior.

Milho silagem – A colheita de milho para silagem ultrapassa 99% da área cultivada no Estado. Em algumas regiões, as lavouras implantadas tardiamente e destinadas à produção de grãos foram redirecionadas para a ensilagem, em razão dos danos provocados pelas geadas, que comprometeram o potencial produtivo e dificultaram a adequada conclusão do ciclo para a finalidade inicialmente prevista. Essa estratégia permitiu o aproveitamento da biomassa remanescente e a mitigação parcial das perdas decorrentes dos eventos climáticos.

A produtividade média de silagem para a Safra 2025/2026 foi reavaliada pela Emater/RS-Ascar em 36,878 kg/ha, representando redução de 3,8% nos 38.338 kg/ha estimados na ocasião do plantio. A área plantada é de 349.085 hectares, sendo 2% inferior aos 356.300 hectares plantados na Safra 2024/2025 (IBGE). O volume da produção alcança 12,87 milhões de toneladas, sendo 0,7% inferior à safra anterior, quando atingiu 12,96 milhões de toneladas. No comparativo com a estimativa inicial dessa safra, que era de 14,03 milhões de toneladas, a redução é de 8,3%.

Feijão 1ª safra – A primeira safra de feijão no Estado foi concluída. A reestimativa de produtividade realizada pela Emater/RS-Ascar apontou 1.726 kg/ha, sendo 3% inferior aos 1.779 kg/ha projetados no início do plantio. A área foi reavaliada para 23.942 hectares, representando redução de 22,3 % nos 30.797 hectares cultivados na Safra 2024/2025 (IBGE). A produção está estimada em 41.320 toneladas, sendo 26,3% inferior às 56.98 toneladas colhidas no ano anterior (IBGE), e 11% menor que as 46.412 toneladas previstas inicialmente.

Feijão 2ª safra – A colheita da segunda safra avançou para 85% da área cultivada no Estado, restando 15% das lavouras em maturação. As condições climáticas recentes, caracterizadas por maior disponibilidade de radiação solar e temperaturas amenas, favoreceram a evolução das áreas em final de ciclo e a retomada dos trabalhos de colheita. A área de cultivo atualizada pela Emater/RS-Ascar foi reestimada em 9.818 hectares, sendo 45,7% inferior aos 18.070 hectares cultivados ano anterior (IBGE). A produtividade revista está em 1.414 kg/ha, 0,01% superior aos 1.401 projetados inicialmente. A 2ª Safra deverá resultar na produção de 13.880 toneladas, sendo 37,2% inferior às 22.111 toneladas colhidas na Safra 2025 (IBGE).

Arroz – A cultura está em entressafra. A reavaliação de área aponta 891.908 hectares efetivamente plantados (Instituto Riograndense do Arroz – Irga), redução de 8,1% em relação aos 970.212 hectares de 2025. A produtividade foi reavaliada pela Emater/RS-Ascar de 8.703 kg/ha e produção de 7.762.464 toneladas, o que representa 11,4% inferior às 8.762.370 toneladas produzidas no ciclo anterior.

Culturas de Inverno

Trigo – A semeadura do trigo avançou de forma significativa no Estado, favorecida pelas condições de solo e pela perspectiva de precipitação. As lavouras implantadas apresentam germinação e desenvolvimento inicial adequados e emergência uniforme. Apesar do progresso das operações, há expectativa de redução da área cultivada em relação à safra anterior, motivada pela combinação de restrições de crédito, pelo menor nível tecnológico empregado, pelos custos de produção elevados e pelas incertezas quanto ao comportamento climático durante o ciclo. Em algumas regiões, parte das áreas inicialmente destinadas ao cereal poderá ser substituída por culturas alternativas, plantas de cobertura ou sistemas pecuários.

A estimativa de área a ser cultivada na Safra 2026 está em levantamento pela Emater/RS-Ascar. Na safra anterior, o Rio Grande do Sul cultivou 1.166.163 hectares de trigo, com produtividade média de 2.968 kg/ha e produção total de 3.458.083 toneladas, conforme dados do IBGE.

Aveia-branca – A implantação de aveia-branca se encontra próxima da conclusão na maior parte das regiões produtoras do Estado. As condições climáticas têm favorecido a emergência, o estabelecimento e o desenvolvimento vegetativo inicial das lavouras, que apresentam estande adequado e baixa incidência de pragas e doenças. As áreas mais precoces estão em início de perfilhamento, e os produtores realizam adubação nitrogenada em cobertura e demais tratos culturais de rotina.

Em termos de área cultivada, observa-se cenário de relativa estabilidade em parte das regiões. Em outras, registra-se expansão moderada da cultura, consolidando seu papel nos sistemas produtivos de inverno. A estimativa de área cultivada para 2026 está em levantamento pela Emater/RS-Ascar. Na safra de 2025, o Estado cultivou 393.135 hectares, com produtividade média de 2.394 kg/ha e produção total de 935.664 toneladas, conforme dados do IBGE.

Canola – A semeadura está em finalização e deve ser concluída até a próxima segunda-feira (15/06). Na maior parte do Estado, as condições de umidade do solo e as precipitações, mesmo leves, favoreceram a germinação e a emergência e, como consequência, a formação de estandes satisfatórios. No entanto, em algumas áreas, a baixa luminosidade e as temperaturas amenas têm limitado o crescimento inicial e dificultado o manejo de plantas daninhas.

As lavouras apresentam, de forma geral, bom potencial produtivo. Mantém-se a expectativa de grande expansão da área cultivada em relação à safra anterior, impulsionada pela inserção da cultura nos sistemas de rotação, pelos resultados econômicos anteriores e pelo interesse dos produtores em diversificar a produção de inverno. A área cultivada no Estado segue em levantamento pela Emater/RS-Ascar. Em 2025, foram cultivados 174.394 hectares, com produtividade média de 1.653 kg/ha e produção total de 285.481 toneladas, conforme o IBGE.

Cevada – A implantação de cevada ganhou impulso e já está em finalização, com redução estimada em mais de 30% em relação ao ciclo anterior. A retração decorre da sensibilidade dos grãos a agentes físicos e biológicos, favorecidos à possível atuação do fenômeno El Niño durante o inverno e a primavera, o que diminui o interesse comercial dos produtores pela cultura. A área cultivada em 2026 está em levantamento pela Emater/RS-Ascar. Em 2025, a área plantada foi de 32.010 hectares, com produtividade média de 3.622 kg/ha.

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