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30 de maio de 2026

Sustentabilidade

Brasil desponta entre os três maiores mercados globais de bioinsumos, com movimentação de R$ 7 bilhões na última safra – MAIS SOJA

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O setor de bioinsumos no Brasil superou R$ 7 bilhões na última safra (2024/2025), consolidando o país entre os três maiores do mundo, ao lado de Estados Unidos e China. Em escala global, o Brasil responde por entre 15% e 18% do segmento e concentra cerca de 50% das movimentações na América Latina. Esse avanço ocorre em paralelo à rápida transformação da indústria nacional, que registrou crescimento superior a 50% no número de empresas entre 2022 e 2025, impulsionado tanto pela entrada de novos players quanto pela diversificação de companhias tradicionais de insumos.

Os dados foram apresentados durante a terceira edição do Workshop de Inteligência de Mercado em Bioinsumos, promovido pela ANPII Bio (Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos), no último mês de março, em Campinas. Consolidado como um dos principais espaços de análise estratégica do setor, o evento reuniu cerca de 200 participantes, incluindo executivos de mais de 90 empresas, com programação voltada à divulgação de dados inéditos e exclusivos, aliada à leitura de mercado, tendências e perspectivas para os bioinsumos no Brasil e no mundo. O encontro também contou com a participação de representantes do setor público, como o Ministério da Agricultura (MAPA) e a Embrapa, além de especialistas e consultorias, reunindo diferentes elos da cadeia produtiva em torno da qualificação da tomada de decisão baseada em dados.

“O avanço dos bioinsumos no Brasil está cada vez mais ligado ao acesso a dados qualificados, inteligência de mercado e à integração entre os diferentes agentes da cadeia. Iniciativas como o workshop são fundamentais para sustentar esse crescimento e consolidar o país como um dos protagonistas globais no desenvolvimento e na adoção dessas tecnologias”, afirma Larissa Bonotto, responsável pela frente de inteligência de mercado e diretora de operações da ANPII Bio.

Cenário global e regional

Segundo dados apresentados pela DunhamTrimmer International Bio Intelligence, o mercado global de bioinsumos foi estimado em cerca de US$ 15 bilhões em 2025, com crescimento médio anual projetado de 10% até 2030, refletindo uma fase de expansão acelerada e avanço gradual em direção à maturidade. O segmento de biocontrole segue como principal pilar do setor, concentrando mais de 50% desse volume, enquanto os bioestimulantes, que são classificados como biofertilizantes na legislação brasileira, representam 28%. Já os inoculantes e promotores de crescimento microbianos, ao fortalecerem estratégias integradas de manejo, respondem por 17% de participação.

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“O crescimento observado globalmente é impulsionado pela demanda por soluções mais sustentáveis e pela necessidade de maior eficiência produtiva. Ao mesmo tempo, vemos um ambiente de intensificação competitiva e expansão global das empresas do setor”, explica Ignacio Moyano, vice-presidente de desenvolvimento de negócios para a América Latina da DunhamTrimmer International Bio Intelligence.

A América Latina se consolida como um dos principais motores dessa expansão, com crescimento projetado de 14% entre 2025 e 2030 e expectativa de atingir US$ 6,7 bilhões em faturamento ao final do período. Dentro desse movimento, o Brasil ocupa posição de destaque e se consolida como uma das principais referências globais, tanto em escala de uso quanto em desenvolvimento tecnológico de insumos biológicos, concentrando cerca de 50% da movimentação regional – impulsionado não apenas pelo tamanho da sua agricultura, mas também pela rápida adoção em cultivos extensivos e por um ambiente regulatório favorável.

De acordo com a consultoria, esse fortalecimento, tanto no Brasil quanto na América Latina, está diretamente associado à pressão por redução de resíduos, à busca por maior eficiência no uso de nutrientes e à crescente integração desses produtos ao manejo agronômico, especialmente em culturas extensivas como soja, milho e trigo, além da demanda por ferramentas cada vez mais estratégicas dentro dos sistemas produtivos, capazes de promover a nutrição das plantas, ampliar o controle de pragas e doenças e aumentar a resiliência das lavouras frente ao estresse climático, o que tem fomentado, do ponto de vista tecnológico, o avanço de soluções microbianas e biotecnológicas baseadas no uso de microrganismos.

Apesar desse avanço consistente, o principal desafio para a indústria está na captura de valor: em um ambiente cada vez mais competitivo, as empresas precisam avançar na comprovação de resultados agronômicos no campo, fortalecer a confiança do produtor e se diferenciar por meio da oferta de serviços técnicos, geração de dados e suporte agronômico, indo além do produto em si.

“Entramos em uma nova fase de desenvolvimento do setor, em que a expansão em área e adoção já não é suficiente para sustentar o crescimento. A captura de valor passa, necessariamente, pela capacidade das empresas de entregar consistência agronômica, gerar dados confiáveis e apoiar o produtor na tomada de decisão, em um contexto cada vez mais técnico e competitivo”, complementa Moyano.

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Mercosul, oportunidades e desafios

 Nesse ambiente global em transformação, o cenário internacional adiciona novas variáveis relevantes, como o avanço das negociações no âmbito do Mercosul. A abertura comercial prevista no acordo cria oportunidades importantes, como a eliminação de tarifas em cerca de 92% do comércio bilateral, maior acesso ao mercado europeu, expansão das exportações agrícolas e fortalecimento de cadeias agroindustriais.

Por outro lado, também amplia a concorrência internacional, pressiona margens, eleva as exigências regulatórias e de rastreabilidade e intensifica a pressão sobre os preços dos insumos. Na prática, a abertura de mercado amplia o potencial de crescimento, mas não garante rentabilidade, reforçando a necessidade de maior eficiência e competitividade por parte das empresas.

Mercado brasileiro e projeções 2029/2030

No Brasil, os dados apresentados pela Blink Inteligência Aplicada, por meio de seu fundador e CEO, Lars Schobinger, mostram que o mercado nacional já superou R$ 7 bilhões na última safra, considerando produtos comerciais e produção on farm. Nesse contexto, as culturas de soja, milho, cana-de-açúcar, algodão, café e citros concentram 96% do mercado de biológicos, evidenciando a forte presença desses insumos em sistemas produtivos de larga escala.

Além disso, os bioinsumos já representam 7,2% do mercado em relação aos químicos, com maior participação no milho, com 10,1%, seguido pela cana-de-açúcar, com 8,1%, e pela soja, com 7,1%. Na análise por segmento, os bionematicidas lideram com 31% de participação, seguidos por bioinseticidas, com 25%, e biofungicidas, com 15%, que vêm ampliando espaço de forma consistente.

Em relação à área tratada com biológicos comerciais, o levantamento demonstra avanço contínuo. Ainda assim, o valor das vendas cresceu em ritmo inferior ao observado nas safras anteriores: na comparação com 2023/24, a área potencial tratada (PAT) avançou 15,8%, mas, ao mesmo tempo, o valor de mercado cresceu 3,6%, com projeção de leve redução na safra 25/26, mas ainda com avanço importante na area tratada, evidenciando um descompasso entre adoção e captura de valor. “A entrada acelerada de novos players torna o mercado mais pulverizado e competitivo, intensificando a disputa por preço e comprimindo margens, mesmo em um cenário de maior consumo e adoção no campo”, afirma Lars Schobinger, fundador e CEO da Blink Inteligência Aplicada.

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No entanto, no médio prazo, o setor deve entrar em uma nova onda de crescimento, com projeção de expansão de 66% na área tratada com biológicos comerciais nos próximos cinco anos, valor que representa um crescimento médio anual de 10,6% entre 2025 e 2030.

No entanto, no médio prazo, o setor deve entrar em uma nova onda de crescimento, com projeção de expansão de 66% na área tratada com biológicos comerciais nos próximos cinco anos, valor que representa um crescimento médio anual de 10,6% entre 2025 e 2030.

Indústria brasileira em forte expansão

Os dados da ANPII Bio, apresentados pela 5P2R Marketing de Precisão, reforçam o momento de expansão da indústria nacional. O levantamento, que inclui dados exclusivos e inéditos da indústria brasileira, foi realizado pela associação a partir da análise de 30 empresas ao longo de 2025, por meio de coletas trimestrais. A análise integra uma base histórica iniciada em 2009, que confere à entidade a mais longa série estatística sobre bioinsumos no país, com 19 anos de dados contínuos.

O estudo também demonstra que, entre 2022 e 2025, o número de empresas cresceu mais de 50%, refletindo tanto o surgimento de novos entrantes quanto a ampliação do portfólio de companhias já consolidadas em outros segmentos, como fertilizantes e defensivos químicos. Atualmente, são mais de 200 empresas formalmente registradas junto ao MAPA.

Além disso, o Brasil já possui mais 1500 insumos com ação biológica registrados, mesmo antes da completa regulamentação da Lei de Bioinsumos. Dentre os destaques estão inoculantes, que representam 60% dos registros, seguidos por defensivos biológicos (39%) e biofertilizantes (2%).

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Os dados também demonstram que a indústria nacional ganha protagonismo com baixa dependência externa: as empresas brasileiras respondem por 85% da produção e 75% do crescimento recente do volume, enquanto apenas 15% dos produtos biológicos são importados.

Mesmo diante de desafios como pressão de oferta, riscos de crédito e pressão nos canais de distribuição, as empresas associadas à ANPII Bio projetam, neste ano, o crescimento de 17% no consumo de bioinsumos no país. “O cenário combina aumento do número de empresas e produtos, expansão da capacidade industrial e avanço mais acelerado em volume do que em valor, em um ambiente mais competitivo e exigente. Ainda assim, as perspectivas para 2026 permanecem positivas e o mercado seguirá se fortalecendo e se diversificando”, afirma Anderson Nora Ribeiro, sócio-fundador da 5P2R Marketing de Precisão.

Para a porta-voz da ANPII Bio, o conjunto dos dados reforça o papel estratégico do Brasil no avanço global dos bioinsumos. “O país reúne escala produtiva, capacidade industrial e um ambiente cada vez mais estruturado para sustentar o crescimento do setor. O desafio, agora, está em transformar esse avanço em valor consistente para toda a cadeia, com inovação, qualidade e geração de resultados no campo”, conclui Larissa Bonotto.

Sobre a ANPII Bio:

Fundada em 1990, a ANPII Bio, primeira associação representativa de insumos biológicos no Brasil, vem desempenhando um papel crucial na construção de uma legislação moderna e segura junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e outros órgãos reguladores. Isso permite que o setor produtivo ofereça produtos eficientes e inovadores, com biotecnologia de ponta aplicada à agricultura sustentável.

Em parceria com a Embrapa e outras instituições de pesquisa, a entidade viabilizou estudos que diversificaram e expandiram o setor, com mais de 150 empresas desenvolvendo e comercializando bioinsumos que beneficiam agricultores, o meio ambiente e a sociedade. Além disso, sua participação em eventos científicos, feiras agrícolas, espaços de discussão e diversos fóruns relevantes, assim como seu programa gratuito de EAD, tem promovido maior entendimento sobre a tecnologia dos biológicos e contribuído para o desenvolvimento sustentável da agronomia, da agricultura e da economia do Brasil.

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Atualmente, conta com 33 associadas efetivas, incluindo indústrias produtoras e comercializadoras de bioinsumos (Agrivalle, Agripon, Agroceres Binova, Agrocete, Alltech, Alterra, Apoena Agro, Bioagro, Biocaz, Bio Controle, Bionat, Biosphera, Biota, BRQ, BSS, Cema, Elemental Enzymes, Forbio, Gaia, Geoclean, ICL, Indigo, Lallemand, Lynx Biological, Mosaic, Novonesis, Rizobacter, Rovensa Next, Spraytec, Stoller, Syngenta e Valeouro), além de 24 associadas colaboradoras.

Para mais informações, acesse: www.anpiibio.org.br

Fonte: Assessoria de imprensa ANPBIO



 

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Sustentabilidade

Saiba como as cotações de soja encerraram a semana; estabilidade nos preços definem o dia

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Foto: Wenderson Araujo-Trilux/CNA

O mercado brasileiro de soja encerrou a semana sem grandes movimentações, com preços praticamente estáveis na maior parte das regiões produtoras e dos portos. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, algumas oportunidades surgiram ao longo do dia, mas sem volumes expressivos de negócios.

A sessão foi marcada por pouca variação nos principais formadores de preços. Enquanto os contratos futuros da soja recuaram na Bolsa de Chicago, o dólar registrou leve valorização frente ao real. Apesar disso, os movimentos não foram suficientes para provocar alterações relevantes nas referências do mercado físico brasileiro.

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De acordo com Silveira, não houve fatores capazes de impactar de forma significativa a formação dos preços. O analista também destacou que, apesar do ritmo mais lento observado nesta sexta-feira, os produtores apresentaram movimentações mais firmes ao longo da semana, com bons volumes de comercialização.

Preços da soja no Brasil

  • Passo Fundo (RS): manteve em R$ 126,00
  • Santa Rosa (RS): manteve em R$ 127,00
  • Cascavel (PR): manteve em R$ 121,00
  • Rondonópolis (MT): manteve em R$ 110,00
  • Dourados (MS): manteve em R$ 115,00
  • Rio Verde (GO): manteve em R$ 113,00
  • Paranaguá (PR): manteve em R$ 132,00
  • Rio Grande (RS): manteve em R$ 132,00

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja encerraram a sexta-feira em baixa na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), ampliando as perdas acumuladas tanto na semana quanto no mês de maio. O movimento foi atribuído principalmente à realização de lucros pelos investidores e ao reposicionamento das carteiras.

No acumulado de maio, a soja registrou queda de 0,73%, enquanto na semana a retração foi de 0,77%. A desvalorização do petróleo, diante das perspectivas de um acordo entre Irã e Estados Unidos para reduzir as tensões no Oriente Médio, e as condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento das lavouras norte-americanas contribuíram para o movimento de correção dos preços.

O mercado também segue atento à demanda chinesa. Os agentes aguardam sinais de retomada das compras por parte da China, que poderiam ocorrer dentro dos entendimentos firmados entre Washington e Pequim durante visita do presidente Donald Trump ao país asiático.

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USDA

As vendas externas dos Estados Unidos também estiveram no radar. Exportadores privados reportaram ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a comercialização de 192 mil toneladas de soja para destinos não revelados. Desse total, 60 mil toneladas serão entregues na safra 2025/26 e 132 mil toneladas na temporada 2026/27.

Além disso, as exportações líquidas norte-americanas de soja somaram 299,9 mil toneladas para a safra 2025/26 na semana encerrada em 21 de maio. Para a temporada 2026/27, foram registradas mais 137,7 mil toneladas. O resultado ficou dentro das expectativas do mercado, que projetava embarques entre 150 mil e 400 mil toneladas considerando as duas safras.

Contratos futuros de soja

Entre os contratos futuros, a posição julho fechou a US$ 11,86 3/4 por bushel, com queda de 7,75 centavos de dólar ou 0,64%. Já o vencimento agosto encerrou a US$ 11,90 1/4 por bushel, recuando 5,75 centavos de dólar ou 0,48%.

Nos subprodutos, o farelo de soja para julho caiu US$ 4,30, ou 1,28%, para US$ 329,80 por tonelada. O óleo de soja, por sua vez, avançou 1,02 centavo de dólar, ou 1,32%, encerrando a sessão em 77,72 centavos de dólar por libra-peso.

Dólar

O dólar comercial encerrou o dia com valorização de 0,26%, cotado a R$ 5,0450 para venda e R$ 5,0431 para compra. Durante a sessão, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,0351 e a máxima de R$ 5,0711.

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No acumulado da semana, a moeda avançou 0,33%. Em maio, a valorização chegou a 1,87%.

Com informações da Safras & Mercado.

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Sustentabilidade

Descompasso entre produtor, indústria e varejo amplia fragilidade do mercado de arroz – MAIS SOJA

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O mercado brasileiro de arroz encerra o mês de maio operando sob ambiente extremamente defensivo, com baixa fluidez comercial, negociações lentas e dificuldade crescente de construção de preço em praticamente toda a cadeia. A avaliação é do analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira.

No mercado físico, os negócios seguem ocorrendo de forma bastante pontual, sem intensidade compradora relevante, enquanto as referências continuam majoritariamente abaixo de R$ 60 por saca de 50 quilos FOB Rio Grande do Sul. Em Santa Catarina, as indicações trabalham predominantemente entre R$ 52 e R$ 56/saca, reforçando o viés pressionado observado no Sul do país.

“O cenário atual mostra um mercado cada vez mais fragmentado entre os diferentes elos da cadeia”, relata Oliveira. “Enquanto produtores tentam limitar novas concessões diante das margens extremamente comprimidas, indústrias operam com forte cautela comercial e o varejo continua pressionando preços de reposição mesmo sem aumento consistente das compras”, exemplifica.

Na prática, o fluxo entre campo, beneficiamento e supermercados perdeu sincronia, criando um ambiente de travamento operacional e baixa previsibilidade comercial. “O produto beneficiado voltou a ser citado com frequência crescente como um dos principais gargalos do mercado neste momento”, frisa o consultor.

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A ponta varejista segue relatando vendas fracas, menor giro nas gôndolas e aumento da seletividade do consumidor. “Grandes redes continuam reduzindo ofertas de compra, alegando desaceleração relevante nas vendas de itens básicos em diversas regiões do país”, afirma o analista.

Apesar disso, o mercado começa a observar alguns contrapontos mais construtivos fora do ambiente doméstico. “Parte do setor já enxerga fundamentos internacionais relativamente mais positivos, principalmente diante das dificuldades competitivas dos Estados Unidos, da alta recente dos preços asiáticos e dos riscos climáticos globais”, enumera.

Em relação aos preços, a média da saca de arroz no Rio Grande do Sul (58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista) encerrou o dia 28 cotada a R$ 59,49, queda de 0,13% em relação à semana anterior. Na comparação com o mesmo período do mês passado, o recuo foi de 6,61%, enquanto, em relação a 2025, a desvalorização atingiu 18,87%.

Autor/Fonte: Rodrigo Ramos/ Agência Safras News

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Sustentabilidade

Janela de aplicação: Estratégia fundamental para o manejo da resistência de doenças na soja – MAIS SOJA

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Embora diferentes estratégias integradas possam ser adotadas no manejo de doenças em culturas agrícolas como a soja, o uso de fungicidas químicos ainda representa o principal método de controle em escala comercial, constituindo um dos pilares fitossanitários das lavouras. Contudo, mesmo com moléculas de elevada eficiência e eficácia, o uso inadequado e repetitivo de fungicidas com o mesmo princípio ativo e/ou mecanismo de ação tem favorecido a seleção de biótipos de fungos resistentes, contribuindo para o aumento dos casos de resistência a esses defensivos agrícolas.

Como estratégias para reduzir o avanço da resistência de fungos aos fungicidas, o  FRAC-BR destaca a importância da rotação de moléculas dentro de diferentes grupos químicos, da associação entre fungicidas multissítios e sítio-específicos e da adoção de boas práticas agronômicas, como evitar semeaduras tardias, priorizar cultivares de ciclo precoce, respeitar o vazio sanitário e eliminar plantas voluntárias.

Considerando que doenças de elevado impacto econômico na soja, como a ferrugem-asiática causada por Phakopsora pachyrhizi, já apresentam diferentes níveis de sensibilidade e resistência a fungicidas com ingrediente ativo único (Figura 1), torna-se fundamental adotar estratégias de manejo que maximizem a eficiência de controle sem intensificar a pressão de seleção de indivíduos resistentes, contribuindo para a preservação da eficácia dos fungicidas ao longo do tempo.

Figura 1. Média da porcentagem de controle da ferrugem-asiática com os fungicidas tebuconazol (TBZ), ciproconazol (CPZ), tetraconazol (TTZ), protioconazol (PTZ), azoxistrobina (AZ), picoxistrobina (PCX) e metominostrobina (MTM) nos experimentos (n) cooperativos nas safras: 2003/2004 (n=11), 2004/2005 (n=20), 2005/2006 (n=15), 2006/2007 (n=10), 2007/2008 (n=7), 2008/2009 (n=23), 2009/2010 (n=15), 2010/2011 (n=11), 2011/2012 (n=11), 2012/2013 (n=21), 2013/2014 (n=16), 2014/2015 (n=21), 2015/2016 (n=23), 2016/2017 (n=32), 2017/2018 (n=26), 2018/2019 (n=25), 2019/2020 (n=14), 2020/2021 (n=19), 2021/2022 (n=19), 2022/2023 (n=18) e 2023/2024 (n=12) em diferentes regiões produtoras de soja no Brasil (Godoy et al., 2024).
Fonte: Godoy et al. (2024)

Estratégicamente, uma das principais medidas associadas à aplicação de fungicidas que contribuem para o manejo da resistência de doenças é o adequado planejamento e posicionamento das pulverizações, tendo a janela de aplicação como ferramenta fundamental. A janela de aplicação (Figura 2) organiza o uso dos fungicidas ao longo do ciclo da cultura, reduzindo a pressão de seleção exercida sobre os patógenos. Seu princípio baseia-se em limitar aplicações consecutivas de fungicidas com o mesmo modo de ação, concentrando seu uso em períodos específicos do desenvolvimento da cultura. Dessa forma, reduz-se a exposição repetitiva do patógeno a um mesmo grupo químico ou ingrediente ativo, retardando a seleção de indivíduos resistentes e contribuindo para a manutenção da eficácia dos fungicidas (FRAC-BR, 2026).

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Figura 2. Como funciona a janela de aplicação de fungicidas em soja.
Fonte: FRAC-BR (2026)

Vale destacar que, para que a adoção de janelas de aplicação proporcione resultados efetivos no manejo da resistência, sua definição deve considerar fatores como o estádio de desenvolvimento da cultura, a suscetibilidade às doenças em cada fase do ciclo, a epidemiologia dos patógenos e o risco de resistência aos fungicidas. Além disso, diversos estudos demonstram que a associação de fungicidas multissítios/protetores a fungicidas sítio-específicos, independentemente do momento de aplicação, aumenta a eficiência no controle das doenças e contribui significativamente para o manejo da resistência. Nesse contexto, também é fundamental promover a rotação de ingredientes ativos e mecanismos de ação ao longo do programa fitossanitário, independentemente do intervalo entre as janelas de aplicação.



Referências:

FRAC. NOVAS RECOMENDAÇÕES PARA O MANEJO DE DOENÇAS EM SOJA. FRAC-Brasil, s.d. Disponível em: < https://3f2c8573-584c-4b16-985f-14dc48f9ab81.filesusr.com/ugd/6c1e70_f591d8b1a2934a109259af440b049052.pdf >, acesso em: 29/05/2026.

FRAC-BR. JANELA DE APLICAÇÃO. Comitê de Ação a Resistênica a Fungicidas, 2026. Disponível em: < https://www.frac-br.org/post/janela-de-aplicacao >, acesso em: 29/05/2026.

GODOY, C. V. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DA FERRUGEMASIÁTICA DA SOJA, Phakopsora pachyrhizi, NA SAFRA 2023/2024: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa Soja, Circular Técnica n. 206, 2024. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1165843/1/CT-206-Claudia-Godoy.pdf >, acesso em: 29/05/2026.

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