Sustentabilidade
Aprosoja MT debate classificação de grãos e desafios logísticos em reuniões de comissões – MAIS SOJA

Na manhã desta quarta-feira (08.03), a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) deu início à segunda reunião das comissões de Defesa Agrícola e Logística. O encontro teve como objetivo debater os principais temas que impactam os produtores associados, além de apresentar a prestação de contas das ações desenvolvidas ao longo do triênio 2024/2026.
No período da manhã, a Comissão de Defesa Agrícola iniciou os trabalhos com discussões sobre temas relevantes ao setor, como a classificação dos grãos durante a entrega do produto, qualidade das sementes plantadas nas safras anteriores e atual, garantia de entrega de fertilizantes com qualidade, trabalhos desenvolvidos nos Centros de Pesquisa, atualizações sobre o novo modelo de entrega de relatórios do Programa Aproclima, além de diversas pautas legislativas pertinentes aos produtores.
De acordo com o vice-presidente sul da Aprosoja MT e coordenador da Comissão de Defesa Agrícola, Fernando Ferri, a reunião também foi um momento de transparência e escuta ativa dos produtores.
“Realizamos a apresentação dos dados de coleta de fertilizantes, amostragem de sementes e das etapas da soja e do milho. Também destacamos as ações em andamento, especialmente na área legislativa. Fizemos um panorama do trabalho desenvolvido pela Defesa Agrícola ao longo do período, mostrando onde estamos atuando. Além disso, abrimos espaço para que os produtores trouxessem suas demandas, apontando onde precisamos evoluir e quais frentes devem ser priorizadas nos próximos semestres. Houve discussões relevantes sobre classificação de grãos, amostragem de fertilizantes e melhoramento genético. Foi uma reunião bastante participativa, com esclarecimento de dúvidas para que todos possam levar essas informações às suas bases.”
Durante o encontro, produtores relataram desafios relacionados à classificação de grãos de soja e milho, especialmente no que diz respeito às divergências na avaliação da qualidade dos produtos entregues às empresas privadas. Para o delegado coordenador do núcleo de Alto Taquari, Guilherme Kok, o momento é fundamental para que os produtores apresentem suas demandas à entidade.
“Debatemos a importância da classificação dos grãos. Entregamos um produto com determinada qualidade, mas, conforme relatos, tradings e portos têm apontado um volume elevado de inconformidades. Esse é um momento importante para reunir produtores de todo o estado, identificar os desafios enfrentados em cada região e discutir como a Aprosoja MT pode contribuir para melhorias que beneficiem todo o setor”, afirmou.
No período da tarde, os debates da Comissão de Logística abordaram os principais gargalos logísticos de Mato Grosso, incluindo temas como piso mínimo do frete, peso por eixo, concessões rodoviárias e ferrovias. As discussões contaram com a participação de representantes da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso.
Além disso, foram apresentadas atualizações sobre importantes corredores logísticos, como as rodovias BR-163, BR-158 e BR-242, bem como projetos ferroviários estratégicos, entre eles a Ferrogrão, a Ferronorte e a FICO.
Segundo o vice-presidente norte da Aprosoja MT e coordenador da Comissão de Logística, Diogo Balistieri, a participação dos produtores é essencial para orientar a atuação da entidade.
“Discutimos os principais desafios logísticos enfrentados pelo estado durante o período da safra, especialmente as condições das rodovias estaduais. A coordenação realizou um levantamento detalhado das estradas, identificando os principais problemas. Também abordamos o avanço dos projetos ferroviários, que representam uma perspectiva importante para o futuro de Mato Grosso. A participação dos produtores fortalece o debate e contribui para direcionar os trabalhos da comissão de forma mais assertiva”, destacou.
O produtor do núcleo de Feliz Natal, Sandro Mick, chamou a atenção para os entraves relacionados à tabela de frete.
“Na região de Feliz Natal, assim como em grande parte de Mato Grosso, enfrentamos desafios logísticos significativos. Atualmente, muitos produtores têm recebido notificações e multas da ANTT relacionadas à tabela de frete com preço mínimo, o que tem gerado preocupação, especialmente entre aqueles que foram pegos de surpresa. Há inconsistências no modelo adotado. Feliz Natal, por exemplo, é um município com mais de 150 quilômetros de extensão. Dentro dele, há propriedades com distâncias superiores a 100 quilômetros entre si. No entanto, as notificações consideram apenas a distância entre municípios, o que, muitas vezes, não reflete a realidade dos trajetos entre fazendas e armazéns”, explicou.
Diante desse cenário, os produtores reforçaram a necessidade de revisão dos critérios utilizados na aplicação da tabela de frete, buscando maior alinhamento com a realidade do campo. As demandas levantadas durante a reunião devem subsidiar a atuação da Aprosoja MT junto aos órgãos competentes, com o objetivo de construir soluções que garantam mais segurança jurídica e viabilidade operacional ao setor produtivo.
As reuniões das comissões da Aprosoja MT seguem até a próxima sexta-feira (10.03), com os encontros das comissões de Política Agrícola e Sustentabilidade, encerrando com a Assembleia Geral.
Fonte: Aprosoja/MT
Sustentabilidade
Bioestimulantes auxiliam no estabelecimento da soja? – MAIS SOJA

O número de plantas por área constitui um dos principais componentes da produtividade da soja. Nesse contexto, o estabelecimento adequado da lavoura, caracterizado por uma população de plantas compatível com o ambiente e distribuída de forma uniforme, é fundamental para o alcance de elevadas produtividades. Para isso, atributos fisiológicos das sementes, especialmente germinação e vigor, desempenham papel central, uma vez que determinam, em grande parte, a capacidade de estabe0lecimento do estande e a uniformidade inicial da cultura.
Considerando a importância desses atributos, a utilização de sementes com elevados índices de germinação e vigor representa uma das estratégias mais seguras para garantir o adequado estabelecimento da soja. Entretanto, em algumas situações, sementes salvas ou submetidas a períodos prolongados de armazenamento podem apresentar redução da qualidade fisiológica, comprometendo a germinação, a emergência e, consequentemente, a obtenção da população de plantas desejada no campo.
Além da qualidade das sementes, condições climáticas e ambientais adversas exercem forte influência sobre os processos de germinação e emergência das plântulas. Temperaturas inadequadas, excesso ou déficit hídrico, compactação do solo e outras condições desfavoráveis podem reduzir a velocidade e a uniformidade da emergência, resultando em estandes desuniformes e maior dificuldade para alcançar o potencial produtivo da lavoura.
Nesse contexto, o uso de bioinsumos com propriedades bioestimulantes tem ganhado espaço como uma estratégia complementar para favorecer o estabelecimento da cultura, especialmente em ambientes sujeitos a condições adversas. Esses produtos podem atuar sobre processos fisiológicos relacionados à germinação, emergência e desenvolvimento inicial das plantas, contribuindo para maior uniformidade e melhor estabelecimento do estande.
Tradicionalmente, os bioestimulantes são empregados principalmente via aplicação foliar, sobretudo após a ocorrência de estresses ambientais ou climáticos, com o objetivo de estimular a recuperação das plantas e reduzir os impactos negativos dessas condições. Entretanto, pesquisas recentes têm buscado ampliar sua utilização, avaliando a associação de determinados bioestimulantes ao tratamento de sementes e ao processo de estabelecimento inicial da soja. Essa abordagem busca explorar seus potenciais efeitos benéficos desde as primeiras etapas do desenvolvimento da cultura, período determinante para a formação de uma lavoura uniforme e produtiva.
Conforme observado por Elsenbach et al. (2017), o emprego de um bioestimulante composto por cinetina, ácido giberélico e ácido indolbutírico no tratamento de sementes, contribui para o incremento de comprimento da parte aérea de plântulas de soja tratadas com esse bioestimulante, além de contribuir para a melhoria de características fisiológicas das plântulas e sementes.
Resultados em sementes de baixo vigor
Os resultados do uso de substâncias bioestimulantes no tratamento de sementes são ainda superiores em lotes com menor qualidade. Ao avaliar a emergência e o crescimento inicial das plântulas de soja em resposta à aplicação de doses de um biopotencializador (Crop Evo®) a base de extrato de algas e aminoácidos constituído de carbono orgânico total (C), nitrogênio (N), enxofre (S), boro (B), cobalto (Co), ferro (Fe), cobre (Cu), manganês (Mn), molibdênio (Mo) e zinco (Zn), Machado et al. (2026) observaram que, em lotes com baixo vigor (abaixo de 75), a substancia adicionada no tratamento de sementes surtiu efeitos benéficos que contribuíram para um melhor estabelecimento das plantas. Já nos lotes de alto vigor (acima de 90%), esses efeitos não foram expressivos.
De acordo com Machado et al. (2026) a porcentagem de emergência e a velocidade de emergência das plântulas de soja oriundas de sementes de baixo vigor foi influenciada significativamente pelas doses de biopotencializador aplicadas no tratamento das sementes. No entanto, a aplicação de doses de biopotencializador não influenciou significativamente a porcentagem de emergência e a velocidade de emergência das plântulas de soja oriundas de sementes de alto vigor.
Para as sementes de baixo vigor, a máxima porcentagem de emergência (91,2%) e o maior índice de velocidade de emergência das plântulas de soja (14,3 plântulas dia–1) foram obtidos, respectivamente, com a utilização de 11,9 e 11,7 mL kg–1 de biopotencializador no tratamento das sementes (Figuras 1A e 1B). Para as sementes de alto vigor, a porcentagem média de emergência das plântulas de soja foi de 94,4%, ao passo que o valor médio do índice de velocidade de emergência foi de 14,7 plântulas dia–1 (Machado et al., 2026).
Figura 1. Efeito das doses do biopotencializador Crop Evo® aplicadas no tratamento das sementes sobre a porcentagem de emergência (A) e índice de velocidade de emergência (B) das plântulas de soja oriundas de sementes de baixo e alto nível de vigor. DMS: diferença mínima significativa.
Fonte: Machado et al. (2026)
Estes resultados reforçam os efeitos benéficos e a aptidão dos bioinsumos bioestimulantes na tratamento de sementes da soja, principalmente sobre a emergência das plântulas de soja oriundas das sementes de baixo vigor, contribuindo para um melhor estabelecimento da soja. Vale destacar que para lotes de alta germinação e vigor, o estudo conduzido por Machado et al. (2026) não encontrou resultados significativos em função da adição de bioestimulantes no tratamento de sementes.
Confira o estudo completo de Machado e colaboradores (2026) clicando aqui!
Veja mais: Uso de Ascophyllum nodosum (L.) em soja

Referências:
ELSENBACH, H. et al. EFEITO DO BIOESTIMULANTE NO DESENVOLVIMENTO DE PLÂNTULAS DE SOJA. Anais do 9º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO – SIEPE, Universidade Federal do Pampa, 2017. Disponível em: < https://guri.unipampa.edu.br/uploads/evt/arq_trabalhos/14414/seer_14414.pdf >, acesso em: 24/08/2026.
MACHADO, A. F. et al. CRESCIMENTO INICIAL DE PLANTAS DE SOJA COM A APLICAÇÃO DE BIOPOTENCIALIZADOR EM SEMENTES DE BAIXO E ALTO VIGOR. Trends in Agricultural and Environmental Sciences, 2026. Disponível em: < https://editorapantanal.com.br/journal/index.php/taes/pt_BR/article/view/40 >, acesso em: 24/08/2026.

Sustentabilidade
Inspeções de soja para exportação nos EUA sobem 43% na semana, aponta USDA

O volume de soja inspecionado para exportação nos portos dos Estados Unidos somou 420.895 toneladas na semana encerrada em 20 de agosto, alta de 43% ante a semana anterior. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (24) pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). No mesmo período, as inspeções de milho e trigo recuaram na comparação semanal.
Segundo o USDA, o milho alcançou 1,296 milhão de toneladas inspecionadas para exportação, queda de 33,3% em relação à semana anterior. No trigo, o volume foi de 425.668 toneladas, recuo de 17,2% no mesmo intervalo.
Na comparação com igual semana do ano passado, os embarques de soja avançaram 6,92%, saindo de 393.654 toneladas para 420.895 toneladas. O milho recuou 3,16%, de 1.338.532 toneladas para 1.296.271 toneladas. Já o trigo caiu 59,3%, de 1.047.092 toneladas para 425.668 toneladas.
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No acumulado do ano comercial, o milho registra 82.281.525 toneladas inspecionadas, volume 25,5% superior ao observado em igual período do ciclo anterior, de 65.559.108 toneladas. A soja soma 40.482.275 toneladas, 17,9% abaixo das 49.318.778 toneladas verificadas no ano-safra anterior.
Para o trigo, o acumulado chega a 4.336.899 toneladas, ante 5.866.384 toneladas no ciclo anterior, o que representa retração de 26,1%.
O relatório semanal de inspeção dos embarques considera os volumes de grãos inspecionados no ano-safra iniciado em 1º de junho de 2026 para o trigo e em 1º de setembro de 2025 para milho e soja.
Na semana encerrada em 20 de agosto, o relatório do USDA mostrou avanço nas inspeções de soja para exportação nos Estados Unidos e recuo nos volumes de milho e trigo, enquanto o acumulado do ano comercial segue acima do ciclo anterior para milho e abaixo para soja e trigo.
Fonte: Estadão Conteúdo
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Sustentabilidade
SOJA/CEPEA: Demanda firme leva Indicadores aos maiores patamares desde abril/23 – MAIS SOJA

As cotações da soja registraram alta expressiva no mercado brasileiro nos últimos dias, impulsionadas pela maior procura, tanto doméstica quanto externa, e pela retração de vendedores. O movimento levou os Indicadores CEPEA/ESALQ – Paranaguá e CEPEA/ESALQ – Paraná aos maiores patamares nominais diários desde abril de 2023.
De acordo com o Centro de Pesquisas, a demanda externa segue aquecida, sobretudo da China. No mercado doméstico, indústrias brasileiras vêm intensificando as aquisições para recompor e garantir os estoques. Ao mesmo tempo, vendedores estão mais retraídos, o que limita a disponibilidade de lotes no mercado spot.
Pesquisadores do Cepea ressaltam que a cautela dos vendedores está relacionada às incertezas quanto à oferta global da safra 2026/27, especialmente diante dos possíveis impactos do El Niño.
Ainda de acordo com o Cepea, esse cenário também impulsionou os preços externos, reforçando as altas no mercado brasileiro.
Fonte: Cepea
Autor:Cepea
Site: Cepea
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