Agro Mato Grosso
Projeto da Unemat cria “seguro de vida” para o mamão brasileiro e busca romper dependência de Taiwan

O Brasil é o segundo maior produtor de mamão do mundo, porém toda a produção nacional do grupo Formosa depende de sementes importadas de Taiwan, baseadas em linhagens desenvolvidas há mais de 50 anos. Para romper essa vulnerabilidade e garantir a soberania alimentar, a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) lidera um robusto programa de melhoramento genético no Câmpus Universitário de Tangará da Serra (242 km de Cuiabá).
O projeto, coordenado pelo professor Willian Krause, não busca apenas uma nova fruta, mas um modelo biológico de alta performance. “O uso de poucas cultivares limita a variabilidade e deixa a lavoura exposta a pragas. Estamos criando novas populações para oferecer ao produtor uma planta adaptada ao nosso clima, com frutos mais doces e resistentes”, explica o pesquisador.
Diferente de modelos puramente comerciais, a pesquisa científica na Unemat prioriza a formação de capital humano de alto nível. Um exemplo prático dessa integração é a pesquisadora Rayla Nemis de Souza, aluna do doutorado em Biotecnologia e Biodiversidade da Rede de Pesquisa e Pós-Graduação (Pró-Centro-Oeste). Como parte do desenvolvimento de sua tese, Rayla está realizando este ano um treinamento intensivo no Centro de Pesquisa da Feltrin Sementes, em São Paulo. Essa imersão permite que a doutoranda aplique os conhecimentos gerados na universidade diretamente no ambiente de inovação da empresa parceira, fortalecendo a ponte entre a teoria acadêmica e a prática de mercado.
O diferencial da pesquisa está no rigor da seleção. Através de um dialelo completo, a equipe realiza cruzamentos entre “genitores elite” (variedades de alto padrão como Calimosa, Tainung nº 1 e Golden). O objetivo é combinar o que cada um tem de melhor: a doçura de um, a resistência de outro e a casca firme de um terceiro.
No Laboratório de Biologia Celular e Molecular da Unemat, a ciência ganha contornos de bioinformática. Os pesquisadores utilizam marcadores moleculares SSR (microssatélites), que funcionam como etiquetas de DNA. “Com esses marcadores, conseguimos monitorar o nível de endogamia e prever se um híbrido será superior antes mesmo de ele produzir o primeiro fruto”, detalha Krause.
Com um aporte de R$ 353 mil de uma empresa privada, a Unemat consolida um modelo de parceria onde o conhecimento público gera riqueza privada e social. Diferente de modelos puramente comerciais, a pesquisa científica na Unemat prioriza a formação de capital humano.
O projeto é um celeiro para a pós-graduação, envolvendo mestrandos e doutorandos por meio do Programa de Mestrado e Doutorado Acadêmico para Inovação (MAI/DAI), com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat).
Diferente da importação passiva de tecnologia, o “Mamão Unemat” será licenciado, gerando royalties pelo licenciamento das variedades que retornam para a universidade, retroalimentando o ciclo da ciência em Mato Grosso.
O modelo de cooperação técnica assegura que a Unemat detenha o protagonismo intelectual da pesquisa, enquanto a iniciativa privada garante o aporte financeiro e a futura distribuição da tecnologia ao mercado. “Como a universidade não comercializa sementes, essa união é o que permite que a inovação chegue, de fato, à mesa da população”, pontua Krause.
Segundo a Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PRPPG), o avanço científico é indissociável das demandas da sociedade. A pró-reitora Áurea Ignácio destaca que o Laboratório de Melhoramento Genético é um polo de internacionalização, permitindo missões de pesquisa, doutorado-sanduíche e o fortalecimento de programas como o de Genética e Melhoramento de Plantas (PGMP).
Agro Mato Grosso
Mulheres, idosos e crianças são atacados com mais de 230 ferroadas de abelhas em MT

Entre as vítimas, está um bebê de 4 meses, que foi atingido uma vez; ataque aconteceu na região central de Novo Horizonte do Norte (MT).
Nove pessoas, com idades entre 4 meses e 86 anos, foram atacadas por um enxame de abelhas no fim da tarde desta quarta-feira (21), na região central de Novo Horizonte do Norte, a 663 km de Cuiabá. Segundo a Polícia Militar, juntas, as vítimas sofreram mais de 230 ferroadas, e todas receberam atendimento médico.
Entre as vítimas estão uma idosa de 86 anos, que levou mais de 50 ferroadas, e um bebê de 4 meses, atingido uma vez. Uma mulher de 47 anos também sofreu mais de 50 ferroadas ao tentar proteger os dois netos, de 6 anos e 4 meses.
Conforme a polícia, a primeira pessoa atacada foi a idosa de 86 anos, que caminhava pela rua quando foi surpreendida pelo enxame e pediu socorro. Uma mulher de 61 anos, que estava em casa, saiu para verificar o que acontecia e também foi atacada.
Depois, uma mulher de 47 anos percebeu que os netos estavam sendo atingidos pelas abelhas. Ela tentou proteger as crianças com um cobertor, mas, diante da continuidade dos ataques, correu com elas para o banheiro e permaneceu sob o chuveiro até a chegada dos policiais.
A equipe foi acionada e encontrou quatro pessoas abrigadas dentro da casa: dois adultos e as duas crianças. Os policiais informaram que usaram equipamentos de proteção para resgatá-las e levá-las ao hospital. Segundo a corporação, os militares que participaram do resgate também foram atingidos por ferroadas nos braços, no pescoço e nas pernas.
As nove vítimas tiveram as seguintes quantidades de ferroadas, conforme a polícia:
- Idosa de 86 anos: mais de 50 ferroadas;
- Mulher de 47 anos: mais de 50 ferroadas;
- Idoso de 64 anos: 35 ferroadas;
- Idosa de 61 anos: 24 ferroadas;
- Mulher de 51 anos: 23 ferroadas;
- Mulher de 56 anos: 28 ferroadas;
- Idoso de 64 anos: 20 ferroadas;
- Menina de 6 anos: 2 ferroadas;
- Bebê de 4 meses: 1 ferroada.
Após o resgate, a área foi isolada para a captura e remoção do enxame, com apoio do Corpo de Bombeiros de Juara e da Vigilância Sanitária do município.
Agro Mato Grosso
Alunas de escola do campo em MT produzem seis tipos de pomadas com plantas medicinais

Projeto em Barra do Garças reúne três estudantes e pesquisa o uso de espécies vegetais do Cerrado mato-grossense.
Alunas da Escola Estadual de Campo Heronides Araújo, localizada na zona rural de Barra do Garças, a 516 km de Cuiabá, estão desenvolvendo pomadas naturais a partir de plantas medicinais como parte de um projeto de pesquisa sobre os saberes tradicionais do Cerrado mato-grossense. A iniciativa reúne três estudantes e investiga o uso de espécies vegetais na produção de seis tipos de pomadas.
A iniciativa começou há cerca de quatro meses. O diretor da escola, Eugênio Marcos de Sousa, informou que a equipe já tinha uma horta com plantas medicinais e decidiu pesquisar formas de utilizá-las na produção das preparações.
“Esse projeto começou com uma ideia que tivemos assim que a Fapemat divulgou o edital. Nós já havíamos pensado nessa questão das plantas medicinais na escola, tanto que temos uma horta”, contou.
O projeto é desenvolvido por Eugênio e pela professora de matemática e bióloga Fabiane Borges de Souza, com a participação de três estudantes: Marcela Matos Luz Vieira, do 8º ano das salas anexas; Yasmin Lorraine Queiroz Nero, do 8º ano; e Gabrielle Mutzenberg Morais, do 2º ano do ensino médio, ambas da sede da escola.
As estudantes fazem parte do grêmio estudantil. De acordo com o diretor, a professora Fabiane teve a ideia inicial e mobilizou as alunas para participar da pesquisa.
Os produtos são feitos de forma caseira, em um espaço adaptado na escola, e não possuem regulamentação sanitária para comercialização. As pomadas fazem parte do projeto de pesquisa e, até o momento, não são produtos regularizados para venda.
Seis tipos de pomadas
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Projeto produz seis tipos de pomadas naturais, incluindo versões para dores musculares, queda capilar e ação repelente. — Foto: Escola Estadual de Campo Heronides Araújo
As estudantes produzem seis preparações: pomada para dores musculares, antiqueda capilar, anti-idade, repelente, cicatrizante e uma versão chamada de “Vick natural”, inspirada em produtos tradicionais usados para aliviar desconfortos respiratórios.
Os ingredientes variam conforme a finalidade de cada preparo. A pomada para queda capilar, por exemplo, leva folhas de goiaba e amora, além de canela e cravo. Já a versão repelente utiliza citronela e eucalipto.
A pomada cicatrizante contém açafrão e barbatimão. Para a preparação chamada de “Vick natural”, são utilizadas folhas de hortelã, eucalipto e poejo.
O diretor explicou que a escolha dos ingredientes e a consistência das preparações foram definidas a partir das pesquisas realizadas pela equipe.
“Para dar consistência à pomada, tivemos a ideia de usar a cera de abelha. Dependendo da preparação, também mudamos os óleos utilizados, conforme as pesquisas feitas pelas meninas”, relatou.
Além das pomadas, as estudantes também começaram a pesquisar a extração dos óleos vegetais para disponibilizá-los separadamente.
Produção dentro da escola
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Pomadas são produzidas de forma caseira em espaço adaptado na escola estadual, em Barra do Garças. — Foto: Escola Estadual de Campo Heronides Araújo
As pomadas são produzidas em um espaço improvisado na biblioteca da escola, adaptado para funcionar como laboratório. Inicialmente, a equipe utilizava um fogão elétrico de duas bocas, mas, com os recursos do projeto, comprou um equipamento de quatro bocas.
Segundo o diretor, as primeiras preparações foram apresentadas a familiares, professores e integrantes da Diretoria Regional de Educação (DRE). A equipe recebeu avaliações positivas e pedidos de novas unidades.
“Por exemplo, a nossa pomada mágica, que é para dor muscular, já disseram que é muito boa, excelente. Inclusive, já nos solicitaram mais”, destacou.
Entre os produtos que receberam comentários favoráveis também estão as versões para queda capilar e cicatrização, conforme o diretor.
Planos para o futuro
Atualmente, parte das plantas utilizadas no projeto é cultivada na própria escola, como hortelã, goiaba, poejo, guaco, eucalipto, capim-limão e babosa. A equipe pretende ampliar o cultivo com novas espécies para dar continuidade às pesquisas.
O objetivo inicial é divulgar o projeto e compartilhar o conhecimento produzido pelas estudantes. No futuro, a equipe pretende buscar um espaço próprio para a fabricação das pomadas e avaliar a possibilidade de comercializá-las para a comunidade.
“Quem sabe, lá na frente, a gente consiga fazer na escola um local próprio para isso e comercializar essas pomadas para a comunidade, com um preço acessível a todas as pessoas”, afirmou Eugênio.
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A horta inclui plantas como hortelã, babosa, guaco, poejo e eucalipto. — Foto: Escola Estadual de Campo Heronides Araújo
Agro Mato Grosso
Fungicida para soja promete ganhos de até 12 sacas por hectare e mira ferrugem asiática

O controle da ferrugem asiática e de outras doenças da soja ganha uma nova opção com a chegada ao mercado do Cortina Gold, fungicida lançado pela Sipcam Nichino Brasil. A empresa apresenta o produto como uma mistura pronta de protioconazole e clorotalonil, desenvolvida para proteger a lavoura contra diferentes doenças que podem comprometer o rendimento da cultura.
Nos ensaios de rede citados pela companhia, foram registrados ganhos de produtividade de até 12 sacas por hectare em comparação com áreas sem aplicação de fungicida. Os resultados variam conforme as condições avaliadas e não representam uma garantia de desempenho para todas as lavouras.
A tecnologia foi submetida a avaliações de consultorias agrícolas em diferentes regiões produtoras, incluindo áreas do Rio Grande do Sul, de Mato Grosso e do Oeste da Bahia. Entre os aspectos analisados estão o controle de doenças foliares e a resposta das plantas em condições de pressão de patógenos.
Ferrugem asiática e manchas foliares exigem atenção
O pesquisador Carlos Eduardo Valente, engenheiro agrônomo e coordenador de fitopatologia da consultoria Multcrop, relatou resultados positivos nos ensaios acompanhados pela equipe. Segundo ele, a comparação com tratamentos sem fungicida mostrou ganhos de até 12 sacas por hectare.
Já o fitopatologista Carlos Forcelini, da Agro Techno Research, avaliou o desempenho da solução diante de doenças como ferrugem asiática, manchas foliares e oídio. De acordo com o pesquisador, o produto apresentou resposta favorável em condições de elevada pressão de doenças e superou alguns padrões comerciais incluídos nas avaliações.
O controle depende de fatores como a doença presente, o nível de infestação, as condições meteorológicas e o momento da aplicação. Por isso, os resultados experimentais precisam ser considerados dentro das condições em que os testes foram conduzidos.
El Niño pode influenciar o calendário de aplicações
As condições climáticas previstas para a safra também entram na discussão sobre o manejo fitossanitário. Forcelini alerta que períodos favoráveis ao desenvolvimento de doenças podem antecipar o aparecimento de sintomas e aumentar a pressão sobre as lavouras.
Na avaliação do pesquisador, anos associados ao El Niño podem exigir atenção antecipada ao manejo, especialmente quando há umidade e condições favoráveis à evolução de doenças. A recomendação é acompanhar o desenvolvimento da cultura e as condições da região para definir o momento adequado das aplicações.
O cenário não é igual em todas as áreas produtoras. Enquanto regiões do Sul podem enfrentar períodos de chuva mais intensa, áreas do Cerrado também precisam monitorar doenças como a mancha-alvo, que pode sobreviver em restos culturais e afetar a nova safra.
Produto combina ação sistêmica e de contato
De acordo com Eric Ono, gerente de portfólio de produtos e cultivos extensivos da Sipcam Nichino, o Cortina Gold reúne ação sistêmica e de contato, com os ingredientes ativos protioconazole e clorotalonil. A empresa afirma que a combinação foi avaliada em ensaios de rede e apresentou controle de doenças em patamar semelhante ao de misturas triplas utilizadas como referência nos testes.
A companhia também destaca a formulação como um diferencial para uso em condições climáticas do Cerrado e afirma ter observado baixo nível de fitotoxicidade nas avaliações realizadas. Essas características são informações divulgadas pela fabricante e devem ser consideradas conforme os resultados experimentais e as condições de uso previstas para o produto.
Segundo a empresa, a tecnologia pode integrar o manejo durante fases como a floração e a formação das vagens, períodos importantes para a proteção do potencial produtivo. A escolha do tratamento, porém, deve levar em conta o diagnóstico das doenças, o histórico da área e as orientações técnicas aplicáveis.
Manejo integrado continua sendo decisivo
A entrada de novas ferramentas amplia as alternativas disponíveis ao produtor, mas o controle de doenças da soja exige planejamento ao longo de toda a safra. O monitoramento da lavoura, a identificação correta dos sintomas e o acompanhamento das condições meteorológicas ajudam a orientar decisões sobre o manejo.
O uso de fungicidas também deve seguir o registro e as instruções de bula, com atenção às doses, aos intervalos e às medidas de segurança. A definição do programa de aplicações precisa considerar a recomendação de um profissional habilitado e as estratégias de manejo da resistência para preservar a eficácia das tecnologias disponíveis.
Para produtores de Mato Grosso, onde a soja ocupa posição central na atividade agrícola, o acompanhamento de doenças como ferrugem asiática e mancha-alvo é parte importante da gestão da safra. O desempenho de qualquer produto depende, entre outros fatores, da pressão de doenças, do ambiente e da condução do manejo em cada propriedade.
Empresa atua no mercado de proteção de cultivos
A Sipcam Nichino Brasil foi criada em 1979 e reúne a italiana Sipcam Oxon, fundada em 1946, e a japonesa Nihon Nohyaku, conhecida como Nichino. As empresas atuam no desenvolvimento e na comercialização de soluções para proteção de cultivos.
O lançamento do Cortina Gold amplia o portfólio da companhia para o manejo de doenças da soja. Os resultados divulgados nos ensaios apontam potencial de controle e produtividade, mas a resposta em campo deve ser avaliada conforme as condições específicas de cada lavoura.
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