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26 de agosto de 2026

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Minas Gerais reage ao greening e cria cinturão inédito para proteger citricultura

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Foto: Pixabay

Minas Gerais deu um passo estratégico para conter o avanço do greening, a doença mais devastadora da citricultura mundial. Produtores do Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e noroeste do estado lançaram o projeto Cinturão Antigreening, uma iniciativa coordenada pelo Sistema Faemg Senar em parceria com sindicatos rurais.

A proposta é ambiciosa: proteger uma área superior a 150 mil km², incluindo o principal polo citrícola do estado. Só o Triângulo Mineiro concentra cerca de 50% da produção estadual de citros.

Barreira sanitária para conter avanço da doença

O objetivo central é reduzir o risco de disseminação do greening, preservar os pomares e garantir segurança para investimentos no setor.

A estratégia envolve ações diretas no campo, como:

  • eliminação de plantas hospedeiras do inseto transmissor
  • monitoramento constante das lavouras
  • resposta rápida a possíveis focos da doença

Segundo Osny Zago, presidente do Núcleo dos Sindicatos dos Produtores Rurais do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, a iniciativa funciona como uma barreira sanitária.

“Esse cinturão vai proteger uma grande área produtiva e trazer mais segurança para os investimentos”, afirma.

Leis já começam a mudar o cenário

Alguns municípios já saíram na frente. Araxá, Sacramento e Ibiá aprovaram legislações que proíbem o plantio da murta, planta que favorece a proliferação do psilídeo — inseto responsável por transmitir a doença.

A expectativa é ampliar a medida para outras cidades e consolidar Minas como referência nacional em prevenção ao greening.

“É uma legislação simples, mas com grande impacto para o setor”, destaca Osmar Gonçalves, presidente do Sindicato Rural de Araxá.

Produção cresce e exige resposta rápida

Minas Gerais ocupa hoje a segunda posição nacional na produção de laranja, limão e tangerina, segundo o IBGE. Além disso, a área cultivada cresceu cerca de 6% nos últimos cinco anos.

Esse avanço aumenta a necessidade de proteção sanitária. O greening já causou perdas severas em regiões como São Paulo, Bahia e Sergipe — além da Flórida, nos Estados Unidos, referência global na produção de suco.

Produtores seguem investindo, mesmo com risco

Mesmo diante da ameaça, o setor segue em expansão. O produtor Franco Cruz Carvalho, por exemplo, implantou 250 hectares de laranja em Ibiá.

Ele aposta no potencial da região e vê o cinturão como decisivo para evitar prejuízos futuros.

“A iniciativa é fundamental para levar informação e evitar que enfrentemos os mesmos problemas de outras regiões”, afirma.

A expectativa é alcançar produtividade de até 1.200 caixas por hectare a partir do próximo ciclo.

Doença sem cura exige prevenção total

O greening. ta,b[ém chamao de huanglongbing (HLB), é causado por uma bactéria transmitida pelo psilídeo (Diaphorina citri), um inseto altamente móvel, capaz de se deslocar por longas distâncias.

O maior desafio é que não existe cura para plantas infectadas. Por isso, a prevenção se torna a principal estratégia.

Dados do Fundecitrus mostram que, em 2025, houve aumento de 7,4% na incidência da doença na região que inclui São Paulo e parte de Minas.

Apesar disso, o Triângulo Mineiro ainda apresenta níveis mais baixos — o que reforça a importância de agir antes da escalada.

Impacto global acende alerta

A dimensão do problema já foi comprovada em outros países. Na Flórida, o greening gera prejuízos estimados em US$ 1 bilhão por ano, além de reduzir a produtividade em até 30%.

Segundo Mariana Marotta, analista do Sistema Faemg Senar, o tema é estratégico para o Brasil.

“Três de cada quatro copos de suco de laranja consumidos no mundo são produzidos no país. O desafio sanitário é enorme”, destaca.

Com o cinturão antigreening, Minas tenta antecipar o problema — e proteger não apenas a produção, mas toda a cadeia econômica da citricultura.

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Arroz sobe no Rio Grande do Sul com oferta restrita e produtor fora do mercado

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Foto: Paulo Lanzetta

Os preços do arroz em casca avançaram no Rio Grande do Sul, melhorando a relação entre as cotações do cereal e os custos de produção. Apesar da recuperação, as margens calculadas para julho ainda ficaram abaixo das registradas no mesmo período do ano passado, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

A valorização é sustentada principalmente pela baixa disponibilidade de arroz no mercado e pela necessidade das indústrias de recompor seus estoques. Esses fatores têm dado suporte às cotações nas negociações no mercado spot.

A alta dos preços, porém, ainda não foi suficiente para estimular uma maior oferta por parte dos produtores.

Produtores seguem retraídos nas negociações

Segundo pesquisadores do Cepea, mesmo com o avanço das cotações, produtores continuam pouco dispostos a negociar o cereal.

Do outro lado, as indústrias enfrentam dificuldades para repassar o aumento do custo da matéria-prima aos preços do arroz beneficiado.

A diferença entre os valores pedidos pelos vendedores e aqueles oferecidos pelos compradores limita os negócios. Com isso, as negociações seguem ocorrendo de maneira pontual no Rio Grande do Sul, principal estado produtor de arroz do país.

Chuvas dificultam transporte de arroz

As condições climáticas também interferiram no mercado nas últimas semanas. De acordo com o Cepea, as chuvas dificultaram o transporte do cereal em algumas regiões produtoras, contribuindo para restringir a disponibilidade do produto.

Além dos efeitos sobre a movimentação do arroz, as precipitações começam a gerar preocupação em relação aos trabalhos para a próxima temporada.

Com a aproximação do novo ciclo, produtores acompanham as condições das áreas destinadas à safra de arroz 2026/27, já que o excesso de umidade pode dificultar o preparo do solo.

Enquanto isso, o mercado segue dividido entre a menor disponibilidade de matéria-prima, a necessidade de compras por parte das indústrias e a resistência dos produtores em ampliar as vendas.

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Coopercitrus e Yara firmam acordo para avaliar projetos em café e cacau

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A Coopercitrus e a Yara Brasil assinaram nesta terça-feira (25), em São Paulo, um Memorando de Entendimentos (MoU) não vinculante para avaliar potenciais parcerias de negócios voltadas à descarbonização das cadeias de café e cacau. Os estudos terão início imediato. O acordo foi firmado durante o Congresso Brasileiro de Fertilizantes, promovido pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).

A parceria prevê a avaliação de projetos que conciliem o aumento da produção de alimentos com a redução do impacto ambiental da agricultura. O foco está nas cadeias de café e cacau, com análise de oportunidades de negócios associadas à descarbonização da produção.

Segundo a Yara Brasil, a descarbonização pode gerar valor adicional aos produtos agrícolas e ampliar o acesso dos produtores a novos mercados. “Quando o produtor investe na descarbonização de sua produção, ele cria um diferencial relevante para seus produtos, agregando valor e ampliando o potencial de acesso a novos mercados”, afirmou a diretora de Public Affairs, Comunicação, Sustentabilidade e Cadeia do Alimento da Yara Brasil, Deise DallaNora.

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A executiva destacou ainda que a Coopercitrus já disponibiliza aos cooperados produtos do portfólio da Yara de “baixíssima pegada de carbono”. O memorando amplia a estratégia da empresa de atuar na descarbonização de cadeias de alimentos no Brasil.

No café, a Yara já mantém parcerias com Cooxupé, Coocacer, JDE Peet’s e ofi. No cacau, a empresa cita acordo com a Barry Callebaut. A companhia também mantém parceria com o Grupo Bananas Corrêa, na bananicultura.

Com a assinatura do memorando, Coopercitrus e Yara passam a avaliar projetos para descarbonização nas cadeias de café e cacau, com início imediato dos estudos e foco na combinação entre produção e redução do impacto ambiental.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Após 20 anos de pesquisa, Embrapa registra nova cultivar de pera mais resistente a doenças

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Foto: João Fioravanco/Embrapa

Uma nova alternativa genética para a produção de peras começa a chegar ao setor produtivo. Desenvolvida pela Embrapa Uva e Vinho (RS), a BRS Áurea reúne características de interesse para o cultivo no Sul do Brasil, como adaptação às condições climáticas da região, potencial produtivo, qualidade dos frutos e capacidade de conservação pós-colheita.

É a primeira cultivar de pera desenvolvida pelo programa de melhoramento genético da unidade gaúcha. A BRS Áurea é resultado do cruzamento entre a pera asiática Hosui e a europeia Abate Fetel, realizado em 2006, em Vacaria (RS).

Após cerca de 20 anos de seleção, a cultivar foi registrada no Registro Nacional de Cultivares (RNC) do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em maio de 2025. 

Características da fruta

Nos locais avaliados no Sul do Brasil, a cultivar apresentou elevado potencial produtivo, de 25 a 30 toneladas por hectare, e colheita precoce, concentrada em janeiro.

Ela também se destaca pela resistência à entomosporiose, uma das doenças mais graves e economicamente destrutivas dessa cultura, e pela menor suscetibilidade à mosca-das-frutas quando comparada à pera Rocha, variedade portuguesa comercializada no Brasil.

Entre as características de interesse para o consumidor estão os frutos médios a grandes e uniformes, com massa entre 145 e 190 gramas. Na maturação, a casca adquire coloração amarelo-alaranjada a dourada, característica que inspirou o nome Áurea. A polpa é branca, crocante, suculenta e de sabor equilibrado. 

Os frutos da BRS Áurea são uniformes e simétricos, apresentam massa entre 145 e 190 gramas e, quando maduros, adquirem coloração amarelo-alaranjada ou dourada.

Potencial de produtividade

O pesquisador João Caetano Fioravanço, da Embrapa Uva e Vinho, um dos responsáveis pelo desenvolvimento da cultivar, afirma que a BRS Áurea é resultado de um trabalho de longo prazo voltado à obtenção de uma pera adaptada às condições brasileiras.

“A BRS Áurea reúne boa adaptação às condições do Sul do Brasil, potencial produtivo e frutos de excelente qualidade. Esses atributos são importantes para estimular a produção brasileira de peras”, avalia. 

A cultivar foi testada e validada no Rio Grande do Sul, nos municípios de Vacaria, Bento Gonçalves e Caxias do Sul, e é recomendada para regiões produtoras de pera que apresentem entre 400 e 600 horas de frio abaixo de 7,2 °C durante o inverno.

Pera brasileira se destaca no mercado

Uma das características da BRS Áurea é a precocidade de maturação. Nas condições avaliadas, a colheita ocorre predominantemente entre 5 e 20 de janeiro, com ciclo aproximado de 106 dias entre a plena floração e a maturação. A época de colheita permite antecipar a oferta da fruta e pode contribuir para ampliar a janela de comercialização de peras produzidas no Brasil. 

Em sistema de alta densidade, com plantas enxertadas sobre o marmeleiro Adams e espaçamento de quatro metros entre filas e um metro entre plantas, a cultivar apresenta produtividade estimada entre 25 e 30 toneladas por hectare.

A combinação entre época de colheita, potencial produtivo e qualidade dos frutos amplia as possibilidades de uso da cultivar em sistemas comerciais.

Qualidade na pós-colheita

Além do desempenho no pomar, a BRS Áurea mostrou resultados promissores nas avaliações de pós-colheita. Em condições experimentais, as peras permaneceram com boa qualidade para consumo após 90 dias de armazenamento refrigerado a 0,5 °C, seguidos de 7 dias a 20 °C.

Nessas circunstâncias, a firmeza da polpa diminuiu e os frutos adquiriram coloração mais alaranjada, mantendo características consideradas adequadas para consumo. 

“A BRS Áurea apresenta propriedades muito interessantes para o mercado de frutas frescas pelo bom potencial de conservação pós-colheita, aspecto importante para ampliar o período de comercialização e facilitar a distribuição da fruta”, enfatiza a pesquisadora, Lucimara Antoniolli.

Ensaios experimentais também indicaram potencial para períodos mais prolongados de armazenamento. Em atmosfera controlada, frutos mantidos por até 165 dias a 0,5 °C apresentaram maior firmeza após a retirada da câmara. Por outro lado, os frutos são delicados e podem sofrer danos por impacto durante a colheita e o transporte.

Menor suscetibilidade a doenças

A BRS Áurea também apresentou características favoráveis em relação a importantes problemas fitossanitários da cultura. Nas condições em que foi avaliada, demonstrou resistência à entomosporiose e à sarna-da-pereira, doença fúngica que afeta folhas e frutos, além de menor suscetibilidade à mosca-das-frutas, em comparação à cultivar Rocha.

Em áreas experimentais onde as duas cultivares foram plantadas e submetidas à infestação natural, foram registrados 70% de frutos infestados na pera Rocha e 10% na BRS Áurea. Em outro experimento, no qual os frutos foram expostos diretamente aos insetos em condições sem chance de escolha, a infestação também foi menor na BRS Áurea: 40%, contra 100% na Rocha.

“A menor infestação observada na BRS Áurea é uma característica bastante interessante, principalmente considerando a importância da mosca-das-frutas para a fruticultura do Sul do Brasil. Isso não significa que o produtor possa deixar de monitorar e manejar a praga, mas indica uma característica favorável da cultivar que pode contribuir para o sistema de produção”, pontua o pesquisador Marcos Botton.

Alternativa para ampliar a produção

A produção brasileira de peras ainda é insuficiente para atender à demanda interna e a disponibilidade de cultivares adaptadas às diferentes regiões produtoras permanece como um dos desafios da cultura. A irregularidade da produção e a qualidade dos frutos também são apontadas como fatores que limitam a competitividade da produção nacional. 

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