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Sustentabilidade

Vai plantar trigo safrinha no Brasil Central? Fique atento às recomendações da pesquisa – MAIS SOJA

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O período recomendado para o plantio do trigo de segunda safra (safrinha) ou de sequeiro no Cerrado do Brasil Central vai de março até meados de maio, e os produtores devem ficar atentos a questões climáticas, ao manejo adequado do solo e da lavoura, bem como à escolha da cultivar para obterem sucesso na colheita da safra 2026.

Na região, o trigo safrinha pode ser cultivado logo após a colheita da soja e sem irrigação, aproveitando as águas do final da estação chuvosa. De baixo investimento, a cultura tem se mostrado vantajosa para o sistema de produção tanto devido aos benefícios agronômicos – como diversificação de culturas, quebra de ciclo de pragas e doenças e a cobertura de áreas que ficariam em pousio – quanto à rentabilidade que pode proporcionar, a depender do mercado.

Apesar do atual cenário ser de redução de área em nível nacional para a próxima safra (Conab, fev2026), na região do Cerrado os produtores estão otimistas com a cultura devido não apenas aos benefícios agronômicos como também aos bons rendimentos de grãos obtidos no ano passado. A tendência é de manutenção da área plantada, ou até um leve aumento na região. Em 2025, foram cultivados cerca de 290 mil hectares de trigo nos estados de Minas Gerais, Bahia, Goiás, Mato Grosso e no Distrito Federal, sendo mais de 80% dessa área com trigo sequeiro. Em Goiás, estima-se uma área plantada em torno de 80 a 90 mil hectares este ano.

O trigo tem sido bastante cultivado, no Brasil Central, em Sistema Plantio Direto, sobretudo em sucessão à soja e em rotação com o milho e o sorgo, garantindo a diversificação das culturas e a diminuição de riscos. Ao promover a rotação de cultivos, o trigo possibilita também a rotação dos princípios ativos de produtos como os herbicidas usados para controlar plantas daninhas resistentes ao glifosato em lavouras de soja transgênica, bem como plantas de soja e milho tiguera (germinadas após a colheita), contribuindo para o vazio sanitário que deve ser iniciado nos meses inverno.

O cultivo do trigo após a soja traz outra vantagem ao sojicultor, ao permitir o uso de cultivares de soja de ciclos mais tardios, que geralmente apresentam tetos produtivos maiores que os de variedades precoces e superprecoces, ciclos mais compatíveis com o milho safrinha. “E depois que é colhido, o trigo deixa uma excelente palhada, favorecendo o plantio direto da safra seguinte de verão”, completa o pesquisador Jorge Chagas, da Embrapa Trigo (RS).

Devido à época de semeadura anterior à das demais regiões tritícolas do Brasil, o trigo produzido no Cerrado do Brasil Central é o primeiro a ser colhido na safra do País, podendo obter preços mais atrativos na comercialização.

“Aqui na região, o trigo safrinha é colhido no período seco do ano, entre junho e julho. Isso tem garantido um produto de elevada qualidade de grãos e livre das micotoxinas que costumam afetar lavouras do Sul do País nos anos em que chove muito durante a colheita”, observa Júlio Albrecht, pesquisador da Embrapa Cerrados (DF). Ele acrescenta que os rendimentos das lavouras do Cerrado têm variado de 35 a 85 sc/ha em anos com precipitações dentro da média, e as receitas com as vendas têm estimulado os produtores a ampliarem a área cultivada na região.

Os passos para uma boa colheita

O trigo de sequeiro é indicado para cultivo em regiões de altitude igual ou superior a 800 metros. É fundamental que o produtor saiba a altitude média de sua região antes de planejar o plantio da cultura, bem como as janelas com menor risco climático para as lavouras.

As portarias com as informações sobre o zoneamento agrícola de risco climático para o trigo estão disponíveis na página do Ministério da Agricultura e Pecuária (https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/riscos-seguro/programa-nacional-de-zoneamento-agricola-de-risco-climatico/portarias) e no aplicativo Zarc Plantio Certo (https://www.plantiocerto.cnptia.embrapa.br/), da Embrapa, também disponível para Android e iOS.

Em seguida, deve ser feita a análise do solo. Albrecht e Chagas ressaltam que o solo de Cerrado deve ser corrigido quanto à acidez com o uso de calcário, e o alumínio em profundidade deve ser neutralizado com aplicação de gesso agrícola. “O solo também deve estar livre de camadas compactadas para que as raízes das plantas se aprofundem e aproveitem melhor a água e os nutrientes”, diz Albrecht, acrescentando que essa condição minimiza os efeitos dos períodos sem chuva, como os veranicos.

Os problemas com a falta de chuvas também podem ser mitigados com a adoção do Sistema Plantio Direto, com a semeadura direta do trigo sem a incorporação na palhada da cultura de verão. Entre outros benefícios, a palhada protege o solo das altas temperaturas, pois amenizam a perda de água por evapotranspiração e permite maior infiltração da água das chuvas.

A semeadura deve ser realizada do início de março até o final do mês, de acordo com as precipitações na região. Os pesquisadores recomendam que onde as chuvas param mais cedo, o trigo safrinha deve ser plantado agora no começo de março. O escalonamento da semeadura, ou seja, semear as áreas em diferentes momentos dentro do período recomendado, podem ser uma boa estratégia.

“O produtor pode, ainda, optar por semear cultivares de ciclos diferentes. Dessa forma, a lavoura terá talhões com plantas em diferentes estádios de desenvolvimento. Se ocorrer falta de chuva, o risco todo o plantio ser afetado num único momento crítico, como a floração das plantas, por exemplo, é bem menor”, explica Jorge Chagas, salientando a importância de seguir as recomendações de manejo específicas para cada cultivar, como a densidade ideal de semeadura.

A escolha da cultivar é outro fator estratégico para o trigo safrinha. No início da janela de plantio, recomenda-se o uso de cultivares mais tolerantes a doenças, sobretudo as manchas foliares e a brusone, doença fúngica que se desenvolve em meio à umidade e pode causar grandes prejuízos em anos de muita chuva em abril e maio na região do Cerrado do Brasil Central.

Por outro lado, no caso das semeaduras mais tardias (após o dia 15 de março), o produtor deve lançar mão de cultivares mais tolerantes à seca. Isso porque a baixa precipitação e temperaturas acima da média também podem causar prejuízos, principalmente pelos veranicos que comumente ocorrem nesse período.

A Embrapa tem cultivares adaptadas à região

Para o cultivo do trigo safrinha no Brasil Central, a Embrapa oferece duas opções de cultivares adaptadas ao sistema de sequeiro em ambiente tropical: a recém-lançada BRS Savana e a BRS 404.

A cultivar BRS Savana foi desenvolvida para cultivo em sistema de sequeiro em ambiente tropical. De porte baixo e com ciclo precoce, pode ser colhida 100 dias após o plantio, o que representa menor dependência de água. A semeadura é indicada para a primeira quinzena de março para aproveitar as últimas chuvas no Brasil Central. Apresenta moderada resistência à brusone, garantindo menor impacto ambiental com o uso de fungicidas, graças à translocação do gene 2NS/2AS, que reduz consideravelmente a severidade da doença.

Classificada como trigo pão e testada e validada por moinhos da região, a cultivar tem o potencial de rendimento de 80 sc/ha, sendo indicada para o cultivo em sequeiro em Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal e parte dos estados de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Bahia.

A nova cultivar será apresentada pela Embrapa Cerrados e pela Embrapa Trigo na AgroBrasília 2026, que será realizada de 18 a 23 de maio no Parque Tecnológico Ivaldo Cenci, no PAD-DF, Distrito Federal.

Desenvolvida para condições de baixa precipitação, a BRS 404 aproveita bem a umidade do solo e o restante das chuvas do final do período das águas (março, abril e maio) no Brasil Central.

A cultivar se destaca pela maior tolerância ao déficit hídrico, ao calor e ao alumínio no solo, além de produzir elevada quantidade de palhada e ainda garantir uma excelente qualidade tecnológica de grãos. Apresenta ciclo precoce (105 a 118 dias), o período entre a semeadura e o espigamento é de 57 a 67 dias, dependendo do local e da altitude do cultivo. Apresenta susceptibilidade moderada à brusone e à mancha amarela, sendo indicada a sua semeadura no final da janela de plantio, após o dia 20 de março na região.

“No Planalto Central, a produtividade da BRS 404 pode chegar a 60 sc/ha, contanto que as chuvas sejam bem distribuídas no período de safrinha. Já em algumas regiões com maior volume de chuvas, como é o caso do Sul de Minas Gerais, os produtores têm obtido produtividades de até 80 sc/ha com a cultivar”, diz Júlio Albrecht.

A BRS 404 é classificada como trigo pão, e mesmo em anos de menos chuvas, os pesos hectolítricos (PH) de grãos têm sido superiores a 80 kg/hl, garantindo a boa aceitação pelos moinhos do Brasil Central. A força de glúten (W), medida do trabalho (energia) de deformação da massa e que indica a força de panificação da farinha, varia de 250 a 400 x 10-4 J – bem superior à W mínima exigida pelos moinhos (220 x 10-4 J). Outra característica industrial de destaque é a elevada estabilidade (tempo de batimento da massa): acima de 15 minutos, o que favorece a panificação.

Fonte: Embrapa



 

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Etanol de milho ganha destaque e Mato Grosso se consolida como o maior produtor de biocombustível – MAIS SOJA

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Conhecido há muitos anos como segunda safra, o plantio do milho iniciou em Mato Grosso como alternativa para o aproveitamento do espaço após a colheita da soja e hoje já não é mais uma segunda opção. Assim como a soja, o milho se tornou uma das principais culturas semeadas no estado, com a produção de 55,43 milhões de toneladas na safra de 2024/25. Desta quantidade, mais de 13,9 milhões de toneladas foram destinadas à produção do etanol de milho, tornando Mato Grosso o maior produtor de biocombustível de milho. O etanol ganhou destaque no estado com a chegada das usinas nos principais municípios produtores.

Mato Grosso produziu mais de 5,6 bilhões de litros de etanol, se consolidando como o maior produtor do Brasil. Para movimentar todo o setor, a produção de biocombustível emprega mais de 147 mil pessoas em Mato Grosso e arrecadou mais de R$ 833,6 milhões de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em 2025, segundo os dados da Secretaria de Estado de Fazenda de Mato Grosso (Sefaz-MT). Todos esses números mostram a grandiosidade da cultura do milho para Mato Grosso, que se reflete nas cidades, como afirmou o vice-presidente Oeste da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Gilson Antunes de Melo.

“A industrialização é o principal vetor da economia, ela sustenta toda a economia do Estado. Então, quando você aumenta a indústria, você está aumentando a renda do Estado e isso reflete para a população com mais saúde, mais educação e mais estradas. Então, todo o grão que é industrializado aqui, ele gera valor agregado, isso fortalece toda a cadeia, não só da agricultura, mas também da sociedade em geral”, disse.

Gilson destaca que com o avanço da produção do etanol e com a maior disponibilidade do combustível no mercado, o valor final do produto pode ficar mais atrativo para os consumidores. Além do combustível, com o DDG (Dried Distillers Grains), que é a biomassa destinada à ração animal, o preço da carne também pode ficar mais econômico para a população, já que o produto fica disponível o ano todo.

Além da produção do biocombustível, em 2025, as usinas também produziram 2,2 bilhões de litros de biodiesel e 2,7 milhões de toneladas de DDG. Esses subprodutos são extraídos durante o processo de fabricação do etanol, aproveitando por completo a matéria-prima.

Com a chegada das usinas de etanol de milho, a demanda pelo grão cresceu e o ritmo deve aumentar nos próximos anos. Atualmente, há 12 usinas de etanol de milho em operação, outras 10 em construção e mais cinco sendo projetadas em Mato Grosso, como apontou o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A delegada coordenadora do núcleo de Tapurah, Daiane Kirnev, afirmou que esse aumento na demanda incentiva o produtor rural.

“Houve um incentivo da produção de milho, afinal de contas, com mais mercados para a gente vender e com os valores um pouco melhor, isso acabou incentivando o produtor a aumentar o plantio de milho. Antes era uma coisa incerta por causa dos valores e tudo é oferta e demanda, quando tem mais demanda, acaba incentivando muito mais o produtor a plantar para que ele garanta os custos da produção”, afirmou.

Além de produzir, o agricultor de Tangará da Serra, Romeu Ciochetta, também investe no setor da indústria do etanol de milho. Ele contou que as indústrias de etanol trouxeram mais segurança para os produtores investirem no milho e ampliarem os quadros de colaboradores, pois com a aproximação das indústrias os produtores reduziram as preocupações com o escoamento do grão e conseguem comercializar o grão em todos os meses do ano.

Ciochetta afirmou que a vinda do mercado para Mato Grosso abriu novas oportunidades aos produtores e também empresários. A indústria de etanol movimenta, diretamente e indiretamente, uma grande cadeia de empregos e outras indústrias.

“Tudo isso é uma grande cadeia que se a gente analisar o início dessa operação, lá no plantio da muda de eucalipto, usado para aquecer as caldeiras das usinas, até a carne ser consumida ou etanol no tanque do veículo, é muita gente trabalhando, transportando e tudo isso sem derrubar nenhuma árvore, tudo isso sem impactar o meio ambiente”, afirma.

Ciochetta também destacou as práticas sustentáveis no setor do etanol e afirmou que a tendência do futuro é o combustível verde, proveniente de fontes renováveis como o milho. Hoje, mais de 20% do etanol utilizado no Brasil, já vem do milho e com as práticas sustentáveis e a preocupação com o futuro, o número deve aumentar e o mercado abrir novas oportunidades.

“As oportunidades são inúmeras, porque o mundo cada vez mais vai atrás e vai querer consumir combustível verde. Então, isso desde a aviação até os carros menores, enfim, é uma tendência e eu acredito muito nessas oportunidades. Então, o Brasil realmente está destinado ao sucesso, eu acredito muito nisso e vamos em frente”, contou.

Com o avanço das indústrias do etanol de milho em Mato Grosso, o estado, já líder na produção de milho, se consolida como o maior produtor do etanol de milho do país. Todo esse avanço econômico fomenta a produção local, representando mais empregos e infraestrutura para o interior do estado, refletindo nas práticas incentivadas pela Aprosoja MT.

Fonte: Aprosoja MT



 

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Óleo de soja bate valor recorde no ano em São Paulo, segundo o Cepea

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Freepik

Cotações do óleo de soja seguiram em alta no mercado na reta final deste mês. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o motivo dos altos valores decorrem da expectativa de maior demanda pelo biodiesel, após decisão obrigatória, e da recente falta de abastecimento dos combustíveis.

Indústrias seguem de olho nos aumentos da mistura obrigatória do biodiesel B15 para o B16. A decisão que tinha inicio previsto para o dia 1 de março, ainda não foi executada, fato que tem limitado a crescente nos preços do óleo dentro do mercado interno.

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Levantamentos do Cepea, mostram que preços do óleo bruto e degomado atingiram R$ 6.953,38/tonelada em São Paulo, no dia 24 de março. Maior valor registrado desde 1 de dezembro de 2025, quando cotações chegaram a passar dos R$ 7.000,00.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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SOJA/CEPEA: Óleo segue em valorização no BR – MAIS SOJA

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Os preços do óleo de soja seguem em altano Brasil. Segundo pesquisadores do Cepea, os valores são impulsionados pela perspectiva de maior demanda por biodiesel e por incertezas no abastecimento global de combustíveis (devido às tensões no Oriente Médio e à valorização do petróleo).

Indústrias brasileiras continuam atentas ao aumento da mistura obrigatória de biodiesel de B15 para B16, decisão prevista inicialmente para 1º de março, mas que ainda não foi implementada. Esse contexto, inclusive, tem limitado a elevação das cotações domésticas do óleo. Segundo levantamento do Cepea, os preços do óleo de soja bruto e degomado (com 12% de ICMS) na região de São Paulo atingiu R$ 6.953,38/tonelada no dia 24 de março, o maior desde 1º de dezembro do ano passado, quando a tonelada era negociada acima de R$ 7.000,00.

Fonte: Cepea



 

FONTE

Autor:CEPEA

Site: CEPEA

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