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30 de junho de 2026

Sustentabilidade

Etanol de milho ganha destaque e Mato Grosso se consolida como o maior produtor de biocombustível – MAIS SOJA

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Conhecido há muitos anos como segunda safra, o plantio do milho iniciou em Mato Grosso como alternativa para o aproveitamento do espaço após a colheita da soja e hoje já não é mais uma segunda opção. Assim como a soja, o milho se tornou uma das principais culturas semeadas no estado, com a produção de 55,43 milhões de toneladas na safra de 2024/25. Desta quantidade, mais de 13,9 milhões de toneladas foram destinadas à produção do etanol de milho, tornando Mato Grosso o maior produtor de biocombustível de milho. O etanol ganhou destaque no estado com a chegada das usinas nos principais municípios produtores.

Mato Grosso produziu mais de 5,6 bilhões de litros de etanol, se consolidando como o maior produtor do Brasil. Para movimentar todo o setor, a produção de biocombustível emprega mais de 147 mil pessoas em Mato Grosso e arrecadou mais de R$ 833,6 milhões de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em 2025, segundo os dados da Secretaria de Estado de Fazenda de Mato Grosso (Sefaz-MT). Todos esses números mostram a grandiosidade da cultura do milho para Mato Grosso, que se reflete nas cidades, como afirmou o vice-presidente Oeste da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Gilson Antunes de Melo.

“A industrialização é o principal vetor da economia, ela sustenta toda a economia do Estado. Então, quando você aumenta a indústria, você está aumentando a renda do Estado e isso reflete para a população com mais saúde, mais educação e mais estradas. Então, todo o grão que é industrializado aqui, ele gera valor agregado, isso fortalece toda a cadeia, não só da agricultura, mas também da sociedade em geral”, disse.

Gilson destaca que com o avanço da produção do etanol e com a maior disponibilidade do combustível no mercado, o valor final do produto pode ficar mais atrativo para os consumidores. Além do combustível, com o DDG (Dried Distillers Grains), que é a biomassa destinada à ração animal, o preço da carne também pode ficar mais econômico para a população, já que o produto fica disponível o ano todo.

Além da produção do biocombustível, em 2025, as usinas também produziram 2,2 bilhões de litros de biodiesel e 2,7 milhões de toneladas de DDG. Esses subprodutos são extraídos durante o processo de fabricação do etanol, aproveitando por completo a matéria-prima.

Com a chegada das usinas de etanol de milho, a demanda pelo grão cresceu e o ritmo deve aumentar nos próximos anos. Atualmente, há 12 usinas de etanol de milho em operação, outras 10 em construção e mais cinco sendo projetadas em Mato Grosso, como apontou o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A delegada coordenadora do núcleo de Tapurah, Daiane Kirnev, afirmou que esse aumento na demanda incentiva o produtor rural.

“Houve um incentivo da produção de milho, afinal de contas, com mais mercados para a gente vender e com os valores um pouco melhor, isso acabou incentivando o produtor a aumentar o plantio de milho. Antes era uma coisa incerta por causa dos valores e tudo é oferta e demanda, quando tem mais demanda, acaba incentivando muito mais o produtor a plantar para que ele garanta os custos da produção”, afirmou.

Além de produzir, o agricultor de Tangará da Serra, Romeu Ciochetta, também investe no setor da indústria do etanol de milho. Ele contou que as indústrias de etanol trouxeram mais segurança para os produtores investirem no milho e ampliarem os quadros de colaboradores, pois com a aproximação das indústrias os produtores reduziram as preocupações com o escoamento do grão e conseguem comercializar o grão em todos os meses do ano.

Ciochetta afirmou que a vinda do mercado para Mato Grosso abriu novas oportunidades aos produtores e também empresários. A indústria de etanol movimenta, diretamente e indiretamente, uma grande cadeia de empregos e outras indústrias.

“Tudo isso é uma grande cadeia que se a gente analisar o início dessa operação, lá no plantio da muda de eucalipto, usado para aquecer as caldeiras das usinas, até a carne ser consumida ou etanol no tanque do veículo, é muita gente trabalhando, transportando e tudo isso sem derrubar nenhuma árvore, tudo isso sem impactar o meio ambiente”, afirma.

Ciochetta também destacou as práticas sustentáveis no setor do etanol e afirmou que a tendência do futuro é o combustível verde, proveniente de fontes renováveis como o milho. Hoje, mais de 20% do etanol utilizado no Brasil, já vem do milho e com as práticas sustentáveis e a preocupação com o futuro, o número deve aumentar e o mercado abrir novas oportunidades.

“As oportunidades são inúmeras, porque o mundo cada vez mais vai atrás e vai querer consumir combustível verde. Então, isso desde a aviação até os carros menores, enfim, é uma tendência e eu acredito muito nessas oportunidades. Então, o Brasil realmente está destinado ao sucesso, eu acredito muito nisso e vamos em frente”, contou.

Com o avanço das indústrias do etanol de milho em Mato Grosso, o estado, já líder na produção de milho, se consolida como o maior produtor do etanol de milho do país. Todo esse avanço econômico fomenta a produção local, representando mais empregos e infraestrutura para o interior do estado, refletindo nas práticas incentivadas pela Aprosoja MT.

Fonte: Aprosoja MT



 

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Sustentabilidade

Projeto de renegociação das dívidas dos agricultores retorna à Câmara dos Deputados – MAIS SOJA

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O Senado Federal aprovou o Projeto de Lei (PL 5.122/2023), que cria mecanismos para auxiliar produtores rurais endividados em todo o país por meio da renegociação de dívidas. A proposta prevê instrumentos para facilitar a repactuação dos débitos, entre eles a criação de uma linha especial de crédito com recursos do Fundo Social do Pré-Sal e dos fundos constitucionais para produtores das regiões Norte e Nordeste. 

O projeto já havia sido aprovado anteriormente pela Câmara dos Deputados, mas, como recebeu alterações no Senado, precisará retornar à Câmara para nova votação antes de seguir para sanção presidencial. 

A proposta foi discutida com o Ministério da Fazenda, mas, segundo parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), não houve acordo com a equipe econômica do governo. 

Durante a votação, a vice-presidente da FPA no Senado, senadora Tereza Cristina (MS), afirmou que houve diversas tentativas de diálogo, mas que o governo não se sensibilizou com a situação enfrentada pelos produtores. Ela ressaltou, no entanto, que ainda há possibilidade de aperfeiçoamentos no texto durante a nova análise pela Câmara dos Deputados. 

“Nós tentamos esgotar todos os pontos que eram preocupantes e hoje não estamos falando de um problema eleitoral. Estamos falando de um segmento que carrega o Brasil, que é a agricultura brasileira. Ela passa por um momento terrível: commodities em baixa, juros em alta, plantamos uma safra com dólar a R$ 6 e estamos colhendo com dólar a R$ 5. Isso é mortal para os preços dos agricultores, além dos problemas climáticos enfrentados pelo Rio Grande do Sul”, declarou a senadora. 

Entre as condições previstas no projeto estão juros variando entre 3,5% e 7,5% ao ano, conforme o porte do produtor; limite de até R$ 10 milhões por beneficiário e de até R$ 50 milhões para cooperativas e associações; prazo de pagamento de até 10 anos, com até três anos de carência, podendo chegar a 15 anos em situações especiais. 

Segundo o coordenador da Comissão Trabalhista da FPA, deputado Afonso Hamm (RS), a aprovação representa um importante avanço para o setor. 

“Mais uma batalha vencida. Avançamos cerca de 80%, graças aos colegas deputados, senadores e ao movimento de quem vive esse drama, que são os produtores rurais. Esta é uma vitória importante, construída por muitas mãos.” 

O senador Luiz Carlos Heinze (RS) lembrou que, no Rio Grande do Sul, quatro das últimas sete safras foram prejudicadas pela seca e uma pelas enchentes, agravando a situação financeira dos agricultores. 

“É difícil pagar as contas diante de juros elevados, custos altos e preços baixos na comercialização. Pedimos ao governo que compreenda a realidade de um setor extremamente importante para o país.” 

A deputada federal Daniela Reinehr (SC) afirmou que o projeto agora precisa ser novamente aprovado pela Câmara dos Deputados para seguir à sanção presidencial. Ela também criticou a postura do Governo Federal em relação à proposta, defendendo a necessidade de uma solução para os produtores que acumulam dívidas em razão das sucessivas frustrações de safra. 

Fonte: Fecoagro com informações do Senado



FONTE

Autor:Fecoagro com informações do Senado

Site: Fecoagro/SC

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Sustentabilidade

El Niño 2026/27: foi dada a largada! – MAIS SOJA

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Por Jossana Ceolin Cera, Consultora Técnica do Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA). Meteorologista (CREA-RS 244228)
Condições meteorológicas ocorridas em maio de 2026 no estado do Rio Grande do Sul (RS)

A maior parte do RS teve acumulados de precipitação abaixo dos 120 mm. As exceções foram algumas áreas no Centro e no extremo Norte, que superaram os 160 mm (Figura 1A). Em boa parte da Metade Sul, as anomalias de precipitação foram negativas, com exceção do setor Nordeste (Figura 1B). Embora o aquecimento no Pacífico já tenha iniciado, a atmosfera demora um tempo para responder, estando ela ainda refletindo às condições de transição entre a La Niña e a Neutralidade.

Precipitação pluvial total (mm) e anomalia de precipitação (mm) previstas para julho, agosto e setembro de 2026 no estado do RS

Figura 1. Mapa da precipitação pluvial acumulada (A) e da anomalia da precipitação (B), em mm, no estado do Rio Grande do Sul, durante o mês de maio de 2026, em relação aos valores da Normal Climatológica (NC), relativa ao período 1991-2020. Fonte de dados: INMET

Os eventos de chuva ocorreram, basicamente, nos primeiros 10 dias de maio. Já ao redor do dia 25, houve chuva, mas em volumes muito baixos (Figura 2). Na média mensal, a temperatura do ar ficou com anomalia negativa, segundo dados do INMET. Houve alguns dias com temperaturas mais altas, em torno dos 30°C, mas que não caracterizaram um veranico. No restante do mês, as temperaturas máximas e mínimas ficaram, na maior parte dos dias, abaixo dos valores da Normal Climatológica (NC).

 

Fig 2 (2)
Figura 2. Temperaturas do ar máxima e mínima diária (°C) e suas respectivas Normais Climatológicas (°C) relativas ao período 1991-2020 (nas linhas pontilhadas em vermelho e azul) e precipitação pluvial diária (mm) referentes ao mês de maio de 2026, em seis municípios da Metade Sul do RS, representativos das seis regiões arrozeiras. Fonte de dados: INMET.

Situação atual do fenômeno ENOS (El Niño – Oscilação Sul) e perspectivas

Segundo a atualização da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), de 11 de junho de 2026, o sistema acoplado oceano-atmosfera, no Oceano Pacífico Equatorial, refletiu o início das condições do El Niño.

O mapa da anomalia da temperatura da superfície do mar mostra o avanço das águas mais quentes em direção ao Oceano Pacífico Equatorial, já abrangendo toda a região Equatorial (Figura 3). No boletim mensal divulgado pela NOAA, a anomalia na região do Niño 3.4, considerando a metodologia antiga (ONI) foi de +0,9°C e, considerando a metodologia nova (RONI), foi de +0,45°C, para o mês de maio. Aliás, pela metodologia antiga, o aquecimento começou em 15 de abril, já pelo novo método começou em 20 de maio, ambos em 2026. A região mais próxima à costa da América do Sul, o Niño 1+2, esteve com anomalia de +1,8°C considerando o ONI e com ~+1,4°C, considerando o RONI. A anomalia trimestral (Mar-Abr-Mai/2026), segundo o método RONI foi de -0,1°C, caracterizando a fase neutra do ENOS; já pela metodologia antiga (ONI), a anomalia foi de +0,5°C, caracterizando o primeiro trimestre em limiar de El Niño. Apenas para lembrar, a NOAA mudou a metodologia de cálculo, de ONI para RONI, tema já debatido em boletins anteriores. Só que, ao analisar a Figura 3, ela parece representar os dados do método antigo.

Fig 3 (2)
Figura 3. Anomalia da temperatura (°C) da água da Superfície do Mar no mês de maio de 2026. O retângulo central na imagem mostra a região Niño 3.4, a qual os centros internacionais utilizam para calcular o Índice Niño (que define a ocorrência de eventos de El Niño e La Niña). Já o retângulo menor mostra a região Niño 1+2, que modula a qualidade de distribuição das chuvas, ou seja, sua regularidade de ocorrência no estado do RS. Fonte: Adaptado de CPTEC.

A NOAA prevê, com 46% de probabilidade, que o El Niño atingirá a intensidade forte (anomalias entre +1,5 e +1,9°C) nesse próximo trimestre (Jul-Ago-Set/2026). Há 63% de probabilidade do evento chegar à intensidade muito forte (anomalias superiores a +2,0°C) durante o trimestre Nov-Dez/2026-Jan/2027. Lembrando que, eventos mais intensos nem sempre resultam em impactos meteorológicos e climáticos maiores. Mas, eles podem aumentar a probabilidade de ocorrência de determinados impactos.

O bolsão de águas subsuperficiais, com anomalias positivas de temperatura, segue ativo, e em intensificação, ao longo dos últimos meses na região equatorial (Figura 4). Há áreas com anomalias acima dos 6°C desde maio, ou seja, essas águas estão aflorando em superfície e darão sustentação e intensidade ao El Niño que está em desenvolvimento.

Fig 4 (2)
Fig 4 (2)Figura 4. Anomalia da temperatura (°C) subsuperficial das águas na região Equatorial do Oceano Pacífico em relação à profundidade (de 0 a 300 m), entre os meses de março a junho de 2026. Pêntadas significam média de cinco dias consecutivos. Fonte: Adaptado de CPC/NCEP/NOAA.

Previsão de precipitação – trimestre junho, julho e agosto de 2026 no RS

Para esse trimestre, o consenso do IRI (International Research Institute for Climate Society) indica precipitação próxima aos valores da Normal Climatológica (NC) na Metade Sul, com aumento da probabilidade de chuvas no Norte do Estado. Já o modelo CFSv2 (Climate Forecast System), da NOAA, prevê precipitações abaixo da NC, em todo o RS, em julho; dentro da NC em agosto e com tendência de ficar dentro da NC em setembro. Por sua vez, o modelo do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) prevê precipitações acima da NC durante os próximos três meses, com destaque para setembro (Figura 5). Analisando um conjunto maior de modelos, mas que não estão expostos aqui, a convergência entre eles é de que as precipitações fiquem acima da NC a partir de agosto.

Fotos Horizontais Site IRGA (14)
Figura 5. Precipitação pluvial total (mm) e anomalia de precipitação (mm) previstas para julho, agosto e setembro de 2026 no estado do RS. Fonte: adaptado de INMET.

O El Niño foi declarado pela NOAA e, agora, a expectativa fica por conta do início das chuvas mais frequentes no RS. É importante ressaltar que o principal efeito do El Niño é no aumento da frequência e volume das precipitações durante a primavera do primeiro ano (2026) e, em um segundo momento, durante o outono do ano seguinte (2027). Em anos de El Niño, além do aumento da nebulosidade, com consequente diminuição da radiação solar, além da temperatura média do ar sem mais alta, mas sem extremos, e umidade relativa do ar também mais elevada.

Em função disso, o produtor do RS deve ficar atento, na safra 2026/27, para alguns aspectos importantes:

  • Aproveitar os períodos secos para fazer o preparo das áreas para a semeadura do arroz irrigado e das culturas de sequeiro, para viabilizar a semeadura dentro do período recomendado;
  • Maior risco de enchentes em áreas próximas de rios. Logo, recomenda-se evitar grandes investimentos nessas áreas;
  • Para as lavouras de soja e milho em rotação, nas áreas baixas, priorizar um eficiente sistema de drenagem;
  • Com a primavera mais chuvosa, as janelas de semeadura serão menores e, possivelmente, haverá atraso na época de semeadura (arroz e soja). Semeaduras muito tardias devem ser evitadas, primeiro devido à redução de produtividade, em decorrência da menor disponibilidade de radiação solar e, segundo, devido ao impacto secundário do El Niño durante o outono de 2027, que poderá prejudicar a operação de colheita dessas culturas;
  • A brusone, principal doença fúngica do arroz, ocorre sob condições de temperaturas em torno dos 28°C, alta umidade relativa do ar (>90%), maior nebulosidade e molhamento foliar, conforme recomendações da Comissão Técnica do Arroz (CTAR, 2025). Em anos sob El Niño, essas condições ocorrem com maior frequência. Dentre as práticas de controle dessa doença, atenção deve ser dada para a escolha de cultivares mais resistentes a doenças e da adoção do manejo preventivo;
  • E, por último, mas não menos importante, é ficar atento ao sistema de irrigação para as culturas de sequeiro, como a soja, pois mesmo com El Niño, durante o verão há o risco de ocorrer algum período de 10 a 15 dias sem chuvas, com redução da produtividade de grãos.

Mantem-se a recomendação do acompanhamento contínuo das previsões meteorológicas de curto prazo (sete a 15 dias) como estratégia para aumentar a eficiência na execução das atividades agrícolas e apoiar a tomada de decisão no manejo das lavouras, assim como da previsão climática, para saber como o Oceano Pacífico irá se comportar e impactar nas chuvas do RS nos próximos meses.

Fonte: IRGA


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FONTE

Autor:Jossana Ceolin Cera, Consultora Técnica do Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA). Meteorologista (CREA-RS 244228)

Site: IRGA

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Sustentabilidade

Eficácia de fungicidas no controle da mancha-alvo na safra 2025/2026 – MAIS SOJA

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Considerada uma das principais doenças da soja, a mancha-alvo (Corynespora cassiicola) apresenta ampla distribuição geográfica, ocorrendo em praticamente todas as regiões produtoras do Brasil. Embora práticas integradas de manejo, como o uso de cultivares menos suscetíveis, rotação de culturas e adoção de boas práticas agronômicas, contribuam para reduzir a pressão da doença, o controle químico com fungicidas permanece como uma das principais estratégias utilizadas em lavouras comerciais para minimizar os danos e preservar o potencial produtivo da cultura. Dependendo da suscetibilidade da cultivar, das condições ambientais e da severidade da doença, perdas de produtividade de até 40% podem ocorrer quando medidas adequadas de manejo não são adotadas (Godoy et al., 2023).

Figura 1. Sintomas típicos de mancha-alvo (Corynespora cassiicola) em soja.
Foto: Maurício Stefanelo – Ceres Consultoria

Sobretudo, para maximizar a eficiência no controle da mancha-alvo na soja, além do correto posicionamento dos fungicidas quanto aos momentos de aplicação, é fundamental estabelecer um programa fitossanitário baseado em produtos com maior eficácia e desempenho no manejo da doença. Essa definição permite não apenas um controle mais eficiente da mancha-alvo, mas também contribui para a manutenção do potencial produtivo da lavoura.

Nesse contexto, conhecer a eficácia dos fungicidas disponíveis para o manejo da mancha-alvo é essencial para orientar o posicionamento desses produtos ao longo do ciclo da soja. Atualmente, existem 203 produtos registrados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) para o controle da mancha-alvo na cultura da soja (Agrofit, 2026). Entretanto, essa ampla disponibilidade de produtos pode dificultar a escolha das melhores ferramentas e a definição do programa fitossanitário. Assim, informações sobre a performance dos principais fungicidas utilizados no controle da doença auxiliam na tomada de decisão e no aprimoramento das estratégias de manejo.

Com o objetivo de avaliar a eficácia de fungicidas no controle da mancha-alvo em soja, ensaios cooperativos foram conduzidos na safra 2025/2026, envolvendo 17 experimentos (Tabela 1), realizados por 15 instituições de pesquisa em seis estados brasileiros (GO, MT, MS, BA, SP e PA). De acordo com Godoy et al. (2026), os resultados apresentados no Comunicado Técnico nº 5 da Rede Fitossanitária Tropical contemplam avaliações de diferentes estratégias de manejo, incluindo formulações prontas, misturas em tanque com mancozebe e programas baseados na rotação de fungicidas.

Tabela 1. Instituições, locais, datas da semeadura e cultivares de soja.
Fonte: Godoy et al. (2026)

As aplicações dos fungicidas foram iniciadas aos 41 dias após a semeadura e as reaplicações em intervalos de 14 dias. De acordo com os resultados obtidos, a menor severidade da mancha-alvo e a maior porcentagem de controle foi observada no tratamento com metiltetraprole + protioconazole Manfil (T14 – 74% decontrole) e na sequência, nos tratamentos com metiltetraprole + difenoconazol e Tróia (T12 – 67%), metiltetraprole + protioconazol (T13 – 65%), Fox Ultra e Milcozeb (T6 – 64%), Fox Xpro e Milcozeb (T4 – 64%), metiltetraprole + difenoconazol (T11 – 62%) e difenoconazol + protioconazol + oxicloreto de cobre (T18 – 60%) (Godoy et al., 2026).

Tabela 2. Severidade da mancha–alvo (SEV MA %), porcentagem de controle em relação à testemunha sem fungicida (C %), fitotoxicidade média (FITO %), produtividade (PROD kg/ha) e porcentagem de redução de produtividade (RP %) em relação ao tratamento com a maior produtividade. Média de 15 experimentos para severidade de mancha–alvo (1 a 5, 7 a 15 e 17), 7 locais para fitotoxicidade (1, 5, 7, 10, 12 a 14) e 8 locais para produtividade (1, 5, 7, 9, 10, 12 a 14). Safra 2025/2026 (Godoy et al., 2026).
Fonte: Godoy et al. (2026)

Segundo Godoy et al. (2026), embora todos os tratamentos com fungicidas tenham apresentado resultados superiores à testemunha (sem fungicidas), as maiores produtividades foram observadas no tratamentos com metiltetraprole + protioconazol e Manfil (T14 – 4.752kg/ha) e metiltetraprole + difenoconazol e Tróia (T12 – 4.603kg/ha), seguidos de Fox Ultra e Milcozeb (T6 – 4.572kg/ha), Fox Xpro e Milcozeb (T4 – 4.555kg/ha) e metiltetraprole + protioconazol (T13 – 4.520kg/ha).

Esses resultados reforçam a importância do adequado posicionamento de fungicidas para o controle da mancha-alvo, bem como a necessidade de integrar estratégias que contribuam para o manejo da resistência do fungo a fungicidas, devendo-se atuar de forma proativa no controle da doença.

Confira o Comunicado completo clicando aqui!



Referências:

AGROFIT. CONSULTA ABERTA. Ministério da Agricultura e Pecuária, 2026. Disponível em: < https://agrofit.agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons >, acesso em: 29/06/2026.

GODOY, C. V. et al. EFICÁCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DA MANCHA-ALVO, Corynespora cassiicola, NA CULTURA DA SOJA, NA SAFRA2025/2026: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Rede Fitossanidade Tropical, Comunicado Técnico, n. 5, 2026. Disponível em: < https://periodicos.ufv.br/STFT/article/view/24309/12452 >, acesso em: 29/06/2026.

GODOY, C. V. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DA MANCHA-ALVO, Corynespora cassiicola, NA CULTURA DA SOJA, NA SAFRA 2022/2023: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa Soja, Circular Técnica, n. 194, 2023. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1154756/1/Circ-Tec-194.pdf >, acesso em: 29/06/2026.

Foto de capa: Foto: Maurício Stefanelo.

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